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Estudos de História de Goiás

Estudos de História de Goiás

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Estudos de História de Goiás

Duração:
237 páginas
3 horas
Editora:
Lançados:
29 de mar. de 2019
ISBN:
9788593528026
Formato:
Livro

Descrição

O livro traz uma dupla contribuição aos estudos sobre a história de Goiás. A primeira contribuição evidencia-se na capacidade de síntese do autor, que se preocupa em traçar o processo histórico de Goiás num longo espaço temporal. Esse tratamento sinaliza novas possibilidades a uma disciplina que, apesar de inserida nos currículos, ainda se ressente de abordagens mais abrangentes e didáticas. A segunda contribuição reside na metodologia escolhida para tratar a história de Goiás. O autor apresenta a história do Estado em relação à história nacional sem subordinar a primeira à segunda ou o inverso. Esse enfoque permite vincular as particularidades da formação história desse Estado às reflexões acerca da história do Brasil. Desse modo, mais do que reproduzir os marcos e os adjetivos atribuídos a Goiás por uma uma leitura externa, o autor procede à reflexão sobre as imagens de isolamento, atraso e decadência, dentre outras. A presença e a perenidade dessas imagens nos livros de história reforça a necessidade da crítica e a importância desse livro. Há que se ressaltar também a consistência da pesquisa e a linguagem acessível em um trabalho que se respalda na pesquisa documental e historiográfica de autores representativos que abordaram a história de Goiás sob diferentes perspectivas. Apoiado nos grandes eixos temáticos que nortearam os estudos sobre o Estado de Goiás, o autor avança quando empresta complexidade e pluralidade às imagens recorrentes, cativas do senso comum, de um sertão bravio, casualmente civilizado pelo empreendimento bandeirante.
Editora:
Lançados:
29 de mar. de 2019
ISBN:
9788593528026
Formato:
Livro


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Estudos de História de Goiás - Wilson Rocha Fernandes Assis

© 2018 By Wilson Rocha Fernandes Assis

Direitos de publicação reservados à:

Palavrear Livros

Rua 232, n. 338, Setor Universitário,

CEP 74.605-140,

Goiânia - Goiás.

Telefone (62) 3086-3204.

Email contato@livrariapalavrear.com.br

Contato com o autor: wilsonrochaassis@gmail.com

Revisão e normatização: Augusto Rodrigues da Silva Jr.

Capa e Editoração Eletrônica: Beatriz Perini

Ilustração da Capa: Cidade de Goiás, 1803. Perspectiva de Vila Boa de Goiás mandada tirar pelo Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Dom João Manoel de Menezes. Autor: Joaquim Cardozo Xavier.

Fonte: Original manuscrito da Biblioteca Municipal Mário de Andrade, São Paulo.

Assis, Wilson Rocha Fernandes

Estudos de História de Goiás / Wilson Rocha Assis. – [S. l. : s. n.], 3a. edição, 2018. Goiânia: Palavrear Livros

172 p. : il.

ISBN 978-85-93528-02-6

Inclui referências bibliográficas

1.Goiás – História. 2. Goiás. I. Título.

CDU 981.73

Índice para catálogo sistemático

1. Goiás – História 981.73

2. Goiás. 981.73

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios

E navega nele ainda,

Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,

A memória das naus.

O Tejo desce da Espanha

E o Tejo entra no Mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.

Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde ele vai

E donde ele vem.

E por isso, porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se o mundo.

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Ninguém nunca pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

(O Guardador de Rebanhos, Fernando Pessoa)

SUMÁRIO

Introdução

1 - Colônia (1722 - 1822)

Antecedentes

Bandeiras, Entradas e Descidas

O Mito do Pioneiro e a Realidade da Fronteira

Ouro no Sertão

Goiás no Ciclo do Ouro

Introdução

Administração

A Tributação nas Minas

Povoamento

Sociedade e Cultura: o Cotidiano nas Minas

Os Índios e a Sociedade Mineradora

A Escravidão nas Minas

A Longa Decadência

Goiás nos Quadros da Independência

O Governo Independente do Norte (1821-1823)

2 - Império (1822 - 1889a)

A Construção do Brasil

Estado Unitário e Oficialismo Político

A abdicação de Dom Pedro I

Os Radicais e a Deposição de Miguel Lino de Morais

Conjuntura Sócio-Econômica de Goiás no Império

Reflexos Sociais da Crise da Mineração

As Imagens da Decadência e os Viajantes

A Expansão da Pecuária

A difícil comunicação

O Progresso das Idéias e das Artes

A Crise do Império em Goiás

Goiás e a Guerra do Paraguai

Transformações Sócio-Econômicas no Cenário Nacional

As transformações em Goiás

Liberais e Conservadores em Goiás

A Campanha Abolicionista em Goiás

A República e a Federação em Goiás

3 - República (1889 - 2006)

A República dos Coronéis (1889-1930)

Introdução

A República da Espada e a crise das constituições em Goiás

República, oligarquias e coronéis: a Política dos Governadores

O domínio dos Bulhões

O extremo norte goiano: a primeira revolução de Boa Vista

Xavier de Almeida e a Revolução de 1909

A derrocada definitiva dos Bulhões e a ascensão dos Caiado

O domínio dos Caiado

Movimentos Contestatórios em Goiás

Transformações Sócio-Econômicas: O Despertar dos Dormentes

A Revolução de 30

Quadro-resumo dos Partidos Políticos em Goiás na República Velha

A Revolução de Goiás (1930-1945)

A Nova Conjuntura Sócio-Política

Goiás e a Marcha para o Oeste

O Quadro Político em Goiás

O ideal mudancista e a transferência da capital

O Estado Novo

O fim da era Vargas-Ludovico

A República Liberal (1945-1964)

O Novo Quadro Político: Democracia e Populismo

Os Governos estaduais (1947-1960)

O governo Mauro Borges (1961-1964): Populismo, Nacionalismo e

Desenvolvimentismo

O Governo Mauro Borges: da Campanha da Legalidade ao Golpe de 1964

Os Governos Militares (1964-1982)

A derrubada de Mauro Borges: o Golpe de 64 e o Caso de Goiás

Quadro Político

A Modernização Conservadora do Campo

A Derrocada do Regime Militar

A Nova República em Goiás (1983-2006)

O novo quadro político (1983-1998)

Entre permanências e rupturas: Tempo Novo em Goiás (1998-2006)

Outros agrupamentos políticos

A luta pela criação do Tocantins

Da decadência à modernidade

Questões e Testes

Colônia

Império

República

Referências Bibliográficas

Introdução

A História de Goiás não é mais que uma das histórias possíveis do Brasil.

A aventura bandeirante é o marco mais longínquo de Goiás no contexto da colonização portuguesa. O ouro descoberto no sertão lança a região nos moldes da colonização mineradora que se instala no Brasil nos primórdios do século XVIII. A mineração deixou marcas profundas na construção do estado. Vilas e arraiais foram fundados e tribos indígenas, dizimadas. A ambição do ouro, com seu povoamento precário, instável e irregular, instaurou em Goiás uma típica sociedade de garimpo: urbana e violenta.

Todavia, mais que a descoberta do ouro, a sua decadência transformou Goiás. O sertão e o sertanejo abandonados após a febre do ouro, carregados no lombo de mulas pelas estradas difíceis e infindáveis que conduziam as tropas, eram o retrato da região pós ciclo do ouro.

Nos livros de história, o isolamento, a decadência, o atraso serão as marcas do Estado no interminável século XIX. A pecuária representava a única atividade econômica viável no longínquo sertão. Sertão bravio, amansado pelos séculos, mais tarde transformado em metrópole e celeiro agrícola do país.

Na República Velha, Goiás assistiu à instalação do coronelismo, mas também à chegada dos trilhos e às novas oportunidades trazidas pela expansão do Capitalismo.

A partir de 1930, Goiás tornou-se foco concentrado dos esforços governamentais para a integração nacional. A Marcha para o Oeste buscou a articulação sócio-econômica do imenso território brasileiro, integrando Goiás à dinâmica nacional. A construção de Goiânia, cidade-símbolo da Marcha para o Oeste, durante o governo de Getúlio Vargas, foi a expressão de novos tempos na história goiana.

A gradativa integração de Goiás na economia nacional, por meio da expansão da fronteira agrícola, do aperfeiçoamento dos meios de transporte e pela ação estratégica do próprio Estado, é causa de transformações significativas no âmbito regional. A economia goiana, voltada inicialmente para o abastecimento do mercado nacional, volta-se, agora, para o exterior, revelando a plena integração de Goiás ao sistema capitalista internacional.

É imprescindível que, já no início deste trabalho, faça constar uma justa lembrança aos mestres que têm se esmerado em revelar Goiás a si mesmo. Luís Palacin, Paulo Bertran, Barsanufo Gomides Borges, Nars Fayad Chaul, Francisco Itami Campos, Noé Freire Sandes, Cristina de Cássia Moraes, entre tantos outros, são credores impagáveis desta obra. A eles o reconhecimento e a devoção de discípulo. É do material fertilíssimo revelado por esses historiadores que tiramos a seiva para a construção deste livro, voltado especialmente para os estudantes do ensino médio. É nisso, por sinal, que reside a utilidade destas páginas. Carece nosso mercado livreiro de obras de História de Goiás voltadas para o ensino médio e para as necessidades dos exames vestibulares e concursos de nosso Estado. Não sendo, pois, um trabalho de pesquisa documental/acadêmica, esforço-me apenas por desvendar para olhos menos treinados os valiosos estudos desenvolvidos nas academias de História.

Já é tempo, então, de o sertão lançar os olhos sobre si mesmo. Definir-se como parte integrante do Brasil, apesar do silêncio e do esquecimento da história escrita sob a sombra das palmeiras do litoral. É hora de descobrir o Brasil goiano.

Antecedentes

Quando os holandeses eram expulsos do Nordeste, em 1654, encerrava-se uma fase importante da História do Brasil. A Insurreição Pernambucana, iniciada em 1645, determinou a derrocada da economia canavieira, responsável pela instalação, no Brasil, da estrutura colonial portuguesa. Com a cana, nasceu o império do latifúndio agroexportador, marca perene do país, apesar de tantas reviravoltas e revoluções. Com a cana nascia o Brasil litorâneo, dos portugueses que corriam as praias brasileiras, arranhando as costas como caranguejos, como afirma Frei Vicente do Salvador. O Brasil crescia e se amoldava às estruturas do Capitalismo nascente.

Nos quadros do sistema colonial de então, as lonjuras desertas do interior do Brasil estavam legadas ao esquecimento. Os sertões eram terra de índios que fugiam da colonização ou de uns poucos aventureiros que, relegados à pobreza, ou por impulso da Coroa, percorriam as imensidões do território em busca do ouro.

O sonho de encontrar o Eldorado português inspirou mitos e lendas. Ocorre que o sonho tornou-se uma premente necessidade no momento em que Portugal viu-se finalmente independente da Espanha, com a Restauração¹, em 1640. A bancarrota portuguesa fora ocasionada pela perda das principais possessões coloniais para a Holanda. Em Pernambuco, tomado em 1830, as lutas pela expulsão dos holandeses vinham desde 1645 e uniram portugueses, índios e negros na peleja contra o invasor holandês. Expulsos em 1654, conhecedores das técnicas de produção do açúcar, os holandeses passaram a se dedicar à lavoura canavieira nas Antilhas, fazendo séria concorrência com o açúcar luso-brasileiro, produzido principalmente no Nordeste.

Nesse contexto de crise econômica, Pedro II, à época príncipe regente de Portugal, chegou a escrever aos súditos da miserável vila de São Paulo, no Planalto de Piratininga, Capitania de São Vicente, rogando para que se dirigissem ao sertão em busca do ouro, capaz de salvar a fragilizada economia portuguesa.

Por essa época, São Paulo era a região mais pobre do Brasil. A lavoura canavieira, pioneiramente instalada naquela região, sucumbiu à concorrência do açúcar nordestino. A Capitania de São Vicente, onde foi instalado o primeiro engenho do Brasil e fundada a primeira vila, passava por profunda estagnação econômica, em meados do século XVII. Os habitantes da região, diante da falência econômica, passaram a se dedicar ao apresamento de índios, saqueando e destruindo reduções jesuíticas espanholas, localizadas nas regiões hoje correspondentes aos Estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.

Assim, o sertão relegado pelas autoridades metropolitanas acabou por se tornar alvo das bandeiras paulistas. Percorrendo os caminhos a pés descalços, os paulistas refaziam as antigas trilhas indígenas. Saqueadores profissionais agiam ora em nome de seus interesses particulares, à revelia da lei, escravizando e vendendo índios, ora em nome da Coroa, sendo contratados pelos ricos senhores de engenho do Nordeste para destruir o ameaçador e gigantesco Quilombo de Palmares, em 1695.

Exímios conhecedores do sertão, os paulistas foram os primeiros convocados da Coroa para a epopéia do ouro brasileiro.

Bandeiras, Entradas e Descidas

Ao longo dos séculos XVI e XVII, por força do caráter litorâneo da colonização portuguesa, Goiás, como parte do imenso sertão, encontrava-se esquecido da faina mercantilista. Esquecido, mas não de todo ignorado. A rigor, grande parte do território goiano nem mesmo pertencia a Portugal, uma vez que era cortado ao meio pelo meridiano de Tordesilhas. Serão os tratados de fronteira posteriores, assinados já no século XVIII, a exemplo do Tratado de Madri de 1750, já com o pleno desenvolvimento da mineração, que definiriam Goiás nos limites da América portuguesa.

Mesmo assim, desde os primeiros momentos da colonização e principalmente no período da União Ibérica (1580-1640), que fez confundir os reinos de Portugal e Espanha, Goiás foi alvo de inúmeras expedições. Destacaram-se as bandeiras, entradas e descidas.

As bandeiras eram expedições organizadas e financiadas por particulares, mas autorizadas pela Coroa, de caráter comercial e militar, que percorriam o vasto sertão à cata de índios (bandeiras de apresamento), em busca de ouro (bandeira de prospecção), ou ainda para dar combate a aldeias rebeldes e quilombos (sertanismo de contrato). O documento oficial de formação de uma bandeira era chamado Regimento, que continha normas sobre sua constituição, objetivos, organização e distribuição dos novos descobertos auríferos.

Já as entradas eram expedições oficiais, ou seja, formadas à custa da própria Coroa, destinadas à exploração dos sertões, fazendo o reconhecimento geográfico do interior do território, delimitando os principais acidentes geográficos, vias fluviais navegáveis, além da busca incansável por metais preciosos.

As descidas, por sua vez, eram expedições fluviais, oriundas de Belém, na Capitania do Grão-Pará, que, subindo os rios Tocantins e Araguaia, chegavam ao território goiano em busca de índios para as missões (ou reduções) jesuíticas da Amazônia.

Portanto, o território goiano já era razoavelmente conhecido quando, por volta de 1722, a expedição do Anhanguera aventurou-se pela região em busca de ouro.

O Mito do Pioneiro e a Realidade da Fronteira

As publicações geralmente destinadas ao ensino médio, bem como o imaginário coletivo goiano, repetem incansavelmente a imagem heróica do bandeirante, desbravador do sertão, portador da missão catequética e civilizadora da colonização portuguesa. A realidade do sertão, contudo, não é aquela expressa pela visão heróica dos bandeirantes. Segundo José de Souza Martins, as concepções centradas na figura imaginária do pioneiro deixam de lado o essencial, o aspecto trágico da fronteira, que se expressa na mortal conflitividade que a caracteriza (Martins, 1997, p. 15).

Por fronteira entende-se aqui o lugar de encontro e confronto das civilizações ameríndia e européia, criando um espaço dinâmico de violentos atritos e trocas desiguais que marcaram profundamente o desenvolvimento histórico desses povos.

Dessa forma, os primeiros tempos de Goiás no contexto da colonização portuguesa são marcados por uma dinâmica de conflito intenso, envolvendo especialmente brancos e índios.

Conforme ensina José de Souza, no momento em que os luso-brasileiros avançavam sobre o sertão, incorporando novas regiões à lógica da acumulação do capital, concepções diferentes do mundo e da História sobrepunham-se e se chocavam. O branco europeu, cristão e capitalista, defrontava-se com a comunidade indígena primitiva, igualitária e guerreira, privando-lhe das terras e dos rios essenciais à sua sobrevivência. Na colonização portuguesa, a cobiça, o lucro e a acumulação moldavam o espaço conforme suas necessidades, buscando legitimar suas ações através da missão evangelizadora, por vezes, sinceramente assumida por alguns dos agentes da colonização.

A História não pode, portanto, ignorar o aspecto trágico que representou a aventura bandeirante para as comunidades indígenas, as quais acabaram vitimadas por um processo sistemático de dizimação física e cultural.

¹ Movimento ocorrido em Portugal, em 1640, e que representou o fim do domínio espanhol sobre o reino português. Dom João IV ascendeu ao trono de Portugal, iniciando a dinastia Bragança.

Ouro no Sertão

Em 03 de julho de 1722, eram mais de 500 homens partindo da vila de São Paulo rumo ao sertão. Trinta e nove cavalos, cento e cinqüenta e duas armas, dois religiosos, todos chefiados pelo capitão Bartolomeu Bueno da Silva, que herdara do pai o nome e a alcunha de Anhanguera. A expedição duraria 3 anos,

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