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Sobre a imortalidade de Rui de Leão

Sobre a imortalidade de Rui de Leão

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Sobre a imortalidade de Rui de Leão

notas:
4/5 (1 nota)
Duração:
95 páginas
1 hora
Lançados:
20 de jul. de 2018
ISBN:
9788554350000
Formato:
Livro

Descrição

Quem quer viver para sempre?
Publicados pela primeira vez em 1872 e 1882, respectivamente, Rui de Leão e O imortal contam duas versões diferentes da mesma história de um homem que, após beber misteriosa poção que recebeu das mãos do sogro enfermo, descobre que não pode mais morrer. Nada poderia tê-lo preparado para isso, mas Rui de Leão não vê outra opção além de seguir em frente — e permitir que o leitor siga com ele.
A primeira publicação da Plutão Livros traz dois contos precursores da ficção científica brasileira, escritos por ninguém menos do que Machado de Assis, com prefácio de Roberto de Sousa Causo e ilustrações de Paula Cruz.
Lançados:
20 de jul. de 2018
ISBN:
9788554350000
Formato:
Livro

Sobre o autor

Brazil's Machado de Assis, the greatest Latin American novelist of the nineteenth century (1839-1908), also excelled in the short story.


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Sobre a imortalidade de Rui de Leão - Machado de Assis

Pre­fá­cio

O imor­tal e o imor­tal: Ma­cha­do de As­sis e a fic­ção ci­en­tí­fi­ca

Rui de Leão

O imor­tal

Ma­cha­do de As­sis

Ro­ber­to de Sou­sa Cau­so

Pau­la Cruz

Cré­di­tos da edi­ção

Ma­cha­do de As­sis e a fic­ção ci­en­tí­fi­ca

A FIC­ÇÃO CI­EN­TÍ­FI­CA bra­si­lei­ra exis­te des­de me­a­dos do sé­cu­lo XIX. Essa é uma afir­ma­ti­va que, ao mes­mo tem­po em que é in­con­tes­tá­vel, exi­ge ex­pli­ca­ções e qua­li­fi­ca­ti­vos, es­pe­ci­al­men­te por­que a ocor­rên­cia de FC no país é bas­tan­te es­po­rá­di­ca. O qua­dro de in­cons­tân­cia se dá, cu­ri­o­sa­men­te, en­tre os anos de 1857 e 1957, um lap­so de cem anos que for­ma o que cha­mei de Pe­rí­o­do Pi­o­nei­ro da Fic­ção Ci­en­tí­fi­ca Bra­si­lei­ra — e de sa­í­da ad­mi­to que cem anos são de fato mui­to tem­po para agru­par uma de­ter­mi­na­da cir­cuns­tân­cia li­te­rá­ria.

Esse pe­rí­o­do, é cla­ro, pos­sui mo­men­tos e si­tu­a­ções bas­tan­te va­ri­a­das, mas é jus­to le­van­tar dois pon­tos que cir­cuns­cre­vem mui­to da sua iden­ti­da­de: pri­mei­ro, a mai­or par­te da­que­la pro­du­ção fic­ci­o­nal ade­ria aos mo­de­los nar­ra­ti­vos e às con­ven­ções li­te­rá­rias do sé­cu­lo XIX, es­pe­ci­al­men­te o ro­man­ce de aven­tu­ra e de capa e es­pa­da, o con­to de sub­je­ti­vi­da­de ro­mân­ti­ca, a nar­ra­ti­va de mun­do per­di­do, a sá­ti­ra so­ci­al e o pan­fle­to utó­pi­co; se­gun­do, a fal­ta do en­ten­di­men­to — crí­ti­co ou po­pu­lar — de tal pro­du­ção como par­te de um gê­ne­ro li­te­rá­rio es­pe­cí­fi­co.

O se­gun­do as­pec­to ci­ta­do co­me­ça a se al­te­rar mui­to ra­pi­da­men­te a par­tir de 1957, ano em que os ci­en­tis­tas so­vi­é­ti­cos pu­se­ram o Sput­nik em ór­bi­ta, e quan­do a ame­a­ça de con­fli­to nu­cle­ar en­tre as su­per­po­tên­cias ven­ce­do­ras da Se­gun­da Guer­ra Mun­di­al, além do ad­ven­to de ino­va­ções tec­no­ló­gi­cas como o com­pu­ta­dor, o apa­re­lho de te­le­vi­são, o voo su­per­sô­ni­co e o mís­sil te­le­gui­a­do en­tra­ram na cons­ciên­cia po­pu­lar. São fa­to­res que apro­xi­mam a re­a­li­da­de ime­di­a­ta das idei­as da fic­ção ci­en­tí­fi­ca. A FC é en­tão re­des­co­ber­ta como um gê­ne­ro li­te­rá­rio com algo a di­zer de con­cre­to, pro­fun­do e ur­gen­te so­bre o mun­do. Nos Es­ta­dos Uni­dos, a gran­de pro­du­ção an­tes di­ri­gi­da às re­vis­tas po­pu­la­res (cha­ma­das de pulp ma­ga­zi­nes) já ha­via se de­can­ta­do em um nú­me­ro de ro­man­ces e an­to­lo­gi­as pu­bli­ca­das em li­vro — edi­ções em capa dura des­ti­na­das ao mer­ca­do de bi­bli­o­te­cas pú­bli­cas e clu­bes do li­vro; e edi­ções em bro­chu­ra e for­ma­to de bol­so, em gran­des ti­ra­gens, na as­sim cha­ma­da "re­vo­lu­ção dos pa­per­backs" sur­gi­da du­ran­te a guer­ra.

No Bra­sil, dois li­vros lan­ça­dos em 1958 mar­cam a che­ga­da da FC como gê­ne­ro no país: a an­to­lo­gia Ma­ra­vi­lhas da fic­ção ci­en­tí­fi­ca, edi­ta­da por Fer­nan­do Cor­reia da Sil­va e Wil­ma Pupo No­guei­ra Bri­to, e O ho­mem que viu o dis­co-vo­a­dor, um há­bil ro­man­ce de Ru­bens Tei­xei­ra Sca­vo­ne, am­bi­en­ta­do em São Pau­lo e na Ilha da Trin­da­de. A an­to­lo­gia não trou­xe ne­nhu­ma his­tó­ria bra­si­lei­ra, mas apre­sen­tou uma bri­lhan­te e eru­di­ta in­tro­du­ção do crí­ti­co Má­rio da Sil­va Bri­to, que, por si só, dis­pa­rou um de­ba­te en­vol­ven­do a in­te­lec­tu­a­li­da­de de São Pau­lo, Mi­nas Ge­rais e Rio de Ja­nei­ro so­bre a re­le­vân­cia ou ir­re­le­vân­cia da FC para a li­te­ra­tu­ra e a mo­der­ni­da­de. O gon­go soou, e no rin­gue des­sa ques­tão li­te­rá­ria su­bi­ram fi­gu­ras de peso como Otto Ma­ria Car­pe­aux, Wil­son Mar­tins, An­tô­nio Olin­to, Ma­ria de Lour­des Tei­xei­ra, João Ca­mi­lo de Oli­vei­ra Tor­res, Cló­vis Gar­cia, Al­cân­ta­ra Ma­cha­do, Fre­de­ri­co Bran­co, Willy Lewin, Faus­to Cu­nha, Laís Cor­rêa de Araú­jo, An­dré Car­nei­ro e o edi­tor Gu­mer­cin­do Ro­cha Do­rea. Algo se­me­lhan­te só vi­ria a acon­te­cer com os es­for­ços de Luiz Bras (pseu­dô­ni­mo de Nel­son de Oli­vei­ra) — se­gui­dos ao seu en­saio-ma­ni­fes­to Con­vi­te ao mains­tre­am (2009) — de apro­xi­mar a fic­ção ci­en­tí­fi­ca da fic­ção li­te­rá­ria bra­si­lei­ra, mas em me­nor es­ca­la e com me­nor po­lê­mi­ca.

Qua­se nes­se mes­mo ins­tan­te, Gu­mer­cin­do Ro­cha Do­rea pu­bli­ca a co­le­tâ­nea de his­tó­rias Eles her­da­rão a Ter­ra (1960), de Di­nah Sil­vei­ra de Quei­roz, e a An­to­lo­gia bra­si­lei­ra de fic­ção ci­en­tí­fi­ca (1961), edi­ta­da por si pró­prio — a pri­mei­ra an­to­lo­gia de FC bra­si­lei­ra da his­tó­ria da li­te­ra­tu­ra. Os li­vros sa­í­ram na co­le­ção Fic­ção Ci­en­tí­fi­ca GRD, que a par­tir daí abri­gou di­ver­sos ou­tros au­to­res na­ci­o­nais: Olin­to, Car­nei­ro, Cu­nha, Zora Sel­jan, Levy Me­ne­zes, Gui­do Wil­mar Sas­si, Ál­va­ro Ma­lhei­ros e o ve­te­ra­no Je­rôny­mo Mon­tei­ro — que fun­dou a As­so­ci­a­ção Bra­si­lei­ra de Fic­ção Ci­en­tí­fi­ca (o pri­mei­ro fã-clu­be de FC do país) e foi o edi­tor do Ma­ga­zi­ne de Fic­ção Ci­en­tí­fi­ca (1970-72), nos­sa ver­são da im­por­tan­te re­vis­ta ame­ri­ca­na The Ma­ga­zi­ne of Fan­tasy & Sci­en­ce Fic­ti­on.

Se­guin­do as Edi­ções GRD de Do­rea, veio a EdArt, pu­bli­can­do Car­nei­ro, Nil­son D. Mar­tel­lo, Wal­ter Mar­tins, Do­min­gos Car­va­lho da Sil­va e vá­rios ou­tros. O Clu­be do Li­vro tam­bém par­ti­ci­pou des­se mo­men­to, pu­bli­can­do Sca­vo­ne e Luiz Ar­man­do Bra­ga. A atu­a­ção de Do­rea foi im­pac­tan­te o su­fi­ci­en­te para que Faus­to Cu­nha, en­tão um dos crí­ti­cos mais re­le­van­tes do Bra­sil, cha­mas­se de Ge­ra­ção GRD o elen­co de es­cri­to­res bra­si­lei­ros que es­cre­ve­ram FC na­que­la dé­ca­da.

Sur­ge aí, en­tre 1957 e 1972, a Pri­mei­ra Onda da Fic­ção Ci­en­tí­fi­ca Bra­si­lei­ra. Sem dú­vi­da, a di­ta­du­ra mi­li­tar (1964-85) teve um pa­pel tan­to na des­con­ti­nui­da­de da Pri­mei­ra Onda quan­to na re­o­ri­en­ta­ção do que se­ria a tô­ni­ca da FC na­ci­o­nal na dé­ca­da de 1970. Esse mo­men­to se­guin­te — que pode ser cha­ma­do de Ci­clo ou Onda de Uto­pi­as e Dis­to­pi­as (1972-82) — em­pur­rou os au­to­res da Pri­mei­ra Onda para o fun­do do pal­co, como as fi­gu­ras que ti­ve­ram uma so­bre­vi­da nes­sa dé­ca­da, Car­nei­ro, Cu­nha, Quei­roz e Sca­vo­ne. Para a fren­te veio uma FC que, mui­tas ve­zes de ma­nei­ra ale­gó­ri­ca e ab­sur­dis­ta, fa­zia a crí­ti­ca ao re­gi­me mi­li­tar, à tec­no­cra­cia e à im­per­ti­nên­cia do Es­ta­do que ten­ta­va ge­ren­ci­ar a se­xu­a­li­da­de e os cos­tu­mes. Fo­ram au­to­res como Ruth Bu­e­no, Mau­ro Cha­ves, Chi­co Bu­ar­que, Ma­ria Ali­ce Bar­ro­so, Her­ber­to Sa­les, Már­cio Sou­za e, es­pe­ci­al­men­te, Ig­ná­cio de Loyo­la Bran­dão, cujo ro­man­ce Não ve­rás país ne­nhum (1981) se tor­nou o mar­co da­que­le mo­men­to. Essa ten­dên­cia, po­rém, dis­si­pou-se com

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