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Para Onde Vai a Política Brasileira? Breve Ensaio Sobre a Crise de Representação e o Pós-Impeachment
Para Onde Vai a Política Brasileira? Breve Ensaio Sobre a Crise de Representação e o Pós-Impeachment
Para Onde Vai a Política Brasileira? Breve Ensaio Sobre a Crise de Representação e o Pós-Impeachment
E-book219 páginas4 horas

Para Onde Vai a Política Brasileira? Breve Ensaio Sobre a Crise de Representação e o Pós-Impeachment

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Sobre este e-book

O público interessado em entender o país encontrará no livro Para onde vai a política brasileira? perguntas e respostas instigantes sobre os últimos acontecimentos que marcam a crise política atual. As manifestações de junho de 2013, a Operação Lava Jato, as eleições presidenciais de 2014, os protestos antipetistas de 2015 e o impeachment da presidenta Dilma Rousseff são narrados de forma meticulosa pelo autor, apresentando informações de bastidores e o que foi debatido pela imprensa, dando um caráter objetivo e factual às análises apresentadas ao longo da obra. Trata-se de um jovem cientista político, professor e pesquisador baiano com vasta presença em palestras, conferências, escritos em jornais, blogs e redes sociais, que oferece novos pontos de debate sobre a política, em especial, sobre os rumos da esquerda brasileira e do lulismo, enquanto fenômeno de representação eleitoral nos últimos anos. Ao dialogar com os fatos, o autor oferta ao público leitor análises para quem não vivencia a vida acadêmica e tem como ponto forte o intenso diálogo com outras obras lançadas nos últimos anos no calor da crise política brasileira.

A escolha do autor pelo tema do livro acompanha a sua trajetória de cientista político: busca lançar luzes sobre o futuro da política democrática no país e as raízes das disputas societárias que não serão facilmente capturadas por uma representatividade do sistema político decorrente das eleições de 2018. A política brasileira tem um encontro marcado nos próximos anos com a sua definição de república e democracia dentro do sistema político e pelas ruas do país.

O leitor ou a leitora encontrará nas páginas deste livro uma ampla reconstituição dos fatos políticos dos últimos anos, uma viagem sobre a crise política brasileira em diálogo com o que virá pela frente: teremos um avanço da democracia com a construção de um novo pacto de classes, assim como fez o varguismo e o lulismo? Ou estaremos diante de um retrocesso que fragiliza a nossa democracia e a sociedade civil ao ponto de criarmos perigos autoritários enquanto uma armadilha civilizatória consonante com o nosso passado colonial? Para onde vai a política brasileira?
IdiomaPortuguês
Data de lançamento15 de fev. de 2019
ISBN9788547328092
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    Para Onde Vai a Política Brasileira? Breve Ensaio Sobre a Crise de Representação e o Pós-Impeachment - Cláudio André de Souza

    Editora Appris Ltda.

    1ª Edição - Copyright© 2018 dos autores

    Direitos de Edição Reservados à Editora Appris Ltda.

    Nenhuma parte desta obra poderá ser utilizada indevidamente, sem estar de acordo com a Lei nº 9.610/98.

    Se incorreções forem encontradas, serão de exclusiva responsabilidade de seus organizadores.

    Foi feito o Depósito Legal na Fundação Biblioteca Nacional, de acordo com as Leis nºs 10.994, de 14/12/2004 e 12.192, de 14/01/2010.

    COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO CIÊNCIAS SOCIAIS

    À Maria Victória Espiñeira,

    pela forma humana e leve como nos ensina política.

    O mundo da política não te leva ao céu,

    mas a sua ausência é o pior dos infernos.

    (Maquiavel)

    PREFÁCIO

    O que faz um sujeito escrever um livro? A resposta mais pura é: dotado de um conhecimento extraordinário e da capacidade de organizar elementos relevantes, compartilhar ideias com parcelas da sociedade interessadas naquela temática. O contraponto a essa percepção está atrelado à ideia de ler o próprio nome na capa, de promover um lançamento festivo numa noite onde ficamos sentados numa cadeira esperando que nossos admiradores, em fila, nos peçam um autógrafo. Levantamos para os mais íntimos, ficamos sem graça diante de quem nos trata com uma proximidade que não condiz com o tamanho de nossa memória e sentimos que estamos impactando novos universos ao assinarmos uma mensagem padrão para pessoas que nunca vimos. É assim que funciona. No mais, esperamos o dia de ler algo que nos cite e nos preencha de alegria.

    Entre os sentimentos acima deve existir o que podemos chamar de equilíbrio quando se escreve um livro. É bastante óbvio, natural e esperado que a vaidade esteja presente. Livro é como filho: e quando um nasce, é delicioso vibrar e mostrar. Mas filho se faz para o mundo. Assim, livro bom é aquele que se entende, que ocupa espaço necessário, que engrandece o debate e contribui com a sociedade. Nasce aqui algo assim. Cláudio André de Souza não trabalhou para a sua vaidade. Aqui ele definitivamente ocupou um belo espaço. Em Para onde vai a política brasileira? o autor literalmente presta um serviço. E isso é fundamental.

    Cinco pontos merecem atenção para que essa ideia fique clara.

    O primeiro: a escrita é fácil, e o livro é daqueles possíveis de serem devorados em poucas horas. Mas a obra merece atenção, o que significa que vale ler portando lápis, bloco e alguns adesivos coloridos que marcam páginas. Cláudio André, assim, mostra que não escreve para ele, tampouco para o universo acadêmico no qual está inserido e que por vezes se mostra empolado e vaidoso. O texto flui.

    O segundo: o autor se posiciona na história de maneira muito precisa. Os manifestos de 2013, que muitos buscam já em 2018 dizer com clareza para que serviram ou para onde nos levaram, são tratados como um elemento que ainda tem muito a explicar sobre o Brasil. Isso é essencial: Cláudio André não tem pressa para explicar muito do que ainda vivemos e viveremos. Pelo contrário, tem todo o interesse do mundo em deixar portas abertas, em plantar interrogações e provocar reflexões. Para o universo da sociologia isso é fundamental, pois algo de muito valioso nessa ciência é a capacidade de causar desconfortos sem soluções fáceis.

    O terceiro: o autor é honesto demais em sua proposta literária. Desde o início fica claro com quem dialoga e quais elementos ele oferece para a construção de seus argumentos. Quando afirma que deseja oferecer bases interpretativas da crise [política], dialogando com um público mais amplo sobre os últimos capítulos que marcaram a política brasileira desde 2013 até o final se compromete com tal fato. E a sua clareza vai além: me cerco de um boom de publicações recentes (livros e artigos científicos) que tratam da crise e aderem à tarefa de analisar a conjuntura política atual. Perfeitamente. Aqui fica claro que o intuito maior de Cláudio André é oferecer uma leitura de tantas leituras, o que é essencial em meio ao volume assombroso de informações que nos consome nesse instante de tamanha incerteza.

    O quarto: em meio à percepção de que deseja organizar ideias, o autor não escreve imerso em uma solidão intelectual. Não se trata de uma obra em que ele oferece ao mundo sua genialidade. Cláudio André não tem idade para isso, mas principalmente tal posicionamento não é próprio de seu caráter. Ele nunca se colocaria acima de alguém para escrever um livro que tivesse um tom ao estilo sirvam-se de minha superioridade intelectual, pelo contrário. Aqui ele é preciso, cuidadoso com as afirmações, humilde e zeloso pela forma acadêmica de expor pensamentos sem cair nas armadilhas de um academicismo enfadonho. E que fique claro: o autor busca dialogar claramente com a esquerda quando constrói seus argumentos. Seu texto resgata importantes escritos e relevantes reflexões de autores claramente posicionados. Nomes de peso como André Singer, Francisco de Oliveira, Fernando Haddad, Wagner Romão, Leonardo Avritzer, Renato Janine Ribeiro entre outros estão presentes.

    O quinto: mesmo diante de seu posicionamento ideológico, o livro não carrega consigo um discurso acentuado de vitimização em virtude do processo de impeachment vivido em 2016, tampouco reforça posicionamentos de superioridade em relação à política e à realidade brasileira. Pelo contrário: a obra é escrita em tom crítico e, principalmente, em ritmo de incerteza. Nesse instante da História, quem afirmar que sabe onde estaremos daqui a alguns anos cometerá exercício paupérrimo de futurologia explícita. E isso não nos leva a nada de razoável ou concreto. Ao longo da narrativa, o autor traz as fragilidades de liderança e coordenação política de Dilma Rousseff, a pouca habilidade de articulação do Palácio do Planalto e a dificuldade de diálogo com forças de oposição. Cláudio André termina o livro em tom de indefinição observando: uma das perguntas que nos toma nesse momento é saber qual ciclo viverá a política brasileira daqui por diante, concluindo que a política brasileira caminha para uma situação de incerteza e as eleições de 2018 apresentam um caráter de transição que envolverá as bases fundantes da democracia e da relação entre Estado e sociedade civil.

    Diante de tais pontos, a principal pergunta é: a quem se destina uma obra desse tipo? Essa eu entendo que seja a mais instigante e desafiadora missão desse prefácio. Eis aqui minha tentativa de resposta: diante de tudo o que foi posto, poderia se tratar de uma obra voltada para uma grande autocrítica da esquerda restrita às suas fileiras. Certamente a organização das posições do autor seria criticada por muitos, elogiada por tantos outros e geraria aquele desconforto necessário a qualquer processo de enfrentamento de uma crise – algo que, diga-se de passagem e a despeito de atropelos e conflitos, a esquerda faz muito melhor que a direita, sobretudo no Brasil. Mas aqui o autor vai além em seu desejo de dialogar de forma ampla.

    Escolheu para escrever esse prefácio um autor com quem convive e sabe, claramente, que tem orientação ideológica distinta da sua. Não chamo Dilma Rousseff de presidenta, não utilizo a palavra golpe para analisar o processo de impeachment de 2016 e acredito que parte do que se convencionou chamar de um odioso antipetismo foi estimulado por uma postura conflituosa do próprio ex-presidente Lula durante seu governo e história. Ademais, jogar o peso partidário dos escândalos de corrupção sobre o PT está atrelado ao fato de que se tratava do único grande partido com semblantes organizacionais no país, bem como parte de seu discurso foi se apresentar como diferente em algo que se mostrou semelhante. Como não forçar a mão sobre os trabalhadores?

    Ademais, entendo que o PSDB fez uma oposição branda demais ao PT entre 2003 e outubro de 2014 e compreendo que grande parte do que Aécio Neves promoveu contra a reeleição de Dilma Rousseff foi apenas para gerar uma instabilidade condizente com tudo o que o PT fez contra Fernando Henrique Cardoso em 1999, por exemplo. Atitude de oposição pouco madura, irresponsável, mas já escrita em outrora. A deprimente gravação do ex-presidente nacional dos tucanos com o criminoso Joesley Batista deixa isso claro – Lembra depois da eleição? Os filhas da p… sacanearam tanto a gente, vamos entrar com um negócio aí para encher o saco deles também. Ou seja: não interpreto parte dos fatos da mesma forma que o autor, mas também não aproveitarei esse espaço para construir uma narrativa paralela, pelo contrário. Quero valorizar demais o que temos nesse livro.

    Assim, a despeito de tais diferenças, algo mais chama a atenção. A obra de Cláudio André é tão correta, tão dotada de um desejo de oferecer uma visão organizada da situação política do país a partir de 2013, que é merecedora de clara atenção de quem pensa de forma distinta da dele. Esse é um ponto crucial: perdemos o interesse em ler quem pensa diferente de nós, e nos bestializamos de maneira perigosa. Os fatos aqui são contados de UM modo, como todos os fatos podem e devem ser narrados. A questão é que perdemos a capacidade de ler essas versões plurais. Aprendi demais nesta obra. Quantas dessas narrativas seguras e corretas existem à direita? Existem? Seríamos capazes de ler todo esse conjunto sem ódios?

    Termino, assim, com o convite que Cláudio me fez depois de me dizer que estava concluindo este livro:

    — Humberto, meu querido, quero que você escreva o prefácio. Conto com você para comentar e lançar luzes também sobre o que está acontecendo na política brasileira.

    — Cláudio, a honra é imensa! Mas você sabe como penso. Estamos distantes em matéria ideológica.

    — Por isso mesmo, Humberto! Precisamos dialogar.

    Precisamos dialogar. É isso o que Cláudio André nos oferece aqui: a possibilidade de dialogar, de ler uma crítica construtiva e clara sobre uma das formas de se enxergar o que vivemos politicamente no Brasil de hoje. Viés de esquerda? Sim! E isso é ótimo. E é na diferença que vamos aprendendo a viver e a construir um universo mais democrático. Por sinal, é num convite como esse, num gesto dessa natureza, que tiramos o que pode ser um bom sinal.

    O Brasil plantou o mal na política sem qualquer alternativa. O conflito fechou tantas portas que em 2016 tivemos eleições locais onde candidatos se apresentaram, lamentavelmente, como não políticos. Para completar, em algumas cidades as abstenções e os votos inválidos, por razões que transcendem o desinteresse, cresceram. Chegamos a 2017 e 2018 assistindo a eleições suplementares para governadores no Amazonas (2017) e no Tocantins (2018) com índices de apatia que atingiram cerca de 40% (AM) e 50% (TO). Indicadores de simpatia pelos partidos políticos, calculados desde 1989 pelo Datafolha, atingiram resultados inéditos e alarmantes de distanciamento do eleitorado. Tudo parece incerto. Em 2014, por exemplo, éramos 5% mais eleitores que em 2010, mas houve apenas 3,5% de aumento no comparecimento ao primeiro turno e registramos –1% de votos válidos para deputado federal. Essa distância entre o crescimento do eleitorado e a diminuição das escolhas para a Câmara dos Deputados representa cerca de cinco milhões de eleitores que, se distribuídos pelos estados e refeitos os cálculos de expectativa de voto em cada unidade federativa brasileira, equivaleriam a votos suficientes para a eleição de 25 parlamentares.

    Aonde chegaremos com tamanho distanciamento? Completa tal cenário uma tentativa de os partidos se blindarem em relação a quem, em tese, deveriam representar. As reformas políticas são frágeis e protecionistas, os movimentos por renovação política surgidos de maneira desafiadora ainda estão encapsulados e disputam os mesmos poucos votos de alguns estados. Teremos surpresas em 2018? Provavelmente sim, e devem ser tímidas, sobretudo para o Congresso Nacional. Mas a questão maior não está em quem ganhará a eleição, e sim em como se governará esse país. Na Câmara cresce o número de partidos representados e reduz-se o desvio-padrão do tamanho das bancadas. Isso representa dizer que temos mais partidos efetivos e mais agentes de peso nas negociações do que se convencionou chamar de presidencialismo de coalizão. Teremos representantes hábeis e responsáveis para domar esse monstro parlamentar? Vamos, de uma vez por todas, reconhecer o tamanho e a força do Legislativo em nossa realidade? Tal percepção nos oferta mais responsabilidades e compromissos com o voto? Certamente sim, e isso começa pela nossa capacidade de leitura da realidade.

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