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Por que sofremos tanto?: Como lidar com dramas afetivos, angústias e depressões

Por que sofremos tanto?: Como lidar com dramas afetivos, angústias e depressões

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Por que sofremos tanto?: Como lidar com dramas afetivos, angústias e depressões

notas:
5/5 (5 notas)
Duração:
218 páginas
4 horas
Lançados:
25 de jun. de 2013
ISBN:
9788578130893
Formato:
Livro

Descrição

Por que sofremos tanto com angústias, depressões, dores afetivas, frustrações, traumas e outras tantas emoções? Em essência, as pessoas sofrem porque tendem a interpretar tudo sob uma ótica dramática. E também em função de fatores educacionais: não aprenderam a gerar confiança em si mesmas.
Sofrem porque têm uma visão bastante mimada de como a vida deveria ser: é comum criarmos expectativas sobre o que é ser feliz e acharmos que não deveríamos ter problemas, grandes dificuldades, como se a vida fosse um período de férias eterno, com tudo dando certo, sem grandes atribulações. Não compreendem que os problemas, ou os desafios, servem para o crescimento e para a evolução espiritual. Aprender a aceitar as coisas como são, as pessoas à nossa volta e também a nós mesmos, faz parte do nosso processo educacional, espiritual e evolutivo. Na verdade, quando emperramos nesta aceitação, só nos indignamos, achando que tudo é injusto. É exatamente aí que geramos mais e mais sofrimentos.
Lançados:
25 de jun. de 2013
ISBN:
9788578130893
Formato:
Livro

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V

ários são os fatores que contribuem para isso. Precisamos compreender alguns e modificar outros. Vejamos primeiramente como e por que decidimos estar na vida atual.

O período de intervalo entre vidas chama-se período intermissivo, e quando estamos nesse período temos espiritualmente uma ampla consciência de nossas atitudes e ações, incorridas nas últimas existências, e assim acabamos por escolher as circunstâncias da próxima encarnação; definimos nossos desafios e formamos as ligações estabelecendo ocorrências sincrônicas no plano terrestre. Tudo o que existe na vida atual foi escolhido por nós antes de nascermos. Nada ficou ao acaso ou nos foi imposto. Com exceção de espíritos muito rígidos, que necessitam de encarnações compulsórias, a maioria de nós tem consciência de quais serão os desafios na próxima vida. Todos os eventos de nossa vida são escolhas, que concordamos tentar vivenciar, até porque nisso residem os desafios aos quais nos propusemos.

Assim, chegamos aqui com certa bagagem, tendências, talentos e dificuldades que já existem em nós, para que reiniciemos nossa jornada. Reencarnamos num corpo físico para colocar em prática o conhecimento espiritual que adquirimos e para cumprir promessas e compromissos.

As escolhas que fizemos e as decisões que tomamos fazem parte da consciência de nossa alma e delas retemos sensações quase inconscientes, que nos levam na direção que escolhemos, oferecendo-nos oportunidades e desafios que concordamos vivenciar. Adquirimos uma sabedoria de vida espiritual ainda maior ao aprendermos lições, equilibrarmos o carma e cumprirmos nosso destino.

É importante entender que as situações mais complicadas e difíceis da caminhada significam justamente nosso propósito de vida, nosso desafio, aquilo que nos propusemos resgatar. A palavra é resgatar mesmo, e não descobrir, porque em essência somos seres perfeitos e lúcidos; nosso ego ou eu inferior é que não sabe ou conhece essa perfeição. No momento em que decidimos qual será o propósito para a próxima vida, temos uma ampla percepção, sentimos que temos capacidade de passar por determinadas situações, que podemos, enfim, resgatar situações pendentes, fazer acertos com determinadas pessoas e, assim, escolhemos o meio familiar e os pais, cuja maneira de ser vai nos ajudar a cumprir nosso propósito de vida. A existência atual é uma espécie de síntese das últimas vidas, tanto em termos de características negativas ou dificuldades como de virtudes; o propósito no qual nos propusemos trabalhar na vida atual tem raízes em algumas vidas anteriores, nas quais, de certa forma, já tínhamos as mesmas dificuldades que apresentamos nesta, com um diferencial: de uma maneira geral, estamos um pouco mais conscientes, o que justifica mais ainda o propósito estabelecido. Um fato é real: o de que vimos trazendo certos comportamentos parecidos ou tendências desde outras vidas.

Na verdade, como afirma o espírito Lucius, temos dois caminhos: Aproveitar a presente encarnação como um procedimento educativo pelo esforço na melhoria ou como um estágio corretivo pelo sofrimento, no caso de não bancarmos as escolha que fizemos.

É muito importante entender que não somos vítimas. Não existe vítima nem coitadinho. Não somos condenados a suportar passivamente o peso do carma. Existe um meio de se liberar do carma, tornando-se consciente dos desafios. Quando isso acontece, passamos a dominar a vida. Compreendendo o carma, o indivíduo se libera. Além do mais, nunca, em momento algum, estamos abandonados à própria sorte; temos sempre o amparo de nossos mentores, guias e amparadores, espíritos amigos, gente que se propõe a nos acompanhar e orientar nossa existência. Temos dentro de nós a centelha divina, nossa Presença EU SOU, que está sempre conosco, dentro de nós, de forma muito íntima. E é importante constatar esse fato para que não nos sintamos desamparados, vitimizados pelas circunstâncias que, afinal, fomos nós mesmos que criamos.

Se você acredita nisso, ótimo; se não, tudo bem, porque essa realidade não se modifica porque você não acredita nela. No caminho evolucional, acabamos por constatar que somos muito bons em nossa essência e que temos em nós uma natureza que nos guia rumo ao caminho certo; temos de aprender, eventualmente, a duras penas, e por meio do sofrimento, a perceber e entender essa natureza, o caminho do grande desafio: ser quem se é, sem neurose e com uma boa integração emocional.

Portanto, o sofrimento é uma espécie de guia a nos mostrar o caminho que estamos seguindo. Se sofremos é porque estamos agindo de forma errada no que se refere a essa compreensão de nossa própria natureza.

Então, retomando ao momento anterior ao nascimento, momento este em que estamos no período intermissivo, à medida que percebemos e decidimos qual será nosso propósito de vida, o que teremos de perceber e desenvolver, nós nascemos. É interessante esclarecer que até o corpo físico obedecerá às necessidades desse propósito. Você não nasce num determinado momento porque sua mãe ou o obstetra querem; todas as circunstâncias que envolvem o nascimento são escolhas espirituais; tudo serve como possibilidade de aprendizagem e resgate de potenciais, inclusive as situações de doenças ou estados congênitos, por exemplo, a cegueira ou qualquer outra anormalidade. Nascer num determinado dia, sob determinada conjuntura astrológica, também faz parte do propósito. Não são os astros que determinam sua vida; pelo contrário, a conjuntura astral nos mostra o que temos de desenvolver em nossa vida. Ter determinado nome, certa situação econômica, tudo serve para percebermos no que vamos trabalhar nesta vida atual.

Outrossim, no decorrer da gravidez, as emoções, os conflitos de nossa mãe, as circunstâncias do nascimento, tudo isso, de certa maneira, afeta-nos emocionalmente. Mais uma vez, é bom deixar claro que não somos vítimas, e que todo esse conjunto de eventos serve para que nos entendamos melhor no momento atual e possamos cumprir o propósito de vida. Tudo é válido: temos os pais que precisamos e, óbvio, eles têm o filho que necessitam. Cada um é instrumento do outro, em termos de aprendizagem e desafios, nesse caminho evolutivo.

O momento emocional da mãe, como ela se sente, os medos, as ansiedades são percebidos pelo bebê. Ideias de interromper a gravidez e fazer um aborto são emoções captadas pelo feto em formação. Certos acontecimentos traumáticos, como brigas, também são percebidos e, até certo ponto, podem influenciar a criança. Sabemos disso em virtude de regressões realizadas sob hipnose, em que o paciente descreveu fatos ocorridos durante o processo de gestação confirmados em entrevistas posteriores com os pais.

Além disso, há a influência direta do meio. Suponha que uma mãe, ao fazer um exame de ultrassom, saiba que vai dar à luz um menino. Ela prepara o quarto para o bebê, roupas, brinquedos, decoração, tudo para um menino. Quando nasce, fica exposto a cores, objetos, exigências comportamentais etc., que vão tolhendo o seu Eu verdadeiro e, discreta ou ostensivamente, cobram que ele seja o tipo esperado, adequado, de acordo com o modelo de menino que os pais têm na cabeça.

É preciso compreender que os pais também foram malformados pela educação que receberam; podem ser neuróticos e mal resolvidos emocionalmente; enfim, é importante compreender que eles agem como sabem e podem. Essa compreensão é fundamental para que possamos perdoá-los para nos desvencilharmos de mágoas, rancores e ressentimentos que possamos ter em relação a eles, até para não incorrermos em novos carmas. Precisamos lembrar que o jeito de ser dos pais nos facilitou desempenhar a atual missão de vida. Isso é primordial para acabar com os mimos e as revoltas que sentimos por não termos tido os pais que gostaríamos, segundo nosso ideal. Essa compreensão também é importante para o processo de independência emocional, que é muito necessário e acontece quando vemos os pais como pessoas normais, seres humanos comuns, que não são super-heróis; assim, precisamos tirá-los do pedestal e eliminar as expectativas de que eles devem ou deveriam ser superqualquer coisa, somente para que nos sentíssemos bons e valorizados.

Esses aspectos sobre nossas escolhas para o tipo de vida atual e as circunstâncias que precisávamos ter precisam ser compreendidos.

E o que precisamos modificar em nós é a maneira como aprendemos a nos ver, que são conteúdos da educação social e tradicional que recebemos. Vejo essa mudança a partir de nossa vontade de nos tornarmos mais autoconscientes como o real aspecto evolutivo em cada um de nós.

É claro que todos nós crescemos dentro de um núcleo familiar ou social, mesmo porque ninguém poderia crescer sozinho, e é fato que recebemos influências desse tipo, influências familiares e regras sociais, que acabaram tolhendo nossa verdadeira natureza; na realidade, quase não tivemos espaço para expressar essa verdadeira natureza, pois, pela nossa educação, desde muito cedo, fomos sendo moldados segundo os padrões e valores de nossos pais e da sociedade.

Essas solicitações familiares e sociais acabam nos impondo moldes, obrigando-nos a ser determinado tipo de pessoa, e isso tolhe e interfere em nossa verdadeira natureza e espontaneidade. Comentários do tipo: isso não é jeito de uma menina sentar...; meninos não choram...; onde já se viu você pensar assim?; onde já se viu você agir assim?; você é um desastre, faz tudo errado...; você devia fazer blá-blá-blá etc. são comentários repressores, críticos, que podam o eu genuíno ou a natureza verdadeira e impõem um padrão de certo e adequado que, invariavelmente, achamos que temos de seguir para garantir que seremos cuidados, amados, respeitados etc.

Nos primeiros anos de vida, como toda criança, dependemos inteiramente de alguém para cuidar de nós. Embora nossos pais ou as pessoas que cuidaram de nós tenham feito o melhor, sem dúvida existiram inúmeras necessidades que não foram satisfeitas. Há sempre um espaço entre o que precisamos e o que os outros podem, querem e sabem fazer para nos satisfazer. Imagine quantas necessidades tivemos, como crianças, que necessariamente não foram satisfeitas no momento em que queríamos.

A criança tende a criar sua autoimagem a partir da forma como é tratada. Peguemos como exemplo uma criança pequena que recebe muita crítica e bronca em tudo o que faz. Como já disse, a criança é pequena; os pais, ou quem cuida dela, são adultos. Note a diferença de tamanho, perceba a defasagem da criança em relação ao adulto; para a criança, o que vem do adulto é muito grande em todos os sentidos; o volume da voz do adulto xingando ou brigando é intolerável; a energia de raiva pela crítica ou bronca recebida é terrível, e tudo isso atinge a criança pequena, deixando-a assustada ou traumatizada. Imagine então quando há pancadaria, surras ou castigos.

Ora, como ela se sente? Certamente muito tensa e temerosa, e é provável que acuada como um ratinho na frente de um leão. Sente um mal-estar terrível, uma superansiedade, porque não sabe o que vai acontecer. Mesmo que não haja uma ameaça expressa, ela a sente em sua integridade. E, além disso, sente-se inadequada, errada, porque conclui instintivamente que, se está levando bronca ou apanhando, é porque faz tudo errado mesmo ou, ainda, porque deve ser alguém muito inadequado. É normal que a criança não entenda que a raiva ou crítica do adulto é em razão daquele comportamento específico ou por conta da expectativa desse adulto. A criança pode ter feito algo que o irritou, porém, acaba achando que ela inteirinha, e não aquele comportamento específico, é inadequada. Esta é uma das raízes de um processo de ansiedade ou de medos futuros de uma pessoa que presenciou brigas e discussões na primeira infância. Por exemplo, toda vez que ela presenciar discussões e brigas, vai se sentir angustiada, ameaçada em sua integridade, mesmo que a situação não a afete de modo direto. Isso desencadeia inconscientemente a ansiedade ou o medo sentidos naquela primeira situação hostil vivida pela criança, que gerou a ansiedade primária.

É importante entender que, quando crianças, não se raciocina nos moldes atuais. O raciocínio, a percepção são apenas instintivos, em termos de mecanismos de sobrevivência. Uma criança que é exposta a situações que criam ansiedade, medo e angústia possui um instinto de defesa: destruir o que lhe causa opressão, isto é, o que chamamos de comportamento concreto – quando a criança tem algo à sua frente que obstrui o que ela quer pegar, tende a empurrar e tentar destruir o obstáculo. Quando a criança sente o comportamento dos pais de forma hostil, violento ou agressivo, ela, por instinto, quer destruí-los, só que tem consciência de que depende deles para sobreviver. Destruí-los significa destruir-se. Mas o princípio instintivo de sobrevivência deve predominar e é exatamente aí que a criança introjeta padrões de comportamento ou defesa, objetivando a sobrevivência. Para que isso aconteça, preserva o instinto de vida e acaba, de maneira inconsciente, impondo-se padrões ou modelos de atuação que sabotam o seu eu verdadeiro e reforçam o ego, ou seja, a imagem que faz de si, para si mesma e para o mundo. É o que chamo de Decretos de Sobrevivência.

Como exemplo desses padrões de defesa, a criança desenvolve o que chamamos de ego cobrador, que é introjetado – trata-se daquele nosso lado, daquela voz dentro de nossa cabeça, que cobra e exige coisas muitas vezes impossíveis, como ser perfeito, por exemplo, e diante das quais sempre nos sentimos ameaçados caso não cumpramos suas exigências. Esse ego cobrador, sem dúvida, é uma extensão das cobranças feitas pelos pais ou pessoas do meio ambiente primário da criança. Ela absorveu as ideias de que se não fosse um modelo de perfeição certamente seria criticada, ameaçada ou rejeitada. E, com certeza, esses decretos vigorarão na vida futura da criança.

O medo instintivo é que, ao contrariar o padrão imposto pelos pais, a criança sofra represálias, castigos, e de fato às vezes isso acontece, como quando apanha, é ameaçada ou hostilizada. No fim dessa cadeia, o grande medo inconscientizado é de que, se contrariar muito os pais, ela poderá ser abandonada, rejeitada, e isso por certo significará a própria destruição, uma vez que ser abandonada representa o princípio de morte, do qual, inconscientemente, queremos nos defender.

Os decretos e padrões introjetados nesse caso podem ser, por exemplo, a conclusão inconsciente, pela criança, de que se for verdadeira e espontânea não será aceita e correrá o risco de ser rejeitada e abandonada. Logo, chega à conclusão fatal de que realmente não pode ser do seu jeito espontâneo e verdadeiro, e desenvolve um padrão de comportamento que vai cobrar sua adequação, achando que tem de corresponder às expectativas, a princípio dos pais, e depois do meio, porque, agindo dessa forma, garantirá a própria sobrevivência e será aceita e amada pelos pais e por todas as pessoas.

Percebemos, então, que o padrão de crenças, inicialmente implantado pelos pais ou pelo meio familiar primário, passa a se estender e a ser repetido com relação às pessoas, que, no futuro, ou lhe são muito importantes; ou aquelas a quem confere autoridade, como chefes, diretores, pessoas, enfim, gente que ela considera superiores; ou das quais espera apreço, valorização, consideração etc.

Vemos aqui uma importante raiz da baixa autoestima, da anulação do eu verdadeiro e de processos de ansiedade, medos e angústia existencial. Em todas as situações futuras em que a pessoa sentir o risco de ser abandonada ou rejeitada ela lançará mão das crenças e dos padrões de exigências introjetados. O medo inconscientizado é tão grande que ela literalmente paga qualquer preço para não correr o risco de senti-lo de novo. Para fugir do medo, cada vez mais, a pessoa acaba reforçando o padrão decretado, em termos de sobrevivência. E o que acaba invariavelmente acontecendo é que cria péssimos modelos de comportamentos e atitudes para sobreviver.

Outro ponto, aliás muito comum, são os contextos nos quais a criança sentiu-se culpada, por exemplo, por uma briga dos pais, ou por algum sintoma que alguém tenha sentido. Pode ter acontecido de alguém, sutil ou ostensivamente, ter jogado a culpa na criança pelo ocorrido. Há contextos familiares em que a criança ouve comentários do tipo: olha o que você faz comigo... Sinto-me mal por sua causa. Esse é um exemplo de um comentário ostensivo. Atitudes veladas também fazem mal à criança, como ela perceber que o seu nascimento gerou brigas e desentendimentos. Às vezes, chegou a ouvir comentários do tipo: se não fosse por você, eu iria embora desta casa. E

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Avaliações do leitor

  • (5/5)
    Excelente livro, muito esclarecedor, trazendo ótimas reflexões muito profundas e construtivas.
  • (5/5)

    1 pessoa achou isso útil

    Amo os livros da Lourdes!!! Leio todos e sempre procuro aplicar seus ensinamentos, me ajuda muito!

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