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Teoria, Pesquisa e Aplicação em Psicologia – Organizações e Sociedade
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E-book391 páginas3 horas

Teoria, Pesquisa e Aplicação em Psicologia – Organizações e Sociedade

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Sobre este e-book

Teoria, pesquisa e aplicação em Psicologia: organizações e sociedade discute como se dão as relações em diferentes contextos do trabalho, do consumo, da mídia e saúde mental. Ao adentrar nessa discussão será impossível se isentar, pois ela quer instigar o leitor a discutir junto, posicionar-se e pensar de que forma pode contribuir para a superação de dificuldades e obter melhoras nas relações nesses contextos.

Pesquisadores, profissionais e estudantes poderão encontrar respostas a suas questões, bem como perguntas que os envolverão nas discussões e fornecerão instrumentos para irem além, questionando, propondo e aplicando em seus próprios contextos.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento24 de set. de 2018
ISBN9788547315948
Teoria, Pesquisa e Aplicação em Psicologia – Organizações e Sociedade
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    Teoria, Pesquisa e Aplicação em Psicologia – Organizações e Sociedade - Cristiano Coelho

    Editora Appris Ltda.

    1ª Edição - Copyright© 2017 dos autores

    Direitos de Edição Reservados à Editora Appris Ltda.

    Nenhuma parte desta obra poderá ser utilizada indevidamente, sem estar de acordo com a Lei nº 9.610/98.

    Se incorreções forem encontradas, serão de exclusiva responsabilidade de seus organizadores.

    Foi feito o Depósito Legal na Fundação Biblioteca Nacional, de acordo com as Leis nºs 10.994, de 14/12/2004 e 12.192, de 14/01/2010.

    COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO MULTIDISCIPLINARIDADES EM SAÚDE E HUMANIDADES

    APRESENTAÇÃO

    Um trabalho a muitas mãos voltadas a um complemento de ideias e perspectivas sempre é gratificante. Não apenas para quem o faz, mas certamente para aqueles que podem usufruir do fruto desse trabalho. A Coleção Teoria, Pesquisa e Aplicação em Psicologia foi concebida para diferentes leitores. Ela pretende, ao mesmo tempo, contribuir para a disseminação de conhecimentos atuais e cientificamente embasados, produzidos por pesquisadores de diferentes instituições, que ao longo dos anos têm se dedicado em contribuir com o refinamento de teorias, precisão nos processos de avaliação e intervenção, e na produção de pesquisas que colaborem para o conhecimento e para a resolução dos problemas humanos.

    Pesquisadores da psicologia e áreas afins terão à mão uma visão de diferentes áreas e fazeres da psicologia, que a caracterizam como uma disciplina independente, mas que também dialoga com diversas áreas do conhecimento, em uma relação em que os dois lados se retroalimentam. Esperamos que as interpretações e as análises encontradas no conjunto da coleção possam auxiliar na busca de novas soluções, novas discussões, novas pesquisas, novas interlocuções.

    Estudantes de diferentes níveis e professores poderão conhecer métodos e dados atuais, que certamente complementarão suas leituras básicas, ao contatarem situações nas quais os conteúdos tratados em sala mostram-se questionados ou aplicados. Os docentes terão acesso à conhecimentos atuais voltados para casos específicos e ao mesmo tempo relacionados a outros conteúdos próprios de suas disciplinas.

    Profissionais poderão encontrar novos meios de intervir, avaliar e questionar. Os textos contribuirão para eles se atualizarem, pois serão instigados a conhecer mais, conforme sua especialidade de atuação envolva a busca de bem-estar, o desenvolvimento de mudanças no comportamento de indivíduos ou grupos, o avanço na própria atuação, ou apenas o interesse pelo que alguns dos pesquisadores renomados têm produzido nas áreas específicas de seus conhecimentos.

    Essa produção envolve uma preocupação com o humano, o social, com o bem-estar em uma diversidade teórica que, em vez de ser um problema, mostra-se consonante com o que mais caracteriza objeto de estudo, teoria e métodos da psicologia: sua complexidade. Uma complexidade que se embate, mas que ao mesmo tempo permite caminhar para a busca de soluções às questões humanas, seja em relação aos processos comportamentais envolvidos, à busca da superação do adoecer, à promoção do bem-estar em diferentes contextos ou à sua aplicação à compreensão e intervenção em contextos sociais. A coleção divide-se em três obras, cada uma concentrada em um conjunto de princípios que envolvem aspectos teóricos ou campo de atuação, possibilitando diálogos entre diferentes atuações e a interlocução entre diferentes fazeres.

    Teoria, pesquisa e aplicação em Psicologia: organizações e sociedade é um livro pensado para você, que se preocupa com as questões referentes ao trabalho e aos processos que determinam as relações sociais em diferentes contextos, então bem-vindo(a)!

    A diversidade teórico-metodológica mostra como diferentes vertentes permitem a compreensão das questões sociais, deixando o leitor à vontade para se vincular a cada uma delas. Isso se conjuga em uma estrutura que envolve diversos âmbitos nos quais a psicologia tem se adentrado na busca de fornecer formas envolventes e profícuas para entender como se dão essas relações e, principalmente, meios de torná-las mais ancoradas aos conhecimentos que têm sido produzidos, como forma de entender esses processos e dar luz a possibilidades de intervenções nesses contextos.

    O livro tem seu enfoque em três grandes eixos: a gestão e o trabalho; as relações midiáticas e de consumo; e o contexto psicossocial na compreensão da saúde mental. Esses eixos irão trazer uma demonstração de aspectos de investigação e intervenção que tem pautado uma parcela significativa das discussões sobre a sociedade e, certamente, instigará o leitor a se posicionar, discutir, envolvendo-se com os autores em uma leitura agradável e ao mesmo tempo coerente com metodologias e teorias específicas que têm dominado as discussões sobre essas temáticas nos últimos anos.

    Prof. Dr. Cristiano Coelho

    (Organizador da Coleção)

    PREFÁCIO

    No campo social e organizacional, os estudos apresentam grande diversidade teórica, conceitual e metodológica. Este livro é um bom exemplo dessa diversidade. No campo teórico, os capítulos contemplam estudos ancorados em perspectivas que abrangem desde uma visão sistêmica das organizações a estudos fundamentados nas perspectivas sociocognitiva e sócio-histórica. No campo metodológico, encontram-se estudos empíricos e teóricos, cujas reflexões foram desenvolvidas sob as perspectivas quantitativa, qualitativa e dialética. A diversidade temática também é uma característica deste livro que contempla estudos sobre os processos organizacionais e expansão universitária, sobre o consumo e o comportamento do consumidor nos tempos atuais, sobre o papel midiático das telenovelas no campo social e na formação de opinião, e finaliza com uma análise sobre as políticas públicas relacionadas à saúde mental.

    Na busca de integrar essas temáticas, todas socialmente relevantes, apesar de distintas, os capítulos estão organizados de modo a apresentar, primeiramente, os estudos com foco nas organizações de trabalho, processos de formação e sua efetividade. Assim é que o primeiro capítulo analisa o desempenho no trabalho a partir de intervenções organizacionais relacionadas à aprendizagem para o trabalho, ao impacto do treinamento no trabalho e ao suporte para a transferência de treinamento. O estudo demonstra que as organizações devem levar em consideração as características do trabalho e as especificidades dos grupos ocupacionais ao estabelecer o tipo de suporte que os trabalhadores necessitam para que os treinamentos oferecidos tenham efetividade. O segundo capítulo analisa o impacto da expansão universitária nos recursos humanos sob a ótica de gestores de uma instituição federal de ensino superior. Os resultados apresentados pelos autores demonstram ter havido uma expansão desordenada ao se comparar os aspectos da estrutura física e quadro docente com os aspectos de apoio que dizem respeito ao pessoal administrativo. O terceiro capítulo destaca o desenvolvimento da liderança e o processo de aprendizagem individual no contexto educacional em nível de gestão de forma dinâmica e complexa. A autora demonstra ter havido um avanço nas discussões sobre a formação de gestores e apresenta elementos de discussão relevantes para a ampliação do escopo das contribuições que vem sendo investigadas nesse campo teórico. O quarto capítulo analisa as publicações no ciberespaço sobre a liderança da geração Y e constata ser essa uma geração motivada por desafios e abertura a novas experiências, buscando ascensão rápida, o que pode levar ao aumento da rotatividade nas empresas. Os autores apresentam as vantagens e desvantagens vivenciadas por essa geração que em nada se preocupa com a criação de vínculos identitários em relação às organizações onde trabalham. O quinto capítulo discute a evolução conceitual dos estudos sobre justiça organizacional desde uma perspectiva monística a uma perspectiva multidimensional. As autoras analisam os modelos de justiça e dão destaque a estudos que identificam seus antecedentes e consequentes. Por fim, constata-se o grande poder heurístico da justiça organizacional como preditor de atitudes e comportamentos, apesar de os estudos sobre a dimensionalidade do construto não serem conclusivos.

    O sexto capítulo muda o foco de análise ao buscar compreender não as organizações em si, mas a perspectiva do consumo na modernidade. Para tal, os autores tratam dos aspectos culturais e suas influências no consumo. Nessa perspectiva, o processo histórico é analisado de forma contínua e dialética levando à compreensão das alterações sofridas pelo consumo ao longo do tempo. A sociedade de consumo é discutida sob o ponto de vista de um projeto iluminista, construído por meio de um conjunto de valores e ideais baseados no racionalismo, no individualismo e no universalismo. À luz da perspectiva sociocognitiva, o sétimo capítulo analisa o comportamento do consumidor como parte essencial do marketing. Os autores buscam demonstrar que o consumo deve ser compreendido como um fenômeno social, e ao analisa-lo sob a perspectiva sociocognitiva é possível obter subsídios para a melhoria do relacionamento e da satisfação plena de diversas necessidades não só do consumidor, como também das organizações de trabalho no campo do marketing e das vendas.

    Com foco nas dinâmicas sociais e não organizacionais, o oitavo capítulo discute o papel da mídia na produção e conformação de ideias sobre as mais diversas temáticas. As autoras utilizam a análise das práticas discursivas pelas formas de se falar sobre a lesbianidade (imagens e textos) nas novelas, bem como o diálogo estabelecido por ela com seu entorno, isto é: mídia impressa e índice de audiência. Os resultados desse estudo apontam para um duplo efeito da temática da lesbiandade na novela, pois apesar de haver um processo de assimilação da categoria lésbica, esse processo de legitimação e aceitação não propicia a desestabilização de normas e dos modelos hegemônicos. Por fim, o nono capítulo analisa, sob o ponto de vista da teoria sócio-histórica, os paradoxos em relação às políticas públicas de desinstitucionalização do adolescente. Por um lado os profissionais da área e os acadêmicos reforçam a desinstitucionalização e a redução de danos nos tratamentos de transtornos mentais e dependências químicas, como álcool e drogas. Por outro lado, os que detêm o poder na execução da lei caminham na contramão ao utilizarem estratégias de institucionalização.

    Ao estabelecer múltiplas conexões no campo das organizações e da sociedade, temos a certeza de que este livro será útil para profissionais da Educação, das Ciências Sociais, da Saúde e dos Recursos Humanos nas organizações. Este livro é a representação do nosso compromisso de transmitir para gerações futuras reflexões sobre as organizações, o trabalho, o consumo, a influência midiática na sociedade e as políticas públicas de saúde mental.

    Helenides Mendonça

    (Organizadora)

    Sumário

    Capítulo 1

    Desempenho no Trabalho e Produção Acadêmica: estudo em uma universidade pública brasileira

    Capítulo 2

    Impacto Da Expansão Universitária Nos Recursos Humanos Sob A Ótica De Gestores

    Capítulo 3

    DESENVOLVIMENTO DE LIDERANÇA E A EXPERIÊNCIA DE APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO GERENCIAL EM PROGRAMAS DE MBA

    CAPÍTULO 4

    Diferenças Geracionais e Liderança: uma pesquisa no ciberespaço

    CAPÍTULO 5

    JUSTIÇA ORGANIZACIONAL: DO MODELO MONÍSTICO AO MODELO TETRADIMENSIONAL

    Capítulo 6

    O fenômeno do consumo na modernidade

    Capítulo 7

    Comportamento do Consumidor na Abordagem Social-Cognitiva: Implicações para as Organizações e Negócios

    Capítulo 8

    Tensões e tendências no campo midiático televisivo: um olhar sobre a lesbianidade em telenovelas brasileiras

    Capítulo 9

    A saúde mental do adolescente: internar para quê? – Uma análise psicossocial sobre a Política de Saúde Mental aos usuários de álcool e outras drogas

    SOBRE OS AUTORES

    Capítulo 1

    Desempenho no Trabalho e Produção Acadêmica:

    estudo em uma universidade pública brasileira

    Tatiana Pereira Athayde Costa

    Sinésio Gomide Júnior

    Introdução

    Em face de um novo cenário do mundo do trabalho, cuja transformação é constante, as organizações procuram se adaptar para se manterem competitivas e garantirem sua sobrevivência. A discussão sobre as estratégias para promover essa adaptação aponta para o desenvolvimento contínuo das competências organizacionais e individuais e esse desenvolvimento ocorre, em grande parte, por meio de ações de Treinamento, Desenvolvimento e Educação – TD&E (Pereira, 2009).

    A revisão de literatura apresentada por Salas e Cannon-Bowers (2001) destaca que as organizações mudaram suas visões sobre treinamento, passando a vê-lo como um evento completamente integrado e como um componente estratégico para a organização. Essa visão, segundo os autores, está associada à ideia de que a aprendizagem e o desenvolvimento contínuo asseguram a competitividade organizacional.

    Diante desse contexto, Depieri (2006) e Pereira (2009) afirmam que a área de gestão de pessoas tem assumido um papel estratégico nas organizações. As autoras destacam que uma importante contribuição dessa área está relacionada à promoção, por meio de processos de aprendizagem, do desenvolvimento de competências individuais consideradas relevantes ao alcance de objetivos organizacionais.

    As atividades de TD&E aceleram o processo de desenvolvimento de novas competências –conhecimentos, habilidades e atitudes (CHAs) –, garantindo a qualificação profissional dos trabalhadores ao longo do tempo. Em razão disso, as ações de TD&E tornaram-se essenciais, tanto para as organizações, quanto para os trabalhadores manterem-se no mercado no qual se encontram (Pereira, 2009).

    É crescente a demanda por ações educacionais e os investimentos na área têm aumentado consideravelmente nos últimos anos (Zerbini; Abbad, 2010). Em seu estudo, Meneses (2007) afirma que se por um lado elevam-se os investimentos em ações educacionais, por outro, intensificam-se as pressões para que a área de TD&E demonstre efetividade das ações sob sua responsabilidade.

    Na literatura há predomínio de estudos com foco em aprendizagem, principalmente quanto à avaliação dos efeitos de TD&E e quanto à autoaprendizagem no posto de trabalho, assim como mostra a revisão de Borges-Andrade e Pagotto (2010). Dessa forma, é possível perceber grande quantidade de esforços para avaliar esses efeitos, com o objetivo de produzir informações válidas e sistemáticas sobre a efetividade de sistemas instrucionais (Borges-Andrade, 2002; Meneses, 2007; PEREIRA, 2009).

    Os pesquisadores que estudam a efetividade de ações educacionais têm procurado investigar quais eventos do ambiente pós-treinamento influenciam positiva ou negativamente a eficácia do treinamento (Abbad; Coelho Jr.; Freitas; Pilati, 2006).

    A literatura de avaliação de educação nas organizações converge ao apontar a importância de fatores situacionais e individuais como antecedentes de indicadores do efeito da capacitação no trabalho (Pilati; Porto; Silvino, 2007). Contudo, poucos se encontram, na literatura científica nacional, relatos de pesquisa metodologicamente rigorosas que procurem relacionar efeitos das ações educacionais e indicadores de desempenho ocupacional (Pilati; Porto; Silvino, 2009).

    Partindo dessas considerações e apoiando-se no fato de que os estudos que buscam aferir o efeito de programas de pós-graduação stricto sensu são escassos na literatura (Pilati et al., 2007; 2009), considera-se relevante a pesquisa em avaliação de ações educacionais com foco em egressos de cursos stricto sensu, contribuindo para a discussão sobre as principais variáveis envolvidas nesse processo e sobre a efetividade de ações educacionais no desempenho no trabalho.

    Sob essa perspectiva, considera-se relevante este estudo, não só pela proposição de um modelo teórico para avaliação do desempenho no trabalho, mas, especialmente, por considerar indicadores objetivos de desempenho no trabalho (produção acadêmica) e por pesquisar um público específico (egressos de cursos de doutorado que atuam como docentes em uma universidade pública brasileira).

    O objetivo principal deste estudo consistiu, assim, em testar a capacidade preditiva das variáveis Transferência de Aprendizagem para o Trabalho, Impacto do Treinamento no Trabalho e Suporte à Transferência de Treinamento sobre o Desempenho no Trabalho de egressos de cursos de doutorado de uma universidade pública brasileira.

    Este trabalho também objetivou analisar o relacionamento entre as variáveis do estudo e analisar diferenças entre grupos de docentes. Outro objetivo do trabalho consistiu em explorar e identificar outras variáveis de suporte à transferência de treinamento para esta amostra.

    Cabe aqui um esclarecimento importante: a nomenclatura de duas variáveis pesquisadas neste estudo contém o termo treinamento (Impacto do treinamento no trabalho e Suporte à transferência de treinamento), contudo, este estudo não trata de treinamento. Trata-se aqui de educação, uma vez que a amostra do presente estudo foi composta exclusivamente por docentes egressos de cursos de doutorado.

    Ações educacionais e desempenho no trabalho

    Entre os pesquisadores não há consenso sobre a definição de aprendizagem. Entretanto, Abbad, Borges-Ferreira e Nogueira (2006) asseguram que há acordo entre todas as abordagens quanto ao entendimento de aprendizagem como uma mudança no comportamento que depende da interação do indivíduo com o meio externo.

    Segundo Pena-Brandão e Borges-Andrade (2007), a aprendizagem constitui uma mudança relativamente duradoura no comportamento da pessoa, transferível para novas situações com as quais ela se depara. O desempenho no trabalho, resultante da aplicação de novas competências revela, então, que o indivíduo aprendeu algo novo (Freitas; Brandão, 2005).

    O conceito de aprendizagem também está associado aos conceitos de TD&E. Embora sejam muitas vezes utilizados como sinônimos, os termos treinamento, desenvolvimento e educação referem-se a três tipos muito distintos, complementares e igualmente importantes de atividades de apoio à aprendizagem (Abbad; Borges-Andrade, 2004).

    Treinamento consiste em eventos educacionais de curta e média duração, compostos por subsistemas de avaliação de necessidades, planejamento instrucional e avaliação que visam à melhoria do desempenho do trabalhador no cargo que ocupa. Desenvolvimento refere-se ao conjunto de experiências e oportunidades de aprendizagem proporcionado pela organização e que apoia, além do desenvolvimento profissional, o desenvolvimento pessoal do trabalhador. Educação, por sua vez, engloba programas ou conjunto de eventos educacionais de média e longa duração (mestrado e doutorado, por exemplo) que visam à formação e qualificação profissional contínuas dos trabalhadores (Vargas; Abbad, 2006).

    Borges-Andrade (2002) e Pantoja, Lima e Borges-Andrade (2006) concebem treinamento como um sistema composto por subsistemas (avaliação, planejamento e avaliação de treinamento), os quais mantêm entre si e com o ambiente externo um estreito relacionamento de interdependência.

    Avaliação de sistemas de TD&E

    Avaliação de TD&E, segundo Goldstein (1991 apud Silva, 2006, p. 96), corresponde a uma coleta sistemática de informações descritivas e valorativas necessárias para tornar efetivas as decisões de treinamento, relacionadas à seleção, adoção, valor e modificação de várias atividades instrucionais.

    Mensurar o impacto de TD&E significa avaliar em que medida os esforços despendidos em ações de TD&E efetivamente geraram os efeitos desejados. Significa avaliar se a ação empreendida gerou melhorias nos desempenhos dos indivíduos, dos grupos e das organizações (Tamayo; Abbad, 2006).

    A literatura em avaliação de ações educacionais nas organizações tem produzido muito conhecimento nas últimas décadas (Aguinis; Kraiger, 2009; Salas; Cannon-Bowers, 2001), mas poucos estudos têm buscado traçar uma relação direta entre os efeitos da capacitação e o desempenho ocupacional (Pilati et al., 2007). Ainda que as organizações invistam uma quantia significativa de recursos no treinamento e na capacitação de seus colaboradores, é necessária a produção de evidências empíricas que sustentem a asserção de que a capacitação produz como resultado impacto no desempenho (Pilati et al., 2009).

    Entre os modelos clássicos de avaliação dos efeitos de TD&E estão os propostos por Kirkpatrick (1967) e por Hamblin (1978). O primeiro sugere a existência de quatro níveis de avaliação – reação, aprendizagem, comportamento e resultado. O segundo propõe uma estrutura semelhante de níveis, desdobrando o último nível proposto no modelo de Kirkpatrick em dois: impacto na organização e valor final.

    Hamblin (1978) supôs que haveria uma corrente de causa e efeito ligando todos esses níveis, de modo que o nível seguinte só seria alcançado se fossem atingidos os resultados esperados no nível anterior. Essa concepção foi criticada em função da ausência de constatação empírica das relações causais entre os múltiplos níveis de avaliação do treinamento (Pilati; Abbad, 2005).

    Transferência de aprendizagem e impacto do treinamento no trabalho

    A principal variável de interesse dos modelos de avaliação de treinamento tem sido a Transferência de Aprendizagem para o Trabalho, que pode ser definida como a aplicação eficaz no trabalho dos conhecimentos, habilidades e atitudes adquiridos em treinamento (Pilati; Abbad, 2005).

    Para Hamblin (1978) a transferência de aprendizagem possui duas dimensões. A primeira seria em profundidade e se refere ao uso, no trabalho, das competências aprendidas. A segunda seria em amplitude e se refere às consequências do treinamento no desempenho geral e na motivação dos egressos de uma ação instrucional.

    Em busca de maior precisão conceitual, Pilati e Abbad (2005) realizaram uma análise conceitual da cadeia de eventos desencadeados por ações educacionais no nível dos egressos e propuseram nomear o efeito "em profundidade de transferência de aprendizagem, e o efeito em amplitude" de impacto do treinamento no trabalho. Com isso, ampliaram a ideia de efetividade de treinamento ao propor a noção de um efeito mais amplo que o da transferência de aprendizagem.

    Impacto do Treinamento no Trabalho é definido, portanto, como a influência que o evento instrucional exerce sobre o desempenho global subsequente do participante de uma ação de treinamento, bem como em suas atitudes e motivação, sendo considerado o principal indicador da efetividade de ações de treinamento no nível individual (Pilati; Abbad, 2005).

    Esse construto é medido em termos da transferência de TD&E e da influência que os eventos instrucionais exercem sobre o desempenho subsequente do participante desses eventos (Freitas et al., 2006). Pilati e Abbad (2005) afirmam que impacto em amplitude não pode ser considerado um efeito direto do treinamento, pois depende da ocorrência do nível anterior para que ocorra.

    Suporte à Transferência de Treinamento

    O construto suporte à transferência diz respeito a características do contexto do trabalho que exercem influência direta sobre a transferência de competências desenvolvidas em ações educacionais. Abbad et al. (2012) definem Suporte à Transferência de Treinamento como o apoio recebido de colegas, pares e chefias imediatas do egresso para aplicar, no trabalho, novas habilidades adquiridas em eventos instrucionais.

    Trata-se de um conceito bidimensional que fundamentou a construção de um instrumento com dois conjuntos de itens – suporte psicossocial à transferência e suporte material à transferência (Abbad et al., 2012). A percepção de suporte à transferência indica, para os autores, algumas das condições necessárias à transferência positiva de aprendizagem, mostrando o quanto estão presentes no ambiente de trabalho do treinado, na percepção deste.

    Para aumentar a probabilidade de que ocorra a transferência de aprendizagem, Abbad e Borges-Andrade (2004) orientam que as organizações promovam ações de suporte organizacional, expondo o trabalhador a uma variedade de situações e de atividades que o desafiem a aplicar suas aprendizagens em diferentes contextos de trabalho.

    Abbad, Coelho Jr. et al. (2006) afirmam que um treinamento, por melhor que seja, não será capaz de garantir a transferência das competências adquiridas em treinamento para o trabalho se não houver apoio organizacional para tal, como também afirmam Broad (1982), Rouiller e Goldstein (1993), Abbad e Sallorenzo (2001), Freitas, (2005) e Siqueira Jr. (2007).

    Desempenho no trabalho

    Outro importante esclarecimento conceitual também deve ser feito quanto ao termo desempenho. Para Freitas e Brandão (2005), a aprendizagem corresponde ao meio pelo qual são desenvolvidas as competências profissionais, enquanto que o desempenho no trabalho representa uma manifestação de sua competência, quer dizer, é uma expressão daquilo que a pessoa aprendeu.

    A conceituação de desempenho pode ser diferenciada, basicamente, em termos de ação (aspectos comportamentais) ou de resultado. A ação se refere ao que um indivíduo faz no contexto de trabalho, ou seja, envolve atividades tais como montar as partes do motor de um carro, vender computadores ou realizar uma cirurgia cardíaca. O resultado corresponderia, por exemplo, ao número de motores montados, aos valores das vendas ou ao número de cirurgias bem-sucedidas (Queiroga, 2011).

    Sonnentag e Frese (2002, apud Queiroga, 2011) realizaram uma análise sistemática de estudos publicados sobre desempenho no trabalho e diferenciaram desempenho (característica individual) de resultado (característica organizacional), identificando três perspectivas para estudar o fenômeno no nível individual: diferenças individuais, situacional e regulação do desempenho.

    Do ponto de vista das diferenças individuais os indicadores de desempenho estariam relacionados à habilidade cognitiva, motivação, personalidade e, ainda, à experiência profissional (Rodrigues, 2000). Segundo a perspectiva situacional, estariam associados às características do trabalho, ao papel dos elementos estressores e às restrições do contexto. A terceira perspectiva, chamada regulação do desempenho, procura compreender como o processo de desempenho ocorre (Brandão, 2011; Queiroga, 2011).

    As ações de TD&E estão entre os múltiplos fatores capazes de afetar o desempenho no trabalho (Freitas et al., 2006), entretanto, uma ação educacional, por melhor que seja, não garante a aplicação do que foi aprendido no trabalho (Abbad; Coelho Jr. et al., 2006; Tannenbaum; Yukl, 1992). Campbell (1988 apud AZEVEDO, 2006) adverte que o treinamento não trata todos os determinantes do desempenho, não podendo, por conseguinte, ser o único fator responsável por ele.

    Assim, com o propósito de estudar outros fatores além das próprias características do evento instrucional, muitas pesquisas buscaram investigar a influência de variáveis individuais e ambientais/contextuais sobre o desempenho no trabalho. O presente trabalho centrou-se no estudo de variáveis contextuais sobre o desempenho no trabalho de egressos de cursos de doutorado.

    Método

    Participantes

    Os participantes eram docentes de uma universidade pública brasileira, egressos de cursos de doutorado, cuja titulação tenha sido obtida entre os anos de 2006 e 2009. Foram pesquisados apenas docentes doutores para viabilizar a comparação entre aqueles que atuam exclusivamente na graduação e aqueles que atuam na graduação e em programas de pós-graduação de uma universidade pública brasileira.

    A amostra foi composta por 59% de homens e 41% de mulheres. A maior parte dos docentes

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