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O que é jazz

O que é jazz

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O que é jazz

notas:
5/5 (1 nota)
Duração:
101 páginas
1 hora
Editora:
Lançados:
8 de set. de 2017
ISBN:
9788511350807
Formato:
Livro

Descrição

O que é Jazz? Jaz? Jass? Jasz? A palavra, cuja origem está envolta em inúmeras lendas, é tão enigmática quanto a música, que resiste a definições estanques. Chega de reduzir o jazz à improvisação e à fusão rítmica!

A única afirmação possível é que pela sua origem, desenvolvimento, pelos homens que o transformam e revolucionaram, o jazz é uma música de músicos e de pessoas possuídas por uma paixão fora do comum por ela.
Editora:
Lançados:
8 de set. de 2017
ISBN:
9788511350807
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Amostra do livro

O que é jazz - Roberto Muggiati

leitor

Para o Robertinho, que batucou muitas teclas comigo, 

e para Lena, que corrigiu nossos erros, com muito amor.

J***

Jass, jas, jaz, jasz, jazz — A palavra é tão enigmática como a música. São quatro letras e, em inglês, four-letter Word quer dizer palavrão, termo não de todo inadequado para esta forma de arte chocante e marginalizada. Foi preciso um escritor maldito como Blaise Cendrars para proclamar que o jazz não é a arte pela arte, mas uma nova razão de viver. A frase qualifica, mas não explica a música. E quem disse que esta música precisa de explicação? Seus próprios praticantes raramente a definem através de palavras. São famosas as respostas de Louis Armstrong (Se você precisa perguntar, então não vai saber nunca...) e de Fats Waller ("Se não sabe o que é jazz, não perca o seu tempo...").

Histórica e etimologicamente, o jazz se perde na lenda. Há quem diga que a palavra vem de um monossílabo da Africa Ocidental, significando coito. Para outros, viria do francês jaser (tagarelar); alguns relacionam o jaser do dialeto crioulo da Louisiana com uma palavra da costa noroeste da África, jaiza, que designa algo como o som de tambores distantes. Muitos dão sua origem como jism, gism ou jasm, que se referem a sêmen, energia ou vigor. Há até quem vá buscar na gíria elisabetana um jass significando agir com vibração e entusiasmo e que teria dado a expressão moderna to jazz it up (agitar, ouriçar). Outra corrente associa a palavra a nomes próprios, como o de um vago Charles (> Chaz > jazz) ou os mais específicos de Jasper (um escravo dançarino conhecido como Jass) e Jasbo (Jass) Brown, um músico de Chicago. E existe ainda a teoria de que, como as primeiras orquestras se chamavam razzbands (isso ninguém explica por que), o nome acabou pegando, na forma final de jazz.

Jelly Roll Morton, pianista de Nova Orleans, dizia categórico: "Fui eu quem inventou o jazz, no ano de 1902." Mas não há registro de que a música se chamasse assim naquela época. A palavra jazz apareceu impressa pela primeira vez num jornal da Califórnia, o San Francisco Call, propriedade de um negro. Segundo o cornetista de Nova Orleans Nick La Rocca, a sua Original Dixieland Jazz Band – formada toda por brancos – foi a primeira a usar o nome e a colocá-lo em cartaz, literalmente, em março de 1914, na fachada do Boosters Club de Chicago. Tom Brown, líder de outra orquestra branca, reclama esta primazia para a sua também Dixieland Jass Band, que se exibiu na mesma Chicago em 1915, no Lamb’s Café. Em 1916, o jornal do showbiz, o Variety, mencionava que Chicago acrescentou mais uma inovação á sua lista de descobertas nas chamadas ‘Jazz Bands’. Em março de 1917, a Vietor lançava– o primeiro disco de jazz: Livery Stable Blues/ Dixieland Jass Band One-Step, pela Original Dixieland Jazz Band. No catálogo da Victor, uma propaganda afirmava: Você pode soletrar Jass, Jas, Jaz ou Jazz – nada poderá estragar uma Jass band.

Mas toda esta trívia não acrescenta muito ao conhecimento do jazz. E se dissecássemos os seus elementos musicais? Em primeiro lugar – esta é uma de suas principais características – o jazz gira basicamente em torno da improvisação. Existem, no entanto, incontáveis exemplos de música totalmente escrita, nota por nota na partitura, e que nem por isso deixa de ser jazz – a música de Duke Ellington, por exemplo. Há também interpretações ao pé da letra de canções conhecidas que, pelo simples fato de serem feitas por um músico de jazz, adquirem uma sonoridade própria, especial. Isto se deve ao tratamento que o jazzman dá ao timbre, distorcendo os sons em imitações da voz humana, conferindo a cada nota a sua assinatura particular, ao contrário da escola erudita, que persegue uma sonoridade pura ideal, despersonalizada. Mas a variedade de timbres não é privilégio do jazz; pode ser encontrada em outros tipos de música afro-americana, na espanhola, na árabe, na indiana, na japonesa etc.

A melodia do jazz incorporou certas práticas africanas, como embelezar o tema e tecer variações em torno dele, ou estruturar as frases no esquema de chamada-e-resposta. Do ponto de vista tonal, sua célula básica é a blue note, que lhe dá o colorido característico. Mas, ao mesmo tempo que as blue note, transcenderam as fronteiras do blues e do jazz, invadindo outras formas, como o rock, a canção popular americana, a erudita mesmo e a música de outros países (a bossa-nova é um exemplo), é possível ouvir, na perspectiva dos anos 70/80, muito jazz (Keith Jarrett, Anthony Braxton) quase sem nenhum uso para as blue notes.

O ritmo no jazz é o resultado da fusão (ou confusão) da polirritmia africana com os ritmos de origem europeia. Desse conflito básico nasceu o swing, espécie de marca registrada do jazz, uma coisa indefinível que aqui tem sido traduzida como balanço. Uma das melhores ilustrações deste efeito de superposição rítmica é a síncopa do ragtime (um dos estilos precursores do jazz), que provoca no ouvinte uma reação virtualmente corporal; assim como o swing leva o público a acompanhar fisicamente o ritmo com palmas, estalar de dedos ou batidas de pés. Mas já no final dos anos 50 começa a ruptura com o conceito tradicional do swing: com o beat circular de Charlie Mingus, o free jazz de Ornette Coleman e, depois, a corrente europeizante dos anos 70, chega-se em alguns casos á abolição quase total do ritmo.

Como a música africana não explorou muito a harmonia, os negros vieram absorver na América os acordes da música que os cercava e os mesclaram a seus próprios ritmos e melodias. A harmonia é importante no jazz porque, depois de uma fase de improvisação sobre a melodia, o músico passou a fazer suas variações em torno dos acordes, criando em muitos casos melodias totalmente novas em cima de sequências harmônicas conhecidas. Já se comparou, no jazz, a sequência harmônica de um tema ao seu esqueleto; a melodia seria a pele; e as variações a roupa. A harmonia que os negros assimilaram na sua nova terra vinha das danças de origem europeia, como a polca, a valsa, a quadrilha; e também do tango, da habanera etc. Vinha ainda da música popular americana – o cakewalk dos minstrel shows –, das marchas militares, da música clássica ligeira, posteriormente das operetas; e dos hinos evangélicos, é bom não esquecer. Todas estas influências se baseavam num sistema harmônico simples. Rapidamente, porém, o jazz superaria estas primeiras influências e passaria a acompanhar a evolução da própria música erudita. Bix Beiderbecke se encontrou com Ravet. Stravinsky compôs para a orquestra deWoody Herman. Dave Brubeck estudou com Milhaud. Charlie Parker era louco por Bartok. Não faltam as comparações entre o jazz e a música clássica. Há até quem tente traçar um paralelismo entre os dois, com a diferença de que a evolução no jazz é mais veloz, cada ano valendo uma década, cada década valendo um século em matéria de mutações. Alguns mesmo levam mais longe a

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