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Nova colisão de forças: Representações historiográficas da Segunda Guerra Púnica
Nova colisão de forças: Representações historiográficas da Segunda Guerra Púnica
Nova colisão de forças: Representações historiográficas da Segunda Guerra Púnica
E-book111 páginas1 hora

Nova colisão de forças: Representações historiográficas da Segunda Guerra Púnica

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Sobre este e-book

A arte militar tem se modificado através dos tempos, diante das condutas bélicas apresentadas dentro de cada teatro de operações, mediante as estratégias elaboradas pelos comandantes beligerantes. Estes guerreiros estavam inseridos no contexto histórico em que viviam e possuíam vínculos com a cultura de suas origens, sendo influenciados no desenvolvimento de administração das formas como lutavam. A postura imposta em cada batalha demonstrava as linhas de ação, ofensiva e defensiva, que eram apreendidas nas guerras anteriores, buscando um melhoramento para o fim comum: a vitória. Contudo, este procedimento também estava ligado à perspectiva de como se refletia sobre a guerra, a partir do pensamento elaborado pela sociedade a que o exército pertencia. Nesse sentido, as questões culturais estavam presentes nas ações bélicas realizadas no campo de batalha, mesmo depois do choque combativo nos conflitos. As reformas executadas nas estruturações das forças de combate demonstravam um aperfeiçoamento na especialidade de lutar, do mesmo modo, de perceber toda a conjuntura exposta no confronto armado e adaptarem-se às situações contrárias, impostas muitas vezes inesperadamente, necessitando de um contra-ataque imediato. Nesse sentido, podemos perceber todo esse processo militar na Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.), na qual estavam em choque duas potências de grande influência da época. De um lado, se encontrava a cidade de Cartago, do outro, Roma. Após vinte e três anos de paz entre as duas forças, desde o fim da Primeira Guerra Púnica (264-241 a.C.), as batalhas voltaram a ser o centro das preocupações do cotidiano. Este conflito exigiu das duas rivais modificações estruturais na forma de entendimento de combate, levando ambas as partes a moldarem-se desde situações desfavoráveis e incomuns aos padrões praticados na época.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento23 de mai. de 2018
ISBN9788595131064
Nova colisão de forças: Representações historiográficas da Segunda Guerra Púnica
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    Nova colisão de forças - Michell Ribeiro Sobral

    NOVA COLISÃO DE FORÇAS:

    REPRESENTAÇÕES HISTORIOGRÁFICAS

    DA SEGUNDA GUERRA PÚNICA

    MICHELL RIBEIRO SOBRAL

    Barreiras-BA 2018

    CAPA: Domínio Público - Xilogravura colorida Os cartagineses - Passagem de Aníbal sobre os Alpes por Heinrich Leutemann, publicada no Münchener Bilderbogen (Folha 13 das Imagens do Velho Mundo, nº 438). 31 de dezembro de 1865.

    CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE


    Arquivo ePub produzido pela Simplíssimo Livros


    PREFÁCIO

    Uma ponte entre o passado e o presente se entende diante do leitor que tiver em suas mãos este livro de História.30:205 Uma ponte entre o presente e o passado se entende diante do leitor que tiver em suas mãos este livro de História. Pode parecer algo retórico ou um equívoco de digitação, mas é exatamente o que queremos dizer. Uma de suas propostas é a de nos fazer refletir sobre os significados, alcances e limites a que esse caminho entre passado e presente leva. No caso deste trabalho, a via tem mão dupla. Vai-se do presente ao passado e do passado podemos alcançar o presente.

    Um dos papeis do historiador é o de criar representações do passado e de submetê-las aos seus contemporâneos. Sendo a História a ‘ciência do contexto’, como proferiu Marc Bloch, seus especialistas devem se esmerar por descurar a passagem dos homens e mulheres pelo tempo, apontar as idiossincrasias que especificam cada recorte temporal e enaltecer, de um lado, as especificidades que os tornam únicos, de outro, os traços que os unem aos tempos pretéritos e aos sucedâneos. Mas não é só isso. A reconstrução do passado perpassa obrigatoriamente pela influência que o presente exerce sobre aqueles que se debruçam em busca das ‘antiguidades’. Destarte, qualquer estudo sobre o passado nos apresenta reflexos que desnudam traços reveladores sobre o presente.

    No embate de ideias relacionadas ao passado romano, surge impávida a premissa de que nele podemos encontrar algumas das raízes mais profundas da civilização ocidental. Diante dessa asserção, aparentemente indelével, se nos apresenta o questionamento imediato: como o conhecimento dessas raízes pode lançar luzes sobre o que é hoje esse conglomerado multicultural denominado de ocidente? Esse trabalho é uma contribuição valiosa para que possamos refletir sobre essa questão. Mas seu mérito não reside apenas no aporte que oferece para o entendimento do passado ‘latino’. Ele apresenta ao seu leitor uma análise que confirma de maneira aguda a influência que os tempos presentes desempenham na construção das representações do passado, mesmo os mais longínquos.

    Assim, para aqueles que buscam informações sobre a antiguidade romana, nomeadamente nas suas lides contra Cartago, temos aqui uma obra que lança mão de recursos analíticos que dialogaram com as novas tendências da crítica documental interdisciplinar. Os que buscam informações sobre os conturbados tempos contemporâneos encontrarão manifestações claras, baseadas em uma fina análise, sobre os reflexos do presente na busca e na reconstrução do passado. Ainda que, em tese, deveria ser este a lançar seus reflexos sobre aquele.

    Bruno Casseb Pessoti

    Professor de História Antiga e Medieval da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB).

    AGRADECIMENTOS

    Em primeiro lugar, agradeço a Deus por tudo o que tem feito em minha vida, dando-me forças para conseguir elaborar este trabalho! Em seguida, agradeço à minha esposa Jaqueline por estar ao meu em todos os momentos. Ao meu irmão, minhas tias e tios, que têm me incentivado e apoiado constantemente, como também, à minha sogra.

    Agradeço ao historiador Bruno Casseb Pessoti, meu amigo, que tanto me ajudou, durante toda a elaboração desta obra, sempre pronto, principalmente com muita humildade, a responder as minhas dúvidas sobre história antiga, colaborando para o meu crescimento como pesquisador da área. Pela sua paciência por me suportar na orientação deste feito. A Professora Vanessa Magalhães, pelas sugestões apresentadas: muito obrigado!

    INTRODUÇÃO

    A arte militar tem se modificado através dos tempos, diante das condutas bélicas apresentadas dentro de cada teatro de operações, mediante as estratégias elaboradas pelos comandantes beligerantes. Estes guerreiros estavam inseridos no contexto histórico em que viviam e possuíam vínculos com a cultura de suas origens, sendo influenciados no desenvolvimento de administração das formas como lutavam. A postura imposta em cada batalha demonstrava as linhas de ação, ofensiva e defensiva, que eram apreendidas nas guerras anteriores, buscando um melhoramento para o fim comum: a vitória.

    Contudo, este procedimento também estava ligado à perspectiva de como se refletia sobre a guerra, a partir do pensamento elaborado pela sociedade a que o exército pertencia. Nesse sentido, as questões culturais estavam presentes nas ações bélicas realizadas no campo de batalha, mesmo depois do choque combativo nos conflitos. As reformas executadas nas estruturações das forças de combate demonstravam um aperfeiçoamento na especialidade de lutar, do mesmo modo, de perceber toda a conjuntura exposta no confronto armado e adaptarem-se às situações contrárias, impostas muitas vezes inesperadamente, necessitando de um contra-ataque imediato.

    Nesse sentido, podemos perceber todo esse processo militar na Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.), na qual estavam em choque duas potências de grande influência da época. De um lado, se encontrava a cidade de Cartago, do outro, Roma. Após vinte e três anos de paz entre as duas forças, desde o fim da Primeira Guerra Púnica (264-241 a.C.), as batalhas voltaram a ser o centro das preocupações do cotidiano. Este conflito exigiu das duas rivais modificações estruturais na forma de entendimento de combate, levando ambas as partes a moldarem-se desde situações desfavoráveis e incomuns aos padrões praticados na época.

    O presente trabalho tem o objetivo de analisar como está representado na historiografia contemporânea, o desenvolvimento da Segunda Guerra Púnica que ocorreu entre os anos de 218 a 201 a.C., baseado no livro do historiador Adrian Goldsworthy,¹ elaborado no ano de 2000, intitulado originalmente The Fall of Carthage (A Queda de Cartago),² traduzido para o português em 2009, por Miguel Mata; e a dissertação de mestrado, apresentada ao Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Goiás, no ano de 2008, do historiador Henrique Modanez de Sant’Anna,³ intitulada: Dispositivos Táticos Na Segunda Guerra Púnica e a Questão Do Militarismo Cívico Na Obra De Políbio: Uma Reflexão Acerca Do Limite Normativo Do Modelo Ocidental De Guerra. Os dois autores que discorrem sobre o tema, apresentam diferentes perspectivas e têm como fonte principal a Historiae⁴ de Políbio.⁵ O recorte geográfico desta pesquisa contempla as regiões da Península Itálica, com ligações na Magna Grécia, Hispânia, Mediterrâneo e o norte da África. A intensão é analisar a concepção dos escritores no desenvolvimento da nova colisão de forças entre as duas maiores potências do período e a expansão das mesmas, influenciando cidades nas áreas política, econômica, social e cultural, que se encontravam sob o domínio de uma

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