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Um amor de mentira

Um amor de mentira

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Um amor de mentira

avaliações:
5/5 (3 avaliações)
Comprimento:
561 página
11 horas
Editora:
Lançado em:
Aug 31, 2018
ISBN:
9788585037093
Formato:
Livro

Descrição

Alice Medeiros não confia nos homens por causa do seu ex-namorado pulador de cerca. Ela é autoritária, resmungona e possui uma língua ferina quando se sente ameaçada. Alice nutre uma raiva secreta por Jordan Goulart, o barbudo produtor da empresa e ogro mal educado. Quando ele percebe sua existência e usa de sarcasmo e prepotência para cima dela, Alice usa unhas e dentes expostos para mantê-lo longe. O que não adianta muito, pois uma viagem para a Califórnia é jogada sobre seu colo e no pacote está incluso Jordan e suas várias camadas de humor. Logo no coquetel de boas-vindas, um desentendimento acontece e um namoro falso surge entre eles. E, quando o ex de cada um aparece, o falso romance precisa ser estendido. O que fazer depois que a mentira se confunde com a verdade? Alice e Jordan irão se meter em um grande nó sem volta, principalmente quando o destino decide jogar com suas vidas e lhes deixar um presente.
Editora:
Lançado em:
Aug 31, 2018
ISBN:
9788585037093
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do Livro

Um amor de mentira - Rubanne Damas

Copyright © 2018 Editora PL

Capa: Malta - Design Editorial

Revisão: Sheila Ribeiro Mendonça

Diagramação Digital: Carla Santos

Todos os direitos reservados e protegidos.

Nenhuma parte dessa obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma, meio eletrônico ou mecânico sem a permissão da editora.

Capa

Folha de Rosto

Créditos

Epígrafe

Dedicatória

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

Capítulo 11

Capítulo 12

Capítulo 13

Capítulo 14

Capítulo 15

Capítulo 16

Capítulo 17

Capítulo 18

Capítulo 19

Capítulo 20

Capítulo 21

Capítulo 22

Capítulo 23

Capítulo 24

Capítulo 25

Capítulo 26

Capítulo 27

Capítulo 28

Capítulo 29

Capítulo 30

Capítulo 31

Capítulo 32

Capítulo 33

Capítulo 34

Capítulo 35

Epílogo

Extra

Agradecimentos

Biografia

Saiba mais sobre a Editora PL

Notas de rodapé

"Com tantas mentiras e falsidades que há no mundo,

que sejamos sinceros pelo menos no amor."

Gregori Schweig

Para você, Rogério, o Jordan da minha vida.

Flores adornavam todo o lugar. Rosas, petúnias, copos de leite... Tantas flores que eu mal via o ambiente e meu nariz ameaçava coçar por todo aquele pólen preso dentro de um lugar só. E ele havia pensado tanto naquele momento... Planejado, investido, tudo feito e milimetricamente organizado. Tudo isso para me surpreender em uma tarde de sábado em um dos meus restaurantes prediletos.

Eu teria ficado surpresa. Claro que teria. Isso se minha grande amiga Carla não tivesse aberto o bico uma semana antes. E ela não abriu o bico exatamente para mim. Digamos que eu estava passando e, sem querer, a ouvi dizer entre uma frase e outra. E eu esperei a agonizante semana passar para chegar logo o momento em que ele se ajoelharia e estendesse a caixinha de veludo na minha direção.

Eu estava uma pilha de nervos. Afinal, quem não estaria? Ele é o homem dos sonhos de toda mulher. Um perfeito pedaço de mau caminho com seus cabelos castanhos muito bem penteados e olhos verdes de matar. Um gênio da contabilidade. Mulheres caíam aos seus pés quando ele passava. Minha mãe ficaria tão feliz se o conhecesse...

Não, minha mãe não morreu. Ela está internada em um hospital de câncer na capital. Ela descobriu o nódulo maligno no estômago cinco meses após meu pai morrer em um acidente de carro. Não precisa dizer: meus pêsames! Sinto muito! Não fique triste e blá-blá-blá. Faz sete anos que isso aconteceu. Eu já superei, vai por mim. Tragédia devia ser o segundo nome da minha família.

Mas onde eu estava mesmo? Ah, sim, no pedido cheio de flores.

Eu me arrumei de forma elegante conforme havia me pedido. Coloquei meu mais ousado vestido no tom vermelho e com uma enorme fenda do lado da coxa direita. Ele odiava aquele vestido pelo simples fato de mostrar demais, mas era uma ocasião especial, não? Subi em meus saltos pretos de quinze centímetros e desfilei até seu carro. Me cumprimentou com um selinho e uma boa comida de olhos. Franziu o cenho ao reconhecer o vestido, porém, nada falou.

Paramos no restaurante, descemos do carro e eu fui brindada com o montante de flores por todo o caminho. Ele não lembrava que minha rinite atacava com cheiros fortes? Não, ele não deve ter lembrado, é apenas um mero detalhe, não? Sentamos em uma mesa afastada e ele sorriu quando nossos pratos chegaram. Falamos sobre amenidades durante todo o jantar e eu não escapuli de um pequeno sermão sobre meu vestido sem pudor. E eu que pensei que conseguiria fugir disto. Segurei para não revirar os olhos e demonstrar o meu tédio.

Um violino começou a tocar em algum lugar e as luzes diminuíram, deixando o ambiente o mais romântico possível. Ele se levantou de sua cadeira, ajoelhou sobre uma das pernas e puxou a tão sonhada caixinha de veludo azul do bolso. Meu sorriso tremia.

— Alice, você aceita ser minha adorada esposa para todo o sempre?

Olhei para o lindo anel prateado e sua pedra rosa delicada. Eu odiava rosa. Ele, mais do que ninguém, deveria saber que eu odiava rosa. Mas ele deve ter se esquecido disto também, certo?

Subi minha mão até o peito e soltei um risinho que me pareceu muito descontrolado. Eu lutava contra as lágrimas que preenchiam a linha rasa dos meus olhos. Mas uma acabou por escapar e escorrer pela bochecha. Ele ainda me olhava, esperando, e meu sorriso morreu quando eu disse firmemente:

— Não.

— O que disse, amor? — Maurício disse confuso.

— Eu disse não. — Puxei minha bolsa de mão de cima da mesa e rumei para fora do restaurante.

Meus passos duros puniam o tapete acarpetado do corredor de saída. Seus dedos envolveram a curva do meu cotovelo e Maurício me virou bruscamente em sua direção.

— Por que não? Eu pensei que você queria casar comigo. Você disse tantas vezes...

— Por que não pede a Carla em casamento? Ela ia adorar dizer sim entre os gemidos fingidos dela! — gritei e puxei meu braço para longe dele.

— Mas do que você está falando? — perguntou e pude sentir sua voz falhar no meio da frase.

Sim, meus queridos amigos, é isto mesmo que vocês estão lendo. Batam palmas para mim, acabo de ganhar um par de chifres de presente de Natal antecipado junto com um anel de noivado rosa horroroso.

— Estou falando que semana passada eu cheguei mais cedo de viagem — rosnei e avancei contra ele. Maurício encolheu-se e vi seus olhos aterrorizados. — E, sabe, eu decidi fazer uma surpresa e ir até a sua casa. O mais surpreendente foi eu chegar lá e descobrir que minha amiga estava em sua cama!

— Eu posso explicar, amor — gaguejou.

Minha mão foi mais rápida que meu pensamento. Meus cinco dedos estalaram contra a pele pálida do rosto de Maurício e minha palma ardeu com o contato abrupto. Seus olhos se arregalaram em minha direção.

— Isso é por você ser o maior cara de pau. — Agarrei seus ombros com as mãos e subi meu joelho direto em sua virilha. Seu corpo se curvou com o choque em suas partes baixas. — E isso é por falar sobre me pedir em casamento enquanto comia de quatro a vaca da Carla!

— Querida... — disse de uma forma estrangulada.

— Querida é o escambal! — bradei. Alisei meu vestido e coloquei uma mecha do meu cabelo rebelde atrás de minha orelha. Estava recomposta outra vez. — Espero que ela goste do anel. Só para constar: eu odeio rosa. Você deve ter esquecido ou confundiu com o gosto da Carla.

Sim, ironia escorria pela minha língua.

— Não é o que você pensa. Deixe-me explicar... — Apoiou-se nos joelhos e sugou o ar com força.

— Você não precisa explicar. Eu vi. — Acenei para o táxi e olhei uma última vez para ele antes de bater a porta. — E eu odeio flores, Maurício. Se tivesse me enchido de bombons eu teria até te perdoado. Vinte por cento, talvez.

Observei da janela o olhar perdido de Maurício e sorri por não ter deixado nenhuma lágrima escapar enquanto eu o chutava. Ele não merecia nada de mim além do meu ódio. E isso já era muito. Saquei o telefone enquanto indicava minha rua para o motorista. Disquei os números rapidamente e Morgana me atendeu na segunda chamada.

— Como foi? — Sua voz estridente e eufórica quase me deixou surda.

— Chutei as bolas dele.

— Não brinca! — Ouvi sua sonora risada do outro lado da linha. — Queria ter visto isso.

— Foi lindo, Morg. A pele lisa do rosto dele ficou ainda mais vermelha. E meus lindos dedos ficaram marcados na bochecha feminina dele também.

— Oh, Deus! Eu, definitivamente, queria ter visto isso! — suspirou. — Como era o anel?

— Rosa.

— Erc, ele não te conhece mesmo.

— E tinha flores de todos os tipos entupindo o restaurante.

— Poxa, Lili, você tem rinite! Em sete anos ele não percebeu isso?

— Parece que não. — Dou de ombros.

— Eu disse pra você, Lili. Porra, aquela Carla tinha escrito vadia na testa dela! E ele também não me parecia flor que se cheire — desdenha.

Morgana nunca tinha gostado de Maurício. Essa frase dela não havia me surpreendido. Se eu tivesse ido por ela, bem... talvez eu tivesse chutado as bolas dele muito antes.

— Morg, a parte importante aqui é a que eu estou indo até minha casa, pegando minha mala e embarcando para a capital dentro de uma hora. — Pago a corrida do motorista e salto em frente ao meu prédio. — Vou ficar com você até arranjar um canto e um emprego. Tenho entrevista na segunda.

O plim do elevador me fez desencostar da parede espelhada e sair para o meu corredor. Girei a chave na porta, tirei meus sapatos e me joguei no sofá. Só agora eu via o quanto estava cansada.

— Como nos tempos da faculdade. Eu e você, duas solteironas rodando por essa imensidão...

— Pare de assistir A Era do Gelo, Morg. — Sorri. — Guarde um quarto para mim enquanto não acho meu próprio apartamento.

— Sim, senhora. E, se você precisar, eu posso ir até aí e acertar as bolas do Maurício mais uma vez. Com um taco de beisebol de preferência.

Sorri pela primeira vez após tantos dias. Um sorriso de verdade. Morgana me conhecia desde pequena e havia ido para a faculdade junto comigo, e lá conhecemos a Carla na faculdade. Morgana fora para a capital assim que terminou. Ela vivia me dizendo que a Carla era carne de pescoço, mas eu me recusava a acreditar. Morgana, sim, era uma amiga de verdade. Destas que arrancaria a própria unha para substituir a sua se quebrasse. Era por isso que eu a amava tanto.

— Não precisa. Ele já deve ter ganhado uma dor para os próximos três dias.

— Espero que seu pau não suba por esses três dias e a Carla fique chupando dedo.

— Morg, você é perversa. — Sorri.

— Você nem faz ideia, amiga. — Ouço o som de uma campainha ao fundo e uma porta se abrir. — Minha pizza chegou. Ligue-me quando sair da rodoviária. Vou deixar uma cama separada para você e um passeio agendado também.

— Será minha guia particular?

— Serei o que você quiser, gostosa. Só não aceito chicotes, eles ardem.

— Argh, não quero nem saber como você descobriu isso. — Balanço a cabeça enquanto rio.

— Ele era gostoso. O chicote ardeu, mas a noite valeu a pena. As três na verdade. — Ouço o som de um refrigerante sendo aberto e um gemido vindo dela. — Vou ter um orgasmo só de me lembrar dele.

— De verdade, eu não preciso ouvir isso. Até, Morg.

Desliguei o telefone a tempo de ouvi-la rir do outro lado da linha.

Era isso. Depois de viver toda minha vida na mesma cidade, eu estava de mudança para a capital. Com um pequeno chute na bunda como empurrão e incentivo. Não se esqueça do par de galhos também.

Durante toda a semana decidi que minha carreira era mais importante. Que minha mãe era mais importante e que eu deveria conseguir algo melhor por ela. Para ela. Eu seguiria minha vida para melhor. A partir de hoje eu seria outra mulher.

Amar outra vez? Nunca mais.

O clima frio da capital me faz tremer os dentes. O clima daqui é tão incerto quanto os números da Mega-Sena, você nunca acerta. Só por um milagre. De dia sol, de tarde chuva. Uma beleza. A única coisa que não muda é o frio.

Caminho apressada entre as pessoas para chegar em casa o mais rápido possível. Meu sapato está molhado pela chuva repentina e meus dedos estão petrificados dentro da meia. Talvez seja por isso que esteja difícil correr. Alcanço minha rua e um sorriso se abre em meu rosto. Kishan deve estar me esperando em casa, ansioso. Não, ele não é um cara. Por mais que eu sonhasse que Kishan fosse real, ele não é. Este é o nome do meu lindo gato Toyger de olhos dourados, meu verdadeiro companheiro.

Aceno um bom-dia para Luiz, o porteiro gorducho e fofo e nada esperto, e subo as escadas do hall. Eu já me sentia em casa. Nove meses e é como se eu morasse aqui minha vida toda. Acho que eu deveria ter nascido nesta cidade logo de vez, me pouparia muita coisa. Giro a chave da minha porta e Kishan salta de cima da mesa, me recepcionando com seu miado esfomeado.

— Olá, meu amor. Mamãe chegou — cantarolo.

Seu corpo macio passa entre minhas pernas e ele ronrona ao ver a lata de comida em minha mão. Interesseiro. Coloco a comida em seu pratinho e vou à direção do meu quarto. Meu apartamento é pequeno se comparado ao de Morgana. Um quarto, uma sala acoplada à cozinha e um banheiro que dá para valsar lá dentro. Bem minha cara.

Tiro os sapatos molhados e as meias, deixando-as no canto do banheiro. Tirei minhas roupas como o Flash¹, o homem mais rápido do mundo — só porque o Barry Allen acha —, e entro embaixo da água quente da minha ducha. Eu precisava daquilo. Depois de anotar compromissos, falar no telefone o dia inteiro e rever contratos imensos, eu realmente precisava de uma ducha em plena sexta-feira. Não que eu não faça isso nos outros dias, mas é que estou cansada e... Ah, você me entendeu.

Salto para dentro do meu pijama de bolinhas verdes assim que termino o banho e me enfio debaixo das cobertas. Oh, doce oitava maravilha do mundo. A chuva volta a cair, golpeando minha janela com força. É apenas isto que eu adoro: chuva, tempo frio, minha coberta e minha cama. Não me tire essas coisas no inverno ou eu irei matar você. Era só isso que eu gostava nesta época gelada do ano. Ter que sair do conforto quente da minha casa para enfrentar o frio das ruas não era o meu forte.

E nunca seria, vai por mim.

Quando meus olhos estão quase fechados e o corpo quente de Kishan se afundava em minhas costas, ouvi o som da música do meu celular tocar em algum canto da casa. Kishan miou pelo barulho insistente e cutucou minhas costas com o focinho. Eu não ia levantar. Se alguém estivesse morrendo eu iria ao velório depois de dormir por doze horas seguidas.

Entretanto, o som persistia. E ele parece mais alto a cada segundo, a cada maldito toque. De repente, um pensamento sombrio me ocorre. Velório. Porra! Puxo as cobertas com pressa, girando Kishan sobre o colchão, e vasculho minha casa até achar o maldito aparelho. Só suspiro de alívio quando vejo que não é do hospital. É apenas Morgana. Ela eu posso matar por me tirar da minha confortável cama.

— Diga-me que aconteceu algo estupidamente extraordinário para você me tirar da cama!

— Uau, alguém está de TPM neste fim de tarde. E que negócio é esse de cama? Ainda não são nem sete da noite! — ralha do outro lado da linha.

— Estou cansada e está chovendo. Que se dane que são sete da noite. Vou hibernar até amanhã para suportar as duas horas de uma reunião completamente claustrofóbica que terei logo cedo. Então, não me aporrinhe!

— Cara, você precisa de uma foda. Para ontem.

— Não me venha com isso, Morgana. Eu preciso é da minha cama. Única e exclusivamente. Só ela pode me dar o prazer que preciso.

— Um pau grande resolve também. — Ri enquanto eu reviro os olhos. — Você não pode deitar e dormir, Lili. Precisamos sair e beber algumas doses. Você me deve.

— Vá sozinha. Kishan quer minha companhia hoje.

— Alice Medeiros! Você não pode se enclausurar dentro de casa e perder a vontade de curtir a vida só porque aquele imbecil do Maurício anunciou a Deus e o mundo que está comendo a Carla.

— Ele não anunciou isso, Morgana. — Faço uma careta de desagrado.

— É quase a mesma coisa. Anunciar um namoro é como dizer estou fodendo loucamente a garota.

— Você é muito sensível, sabia? — bufo.

— Ele te traiu, foi um idiota e já se passou nove meses. Faça logo esse parto, mulher! Você precisa sair dessa sua fossa e enfrentar a vida.

— Eu não estou na fossa, Morg. Estou trabalhando duro para ajudar minha mãe com os remédios. Eu negligenciei muito isso quando estava com Maurício.

— Isso prova o quanto ele é um escroto. Te privar de vir ver sua mãe? De ajudá-la? Sério, Lili, eu não sei o que você viu nele.

— Já conheço essa sua ladainha, ok?

— Então saia comigo! Vamos dançar um pouco, beber e conversar com alguns caras! Você não precisa cair na cama dele, só converse.

— Você não vai desistir, né?

— Na-na-ni-na-não — cantarola.

Suspiro em desistência. Que mal faria sair um pouco? Dançar, conhecer alguém interessante? Eu preciso esfriar minha cabeça um pouco e não pensar em algo que seja a Produções Massa & CO. Massageio minha testa com as pontas dos dedos e fiz minha decisão.

— Está bem, vou sair com você.

— Isso! — exclama. — Te encontro as nove aí mesmo na sua casa. Se produza, ok?

— Vou selecionar meu melhor par de tênis — ironizo.

— Cruzes, como você é estraga prazeres.

Ela desliga sem cerimônias. Bem, já que eu havia criado o nó na corda, agora precisava me enforcar com ela. Levanto abrindo meu guarda-roupa, que é pequeno em comparação ao de todas as mulheres no planeta, e escolho um par de calças rasgadas e uma blusa de cetim preta.

Escovo meus cabelos que havia lavado mais cedo e calço meus saltos vermelhos. Passo uma maquiagem leve e acabo bem a tempo da chegada de Morgana. Ela estupra minha campainha por alguns minutos antes que eu abra a porta para ela.

— Caralho, Morg, minha campainha está funcionando, não precisa ficar apertando sem parar!

— Só para garantir, caso você tivesse ido dormir. — Sorri e agarra minha mão. — Vamos, o táxi está lá embaixo.

— Deixe-me fechar a porta pelo menos! — exclamo soltando minha mão de seu aperto. — A boate não vai fugir de você se me esperar fechar a porta.

— Mas o taxista vai.

— Você está pagando. Ele não vai, acredite em mim. — Giro a chave na porta e testo a maçaneta para ter certeza que está trancada. — Bem, acho que podemos ir.

— Aleluia, irmão! — Volta a me puxar até o elevador.

Dou uma olhada nela de cima a baixo e solto um assovio. Morgana é uma deusa com pele morena enquanto eu sou só eu mesma com minha pele pálida. Seus cabelos lisos até a cintura, olhos como duas jabuticabas e uma boca carnuda. Ela é como uma feiticeira. Isso faz jus ao nome.

— Recolha a baba, amiga. Esse corpinho hoje será apenas de um homem.

— Eu não gosto de repartir, Morg. — Faço um beicinho cenográfico assim que as portas se abrem.

— Você aprende. — Pisca e volta a me puxar pelo saguão.

Morgana está eufórica, como sempre, enquanto estou inerte em meu próprio mundo. Sair não é algo costumeiro para mim. Eu nunca saí com amigas. Eu adoro ficar em casa, ler meus livros, ver minhas séries e acariciar Kishan quando me sinto só. Terminar com Maurício me fez perceber o quanto eu sou solitária sem ele. Se eu não o tivesse conhecido, talvez eu teria me aberto a novas possibilidades e me tornado um pouco mais social.

É muito e se para cogitar.

A questão é que eu havia conhecido Maurício no início do segundo termo da faculdade e logo quando minha mãe descobriu a doença. Eu estava carente e triste. Eu precisava de apoio e ele foi uma ótima âncora por cinco anos, depois tudo desandou aos poucos e eu fingi que não percebia os últimos dois anos passarem. Acho que já estava para terminar mesmo. Estávamos tapando o sol com a peneira.

O ruim de tudo isso é ele continuar me ligando. Eu troco de número e ele consegue novamente. Sua cara de pau é gigantesca. Salto do táxi assim que paramos e Morgana segura na curva do meu braço enquanto esperamos na fila de entrada.

— Preciso de uma dose bem forte.

— Você sempre precisa, Morg. — Sorri.

— E de um cara extremamente gato.

— O que houve com Ricardo? O cara do chicote?

— Ele tinha uma bunda gostosa e um sexo maravilhoso. Mas ele estava se tornando possessivo e você sabe que eu não curto essas coisas. — Fez uma careta.

— Sim, eu sei.

Morgana era adepta do: pega, mas não se apega. Ela namorou apenas uma vez, mas o namoro se rompeu quando ele aceitou uma viagem para o exterior. Depois disso, ela tem seus peguetes de meses, mas depois eles somem da sua vida como se nunca houvessem existido. Eu queria ser como ela. É como se houvesse uma capa ultraprotetora sobre o coração e nada conseguisse ultrapassar.

Pagamos nossa entrada depois de séculos esperando e entramos na boate barulhenta. Luzes multicoloridas me banhavam como um arco-íris e meu corpo pulsa com a música. Acho que mais meia hora e eu não teria mais meus tímpanos. Nos direcionamos ao bar e Morgana estendeu o braço para fazer o pedido. Nossas bebidas chegaram e Morgana se apoiou no balcão, vasculhando o lugar.

— Hoje parece que está mais agitado.

— E ainda não são nem dez da noite — ironizo.

— Qual é, Lili. Não seja rabugenta. Vamos dançar e ver se o seu mau humor evapora.

Ela me puxa para a pista e dançamos com o copo no alto. Depois de sabe Deus quantas músicas tocadas e umas quatro batidas Diabo Louco, eu sinto que preciso sentar em algum lugar. Subo no banquinho do balcão e Morgana para ao meu lado ainda dançando. Eu olho pelo salão cheio de corpos, ainda mais cheio com o avanço da noite, e termino de beber o líquido avermelhado do meu copo com um gole.

— Pronta para mais uma rodada? — Morgana grita acima do som.

— Não. — Balanço a cabeça. — Está ótimo por hoje.

— Por Deus, Lili, você mal bebeu!

— Eu trabalho amanhã! Não quero ir para uma reunião com dores na cabeça de uma puta enxaqueca. — Aponto.

Morgana balança a cabeça e olha pelo salão. Sua mão agarra o meu braço e sua boca se aproxima do meu ouvido.

— Olhe ali no canto escuro. Aquele cara me parece tão mal quanto você.

— Quem? — Cerro o cenho.

— Aquele ali. — Aponta com o queixo para uma mesa não muito longe. — Ele parece estar mais na fossa do que você.

— Isso é um problema dele. E eu não estou na fossa!

Ela balança a mão com desdenho e seus olhos brilharam. Merda.

— Vamos lá falar com ele.

— O quê? Ficou louca? — exclamo.

— O que tem? Vocês podem trocar figurinha e ficarem bêbados juntos. Eu já fiz isso, foi ótimo. — Pisca para mim. — Vamos animá-lo!

Cerro os olhos para ela e volto a olhar para o cara esquisito. Ele está parcialmente encurvado sobre sua bebida e sua barba comprida. Uma bagunça assim como seus cabelos pretos. Ele tem uma jaqueta velha pendurada na cadeira e usa uma camiseta verde que muda de cor conforme as luzes piscam. Ele levanta a cabeça por um momento e minha boca cai. Oh, merda. Como eu odeio minha vida.

— O que foi? Você está fazendo aquela careta de deu merda. — Morgana me cutuca e logo em seguida me belisca, tendo minha total atenção. — Caralho, estou falando com você!

— Nem que você me pague que vou falar com aquele cara. Nem que eu estivesse drogada e tri-louca, eu nunca falaria com ele. Nunca, ouviu?

— É só um cara! Ele não vai te morder.

— Ele é um idiota. Eu não vou falar com ele. — Cruzo os braços acima do peito e emburro a cara. Nem morta eu iria até lá.

— Como você sabe que o cara é... — Sua boca se fecha e seus olhos estreitam. — Você conhece o barbudo estranho?

— Conheço — resmungo.

— Então será mais fácil! A gente senta lá e...

— Eu não vou até lá, Morgana. Jordan é a última pessoa com quem quero falar.

Minha voz já arranha por estar gritando para me fazer ouvir acima da música.

— De onde você o conhece? E o que diabos ele fez para você? — Morgana apoiou as mãos no quadril e eu bufei.

— Ele trabalha comigo. Quer dizer, ele trabalha no design de marketing. É o chefe de lá.

— Oh, ele é o cara deprê pé no saco. — Reconhecimento abate sobre sua feição.

— Sim. Ele é o imbecil chutado pela ex-noiva que dá coice nas pessoas. Principalmente em mim quando ligo no setor dele. — Olho de relance para o produtor de marketing.

Mundo pequeno do caralho.

— Ele deve estar bêbado. Que tal tirar uma com a cara dele?

— Não.

— Ah, Lili, ele nunca prestou atenção em você. Nem vai saber quem é.

— Não.

— Ok.

Ela me puxa para fora do banquinho e caminha decidida até a mesa do cara esquisito. Ela nunca sabe o significado da palavra não, e eu quero matá-la por isso. Paramos ao lado da mesa e minha cara queima de vergonha. Agradeço por estar em uma boate onde a luz não existe. Ele ergue a cabeça e seus olhos turvos vão de mim para Morgana e vice-versa.

— São garçonetes?

— Não. Somos sua companhia esta noite. — Morgana senta-se de frente para ele e eu continuo de pé.

— Eu não quero companhia. Se eu quisesse, teria vindo com amigos.

— Você não tem amigos — falo antes de pensar.

Seus olhos sobem até mim. Mesmo turvos e em um local escuro, eles ainda continuam daquele modo azul intenso.

— Eu te conheço?

— Graças a Deus que não. — Sorri ironicamente.

— Tem certeza? Eu me lembro da sua voz de algum lugar. — Estreita os olhos enquanto mexe sua bebida. — Você trabalha como telefonista?

— Não é da sua conta.

— Não liga pra ela. — Morgana me olha de esguelha e sorri para Jordan. — Eu sou Morgana e você é?

— A pessoa que estava muito bem sozinho. — Ele vira sua bebida de uma só vez e bateu o copo sobre a mesa.

— Você nunca cansa de ser grosso? — cuspo amarga.

— Que eu me lembre eu estava aqui sozinho e foram vocês que chegaram do nada na minha mesa. Eu não chamei ninguém. Como disse, se eu quisesse companhia, traria amigos.

— Se você tivesse algum, claro — retruco.

Seus olhos cerram para mim de um modo ameaçador, mas eu sequer me abalo. Estou acostumada com aquele olhar dele sobre os funcionários. Sinceramente, eu não sei por que Raul ainda suporta esse encosto no escritório.

Ah, é. Jordan é o melhor produtor de todo o país. Merda.

— Vamos, Morg, eu disse que era idiotice vir até aqui.

— Você não disse nada disso. — Aponta. — E eu estou a fim de conversar com esse cara aqui.

— Mas eu não estou a fim. — Ele tira a carteira do bolso e deixa algumas notas sobre a mesa. — Se queriam a mesa era só ter dito.

— Não queríamos a mesa — diz Morgana, ultrajada. Ela nunca havia sido recusada desta forma. Geralmente, os caras caíam aos seus pés, não o contrário. — Queríamos a droga de uma conversa!

— Eu não vou comer você — fala simplesmente e se vira na minha direção. — E nem você.

— O quê? — Rio surpresa. — Eu fui arrastada até aqui por ela, colega, não fique se achando. E eu não dormiria com você nem que fosse amarrada.

— Você é lésbica? — Arqueia uma sobrancelha daquele modo desafiador.

— Para você, sim. — Sorrio dissimulada. — E eu odeio barba de mendigo, só para constar.

— A gente já se encontrou por aí? Porque, eu juro que conheço sua voz. Grasnada e um pouco desafinada. — Franze o cenho e inclina a cabeça para frente. Ele parece um ganso tentando roubar comida da mesa de piquenique.

— Vá se ferrar, Jordan. Você é mesmo um imbecil — bufo. — Vamos, Morg, estou entediada aqui.

Puxo o braço da minha amiga e deixo um último olhar fuzilante para ele. Jordan coloca as mãos em seus bolsos e some entre as pessoas da boate. Minha noite havia acabado ali e se Morgana vem embora comigo já não me importa. Eu quero minha cama, o lugar de onde eu não deveria ter saído.

Pego um táxi de volta para o meu apartamento e Morgana resmunga ao meu lado sobre ter sido uma péssima sexta-feira. Eu não discordo. Desço em frente ao meu prédio e deposito um beijo de despedida na bochecha dela. Eu voltaria para minha cama, meu aconchego quente e me enroscaria ao corpo macio de Kishan. Amanhã eu levantaria e me esqueceria da péssima semana que tive e enfrentaria uma reunião tediosa.

Eu só não sabia que teria de enfrentar certo barbudo de olhos frios em plena manhã de sábado.

Acho que ficar olhando para a tela do celular não ajuda muito. Meus olhos estão ardendo por uma noite mal dormida e por raiva reprimida. Meu trabalho no dia não foi produtivo e as músicas ruins desse lugar estão me dando dores de cabeça. O que você precisa fazer para se ter uma vida normal como das outras pessoas?

Uma macumba muito forte.

Cale a boca, consciência, você não foi convidada para o meu monólogo.

Onde eu estava? Ah, sim. A vida normal de uma pessoa. Porque eu não tenho uma. Ela é fodida. Muito fodida. O que eu devo ter feito de errado? Afinal, sou um cara gostoso pra caralho. Eu malho quando estou a fim, o que significa que ultimamente é quase nunca, corro, cuido muito bem da minha saúde, tenho olhos claros que piram as mulheres e um sorriso molhador de calcinhas. Agora me responda: por que a vadia da minha ex-noiva teve que me trair?

Ela não te traiu. Apenas chutou sua bunda para poder foder com um magnata.

Eu já disse para calar a boca, consciência. E Jordan Goulart não é chutado, nunca foi.

Regina é uma vadia e ponto final. Todas as mulheres são. Ei, não jogue sua bolsa em mim, tá legal? Sou apenas um bêbado triste filosofando na porra de um bar. E estas são sempre as melhores filosofias. As mulheres só querem o dinheiro da gente. Nosso cartão, nosso carro, nosso status... Sugar até que viremos ossos de galinhas secos.

Sabe o que foi mais engraçado em toda essa maldita noite? Duas mulheres gostosas pra caralho vieram até a minha mesa. E eu não queria nenhuma delas! Sou um moribundo. Regina me ferrou para todo o resto. Já faz cinco meses que ela foi embora da minha casa. Levou todas as coisas dela e as minhas. Eu a ameacei de jogá-la na prisão por roubo e a única coisa que ganhei dela foi o dedo do meio. Pela maldita tela de celular.

Nota mental: mulher nenhuma presta.

Você não pode generalizar. Como se sentiria se generalizassem você?

Me sentiria um traste, mas isso não vem ao caso.

Você foi idiota com as garotas. Elas só queriam conversar.

Queriam beber às minhas custas, isso sim.

Por isso você não tem amigos.

Você também não, consciência. Já me basta aquela boca esperta ter dito isso na cara dura. E ela nem me conhece! Mesmo que aqueles olhos escuros me lembrem de alguém. Alguém muito chata e cínica. Alguém que tem as mais belas pernas que já vi.

Viro mais um gole da minha cerveja e olho ao redor. As garotas dispensaram minha mesa. A chata dispensou, na verdade. A morena queria ficar mesmo eu saindo. E eu preciso parar de falar sozinho, as pessoas estão olhando para mim como se eu fosse louco. Chamo o garçom e pago minha conta sem olhar as notas. Eu não saberia contar mesmo. Eu preciso, pelo menos, conseguir chegar até meu carro e dirigir até meu apartamento, mesmo enxergando o dobro.

Caminho trôpego pela rua e aperto o alarme para conseguir discernir qual dos veículos é o meu. Quase na esquina, uma luz amarela pisca e sigo até lá. Abro a porta com certa dificuldade e me jogo no banco do motorista. Talvez eu durma aqui e siga até minha casa pela manhã. Recosto minha testa no volante e tento decidir o que fazer com a minha vida.

Eu vivo assim ultimamente. De um monólogo incansável e inútil. Nunca me leva a lugar nenhum.

Não se esqueça de mim.

Você não conta. É apenas minha cabeça louca criando conversas estranhas comigo mesmo. Viu? Estou em um nível crítico aqui. Resmungo quando sinto uma dor terrível em meu pescoço. Apoio minha bochecha no lugar da testa e olho para o vidro da janela. Eu não sabia se tinha dormido ou se tinha ficado tempo demais no bar, mas a linha alaranjada no céu me dizia que estava prestes a amanhecer. Ligo o carro e volto para meu apartamento vazio.

Regina, como eu já havia dito, levou com ela parte da minha mobília. Eu não tinha mais sofá, não tinha minha megatelevisão, geladeira e partes do meu armário. E eu me sinto revoltado porque isso tudo não era dela! Eu havia comprado com meu dinheiro antes daquela vaca entrar na minha vida, e assim que ela saiu, levou tudo o que era meu. Até minha dignidade.

Você sabia que ela era encrenca assim que a viu. Deixou que entrasse porque você é um idiota.

Eu já disse o quanto inapropriada você é, consciência? Sim, Regina era problema assim que olhei para seus olhos verdes e o sorriso sacana. Regina era uma modelo em ascensão quando a conheci. Estava criando fama e deslanchou quando souberam que estava namorando a mim, grande produtor de marketing. O filho do mestre. Decidi mudar meu sobrenome tem uns dois anos e foi depois disso que Regina e eu passamos a brigar constantemente.

Ela ficara revoltada por querer desvincular de meu pai. E daí? Quero minha própria fama, não ser carregado nas costas pela fama de quem foi meu pai. Quero meu próprio nome nas mídias e não ter o sobrenome me carregando. Tenho colhões, por Deus! Sou muito capaz. O problema era enfiar isto na cabeça de minhoca dela.

Ela não tinha cérebro, Jordan. Ela funcionava a base de silicone.

Você adorou chupar os silicones dela por cinco anos. Não venha cuspir no prato que comeu.

Aceno para o porteiro e subo as escadas quase tropeçando. Quem foi o gênio que colocou escadas na frente de um prédio? Bato a mão no botão do elevador e me recosto na parede espelhada assim que as portas se abrem. Eu estou me sentindo um merda.

Você está assim todos os dias nos últimos meses.

Grande descoberta.

Me jogo sobre a cama, única coisa que ela não levou, e afundo meu rosto no travesseiro. Estou um trapo. Irreconhecível. Desde que Regina foi embora eu parei de aparar a barba, ou arrumar os cabelos. Sou um novo Jordan.

Um novo trapo, você quer dizer.

Só viramos trapo quando algo nos destrói, consciência. E ela não me destruiu. Eu não a amava mais, talvez nunca a tenha amado. Eu, na verdade, não sei o que é amar uma mulher. Quando ela me deixou, decidi que eu não seria o mesmo Jordan de antes, eu seria um novo e melhor Jordan. Nenhuma louca me enganaria. Minha mãe me ensinou desde jovem que eu devo ser um homem honrado e meu pai disse que quando a mulher certa chegasse em minha vida eu ia saber, mas nem por isso eu devia brincar com as outras. Quando a mulher da minha vida chegasse, que eu acredito que nem tenha nascido ainda, eu ia perceber como a vida vale a pena ser arriscada.

Regina passou longe de ser a mulher certa.

Fecho os olhos por alguns instantes e tento desligar meu cérebro por alguns minutos. Eu terei que levantar em algum momento para uma reunião importante. Se tudo desse certo, eu poderia expandir meu nome para fora do país. Poderia crescer e talvez ser maior que meu pai. Talvez eu voltasse a usar seu sobrenome depois que ficasse conhecido. Ou continuasse com o meu próprio.

O velho deve estar se revirando na cova por isso.

Não me enche. Ele deve entender. Ele fez o que fez por ser um gênio em edições. Farei o mesmo sem que tenha um dedo seu no meio. Mesmo que imaginário ou produzido pela mídia.

Reviro na cama por não conseguir dormir. Ouço meu despertador tocar e suspiro por ter que levantar e enfrentar mais um dia na empresa. Bêbado, cansado e revoltado.

Bem-vindo a minha maldita vida!

Vocês perceberam que depois de páginas, eu continuo falando sozinho? Isso é triste, não?

Entro debaixo do chuveiro e deixo a água fria congelar meu cérebro embriagado e espantar o álcool de mim. Eu precisava estar acordado hoje, um contrato seria fechado com pessoas importantes do exterior. Enxuguei meu corpo vagarosamente e olhei para o espelho do banheiro. Eu estava pior hoje. Se eu tivesse um amigo ele diria: saia dessa maldita fossa e vá comer mulheres! Mas eu não tenho, então...

Coloco um dos meus melhores ternos, já que iremos receber pessoas importantes, e saio do meu apartamento. Preciso arranjar móveis logo, os ecos dos meus passos estão me deixando louco. Tranco a porta e, quando me viro, quase tenho um ataque cardíaco.

— Vizinho!

Porra do caralho, é ela. A louca atirada do quinhentos e quatro. Tento recuperar meus batimentos cardíacos enquanto foco os olhos nela. Vestido branco mostrando a polpa da bunda, decote profundo que dá para ver até o útero dela daqui de cima e saltos gigantes. Loira, olhos de mel e uma boca que prometia um super boquete. Não valia a pena.

— Darla, você estava me esperando sair?

— Vizinho, eu sei todos os seus horários. — Pisca sedutoramente e passa a unha vermelha em minha virilha. — Quer conhecer os meus?

— Uh, desculpe-me, Darla, mas estou atrasado.

— Que pena. — Faz um beicinho e colou seu corpo no meu. — Eu ia adorar cavalgar em você.

— Quem sabe outro dia? — No dia de São Nunca, provavelmente. Tiro as mãos dela dos meus ombros e a empurro delicadamente.

— Vou cobrar, vizinho. — Sopra um beijo e volta para dentro do apartamento dela.

Preciso dizer que eu praticamente corri para dentro do elevador e hiperventilei? Pois é, eu fiz. Eu estou passando longe de encrencas, e Darla tem isso escrita na testa, nos seios fartos... Ahn, vocês entenderam. E se eu acabasse pulando na cama dela hoje, teria que me mudar na manhã seguinte. Darla possui o mesmo DNA da Regina e encrenca no sobrenome.

Algumas mulheres só querem transar, não ter filhos com você.

Tanto faz. No momento eu não acredito muito nisso.

Entro em meu carro e dirijo até minha cafeteria predileta. Eu precisava de um expresso ultraforte naquela manhã. Acordar de ressaca, receber um convite indecente de Darla e ter uma reunião em pleno sábado merece um duplo expresso com nível máximo de cafeína. Pego meu pacote de rosquinha doce e tomo um gole do meu café. Estava como eu precisava. Degusto meu café da manhã prático e vou à

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O que as pessoas pensam sobre Um amor de mentira

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