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O Adolescente e seus dilemas: Orientação para pais e educadores

O Adolescente e seus dilemas: Orientação para pais e educadores

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O Adolescente e seus dilemas: Orientação para pais e educadores

notas:
5/5 (2 notas)
Duração:
248 páginas
3 horas
Lançados:
29 de abr. de 2015
ISBN:
9788544900857
Formato:
Livro

Descrição

Para muitos pais e educadores, o adolescente é um rebelde sem causa. Já o adolescente, muitas vezes, se sente incompreendido. O fato é que a adolescência (ou "aborrescência", como dizem alguns) é uma fase de muitas mudanças, as quais afligem tanto os adultos quanto os jovens.
Esse livro tem como objetivo servir de reflexão sobre velhos e novos dilemas enfrentados pelos adolescentes, como o desafio da escolha profissional, a descoberta da sexualidade e a complexidade das relações interpessoais. Cada capítulo trata de um tema diferente, para ajudar pais e professores a entender melhor o cotidiano do jovem de hoje. Assim, depressão, bullying, uso da internet, stress, consumo de drogas, automutilação, anorexia e bulimia nervosas, sedentarismo e obesidade são todos assuntos tratados nessa obra, por profissionais com larga experiência em tais questões.
A relação entre adultos e jovens é permeada de conflitos, alguns banais, outros de difícil solução. Esperamos que esse livro possa ajudá-lo a encontrar um ponto de equilíbrio entre o autoritarismo e a permissividade, entre a compreensão e a firmeza, a fim de educar e valorizar o adolescente. - Papirus Editora
Lançados:
29 de abr. de 2015
ISBN:
9788544900857
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Sobre o autor


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O Adolescente e seus dilemas - Marilda Lipp

responsabilidade.

1

Educação afetiva:

Orientação para pais

Marilda Emmanuel Novaes Lipp

A educação afetiva se refere a um conjunto de práticas parentais que objetiva, acima de tudo, a valorização do ser humano. Baseia-se no reconhecimento do lado bom do jovem, incentivando o aprimoramento de características positivas e a aquisição de estratégias de enfrentamento das situações conflitantes e desafiadoras do viver. É a orientação com liberdade responsável, na qual os pais deixam o filho experimentar tanto o sucesso como o fracasso e o preparam para ser ele próprio no emaranhado de influências negativas e positivas ao qual estará sujeito ao crescer. É a prática parental que guia, mas não oprime, que não teme aplicar uma consequência quando o filho ultrapassa os limites e que tem coragem de dizer não às demandas excessivas ou incoerentes geradas pela inexperiência da juventude. Nesse tipo de disciplina, os pais se mantêm alertas, vigilantes quanto aos perigos que o adolescente talvez não saiba ainda enfrentar, mas, ao mesmo tempo, fazem uma tentativa consciente de capacitar o filho para lidar ele próprio com essas situações no futuro.

A educação afetiva inspira, dá motivação para que um filho atinja a plenitude de realizações que sejam dele próprio e não, como ocorre em alguns casos, dos pais, que sentem necessidade de preencher alguns aspectos de sua vida através dos filhos. Pais não podem ser negligentes nem autoritários demais, há que se atingir um meio-termo e exercer um estilo de disciplina que os cientistas chamam de estilo parental autoritativo (Baumrind 1971). Por estilo parental, entendemos um clima emocional criado pelas atitudes dos pais, cujo efeito é influenciar a predisposição dos filhos à socialização, conforme já proposto por Costa, Teixeira e Gomes (2000). Na educação afetiva, o estilo autoritativo é usado com mais frequência. Os pais dão liberdade, mas estão sempre presentes para atuar, se for necessário.

Educar um filho de modo vigilante, sabendo mantê-lo dentro dos limites, é, sem dúvida, uma tarefa mais árdua do que quando se toma uma atitude permissiva. No entanto, essa aparente facilidade encontrada pelos pais permissivos demais é temporária, pois, embora o jovem possa parecer estar gostando da atitude permissiva, ela trará grandes consequências emocionais para a idade adulta. Alguns filhos de pais permissivos demais se tornam adultos ansiosos. Por outro lado, filhos de pais autoritários demais apresentam uma grande tendência de se tornar, com o passar do tempo, adultos fóbicos, que se amedrontam diante da vida.

Educar afetivamente significa não ter receio da reação negativa do filho quando a disciplina necessária é imposta a ele. Não se pode esperar que, ao retirar um privilégio de um filho, como consequência de uma ação indevida, ele vá se alegrar ou ficar feliz. É natural que, no momento da administração da consequência, ele se aborreça e reclame. A gratificação precisa vir da certeza de que se está cumprindo com a obrigação de educar e que a medida tomada é puramente em benefício do filho. Educar deve ser um prazer, pois se deve sempre lembrar da oportunidade única de contribuir para o desenvolvimento de alguém que se ama. Impor limites é parte dessa missão.

Para a maioria dos jovens, a adolescência começa entre os 10 e os 14 anos e continua até os 19 ou 20 anos, mas hoje se fala muito em adolescência tardia, que é aquela que se estende até os 25 anos. Interessante que, em virtude do fato de que os filhos cada vez mais permanecem na casa dos pais até se firmarem financeiramente na vida, a sensação que os pais, muitas vezes, têm é de que continuam a ter adolescentes dentro de casa. Logicamente, o modo como os pais devem tratar os filhos vai depender de muitos fatores, inclusive da idade deles. O desafio de ter filhos já adultos morando sob o mesmo teto será discutido mais adiante neste capítulo.

Filho adolescente

De modo geral, o período da adolescência é visto como difícil e cheio de atritos, não só pelos adultos, mas também pelos próprios adolescentes. É importante notar, no entanto, que nem todo adolescente passa por crises marcantes. Existem alguns que, aparentemente, atravessam essa fase da vida sem grandes conflitos. Para a grande maioria dos adolescentes, esse período se caracteriza por sentimentos contraditórios, principalmente quanto aos pais. Os adolescentes lutam por independência, porém, na verdade, temem a independência excessiva. Eles não conseguem tolerar controle ou proteção demasiada, mas precisam da segurança da atenção dos pais. Para os pais, esse período é muito difícil também, pois precisam aprender a lidar com as oscilações de humor que os filhos apresentam. Esse conjunto de reações é tão comum que dois pesquisadores, a doutora Aberastury e o doutor Knobel, chamaram-na de síndrome da adolescência normal.

O caso de Mara exemplifica esse conflito entre querer ser independente e desejar a ajuda dos pais. Mara era uma adolescente de 15 anos, muito bonita e esbelta. Os pais a trouxeram para terapia, porque estavam preocupados com sua atitude diante do namorado. Eles sabiam que o rapaz, três anos mais velho, estava envolvido com drogas, tinha sempre a aparência ruim, era muito exigente com a menina, não queria que ela saísse com amigas ou sem avisá-lo aonde ia. Faltava aos encontros e agia de modo possessivo, não tolerava a expressão de opinião. Gritava com Mara até por pequenas divergências, enfim, tratava-a como um objeto sem valor. Os pais viam tudo isso e se aborreciam, pois a menina não reagia e se deixava maltratar, como se não tivesse direitos sobre a própria vida e o próprio destino. Temiam também que viesse a usar drogas. Quando questionei por que não proibiam o namoro, disseram: Mas, se nós proibirmos, aí é que ela vai querer mesmo, e ainda vai ficar com raiva da gente. Já a haviam aconselhado e lhe explicado com calma todas as suas preocupações, sem resultado. Era como se o namorado tivesse roubado sua vontade, sua identidade e seu amor-próprio. Como se a tivesse roubado de si mesma, como os casos mencionados no livro Quem me roubou de mim?, do doutor Fabio de Melo. Sugeri que não tivessem receio de que a filha ficasse com raiva, pois sempre que disciplinamos um filho, a raiva é normal e quase sempre passageira. Discutimos a responsabilidade dos pais de proteger os filhos quando estes não sabem ou não conseguem fazê-lo, mesmo que isso lhes dê angústia e trabalho. Sugeri que, na próxima vez em que o namorado maltratasse a filha, eles a proibissem de voltar a vê-lo. Os pais ficaram assustados com essa recomendação, mas assim procederam. Na consulta seguinte com Mara, ela me contou o ocorrido com o namorado e como os pais haviam proibido o namoro, acrescentando com alívio: Graças a Deus, eu não sabia como terminar!.

É normal que adolescentes flutuem entre comportamentos adultos e infantis, entre agir com responsabilidade e de modo irresponsável, entre afrontar a autoridade dos pais em um momento e depender deles em outros. Desse modo, compreende-se como esse período é difícil para os pais, bem como para os jovens. É fácil entender a confusão dos pais sobre o momento de agir com rigor e o momento de deixar que o jovem se autodetermine.

Todavia, a adolescência pode ser também um período de grande alegria para a família, se os jovens e os pais conseguirem se comunicar e respeitar uns aos outros. Enfatizo que nem sempre a adolescência é tão tumultuada e, na maioria das vezes, é vista simplesmente como uma etapa na qual a independência, emocional ou física, é sedimentada.

Embora não haja fórmula mágica para lidar com adolescentes, as sugestões a seguir têm sido úteis para os pais que se preocupam em tentar tornar a adolescência mais agradável. Não se esqueça, no entanto, de que tudo depende dos valores da família e de quanto investimento emocional seus membros estejam dispostos a fazer no momento.

1. Compreenda que a rebelião que, às vezes, ocorre na adolescência não durará para sempre e que o adolescente rebelde de hoje será, certamente, um amigo amanhã. É incrível como, passada essa fase, os filhos incorporam os valores antes desprezados por serem os dos pais. Há uma volta aos valores mais fundamentais passados pela família, mesmo que com algumas modificações individuais.

2. Faça uma análise de seu comportamento em relação ao jovem, para evitar que seus próprios problemas e as pressões da vida o façam reagir excessivamente. Dê bons exemplos, cuide do seu stress .

3. Os pais devem manter a disciplina necessária com seus filhos, mas é importante lembrar que estes precisam de uma certa liberdade para se desenvolver e adquirir personalidade própria. Os pais não podem manter os filhos em um cativeiro emocional, com a ideia de protegê-los das tentações da vida. Melhor é fortalecê-los para seu enfrentamento; mas, em casos extremos, quando os filhos não conseguem ainda lidar com uma situação, torna-se necessário agir e tomar uma atitude de proteção. Uma boa ideia é deixar que os adolescentes participem da decisão quanto aos limites que devem ser estabelecidos. Quando eles participam, normalmente é mais fácil que aceitem esses limites.

4. Esteja seguro de suas ações. Adolescentes precisam saber que os pais têm a certeza do que querem quanto à disciplina. Uma vez que limites ou regras sejam estabelecidos com a participação do jovem, os pais devem impô-los.

5. Supervisione o uso da internet, não permita total acesso a todos os sites . Isso visa proteger o filho de problemas graves como os que têm sido noticiados na mídia sobre adolescentes que se despem na frente da câmera do computador para centenas de observadores. Infelizmente, uma vez que isso ocorra, não há como retirar as imagens, pois se tornaram públicas. Nesse caso, o melhor é prevenir do que punir o comportamento. O adolescente que faz isso não tem amadurecimento suficiente para prever as consequências de sua ação no longo prazo. Cabe aos pais falar sobre valores, explicar os princípios de autoproteção e a importância de proteger a privacidade pessoal antes que coisas assim aconteçam.

6. Aprenda a ouvir e compreender o adolescente; para isso, é preciso que você:

a) dê total atenção quando ele quiser conversar, isto é, não leia, veja televisão ou faça outras coisas ao mesmo tempo que o escuta;

b) ouça com calma, mesmo que não concorde com a opinião dele; não comece a dar lição de moral quando ele quiser trocar ideias; tente, de fato, entender o ponto de vista dele;

c) fale de modo cortês; se você é desrespeitoso, rude ou cínico com seu filho, ele achará normal ser assim com os outros, inclusive com você;

d) evite passar julgamento; ninguém gosta de conversar com alguém que critica muito; isso não quer dizer que você tenha que concordar com tudo o que seu filho disser, mas é importante entender o sentimento dele no momento;

e) permita que seu filho fale o que realmente acha sobre qualquer área da vida, ainda que você tenha ideias diferentes, seja em relação a trabalho, amor, sexo ou valores; mesmo que essas ideias o alarmem, escute com respeito o que seu filho tem a dizer e, depois, dê a sua opinião de modo direto; muitas vezes, os adolescentes testam seus pontos de vista nos adultos, portanto, é preciso que você dê a sua opinião honestamente, desde que seja com calma.

7. Tente ver as características positivas de seu filho e o elogie por elas frequentemente.

8. Ajude seu filho a adquirir confiança em si próprio, incentivando-o a participar de esportes, música, arte, dança ou outra atividade, mas não o force.

9. Deixe que seu filho participe de decisões da família, isso o fará se sentir mais importante e membro de um grupo.

Sintetizando, trate seu filho adolescente com respeito e consideração, mesmo quanto aos limites impostos a ele; não hesite em exigir disciplina dentro desses limites; dê a ele liberdade suficiente para aprender a ser adulto e, acima de tudo, escute o que ele tem a dizer com toda a atenção e respeito.

O filho único

Na década de 1990, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma em cada dez mães tinha apenas um filho. Atualmente, esse índice aumentou, a média de filhos por mulher brasileira caiu de 2,5 para 1,8 entre 1996 e 2006. Na verdade, a taxa de fecundidade caiu em quase todo o mundo. A previsão é que, entre 2025 e 2030, ela caia ainda mais. Portanto, já não é tão surpreendente ouvir alguém dizer que só deseja ter um filho. No entanto, existe quase sempre uma certa pressão da sociedade para que se tenha um segundo filho. Nesses casos, é importante que o casal não se sinta culpado por sua escolha e que não ceda à pressão para ter mais um filho, se este não for o seu desejo. O número de filhos deve ser uma decisão puramente do casal, pois toda a responsabilidade permanecerá com ele pelo resto da vida. As razões da escolha por uma família de filho único pode variar entre muitas, tais como: um dos pais não pode mais ter filhos, descoberta de doença genética transmissível, análise da situação econômica e desejo de garantir um futuro mais seguro para a prole, morte de um dos filhos, entre outras. Claro está que a razão que leva um casal a ter só um filho vai determinar, em grande parte, como os pais se sentem diante do fato. Se foi uma decisão consciente, baseada em fatos que fazem sentido para o casal, ou se foi decorrente da morte de um outro filho, não há que se ter culpa, pois essa é uma decisão de foro íntimo. Mas se observa que os pais tendem a tratar o filho único de modo diferente, dependendo da razão pela qual ele é único. Independentemente da razão consciente, algumas sugestões são oferecidas para reflexão sobre o modo de educar um único filho.

1. Seu filho precisa saber que ter um único filho foi uma opção do casal, que pensou em lhe proporcionar conforto e educação satisfatórios.

2. Lembre-se de que seu filho não pode ser o centro das atenções o tempo todo, pois na vida o mundo não aplaudirá tudo o que ele fizer.

3. Tente não superprotegê-lo. A doutora Carolyn White (2008), em seu livro Criando filho único, traz as sugestões constantes do Quadro 1, que poderão ser de ajuda para os pais.

4. Não mantenha expectativas altas demais em relação a ele, fazendo-o sentir-se devedor crônico. Isso é importante principalmente na época da escolha da profissão e do vestibular. O mais importante não é passar no vestibular e sim desenvolver no jovem o senso de competência e a vontade de ser bem-sucedido.

5. Deixe que ele se comporte de acordo com a própria idade, não exigindo que aja como adulto amadurecido quando ainda é adolescente.

6. Não o pressione demais. A cobrança exagerada dos pais pode dar origem a ansiedade patológica, insegurança e depressão.

7. Deixe que ele experimente o sucesso de ter lutado por algo que deseja e também deixe que fracasse, pois a vida é cheia de oportunidades de experimentar as duas situações.

8. Dê responsabilidades a ele desde pequeno, a família é uma comunidade e na comunidade todos devem colaborar com tarefas que ajudem os outros membros.

9. Ensine-o desde pequeno a partilhar brinquedos e jogos com primos e colegas.

10. Nas ocasiões especiais, quando ele ganhar muitos presentes, incentive-o a dar alguma coisa para caridade.

11. Não dê uma mesada grande demais, veja mais ou menos quanto os outros adolescentes estão recebendo e dê o aproximado, pois não é bom que ele comece a se sentir superior porque tem mais dinheiro.

12. Tente envolvê-lo em ações comunitárias, ajudando pessoas carentes ou com problemas, no que for possível.

Filho adulto que mora com os pais

Uma queixa hoje comum no consultório é a do filho adulto que permanece na casa dos pais ou volta para lá. Isso pode ser visto de modo muito otimista, sem qualquer dificuldade, ou pode se transformar em uma área de conflitos e amarguras. Às vezes, é necessário que isso

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