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A Educação e a paz
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E-book205 páginas3 horas

A Educação e a paz

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Sobre este e-book

Publicada pela primeira vez em 1949, a obra A educação e a paz permanece atual, pois o homem ainda não aprendeu a viver em paz, embora já estejamos no terceiro milênio. Maria Montessori evoca aqui uma educação que possibilite o desenvolvimento do que há de melhor em cada indivíduo, abandonando a priorização da posse material, de modo que, ao estar bem consigo mesmo, o indivíduo possa conviver melhor com os demais, respeitando as diferenças.
O homem ainda está em busca de soluções relacionadas a ideologias políticas, a ciências econômicas, mas se esqueceu de buscá-las em uma educação que valorize o indivíduo harmonizado consigo mesmo e com o universo, a solução definitiva para a construção da paz. Nesta obra encontram-se compiladas as conferências em que a educadora defende essa proposta educacional, que há de provocar uma grande transformação nas relações humanas, no sentido de que saibamos nos compreender e amar como irmãos.
Temos ainda muito a aprender com essa admirável educadora, uma vez indicada ao prêmio Nobel da Paz, e com este trabalho magnífico em prol de uma educação para a paz! - Papirus Editora
IdiomaPortuguês
Data de lançamento10 de set. de 2014
ISBN9788530811389
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    A Educação e a paz - Maria Montessori

    A EDUCAÇÃO E A PAZ

    Maria Montessori

    Tradução da publicação em francês

    Sonia Maria Alvarenga Braga

    >>

    SUMÁRIO

    PREFÁCIO DA EDIÇÃO FRANCESA

    APRESENTAÇÃO DA EDIÇÃO ITALIANA

    PEQUENA INTRODUÇÃO À EDIÇÃO BRASILEIRA

    INTRODUÇÃO

    I. ALICERCES PARA A PAZ

    1. A PAZ

    2. PELA PAZ

    3. EDUCAR PARA A PAZ

    II. EDUCAR PARA A PAZ:

    SEXTO CONGRESSO INTERNACIONAL MONTESSORI

    4. CONFERÊNCIA DE ABERTURA DO CONGRESSO

    5. PODE A EDUCAÇÃO HOJE EXERCER INFLUÊNCIA

    SOBRE O MUNDO, E POR QUÊ?

    6. SEGUNDA CONFERÊNCIA

    7. PARA QUE A EDUCAÇÃO AJUDE NOSSO MUNDO ATUAL

    8. O NECESSÁRIO ACORDO UNIVERSAL PARA QUE

    O HOMEM ESTEJA MORALMENTE ARMADO PARA

    DEFENDER A HUMANIDADE

    9. QUINTA CONFERÊNCIA

    10. CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO DO CONGRESSO

    11. MEU MÉTODO

    III. A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO NA EDIFICAÇÃO DA PAZ

    12. PRIMEIRA CONFERÊNCIA

    13. SUPERNATUREZA E NAÇÃO ÚNICA

    14. A EDUCAÇÃO DO INDIVÍDUO

    IV. DISCURSO NA FRATERNIDADE MUNDIAL DAS CRENÇAS

    15. EDUCAR PARA A PAZ

    NOTAS

    SOBRE A AUTORA

    REDES SOCIAIS

    CRÉDITOS

    PREFÁCIO DA EDIÇÃO FRANCESA

    1932-1939: entre essas duas datas, Maria Montessori pronuncia uma série de conferências sobre as ligações entre a educação e a paz.

    Há 60 anos, a Europa, como o resto do mundo industrial, está em crise econômica. Conhece-se a resposta alegada: o desdobrar da identidade, da ordem, do nacionalismo; a quebra do crescimento econômico por causa da preparação da guerra. De que nos falam ainda essas conferências, 60 anos depois, com uma Europa que se refez no curso dos anos? O que nos conta esta obra que as reuniu neste fim de século? Coisas de extrema atualidade; basta transpor a situação da Europa de há 60 anos para a situação do planeta neste final de século. O modelo produtivista, que trouxe o desenvolvimento do Ocidente e estruturou o crescimento econômico após a guerra, chega a um impasse, por ter seu crescimento material baseado no consumo de bens raros. Ou bem ele procura reservar a prosperidade econômica àqueles que atualmente beneficiam os recursos da terra e supõe, então, o estabelecimento de um verdadeiro apartheid político e social; ou estende o modelo à parte mais importante da população da Terra, e isso conduz a pressões insuportáveis sobre o equilíbrio ecológico de nosso planeta. Em face do crescimento da Ásia, os privilégios do Ocidente já estão ameaçados. Em resposta, os demônios nacionalistas acordam. Diante da reviravolta das ciências e técnicas e da mundialização em que resultam: em toda parte, convulsões de identidade. Progressivamente, o mundo desenvolvido pode ser, ao mesmo tempo, um mundo onde é proibido proibir a circulação de mercadorias e um mundo onde é proibido autorizar a circulação dos homens.

    Ideias e imagens circulam pelo planeta com a velocidade da luz. Pode nascer uma melhor compreensão entre os homens? Nada é menos certo. As capacidades de manipulação da informação se multiplicam. As capacidades críticas dos homens, sua capacidade de análise e compreensão, de apreensão das riquezas e da complexidade do mundo, crescem na mesma velocidade? Nada é menos certo.

    É precisamente esse paralelo entre a Europa dos anos 30 e o mundo dos anos 90 que dá à mensagem de Maria Montessori sua atualidade estarrecedora.

    Mais que nunca a paz precisa ser feita. Mais que nunca, talvez, ela será nos próximos decênios um investimento de sobrevivência da humanidade. Mais que nunca, ela se forjará na cabeça dos homens, porque a paz, como bem a compreendeu Maria Montessori, não é a não guerra. Não é apenas assunto de diplomacia, de forças armadas e de cessar-fogo. Sabemos bem que, frequentemente, os povos que ganham a guerra perdem a paz que se segue, porque os valores necessários para ganhar a guerra – simplificação, obediência às ordens, clareza da distinção entre amigos e inimigos etc. – nada têm a ver com os valores necessários para construir uma paz duradoura – a capacidade de cooperar com o outro, o espírito crítico, o sentido de compromisso, a percepção aguçada da unidade e da diversidade simultânea do mundo.

    Sim, a paz não é o resultado de negociações; é uma construção. Maria Montessori falava de redefinir o conceito de paz. Ela o religava ao progresso da razão e não hesitava em falar em ciência da paz. Que fazemos nós, 60 anos depois, sublinhando que não basta invocar a paz de forma mágica para que ela apareça; dizendo que é urgente construir uma arte da paz e que isso implica um trabalho rigoroso de confronto das experiências vindas dos quatro cantos da Terra e com todos os ventos da história; que um dos dramas de nossa época é que o homem cresceu em poder mais rápido que em sabedoria? A paz é uma ciência, uma arte, uma cultura. A paz se aprende. Ela se aprende ainda mais que, e eis aí uma das intuições de Maria Montessori, a construção da paz não é uma coisa pequena e de pequena escala. Ela sublinhava que a construção da paz começava pela construção da harmonia entre a criança e o adulto. Ela havia compreendido o caráter profundamente fractal, diríamos para parecermos modernos, da questão da paz: aquilo que acontece entre mulheres e homens, entre crianças e adultos, entre as próprias crianças, na família, na classe, no bairro, encontra-se na escala das relações entre as nações. A tolerância, a capacidade de reconhecer que o outro é, ao mesmo tempo, parecido comigo e digno de minha consideração e radicalmente diferente e digno do mesmo respeito, coloca-se na escala das referências interindividuais assim como na escala entre civilizações e religiões. Não há uma pequena escala para aprender a harmonia, não há pequena escala para aprender a tolerância. Aqueles que, com oito anos, no ensino fundamental, aprendem a ser mediadores entre seus colegas serão certamente os que, amanhã, numa outra escala, aprenderão a ser mediadores entre os povos.

    Mas a mensagem de Maria Montessori vai mais longe ainda, quando sublinha a questão da educação. Estou, com milhares de outros de todos os continentes, engajado na dinâmica da construção de uma aliança por um mundo responsável e solidário. Acreditamos que, diante dos modelos de desenvolvimento e de nossos sistemas de pensamento desse final de século XX, as instituições públicas e políticas, estruturadas na escala dos Estados e nas lógicas frequentemente herdadas do passado, não estão à altura de verdadeiramente tomarem as iniciativas que se impõem. A sucessão de conferências das Nações Unidas, desde a Eco-Rio 1992 até a conferência Habitat II em 1996 em Istambul, tem, desse ponto de vista, qualquer coisa de sublime e de derrisório. Sublime, porque aí se exprime a tomada de consciência de uma entidade mundial, de uma gestão do planeta ainda por nascer. Derrisório, porque essas conferências revelam a crise profunda da gestão da comunidade internacional, a asfixia do sistema das Nações Unidas, evidenciada pelo ardor de Franklin Roosevelt pelos vencedores da Segunda Guerra Mundial, mas que já não corresponde ao estado atual do mundo. As negociações diplomáticas entre Estados parecem bastante derrisórias em relação aos desafios que são colocados à humanidade. Disso todo mundo está consciente; de onde nasce um profundo sentimento de impotência, de desordem. Como enfrentar? Em que ponto tomar as coisas? A Aliança para um Mundo Responsável e Solidário parte da constatação de que as instituições públicas e políticas atuais não podem empreender, isso cabe aos simples cidadãos do planeta, unindo-se para colocarem-se em movimento. E quando começamos a refletir sobre as condições a reunir para que a gestão do planeta, nos próximos decênios e nos próximos séculos, seja responsável e solidária, somos imediatamente remetidos aos sistemas de valores, às representações, aos reflexos. O mundo muda na nossa mente antes de mudar materialmente, inscrevamo-nos na plataforma por um mundo responsável e solidário. É necessária uma tomada de consciência da cidadania mundial. É preciso aprender a cooperação no lugar da competição. É preciso transformar as relações entre o homem e seu meio. Mas nos dizemos: o homem pode mudar? A natureza humana pode mudar? Não foi o homem feito para a cobiça, a conquista, o domínio, a irresponsabilidade, a simplificação, o gosto pelas bandeiras e pelos slogans, a acumulação? E todas essas questões remetem certamente à questão da educação. Maria Montessori escrevia há 60 anos: A criança tem um poder que não temos: o de construir o homem por ela mesma. E, 60 anos depois, Jacques Delors, apresentando o relatório da comissão internacional da Unesco sobre a educação para o século XXI, com o título A educação, um tesouro a descobrir, não diz outra coisa, pois clama por uma nova utopia necessária...

    Mudar a representação do mundo, construir a fraternidade mundial das crenças, aprender a interdependência que nos une e a diversidade que nos enriquece, aprender a responsabilidade: tudo isso se faz na educação. É certamente em nossas escolas que se constrói o mundo de amanhã. E, lá ainda, nos próprios métodos de educação, as ideias de Maria Montessori estão cada vez mais atuais.

    Ela já havia entendido essa realidade que nos é agora particularmente tangível e evidente: vivemos uma tríplice crise neste fim de século, a das relações dos homens entre si, das sociedades entre elas e dos homens em seus ambientes. Essas crises são inseparáveis. Não se pode esperar, contrariamente ao que parecem crer os defensores da ecologia profunda, construir relações harmoniosas entre os homens e seus ambientes sem construir, ao mesmo tempo, a harmonia das relações entre os homens. Como as crianças poderiam ter uma compreensão respeitosa de suas relações com o meio natural, se não tivessem o mesmo respeito pelos colegas?

    Assim, ela compreendeu como, no mundo a construir, a capacidade de gerar a complexidade era decisiva. Ora, essa capacidade repousa sobre uma abordagem experimental do mundo. Ela supõe o vaivém entre a experiência e sua análise, entre a reflexão e a ação. Nossas formações intelectuais e universitárias estão cristalizadas em escolásticas, disciplinas e laboratórios. Edgard Pisani[1] observou que há dois níveis de síntese: o terreno – a realidade local – e a filosofia. E isso supõe novas relações entre experiência e reflexão; dar à criança um trabalho para fazer com as mãos enquanto trabalha com a mente, dizia Maria Montessori.

    E concluía: O homem deve conquistar a Terra. Se ele não se desenvolve normalmente, ele o faz pela violência e pelo ódio. Edgard Morin, 60 anos depois, fala, por sua vez, de civilizar a Terra. A ideia é a mesma. A amplitude dos impactos da ação humana sobre o planeta, decuplicada pelo crescimento da população e pelo desenvolvimento econômico e técnico, está agora no mesmo patamar dos grandes equilíbrios ecológicos. Essa mudança quantitativa é uma mudança qualitativa. É uma transformação radical do espírito humano. Desde sempre, o homem estava acostumado a pensar que era um pequeno ser diante da natureza imensa, frequentemente hostil, revirada por imensas forças tectônicas, oceânicas, climáticas, imensuráveis em relação a ele. E havia aprendido a nela se movimentar como num sistema aberto, infinito. Com a mudança da escala do impacto do homem sobre o planeta, a mudança é radical. A Terra não é apenas conquistada, ela pode ser destruída, não mais por cataclismos militares, mas pela soma das imprevidências e ganância civis. O homem conquistou a Terra. Desse fato, ele se tornou corresponsável. Onde se aprenderá essa responsabilidade?

    Pierre Calame

    APRESENTAÇÃO DA EDIÇÃO ITALIANA

    Em seus incessantes esforços para destacar novas perspectivas, Maria Montessori, qual uma força da natureza, parecia irresistível.

    Médica, foi encaminhada pelos acasos da existência a tratar de crianças física e mentalmente anormais.[2] Dedicou-se a elas de corpo e alma. Sete anos mais tarde, a providência a colocou em contato com um grupo de crianças normais de idade pré-escolar. Para elas, Maria Montessori criou em Roma, em 6 de janeiro de 1907, sua primeira Casa dei Bambini (Casa das Crianças). Essas crianças lhe revelaram comportamentos que não tinham sido considerados até então, porque os métodos coercitivos de educação, tanto em casa como na escola, haviam-nos impedido de se manifestar. No contato com essas crianças, Maria Montessori descobriu verdades que ignorávamos totalmente. Ela validou suas descobertas com múltiplas experiências e um paciente trabalho com crianças de diferentes meios sociais e culturais do mundo inteiro. Com sabedoria, foi capaz de expor claramente suas descobertas intuitivas. Tendo estabelecido solidamente suas teorias sobre a base de sua experiência prática, desenvolveu uma verdadeira filosofia da educação e traçou perspectivas novas, que, com o tempo, iriam progressivamente revelar seu valor excepcional.

    Em todos os seus escritos, Maria Montessori esforça-se para propor uma nova compreensão das potencialidades e das necessidades das crianças, especialmente nos primeiros anos. Formula também uma crítica aprofundada dos erros e preconceitos do passado, crítica que não é estéril nem negativa.

    Desde 1932, torna-se difícil prosseguir seu trabalho na Itália e, em 1934, ela viu fecharem-se as portas de seu próprio país. Mas, a contar desse ano, seu nome, que parecia empalidecer na Itália, tornou-se conhecido em outros países do mundo.

    A guerra ameaçava a Europa e todos a temiam. Maria Montessori já não estava na Itália, mas permanecia extremamente inquieta em razão não de problemas

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