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O Legado de Marie-Jo Guichard para a Ginástica Holística

O Legado de Marie-Jo Guichard para a Ginástica Holística

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O Legado de Marie-Jo Guichard para a Ginástica Holística

Duração:
269 páginas
2 horas
Editora:
Lançados:
3 de ago. de 2018
ISBN:
9788587686985
Formato:
Livro

Descrição

"O Legado de Marie-Jo Guichard para à Ginástica Holística" relata os primórdios da Ginástica Holística no Brasil. Através de cada depoimento é possível conhecer a história, princípios do método, conceitos, os pré-requisitos necessários para a formação, alguns movimentos, a dimensão desta prática corporal, entre outros. Mergulhe nesta leitura sobre um método de educação somática que proporciona ... " do equilíbrio do corpo ao equilíbrio do espírito".
Editora:
Lançados:
3 de ago. de 2018
ISBN:
9788587686985
Formato:
Livro


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O Legado de Marie-Jo Guichard para a Ginástica Holística - Josette Senedese Guerzoni

1991.

História dos primórdios

Turma 1 - 1984-1986

Tânia Zillio

Outros estrangeiros

Por Tânia Zillio…

Formei-me em Educação Física, por conveniência, em 1981. Era jogadora de vôlei, e ganhava casa, comida e a faculdade. Entretanto, gostaria de ter feito medicina. Li o livro da Thérèse Bertherat em 1981¹, e me encantei com uma nova possibilidade.

Uma grande amiga foi morar em Paris em 1982, e em 1983, fui também, com um emprego de babá. Estava em um restaurante vegetariano, em outubro deste mesmo ano, quando vi um cartão de visita: Christine Salomon (antigymnastique - antiginástica); era tudo o que eu queria. O consultório era ao lado. Fui recebida por ela e soube que Bertherat tinha sido aluna de Suze Lalou, esta por sua vez, aluna de Ehrenfried, e que se eu quisesse, em setembro de 1985, começaria uma nova turma, e quem ministrava a formação era Marie-Josèphe Guichard. Era aluna de Christine desde outubro de 1984 e me encantei pelo método.

Foto 1 - Estágio na Normandia em 1985

Fonte: acervo pessoal.

Em setembro de 1985, comecei minha formação. As aulas eram todas as quintasfeiras, das 14 às 17 horas, se me recordo bem, e eram obrigatórios dois estágios extensivos de uma semana. Eu fui a primeira brasileira aluna de Marie-Jo. Era na casa dela em Saint-Maur-des-Fossés, banlieue - arredores - de Paris. Madame Lalou era viva e muito amiga de Marie-Jo, mas ela nunca nos falava dela como professora. Dra.Ehrenfried também era viva, e Marie-Jo nos aconselhava a irmos fazer aula com ela, enquanto ela ainda podia nos receber. Eu fui em algumas, mas ela logo parou com as aulas.

Foto 2 - Na escada da casa de Marie-Jo, ela fazia os almoços em seu jardim no verão

Legenda: No topo da foto: Suze Lalou, Marie-Jo e Lily Ehrenfried

Fonte: acervo pessoal.

Marie-Jo era bióloga de formação, mas também era apaixonada pela medicina. Levava este método, que adquiriu da Dra. Ehrenfried, com muito zelo e amor. Fiz parte da terceira turma de formação.

Em junho de 1986, a pedido de Marie-Jo, foi criada uma associação, e daí, nasceu a AEDE (Association des Élèves du Docteur Ehrenfried - Associação dos alunos da Dra. Ehrenfried). Eu estava presente. Marie-Jo queria um nome e queria uma associação forte para preservar o método. Ela propôs o nome e a logo. Foi votado e aceito pela maioria.

Durante as aulas, éramos convidados a experimentar os movimentos, senti-los, e só depois, comentá-los.Ela não gostava de muita conversa teórica, e sim, que sentíssemos o efeito do movimento em nós. Depois, podíamos conversar e fazer as anotações. Minha turma era só de franceses; eu era exceção. A maioria de fisioterapeutas. Estabeleci com Marie-Jo uma relação de confiança. Como não podia pagar o montante do curso, eu chegava três horas antes e fazia uma faxina na casa dela. Também, eu e meu marido fomos convidados a jantar na casa dela junto com seu marido. Na época, ela dizia que achava os fisioterapeutas muito teóricos e centrados mais na doença do que na prevenção, e que não sabiam lidar com grupos. Enfatizava sempre dois importantes aspectos: um primeiro, que a Ginástica Holística era um método rico pela diversidade de movimentos, inclusive alguns lúdicos; e um segundo, que era um método não só de tratamento, mas também, de prevenção e educação corporal. Insistia que repetíssemos os movimentos quantas vezes fossem necessárias para interiorizá-los, e assim, diante do grupo, poderíamos atender os alunos e suas demandas. Respeitava algumas práticas como a drenagem linfática e levou o presidente da associação francesa para ministrar uma palestra durante nossa formação.

Mme Mézières também era respeitada, mas dizia que o importante era levar o paciente/aluno o mais rápido possível para o grupo e dar a ele a possibilidade de se trabalhar sozinho. Dava muita ênfase à terapia. Christine também me levou a fazer algumas aulas com Mme Alice Ajinski, que tinha sido aluna de Elsa Guindler. Marie-Jo e Ehrenfried não tinham uma relação de troca com ela. Gostei muito das aulas da Alice, bastante criativas. Voltei para o Brasil em dezembro de 1986.

Foto 3 - Christine Salomon sentada na escada, à direita, de blusa cor laranja

Fonte: acervo pessoal.

Em 1987, através de uma conhecida, consegui formar vários grupos em SP e RJ, e introduzir, em forma de vivências, a GH no Brasil. Muitas passaram por mim: Angela Santos, Maria Emília Mendonça, Helena Mangini, Bia Ocugne, e no Rio, Angela Beatriz e muitas outras, de quem não me lembro mais. Em 1988, convidei a Christine Salomon para dar dois workshops; um foi no espaço da Bia Ocougne, e o outro, foi no espaço da Angel Viana. E assim, a GH chegou no Brasil.

Fui convidada pela Maria Emília a dar aulas de GH na clínica dela; fiz atendimentos a Bia Ocougne e Marcia Custódio, com aulas individuais. Conversei com Marie-Jo sobre o enorme interesse das brasileiras pela formação, e ela formatou a primeira turma de formação internacional em 1989. Em 1990, fui morar no USA por dois anos. Troquei algumas cartas com Marie-Jo. Alguns anos depois, voltei para participar de mais um estágio intensivo em Berder.

Foto 4 - Reciclagem em Berder, França, 1996

Fonte: acervo pessoal.

Em janeiro de 1997, ela aceitou dar uma vivência em SP no espaço da Maria Emília. Lembro-me que nos ensinou a subir e descer escadas. Foi a primeira vez que ela veio ao Brasil. Por ocasião deste momento, tivemos uma bela reportagem publicada no mês de março na revista Mais Vida, Editora Três, a qual gostaria de incluir neste meu depoimento (Anexo 1). Através dela, deixo algumas lembranças de Marie-Jo se deitando no chão e experimentando um pouco de movimento. Concluo, de modo que, nos proponhamos tratar a Ginástica Holística em todos os seus aspectos, mas principalmente, Da Educação do Corpo ao Equilíbrio do Espírito – título do livro de Mme.Ehrenfried

Foto 5 - Marie-Jo e Mme.Ehrenfried

Fonte: acervo pessoal.

¹BERTHERAT, T. O corpo tem suas razões: anti-ginástica e consciência em si. São Paulo: Martins Fontes, 1977.

Rumo à França

Turma 2 - 1989-1990

Angela Santos

Angela Beatriz Varella (in memorian)

Bia Ocougne

Sônia Câmara Ribeiro Alves

Maria Emília Mendonça

Célia Silvia Ururahy

Uma canadense

Três franceses

Por Angela Santos…

Vou começar minha história pelo meio.

Em 1995 foi questão de que meus alunos do Projeto Convergências, formação que ministro desde 1993, fossem reconhecidos como praticantes de Ginástica Holística. Ao saber que meu curso de formação tinha na Ginástica Holística uma de suas bases, Marie-Josèphe Guichard me encaminhou uma proposta. Esta não veio a se realizar, mas, o artigo que ela escreveu para que fosse discutido e publicado, por ocasião da formalização desse reconhecimento no Brasil, é um dos maiores presentes que recebi em minha vida profissional. Nele, ela se refere a mim como profissional de tão altas qualidades, que me sinto até hoje com a responsabilidade de continuar trabalhando para merecer tais elogios.

O mais importante é que, em um parágrafo dessa carta, ela conta o que ninguém sabia até então e que muita gente até hoje não sabe: como ela decidiu montar uma formação internacional em 1989.

Traduzo a seguir o parágrafo, ao qual junto uma cópia do documento original:

[…](Angela) toma contato com a GH graças a Tânia Zillio, que Mme Ehrenfried me encaminhou em 1984 para seguir uma formação. Por solicitação de Tânia – a primeira brasileira a conhecer o trabalho – e por minha solicitação pessoal, Christine Salomon Léon foi ao Brasil para realizar duas semanas de apresentação do trabalho de Mme Ehrenfried* (*EDE não havia ainda sido criada. O termo G.H. será proposto e registrado de acordo com membros da AEDE em 1986). Angela assiste a essas apresentações, e em seguida, se inscreve em 1989-90 no primeiro Grupo Internacional em St-Maur-de-Fossés. Criei esse grupo por insistência de Angela Beatriz Varella, e aproveito essa ocasião para agradecê-la pela energia dispensada a fim de me convencer a lançar-me nessa aventura: viver e trabalhar tão intensamente durante cinco semanas com oito ou dez pessoas que não conheço, que não me conhecem, que não se conhecem. As conclusões são positivas, tanto do ponto de vista humano quanto da qualidade do trabalho.

Vamos então para o início da história.

Como muitas colegas de minha geração, ouvi falar em Método Mezières através da leitura do livro de Therèse Berthetrat: O Corpo tem suas Razões¹. Ainda residia na Suíça e depois de árdua busca, em uma era pré internet, consegui encontrar no interior da França o Centro Mezières em St. Mont e nele me inscrever para o seminário de formação de julho e agosto de 1983.

Quando lá cheguei encontrei Philippe Souchard que ministrava o curso de RPG. Ele havia sido sócio de Mme Mezières e entrado em litígio com ela. Naquela altura, havia conseguido manter o curso em andamento, mas perdido o direito do nome Método Mezières. Passou então a denominá-lo RPG, do qual Françoise Mezières não mais participava.

Ali encontrei Christine Salomon Léon. Identificamo-nos muito, profissional e pessoalmente. Ela me falou sobre o trabalho que praticava há algum tempo em Paris, pelo qual me interessei, mas, como tinha planos de voltar para o Brasil em breve, não consegui me organizar para visitá-la e nos perdemos de vista.

Em fevereiro de 1984, traduzi o primeiro seminário de RPG no Brasil, ministrado por Philippe Souchard. Nele conheci Angela Beatriz Varella que, como eu, chegou até ali seguindo a pista deixada por Bertherat e suas informações sobre Françoise Mezières.

Angela Beatriz tornou-se uma amiga muito próxima, muito querida, e muito importante nos 30 que se seguiram até sua morte tão prematura, ocorrida em 2014 e que mais lamento quanto mais tempo passa.

Foto 1 - Paris 1989. Angela Santos, Angela Beatriz Varella e seu filho Pedro com três anos

Fonte: acervo pessoal de Angela Beatriz Varella.

Nos anos que se seguiram, continuei como tradutora dos seminários de RPG que se sucederam ao primeiro, aprofundei meus estudos nessa técnica de terapia individual colocando-a em prática no consultório e ministrando supervisões às colegas recémformadas. Bia continuou se informando sobre Antiginástica e suas origens e em junho de 86, já grávida de seu primeiro e único filho, partiu para a França continuar suas pesquisas. Lá visitou o estúdio de Therèse Bertherat, fez reciclagem de RPG em St. Mont, conheceu e fez vivências com Sylvie Böe, foi à procura de Mme Ehrenfried quando conheceu Christine Salomon e Marie-Josèphe Guichard que a recebeu de braços abertos. Foi então que deve ter sido sugerida, com toda essa energia mencionada por Marie-Jo em sua carta, a criação de um curso para estrangeiros. Nessa época, a formação só era possível para quem morasse em Paris, pois se prolongava por dois anos, com uma frequência de uma ou duas vezes por mês, se bem me lembro.

Bia soube então que Christine Salomon Léon deveria vir ao Brasil, acompanhando alguém da área da psiquiatra, que no Rio deveria participar de um curso ou congresso. De imediato convidou-a para um seminário em sua clínica, o que acabou acontecendo. Papo vai,

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