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Democratização da Administração Pública: participação cidadã no Direito Administrativo brasileiro
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E-book80 páginas55 minutos

Democratização da Administração Pública: participação cidadã no Direito Administrativo brasileiro

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Sobre este e-book

A Constituição Federal de 1988 garante a participação dos cidadãos nos processos decisórios do Estado. A legislação infraconstitucional caminha no mesmo sentido e a lei do processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal estabelece três modalidades de participação: a consulta pública, a audiência pública e uma terceira espécie onde os meios de participação poderão fixados pela própria Administração quando se tratar de matéria relevante. O objetivo deste estudo é identificar se a Lei 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, possui o condão de permitir caracterizar o Estado Democrático de Direito vigente no Brasil como uma democracia deliberativa, nos termos em que esta foi teorizada pelo filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento24 de set. de 2018
ISBN9788562069307
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    Democratização da Administração Pública - Leopoldo Sellmann Souza Filho

    leosellmann@gmail.com

    CAPÍTULO I

    DEMOCRACIA DELIBERATIVA E A PARTICIPAÇÃO CIDADÃ NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL BRASILEIRO

    1 INTRODUÇÃO

    A construção histórica do Estado Democrático de Direito conduziu à evolução do próprio conceito de democracia que, na atualidade, se assenta em princípios como o da soberania popular, implicando em não se poder falar em democracia sem mencionar a participação do povo nos processos decisórios. É nesse contexto que a Constituição Federal brasileira declara que o Brasil se constitui em Estado Democrático de Direito, com o povo escolhendo livremente os seus representantes, participando de plebiscitos, de referendos e apresentando projetos de lei (STRECK; DE MORAIS, 2006).

    Entretanto, a Constituição Federal de 1988 vai além das tradicionais formas de participação através do voto, plebiscito, referendo e iniciativa de lei, garantindo outros modos de atuação dos cidadãos nos processos decisórios do Estado. Ademais, no âmbito da legislação infraconstitucional, a Lei n° 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, prevê outras modalidades de participação, como a consulta pública, a audiência pública, além de outros meios de participação estabelecidos pela administração quando se tratar de matéria relevante (DA SILVEIRA, 2010).

    Diante das formas de participação constantes da Lei n° 9.784/1999, o objetivo deste estudo é identificar se a Lei do Processo Administrativo Federal possui o condão de permitir caracterizar o Estado Democrático de Direito vigente no Brasil como uma democracia deliberativa, nos termos em que esta foi teorizada pelo filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas. A pesquisa se justifica pela ampla e importante discussão que ocorre atualmente no meio doutrinário, que debate acerca da possibilidade de a democracia deliberativa representar uma alternativa ao tão criticado modelo de democracia representativo, que não tem sido eficaz em atender as demandas de uma sociedade a cada dia mais pluralista.

    Desenvolvida através da pesquisa bibliográfica, utilizando a leitura analítica da doutrina e de artigos científicos, este estudo se inicia apresentando o desenvolvimento histórico do Estado de Direito, começando com o Estado Liberal, passando pelo Estado Social de Direito e culminando com o Estado Democrático de Direito. Trata, em seguida, da participação popular como elemento indispensável para se caracterizar essa modalidade de Estado e elenca os aspectos gerais que caracterizam a democracia deliberativa para o estudioso alemão Jürgen Habermas. Trata, na sequência, especificamente do Estado Brasileiro, listando os dispositivos constitucionais que asseguram a participação dos cidadãos no processo de tomada de decisões pela Administração Pública e analisa as modalidades de participação administrativa constantes da lei que rege o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal afim de identificar uma eventual aproximação entre esta lei e a Teoria da Democracia Deliberativa de Jürgen Habermas, marco teórico deste trabalho.

    2 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

    No plano teórico, o surgimento do Estado de Direito ocorreu na Alemanha, no curso da segunda metade do século XIX, sendo posteriormente incorporado à doutrina francesa. Desde o princípio, a concepção sobre o Estado de Direito foi a de que ele é o Estado que, em suas relações com os indivíduos, necessariamente se submete a um regime de direito. Isto implica duas características fundamentais: a primeira é a de que a atuação estatal deve ser desenvolvida observando um instrumental que é regulado e autorizado pela ordem jurídica; a segunda é a de que são disponibilizados aos cidadãos mecanismos jurídicos voltados a protegê-los de uma eventual ação abusiva por parte do Estado (STRECK; DE MORAIS, 2006).

    No Estado de Direito há a supremacia da lei sobre a autoridade pública, mas sem promover, entretanto, uma confusão entre o seu conceito com o do Estado de Polícia, marcado pela disponibilização ilimitada do Direito como instrumental do Estado; nem com o de Estado Legal, caracterizado pela lei que limita e condiciona a atividade administrativa, mas ao custo de uma supremacia parlamentar e sem vinculação a conteúdos inerentes da legislação. O Estado de Direito supera a

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