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O Valor da Vontade da Vítima de Violência Conjugal para a Punição do Agressor: Oficialidade, oportunidade e justiça restaurativa
O Valor da Vontade da Vítima de Violência Conjugal para a Punição do Agressor: Oficialidade, oportunidade e justiça restaurativa
O Valor da Vontade da Vítima de Violência Conjugal para a Punição do Agressor: Oficialidade, oportunidade e justiça restaurativa
E-book257 páginas3 horas

O Valor da Vontade da Vítima de Violência Conjugal para a Punição do Agressor: Oficialidade, oportunidade e justiça restaurativa

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Sobre este e-book

Qual é o valor a ser dado à vontade da vítima de violência doméstica e conjugal quanto ao processo criminal tendente à punição do seu agressor? Pode ou deve esta vítima ter disponibilidade sobre ele, e em que grau? Essa é a questão problemática que guia a presente pesquisa, contextualizada na ampla conjuntura da violência de gênero, e instigada pelo comportamento cambiante que muitas vítimas dessa violência apresentam: denunciam que foram agredidas e, em seguida, pretendem que o procedimento penal não mais prossiga e, atendida a pretensão, voltam a queixar-se de nova e idêntica hostilidade.
Nesse contexto, qual é o modelo ideal para a persecução penal desta violência, ou seja, por meio de ação penal pública ou privada? Essa questão é explorada a partir da dicotomia entre os princípios da oficialidade e da oportunidade no trato dos crimes nascidos das relações conjugais. Além disso, mas no mesmo contexto, são objeto de investigação os instrumentos de solução de conflitos propostos pela justiça restaurativa, se eles têm capacidade de ofertar respostas adequadas para os casos de violência conjugal. Um dos parâmetros tomados em consideração na busca dessas respostas são os efeitos, em especial de ordem psicológica, que a violência conjugal impõe à vítima.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento10 de out. de 2018
ISBN9788577894246
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    O Valor da Vontade da Vítima de Violência Conjugal para a Punição do Agressor - Fabiana Kist

    capacapa

    O valor da vontade da vítima de violência conjugal para a punição do agressor: Oficialidade, oportunidade e justiça restaurativa

    © Fabiana Kist

    J. H. MIZUNO 2019

    Revisão: Paulo de Moraes

    Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

    (eDOC BRASIL, Belo Horizonte/MG)

    Elaborado por Maurício Amormino Júnior – CRB6/2422

    Nos termos da lei que resguarda os direitos autorais, é expressamente proibida a reprodução total ou parcial destes textos, inclusive a produção de apostilas, de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive através de processos xerográficos, reprográficos, de fotocópia ou gravação.

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    Todos os direitos desta edição reservados à

    J. H. MIZUNO

    Rua Prof. Mário Zini, 880 – Cidade Jardim – CEP: 13614-230 – LEME/SP

    Fone/Fax: (19) 3571-0420

    Visite nosso site: www.editorajhmizuno.com.br

    e-mail: atendimento@editorajhmizuno.com.br

    Impresso no Brasil

    Printed in Brazil

    Dedicatória

    Aos meus dois filhos Bruno e Frederico,

    irmão Anderson e sobrinha Vitória,

    razões da minha vida.

    Prefácio

    Cumpro, com grata satisfação, a tarefa de apresentar o trabalho que segue, produzido pela autora em contexto de pesquisa acadêmica realizada no âmbito do curso de Mestrado em Direitos Fundamentais que frequenta na Universidade Clássica de Lisboa/PT, e onde, não por acaso, foi distinguido com excelente avaliação.

    Inserido na ampla temática da violência conjugal e doméstica como violência de gênero, o foco da investigação situa-se no valor que deve ser dado à vontade da vítima deste tipo de violência quanto ao processo criminal tendente à punição do seu agressor, perquirindo, especificamente, se a vítima deve, pode ou não pode ter disponibilidade sobre esse processo.

    Para tanto, e numa primeira fase, é feita uma profunda revisão bibliográfica sobre a caracterização da violência conjugal sob o prisma do gênero, bem como as questões jurídicas aí envolvidas, principalmente a natureza do crime de violência conjugal - pública, semi-pública (ação penal condicionada à representação) ou privada - e as consequências daí decorrentes quanto ao início do procedimento punitivo e a possibilidade de dele desistir. Neste particular, é do conhecimento de todos quantos atuam nesse campo que a vítima de violência conjugal tende a apresentar comportamento cambiante, ora manifestando vontade no sentido de punir o seu agressor e, posteriormente, voltar aos órgãos públicos encarregados pela persecução penal para retirar a queixa e, desse modo, estancar o procedimento punitivo. Partindo da constatação de que, em muitos casos, ela assim age em virtude de pressão ou mesmo coação do próprio agressor, a autora apresenta argumentos, fundamentados teoricamente, em favor da publicização desse crime e contra a possibilidade de desistência do procedimento; com essa solução, ao menos em linha de tese, a vítima ficaria imune a essas injunções coativas.

    Além disso, e ainda no contexto de se respeitar ou não os desejos da vítima agora quanto ao tipo de punição a ser aplicada ao agressor, a autora analisa a possibilidade e a adequação de os conflitos decorrentes de violência conjugal serem enfrentados com os instrumentos propostos pela justiça restaurativa. Desde logo, apresenta os elementos necessários para a compreensão do paradigma restaurativo, incluindo o seu desenvolvimento e caracterização; na sequência, e tendo em conta as peculiaridades da violência conjugal e as consequências que ela produz para a vítima, as duas categorias conceituais são relacionadas, para propor um uso limitado dos instrumentos restaurativos em casos de violência conjugal.

    Com efeito, e especificamente sobre o manejo da justiça restaurativa para o enfrentamento dos conflitos nascidos da violência conjugal, e depois de distinguir entre, de um lado, situações de violência episódica e recíproca e, de outro, casos em que a violência vem sendo exercida por longo tempo para o domínio e subjugação do parceiro, a autora lança relevantes questionamentos sobre a capacidade dos instrumentos desta justiça em dar conta das necessidades da vítima neste último caso. Neste, e ao menos em tendência, a própria decisão da vítima em aceitar participar de processo restaurativo pode ser fruto de coação, e o domínio exercido pelo agressor na relação conjugal pode projetar-se para o interior do procedimento. E esse aspecto é ressaltado pela percepção generalizada de que a justiça restaurativa é uma justiça mais leve e benéfica para o agressor, se comparada com a justiça penal tradicional, focada na punição do autor de infração penal.

    Esse é o panorama do trabalho que segue. Trata-se de abordagem diferenciada, viabilizada pelo amplo acesso à bibliografia qualificada e atualizada sobre os temas estudados, e que, por isso, fornece uma visão também diferente sobre eles. E a importância desse novo olhar é acentuada nos tempos atuais, em que a justiça restaurativa vem sendo considerada e prodigalizada, especialmente no âmbito do Poder Judiciário, como uma panaceia apta a resolver com eficácia todos os conflitos interpessoais e, portanto, também os de natureza doméstica e conjugal. Sem desconsiderar que ela efetivamente pode ser uma boa solução em determinados casos, é de todo pertinente o alerta que a autora faz no sentido de, no específico campo da violência conjugal, ser necessário tomar cuidados para evitar que ela se torne, ao invés de instrumento de empoderamento da mulher vítima, um mecanismo de reforço do domínio e da subjugação exercidos pelo agressor no interior da relação.

    Dario José Kist

    Professor de Direito Penal e Processual Penal,

    Doutorado em Ciências Jurídico-Criminais,

    Promotor de Justiça no Estado da Bahia.

    Sumário

    1. Introdução

    2. Violência doméstica/conjugal

    2.1. Delimitações conceituais

    2.2. Caracterização de violência doméstica/conjugal como violência de gênero

    2.2.1. Peculiaridades da violência conjugal

    2.3. Formas ou modalidades de violência conjugal

    2.4. Consequências da violência conjugal; vulnerabilidade

    2.5. Ciclos da violência doméstica

    2.6. Violência conjugal e vulnerabilidade

    2.7. Razões para a permanência na relação violenta

    2.7.1. Teorias centradas no processo de tomada de decisões

    2.7.2. Teorias relacionadas à dependência emocional e às repercussões psicopatológicas do maltrato

    2.7.3. Fatores que contribuem para a manutenção da relação violenta

    2.8. Razões possíveis para a desistência quanto ao procedimento punitivo por parte da vítima

    2.8.1. Situação sociodemográfica, familiar e trabalhista da vítima

    2.8.2. Características do procedimento penal

    2.8.3. Atuação do agressor: funcionamento e efeitos da violência

    2.8.4. Situação emocional da denunciante

    3. Regime jurídico no direito brasileiro da ação penal em crimes de violência doméstica e conjugal

    3.1. Noções sobre ação penal

    3.2. Modalidades de ação penal

    3.3. Critérios para exigir manifestação/iniciativa da vítima

    3.4. Ação penal nos crimes de violência doméstica e vontade da vítima

    3.5. Tendência de publicização do crime de violência doméstica

    3.5.1. No-drop policies

    4. Oficialidade ou autonomia da vítima

    4.1. Aproximações

    4.2. Elenco dos fundamentos

    4.2.1. Em favor da perspectiva publicista do processo

    4.2.2. Argumentos em abono à perspectiva individualista

    4.3. Discussão dos fundamentos

    4.3.1. Paternalismo estatal e autonomia individual

    4.3.1.1. Autonomia individual

    4.3.1.2. Paternalismo estatal

    4.3.1.2.1 Modalidades de paternalismo

    4.3.1.2.2 Categorias de intervenção paternalista

    4.3.1.2.3 Excepcionalidade da intervenção paternalista

    4.3.1.2.4 Paternalismo estatal/penal na violência doméstica

    4.3.2. Caráter público do Processo Penal

    4.3.3. Entre a punição criminal e o perdão

    4.3.4. Intervenção multiagencial

    4.3.5. Outros argumentos

    4.3.5.1. A desistência como estratégia de empowerment

    4.3.5.2. Desistência como negociação

    4.3.5.3. Denúncia e separação

    5. Sobre justiça restaurativa

    5.1. Noções introdutórias

    5.2. Caracterização e contexto de surgimento/desenvolvimento

    5.2.1. O surgimento do Movimento Restaurativo

    5.2.2. As fontes criminológicas da justiça restaurativa

    5.2.3. Fontes históricas da justiça restaurativa e publicização do processo penal

    5.3. Sobre a conceituação da justiça restaurativa

    6. A justiça restaurativa e os conflitos oriundos da violência conjugal

    6.1. Questões de delimitação

    6.2. (In)compatibilidade entre violência conjugal e justiça restaurativa

    6.3. O relacionamento entre a justiça restaurativa e a justiça penal estatal

    6.4. Uma proposta de convivência entre justiça restaurativa e justiça penal na abordagem da violência conjugal

    6.4.1. Primeira diretriz - titular do interesse a ser protegido

    6.4.2. Segunda diretriz - casos para os quais programas restaurativos não são admitidos

    6.4.3. Terceira diretriz - a seleção dos casos

    6.4.4. Quarta diretriz - o momento para a prática restaurativa

    6.4.5. Quinta diretriz - comunicação formal com o processo

    6.4.6. Sexta diretriz - intervenção com o agressor

    7. Conclusões

    REFERÊNCIAS

    1 Introdução

    O estudo que segue trata, inicialmente, do valor a ser dado à vontade da vítima de violência doméstica e conjugal quanto ao processo criminal tendente à punição do seu agressor. Perguntamos se a vítima deve, pode ou não pode ter disponibilidade sobre ele e, na hipótese positiva, em que grau; o estudo é relacionado com a classificação dos crimes que as legislações no geral fazem - públicos, semi-públicos e privados -, com as consequências daí decorrentes quanto ao início do procedimento punitivo e a possibilidade de dele desistir.

    É amplamente sabido, pelo menos por quem contata com esse tema profissionalmente, que muitas vítimas dessa violência têm comportamento cambiante e errático, denunciando que foram vítimas para, em seguida, quando o procedimento investigatório ou mesmo processo penal foram instaurados, pretenderem que eles não mais prossigam, ordinariamente sob a alegação de que se reconciliaram com o agressor; e não é raro que, atendida de algum modo a pretensão, num momento posterior voltem a queixar-se da mesma vitimização.

    Compreender o que está na base de um tal fenômeno foi a motivação inicial para a presente investigação: perscrutar o que faz com que alguém, por vezes seriamente atingido em bens jurídicos fundamentais (como em casos de homicídio tentado, estupro, danos físicos graves, cárcere privado, ofensas morais sérias), pretenda que o Estado não puna o ofensor; se tais crimes, em geral, ensejam repulsa da vítima e da sociedade em geral, a questão é saber o que há de diferente na violência praticada entre cônjuges e normalmente em ambiente doméstico, que retira dessas infrações a repugnância que, em outro ambiente, produzem naturalmente. E, neste particular, observamos que a literatura existente sobre o tema realça as dificuldades que estas vítimas enfrentam na matéria da punição criminal do agressor; além de titubear entre denunciar ou não a violência, quando denunciam, em momento posterior é comum fazerem movimentos para estancar eventual procedimento em curso, o que, a depender do estado da legislação, erige-se em empecilho para a punição.

    Para alcançar o objetivo traçado, dedicamos um primeiro capítulo ao estudo da violência doméstica e conjugal, adotando a perspectiva sociológica proposta pelo movimento feminista e que situa a sua causalidade no contexto de valores sociais e culturais sugeridos pelo patriarcalismo que, em síntese, preconizam a superioridade do masculino sobre o feminino, legitimando o uso da violência para afirmá-la e perpetuá-la; essa abordagem insere a violência doméstica e conjugal no campo da violência de gênero e, portanto, com características sociológicas. Neste particular, não ignoramos outras perspectivas existentes para explicar a causalidade da violência conjugal, como aquela que a situa no indivíduo agressor (e seus transtornos de personalidade, anomalias psíquicas, etc.) ou no grupo familiar em que o agressor e vítima estão inseridos (problemas de comunicação, relações disfuncionais, acentuada conflitualidade, etc.). Sem desmerecer tais explicações, por poderem ser corretas em determinados casos, pensamos que no geral a violência conjugal tem natureza de gênero, ou seja, é estreitamente ligada aos papéis de gênero estabelecidos de acordo com um específico modelo de família, o patriarcal, transmitidos por meio da educação e da socialização (razão pela qual também se torna um tipo de sociedade) e que, por priorizarem o masculino em detrimento do feminino, legitimam o uso da violência para estabelecer e manter o predomínio masculino e a subjugação feminina. E, por ser um fruto cultural, há certa tolerância social com essa violência, o que, dentre muitas consequências, dificulta o seu enfrentamento. E nessa trilha haverá uma importante pista para a elucidação da questão proposta: a chancela e a tolerância social com a violência em questão.

    E, ainda sobre essa temática, será dada ênfase às consequências dessa violência nas vítimas, a se projetar na persistência delas no relacionamento abusivo/violento e em movimentos para desistir de procedimento punitivo eventualmente em andamento; para explicar tais comportamentos, serão mobilizadas teorias explicativas, bem como referidos possíveis fatores que os induzem ou determinam. E essa abordagem fornecerá uma segunda pista para a elucidação da questão proposta, que é o vínculo anímico da vítima com o agressor, que pode vir conjugado com dependência econômica, a existência de filhos, temores sobre a vida futura sem a companhia do agressor, entre tantos outros, que serão apresentados ao longo do trabalho.

    A elucidação das principais questões sobre a natureza e efeitos da violência conjugal oportunizará novas questões: até que ponto deve respeitar-se a vontade da vítima dessa violência a respeito da punição do agressor? Estará ela em condições de decidir de forma livre e racional sobre esse tema? E, numa outra perspectiva, é admissível que, a propósito de protegê-la, despreze-se a sua vontade? É possível ampliar o âmbito da discussão e perquirir: qual o papel do Direito Penal no campo da violência doméstica? O que a sociedade dele espera, e o que a vítima dele espera?

    Para dar conta dessas questões, o segundo capítulo terá por objeto as questões jurídicas que a temática levanta e movimenta, e ter-se-á em referência o regime jurídico brasileiro, especificamente sobre a ação penal em crimes de violência doméstica e conjugal, com a distinção entre as espécies, os fatores considerados para considerar o crime público ou não e o regime de ação penal vigente; também será constatada uma tendência à publicização desse crime, e a adoção de outras medidas vocacionadas a impedir a impunidade do agressor.

    O terceiro capítulo será dedicado ao exame e enfrentamento da temática inicialmente proposta e à tentativa de ofertar resposta às questões enunciadas. O prisma do qual se partirá é uma eventual dicotomia entre os princípios da oficialidade e da oportunidade no trato dos crimes nascidos das relações conjugais, avaliando a conveniência ou a necessidade de dar-se trânsito a um ou outro dos citados princípios, tendo em consideração dois parâmetros: os danos, notadamente os de ordem psicológica, que a violência em questão produz na vítima mulher e, em contrapartida, a influência ou a afetação que o procedimento de natureza penal pode projetar no relacionamento conjugal violento. O cotejo desses elementos levará a conclusões sobre a conveniência de serem os crimes de violência doméstica e conjugal públicos ou não, bem como sobre a permissão ou não da desistência da vítima quanto ao procedimento punitivo em curso, para o que serão apresentados e discutidos os argumentos que privilegiam e os que desprezam a vontade da vítima como elemento necessário ou dispensável na punição do agressor.

    Os capítulos cinco e seis serão destinados a investigar se os instrumentos de solução de conflitos propostos pela justiça restaurativa podem ser aplicados aos casos de violência conjugal e, sendo positiva a resposta, se têm a capacidade de ofertar respostas adequadas. Esta temática também é ligada à vontade da vítima, e por duas vias diferentes: de um lado, ver-se-á que a voluntariedade é um dos princípios básicos que orientam as práticas restaurativas, podendo-se optar por esse modo de solução de litígios se quem nele está envolvido manifestar concordância com a medida; por outro lado, os efeitos psicológicos da violência conjugal podem e tendem a criar uma condição

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