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Juizados Especiais Cíveis: Comentários à legislação

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Juizados Especiais Cíveis: Comentários à legislação

notas:
3/5 (2 notas)
Duração:
325 páginas
2 horas
Lançados:
10 de out. de 2018
ISBN:
9788577894215
Formato:
Livro

Descrição

Os Juizados Especiais Cíveis constituem uma das mais importantes formas de prestação da jurisdição ao cidadão brasileiro, levando a justiça a casos que, outrora, estavam dela desamparados. Os Juizados Especiais Cíveis são a face da justiça comum que está mais voltada para o cidadão, estando, realmente, próxima do jurisdicionado, atendendo, diretamente, causas de menor complexidade, principalmente aquelas de reduzido valor econômico.
Por conta disso, é importante termos uma obra como esta, em que o autor se propõe a examinar a legislação, tecendo comentários, artigo por artigo, parágrafo por parágrafo, inciso por inciso, da Lei nº 9.099/1995, que instituiu os Juizados Especiais Cíveis no País. O autor comenta, também, e, na íntegra, a Lei nº 12.153/2009 (Lei dos Juizados Especiais da Fazenda Pública) e a Lei nº 10.259/2001 (Lei dos Juizados Especiais Federais).
O objetivo da presente obra é oferecer uma visão prática do funcionamento dos Juizados, de forma direta e concisa, mas sem perder o foco na parte técnica e teórica, constituindo, assim, uma ferramenta útil e importante para o profissional do Direito que lida diretamente com eles. Útil, também, para o estudante de Direito e para todos aqueles que estão se preparando para concursos públicos.
Livro de aplicação no curso de Direito, na cadeira de processo civil (procedimentos especiais), em nível de graduação e pós-graduação. Indicado, também, para os operadores do Direito que militam no Juizado Especial Cível, da Fazenda Pública e Federal.
Lançados:
10 de out. de 2018
ISBN:
9788577894215
Formato:
Livro


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Juizados Especiais Cíveis - Fernando Augusto de Vita Borges de Sales

Paulo/SP

Parte I.

Apontamentos sobre o sistema dos Juizados Especiais

1. Dos Juizados Especiais de Pequenas Causas aos Juizados Especiais Cíveis: um pouco de história

As questões que envolvem direitos civis de cunho patrimonial, especialmente aquelas que dizem respeito à responsabilidade civil contratual e extracontratual, constituem parcela substancial dos litígios de natureza civil que grassam a justiça pátria.

Mas o grande problema sempre residiu na dificuldade de acesso ao processo civil, grandiloquente na essência e na estrutura, o que afastava do judiciário as pequenas causas, assim ditas em razão do seu conteúdo econômico.

Pequenos problemas do dia a dia, de pouca expressão econômica, especial e principalmente aqueles ligados às relações de consumo, acabavam por ficar sem solução, porque o acesso ao processo comum, por ser muito expansivo, tornava-se inviável. Afinal, o interessado deveria contratar advogado e adiantar as custas do processo, o que sairia muito mais caro do que o proveito econômico que poderia galgar, sem contar o tempo de demora do trâmite processual.

Havia, portanto, a necessidade de se encontrar uma alternativa que tornasse viável, para aquelas situações, o acesso à justiça, o que viria, então, na forma do chamado Juizado de Pequenas Causas.

As origens dos Juizados de Pequenas Causas remontam ao início do século passado, nos EUA. Posteriormente, a experiência foi transferida para a Europa e Japão, até chegar ao Brasil.

Em 1973, com o advento do, então, novo Código de Processo Civil, contemplou-se uma alternativa visando obter celeridade processual no chamado procedimento sumaríssimo, para atender causas de menor complexidade. Todavia, ainda persistiam os problemas do processo comum, traduzidos no binômio custo/tempo, que conduziriam à iniquidade daquele procedimento – e que acabou sendo descartado e suprimido do CPC/2015.

Por conta disso, e para atender aos anseios da sociedade, em 1984 foi promulgada a Lei nº 7.244, introduzindo no ordenamento jurídico o Juizado Especial de Pequenas Causas, cujo objetivo era, exatamente, criar um mecanismo de solução diferenciada para conflitos de menor complexidade.

Por força do que expressamente dispunha aquela lei, eram consideradas pequenas causas, ou causas de reduzido valor econômico, todas as causas em que a pretensão envolvesse direitos patrimoniais disponíveis e cujo valor não excedesse a 20 salários mínimos.

Tal lei exerceu um importante papel nos pouco mais de 10 anos em que esteve em vigor, eis que grande parte dos problemas que antes era relegada ao esquecimento encontrou abrigo nesse novo modelo de justiça, principalmente porque em 1990 foi promulgado o Código de Defesa do Consumidor, aumentando a consciência do cidadão médio sobre seus direitos.

A Lei nº 7.244/1984 trouxe profundas novidades para o processo civil, sendo a principal delas a possibilidade da parte formular sua pretensão diretamente ao juizado, sem necessitar de um advogado (art. 9º). Assim, um dos primeiros problemas do jurisdicionado – o custo com o advogado – estaria solucionado. Além disso, o ajuizamento da ação independia do pagamento de custas (art. 51), o que facilitava, sem dúvida, o acesso ao judiciário.

Essa lei cumpriu bem essa sua função, de propiciar à população o acesso ao judiciário, o que se pode observar pela quantidade de processos que foram submetidos ao procedimento das pequenas causas, que bem caiu no gosto e na boca do povo, mostrando que a experiência deu mais do que certo.

E o sucesso dessa experiência conduziu, naturalmente, para um passo acima. E em 1995 foi promulgada a Lei nº 9.099, passando a contemplar o Juizado Especial Cível.

2. A Lei nº 9.099/1995 e os Juizados Especiais Cíveis

A Lei nº 7.244/1984 foi revogada expressa e totalmente pela Lei nº 9.099/1995 (art. 97), que passou a regulamentar o Juizado Especial Cível. Essa Lei nº 9.099/1995 representa uma evolução, em vários aspectos, em relação à lei antiga. Ela mantém os princípios básicos que regem os juizados, mas amplia seu espectro, incidência e alcance, para causa até 40 salários mínimos, e para todas aquelas que o CPC/1973 reservava para o procedimento sumário, no art. 275, II, passando a regular, também, a execução.

Por essa razão, deixa-se de se falar em Juizado Especial de Pequenas Causas, passando à atual denominação de Juizado Especial Cível.

Na Lei nº 9.099/1995, a presença do advogado é obrigatória para as causas de valor superior a 20 salários mínimos. Até esse valor, a presença de advogado é facultativa. E por falar em faculdade, é sempre bom lembrar que o ajuizamento da ação perante o JEC é sempre opcional, podendo o autor, se quiser, escolher propô-la perante o juízo comum.

Enquanto na lei anterior somente pessoas físicas eram admitidas a propor ação no juizado, a Lei nº 9.099/1995 passou a admitir que algumas pessoas jurídicas, como as microempresas e empresas de pequeno porte, possam fazê-lo.

Os Juizados Especiais Cíveis, assim, passaram a representar uma importante parcela do judiciário brasileiro, ganhando, definitivamente, o reconhecimento e respeito que merece por parte do jurisdicionado. Mas ainda deixava de lado outro segmento importante, na medida em que não admitia, como rés, as pessoas jurídicas de direito público, ligadas à administração pública direta e indireta. A solução viria a seguir, quase uma década depois.

3. A Lei nº 12.153/2009 e os Juizados Especiais da Fazenda Pública

A Lei nº 9.099/1995 aumentou o alcance dos juizados especiais, traduzindo-se em grande utilidade ao jurisdicionado, representando uma importante parcela dos processos submetidos à justiça estadual. Mas ela apresentava uma sensível lacuna, ao não permitir nem admitir, como parte, as pessoas jurídicas de direito público, seja da administração direta ou da indireta.

É inegável que as ações contra o Estado e contra as suas autarquias e empresas públicas representam grande parte no número de processos judiciais, fenômeno que se verifica com maior intensidade em face desse Estado moderno, que tem um viés de fornecedor de serviços públicos.

Para suprir aquela lacuna, foi promulgada a Lei nº 12.153/2009, que instituiu o Juizado Especial da Fazenda Pública, para as ações de valor até 60 salários mínimos em que houvesse o interesse dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e suas respectivas autarquias, fundações e empresas públicas (art. 5º, II).

Outra diferença significativa em relação à Lei nº 9.099/1995 é que o procedimento do Juizado da Fazenda Pública não é uma opção. Sua observância, onde houver instalada vara própria, é obrigatória, eis que sua competência funcional é absoluta (art. 2º, § 4º).

3.1. O sistema dos Juizados Especiais estaduais

Os Juizados Especiais Cíveis e os Criminais, juntamente com os Juizados da Fazenda Pública, integram o sistema de Juizados Especiais dos Estados e Distrito Federal. Esse sistema é regido, precipuamente, pela Lei nº 9.099/1995, sendo que os Juizados Especiais da Fazenda Pública observarão o que dispuser a Lei nº 12.153/2009 (CPC/2015).

Mas o Código de Processo Civil é aplicável apenas supletivamente, no que não conflitar com as regras e princípios que regem o sistema dos Juizados Especiais Estaduais. Nesse sentido, o enunciado 161 do FONAJE:

FONAJE, enunciado 161.

Considerado o princípio da especialidade, o CPC/2015 somente terá aplicação ao Sistema dos Juizados Especiais nos casos de expressa e específica remissão ou na hipótese de compatibilidade com os critérios previstos no art. 2º da Lei nº 9.099/95.

4. A Lei 10.259/2001 e os Juizados Especiais Federais

A Lei nº 9.099/1995 veio instituir o Juizado Especial Cível no âmbito da Justiça Estadual e do Distrito Federal (art. 1º), com a proibição expressa de serem partes as pessoas jurídicas de direito público, assim como as empresas públicas da União (art. 8º). Desta forma, seja por não admitir pessoa jurídica de direito público como parte, seja porque afeito à Justiça Estadual, os Juizados Especiais Cíveis não se aplicavam a ações de interesse da União.

Para preencher mais essa lacuna, em 2001 foi promulgada a Lei nº 10.259, instituindo o Juizado Especial Federal (JEF), para o processamento e julgamento de causas de competência da Justiça Federal (CF, art.109) de valor até 60 salários mínimos (art. 3º).

Cronologicamente, os Juizados Especiais Federais surgiram logo após os Juizados Especiais Cíveis, e antes dos Juizados Especiais da Fazenda Pública. A bem da verdade, a Lei nº 10.259/2001 (JECF) serviu de inspiração para a Lei nº 12.153/2009 (JEFP).

O procedimento do JECF toma por base os dispositivos da Lei nº 9.099/1995, naquilo que não conflitar com a Lei nº 10.259/2001, e não é opcional, sendo obrigatório no foro onde estiver instalado, eis que sua competência é absoluta.

Algumas diferenças significativas são estabelecidas entre o JEC e o JECF. Neste, não se admite o pedido contraposto por parte da União, autarquia, fundação ou empresa pública, consoante o enunciado 12 do FONAJEF:

FONAJEF, Enunciado 12.

No Juizado Especial Federal, não é cabível o pedido contraposto formulado pela União, autarquia, fundação ou empresa pública federal.

No plano recursal, o JECF passa a admitir o recurso de agravo de instrumento contra a decisão que defere a tutela provisória, o que não é previsto na Lei nº 9.099/1995. Além disso, possibilita-se a uniformização da interpretação de lei federal, sempre que houver divergência entre Turmas Recursais, seja da mesma Região ou de Regiões diferentes, ou, ainda, a súmulas do STJ, no que foi seguido pelos JEFP.

Na execução ou no cumprimento de sentença, não são admitidos embargos, sendo que eventuais impugnações devem ser analisadas independente da instauração de incidente processual.

FONAJEF, Enunciado nº 13.

Não são admissíveis embargos de execução nos Juizados Especiais Federais, devendo as impugnações do devedor ser examinadas independentemente de qualquer incidente.

Parte II.

Comentários à Lei 9.099/1995

Juizados Especiais Cíveis (arts. 1º a 59)

Juizados especiais cíveis.

Os Juizados Especiais Cíveis (JEC), contemplados nessa Lei nº 9.099/1995, são, basicamente, órgãos da justiça comum dos Estados, estando vinculados, portanto, ao Tribunal de Justiça do respectivo Estado da Federação.

Juizados especiais da Fazenda Pública.

Os Juizados Especiais da Fazenda Pública (JEFP) foram instituídos pela Lei nº 12.153/2009, tendo competência para conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios, de valor até 60 salários mínimos (ver parte III deste livro).

Tais juizados têm existência própria e distinta dos Juizados Especiais Cíveis e, por isso mesmo, suas inovações, especialmente as do art. 5º, não se aplicam a estes.

FONAJE, enunciado 134.

As inovações introduzidas pelo artigo 5º da Lei nº 12.153/09 não são aplicáveis aos Juizados Especiais Cíveis (Lei nº 9.099/95).

O referido art. 5º da Lei nº 12.153/2009 dispõe:

Podem ser partes no Juizado Especial da Fazenda Pública:

I – como autores, as pessoas físicas e as microempresas e empresas de pequeno porte, assim definidas na Lei Complementar n. 123, de 14 de dezembro de 2006;

II – como réus, os Estados, o Distrito Federal, os Territórios e os Municípios, bem como autarquias, fundações e empresas públicas a eles vinculadas.

Por não ter aplicação nos procedimentos previstos na Lei nº 9.099/1995, esse art. 5º não altera as disposições do art. 8º da Lei nº 9.099/1995.

Juizados especiais federais.

Os Juizados Especiais Cíveis Federais (JECF) foram instituídos pela Lei nº 10.259/2001, com competência para processar e julgar ações de competência da Justiça Federal, até 60 salários mínimos (ver parte IV deste livro).

Princípios processuais do JEC.

Estabelece, esse art. 2º, os princípios que norteiam o procedimento do JEC. Em realidade, há um superprincípio celeridade – do qual os demais princípios são corolários e decorrentes.

São, os seguintes, os princípios do JEC:

1. Celeridade.

É o que chamamos, acima, de superprincípio.

Os juizados especiais foram instituídos com o propósito inescondível de dar solução rápida ao litígio. Os processos submetidos ao procedimento do JEC devem ser orientados, destarte, pela celeridade.

Célere significa rápido, ágil, e assim deve ser o desenvolvimento dos processos do JEC.

Para garantir a celeridade a Lei nº 9.099/1995 adota, como regra, situações para tornar mais fluído o processo, tais como a concentração dos atos processuais, não permitindo incidentes que o atrasem; não se admite a reconvenção nem a intervenção de terceiros; os recursos não têm efeito suspensivo, entre outros.

2. Oralidade.

No procedimento do JEC, a palavra oral tem prevalência sobre a sua forma escrita. Os atos processuais podem ser realizados oralmente, com muito mais ênfase do que ocorre no processo comum, contribuindo, assim, com a celeridade.

A petição inicial pode ser deduzida oralmente (art. 14), assim como a contestação (art. 30); dos atos processuais, apenas os essenciais são registrados em termo (art. 13, § 3º); a prova oral não será reduzida a termo (art. 36); os embargos de declaração podem ser opostos oralmente (art. 49).

3. Informalidade.

Exatamente por pretender promover a rápida solução do litígio, o procedimento do JEC não pode conter todas as exigências do processo comum, principalmente em relação à forma. É por isso a disposição contida no art. 13, caput, de que "os atos processuais serão válidos sempre que preencherem a finalidade para os quais foram realizados", e a § 1º, de que "não se pronunciará qualquer nulidade sem que tenha havido prejuízo".

4. Simplicidade.

O procedimento do JEC é um procedimento simplificado, caracterizado principalmente pela concentração dos atos processuais. À apresentação do pedido se seguem a audiência de conciliação e a audiência de instrução, quando todos os atos são praticados e concentrados.

5. Economia processual.

Concentração dos atos processuais, ausência de incidentes processuais, irrecorribilidade de decisões interlocutórias, são algumas das situações que revelam a economia processual que permeia o procedimento do JEC.

Competência.

Diz-se que a competência é a medida da jurisdição, vale dizer, é o quanto de jurisdição que possui cada órgão julgador, limitando a sua atuação. Ela pode ser classificada em absoluta (em razão da matéria, da função e da pessoa) e relativa (em razão do lugar e do valor).

Competência funcional sui generis.

O art. 3º estabelece quais as causas que podem ser processadas e julgadas perante o JEC. Trata-se de competência funcional, que é absoluta. Mas trata-se de uma competência sui generis, porque a competência fixada no art. 3º é exclusiva, ou seja, ela só é absoluta no que ela exclui, pois no que ela admite, ela é opcional (ver § 3º).

Desta forma, para causas que não estejam previstas no rol, taxativo, do art. 3º, ou que sejam excluídas expressamente pelo § 2º, o JEC não terá competência.

Causas de menor complexidade.

O primeiro critério a ser aferido para fixação da competência do JEC é que a causa seja considerada como sendo de menor complexidade.

Em razão dos princípios estabelecidos no art. 2º, e pelas próprias regras processuais do juizado, causas complexas não serão admitidas ao processamento e julgamento do JEC.

Em princípio, são consideradas de menor complexidade as causas elencadas no próprio art. 3º. Temos, entrementes, o entendimento predominante de que a complexidade da causa decorre da prova a ser produzida no processo e não da pretensão, ou seja, do direito material que nele se discute. Nesse sentido, o enunciado 54 do FONAJE.

FONAJE, enunciado 54.

A menor complexidade da causa para a fixação da competência é aferida pelo objeto da prova e não em face do direito material.

A partir daí, pode-se enumerar uma série de situações que são consideradas de menor complexidade, autorizando o processamento e julgamento pelo JEC, salvo se houver necessidade de prova pericial complexa. São elas:

1. Dano moral.

Admite-se, no procedimento do JEC, ações em que se postulam indenizações por dano moral, pelo entendimento de que tal questão, em si, não é complexa.

FONAJE, enunciado 69.

As ações envolvendo danos morais não constituem, por si só, matéria complexa.

É claro que somente a análise do caso concreto poderá definir a complexidade ou não da pretensão, mas a princípio não haverá óbice a que a questão seja submetida ao procedimento do JEC.

2. Juros abusivos.

Discussão sobre abusividade de taxas de juros são admitidas ao procedimento do JEC porque, também a princípio, são causas que envolvem apenas análise de cláusulas e condições contratuais, não havendo maior complexidade nisso. A exceção fica por conta dos casos em que houver necessidade de perícia contábil.

FONAJE, enunciado 70.

As ações nas quais se discute a ilegalidade de juros não são complexas para o fim de fixação da competência dos Juizados Especiais, exceto quando exigirem perícia contábil.

3. Revisão contratual.

Pelo mesmo fundamento utilizado para admitir a discussão sobre juros abusivos, conforme visto acima, admitem-se, no JEC, ações de revisão contratual.

FONAJE, enunciado 94.

É cabível, em Juizados Especiais Cíveis, a propositura de ação de revisão de contrato, inclusive quando o autor pretenda o parcelamento de dívida, observado o valor de alçada, exceto quando exigir perícia contábil.

Causas de menor complexidade previstas no art. 3º.

O art. 3º estabelece o rol das causas que são consideradas de menor complexidade. Esse rol é taxativo e não pode ser ampliado por lei estadual ou municipal.

FONAJE, enunciado 30.

É taxativo o elenco das causas previstas no art. 3º da Lei nº 9.099/1995.

FONAJE, enunciado 3.

Lei local não poderá ampliar a competência do Juizado Especial.

Segundo o art. 3º, são consideradas causas de menor complexidade:

1. Causas que não excedam a 40 vezes o valor do salário mínimo (inciso I):

O primeiro critério a se adotar para a fixação da competência é econômico. São consideradas de menor complexidade todas as causas que, independentemente do direito discutido ou do objeto, tenham valor de até 40 salários mínimos, com as exceções constantes do § 2º do art. 3º.

Deve-se tomar por base, para apuração do valor de referência, o salário mínimo nacional.

FONAJE, enunciado 50.

Para efeito de alçada, em sede de Juizados Especiais, tomar-se-á como base o salário mínimo nacional.

FONAJE, enunciado 39.

Em observância ao art. 2º da Lei nº 9.099/1995, o valor da causa corresponderá à pretensão econômica objeto do pedido.

Tanto a Lei do Juizado Especial Federal quanto a Lei do Juizado Especial da Fazenda Pública estabelecem como limite de alçada o valor equivalente a 60 salários mínimos. Tais leis, no entanto, não modificaram nem alteraram o limite estabelecido nesse art. 3º, I.

FONAJE, enunciado 87.

A Lei nº 10.259/2001 não altera o limite da alçada previsto no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 9.099/1995.

FONAJE, enunciado 133.

O valor de alçada de 60 salários mínimos previsto no artigo 2º da Lei nº 12.153/09, não se aplica aos Juizados Especiais Cíveis, cujo limite permanece em 40 salários mínimos.

2. Causas enumeradas no art. 275, II, do Código de Processo Civil:

O art. 275, II, referido nesse art. 3º, é do CPC/1973 (antigo CPC) e tratava do procedimento sumário, que era definido por dois critérios: o primeiro, do inciso I, era o econômico, estabelecendo o limite de 60 salários mínimos. O segundo, do inciso II, dizia respeito à natureza da causa,

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