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O Stress do professor
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E-book164 páginas2 horas

O Stress do professor

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Sobre este e-book

Os problemas relacionados à educação são complexos e numerosos, o professor está sob constante pressão, o que o leva, muitas vezes, a apresentar uma série de comprometimentos biopsicossociais que resultam em baixo nível de motivação, de autoestima e em sensação de insegurança. É preciso que o professor, por seu papel de formador de ideias, aprenda a lidar com o stress ocupacional de modo eficaz, indicando a seus alunos como enfrentar e superar as situações de desgaste e as dificuldades. Desse aprendizado surgirá uma sociedade mais forte, formada de adultos e crianças que terão mais facilidade para se adaptar às exigências do mundo moderno, aptos para desenvolverem-se com qualidade de vida. O livro apresenta estratégias que auxiliam a lidar com o stress. São textos práticos, de fácil assimilação, úteis tanto para os que atuam como professores ou diretores, quanto para os que formam e são responsáveis pela formação de docentes. - Papirus Editora
IdiomaPortuguês
Data de lançamento29 de abr. de 2015
ISBN9788544900826
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    O Stress do professor - Marilda Lipp

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    O STRESS DO PROFESSOR

    Alexandrina Maria Augusto da Silva Meleiro

    Não há como negar que o stress é um problema dos tempos modernos. Vivemos constantemente no corre-corre, nossos horários são desrespeitados, perdemos horas de sono, alimentamo-nos mal e não reservamos tempo para o lazer. O resultado não pode ser outro: fadiga crônica ou o tão popularizado stress.

    Antes das primeiras manifestações de estafa, sensação de cabeça vazia, alterações de humor e insônia, pare. Sim, pare e leia sobre o stress no professor.

    Há muitos mitos e verdades. O esclarecimento auxilia-nos a conhecer e enfrentar melhor o desgaste da vida moderna. O stress é uma reação perfeitamente normal do organismo e indispensável para a sobrevivência humana. Sem ele não há preparo para enfrentar uma situação de grande perigo ou uma emoção muito forte. Ocorreria a paralisação, e o ser humano ficaria sem ação, algo extremamente desfavorável dependendo da situação.

    Em 1914, Cannon constatou que a finalidade da reação de emergência era mobilizar energia para restaurar a homeostase, isto é, o equilíbrio biológico. Ele salientou a inespecificidade da reação de emergência, tanto para estímulos internos como externos, mas observou a influência das características pessoais como idade, condição física e a susceptibilidade individual nas perturbações da homeostase.

    Em 1936, Hans Selye apresentou um conceito de stress com uma precisa versão endocrinológica, que se tornou um paradigma de pesquisa usado até os dias de hoje e que popularizou esse fenômeno.

    A síndrome do stress biológico, denominada por Selye de Síndrome de Adaptação Geral (SAG), apresenta três estágios: reação de alarme, fase de resistência e fase de esgotamento (Figura 1). Comparativamente aos ciclos da vida, temos a infância (pouca resistência e reações excessivas) como a fase de alarme; já a idade adulta (elevada capacidade de resistir) associa-se à fase de resistência; e a velhice (perda das capacidades) representaria a fase de esgotamento.

    Para Selye, stress é a reação inespecífica do organismo perante qualquer exigência.

    Figura 1: Estágios da Síndrome da Adaptação Geral segundo Selye.

    Na reação de alarme, ocorre a mudança característica do organismo em resposta ao estímulo: sob stress há liberação de adrenalina, que é uma substância vasoconstritora, provocando uma redução no diâmetro dos vasos coronários. Há liberação de aldosterona, hormônio que diminui a diurese aumentando o volume interno de líquido, o que provoca o aumento do número de plaquetas no sangue e de fibromogênio, favorecendo, assim, a elevação da concentração do sangue – hemoconcentração. Paralelamente, sob stress o organismo libera corticoides – cortisol e hidrocortisona – que estimulam a gliconeogênese – catabolismo – produzindo um estado de hiperglicemia. A glicose metabolizada fornece energia. Se o estímulo estressor for intenso, ele representará uma ameaça à vida, podendo levar à morte.

    O estágio de resistência surge quando a ação do estressor é prolongada, exigindo uma adaptação do organismo. Contrariamente ao que acontece na reação de alarme, há uma rarefação do sangue (diluição-sedimentação) e anabolismo com retorno para a glicemia normal. Outras reações vão ocorrendo no organismo, se o stress persiste.

    No cérebro há um conjunto de estruturas chamadas de sistema límbico, que é o responsável pela regência da vida emocional, do pensamento, da vontade e das ações. O sistema límbico integrado com o circuito cortico-subcortical e com o circuito de Papez e o hipotálamo irão reger o sistema nervoso autônomo, o sistema imunológico e o sistema neuroendócrino.

    O estágio de esgotamento desenvolve-se quando a ação do estressor, ao qual o organismo se adaptou, permanece por um período longo, esgotando a energia de adaptação. O organismo é atingido no plano biológico ou físico e no plano psicológico ou emocional. A pessoa é agredida de um modo geral, e cada indivíduo tem propensão para adoecer de acordo com o locus de minor resistance, isto é, o órgão-alvo de maior fragilidade, com a própria constituição e suas heranças genéticas.

    Embora Selye tenha proposto, em 1936, que o desenvolvimento do stress se dê em três fases (alarme, resistência e esgotamento), pesquisas recentes realizadas por Marilda Novaes Lipp, do Laboratório de Estudos Psicofisiológicos do Stress da PUC de Campinas, identificaram uma quarta fase, que foi denominada quase-exaustão e que ocorre entre as fases de resistência e esgotamento. O capítulo "Soluções criativas para o stress" discute em detalhes essa fase.

    O grau de desgaste do corpo diante dessas agressões físicas e tensões emocionais depende:

    1. do efeito direto do agente estressante sobre o indivíduo;

    2. de respostas internas que estimulam a defesa dos tecidos;

    3. de respostas internas que estimulam a rendição dos tecidos, por causa da inibição das defesas.

    O equilíbrio (homeostase) desses três fatores vai determinar a resistência, a adaptação ou a falência em resposta ao stress. Só a presença de estímulos estressores não provoca automaticamente esse estado. O mesmo estressor pode provocar reações distintas em indivíduos diferentes. Há fatores condicionantes individuais: predisposição genética, idade, sexo e personalidade.

    Stress ocupacional no professor

    O stress decorrente do trabalho ou stress ocupacional vem merecendo maior atenção nas últimas décadas, mas não o suficiente para que seus efeitos sejam minimizados.

    O trabalho ocupa a maior parte do tempo das pessoas. Geralmente as jornadas de trabalho são longas, iniciando-se muito cedo e podendo se estender até a noite. Há raras pausas de descanso e/ou refeições breves e em lugares desconfortáveis. O ritmo de trabalho costuma ser intenso e são exigidos altos níveis de atenção e concentração para a realização das tarefas.

    Há uma pressão exercida especialmente pelas novas tecnologias, necessitando uma adaptação sem um preparo prévio. Isso favorece a tensão, a insatisfação e a ansiedade, o que esgota o professor (burnout).

    Devemos lembrar que o trabalho tem um lugar fundamental na vida das pessoas: O que você vai ser quando crescer?. A profissão e o trabalho irão determinar grande parte de nossas vidas. O trabalho satisfatório determina prazer, alegria e, sobretudo, saúde – trata-se de um investimento afetivo. Quando o trabalho é desprovido de significação, não é reconhecido ou é uma fonte de ameaças à integridade física e/ou psíquica, acaba por determinar sofrimento ao trabalhador – em nosso caso, ao professor.

    O trabalho, para a maioria das pessoas, é a fonte de garantia de subsistência e de posição social. Muitas vezes somos conhecidos por pertencer a uma categoria de trabalho. Mais uma vez, nosso exemplo aqui é o professor.

    Professor é uma profissão louvável, que merece respeito e consideração pela nobre missão, de quem a exerce, de transmitir seus conhecimentos aos alunos. Infelizmente, ocorreu uma deterioração das condições da formação e da prática profissional do professorado no Brasil, hoje tão desvalorizado no próprio universo acadêmico, na mídia e na sociedade em geral. Diversos trabalhos na literatura mundial mostram que ser professor é uma das profissões mais estressantes na atualidade.

    Vejamos com atenção as dificuldades que existem em diferentes áreas do ensino. Tomemos o exemplo dos professores do maternal e do jardim de infância, que praticamente iniciam a socialização das crianças. É gratificante trabalhar com crianças nessa faixa etária, pela receptividade, pela pureza e pela obediência. O que pode haver de estressante nesse trabalho? Alguns aspectos devem ser considerados. Um grande número de crianças não recebe uma educação adequada em seus lares. Muitos pais são, muitas vezes, excessivamente tolerantes, não colocam o limite necessário à criança, não têm paciência, e acabam depositando na escola, e em particular na professora, a função de educadora responsável. É comum os professores ouvirem coisas como: Aquele pestinha só fica quieto na escola; só obedece ao professor. Quando os professores tentam conversar com os pais sobre seus filhos, algumas vezes são destratados, principalmente se o pai ou a mãe tem nível superior, pois nesses casos ele dificilmente aceita orientação sobre os cuidados com seus filhos. Os pais geralmente consideram obrigação da escola dar conta do pestinha e não aceitam que sejam apontadas as possíveis falhas que estão favorecendo o comportamento ruim daquela criança. Para os professores do maternal e do jardim de infância, é fácil perceber que o pestinha necessita de atenção e carinho, mas é difícil alguns pais aceitarem esse fato. Outra situação frequente é a de pais separados que usam a criança para se agredirem, ou a de pais alcoólatras que maltratam seus familiares.

    Na verdade, é nessa fase da vida que a criança está mais vulnerável, e, se os professores não contarem com um serviço de psicologia e pedagogia eficiente, irão sentir essas situações como fonte de stress, tanto em escola pública como em escola particular.

    Ainda nessa faixa de idade é comum o surgimento de algumas doenças contagiosas: gripes, sarampo, meningite, escabiose, além de pequenos traumatismos por queda ou agressão de outra criança. Algumas vezes, a mãe até percebe que a criança não está bem, mas ela não pode faltar ao trabalho, então deixa a criança na escola sem nenhuma comunicação do fato, e ainda reclama do professor. A classe não é constituída por uma criança apenas, e a somatória de situações pode levar a um desgaste tanto físico como emocional, diminuindo o prazer com o trabalho.

    O leitor deve estar pensando que nada foi mencionado sobre a vida pessoal dos professores. Sim, há uma interação com as atividades de trabalho conforme os acontecimentos da vida pessoal, de modo favorável ou desfavorável, como em todas as profissões. Os recursos internos de cada pessoa irão determinar sua própria adaptação à realidade. O auxílio de recursos familiares, sociais e financeiros é igualmente importante, embora muitos professores possam não dispor de um ou mais desses recursos e mesmo assim conseguirem adaptar-se às dificuldades. Caso encontrem problemas devem procurar auxílio.

    No ensino fundamental, as dificuldades parecem maiores, e só quem vive numa sala de aula é que as conhece. Diversas queixas frequentes, que constituem fonte de stress, devem ser consideradas: a existência de sala de aula com temperatura elevada, principalmente nos meses mais quentes do ano (nos quatro cantos do Brasil), iluminação inadequada e barulho interno intenso. As turmas são formadas com um número excessivo de alunos para o espaço destinado (em média 35 por classe); há, simultaneamente, atividades extraclasse, como ensaio de quadrilha no pátio, aulas de educação física na quadra ou no terreno baldio ao lado da sala que está em atividade de aula, carros de propaganda com alto-falantes que circulam próximos à escola. O ruído excessivo

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