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Lazer e recreação: Repertório de atividades por ambientes - VOL. I

Lazer e recreação: Repertório de atividades por ambientes - VOL. I

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Lazer e recreação: Repertório de atividades por ambientes - VOL. I

Duração:
384 páginas
2 horas
Lançados:
20 de dez. de 2013
ISBN:
9788530810993
Formato:
Livro

Descrição

Dando continuidade ao trabalho desenvolvido em obras anteriores, nesse livro, Nelson Carvalho Marcellino e colaboradores organizaram atividades de lazer e recreação por ambientes, a fim de facilitar e enriquecer a prática do animador sociocultural.
A obra é dividida em módulos, cada um deles correspondendo a um ambiente: acampamento de férias, brinquedoteca, clube, colônia de férias, escola, festa, meio ambiente, piscina, quadra esportiva e comunidade. São descritas as características de cada ambiente na sua relação com o lazer, tendo em vista espaço, equipamentos necessários e implicações socioculturais, fatores que são essenciais para um trabalho de recreação bem-sucedido. Os módulos são acompanhados por um conjunto de fichas de atividades que levam em consideração todos esses aspectos, mas com possibilidade de adaptação para outros ambientes. - Papirus Editora
Lançados:
20 de dez. de 2013
ISBN:
9788530810993
Formato:
Livro


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Lazer e recreação - Nelson Carvalho Marcellino

LAZER E RECREAÇÃO:

REPERTÓRIO DE ATIVIDADES POR AMBIENTES

– VOLUME I –

Nelson Carvalho Marcellino (org.)

André Henrique Chabaribery Capi

Débora A. Machado da Silva

Edmur Antonio Stoppa

Ilse Lorena Von Borstel Galvão de Queirós

Karina Cristofoletti Sarto

Mirleide Chaar Bahia

Rosângela Benito

Silvio Ricardo da Silva

Stela Márcia Allen

>>

A coleção Fazer/Lazer publica pesquisas, estudos e trabalhos técnicos fundamentados em teorias, ligados ao fazer profissional, no amplo campo abrangido pelas atividades de lazer, entendido como manifestação cultural contemporânea, que ocorre no chamado tempo livre.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO – APONTAMENTOS PARA A ELABORAÇÃO DE UM REPERTÓRIO DE ATIVIDADES DE RECREAÇÃO E LAZER POR AMBIENTES

Nelson Carvalho Marcellino

1. PROPOSTAS DE ANIMAÇÃO PARA ACAMPAMENTOS DE FÉRIAS

Edmur Antonio Stoppa

ATIVIDADES     • EQUITAÇÃO NOTURNA

• FESTIVAL DE HINOS DE QUARTO; FESTIVAL DA CANÇÃO

• GINCANA CAÇA ÀS PERGUNTAS

• JOGO DO PATO ADAPTADO

• JOGO DOS CADÁVERES

• NOITE DE VIGÍLIA

• PASSEIO COM LANTERNAS

• POLO A CAVALO ADAPTADO

• RAPTO DAS(OS) SABINAS(OS)

• XADREZ HUMANO

2. PROPOSTAS DE ANIMAÇÃO PARA BRINQUEDOTECAS

Débora A. Machado da Silva

ATIVIDADES     • BRINCADEIRAS DO ARCO DA VELHA

• FOTOGRAFIA EM MOVIMENTO

• HORA DO CONTO

• IMPRESSÕES DA ARTE

• NOITE DE JOGOS

• RITMAÇÃO

• TEATRO DE FANTOCHES

• TROCA-TROCA OU BRINCANDO AO AR LIVRE

• VILAREJO SOMBRIO

• VISITANDO O CLOWN

3. PROPOSTAS DE ANIMAÇÃO PARA CLUBES

André Henrique Chabaribery Capi

ATIVIDADES     • ARCOS EM MOVIMENTO

• DISCO AO ALVO

• ENCONTRO ESPORTIVO

• FESTIVAL ESPORTIVO

• NAVIO NEGREIRO

• PEGA-RABO DAS COBRAS

• PERNAS VOADORAS

RANKING ESPORTIVO

• REQUEIMA

• TRINCHEIRA

4. PROPOSTAS DE ANIMAÇÃO PARA COLÔNIAS DE FÉRIAS

Débora A. Machado da Silva

ATIVIDADES     • CAÇA QUATRO ESTAÇÕES

• CIRCUITO DE SENSAÇÕES

• REPÓRTER POR UM DIA

• POETA A CARÁTER

• QUADRIBOL ADAPTADO

• QUEM CONTA UM CONTO... INVENTA HISTÓRIA!

SEPAKTAKRAW ADAPTADO

• SINAIS DE PISTA

• TEATRO DE SOMBRAS

• TRINCHEIRA

5. PROPOSTAS DE ANIMAÇÃO PARA AMBIENTES ESCOLARES (PÁTIOS E SALAS DE AULA)

Karina Cristofoletti Sarto e Rosângela Benito

ATIVIDADES     • QUADRO MÁGICO TEMÁTICO

• FUI AO JARDIM...

• JOGO DO SIM E NÃO

• BAÚ DE BRINQUEDOS DA VOVÓ

• POSTE ELÉTRICO OU CHOQUE

• BASE TRIPLA

• BRINCANDO COM A RESPIRAÇÃO

• LÁ VEM O TREM

• TEIA DE ARANHA

• DE QUE JEITO É?

6. PROMOÇÃO DE FESTAS E VIVÊNCIA DO LAZER

Ilse Lorena von Borstel Galvão de Queirós

ATIVIDADES     • AMIGOS EM FESTA

• BRINCANDO COM MÚSICA

• BRINCANDO E JOGANDO COM O ANIVERSARIANTE

• CAIPIRAS DANÇANTES

• CIRCUITO DE JOGOS JUNINOS

• DANÇANDO LEGAL

• FESTIVAL DE AVIAÇÃO

• FUTEBOL EM FESTA

• GINCANA DE CHARADAS

• GINCANA JUNINA PREMIADA

7. PROPOSTAS DE ANIMAÇÃO PARA A VALORIZAÇÃO DO MEIO AMBIENTE

Mirleide Chaar Bahia

ATIVIDADES     • ANALISANDO A TRILHA

• CONHECENDO O LIXO

• CONSTRUIR FIGURAS DA NATUREZA

• EQUILÍBRIO DE UM ECOSSISTEMA

• IDENTIFICAÇÃO COM O OBJETO NATURAL

• JOGO DA MEMÓRIA ECOLÓGICA

• JOGO DO BICHO

• QUEM É O BICHO?

• REPRESENTANDO UMA SITUAÇÃO VIVIDA NA NATUREZA

• SENTINDO A NATUREZA ATRAVÉS DOS SONS

8. PROPOSTAS DE ANIMAÇÃO PARA O MEIO AQUÁTICO (PISCINA)

Stela Márcia Allen

ATIVIDADES     • ALERTA

• ALVO PRECISO

• BLOQ-BASQUETE

• CAÇA SUBMARINA

• DESAFIOS NO TOBOÁGUA

• ESCRAVOS DE JÓ AQUÁTICO

• EVASÃO DO PEIXE VOADOR

• JOGO DO VIRA-VIRA

• PEGA-BARBATANA

• PEIXE ELÉTRICO

9. PROPOSTAS DE ANIMAÇÃO PARA QUADRAS ESPORTIVAS

Silvio Ricardo da Silva

ATIVIDADES     • A BOLA É NOSSA

• BASQUETÃO

• CARANGUEJOBOL

• PARE BOLA

• PEGA-RABO

• QUEIMADA JAPONESA

• MINHOCÃO

• SAI BOLA

• VERDADE-MENTIRA

• VOLENÇOL

10. PROPOSTAS DE ANIMAÇÃO PARA COMUNIDADES

Nelson Carvalho Marcellino

ATIVIDADES     • ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS

• CLÍNICA DO RUMOR – COCHICHO

• ESCOLINHA DE JARDINAGEM

• EXPO VERDE, FEIRA DO VERDE

• FEIRA DA BARGANHA, FEIRA DE TROCAS OU TROCA-TROCA

• FESTIVAL DE JOGOS GIGANTES

• INTERARTE CONTA... MULTIARTE CONTA...

• MEU TEMPO DE CRIANÇA OU BRINCANDO DE ANTIGAMENTE

• MOMENTO DA BRICOLAGEM

• NOVOS USOS PARA...

• OFICINAS DE JOGOS DE MESA

• PASSEIO DA ALEGRIA

• QUEBRA-CABEÇAS DE GRUPO

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SOBRE OS AUTORES

OUTROS LIVROS DOS AUTORES

REDES SOCIAIS

CRÉDITOS

INTRODUÇÃO – APONTAMENTOS PARA A ELABORAÇÃO DE UM REPERTÓRIO DE ATIVIDADES DE RECREAÇÃO E LAZER POR AMBIENTES

Este livro nasceu da necessidade sentida em nossa prática cotidiana como animadores socioculturais – seja na atuação direta com a população, seja na formação de outros animadores, em cursos de recreação e lazer – da publicação de um repertório de atividades nessa área.

Já elaboramos material semelhante em Repertório de atividades de recreação e lazer (Papirus, 4ª ed., 2007), colocando as fichas de atividades em ordem alfabética, e em Lazer e recreação: Repertório de atividades por fases da vida (Papirus, 2006), separando-as por faixas etárias. Nesta edição, apresentamos novas atividades, desta vez, aglutinando-as por ambientes.

Desse modo, partilhando uma mesma motivação, reunimo-nos para, mediante a reflexão coletiva, expressar nossas experiências. Portanto, é um trabalho de grupo, com os objetivos relacionados à animação sociocultural, aos quais acrescentamos mais um: o de elaborar e apresentar à comunidade da área um trabalho que pretende se diferenciar do tradicionalmente encontrado. Só nos pusemos a descrever as atividades quando já tínhamos a ideia clara do livro, de seu formato, do público ao qual nos dirigiríamos e do tipo de linguagem que utilizaríamos.

Nossa preocupação maior foi no sentido de não fornecer apenas um rol de atividades agrupadas por quaisquer critérios como equipamento, faixa etária, conceito etc. Ao falar em repertório, estamos querendo dizer da necessidade de interpretação de cada atividade, com base na experiência pessoal e profissional de cada um de nós, fundamentada em teoria, confrontada na ação do cotidiano e acompanhada do necessário exercício de reflexão constante.

Neste livro, decidimos trabalhar por ambientes diferenciados. Assim, nosso objetivo é compartilhar um repertório fundamentado de atividades de recreação e lazer, a ser desenvolvido por profissionais de variadas formações, de acordo com diferentes ambientes, como clubes, acampamentos, quadras etc., levando em conta o espaço, os equipamentos disponíveis e as relações socioculturais. Aqui, ambiente é entendido como tudo que envolve os seres vivos e/ou as coisas e/ou o conjunto das particularidades de um meio social, natural ou histórico em que se situa uma ação. Assim, o entendimento do ambiente onde a ação do animador sociocultural é desenvolvida torna-se fundamental para o sucesso das atividades de recreação/lazer.

O livro é dividido em módulos, cada um deles correspondendo a um ambiente. Cada módulo descreve as características do ambiente na sua relação com o lazer e os pontos que devem ser observados pelos animadores socioculturais nas suas vinculações específicas com aquele ambiente. Essa descrição é acompanhada de um conjunto de fichas de atividades a serem desenvolvidas de acordo com essas especificidades. As atividades podem ser adaptadas para outros ambientes, como as próprias fichas indicam e o repertório de cada um pode recomendar.

Para sermos coerentes com nosso próprio discurso, a preocupação foi não fornecer receitas de atividades, mas contribuir para a formação de um repertório, sempre considerado da perspectiva do animador ou do grupo a que pertence, e que possa ser vivenciado e refletido, em constante aprimoramento. Nasceu daí a ideia de elaborarmos as fichas – uma para cada proposta – com espaços em branco, para serem preenchidos pelo animador. As fichas são autorais e identificadas uma a uma, refletindo o processo de elaboração de cada um, ainda que com base nas discussões coletivas. Nossa proposta é que cada leitor reinterprete as fichas, montando as suas próprias, construindo assim o seu repertório. Não faria sentido considerar as fichas isoladamente, deixando de lado o conjunto e o processo de elaboração, descritos nestas considerações iniciais e solidificados nas referências bibliográficas.

Não tivemos nenhuma pretensão de ineditismo nas atividades, até porque isso seria praticamente impossível e contra a ideia de repertório. De início, nossa insegurança nos levou a pensar em apresentar as fontes impressas de todas as fichas descritas, mas a tarefa se mostrou impossível, pois a maioria dos manuais não cita as fontes. Além disso, muitas atividades são muito antigas, de modo que preferimos nos basear em nossa primeira experiência com cada uma delas.

Outro aspecto importante que devemos ressaltar diz respeito à classificação e consequente fundamentação das atividades. Há uma grande profusão de classificações possíveis, de modo que, se optássemos por uma delas, seria praticamente impossível apresentar todas as propostas aqui reunidas. Mesmo porque, do nosso ponto de vista, as classificações só têm sentido quando fundamentadas em objetivos claros para o desenvolvimento das atividades. No nosso caso, o primeiro objetivo das propostas é sempre o divertimento e o prazer, dispensando justificativas. Além do mais, se fôssemos apresentar a fundamentação de cada uma das atividades, o livro deixaria de ser um repertório. Preferimos, então, não adotar uma classificação rígida nem capítulos de fundamentação. Isso pode ser buscado na extensa bibliografia ao final do livro.

Acreditamos que o ideal seria que cada pessoa praticasse atividades que abrangessem os vários grupos de interesses, procurando exercitar o corpo, a imaginação, o raciocínio, a habilidade manual, o relacionamento social, o intercâmbio cultural e a quebra da rotina, quando, onde, com quem e da maneira como quisesse. No entanto, o que se verifica é que as pessoas restringem suas atividades de lazer a um campo específico de interesse. E o fazem não por opção, mas por não terem tomado contato com outros conteúdos. Logo, o papel do animador sociocultural é fundamental, no sentido de oferecer um leque diversificado de atividades. Foi o que tentamos colocar nas fichas que compõem nosso livro: diversificação de conteúdos.

Ainda quanto aos conteúdos, entendemos que a ação do animador sociocultural deve ultrapassar seus interesses e conhecimentos na área, buscando a democratização dos bens culturais. É necessário conhecer em profundidade pelo menos um dos conteúdos, mas é também muito importante a visão do conjunto. Entretanto, quanto à especificidade das atividades, é necessário lembrar que algumas podem ser desenvolvidas apenas por profissionais de educação física, outras, por arte-educadores ou profissionais de turismo etc. Ao animador sociocultural cabe adaptá-las ou recorrer à monitoria de profissionais das respectivas áreas para orientação. Exemplo disso, entre muitos, são os chamados esportes radicais ou os esportes ecoturísticos.

Não podemos reforçar a ideia de que a atividade de lazer – de conteúdo arte ou esporte, por exemplo – seja desenvolvida sem os necessários equipamentos, materiais ou profissionais adequados. Dessa forma, em muitos casos, há atividades que são consideradas esporte, quando praticadas com os devidos recursos e esporte de lazer quando seu exercício visa apenas à diversão – diferenciação existente também em atividades artísticas e demais conteúdos. Passa-se a ideia de que a atividade de lazer é necessariamente improvisada e, o que é pior, sem qualidade. Isso tudo acaba refletindo até mesmo no espaço, nos equipamentos, nos materiais e no pessoal colocados ou não à disposição do animador para o desenvolvimento de seu trabalho. É preciso ter consciência do valor e da importância do nosso trabalho para reivindicar as condições necessárias para executá-lo. Não temos nada contra a utilização de sucata ou materiais alternativos, desde que esta seja uma opção ou, como o próprio nome sugere, uma alternativa, e não a única possibilidade, resultante da falta de condições de trabalho.

Algumas propostas de atividades não necessitam de equipamentos ou materiais (suportes) para serem desenvolvidas. Nesses casos, o animador é ainda mais importante, porque acaba sendo a única referência para os participantes.

Por outro lado, devemos estar atentos às barreiras interclasses e intraclasses sociais que restringem o lazer. É preciso lembrar sempre que a classe social, o nível de instrução, a faixa etária e o gênero, entre outros fatores, limitam o desenvolvimento das atividades de lazer. Além disso, no plano cultural, vários preconceitos restringem a sua prática aos mais habilitados e aos que se enquadram nos padrões estabelecidos de normalidade. Do ponto de vista da democratização cultural, tais pressupostos são fatores indesejáveis e necessitam ser atacados. É óbvio que o campo da animação sociocultural é limitado para ações efetivas nesse sentido, mas isso não significa que deva ser ignorado como uma possível área de educação, de formação de mentalidades favoráveis à democratização. O animador deve estar atento para não reforçar as barreiras e, sempre que possível, deve questioná-las, não só no discurso, mas na ação efetiva. Essa foi a postura que procuramos adotar nas fichas.

Não podemos deixar de considerar também as questões do consumo puro e simples de bens culturais. Nossa ação deve procurar privilegiar o gênero da prática. Por outro lado, é importante reconhecer que o valor cultural de uma atividade está ligado sobretudo ao nível alcançado, seja na prática, seja na audiência, seja no conhecimento. Isso não significa negar a importância do estímulo à prática do lazer como criação cultural. Esse aspecto não pode deixar de ser considerado, principalmente se levarmos em conta o caráter de desenvolvimento do lazer. Entretanto, a simples prática não significa participação, assim como nem todo consumo é necessariamente passivo. Isso tem implicação direta no desenvolvimento das atividades. Por exemplo: até que ponto jogos excludentes são efetivamente excludentes? Será que o impedimento da participação direta, por quaisquer motivos, implica a não participação em sentido amplo? Do nosso ponto de vista, isso dependerá da postura do animador. Por isso, não tivemos qualquer preocupação em selecionar, fazendo a separação entre atividades que aglutinam e atividades que excluem. Chegamos até a recomendar o equilíbrio entre os três gêneros – praticar, assistir, conhecer –, com base no nível em que os participantes estiverem e, sendo ele conformista, procurar superá-lo pelo exercício da criticidade e criatividade.

Outro aspecto importante é que, durante o processo de elaboração de nossas fichas, procuramos levar em conta que o lazer, como esfera de manifestação humana, é pleno de possibilidades. Sorte, azar, competição, imitação, vertigem, como nos lembra Callois, são componentes do jogo. Dessa forma, é preciso refletir sobre que lazer estamos trabalhando. Lazer sim, mas não qualquer lazer. Não o mero entretenimento, não o lazer-mercadoria. Cada vez mais, precisamos do lazer que leve à convivencialidade, mesmo sendo fruído individualmente, por paradoxal que isso possa parecer. Para tanto, a postura do animador é fundamental. Convites à convivência significam, do nosso ponto de vista, minimizar os riscos de exacerbação dos próprios componentes do jogo: a competição, que não leve à violência e à introjeção de comportamentos sociais de exclusão; a vertigem, que não leve ao risco não calculado de vida; a imitação, que não promova o faz de conta imobilizante da pior fantasia; sorte e azar, que não provoquem alheamento. Isso não significa negação ou, pior, camuflagem de qualquer um desses componentes, como está ocorrendo, às vezes de modo extremamente fechado, com a competição.

É preciso levar em conta também que o animador ainda é visto, em muitas situações, como detentor do saber da animação ou mantenedor da ordem, fiscalizador, o que muitas vezes torna seu desempenho um tanto autoritário ou, tão ruim quanto, incentivador do autoritarismo. Mesmo quando isso ocorre, o que é mais comum na ação que envolve políticas públicas, é preciso não abrir mão do nosso papel de educadores, procurando, dessa forma, reverter expectativas, fazendo das atividades de animação um exercício de democracia e da autoridade sem autoritarismo. Assim, na elaboração das fichas, procuramos evitar a utilização de expressões que denotassem autoritarismo. Mais do que uma questão terminológica, essa é uma postura a ser incorporada ao fazer cotidiano da animação. Ela é fundamental, na nossa área, para contribuir para a formação da cidadania autônoma, formando competências, e não incompetências, que justifiquem nosso discurso de profissionais.

Conforme ressaltamos, muitas vezes o profissional de lazer entende por qualidade a satisfação do cliente. Contudo, o riso fácil, o corpo bonito e a solicitude desse profissional apenas disfarçam a falta de condições de trabalho e de equipamentos não só do seu setor, mas de toda a organização, seja ela pública ou privada. Por exemplo, em vez de organizar uma festa adequadamente, com estratégias de participação, quando for o caso, passa a animar – no sentido pejorativo – o evento, procurando mascarar sua falta de qualidade. Já está na hora de o setor privado perceber que é com competência que se faz lucro, que se atende bem o cliente, e não dourando a pílula, com um comportamento estereotipado de anacrônicos bobos da corte sem corte.

Por outro lado, quando atua em políticas públicas, muitas vezes, o animador representa apenas uma força de trabalho divertida e solícita, mas mal remunerada e sem formação adequada, que repete pacotes de atividades de gosto duvidoso e, ainda assim, de forma bastante esporádica, em bairros da cidade. Ou, então, formam equipes cuja principal característica é o sorriso forçado nos lábios, promotoras de atividades que não são mais do que pacotes de festinhas para passar o tempo ou entreter o povo antes que as autoridades cheguem para inaugurar obras. Já está na hora de que os discursos de campanha de um lazer emancipador sejam acompanhados de verbas, infraestrutura e atuação profissional compromissada politicamente, sim, mas com competência e profissionalismo.

Assim, é preciso que o repertório de atividades não fique restrito ao que comumente é classificado como lazer ou recreação. É preciso alargar horizontes, em termos de conteúdo e forma. Isso não significa ignorar o material produzido nas experimentações do cotidiano do animador, traduzido em dezenas de manuais. Muito pelo contrário, ele pode ser uma das fontes para a elaboração e/ou o enriquecimento do repertório de cada animador, mas com uma leitura crítica e criativa. É para isso que, ao final do livro, apresentamos uma vasta bibliografia, sem qualquer pretensão de apontar livros corretos ou incorretos, utilizando critérios de verdade desse ou daquele ponto de vista. São sugestões, e como tal devem passar pelo crivo do profissional, com as devidas e necessárias adequações.

Isso significa ainda considerar o lazer como manifestação humana, que inclui a atividade, mas é mais amplo que ela. Há necessidade de momentos de não atividade, de contemplação, de ócio. E cabe aos profissionais o discernimento para entender a perspectiva do frequentador de determinado equipamento e não forçar a barra, para um ativismo que pode até negar os valores do próprio lazer. Nosso papel é contribuir para que o clima do equipamento seja o mais adequado no que se refere a estrutura, condições de uso e convivencialidade, e não, como muitas vezes ocorre, como incitadores da ação pela ação, simplesmente para manter as pessoas ocupadas. Lazer, sim, mas não práticas compulsivas ou compulsórias.

A própria ideia de repertório fez com que recorrêssemos a nossas histórias de vida para contextualizar as sugestões. O elemento que une os autores deste trabalho é a necessidade de estudar, de ter um embasamento maior para o desenvolvimento de nossas atividades profissionais. Nós nos conhecemos no ensino e em trabalhos de pesquisa e extensão na área de estudos do lazer. Hoje, voltamos a nos encontrar como membros do Grupo de Pesquisas em Lazer (GPL), da Faculdade de Educação Física (Facef) da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Apenas alguns autores não fazem parte do grupo e foram convidados por suas especialidades. Cada ficha foi elaborada por um profissional que milita na área da animação sociocultural, naquele ambiente específico, há anos, ou seja, todos têm grande conhecimento e vivência das particularidades que envolvem a ação entre as pessoas naqueles espaços.

Esperamos que este livro possa auxiliar animadores socioculturais no desenvolvimento do seu próprio repertório de atividades, em ambientes diferenciados. Além disso, que possa alimentar cursos de formação e desenvolvimento de animadores – profissionais ou voluntários – ou disciplinas com essa temática, em diferentes cursos: educação física, terapia ocupacional, turismo, hotelaria, pedagogia etc. É evidente, mas nunca é demais repetir, que em cada situação da ação do animador, ou em cada curso, é necessário ter cuidados com as especificidades. Por outro lado, o tratamento dado pelo professor a cada ficha vai variar de acordo com as características do curso em que a atividade será vivenciada e/ou estudada. É fundamental reafirmar, ainda dentro do conceito de repertório, que os cursos, assim como as fichas, como pontos de partida para vivências, deverão contemplar também aspectos de teoria do lazer, de planejamento das ações em suas várias possibilidades, de informações sobre o mercado de trabalho e o exercício de reflexão constante. Há algumas indicações nas referências bibliográficas que procuram oferecer alternativas a essa fundamentação.

1. PROPOSTAS DE ANIMAÇÃO PARA ACAMPAMENTOS DE FÉRIAS

Edmur Antonio Stoppa

Atividade iniciada no Brasil, de inspiração americana, a animação para acampamentos de férias começou a ser realizada a partir de 1948, com a fundação do primeiro acampamento do país no ano anterior, em uma área própria, com o desenvolvimento de temporadas de férias em janeiro e fevereiro, com cerca de 70 rapazes, entre 10 e 16 anos.

A partir dessa época, a atividade cresceu e, hoje, podem ser encontrados, principalmente na região Sudeste, mais de uma centena de espaços de lazer chamados de acampamentos de férias, também conhecidos, em alguns casos, como acantonamentos de férias, que são locais destinados a receber grupos de crianças e adolescentes nos períodos de férias escolares ou, ainda, grupos de escolas, igrejas, famílias e empresas em finais de semana, feriados ou outras épocas do ano.

Para o desenvolvimento das ações, os acampamentos de férias são locais dotados de infraestrutura física, material

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