Aproveite milhões de eBooks, audiolivros, revistas e muito mais

Apenas $11.99 por mês após o período de teste gratuito. Cancele quando quiser.

Ita: Desenvolvimento Organizacional e Humano em Tecnologia e Inovação

Ita: Desenvolvimento Organizacional e Humano em Tecnologia e Inovação

Ler a amostra

Ita: Desenvolvimento Organizacional e Humano em Tecnologia e Inovação

Duração:
708 páginas
8 horas
Lançados:
17 de out. de 2018
ISBN:
9788547316952
Formato:
Livro

Descrição

Inovação está no DNA do ITA e formação humana é o espírito institucional vivo nas suas pessoas. Engenheiros, empresários, em especial do setor aeroespacial, professores de qualquer área de conhecimento, gestores em educação, pesquisa e produção, buscando agregação e avanços, refletem sobre a postura iteana, incluindo responsabilidade social e ambiental em processo amplo e profundo que envolve a comunidade institucional. Trata-se de uma leitura necessária e atualíssima, independentemente de tempo ou lugar. Porém, no Brasil, é um desafio e simultaneamente um alento, pois mostra que ética e sucesso são uma realidade possível, tornando-se um convite a aceitar.

A autora



O "Modelo Iteano", inédita concepção embasando um processo educacional diferenciado, visando à formação integral em engenharia de inovação, é abordado pela autora, em profícuo trabalho de pesquisa. Explora os embasamentos do modelo, analisando "valores fundamentais", como a "disciplina consciente", diferenciando-a do tradicional Código de Honra. Baseia-se em sua vivência quando coordenou o desenvolvimento organizacional e humano, com essencial formação profissional e dedicação à educação/pesquisa. "Recomendo especialmente aos iteanos que, com certeza, irão completar-se (não se surpreender) e, talvez, alguns venham a se redescobrir".

Prof. Dr. Euclides C. Fernandes

(Prof. titular até 2001, reitor do ITA 1994-2001).



Época de transformação e resultados sem precedentes. Em 1992, ao retornar dos EUA, nem acreditava no que estava vendo: só harmonia entre alunos e professores civis e militares. Em agosto de 1989, deixava de existir a Coordenadoria de Educação e Desenvolvimento Humano do ITA. Que saudades! O ITA é uma marca. A mais forte que conheci e com a qual tenho tido o privilégio de conviver e contribuir durante grande parte de minha vida. Este livro compartilha o que eu quero dizer com este parágrafo.

Prof. Donizeti de Andrade, Ph.D.

(Eng. de Aeronáutica, T. 1983).



Fazendo parte do corpo docente, no período registrado no livro, tive o privilégio de conviver com a professora Valderez, que deu uma enorme contribuição para o fortalecimento do Modelo Iteano, especialmente quanto ao relacionamento professor/aluno e ao reconhecimento da disciplina consciente. Um período de muito aprendizado!

Prof.ª Maria Elizabeth Stafuzza Gonçalves

(M.C.– IEFM,1980-2000).
Lançados:
17 de out. de 2018
ISBN:
9788547316952
Formato:
Livro


Relacionado a Ita

Livros relacionados

Artigos relacionados

Amostra do livro

Ita - Valderez Ferreira Fraga

Editora Appris Ltda.

1ª Edição - Copyright© 2018 dos autores

Direitos de Edição Reservados à Editora Appris Ltda.

Nenhuma parte desta obra poderá ser utilizada indevidamente, sem estar de acordo com a Lei nº 9.610/98.

Se incorreções forem encontradas, serão de exclusiva responsabilidade de seus organizadores.

Foi feito o Depósito Legal na Fundação Biblioteca Nacional, de acordo com as Leis nºs 10.994, de 14/12/2004 e 12.192, de 14/01/2010.

COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS E TRANSDISCIPLINARIDADE

Aos meus filhos, Eduardo e Isis, e ao meu neto, Bruno Fraga, com amor.

E ao meu marido, Flavio, que me aguarda na eternidade, minha saudade.

AGRADECIMENTOS

Meus agradecimentos à valiosa contribuição do Prof. Dr. Claudio Jorge Pinto Alves, atual vice-reitor do ITA, pela Apresentação do livro que muito me honra, desde a presença constante durante os trabalhos sob minha coordenação na Casa, até a atualidade, com seus contatos sensíveis e consistentes, renovando a presença iteana.

Expresso aqui minha gratidão ao Prof. Dr. Jair Cândido de Melo, dispondo-se a contribuir com o Prefácio, renovando sua agregação ao trabalho narrado neste livro, do qual ele foi pessoa-chave, por haver ocupado a reitoria do ITA à época e, especialmente, por sua extrema dedicação a todas as atividades realizadas, com espírito agregador e contribuição para o sucesso do Desenvolvimento Organizacional (DO) e Humano na honrosa instituição iteana.

Aos autores dos ANEXOS, cujas elucidações e dados para conhecimento, reflexão e atualização de informações enriquecem o texto, possibilitando complementar conhecimentos a oferecer ao leitor, minha gratidão. Ao Ten. Brig. Nelson de Sousa Taveira, ao vice-reitor Prof. Dr. Claudio Jorge Pinto Alves, ao ex-reitor Prof. Dr. Fernando Toshiori Sakane, Prof. Alberto Adade Filho e ao Prof. Dr. Donizeti de Andrade. A cada um e a todos meu respeito e profunda consideração.

Aos depoentes de capa, por sua honrosa manifestação neste trabalho, agradeço em especial ao atual reitor do ITA Prof. Dr. Anderson Ribeiro Correa, cuja disposição em mergulhar no passado, reconhecendo os trabalhos de DO, muito me honra. A presença concreta de professores da Casa marcou a minha vida pessoal e profissional, como é o caso do Prof. Dr. Euclides Fernandes, ex-vice-reitor do ITA e participante dedicado às atividades e propósitos do DO no ITA, e da Prof.a Elisabeth Stafusa Gonçalves, dignamente representando a ala feminina dos professores do ITA, com determinação, dedicação e entusiasmo, bem como do Prof. Donizeti de Adrade PhD alerta às esperançosas expectativas dos alunos civis e militares por relacionamento saudável e produtivo entre si e com os seus mestres.

À Leonice Aparecida da Silva deixo aqui expressa minha gratidão, pelo longo período dedicado à incansável e precisa formatação e reformatação do texto do livro, com rigorosa revisão normativa, tudo em suas escassas horinhas de lazer, até alcançarmos a versão final do volume.

À Prof.a Jaira Ruas Guimarães agradeço sinceramente pela revisão profissional do texto, com esmerada qualidade, uma característica de sua contribuição.

Ao Prof. Claver P. Sotto, minha gratidão pelo apoio na tabulação de questionários virtuais.

A André Luiz Ferreira Coelho meu mais sincero agradecimento pela criação da capa, com o talento que lhe é peculiar, contribuindo com sua arte para a mensagem deste livro.

HOMENAGEM PÓSTUMA

É com afeto, profunda admiração e gratidão que deixo breves, mas sinceras, palavras ao Iteano Maj. Brig. Engo. Tercio Pacitti, diante de sua laboriosa, digna e produtiva vida para a realidade nacional e, em especial, pelo reconhecimento, apoio e incentivo ao desenvolvimento organizacional e Humano no ITA, com estímulo permanente a cada etapa de meu trabalho, na expectativa deste livro, porém lamentando consegui-lo apenas após sua definitiva partida.

Finalmente

Aos iteanos, minha gratidão pelo acolhimento produtivo que possibilitou este livro.

APRESENTAÇÃO

Formação humana em tecnologia avançada é objetivo de muitas instituições de ensino que transitam por especialidades que exigem conhecimentos além dos limites do seu próprio desenvolvimento. E desenvolvimento é a expectativa de continuidade.

Educadores debruçam-se sobre fórmulas e estratégias para se obter os melhores resultados, mas não é fácil inserir em currículos de cursos de alta tecnologia disciplinas das áreas de Humanas, além de o teórico não ser suficiente, pois desenvolvimento humano é vivencial.

Os estudantes que se sentem vocacionados para a área técnica frequentemente não se interessam por estudos e atividades nas Ciências Humanas e Sociais. O próprio ensino da Engenharia já passou por reengenharias com resultados aquém do projetado. Hoje, as novas técnicas de motivação do ensino/aprendizagem nas engenharias são motivo de muita pesquisa e debates. A reengenharia do ensino da Engenharia já foi até programa de governo.

O Instituto Tecnológico de Aeronáutica, com sede em São José dos Campos, criado em 1950, foi a base para a constituição de uma Indústria Aeronáutica respeitada e reconhecida. Os frequentes voos das aeronaves da Embraer pelos céus de todo o planeta reforçam esse mito. Um país que não produzia bicicletas passou a competir com nações e indústrias em pé de igualdade.

Valderez Fraga preparou este compêndio, fruto de um longo trabalho de desenvolvimento organizacional realizado por pelo menos seis anos de sua experiência dentro da Instituição, por volta da quarta década de existência da Instituição. Tratou-se de uma etapa de ampla e profunda reflexão sobre seu futuro.

Foi um dos períodos em que as esferas humana e técnica vieram ao debate. Confesso que, em alguns momentos, digladiaram-se. Não foi fácil para Valderez, apesar do seu vasto conhecimento, entender o que se passava e como contribuir para o autoconhecimento humano das pessoas da Casa, na verdade, para o desenvolvimento humano de alunos, professores e administradores. Enfim, o que era o Modelo Iteano? Qual o motivo do seu sucesso? Por quanto tempo esse modelo resistiria? Essas questões foram dissecadas com um olhar externo por uma profissional competente no campo educacional e muito dedicada. Cada um tinha suas respostas e suas percepções sobre o que estava acontecendo, nem sempre as posições se conciliavam. Valderez trouxe um olhar mais técnico sobre as atividades que se desenvolviam e sobre os resultados que se alcançavam. Professores, alunos, ex-alunos, funcionários civis e militares participaram, debateram, trouxeram seus olhares sobre o que estava indo bem e sobre o que podia ser melhorado e, usufruíram, a seu modo, do trabalho desenvolvido em busca de autocompreensão e compreensão do outro, considerando o horizonte da disciplina consciente.

Passados mais quase 30 anos, o reconhecimento nacional do ITA persiste. Alguns parâmetros já se alteraram: mais cursos são oferecidos; a pós-graduação cresceu. Boa parte daqueles que participaram deste trabalho, desenvolvido por Valderez, já saíram de cena.

Pessoalmente, estou imerso no universo iteano desde 1973 e pude participar desses momentos em que as duas áreas – humana e técnica– estudaram e debateram a questão do desenvolvimento humano entre engenheiros envolvidos com alta tecnologia. Lendo este livro, percebo nuances que nunca havia me atentado. Como é bom alargar nossa visão. Minhas passagens pelos cargos administrativos, meu contato frequente com alunos e ex-alunos, com docentes e funcionários, foram sempre enriquecedores, mas não esgotaram a capacidade de me surpreender, de perceber o novo, dentro de velhas tradições. Parece mesmo que o ITA, por meio de um modelo sui generis, vem conseguindo humanizar a formação, mesmo em ambiente de tecnologia avançada, para a responsabilidade social. E Valderez Fraga, em seu livro, nos mostra as bases desse desenvolvimento.

Este livro é para aqueles que se interessam por Educação e Tecnologia. Nele se aborda um pouco da história e do modus operandi do ITA. Serve como uma referência e uma esperança de que se consiga aliar, em uma instituição de ensino voltada à tecnologia avançada, a formação humana necessária aos profissionais do futuro.

Prof. Dr. Claudio Jorge Pinto Alves

Atual vice-reitor do ITA (2015-2017), ex-aluno, formado em 1977,

com 40 anos de atividades dentro do ITA (desde 1978).

PREFÁCIO

Existe o todo e o amontoado.

O amontoado não é um todo.

O amontoado tem pedaços, um todo tem partes.

Um amontoado para pouco serve,

Um todo tem um propósito e

Cada parte deve existir para cumprir

a sua parte no todo.

Um todo perfeitamente harmônico com as suas partes é a imagem produzida pelo jogo de quebra-cabeças. Nesse caso, as partes foram produzidas pelos recortes da imagem total e, obviamente, são perfeitamente ajustáveis. Mesmo assim, a recomposição dessa imagem é um processo exaustivo quando se tem um número grande de peças.

Quando se trata de uma Instituição, o problema é inverso: tem-se o desafio de plasmar um todo com peças que não são originárias de recortes do todo, portanto não são automaticamente ajustáveis. Logicamente, todas as dimensões (física, processos e gente) que compõem essa Organização teriam que ser configuradas num mapeamento ordenado e harmônico para que ela possa cumprir o fim a que ela se destina com eficiência.

A prof.ª Valderez nos mostrou, durante nossa convivência no ITA, de forma simples e tranquila, que toda Instituição deveria dispor de uma ferramenta aparadora de arestas, o desenvolvimento organizacional. As arestas são fontes de conflitos, e estes, por sua vez, geradores de caos, portanto precisam ser tratadas.

A dimensão maior da problemática de uma Instituição não se assenta nas coisas e sim nas pessoas. A não conformidade das coisas é mais facilmente percebida e de solução mais simples. Quando se trata de pessoas, a equação é bem mais complicada. Cada pessoa é singular no que se refere aos seus sentimentos, seu capital cultural, seus valores, sonhos, aspirações, circunstâncias da vida e outros componentes. Quando elas se juntam, é preciso haver um tratamento sistêmico dessas variáveis envolvendo essas pessoas, minimizando as contraposições, construindo um alinhamento maior para se cumprir o propósito organizacional e sedimentar uma identidade institucional, quando o desenvolvimento humano é fundamental.

Neste livro, a autora relata os procedimentos e ações em desenvolvimento educacional e humano conduzidos no ITA, sob a sua liderança, e cujos resultados foram auspiciosos.

Aproveito este espaço para fazer uma homenagem ao ITA que eu vivenciei: lá eu pude constatar que não se faz algo especial com gente comum. O ITA dispunha de uma conjunção ímpar de funcionários, professores, militares e alunos aos quais, além das qualidades técnicas, sobravam qualidades humanas, o que certamente o caracteriza.

Fica em mim a alegria de ter feito parte.

Prof. Dr. Jair Cândido de Melo

Ex-Reitor do ITA, atual Reitor da UNIVAP

ITA

FORMAÇÃO HUMANA

em ENGENHARIA e INOVAÇÃO

Este livro descreve e discute as características e o sentido do chamado Modelo Iteano de ensino/pesquisa/gestão em Engenharia avançada, uma cultura em pleno vigor ontem e na atualidade, isso durante o período no qual foi realizado, sob coordenação da autora, um programa de desenvolvimento organizacional no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em intenso compartilhamento.

Discute-se aqui o que foi investigado com dedicação: os desafios de uma ação administrativa cujas expectativas extrapolam objetivos técnicos, tecnológicos e científicos, considerando o convívio com os membros da Casa, revelando-se o que se pode denominar de formação humana de seus profissionais "high tech".

A metodologia qualitativa, com alguns subsídios quantitativos envolvidos nas estratégias do DO, em articulação com uma abordagem fenomenológica, embasam e alargam as reflexões, abrindo novas perspectivas tanto para pesquisa em educação-administração quanto para o DO sob um olhar filosófico exigido pelo chamado Espírito Iteano.

A preocupação Institucional com as consequências da formação profissional sobre a sociedade orienta a retomada da discussão deweyniana a respeito de resultados e consequências na experiência humana, especialmente a partir da postura de seu ex-aluno Anísio Teixeira, um dos eméritos nomes em Educação no Brasil. Além disso, a preocupação fenomenológica com a legitimação no mundo da vida estimula a busca por um diálogo entre a filosofia fenomenológica, primordialmente de Merleau-Ponty, mas também, por meio de O Discurso da Ação de Ricoeur, e, ainda, do ponto de vista de Muniz de Rezende, além de frequentes buscas em obras fundamentais à filosofia fenomenológica bem como à filosofia da experiência, mais do que uma base teórica em administração e gestão incluindo educação, a partir de autores nacionais e estrangeiros experts na área. Esse diálogo possibilitou uma revisão teórica na ação administrativa, baseada na postura do agente, a qual é fundamental para enfrentar os desafios da administração da educação em Engenharia e Inovação, sempre que a formação humana for considerada vital como no ITA, devido à sua postura denominada disciplina consciente.

A autora.

SUMÁRIO

CAPÍTULO I

A GESTÃO PRÉ-OCUPADA COM A FORMAÇÃO HUMANA

1.1.Reflexões iniciais 

1.2. Objetivos da Pesquisa que Possibilitou este Livro 

1.3. Questões em Discussão 

1.4. Caminhos Definidos 

1.4.1. Passos da pesquisa 

1.5 Modelo Iteano? 

CAPÍTULO II

ITA EM FOCO

2.1 Introdução 

2.2.Primeiros Passos: O Instituto Tecnológico de Aeronáutica – Objeto de Ação Reflexiva. 

2.3. Cursos de Graduação ITA (1990) 

2.3.1. Pós-graduação do ITA (1990) 

2.3.2. Pós-Graduação do ITA – Cursos 

2.3.3. O Centro Técnico Aeroespacial 

2.4. Ideia do ITA e sua criação 

CAPÍTULO III

DESAFIOS METODOLÓGICOS DAS POSSIBILIDADES DO DESENVOLVIMENTO

ORGANIZACIONAL – A SISTEMÁTICA DA AVALIAÇÃO DAS DISCIPLINAS E DO DESEMPENHO

DO PROFESSOR, TAMBÉM PELO ALUNO COMO ESTRATÉGIA DE PESQUISA

3.1. Como foi administrada a pesquisa qualitativa-quantitativa no instituto, sistemática de avaliação da disciplina e do desempenho do professor pelo aluno 

3.2.O que foi discutido na sistemática de avaliação – resumo 

3.2.1. A preocupação iteana com a relação teoria e prática aparece orientada para o que a fenomenologia assume 

3.3. Um instituto misturado no mundo 

3.4. Modelo iteano e cultura do instituto– as características que o DO apreendeu 

3.5. O ITA, Organização ou Instituição – o que disse o DO 

3.5.1. Os resultados do uso do referido referencial teórico foram os seguintes 

3.5.2. Implicações de considerar-se o ITA uma instituição 

CAPÍTULO IV

4.DESCRIÇÃO DO DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL NO INSTITUTO

4.1.Pressupostos básicos 

4.2. Teoria na prática 

4.2.1. Instrumento diagnóstico 

4.3.O aconselhamento iteano – uma tradição 

4.3.1. Introdução 

4.3.2. Descrição 

4.3.2.1. No sentido da formação humana 

4.3.2.1.1. Alunos e ex-Alunos 

4.4.A opção pela troca de experiências no DO 

4.4.1. Reações e adesões ao DO 

4.4.1.1. Reações – as exceções no ensino e no aconselhamento 

4.4.1.2. Breve comentário adicional sobre troca de experiências 

4.4.2. Dois momentos de um caso de desarticulação 

4.4.3. Reações isoladas – depoimentos escritos 

4.5.Adesões 

4.5.1. Pessoal docente 

4.5.2. Pessoal não docente

4.6.Expectativas, Buscas e Opiniões Sobre a Coordenação do DO 

4.6.1. Os profissionais 

4.6.2. Os alunos 

4.7. Personalidade, quem é quem? Pelo menos uma amostra 

4.8. Experiências e Vivências Iteanas – Comissões, Trote, Clima, Tensão e Tempo 

4.8.1. A confiabilidade das comissões 

4.8.2. Assiduidade e pontualidade – quando? 

4.9. O trote – uma tradição e um desafio a administrar 

4.10. Clima Institucional 

4.11. Emprego de referência do DO no Instituto: a questão do Perfil Negativo do Professor e a questão do clima de tensão 

4.11.1. Ainda sobre o clima de tensão 

4.11.2. Tempo: limitação e tensão 

CAPÍTULO V

PODER NA GESTÃO PELA FORMAÇÃO HUMANA HIGH TECH

5.1. Características, manifestações e possibilidades no DO: teoria e prática 

5.1.1 Diálogo teoria e prática 

5.1.2 Estratégia política– um poder e um saber 

5.1.3 Poder – um esboço de revisão 

5.1.4 Um poder mais compreensivo 

CAPÍTULO VI

FILOSOFIA FENOMENOLÓGICA? SIM E CONVIVIDA

6.1. O culturalismo norte-americano e Merleau-Ponty 

6.2 A relação sujeito-objeto, corpo-próprio e sinergia 

6.3 Teleologia 

6.4. O hábito 

6.5. A questão do outro e Deus 

6.6. A liberdade segundo as duas posturas filosóficas enfocadas 

6.7. Filosofia e ciência 

6.8. Considerações sobre o diálogo 

CAPÍTULO VII

RETOMADA DO CASO DO ITA COM O DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL – DO

7.1. O visar dos ex-alunos – valores nas recordações e recomendações

7.1.1. A vivência do agir sobre as expectativas 

7.1.1.1.Origem do Sábado, o momento da survey

7.1.1.2. Retomando os resultados 

7.1.1.3. Questões de resposta livre –sentido 

7.1.1.3.1. Depoimento de ex-alunos que participaram de criação de empresa e de funções no Casd, recomendando,

sugerindo, esperando 

7.1.1.3.1.1.Instituto 

7.1.1.3.1.2. País 

7.1.1.3.1.3. Mundo 

7.1.1.4. Formação Humana 

7.1.1.5. Os valores das recordações 

7.1.1.6. Casd e AAAITA (Atualmente AEITA) – manifestações da presença iteana 

7.1.1.6.1. A Rusd, uma permanente conquista 

7.1.2. Os valores nas recomendações 

7.1.3 A quem deveria servir o ITA 

7.1.4 Movimentos de apreensão da disciplina consciente, como experiência e vivência – a hierarquia da disciplina

consciente nos valores da cultura iteana e a formulação do conceito. 

7.1.5 Em busca da autenticidade 

7.1.6 A presença do Modelo Iteano é a disciplina consciente 

7.2 Transcorridas duas décadas e meia, os mesmos questionários foram redistribuídos aos iteanos, ex-alunos,

aleatoriamente 

7.2.1 Novas expectativas de coerência 

7.2.1.1 Hierarquia dos valores fundamentais dos ex-alunos 

7.3 Mensagens de ex-alunos ao Instituto e aos iteanos em 2016 

7.4 Inclusão de depoimento especial 

7.5 ITA – uma percepção pessoal 

7.5.1 O que se pode depreender do depoimento 

7.6 AEITA, nas palavras de seu atual presidente 

7.7 Um depoimento muito especial 

7.7.1. Uma instituição diferente 

7.8 Uma trajetória de revisão do DO: o enredamento com a pesquisa 

7.8.1 Participação e prática 

CAPÍTULO VIII

A BUSCA DO SENTIDO DA EXPERIÊNCIA ITEANA– POSSIBILIDADES PARA O

DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL, DO: TEORIA E PRÁTICA

8.1. Considerações Preliminares 

8.2. As possibilidades de administração científica com o DO 

8.3. A questão das instâncias – novas possibilidades ao DO 

8.4. O DO como possibilidade de pesquisa – considerações sobre abordagem fenomenológica quanto ao rigor, com alguma ousadia 

8.5. Algumas conclusões metodológicas 

8.6.O Sentido de ser iteano – a disciplina consciente instituinte do Modelo, seu Espírito e Caráter 

8.6.1. Ser iteano 

8.6.2.O fenômeno da disciplina consciente 

8.6.3 O Modelo Iteano é um Espírito? 

8.6.4.O caráter da instituição iteana – suas manifestações 

8.6.5 Continuando a questionar 

8.7. O que possibilitou a abordagem fenomenológica 

CAPÍTULO IX

AMPLIANDO AS FRONTEIRAS DE INVESTIGAÇÃO NO ITA– TENDÊNCIAS NA FORMAÇÃO, NA DEMANDA DE RECURSOS HUMANOS PARA ENGENHARIA EM TECNOLOGIA AVANÇADA

9.1. Tendências na formação e demanda de recursos humanos em tecnologia avançada no primeiro mundo 

9.1.1. Inventário 216

9.1.2. Alternativas em andamento– apresentação de algumas alternativas, para a formação e o desenvolvimento desses

recursos humanos, nas escolas de engenharia dos países enfocados 

9.2. Presença da postura high tech no País 

9.3.Reflexões sobre o inventário de tendências: dois grandes desafios da gestão em tecnologia avançada 

9.4.Desenvolvimento e a administração de pessoas e de grupos em tecnologia avançada– uma reflexão 

9.5.Considerações sobre as tendências e suas implicações 

9.6.Mantendo o fio condutor ao final desta reflexão 

CAPÍTULO X

CONSIDERAÇÔES FINAIS

Referências

Apêndices

CAPÍTULO I

A GESTÃO PRÉ-OCUPADA¹ COM A FORMAÇÃO HUMANA

1.1.Reflexões iniciais

A grandiosidade da tarefa que teóricos, mestres e administradores vêm enfrentando diante da questão da formação humana de engenheiros voltados à inovação é correspondente à atmosfera de perplexidade que a envolve.

A busca pertinaz por desenvolvimento humano, as aspirações sociais mais elevadas e as ações mais nobres pelo bem comum convivem com a degradação, com a destruição mesmo da humanidade.

A tecnologia, com seu dinamismo explosivo, é um fato concreto, cujos produtos e processos tanto vêm se demonstrado vitais quanto fatais. Basta estar vivo para constatar que a preocupação com a formação humana dos envolvidos em tecnologia e inovação é plenamente justificável. Mas é preciso vivência nesse contexto para perceber os desafios que a sua gestão implica.

A ação do educador passa a exigir a abrangência, o dinamismo e a complexidade de níveis de atuação que Durmeval Trigueiro sugere: [...] atravessar a espessura da contingência, para superar, depois, a realidade constituída².

A ação educadora na ação administrativa passa a enfrentar o desafio do desenvolvimento de uma relação, não apenas moral, mas ética, baseada na verdade, na justiça e no amor.³

A preocupação com a formação humana dos chamados profissionais "high tech" nos países industrializados é muito semelhante àquela que aparece na Engenharia e Inovação no contexto brasileiro do ITA.

É um colocar a luz necessária sobre a responsabilidade daqueles envolvidos com conhecimentos para formulação e possibilidade de produção de teorias e produtos de alta complexidade e alcance econômico, político e social das nações no mundo.

As similitudes entre os mais distantes países surgem tanto no sentido dessas preocupações, em direção à responsabilidade social dos engenheiros, quanto nas reações a essas preocupações, como em empenho em pesquisa, em educação e em treinamento, quanto aparecem, ainda, relacionadas ao estágio nebuloso no qual permanece a formulação do problema que nutre essas preocupações.

Já no início desta conversa, é oportuno deixar mais claro o que se quer dizer com preocupação, uma vez que neste estudo se assume uma postura fenomenológica que nasceu com Husserl para alertar sobre a significância do mundo da vida, o leabenswelt, que na verdade, é esse nosso mundo do cotidiano de cada um e de todos, do candidato a engenheiro até os pesquisadores renomados, os industriais mais reconhecidos, os governantes mais respeitados. Um mundo nosso, óbvio e ao mesmo tempo complexo, que nos desafia a cada momento, em especial, quanto ao nosso caráter diante de nós mesmos e do outro também, parte da humanidade, uma realidade que esquecemos frequentemente com nossas fraquezas como o alheamento e o egocentrismo.

Preocupação, para a fenomenologia, não se limita à perplexidade diante deste mundo complexo e desafiador em que vivemos. Preocupação passa a ser, também, pré-ocupação, a necessidade de cada um ocupar-se do pré em lugar de meramente deixar acontecer. Assumir a pré-ocupação é inerente à postura ética humana, é na verdade, o ato de assumir a própria humanidade que nos é essencial. É essa ação consequente e responsável o que se busca tornar presente nas organizações ao pré-ocupar-se com a formação humana⁴ que este livro aborda na vida de uma organização buscando inovação: o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA.

Deixando de lado diferenças culturais e disparidades de recursos entre países de primeiro e de terceiro mundo, evidenciam-se, por um lado, semelhanças nas iniciativas para minimizar essas preocupações, por outro, semelhanças também na percepção da fragilidade dessas iniciativas diante da grandiosidade dos desafios que a formação vem representando nesse contexto, em qualquer lugar.

No caso de iniciativas, escolas de engenharia realizam complementações curriculares, atividades extracurriculares, estágios, visitas e palestras; as empresas investem em centros e programas de treinamento, estágios e desenvolvimento de recursos humanos; as universidades vêm desenvolvendo estudos sobre perfil do engenheiro, perspectivas e demanda de mão de obra para a estreia do milênio, habilidades gerenciais, avaliação de desempenho, competências extrapolando conhecimento e técnica, alcançando o emocional para e tentado [...] encontrar a ética nas organizações⁵, apenas dar-se aqui uma ideia geral desses esforços.

Quando se trata da classificação e da delimitação do problema da formação humana, as semelhanças são ainda maiores, estando relacionadas: às necessidades de analisar as possibilidades da teoria disponível para aplicação prática, à carência de estudos que apresentem as dificuldades como elas aparecem na realidade correta; e à escassez de propostas de revisão teórica para enfrentar essa problemática no ensino e na prática da gestão. Isso se agiganta no contexto "high tech", como prenunciava Dewey⁶ em sua farta e consistente obra literária, cujos princípios fundamentais foram simultaneamente praticados.

O estudo dessa cultura busca algumas contribuições para esses três pontos citados, por considerá-los fundamentais: formação humana e 1. necessidade de análise de possibilidades, 2. fundamentos para aplicação à prática, 3. desafios próprios do contexto envolvendo inovação como, resumidamente,

a. conhecimento voltado ao técnico-científico aprimorado,

b. expectativas de resultados rápidos e precisos,

c. grau de exigência elevado quanto à busca por inovação.

Essas dificuldades preocupantes, embora estimulem reações em busca de inovação para administrar problemas, como previu Ramos⁷, também representam o risco de opções como o gerencialismo que Silva⁸ denuncia, indicando bibliografia a respeito. Implica a alternativa que reduz a solução de complexas questões da formação humana a procedimentos, fórmulas e técnicas, o que, além de gerar sequelas graves às pessoas e assuas organizações, torna o próprio problema ainda mais confuso.

Com essa finalidade, a realizada pesquisa apresenta-se como esforço de aplicação à realidade concreta, nesse contexto de tecnologia avançada, optando pela Teoria do desenvolvimento organizacional, respeitando o empenho de Warren Bennis, da University of Southern California, suas formulações e achados, reconhecendo possíveis limitações. Neste ponto, uma tentativa de abordagem fenomenológica propõe uma revisão teórica à questão da ação administrativa e do agente na gestão da formação humana, a partir do DO, sempre partindo do vivenciado, na expectativa de poder contribuir para a prática no mundo da vida de todos os envolvidos no caso: alunos, professores, administradores e entornos. E quando se fala desse contexto, no Brasil, é importante perceber sobre indústria aeroespacial, na qual a Embraer está incluída, que, no anos de 1987, aquela empresa já mantinha cerca de 350 diferentes fornecedores para seu produto final, dada à complexidade de uma aeronave, envolvendo cada especialidade do ITA, como Eletrônica, Mecânica, Aeronáutica, contado com a infraestrutura aeroportuária, além de uma variedade de materiais e produtos têxteis, metalúrgicos, siderúrgicos, mecânicos, sistemas, dentre tantos que também movimentavam grandes indústrias.

A atenta, discutida e compartilhada leitura da realidade revela que a preocupação com a questão da formação humana, mostra-se como uma tradição do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) desde sua fundação e está presente nas ideias e nas práxis institucionais em busca do desenvolvimento de responsabilidade individual e social em seus engenheiros. Essa aspiração norteia o chamado Modelo Iteano, a designação mais comumente empregada pela população institucional para sintetizar um complexo articulado de ideais, experiências, valores, práticas, posturas e expectativas que distinguem aquela instituição, na busca pela excelência em suas atividades acadêmicas, voltadas ao setor aeroespacial e marcadas pela permanente preocupação com a formação humana que é descrita como disciplina consciente.

Neste ponto, é oportuno lembrar a leitura que Ostrom, Poteete e Janseen¹⁰ fazem de instituição: um conjunto de regras, não somente formais como informais, reconhecidas em uma instituição e que move suas pessoas no sentido do que deve ser acionado ou evitado pelos que dela fazem parte. Logo, não ficariam limitadas à legislação, mas incluiriam costumes e, muito especialmente, valores. Os autores, em especial a autora na primeira obra de 2000, considera essa cultura muito característica das instituições latino-americanas, logo seriam interessantes de serem consideradas no caso do ITA.

Neste ponto, é inevitável perceber-se a relação com o fator econômico dessa interação ampla e complexa no sentido do desenvolvimento. Diante desse panorama, Lunvall¹¹, em um estudo de 2005, alerta para seguinte questão:

Em termos econômicos, desenvolvimento depende de mudança técnica e organizacional, trazida por continuados processos de inovação. Inovações introduzem conhecimento técnico e organizacional na economia. Nós podemos entendê-los como resultados de aprendizagem contribuindo para remover falta de liberdades como ignorância, ausência de oportunidades de aprendizagem e de oportunidades econômicas e interpretá-las, reconhecê-las como contribuindo para liberdades substantivas como capacidade para trabalhar, comunicar, aprender e participar democraticamente dos processos políticos. Elas são importantes meios no processo de desenvolvimento. A capacidade de aprender é, pois, um dos mais importantes meios no processo de desenvolvimento. Ela não somente tem um papel instrumental no desenvolvimento, mas também, sob certas circunstâncias, valor substantivo. Quando aprendizagem toma um certo caminho que reforça a capacidade dos indivíduo e coletividades para utilizar e coexistir com seu ambiente, contribui diretamente para o bem estar humano. Além disso, estar apto a participar em aprendizagem e inovação no ambiente de trabalho, pode ser visto como algo bom, contribuindo para um sentimento de pertencimento e significância.

Esse estudo também confirma que o ITA inovou, porém, segundo sua própria cultura, com essa preocupação muito antiga e não estando isolado atualmente com ela. Além de evocar a expectativa já encontrada, por exemplo, em Benjamin Franklin, para a postura dos antigos "colleges das denominações religiosas, em busca da retidão de caráter que permitiria a aplicação do conhecimento técnico-científico ao bem comum, a preocupação hoje, com a formação humana dos high tech professionals" nos países industrializados¹² é a mesma que, felizmente, inúmeras instituições manifestam, das mais diversas formas e situações, neste país.

Neste ponto, vale retomar, na civilização grega, a questão do ethos-caráter: o que é característico ao que é próprio de oque é, na verdade, singular e único a algo ou alguém, o que não generaliza, singulariza, refere-se ao que é próprio. Trata-se de uma disponibilidade de pensar e agir à luz desse ser mais próprio de cada situação e de cada comportamento. Além disso, equivale a dizer-se que, tanto a singularidade só tem sentido no todo, quanto o todo só é possível com a singularidade. O fato de estar situado no mundo em um espaço bem definido em uma totalidade, conforme o saber fenomenológico, nesse situar-se na totalidade histórica, esse ser singular não se vê somente como o que participa de momento político ou cultural, ele se compreende como pertencente mesmo à história da humanidade em dimensão cósmica. Ser e mundo são mutuamente constitutivos, enquanto o estatuto do corpo-próprio, estatuto da fenomenologia, possibilita o dever ser como respeito à humanidade no tempo, manifestando, assim, o caráter, a singularidade do agente permanentemente, pois ser e passar são a mesma coisa.¹³

A leitura convivida do ITA com os iteanos descreve os passos do desenvolvimento da questão da formação humana como um movimento em aberto, passando do âmbito restrito à educação para incluir, também, o problema da gestão. A complexidade e a extensão dessa gestão, exigindo uma abordagem educacional à administração, passou a constituir o objeto central do estudo que resultou neste livro.

Neste ponto da discussão é importante alertar-se para o fato de que, em relação à realidade iteana, cabe focar, ainda que brevemente, a questão do currículo situado que Gherardi et al.¹⁴ constroem, referindo-se à Lave e Wenger¹⁵ que o considera um conjunto de oportunidades disponíveis aos ingressantes em uma comunidade específica, situada no interior de uma organização também específica e que é, na verdade, um processo de socialização. Nesses termos, pois, a questão da disciplina consciente, em especial, cabe em relação tanto aos novos professores quanto aos novos alunos ingressantes no ITA. É possível perceber-se, pois, que de acordo com Schommer¹⁶, aprendizagem social é aquela que ocorre a partir das interações entre os indivíduos, diferenciando-se da aprendizagem cognitiva, a que ocorre na mente do indivíduo, individualmente.

Porém não seria verdadeiro dizer-se que o rumo da pesquisa formal que fundamenta este livro tenha sido traçado "a priori" como elaboração intelectual distinta da vivência da pesquisadora. Em relação ao Instituto de Engenharia enfocado e às preocupações de sua população com a formação humana, tratou-se de um convívio intenso, de uma sintonia, de uma profunda afinidade, de uma necessidade de um terreno originário comum, daquilo que um dos professores bem-humoradamente chamou de um caso de amor com o Instituto, mais do que de uma mera decisão intelectual para a pesquisa, na verdade, tratou-se de uma intensa e autêntica interação. Pode ter ocorrido o que Merleau-Ponty¹⁷ chama de decisões secretas, reforçando a motivação prévia.

Neste ponto, alguns conceitos da fenomenologia começam a emergir mais claramente dessa realidade cultural, pois essa motivação antecipada, não se caracteriza simplesmente pela busca do novo, mas pelo que a terminologia da fenomenologia chama de pré-ocupação bem como emprega o conceito de sentido, nos seguintes termos: para onde essa pré-ocupação estaria orientada? No caso da disciplina consciente, um ícone na população iteana, está longe de resumir-se a uma tradição, em que pese sua respeitabilidade semelhante a algo sagrado. A DC não está fechada em um passado venerado no presente, porque é viva, daí sua constituição cultural, refazendo-se, revigorando-se e inerente a uma busca permanente, não somente como expectativa dos iteanos por um estilo de vida de autorrespeito e respeito ao outro, mas um conquistar-se no presente e no sentido do futuro, para si e para o outro, em busca da essencialidade do humano do ser. Este ponto leva a perceber-se aí a compreensão fenomenológica de que ser e passar seja a mesma coisa.

Após o caso descrito e discutido, essa questão aparecerá como metodológica, possibilitando perceber como age o pesquisador com o método fenomenológico que é, na verdade uma postura. Isso, porém, ao leitor acadêmico que bem mais adiante no livro poderá debruçar-se sobre a postura permanentemente perseguida durante o desenvolvimento organizacional, no sentido de ir questionando à medida que o questionamento ia acontecendo e, simultaneamente, parecendo necessário, é o que a fenomenologia chamaria de intuição e, isso possibilitou uma abordagem fenomenológica à pesquisa que embasa este livro. Para Merleau-Ponty, "A forma de questionar prescreve certo tipo de resposta e fixá-la agora, seria decidir da solução"¹⁸.

Por esta razão a Fenomenologia reage à expressão método, por não ser um caminho a ser seguido, preferindo a expressão abordagem fenomenológica, uma vez que é um inserir-se no movimento do acontecer, daí a necessidade de vivenciar, e não apenas observar. Além da postura do pesquisador, esse modo de pesquisar também é um movimento que não se vale de pré-elaboração científica, mas de uma pré-ocupação filosófica, de questões originadas no convívio¹⁹.

Quanto ao desenvolvimento do estudo, a realidade concreta, a cultura, as aspirações, as angústias e as expectativas do grupo institucional, nos quais a pesquisadora reconheceu o seu próprio visar ao mundo, foram imprimindo um ritmo intenso e uma longa trajetória metodológica.

O sentido desta jornada foi o de uma preocupação em comum com o impacto do mundo que não é fantasiosamente lá fora, pois nele se está inserido e nesse sentido Gouldner em sua vasta e polêmica obra discutindo posturas em Sociologia, reflete sobre trabalho, tecnologia, valores, e outras tantas questões sempre atuais, complexas e crítica, já em 1954, quando em dado momento questiona-se: quem sabe, estaria faltando valores ao poder e poder aos valores.

Sua obra é amplamente discutida, por isso, abre-se aqui um parêntese para uma sugestão de leitura aos que desejarem aproximar-se do que Gouldner produziu, recorrendo-se ao estudo do sociólogo Chriss²⁰, pelo fato desse seu artigo ter obtido consistência diante do desafio da amplitude do trabalho de Gouldner.

1.2. Objetivos da Pesquisa que Possibilitou este Livro

O livro revela uma busca por subsídios para enfrentar os desafios da gestão da formação humana em tecnologia avançada, apreendidos nesse contexto, na expectativa de que candidatos aos cursos de engenharia aeronáutica, alunos, professores, gestores e profissionais de apoio, bem como gestores de RH do setor aeroespacial encontrem algum subsídio para reflexão e ação no sentido de que a esperada formação aprimorada dos engenheiros da área, cubra uma formação humana que os apoie em suas justas aspirações como pessoas/profissionais, conscientes de suas possibilidades e consequentes responsabilidade e valia, como cidadãos do mundo.

Para este fim, são consideradas:

1. Uma experiência de desenvolvimento organizacional realizada no ITA;

2. As características e o sentido do chamado Modelo Iteano e a maneira daquela comunidade visar o mundo;

3. As tendências da formação e da demanda dos chamados profissionais "high tech", nos países industrializados.

A partir dessas considerações, no capítulo mais direcionado aos pesquisadores, fundamentos de filosofia da experiência e da filosofia fenomenológica são retomados num diálogo em direção ao foco da tese que resultou neste livro: uma proposta de revisão paradigmática e a construção de uma postura fenomenológica no desenvolvimento organizacional, DO, quanto à ação administrativa e ao agente, configurando padrões de uma democracia do humano para a gestão. Isso, além de uma discussão de referenciais teóricos que poderão interessar pesquisadores.

1.3. Questões em Discussão

1. Quais as implicações da cultura iteana para a formação humana de sua população, especialmente quanto as suas expectativas sobre a ação administrativa?

2. Quais as possibilidades e as limitações da Teoria do desenvolvimento organizacional para administrar as tensões percebidas entre ação administrativa, expectativas da população iteana, com suas tendências à autogestão e à liberdade, em possível contraste com suas necessidades de compartilhamento em busca da excelência para o bem comum?

3. De que forma o Modelo Iteano poderá contribuir para a revisão paradigmática de uma abordagem educacional à gestão?

4. Quais as possíveis contribuições de uma postura educacional fundada na filosofia da experiência e na filosofia fenomenológica para a gestão da formação humana no contexto "high tech"?

5. O que estaria faltando ao DO para enfrentar a gestão da formação humana, apesar de sua proposta multidisciplinar e multidimensional de administração? Saber ou Sentido?

1.4. Caminhos Definidos

1.4.1. Passos da pesquisa

Durante mais de seis anos de atividades profissionais no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), realizando um trabalho de desenvolvimento organizacional, foi sendo levantado material quantitativo e, também, desvelado o qualitativo, individual e participativamente com os sujeitos (alunos, professores, conselheiros, administradores e ex-alunos, quer individualmente quer em colegiados e comissões), buscando explicitar o chamado Modelo Iteano.

Desvelamento corresponde, nesta pesquisa, não ao que é buscado distante a ser apreendido em procedimento metodológico e científico tradicional, mas ao desencobrir-se algo que está já aí, mas que não se mostra por si mesmo, na expressão fenomenológica de Merleau-Ponty, um mostrado escondido, necessitando ser desvelado, como se fosse algo à nossa volta, porém encoberto como por uma cortina a ser removida.

A primeira etapa da investigação, de reconhecimento do Instituto e da construção do objetivo do estudo, revelou indícios de uma cultura organizacional em adiantado estágio de elaboração, na qual as tendências à autonomia, à liberdade e à autogestão já se apresentavam como desafios à educação e às ações administrativas, apesar das expectativas e do discurso dos sujeitos serem favoráveis ao compartilhamento e à responsabilidade social permanentemente em prática. Essas intenções caracterizam o conceito Iteano de disciplina consciente, um conjunto de valores institucionais bastante consistentes e ora manifestos, ora velados a desvelar como algo já aí, em práticas coerentes que singularizam a organização.

Uma segunda etapa do estudo buscou novas fontes de dados com ex-alunos e procurou analisar a eficácia do Modelo Iteano, investigando a permanência da sua experiência e espírito, entre os que deixaram a condição de alunos e/ou o Instituto ao término do ciclo previsto.

A análise preliminar do material obtido encontrou indícios do que pareceu manifestar-se como uma comunidade institucional, congregada por uma certa unidade cultural, na qual a disciplina consciente precisou ser melhor investigada, devido à sua recorrência nas falas e propósitos diante de possibilidade de ação.

Revelou, ainda, dinâmicas inter-relações entre os que entram e saem do Instituto, um movimento que contribuiu para singularizá-lo, indicando a necessidade de buscar, além dessa experiência, os seus fundamentos para renovar-se e revigorar-se sem desviar-se do rumo da disciplina consciente, com sua base de responsabilidade individual na liberdade do convívio em comum em termos de aspirações e empenho por qualidade, competência, realizações individuais buscadas na Casa, em decorrência de sua tradicional e viva respeitabilidade.

Essa segunda etapa do estudo, na referida tese, permitiu visualizar o ITA não apenas como uma organização, mas como uma instituição dinâmica e aberta, empenhada na formação humana que passou a aparecer como uma questão ambígua, isto é: um reconhecido sucesso e um desafio ameaçador à sobrevivência do Modelo.

Essas duas etapas iniciais da investigação estimularam uma terceira, devido à percepção da possibilidade de situar a cultura iteana no panorama internacional dos chamados profissionais "high tech" à época²¹. Para esse fim, foram levantadas tendências dessa cultura internacional, sobre a qual o lançamento de um primeiro olhar possibilitou perceber pontos de contato com a cultura e o espírito Iteano. Essas sintonias foram percebidas nos valores como liberdade e autogestão, mas, principalmente, devido à preocupação e ao empenho com a formação humana dos engenheiros, na verdade devido ao que em linguagem filosófica fenomenológica se chamaria pré-ocupação.

Essa pré-ocupação, esse empenho, aparece como um sentido comum que circula tanto neste país quanto no exterior, estimulando a preparação para uma abordagem fenomenológica que pudesse partir da experiência descrita para apreender os seus fundamentos, o terreno originário comum que tornou essas experiências possíveis.

O andamento dos trabalhos de desenvolvimento organizacional (DO)²², no Instituto e a análise dos dados de cada etapa, discutidos com os sujeitos, contribuíram para realizar um movimento gradual de ampliação do foco da problemática da formação humana em tecnologia avançada. De uma situação de circunscrição a questões curriculares, didático-pedagógicas e de relacionamento humano entre professores, alunos, conselheiros e administradores. A problemática da formação humana começou a configurar mais claramente um problema de gestão.

A trajetória de investigação e as discussões participantes sobre o material apreendido chegou, por aproximações sucessivas, à construção do problema do estudo e à constituição do objeto da referida tese que embasa este livro. Conforme explicitado, os desafios da gestão da formação humana em tecnologia avançada são discutidos a partir de uma investigação quanto à experiência iteana, articulando à pesquisa quantitativa-qualitativa, iniciada com o DO, uma abordagem fenomenológica que busca a origem, os fundamentos das preocupações e dos desafios enfocados. Essa ampliação do estudo permitiu abordar as limitações encontradas na teoria do DO ao enfrentar uma gestão empenhada na formação humana, na prática, diante das tendências à liberdade e à autogestão. Essa última abordagem, correspondente à segunda fase deste estudo, constituiu um capítulo de revisão da ação administrativa e do agente, a partir do DO como teoria e prática.

A pesquisa apresenta-se como o pano de fundo no qual se destaca a experiência iteana, em que as vivências são apreendidas com a abordagem fenomenológica, em busca do sentido, isto é, dos rumos, da orientação, das rotas percorridas pelo chamado Modelo Iteano, isto é: o empenho em procurar perceber para onde esse fenômeno de gestão e autogestão estaria orientado quanto à cultura, com sua moral própria, bem como em relação à questão ética, mais profunda e abrangente por relacionar-se à humanidade do Ser. Além disso, os fundamentos da filosofia fenomenológica de Merleau-Ponty e de Paul Ricoeur possibilitaram um novo esforço para ampliar o estudo da ação administrativa e do agente, com o estatuto fenomenológico do corpo-próprio que é o enredamento homem-mundo nas palavras de Merleau-Ponty²³, com a compreensão do originário, do sujeito intersubjetivo e considerando ainda a intencionalidade operante, o saber e o poder fundantes, conceitos que vão sendo clarificados enquanto é discutida a realidade do caso nesta busca pelo chamado Espírito Iteano.

1.5 Modelo Iteano?

Falar sobre o ITA, com os iteanos, justificou-se tanto por razões teóricas quanto práticas. Além de revelar o fato da questão da formação humana em tecnologia avançada ainda não se constituir num problema bem-posto, a discussão contribuiu para a sua clarificação do chamado modelo institucional em sua dinâmica, não ficando limitado a sua história e tradições, mas abrangendo sua realidade na dinâmica convivida.

O complexo problema da formação humana de engenheiros aparece, em geral, ou reduzido a uma questão educacional ou abordado como um problema de

Você chegou ao final dessa amostra. Cadastre-se para ler mais!
Página 1 de 1

Análises

O que as pessoas acham de Ita

0
0 notas / 0 Análises
O que você achou?
Nota: 0 de 5 estrelas

Avaliações do leitor