Aproveite milhões de eBooks, audiolivros, revistas e muito mais

Apenas $11.99 por mês após o período de teste gratuito. Cancele quando quiser.

Liga, roda, clica: Estudos em mídia, cultura e infância

Liga, roda, clica: Estudos em mídia, cultura e infância

Ler a amostra

Liga, roda, clica: Estudos em mídia, cultura e infância

Duração:
258 páginas
3 horas
Lançados:
7 de jan. de 2014
ISBN:
9788530810276
Formato:
Livro

Descrição

A velocidade das mudanças nos processos e nas tecnologias de comunicação, assim como na subjetividade e na cultura contemporâneas, acarreta desafios tão grandes para quem trabalha com crianças que é frequente um sentimento de vertigem e desorientação, particularmente entre professores. Esse livro leva em conta esse sentimento, reunindo artigos de pesquisadores que há muitos anos investigam possibilidades de crítica e também de construção de alternativas para o campo de cruzamentos entre educação, infância, cultura e comunicação.
Entre os temas desenvolvidos estão o papel da memória e das mediações na experiência das crianças com a mídia, a importância da produção cultural infantil nas novas linguagens e a mídia-educação na formação de crianças, jovens e professores. Esses estudos buscam contribuir para uma indispensável redefinição das ideias que temos de escola e de cidadania, e para uma ação educativa e cultural sintonizada com as necessidades das crianças de hoje. - Papirus Editora
Lançados:
7 de jan. de 2014
ISBN:
9788530810276
Formato:
Livro

Sobre o autor


Relacionado a Liga, roda, clica

Livros relacionados

Artigos relacionados

Amostra do livro

Liga, roda, clica - Monica Fantin

Girardello

1

ESTAÇÃO MEMÓRIA: NOVOS CAMINHOS DA MEDIAÇÃO E DA APROPRIAÇÃO CULTURAL

[*]

Edmir Perrotti

Coordeno um programa de pesquisas, na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), que estuda as relações entre a informação e a educação no mundo contemporâneo, em particular no Brasil. No quadro de tais trabalhos, nossa equipe se ocupa de diferentes questões inscritas na problemática da apropriação da informação, em especial aquelas relativas aos dispositivos informacionais e às aprendizagens socioculturais.

Tais questões foram por nós agrupadas em um campo científico e epistemológico que designamos infoeducação e que deu origem ao Centro de Pesquisas em Infoeducação, da ECA-USP. Ali, tratamos de modo sistemático e permanente tanto das novas questões culturais e educacionais colocadas pela emergência das chamadas sociedades da informação ou do conhecimento, como das tradicionais, redefinidas no contexto atual da globalização.

Nesse sentido, como projeto científico, interessa-nos, de um lado, compreender uma problemática e, de outro, atuar sobre ela, construindo referências teóricas e metodológicas, capazes de dar sustentação a ações educativas e socioculturais de nossa época.

Nossas questões de pesquisa são, em decorrência, vastas e variadas; por outro lado, são pesquisas emergentes, situadas na intersecção de diferentes ciências, em particular as da informação, da comunicação e da educação, bem como de diferentes saberes e fazeres teóricos e práticos. Interessa-nos, assim, uma gama múltipla de questões relacionadas aos processos de produção, distribuição e recepção das informações, em suas diferentes modalidades. Nesse sentido, vários estudos sobre a apropriação da escrita na sociedade brasileira já foram por nós realizados, assim como outros a respeito dos dispositivos institucionais, tecnológicos e cognitivos necessários ao acesso e à apropriação de informações nas sociedades atuais.

Essa diversidade de perspectivas e objetos próprios à infoeducação exige a constituição de equipes multifacetadas, que atuam segundo premissas da pesquisa colaborativa e que consistem na articulação de pesquisadores provenientes de diferentes formações acadêmicas, com profissionais do terreno. Nossas investigações, assim, tanto apresentam uma dimensão interdisciplinar, como injetam nesta uma outra categoria: a dos intersaberes e dos interfazeres. Desse modo, ainda que preservado em seus aspectos específicos e singulares, o conhecimento científico ilumina outras modalidades de conhecimento – e é iluminado por elas –, passando a ser visto não como saber superior aos demais, mas como modo distinto de olhar e nomear a realidade.

Os distintos pontos de vista implicados na metodologia colaborativa possuem, no entanto, um ponto de convergência comum: a problemática de apropriação simbólica, em suas dimensões socioculturais, tomada como objeto teórico do nosso programa de pesquisas. Da mesma forma, tal convergência se dá em torno de objetos empíricos precisos, ou seja, de dispositivos educativo-culturais voltados à participação cultural afirmativa, nas chamadas sociedades do conhecimento. Por outro lado, há, também, um objetivo comum que liga todos os projetos: o desenvolvimento de recursos de diferentes ordens que estimulem o protagonismo cultural na sociedade brasileira.

Fica bem evidente nessa formulação que nossa hipótese básica considera a existência de um intrincado e dinâmico quadro de mediações de todo tipo e natureza, atuando nas relações dos sujeitos com a cultura. Com base nesse princípio, essas relações não são jamais imediatas, naturais, espontâneas; elas são construídas no cotidiano, por meio de práticas e interações efetivas entre sujeitos e significados. Por outro lado, se as características e as composições particulares e específicas dos sujeitos e dos próprios objetos culturais desempenham um papel estruturante em nossas relações com a cultura, uma terceira categoria desempenha um papel de tipo idêntico: os dispositivos socioculturais, com suas configurações, suas linguagens, seus instrumentos, suas concepções, seus modos de ação e de articulação, suas histórias, seus objetivos e suas práticas. Como dizia Robert Escarpit (1975) a propósito da promoção da leitura, o leitor erudito não está jamais isolado – ele é sustentado por um circuito, um tecido de objetos e de relações socioculturais de que em geral o leitor de massa não dispõe. Diante disso, se o acesso à informação é condição necessária, ele não é condição suficiente para sua apropriação, para sua transformação em conhecimento e ferramenta efetiva de ação. A apropriação das informações é, sem dúvida alguma, produzida no interior de quadros que exigem vontade, interesse e ação dos indivíduos; ao mesmo tempo, porém, tal processo exige domínio de meios intelectuais e socioculturais complexos, envolvendo, especialmente em nossa época, além das ferramentas especiais que lhe são próprias, ações educacionais e culturais orgânicas e sistemáticas, compatíveis com tal complexidade. Mais que uma operação que se esgota na dimensão individual, apropriar-se da informação é, portanto, uma negociação mobilizadora de forças provenientes tanto de dimensões pessoais irredutíveis, como do jogo histórico-cultural amplo, que extrapola muito o universo de cada sujeito social, tomado isoladamente. É preciso, pois, agir sobre os dispositivos socioculturais, analisá-los, compreendê-los, criticá-los e reinventá-los para que novos atores possam se integrar aos circuitos culturais contemporâneos de modo afirmativo, sem subordinação e em condição de negociação autônoma de significações; é preciso definir um quadro de conhecimentos teóricos e práticos necessários às diferentes ações de mediação cultural preocupadas com a apropriação e a participação afirmativa de todos na educação e na cultura.

Nossos projetos têm, consequentemente, um objetivo abrangente, ao mesmo tempo em que buscam ser afirmativos diante das problemáticas da sociedade brasileira. De um lado, trata-se de compreender as condições socioculturais impostas pela globalização à apropriação da informação; de outro, ao mesmo tempo, trata-se de construir referências científicas indispensáveis aos projetos de inclusão e de participação de crianças e jovens na educação e na cultura em uma sociedade marcada por impressionantes desigualdades históricas.

Em tal contexto, cabia e era preciso pensar nos repertórios apresentados às crianças e aos jovens pelos dispositivos culturais contemporâneos, bem como no modo como tais repertórios são mostrados às novas gerações. Era necessária uma interrogação sobre as histórias contadas às crianças nos/pelos dispositivos culturais. Seguindo, contudo, as lições de Robert Escarpit, era preciso que tal interrogação não se dirigisse apenas aos objetos culturais desconectados da ordem histórico-cultural em que estão imersos. Ao contrário, era preciso vinculá-los aos fatos culturais, tomá-los em sua complexidade, integrar os processos de significação numa trama intrincada de elementos dinâmicos de diferentes naturezas.

Nesse sentido, nossas pesquisas trabalham com um modelo triangular de apropriação da informação, que articula num mesmo processo as esferas da produção, da mediação e da recepção cultural, sem contudo reduzir uma à outra e considerando suas especificidades e demandas particulares. Essa adoção pareceu-nos indispensável para escapar a certa espécie de naturalismo cultural que considera os processos de significação produzidos pelos sujeitos como um dom, uma operação cognitiva pura, mecânica, quase mágica; da mesma forma, permitiu-nos escapar ao essencialismo cultural que atribui aos objetos simbólicos sentidos intrínsecos, independentemente das mediações e dos sujeitos sociais. O modelo triangular (produção-mediação-apropriação), tomado em perspectiva dinâmica e articulada, permitiu-nos, assim, considerar em nossas análises tanto os objetos culturais e seus conteúdos, como as diferentes condições de sua recepção e os diferentes aspectos dos dispositivos de mediação sociocultural que agem nessas relações de produção e de recepção do discurso. Além disso, permitiu-nos articular diferentes interesses e pesquisas sobre, por exemplo, a literatura para crianças e jovens, as condições de leitura e apropriação social e individual dos textos, os novos conceitos de dispositivos educacionais e culturais, compatíveis com condições e necessidades sempre renovadas de desenvolvimento do protagonismo cultural como atitude de base diante do mundo histórico e social.

É, portanto, nesse quadro de preocupações gerais, que concebemos e lançamos a Estação Memória, voltada a crianças e jovens. Trata-se de um projeto de pesquisa científica e, ao mesmo tempo, da criação de um ambiente novo de informação e cultura, de caráter intergeracional, constituído por meio da coleta, da organização e da disseminação das experiências de vida de pessoas com 70 anos de idade ou mais, residentes no bairro de Pinheiros, onde se encontra a Biblioteca Álvaro Guerra, que acolhe o projeto. Instalada em cooperação com uma biblioteca municipal infantojuvenil, a Estação Memória, como laboratório de pesquisa e serviço público gratuito, é mantida pela Prefeitura de São Paulo.

Concebida como recurso de informação e de comunicação intergeracional, desde sua implantação, em 1997, a Estação trabalha na preparação de condições que tornem possível a comunicação direta e indireta entre crianças, jovens e pessoas de idade. As memórias dos idosos são, assim, coletadas, registradas, reelaboradas e disseminadas por meio de diferentes suportes e linguagens, como fitas cassetes, fotos, vídeos, CD-ROMs, textos manuscritos, textos eletrônicos, entre outros. São promovidos também encontros que reúnem as mais variadas idades para trocas de diferentes naturezas, como debates, passeios pelo centro histórico, realização de tarefas comuns, como a criação de um blog.[1]

A configuração da Estação Memória tem sido marcada por sua dupla função de laboratório científico e de serviço público de informação e cultura. De um lado, busca-se sistematizar as referências teóricas e práticas necessárias a sua criação e a seu desenvolvimento; de outro, procura-se realizar uma intervenção direta na cultura, ou seja, criar um ambiente intergeracional original e único, tanto no Brasil como no exterior, capaz de agir de modo afirmativo na crise da experiência de que nos fala Benjamin (1993). Em um mundo no qual o consumo se tornou critério privilegiado de organização social, a categoria da permanência é subestimada e ameaçada. Em decorrência disso, a memória, a história, a experiência tendem a ser consideradas somente em suas dimensões funcionais e econômicas. A globalização, nesse aspecto, tem maltratado a duração em todos os seus aspectos. Ela a quer enquadrada, subordinada à nova ordem do mundo transformado em um grande mercado. A memória nesse quadro tende a se objetivar, a se reduzir, a se transformar em produto vendável nos mais diversos formatos. Basta olhar como o turismo vende os sítios históricos a apressados viajantes para ter uma noção clara das transformações por que a memória vem passando em nosso mundo.

Se nossa época vem redefinindo, assim, nossas relações com a memória e a história, é preciso tanto compreender as novas definições quanto criar novos dispositivos responsáveis por sua produção, comunicação e conservação por meio de outras lógicas e de outros critérios. Nesse sentido, se o tempo e os espaços tradicionais das relações intergeracionais tornam-se cada vez mais raros e problemáticos, se os jovens, assim como os idosos, desconfiam dos discursos da experiência em face de outros discursos, se a própria experiência mudou de natureza e de estatuto histórico, é preciso rever essas condições, para que as novas gerações possam entrar em contato com a herança que lhes é devida, apossando-se dela, como condição indispensável aos processos de apropriação das informações em geral. Como notou J. Bruner (1997), apesar das inovações de todo tipo em nossa época, a narração da experiência – da sabedoria acumulada e refinada pelo tempo – continua sendo indispensável à sobrevivência individual e coletiva, à formação das novas gerações e à preparação do futuro. É preciso, portanto, trabalhar pela criação de espaços capazes de acolher essa espécie singular de memória social; é preciso permitir que as novas gerações entrem em contato sistemático, crítico e criativo com os repertórios de histórias vividas, a fim de alargá-los, recriá-los, refazê-los, articulando-os a outros conteúdos e modalidades culturais provindos de outras fontes. É preciso, pois, que as histórias procedentes de diferentes origens dialoguem, alimentem-se, afirmem-se e neguem-se, num processo fértil e dinâmico que enriquece nossa capacidade de compreensão e de construção de sentidos para o mundo.

Como por toda parte, a sociedade brasileira atual reorganiza sua ordem discursiva. As narrativas nascidas da experiência, em geral transmitidas em circuitos reduzidos, como, por exemplo, os domésticos, perdem espaço e quase sempre prestígio diante de outras manifestações discursivas produzidas e veiculadas nas mídias, nas universidades, nas escolas, nas bibliotecas, na internet. Desse modo, mesmo que tal processo seja talvez inevitável, não é inevitável aceitarmos que seja atribuída a esses enunciados organizacionais uma qualidade por princípio superior à dos enunciados experienciais, nem que estes sejam banidos de nossas instituições culturais. Se aceitarmos essa hierarquização abstrata, que está na base das culturas globais contemporâneas, correremos o risco de praticar todo tipo de exclusão discursiva, de legitimar, com nossas ações e nossas instituições mediadoras, o silêncio cultural como categoria constitutiva da vida social. Em um mundo em que a memória e o esquecimento são, cada vez mais, uma questão de mercado – este decide conteúdos, quem, como e com que meios contar a história aos jovens –, torna-se necessário criar alternativas discursivas que permitam às novas gerações ter acesso às histórias, aos discursos e aos saberes plurais, condição necessária à produção de conhecimento e cultura verdadeiramente ricos e significativos.

A Estação Memória é, portanto, um projeto que valoriza a polifonia cultural, a memória no plural como categorias constitutivas da construção da cultura e da história. Seu início deve-se às observações de uma senhora idosa, que encontramos um dia no bairro de Pinheiros, onde sempre viveu. A televisão mostrava naquele momento uma série sobre a constituição de São Paulo no início do século XX, momento em que a cidade deixa de ser uma simples encruzilhada entre o norte e o sul do país, para tornar-se o grande centro econômico, cultural e intelectual que é hoje. Se em 1900 São Paulo contava apenas com cerca de 200 mil habitantes, no momento da apresentação da série ela era o núcleo principal de uma aglomeração de quase 20 milhões de pessoas, fato que transformou a geografia cultural do Brasil e da América Latina.

Mesmo tendo participado dessa construção impressionante, apesar de gostar muito da série televisiva, a senhora não se sentia representada pela emissão. Em um tom melancólico, mas ao mesmo tempo crítico e afirmativo, ela nos disse mais ou menos isto:

São sempre as pessoas que viveram nas regiões nobres da cidade que contam a história. Nós que vivemos sempre aqui, nos banhados, às margens alagadas do rio Pinheiros, nos terrenos que valiam pouco, que plantamos as frutas, os legumes para alimentar a cidade, nós que crescemos e trabalhamos aqui, no Baixo Pinheiros, nunca contamos as nossas histórias para os outros. Trabalhamos muito, mas ficamos sempre em silêncio. Nós também construímos São Paulo, eu, meus irmãos, meus parentes e tantos outros, mas isso não é contado em lugar algum. Um dia vou escrever um livro.

Ao final, ficou a impressão de que a boa senhora estava brincando e que sabia que nunca escreveria o livro. Mas de qualquer maneira ela exprimia uma consciência aguda do drama que a maioria das pessoas de diferentes contextos vive hoje no Brasil: o silêncio cultural de que fala Freire (1982). Eu trabalho duro – ela dizia –, mas não tenho direito à palavra.

Em outros termos, a boa senhora lamentava que sua experiência e a do grupo com o qual conviveu durante toda a vida dura de trabalho estivessem condenadas ao esquecimento. A cidade, dizia ela, deixara-os para trás, preparando-lhes armadilhas implacáveis, dando continuidade à sina de seus pais, imigrantes pobres, ligados em geral à terra, expulsos, quase sempre por razões econômicas, de seu país de origem, situado na Europa, no Oriente Médio, na Ásia e em outros lugares. Dessa forma, à medida que a cidade se desenvolvia, que os modos de vida se alteravam, dispositivos tradicionais de produção e de transmissão da memória iam sendo deixados de lado, substituídos por outros incapazes de traduzir e de integrar a experiência desses segmentos ao patrimônio simbólico do país. Em consequência, assim como a maioria da população brasileira, a velha senhora, que havia participado da produção de uma cidade impressionante, estava sem ferramentas para contar sua versão dos fatos, para afirmar os valores de seu grupo de origem e enriquecer a cultura da cidade. Reduzida à condição de consumidora de discursos que a agradavam mas que não a representavam, a senhora resistia e aproveitava as tensões e descontinuidades existentes entre as ordens discursivas contemporâneas para lançar seu desafio: um dia, vou escrever um livro.... Talvez ela não estivesse brincando; mas, ainda que fosse assim, apontou-nos um problema sério e lançou pistas para sua solução. Uma delas, aproximar ciência e experiência em um projeto comum para agir sobre o silêncio cultural. A Estação Memória começava, assim, a existir como espaço de negociação de memórias abertas sobre a cidade.

Criar novos espaços discursivos, capazes de acolher expressões que os modos de vida contemporâneos tendem a considerar destituídas de importância, registrá-las, comunicá-las, colocá-las em rede, à disposição das novas gerações: eis o percurso da Estação Memória. Ao lado da história oficial, contada pela escola, pelos livros didáticos, pela mídia, pelas narrativas literárias e não literárias, as crianças e os jovens podem, ali, ter acesso a formas e conteúdos da cultura do silêncio – a modalidade de história que, de outro modo, tende a ficar cada vez mais oculta em nosso tempo. Com isso, a polifonia cultural é ameaçada, a história corre o risco de não ser alimentada pelos tempos vividos da experiência, e os jovens de não serem mais capazes de entender as vozes do passado das quais nos fala Thompson (1992). Se a globalização torna cada vez mais fácil a nossa circulação pelo planeta, a conquista do espaço, ela também cria obstáculos quase intransponíveis à plena manifestação da duração, ao instituir a descontinuidade e a aceleração temporais como modo de vida. Nessas condições, não apenas o passado é ameaçado. Também o futuro, nossa capacidade de projeção, de sonhar o que está por vir.

Um grande número de questões de ordem metodológica e prática colocou-se ao lado dessas questões gerais no momento de instalação da Estação Memória na biblioteca. Havia uma série de aspectos a considerar, tanto em relação à coleta de memórias, sua organização e seu tratamento documental, quanto à sua comunicação. Por outro lado, havia também questões de gestão do espaço, considerando que este desempenha um importante papel na apropriação da informação, e que se tratava de criar um ambiente aberto regularmente ao público, com ações orgânicas e sistemáticas. Nossos objetivos educativos nos impediam de realizar atividades de animação ou

Você chegou ao final dessa amostra. Cadastre-se para ler mais!
Página 1 de 1

Análises

O que as pessoas acham de Liga, roda, clica

0
0 notas / 0 Análises
O que você achou?
Nota: 0 de 5 estrelas

Avaliações do leitor