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Bíblia de Estudo Conselheira - Gênesis: Acolhimento • Reflexão • Graça

Bíblia de Estudo Conselheira - Gênesis: Acolhimento • Reflexão • Graça

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Bíblia de Estudo Conselheira - Gênesis: Acolhimento • Reflexão • Graça

notas:
5/5 (2 notas)
Duração:
511 páginas
7 horas
Lançados:
1 de abr. de 2015
ISBN:
9788531114021
Formato:
Livro

Descrição

A Bíblia Conselheira é uma edição original e pioneira. Um grupo de conceituados psicólogos e psiquiatras cristãos — apoiados pelo Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC) e pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) — tem se dedicado à tarefa de comentar o conteúdo terapêutico do texto bíblico, utilizando seus dons e experiência profissional para explicar como as Sagradas Escrituras promovem nossa saúde física, mental e espiritual.

O amor de Deus, expresso plenamente em Jesus Cristo — o Maravilhoso Conselheiro — é o principal elemento terapêutico para as nossas feridas. Nosso desejo é que esta mensagem seja amplamente utilizada por Deus para comunicar acolhimento, reflexão e graça para todos os indivíduos e grupos que dele se aproximam.

O texto bíblico utilizado é o da Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH), e as notas de estudo aparecem entre os versículos bíblicos em forma de comentários.

Este volume sobre o livro de Gênesis é o início da série de e-books da Bíblia Conselheira, no desejo de que o Maravilhoso Conselheiro faça uso desta edição para trazer descanso e alívio para nossa alma.
Lançados:
1 de abr. de 2015
ISBN:
9788531114021
Formato:
Livro


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Barueri, SP

Missão da Sociedade Bíblica do Brasil:

Promover a difusão da Bíblia e sua mensagem como instrumento de transformação espiritual, de fortalecimento dos valores éticos e morais e de incentivo ao desenvolvimento humano, nos aspectos espiritual, educacional, cultural e social, em âmbito nacional.

B477b

Bíblia Conselheira – Gênesis. Barueri, SP : Sociedade Bíblica do Brasil, 2014.

Texto bíblico: Nova Tradução na Linguagem de Hoje. ©2000, Sociedade Bíblica do Brasil. Contém introdução ao texto bíblico, notas de estudo e quadros explicativos.

Bíblia – NT – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. I. Título.

CDD-225.5269

NTLH.jpg LOGOMARCA DA NTLH: A cruz aponta para o amor que Deus teve por toda a humanidade, buscando reconciliar-se com ela por meio do sacrifício de Cristo. O apóstolo Paulo escreve: Portanto, por meio do Filho, Deus resolveu trazer o Universo de volta para si mesmo. Ele trouxe a paz por meio da morte do seu Filho na cruz e assim trouxe de volta para si mesmo todas as coisas, tanto na terra como no céu. (Colossenses 1.20). Assim, a cruz vazia – lembrança da vitória de Cristo sobre a morte – é o centro da mensagem bíblica e um dos símbolos mais conhecidos da Igreja Cristã. A Nova Tradução na Linguagem de Hoje adotou a cruz como sua logomarca.

Bíblia de Estudo Conselheira – Gênesis

©2015 Sociedade Bíblica do Brasil

Texto bíblico:

Nova Tradução na Linguagem de Hoje

©2000 Sociedade Bíblica do Brasil

Av. Ceci, 706 – Tamboré

Barueri, SP – CEP 06460-120

Cx. Postal 330 – CEP 06453-970

www.sbb.org.br – 0800-727-8888

Todos os direitos reservados

Integralmente adaptado à reforma ortográfica

Texto dos quadros e notas:

Jairo Miranda (Organização), Karl Heinz Kepler (Editor) e equipe de redatores

Projeto gráfico, edição, diagramação e capa:

Sociedade Bíblica do Brasil

Os quadros explicativos e notas de estudo da Bíblia Conselheira são de responsabilidade do editor e da equipe de redatores.

Índice


Capa

Folha de rosto

Apresentação

Índice dos quadros

Gênesis

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

Capítulo 11

Capítulo 12

Capítulo 13

Capítulo 14

Capítulo 15

Capítulo 16

Capítulo 17

Capítulo 18

Capítulo 19

Capítulo 20

Capítulo 21

Capítulo 22

Capítulo 23

Capítulo 24

Capítulo 25

Capítulo 26

Capítulo 27

Capítulo 28

Capítulo 29

Capítulo 30

Capítulo 31

Capítulo 32

Capítulo 33

Capítulo 34

Capítulo 35

Capítulo 36

Capítulo 37

Capítulo 38

Capítulo 39

Capítulo 40

Capítulo 41

Capítulo 42

Capítulo 43

Capítulo 44

Capítulo 45

Capítulo 46

Capítulo 47

Capítulo 48

Capítulo 49

Capítulo 50

Equipe de Redatores

Apresentação


Apresentamos a Bíblia de Estudo Conselheira. Ela é fruto da leitura amorosa da Palavra de Deus em meio às nossas famílias. Nós, os autores, somos psicoterapeutas cristãos comprometidos com um testemunho local da graça manifestada em Jesus Cristo.

Cremos na salvação pessoal em Jesus Cristo, encarnação da própria vida, Filho de Deus Pai, primeiro fruto da biologia da ressurreição pela ação poderosa do Espírito Santo, que nos inspira, nos atrai e possibilita todos os nossos relacionamentos: com Deus, com os outros e conosco mesmos.

Nossa tarefa profissional, a psicoterapia, nos põe em contato diário com as faces dos nossos pacientes. É neles que assistimos ao mistério diário que se automanifesta no olhar que surge da pupila do outro. Neste mistério somos testemunhas de que Deus está presente.

Os comentários que acompanham o texto sagrado se originam destes encontros. Partem de um assombro: a consulta com os nossos pacientes está agendada pela graça. Neste sentido somos felizes de nos encontrarmos em nossos consultórios com os enviados do Senhor.

Enviados que foram para fazer parentesco com o amor de Deus revelado em Jesus Cristo e fazerem parte de uma nova família que se constitui na Igreja. Pronunciando palavras da linguagem cotidiana que testemunham a importância decisiva que a fé tem em nossas vidas e profissões.

Os comentários, portanto, estão escritos como orações, que pretendem incentivar a escuta do texto. O decisivo está no texto que se nos dá e que o Espírito Santo nos permite receber. A alegria e a satisfação de despertar esta maravilhosa experiência é o objetivo da Bíblia de Estudo Conselheira.

Os autores

Índice dos quadros


Abrindo a Bíblia

Criação, evolução e aconselhamento

Alimentação humana

Jardim do Éden: uma condição perdida

A bênção do trabalho

Conhecer bem e mal

Nomear — o poder da linguagem

A formação da família

O diabo e as palavras

O trabalho de parto

Fraternidade aprendida

Dilúvio em números

Linguagem, separação e reunião

Experiências fundadoras

Nossos traumas e a estátua de sal

Filhos de homens de Deus

Deus falando por meio das circunstâncias

Experiências-limite

Nascimento, dor e morte

Amor e cuidado com os idosos

Sonhos nossos e sonhos de Deus

Os anos de José

José do Egito: o trabalho do sofrimento

A proximidade da morte

Gênesis

Ir para índice de capítulos

O nome do primeiro livro da Bíblia, tanto no original hebraico (bereshit, que é a primeira palavra do texto) como na versão grega (Gênesis) significa princípio, origem. Ele relata a origem do mundo, do gênero humano e do povo de Israel. Gênesis não é um livro científico, nem anticientífico; pode-se dizer que ele é um livro pré-científico. O livro que abre as Escrituras nos traz a revelação de Deus, o Eterno, criando a totalidade do existente, do visível e do invisível. Ele se diferencia das crenças da época em que foi escrito, de que o universo seria infinito e vários deuses administrariam a vida. O Deus bíblico não é uma abstração filosófica, uma ideia pura e absoluta ou uma energia cósmica impessoal. Ele é intimamente pessoal, soberanamente sábio e amoroso e plenamente envolvido com a sua criação, e se projetou na vida dos humanos constituídos à sua imagem e semelhança, conferindo-lhes a mais alta significação, honra e dignidade. Isto é visível aqui, no princípio, e também depois, com a vinda de Jesus Cristo.

O texto de Gênesis é muito bem estruturado e cuidado, está cheio de simbolismos e significados e se apresenta com uma impressionante unidade, tanto por seu conteúdo quanto por seu estilo e sua composição, mesmo perpassando várias tradições. Sua linguagem é primorosamente composta, desde a primeira frase, em uma estrutura que utiliza várias vezes o número sete (sete palavras, sete dias da criação), o que sugere vínculos com o simbolismo dos números no Apocalipse e também com a genealogia do início do Novo Testamento, em Mateus — em que o sete também aparece. A riqueza linguística do Pentateuco e, especialmente, de Gênesis merece estudos à parte, mais do que se poderia empreender aqui. Até hoje os estudiosos constatam que há mais conteúdos implícitos no texto do que nossas traduções e tradições conseguem transmitir.

Os primeiros capítulos servem de paradigma para o restante do livro, e neles se pode medir toda a vida humana. Uma psicanalista comentou que eles servem de estrutura simbólica, onde reencontramos instrumentos para pensar, para nos conscientizar acerca de onde nos perdemos quando sentimos muito frio na cultura em que temos de caminhar. No Gênesis encontramos respostas às perguntas existenciais que todo ser humano, em todas as épocas, tem feito em sua busca de sentido, para si mesmo e para o mundo que o rodeia: quem sou eu? De onde venho? Qual é a minha relação e a minha responsabilidade com esta grande casa em que habito?

O convite, portanto, é para que leiamos o primeiro livro da Bíblia e deixemos a mente e o coração abertos para perceber as indicações de respostas às nossas questões mais profundas.

Abrindo a Bíblia

Leia o quadro

Gênesis 1

A criação do Universo e da raça humana

¹ No começo Deus criou os céus e a terra.

1.1 No começo Deus criou os céus e a terra. A primeira frase serve como título para o que segue, sem pretender ser uma explicação. A narrativa do relato inteiro utiliza uma linguagem poética, muito bem trabalhada. Um antigo pai da igreja, muitos séculos antes da disputa entre fé e ciência, já se referia a estes relatos como o cântico da criação. No começo. Em hebraico bereshit, palavra que foi especialmente criada para constar aqui (em toda a Bíblia só aqui aparece como substantivo com este significado). Como começo, princípio, parte inicial, tem sua raiz em cabeça, que daria para se traduzir por encabeçando, enquanto o final, it, indica uma abstração. A tradução habitual focou em significados concretos, e assim parece criar uma explicação do cosmos. No original, o pronome é indeterminado — "em um começo, mostrando que a ênfase não estava em datar o início, mas em mostrar que desde sempre a presença de Deus organizou o caos. No princípio não existia nada, só Deus. A expressão também poderia ser traduzida por Num começo em que Deus criava o céu e a terra ou No princípio do ato da criação. O tradutor Chouraqui aponta que a ênfase está na fala de Deus, no v. 3; o verbo criou, neste caso, teria valor de imperfeito; o v. 2 seria uma descrição das circunstâncias, e a oscilação dos tempos entre esse imperfeito durativo criava e o pontual Deus diz" restituiria a oposição do hebraico entre o fato primordial da palavra criadora de luz e o ato de criação dos céus e da terra. Deus. O primeiro nome divino, no original (Elohim), é o mais geral, o nome genérico para Deus, e sugere poder e prioridade. Houve um começo, em que só Deus existia; a matéria e as coisas não são eternas. criou. Este verbo só é utilizado quando Deus é o sujeito. Aplica-se tanto às suas intervenções na história quanto à obra inicial da criação do universo. Há um criar e um fazer que são próprios de Deus! Quando ignoramos isso, o fazer de Deus é confundido com o fazer humano. Também é difícil ao pensamento greco-ocidental a ideia de uma criação a partir do nada, ou seja, a concepção de que não havia matéria primordial a partir da qual Deus iniciou a criação. A palavra específica para o agir de Deus expressa que foi a partir dele, da sua Palavra, que Deus criava o céu e a terra. Deus não queria estar só. Sendo Deus vida em totalidade, é próprio de sua natureza dar origem à vida em suas múltiplas dimensões. O Eterno Deus, o Vivente, único agente livre e soberano, a partir de seu desejo e arbítrio, dá origem aos céus e à terra. os céus e a terra. Este é um modo de representar a totalidade do que existe — o visível e o invisível, o mundo espiritual e o material. Tanto o orgânico quanto o inorgânico vieram a ser pela palavra criadora de Deus, a fonte desencadeadora de todo o processo criador e de sua continuação. Veja o quadro "Criação, evolução e aconselhamento".

² A terra era um vazio, sem nenhum ser vivente, e estava coberta por um mar profundo. A escuridão cobria o mar, e o Espírito de Deus se movia por cima da água.

1.2 A terra era um vazio, sem nenhum ser. No original se empregam duas palavras: tohu e bohu, que desde a Antiguidade foram usadas para designar situações de grande confusão. Outras traduções em português: desordem e deserto, vazio e vago, sem forma e vazia. um mar profundo. Também traduzido por abismo, refere-se ao caos primordial, o vazio absoluto, algo que causa terror nos humanos. e o Espírito de Deus se movia por cima da água. Ou mas o sopro de Deus planava sobre as faces das águas: no mais profundo caos, na mais profunda desordem (trevas e abismo juntos) está o Espírito, o sopro, o vento de Deus pairando, chocando (é a mesma palavra usada para uma galinha sobre os ovos). Aqui temos um modelo para a saída de crises, tanto coletivas como pessoais: o Espírito de Deus paira sobre as crises e sabe transformar o caos em algo novo, incrivelmente criativo (como acontece a seguir). O texto de 2Co 4.6 faz alusão a isso: O Deus que disse: ‘Que da escuridão brilhe a luz’ é o mesmo que fez a luz brilhar no nosso coração. O Espírito que habita em nós é o mesmo que pairou sobre a primeira desordem e o primeiro deserto, sobre o primeiro vazio, e por isso está apto a criar algo novo em cada crise. Um Deus criador também impede que se deifique a natureza — ele estava lá, antes dela, e ela veio a existir pela Palavra dele (o que associa santidade ao cuidado com a criação).

Criação, evolução e aconselhamento

Leia o quadro

³ Então Deus disse:

— Que haja luz!

E a luz começou a existir.

1.3 Então Deus disse. O mundo em que vivemos não é obra de um acaso. Por meio de sua palavra, Deus cria e organiza o universo, a começar pela luz, a primeira e fundamental criação. Sua palavra é a fonte de toda criação, de toda vida — mais tarde, o prólogo de João remeterá ao logos, que é Cristo, como esta palavra dita por Deus. Que haja luz! Deus dá fim ao abismo com a criação do fenômeno luz, a criatura mais impressionante. Não há, como nos relatos de criação de outros povos, uma matéria-prima básica. Deus começa a criar a partir do nada, graças ao poder da sua palavra. Esta é uma diferença fundamental em relação ao modo materialista de conceituar a origem da vida.

⁴ Deus viu que a luz era boa e a separou da escuridão.

1.4 Deus viu que a luz era boa e a separou da escuridão. A ênfase original era de superlativo, dizendo que Deus vê o que fez e se alegra com isso, afirmando: Grande bem! Essa constatação se repete sete vezes, semelhante ao refrão de um hino, estruturando o relato. A relação luz-espiritualidade merece ser mais bem-pensada e estudada. Luz não é apenas a luminosidade, mas também luz de vida e luz de alegria, personificada em Jesus (Is 9.1-2; 60.19-20; Jo 8.12).

⁵ Deus pôs na luz o nome de dia e na escuridão pôs o nome de noite. A noite passou, e veio a manhã. Esse foi o primeiro dia.

1.5 Deus pôs na luz o nome de dia e na escuridão pôs o nome de noite. A separação da luz e da treva é organizadora e, de certa forma, também significa separar a unidade primordial. A noite passou, e veio a manhã. Esse foi o primeiro dia. Até a escuridão está sujeita a Deus. A terra já não é um caos: tem ritmo, sequência e direção. Aqui começa a correr o tempo, contado como na tradição hebraica, em que o dia começava pelo entardecer, logo vindo o descanso da noite e terminando com a atividade a partir da manhã. Há um modo diferente de encarar a vida embutido nisso: iniciamos o dia sabendo que no meio dele estará a noite, na qual não vemos nada, na qual temos de nos confiar a Deus. A divisão entre luz e trevas nos atinge no centro do nosso dia; é ali que mais precisamos de Deus! Nós não valemos pela nossa produtividade, mas pela entrega a Deus enquanto dormimos, para, depois disso, voltar-nos ao trabalho.

⁶ Então Deus disse:

— Que haja no meio da água uma divisão para separá-la em duas partes!

1.6-8 Deus fez uma divisão que separou a água em duas partes. A ideia é de uma lâmina que separa os dois volumes de água. Especula-se que as águas do lado de cima poderiam ser uma espécie de redoma de gelo na atmosfera, fornecendo proteção adicional para a vida na terra. Nessa divisão Deus pôs o nome de céu. O termo céu, ou firmamento nas traduções tradicionais, foi usado apropriadamente para essa divisão, significando uma camada sólida de separação (que só se romperia quando Deus abrisse as comportas do céu; Gn 7).

⁷ E assim aconteceu. Deus fez uma divisão que separou a água em duas partes: uma parte ficou do lado de baixo da divisão, e a outra parte ficou do lado de cima. ⁸ Nessa divisão Deus pôs o nome de céu. A noite passou, e veio a manhã. Esse foi o segundo dia.

⁹ Aí Deus disse:

— Que a água que está debaixo do céu se ajunte num só lugar a fim de que apareça a terra seca!

E assim aconteceu.

1.9-10 Que a água… se ajunte num só lugar a fim de que apareça a terra seca! Alguns tradutores comentam que mais do que junção, a palavra quer expressar alinhamento, significando a superfície dos mares. Deus criou as ondas e a areia. Quando Cristo acalma a tempestade (Mc 4.39), faz lembrar esse poder sobre as águas: ele estava lá desde o princípio; nele foram feitas estas separações.

¹⁰ Deus pôs na parte seca o nome de terra e nas águas que se haviam ajuntado ele pôs o nome de mares. E Deus viu que o que havia feito era bom. ¹¹ Em seguida ele disse:

— Que a terra produza todo tipo de vegetais, isto é, plantas que deem sementes e árvores que deem frutas!

E assim aconteceu.

1.11-13 A terra. Dois vocábulos são utilizados nestas narrativas poéticas para terra: erets (planeta, terra geral, utilizado aqui, nesta passagem) e adamá (solo, terreno, chão; derivado de Adam — veja v. 26, nota — portanto, terra dos humanos). Adamá será utilizado para descrever os répteis, que se arrastam pelo solo. produza todo tipo de vegetais. O planeta começa a produzir vida, bem como ar e alimento para mantê-la — já há uma provisão prevista para os seres que ainda irão existir.

¹² A terra produziu todo tipo de vegetais: plantas que dão sementes e árvores que dão frutas. E Deus viu que o que havia feito era bom. ¹³ A noite passou, e veio a manhã. Esse foi o terceiro dia.

¹⁴ Então Deus disse:

— Que haja luzes no céu para separarem o dia da noite e para marcarem os dias, os anos e as estações!

1.14-25 Que haja luzes no céu… as águas fiquem cheias de todo tipo de seres vivos… a terra produza todo tipo de animais. A grande casa ficou pronta para receber seus hóspedes.

¹⁵ Essas luzes brilharão no céu para iluminar a terra.

E assim aconteceu. ¹⁶ Deus fez as duas grandes luzes: a maior para governar o dia e a menor para governar a noite. E fez também as estrelas. ¹⁷ Deus pôs essas luzes no céu para iluminarem a terra, ¹⁸ para governarem o dia e a noite e para separarem a luz da escuridão. E Deus viu que o que havia feito era bom. ¹⁹ A noite passou, e veio a manhã. Esse foi o quarto dia.

²⁰ Depois Deus disse:

— Que as águas fiquem cheias de todo tipo de seres vivos, e que na terra haja aves que voem no ar!

²¹ Assim Deus criou os grandes monstros do mar, e todas as espécies de seres vivos que em grande quantidade se movem nas águas, e criou também todas as espécies de aves. E Deus viu que o que havia feito era bom. ²² Ele abençoou os seres vivos do mar e disse:

— Aumentem muito em número e encham as águas dos mares! E que as aves se multipliquem na terra!

²³ A noite passou, e veio a manhã. Esse foi o quinto dia.

²⁴ Então Deus disse:

— Que a terra produza todo tipo de animais: domésticos, selvagens e os que se arrastam pelo chão, cada um de acordo com a sua espécie!

E assim aconteceu. ²⁵ Deus fez os animais, cada um de acordo com a sua espécie: os animais domésticos, os selvagens e os que se arrastam pelo chão. E Deus viu que o que havia feito era bom.

1.25 E Deus viu que o que havia feito era bom. Não só ação (e que ação fantástica!), mas também contemplação. Desde a criação da luz (v. 4) Deus se dedica várias vezes a parar e examinar o que criou, a contemplar, perceber e apreciar seu caráter bom e belo. Ele amou este lugar e estava feliz com a sua criação. Tal como pais e mães para com seus filhos, Deus vai nos educar não só com palavras, mas com o exemplo espontâneo, com seu autêntico bom estilo de viver. Veja também o quadro "Criação, evolução e aconselhamento".

²⁶ Aí ele disse:

— Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como nós, que se parecerão conosco. Eles terão poder sobre os peixes, sobre as aves, sobre os animais domésticos e selvagens e sobre os animais que se arrastam pelo chão.

1.26 vamos fazer. Esta é uma forma plural para Deus, rara na Bíblia. Alguns comentaristas dizem que o plural aqui quer significar que desde o início ele é relacional, e que a relacionalidade do humano tem a ver com a relacionalidade de Deus. A Trindade cristã ajuda a entender essa natureza relacional de Deus, que fica evidente também na consulta realizada após a queda humana no pecado (3.22). Outro fato comentado é que Deus de certa forma se encolhe amorosamente para dividir espaço com o que ele está criando. Não somos fruto de um acaso evolutivo impessoal, nem do capricho de deuses. Somos fruto do desejo divino, de seu conselho e deliberação, portadores de sua marca que se projetou no humano desde nossa constituição. Deus criara o esplêndido universo, as grandiosas galáxias, os buracos negros, as estrelas, o sol e a lua. Agora, o conselho divino decide fazer os seres humanos. A terra já está em plenas condições de abrigar a vida humana, com águas abundantes, mares e rios cheios de vida, imensas florestas, árvores frutíferas e infinitas espécies animais. A humanidade surgirá neste cenário tão magnificamente preparado como o ápice de toda a criação. os seres humanos. Desejo, decisão, palavra e mãos divinas criarão um ser especial, que culminará a sequência de tudo que veio a ser. Dois termos são utilizados no Gênesis. Primeiramente, adam, palavra que pode significar o avermelhado, o ruivo, e também o terroso; esta palavra é a que se utiliza nestes relatos da criação e identifica a espécie humana (macho e fêmea, como está literalmente no v. 27). Depois da queda no pecado, esta palavra, utilizada sem artigo, adquire caráter de nome próprio e passa a ser traduzida por Adão (3.21). O segundo termo, ish, homem, só aparecerá depois do poema da criação da mulher (ishá), em 2.23. Portanto, o adam original, o ser perfeito saído da palavra de Deus, designa a um só tempo macho e fêmea, a espécie humana, aqui referida no plural. Jesus é denominado o segundo Adão, em Rm 5 e 1Co 15. que serão como nós. Ou à nossa réplica: homem e mulher serão criados com uma marca distintiva e gloriosa, à semelhança de Deus; são assim postos para espelharem a imagem do Criador. Esta é a base da nossa identidade primeira, o fundamento antropológico que distingue os humanos de todas as demais criaturas, como agentes espirituais. que se parecerão conosco. É característico da poesia hebraica apresentar ideias em duas formas paralelas. Há dois indicativos aqui: ser como Deus e parecer com ele, e ambos, juntos, dão a amplitude e o limite da parecença com Deus. Poderíamos dizer que o ser confundiria o humano com Deus, e o parecer o manteria mais distante de Deus. Mas juntos dão a medida certa! Mais adiante as Escrituras mostrarão que, especialmente com a vinda de Jesus Cristo, isso ficará bem visível: Quem me vê vê também o Pai (Jo 14.9).

²⁷ Assim Deus criou os seres humanos; ele os criou parecidos com Deus. Ele os criou homem e mulher

1.27 Assim Deus criou os seres humanos. Neste primeiro relato, a intenção é descrever toda a criação do universo, em seis dias, até chegar ao dia do descanso. Vários detalhes são deixados de lado, e alguns referentes a homem e mulher serão contados a seguir (cap. 2). parecidos com Deus. Vemos o ser humano apresentado em sua completude, macho e fêmea, ambos com o mesmo valor, imagem e semelhança de Deus, com liberdade, autoconsciência, autodeterminação — a dignidade humana. Uma preciosa dádiva que advém desta revelação é que todos os humanos foram constituídos à imagem e semelhança de Deus, não apenas os homens, nem somente os reis e poderosos — como era sempre dito e imposto às populações escravizadas. Ele os criou homem e mulher. Para serem parecidos com Deus, ele fez ambos — homem e mulher. Um sozinho não representaria bem a imagem de Deus — a Trindade —, e constituiria um equívoco que aliena homem e mulher de si e de Deus (veja o quadro O casamento cristão, Ef 5). Deus criou uma unidade em diversidade, complementar e necessária para a conservação da espécie humana. Portanto, o fato de ser apenas uma parte inspira humildade nos homens e nas mulheres; nunca se saberá como se vive a outra parte, pois nós não somos Deus; apenas ele conhece tudo e é tudo. Homem e mulher estão dotados da capacidade de estabelecer uma relação pessoal com Deus, e têm autoridade para cuidar da terra e dominar sobre ela. Destaca-se, pois, a parcialidade e a diferença, bem como a fragilidade que daí advém. Querer ser tudo, querer saber tudo a respeito do outro é querer ocupar o lugar de Deus. Lembremos sempre de deixar um lugar para o mistério, para a alteridade e para a diferença (veja também 2.21-25, notas).

²⁸ e os abençoou, dizendo:

— Tenham muitos e muitos filhos; espalhem-se por toda a terra e a dominem. E tenham poder sobre os peixes do mar, sobre as aves que voam no ar e sobre os animais que se arrastam pelo chão.

1.28 e os abençoou. Bênção significa o bem que é dito, a boa palavra, o dito de bom modo, a aprovação e o desejo de prosperidade. O casal humano, macho e fêmea, foi abençoado com a fertilidade, extensiva a todas as gerações, que manterá a humanidade em contínua renovação. Tenham muitos e muitos filhos. Filhos são bênção do Senhor — e ocupam um lugar ainda mais especial com a vinda do Filho de Deus, Jesus Cristo. A sexualidade já está contemplada aqui, antes da queda no pecado. Um terrível equívoco que a cultura trouxe e que acarretou muitos problemas para casais em todos os tempos foi associar a sexualidade ao pecado. Ela, na verdade, está ligada às bênçãos de Deus! espalhem-se por toda a terra. As contínuas migrações dos grupos humanos cobriram toda a terra, alcançando, inclusive, regiões inóspitas, desérticas e geladas. Este impulso migratório se projeta até para o espaço próximo da terra, onde já se encontra em operação uma base permanente de astronautas, com possíveis investidas na Lua e em planetas próximos. e a dominem. Aqui já está uma oportunidade de mostrar a semelhança com Deus: ter poder e usá-lo como ele o faz, ajudando toda a criação a se expandir e a tomar seu lugar no mundo — isso faz parte da bênção de Deus. A constituição humana se destaca por sua capacidade de se sobressair em relação às demais espécies, não pela força física, pela fertilidade ou pela longevidade, mas pela singular potência intelectiva, racional e operativa no mundo, que a qualifica como espécie dominante. Imitar a Deus, cuidando de toda a criação, concede aos humanos a incrível oportunidade de exercer o bom governo da terra, de cuidar do meio ambiente, de respeitar todas as formas de vida. tenham poder sobre. Ter poder não é subjugar e dispor de todos os recursos até esgotá-los, mas administrá-los, conviver com eles e cuidar deles, sem ameaçar a existência, considerando o contínuo da vida que vai do inorgânico ao orgânico. Essa verdade está mais presente nas culturas antigas do que nas atuais, pois as de hoje estão dominando sem cuidado com a criação. Dominar sem cuidar é exaurir, espoliar, destruir para ter mais lucro e fazer perecer. E, perecendo a criação, também perecem os humanos, como já está sendo dito pelos estudiosos da ecologia.

²⁹ Para vocês se alimentarem, eu lhes dou todas as plantas que produzem sementes e todas as árvores que dão frutas.

1.29-30 Para vocês se alimentarem, eu lhes dou. Aqui aparece, pela primeira vez nos relatos poéticos da criação, o pronome eu empregado para Deus. Apenas quando já existem outros semelhantes (homem e mulher) é que a primeira pessoa é empregada — ou seja, na existência de vocês cabe dizer o eu. E o pronome é usado para o que há de mais primário na vida do ser humano: dar a alimentação. Iniciamos a vida recebendo alimento da nossa mãe; também aqui é do Deus pessoal que os humanos recebem o alimento. Deus não usa a primeira pessoa para se enaltecer (por exemplo, Eu faço a luz), mas para se doar. Este, aliás, é um bom critério para distinguir religiões amorosas de religiões alienantes e duras. Também serve de critério para distinguir a ação de Deus — que se doa — da ação do diabo, que apenas deturpa essa relação de eu-tu. todas as plantas que produzem. Originalmente, fomos constituídos de forma a nos alimentar de plantas que produzem grãos e de árvores frutíferas. Até mesmo os animais neste estágio idílico da humanidade se alimentariam de vegetais — capim e verduras. E assim foi, até o pecado e a expulsão do Éden. Desta forma, podemos imaginar outro tipo de relação entre os animais, onde um não teria de matar e comer o outro, como prevalece na atual biologia. Além disso, não se encontra nem na Bíblia nem na ciência nenhuma justificativa para maus-tratos ou escravidão de animais. A profecia que visualiza o lobo andando com o cordeiro (Is 11), um predador e seu alimento preferido coexistindo pacificamente, é uma belíssima ilustração que sinaliza o futuro Reino, a Terra Nova, feita na reconciliação das relações entre homens e natureza. Veja o quadro "Alimentação humana".

³⁰ Mas, para todos os animais selvagens, para as aves e para os animais que se arrastam pelo chão, dou capim e verduras como alimento.

1.30 Mas, para todos os animais… dou capim e verduras como alimento. Não se trata apenas da criação dos animais, mas também da provisão para eles. Nota-se aqui uma distinção na alimentação de humanos e animais. Deus é bondoso e pensa nas necessidades de todos. Aqui, no princípio, todos parecem ser vegetarianos (veja nota anterior). Somente mais tarde virá a orientação para comer carne de animais (Gn 9.3). Veja o quadro "Alimentação humana".

Alimentação humana

Leia o quadro

E assim aconteceu. ³¹ E Deus viu que tudo o que havia feito era muito bom. A noite passou, e veio a manhã. Esse foi o sexto dia.

1.31 Deus viu que tudo o que havia feito era muito

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