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O rosto e a máquina: O fenômeno da comunicação visto pelos ângulos humano, medial e tecnológico - Nova Teoria da Comunicação

O rosto e a máquina: O fenômeno da comunicação visto pelos ângulos humano, medial e tecnológico - Nova Teoria da Comunicação

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O rosto e a máquina: O fenômeno da comunicação visto pelos ângulos humano, medial e tecnológico - Nova Teoria da Comunicação

Duração:
226 páginas
3 horas
Lançados:
13 de mar. de 2014
ISBN:
9788534937177
Formato:
Livro

Descrição

Todas as faculdades de comunicação possuem a disciplina Teorias da Comunicação. Trabalha-se, há algumas décadas, sob esse rótulo, com escolas internacionais da área, como a de Chicago, de Birmingham, de Frankfurt, de Toronto, de Moscou, com autores latino-americanos ou com a semiótica. O problema dessas abordagens é que algumas delas já se tornaram obsoletas, repetindo velhos chavões e insistindo teimosamente nas mesmas lógicas e nos conceitos anteriores à Era Digital. Outras desviam os estudos comunicacionais para meras análises de conteúdo ou interpretações de temas da comunicação, apoiadas em associações discutíveis. O que nós propomos aqui é algo inteiramente novo. E que tem a qualidade diferenciada de estar sempre "em fase", quer dizer, acompanhando o objeto comunicacional no momento de sua ocorrência, seja ele um filme, uma apresentação de música, um livro, uma telenovela, um noticiário de TV, uma mensagem publicitária, ou mesmo um diálogo, uma situação de aula. Sugere-se aqui uma maneira de estudar a comunicação durante sua ocorrência, em seu momento vivencial, em toda a sua plenitude. É uma forma viva, animada, envolvente de investigar comunicação. Em que o pesquisador, o estudioso, o aluno mergulha em seu interior e sai, ele também, renovado e enriquecido por esse trabalho. Uma ciência que não tenha que ser arrastada cansadamente, que não seja um peso ou uma obrigação, mas um tipo particular de "ciência feliz".
Lançados:
13 de mar. de 2014
ISBN:
9788534937177
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

O rosto e a máquina - Ciro Marcondes Filho

Apresentação

As faculdades de comunicação e os cursos de jornalismo, relações públicas, publicidade e propaganda, cinema, televisão, radialismo, editoração têm em seus currículos aulas de comunicação. Faz parte da formação básica do aluno ter contato com ideias, conceitos, autores e pesquisas feitas sob o rótulo da comunicação. Mas comunicação, termo que se tornou constante em qualquer conversa, encontro, reunião científica, congresso e, apesar de sua presença em toda parte, serve, há mais de cinco décadas, apenas para ligar: um jornal com seu público, um internauta com sua rede social, um professor com um aluno, uma telenovela com sua audiência nacional. Uma palavra que parece ser tudo, que, em realidade, não é nada. Por que ninguém se pergunta o que vem a ser isso, comunicar?

Os cursos de comunicação começam falando dos efeitos da telenovela, do impacto da última declaração do presidente, do efeito viral de certo filme no YouTube, e se perdem na magia das imagens, no humor da propaganda eleitoral, no efeito multiplicador de um bestseller, mas ninguém, ou praticamente ninguém, para e pensa: o que aconteceu com a pessoa?, que coisas provocou esse filme, esse noticiário, esse discurso do político na mente do indivíduo.... E é exatamente disso que trata a comunicação.

Cinco décadas se passaram para que a comunidade de interessados na comunicação – estudantes, professores, pesquisadores, curiosos – despertasse do sono eterno: Gente! Está na hora de começar a estudar a comunicação. Até agora, a gente só se ocupou com a reverberação social das falas, das imagens, dos sons. Mas agora trata-se de mudar o jogo: estudar intensivamente esse objeto, a comunicação, isto é, o acontecimento comunicacional, o fenômeno que ocorre no interior de cada um de nós quando nos deparamos com um fato comunicacional, seja ele uma notícia, uma fotografia, um spot publicitário, um curta-metragem, uma representação teatral, uma exposição de arte.

A Nova Teoria da Comunicação se dedica a entrar a fundo no fenômeno comunicacional: estudar como a mente das pessoas reage diante de múltiplos estímulos, provocações, sinais, flashes do mundo externo que nos atingem todos os dias, todas as horas, em todos os lugares. O que se passa com a gente ao receber esse volume fantástico de excitações externas. O que fazemos com elas, como reagimos, o que elas fazem conosco.

A primeira metade deste livro apresenta, de forma sintética, as proposições da Nova Teoria, divididas em duas seções: o que quer dizer comunicação e como pesquisar a comunicação, utilizando-se de uma forma de trabalho derivada desse conceito de comunicação que está sendo engendrado, o metáporo: uma pesquisa que se faz vivenciando o próprio fato comunicacional, fazendo uma imersão nele, sentindo seus efeitos, observando as reações dos outros, tomando pé de todo o clima que envolve o fenômeno, seja ele um concerto de rock, uma vibração coletiva e nacional num jogo de Copa do Mundo, uma notícia trágica da política, um sequestro com reverberações em toda a imprensa.

A segunda metade revisita as teorias clássicas da comunicação, em parte para cotejá-las com a Nova Teoria, considerando o que mudou, o que se tornou obsoleto, o que se disse no passado sobre a comunicação; em parte para informar aos estudiosos que em outras épocas, em outros lugares, em outros países, outros estudiosos dedicaram-se aos fatos da comunicação, mesmo sem se aprofundar particular e detidamente no acontecimento comunicação, como ele é e ocorre.

Este livro é o abre-alas de uma série de três volumes publicados pela Editora Paulus, a apresentação resumida daquilo que se desenvolveu com mais densidade nos volumes seguintes. O volume 2, O escavador de silêncios, discute o sentido da comunicação, como ele foi pensado na antiguidade grega dos estoicos e, mais recentemente, pelos filósofos franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari. Engajado nisso, ele discute a questão da interpretação, essa tentativa de filósofos e estudiosos – Nietzsche, Heidegger, Derrida – escavarem o silêncio nas culturas: aquilo que não se fala, aquilo que é tabu, aquilo que as sociedades e seus poderosos resolveu calar. E termina apresentando ao leitor brasileiro Niklas Luhmann, um pensador que diz que tudo é comunicação, mas que comunicação é algo muito difícil, muito improvável.

O volume 3, O princípio da razão durante, descreve, em cinco tomos, a proposta da Nova Teoria vindo desde a Antiguidade, os filósofos orientais, passando pelos saberes que surgem depois de 1800 – com o iluminismo, o evolucionismo, a revolução científica – e chegando até o século XX e início do XXI, com a indústria cultural, o Círculo Cibernético, as discussões sobre as tecnologias de comunicação e o virtual. O último tomo dedica-se totalmente à exposição extensiva da Nova Teoria, sugerindo que ela é o único saber capaz de dar conta das exigências atuais do ensino e da pesquisa em comunicação porque: (a) tem uma forma dinâmica de se adaptar aos novos acontecimentos, (b) não se prende a ideias e conceitos enrijecidos, mas os renova continuamente, (c) dá ao estudioso a possibilidade de viver na própria pele o fenômeno que está estudando e, com isso, sentir prazer em pesquisar e o gosto de produzir um conhecimento novo, atual, dinâmico. Em suma, um saber para tempos de agilidade, dinamicidade, mutação de pessoas e tecnologias do século XXI.

PARTE

I

O PRINCÍPIO DA

RAZÃO DURANTE

1

TEORIA DA COMUNICAÇÃO

A COMUNICAÇÃO HUMANA

1a – Preliminar. Os tipos básicos de comunicação

Segundo a tecnologia e seu alcance, há três tipos básicos de comunicação: a comunicação clássica (das falas e dos registros), a comunicação tecnologicamente mediada (chamada também de comunicação por irradiação) e a comunicação digital. As duas primeiras formas são analógicas, operam por semelhança a objetos, situações ou estados de espírito dados. A terceira é di gital: não há necessariamente uma correspondência com um objeto real. Em vez de representação, há, nesse caso, construção numérica, eletrônica.

A comunicação clássica existe desde as primeiras formações humanas, ela ocorre através da fala, das marcas, das inscrições, dos desenhos em cavernas, quando o Homo sapiens desenvolveu os primeiros sinais gráficos e sonoros. Esse tipo básico chegou até hoje.

Ela pode ser de duas formas: direta (ou face a face) ou por meio de intermediações. Esta segunda categoria é a da comunicação escrita entre pessoa e pessoa (cartas, bilhetes, avisos), entre instituições e pessoas (decretos de governos, prescrições de poderes religiosos, ordens militares), entre pessoas e a sociedade (literatura, anúncios etc.), todas realizadas sobre um suporte físico (papel, placa, inscrição oficial) e na forma analógica.

A comunicação clássica centra-se basicamente na linguagem, na estrutura da língua, na filosofia do comunicar linguístico, e é o centro de interesse do estudo das línguas, de suas estruturas internas, da relação de significação (significado/significante), da hermenêutica, da questão da verdade, do poder derivado da fala e da escrita. É aqui que se colocam as questões da dualidade entre fala e escrita, da dominação social pelas formas de oralidade (o chamado fonocentrismo), do controle político da escrita e dos textos sagrados.

O segundo tipo de comunicação é a comunicação mediada tecnologicamente que chamamos aqui também comunicação por irradiação, já que parte de um centro emissor, geralmente conhecido, e se difunde por receptores normalmente desconhecidos. Surgida no século XV, com a invenção dos tipos móveis por Johannes Gutenberg, em Mainz, a tipografia permitiu a multiplicação industrial de livros, propiciando a revolução no mundo conhecido ao promover o declínio do poder da Igreja, a expansão mercantil, a difusão de novas realidades e de novos mundos, a ascensão da burguesia e a constituição da sociedade capitalista.

Contudo, seu período efetivo de expansão inicia-se no século XIX, com a imprensa e a literatura de massa. O fenômeno realmente decisivo foi a criação da indústria cultural, a partir da multiplicação das imagens (inicialmente com a fotografia, depois com o cinema), do registro e da reprodução dos sons (com o fonógrafo, o rádio, a indústria do disco), e a total revolução na cultura do mundo ocidental, vinda com a sociedade e a cultura de massas e suas novas formas de política, de consumo, de gosto popular, publicidade e estratégias de relações públicas.

Elementos-chave desse período foram a introdução do componente imagem na fantasia da humanidade (imagem industrialmente produzida, imagem produtora de utopias políticas, sociais, sexuais, culturais etc.) e a tecnologia como fator decisivo de transformações culturais na sociedade.

O terceiro tipo de comunicação é o das formas digitais de processamento de dados comunicacionais. Surge durante e após a II Guerra Mundial, mas se instala efetivamente na cultura a partir da década de 70 do século passado, quando é criada a internet como rede descentralizada e universal de computadores, que irá ser chamada aqui de comunicação virtual, digital ou espectral.

Com o advento dessa nova forma de comunicação desaparecem os suportes físicos da comunicabilidade, muda o sistema de armazenamento (de analógico para digital), quebra-se o caráter compacto dos produtos culturais que, a partir daí, tornam-se livremente manipuláveis e moldáveis, instalando-se, com isso, uma cultura da dissolução, recombinação e volatilidade dos dados. A aceleração das inovações tecnológicas propicia, também, a contínua substituição dos suportes físicos (hardware) dos sistemas de tratamento de dados.

TABELA 1

tabela1

Os três tipos básicos convivem entre si, e, historicamente, uns se sobrepõem aos outros, tecnologias superam tecnologias, tornando as anteriores obsoletas ou de alcance reduzido.

1b – O momento da comunicação

A comunicação é o efeito de um acontecimento p sobre uma reta r, sendo s a sensação que eu vou sentir num certo período a partir desse acontecimento. Primeiramente, há o impacto inicial s sobre nossos sentidos, uma mera impressão orgânica: um som me atravessa, uma luz cruza minha visão, algo toca minha pele. O universo ao meu redor é o que se chama de percepção pura.

GRÁFICO 1 - COMUNICAÇÃO

grafico1

Quando sentimos dor, prazer, emoção, reagimos a esse sentimento. Nós o tornamos nosso, damos-lhes uma cor, acrescentamos algo, misturamo-nos a ele. Aquilo que era percepção pura ganhou certa impureza, que foram as tinturas que lhe demos, ficou mais intenso, virou afecção. Mil coisas passam ao nosso redor. Nós percebemos grande quantidade delas. Algumas nos tocam fisicamente; outras, psicologicamente.

Por exemplo, quando me pico com uma agulha, sinto dor. A dor ocorre dentro do meu corpo e há um determinado ponto da minha mão ou do meu braço em que ela acontece. Mas eu posso sentir também emoção ao perceber outra pessoa. Ela sensibiliza meus olhos, minha pele, meus ouvidos. O processo é parecido: não fui picado, mas psicologicamente atingido em meu corpo.

Passado algum tempo, já não sinto a dor da picada, já não sofro o impacto de um olhar fulminante. Aquilo que eu havia sentido tempos atrás torna-se, para mim, uma representação.

Voltemos à percepção do mundo externo. Toda vez que percebemos algo, diz o filósofo francês Henri Bergson o associamos a algo já conhecido, a uma memória. Percepção e memória ocorrem praticamente ao mesmo tempo: perceber é lembrar. O cenário externo, o conjunto do mundo, a percepção pura, é algo completo, universal e impessoal. Quando escolho algo, quando retiro uma parte desse universo, eu realizo a percepção propriamente dita. Mesmo assim, o conjunto de onde foi extraída a percepção permanece vivo para mim.

ESQUEMA 1

esquema1

Um acontecimento p, quando incide sobre a reta r, provoca sensações. Do impacto inicial s resultam, em mim, afecções e percepções (que vêm junto com a memória). O espaço de tempo entre elas é mínimo, quase inexistente. Logo tomo conhecimento do que se trata, adquiro consciência do que percebi (recebi uma picada, aquela pessoa me impressionou etc.). Essa noção instantânea que se forma em minha mente, atingindo meu espírito, é a intuição. É um pouco diferente do sentido popular da palavra, que significa geralmente um dom especial para sentir coisas que outros não percebem. Nesse caso, intuição é outra coisa: é uma percepção clara e imediata. Através dela posso chegar a um conhecimento, que é muito diferente daquilo obtido pelos caminhos do pensamento, da razão e da lógica.

Na intuição, eu não me distancio da coisa, me misturo a ela. A música nos dá um bom exemplo, pois ela não introduz sentimentos em mim, eu é que me introduzo, me misturo a ela, mergulho e banho-me em sua melodia. Através dela, eu saio de mim mesmo, me distancio de meus hábitos, de minhas noções adquiridas. Entre percepção e intuição há a mesma diferença entre o reconhecer e o envolver-se.

Assim, o processo da comunicação é essa relação entre um universo, meu corpo e a ação mútua entre ambos.

GRÁFICO 2 - COMUNICAÇÃO

grafico2

Pois bem, estamos assistindo a um filme. São 8 horas da noite. Chamamos a esse tempo t. Os impulsos ópticos do filme atingem nossa retina, e os sinais sonoros, nosso tímpano, num tempo t1. Temos aí o impacto puro, o s do primeiro segundo. Essas puras intensidades chegam ao cérebro, formam a afecção, seja como intuição, seja relacionando-a a algo já visto. Os tempos t2, t3 e sucessivos são as ressonâncias e reverberações desses sinais em nossa mente e em nossas ideias.

Mas o que fazemos com aquilo que reconhecemos e com o lugar onde por vezes imergimos? Duas são as saídas motoras: ignoramos ou consideramos. No primeiro caso, ignorar significa somente registrar mecânica ou automaticamente o que foi visto, ouvido, sentido. Apenas constatamos que o mundo continua mundo e as coisas estão em seus lugares.

Mas às vezes dedicamos alguma atenção a elas, entramos em seu enredo, como acontece no próprio filme. Uma história dramática, cheia de tragédias, violências, assassinatos pode ser mostrada a nós de forma a não nos causar nenhum impacto. Nesse caso, assistimos indiferentes a tudo isso. Nem sequer precisamos ativar nossas defesas, pois a maneira como foi construído o filme, a telenovela, o teleteatro já dispõe cenas, sons e diálogos de tal forma que impedem nosso envolvimento neles. Aqui, é na edição de imagens que se dá a manipulação das emoções do telespectador (consultar, nesta trilogia, os capítulos 6s, 11f e 13l de O princípio da razão durante, Tomo 5).

As formas de neutralização, racionalização e simbolização estão representadas pela letra s’ no gráfico. O que essas coisas provocaram internamente em nós recebe o nome de repercussão (cf. Gaston Bachelard, ver capítulo 2a). Elas não furam nosso bloqueio, não conseguem invadir o campo dos sentidos, elas apenas somam-se a concepções e impressões anteriores, sem divergir delas. Tornam-se não dissonantes.

Mas podemos também nos envolver nas cenas, nos mantermos surpresos, assistindo tensos ao desenvolvimento da coisa. Aderimos a ela, baixamos nossas censuras, sofremos junto com as personagens, partilhamos de suas alegrias, vivemos em sua intimidade. Quando não neutralizamos as emoções, elas permanecem com seu caráter ativo, assinalado com o sinal s’’.

Nossa inserção no campo das imagens significa que, pela intuição, nos submetemos inteiramente a elas, deixamos que elas nos invadam, e isso ocorre no mundo dos jogos, da ficção, dos sonhos, dos devaneios, das paixões, mas também na relação com pessoas de nossa confiança e intimidade. Bachelard chama a isso campo das ressonâncias, e lá se atinge a alma e podem ocorrer mudanças profundas. É o campo muito favorável à comunicação.

Pode ocorrer também que algumas cenas ou imagens são vistas, mas nosso cérebro prefere não considerá-las. Às vezes, por exemplo, vemos e ouvimos coisas que não ocorreram ou, inversamente, ignoramos coisas que, de fato, estavam lá. Neste segundo caso, o cérebro simplesmente não registra, seja porque não tem memória para tanto, seja porque não pode explicar. Nesse caso, a percepção pura nem sequer chegou a ser uma afecção de fato, menos ainda percepção.

No caso da teoria da comunicação, podemos simplesmente ignorar uma grande quantidade de sinais mostrados a nós diariamente exatamente porque, reconhecidos instantaneamente pela memória, os descartamos como não importantes. É possível que a maioria absoluta

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