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Comunicação e identidade: Quem você pensa que é?

Comunicação e identidade: Quem você pensa que é?

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Comunicação e identidade: Quem você pensa que é?

Duração:
294 páginas
3 horas
Lançados:
13 de mar. de 2014
ISBN:
9788534934428
Formato:
Livro

Descrição

As identidades contemporâneas passam pela mídia. Nos blogs, nos reality shows, na televisão e no cinema, o tema é um dos mais explorados. Que acontece com a identidade em uma sociedade mediada? Como pessoas, grupos e nações se reinterpretam diante da mídia? Até que ponto o entretenimento revela algo sobre nossa identidade? Essas são algumas das questões deste livro. Comunicação e identidade reúne algumas das principais ideias sobre o tema, por meio de exemplos tirados da televisão, da música, do cinema e de fatos cotidianos, tanto no mundo real quanto no ambiente virtual, mostrando os aspectos práticos da questão. O livro mostra as transformações na identidade a partir da comunicação, procurando delinear como a cultura da mídia – da música brasileira e dos Beatles ao futebol e Star Wars, passando por Madonna, jogos eletrônicos e séries de TV – se articula com as práticas cotidianas.
Lançados:
13 de mar. de 2014
ISBN:
9788534934428
Formato:
Livro


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Comunicação e identidade - Luís Mauro Sá Martino

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Sumário

CAPA

ROSTO

DEDICATÓRIA

INTRODUÇÃO - IDENTIDADE E COMUNICAÇÃO

1. IDENTIDADE, CONHECIMENTO E COMUNICAÇÃO

2. MÍDIA E IDENTIDADE

3. AS QUESTÕES NA ORIGEM DO TRABALHO

4. ALGUNS AGRADECIMENTOS

PARTE I

A invenção do eu

1. DESCONSTRUÇÃO E IDENTIDADE

2. OS TEXTOS DA IDENTIDADE

Olhar, nomear, controlar

1. A INTENSIFICAÇÃO DO CENTRO

2. DISTRIBUIÇÃO DE SABERES E COMPOSIÇÕES DE PODER

3. A INSTITUIÇÃO E A AUTORIDADE DO DISCURSO

4. O QUE É UM NOME?

O tempo/memória nas narrativas da mídia

1. DISCURSOS DE IDENTIDADE E CULTURA DA MÍDIA

2. O PASSADO É UM PAÍS ESTRANGEIRO: ESPAÇOS, OBJETOS, MEMÓRIA

Mídia, consumo e identidade:um estudo de caso

1. A VISÃO DOS OUTROS

2. O DUPLO DISCURSO SOBRE TELEVISÃO E CONSUMO

PARTE II

O DNA da identidade nos discursos

1. FRANTZ FANON E O PROBLEMA DA REPRESENTAÇÃO

2. EDWARD SAID E A NOÇÃO DE ORIENTALISMO

3. LITERATURA, COMUNICAÇÃO E IDENTIDADE: NGUGI WA THIONG’O

4. A CULTURA SEM TERRITÓRIO: HOMI K. BHABHA

Nós e eles:representação e identidadena final da Copa do Mundo de 2002

1. A SELEÇÃO BRASILEIRA COMO METÁFORA: VALORES ATRIBUÍDOS AO BRASIL

2. A EQUIPE ALEMÃ E A DEFINIÇÃO DOS ATRIBUTOS DO OUTRO

3. IDENTIDADE E DIFERENÇA ALÉM DO CAMPO

O gênero neutro:a definição do outro/da outranos microdiscursos

1. O LUGAR DA ESCRITA: O QUARTO DE VIRGINIA WOOLF

2. GAYATRI CHAKRAVORTY SPIVAK E A DESCONSTRUÇÃO DAS OPOSIÇÕES BINÁRIAS

3. PROBLEMAS DE GÊNERO: JUDITH BUTLER ENCONTRA BRIDGET JONES

4. ARTICULAÇÕES INACABADAS NA VISÃO DE BELL HOOKS

Páginas brancas, leitoras negras– gênero, etnia e discurso da mídia

PARTE III

Mente, cérebro e comunicação:a perspectiva da Neuro-história da Arte

1. A ESCRITA COMO FARMAKON DA MEMÓRIA

2. A EXPLOSÃO DE SIGNOS NA GALÁXIA DE GUTENBERG

3. A IMAGEM COMO CATEGORIA ANALÍTICA

4. NA TRILHA DO PÓS-HUMANO

A identidade disseminada:a criação do eu nos blogs

1. A INTIMIDADE PÚBLICA

2. OS COMENTÁRIOS: O ESPAÇO DO OUTRO

3. COMUNIDADES VIRTUAIS

4. DA COMUNIDADE À GLOBALIZAÇÃO

A identidade mediada:o que é ser alguém em um reality show?

1. A VIDA NORMAL, EXTRAORDINÁRIA

2. PERSONAGENS DE SI MESMOS: A DIFERENÇA PÚBLICO/PARTICULAR

3. A PRODUTIVIDADE DOS FÃS

Ser/Estar em Comunicação.Considerações mínimas

1. MAS O SER, HOJE, É A IMENSIDÃO SOMBRIA DA DÚVIDA

2. NÓS APRENDEMOS A IDENTIDADE LETRA POR LETRA

3. O SER DA LINGUAGEM COMPREENDE O SER DO HOMEM

4. NÃO SOU IDÊNTICA A MIM MESMA / SOU E NÃO SOU AO MESMO TEMPO, NO MESMO LUGAR E SOB O MESMO PONTO DE VISTA

5. AS COISAS QUE PROCURO / NÃO TÊM NOME

BIBLIOGRAFIA

COLEÇÃO

CRÉDITOS

Este livro é dedicado à cidade de Norwich, Inglaterra,

pela melhor acolhida que um estrangeiro poderia ter.

E às pessoas da cidade de São Paulo, Brasil,

pelo melhor retorno proporcionado após a ausência.

INTRODUÇÃO

IDENTIDADE E COMUNICAÇÃO

Quando alguém pergunta quem é você?, a resposta típica inclui dizer o próprio nome, eventualmente a idade, o que está fazendo naquele lugar. Se a questão vira diálogo, a definição de quem é você vai ficando complexa. Novos elementos são agregados o lugar onde nasceu, onde mora; mais para a frente, a conversa pode incluir gosto pessoal, time de futebol, o estilo de música, endereço do blog , nome no Twitter, histórias interessantes. Ou seja, quando alguém nos pergunta quem somos, imediatamente começamos a formar um discurso , uma narrativa sobre nós mesmos.

Essas narrativas comunicam aquilo que somos. Ou, como veremos, comunicam uma representação de nós mesmos. A criação desses discursos de identidade depende de vários fatores, a começar pela memória sem ela não há tramas narrativas, não há discurso sobre o presente. As narrativas do passado, com a participação da memória, se relacionam com as possibilidades de comunicação do presente para formar um discurso. Mas nem tudo pode ser narrado.

Escolhemos contar ao interlocutor alguns fatos e esconder outros conforme a situação. Valorizamos um episódio de nossa vida um momento de valentia, por exemplo enquanto discretamente eliminamos outros digamos, a falta de resistência diante de um chocolate. Às vezes o inconsciente nos trai e dizemos algo que não deveria ser dito. Seja como for, essas narrativas vão construindo nossa imagem na mente do interlocutor. Não só o que dizemos, mas também a maneira como isso é falado sem mencionar gestos, roupas e outros sinais que auxiliam a outra pessoa, literalmente, a nos construir. A identidade, nesse ponto, aparece como um problema de comunicação.

Esse discurso sobre nós mesmos não foi constituído da noite para o dia. É o resultado de nossas experiências significativas transformadas em parte de nossa memória. Quando se diz quem é para alguém, está se tecendo um caminho possível entre os muitos fatos, acontecimentos e eventos passados e presentes em outras palavras, esse discurso é criado dentro de uma história. Não a nossa história no sentido de uma narrativa verdadeira, com todos os fatos de nossa vida, mas nossa no sentido de que é o discurso escolhido e montado por nós para representar um eu diante dos outros.

Por isso a pergunta deste livro não é Quem é você?, mas Quem você pensa que é?, quais representações são feitas da identidade. A partir de quais discursos você se monta ao se apresentar para outras pessoas? E em quais discursos as pessoas, seus amigos, o governo, encaixam você? Existem inúmeras possibilidades, e, como veremos, nem todas estão disponíveis para a escolha.

Isso não significa dizer que quem é você? é uma pergunta vazia.

Claro que você sabe quem é. Todo mundo sabe quem é. Depois de anos de convivência diária, é inevitável que se tenha alguma noção de quem se é. Você se reconhece ao se olhar no espelho, mesmo que a figura no vidro não seja a mesma que está em sua mente. Você sabe qual é sua melhor roupa, de quais músicas gosta, os lugares que frequenta. Tem um nome e um endereço. E não é necessário ir muito longe no jogo de dizer quem é você. Até eu sei alguma coisa sobre você.

Você tem algum tipo de educação escolar, certa relação com o mundo universitário. Estudante, professor, pesquisadora. Fala português, é alfabetizado, talvez não seja rico mas certamente não é miserável. Obteve o livro porque alguém recomendou, porque achou o título interessante títulos são para isso, não? ou porque foi obrigado. Isso não só mostra alguma coisa sobre quem é você, mas também diz algo sobre seu espaço dentro da sociedade, seu lugar com os outros. Essas atitudes permitem que se adivinhe alguma coisa sobre você pelo simples fato de ler este livro.

Finalmente, há um cartão verde com um número, uma foto e a impressão do seu polegar direito que, em última instância, diz quem você é. No sentido mais óbvio, é a garantia de que você é você e não é outro, o que nem sempre é bom como parece. Você tem o maior grau de conhecimento sobre si, e mesmo quando outra pessoa parece conhecê-lo melhor é porque você deu pistas para ela adivinhar. Ou seja, nesse ponto de vista, você sabe quem é.

No entanto, este livro não é sobre quem se é, mas como a identidade que você chama de sua tem sido construída a partir de milhares de escolhas, acasos, problemas e soluções inventadas continuamente na vida cotidiana. Este livro é um panorama das ideias sobre como se constrói e se define uma identidade a partir da comunicação. Como lembra Craig Scott:

Em muitos aspectos, identidade e identificação são questões fundamentalmente comunicativas. De fato, é através da comunicação com outros que expressamos nosso sentido de vínculo, pertencimento (ou falta dele) em relação às várias coletividades. É também pela comunicação que temos acesso à imagem dessas coletividades, que as identidades podem ser conhecidas por nós, e que as vantagens e desvantagens de se ter uma identidade são reveladas.¹

A identidade de alguém é formada na intersecção de inúmeros fatores, às vezes paralelos, às vezes contrários, dentro de tempos de duração variável. É um processo contínuo no qual oportunidades de escolha se alternam com obrigações sociais ou determinações psíquicas. A decisão individual e a pressão social nem sempre encontram fronteiras definidas aliás, decidir quem você é implica igualmente escolher quais serão suas fronteiras.

Finalmente, você existe em uma história é o caso de saber por quanto tempo esse seu eu de hoje vai durar. Nem sempre se é a mesma pessoa. Quando, em algumas ocasiões, se faz algo pela primeira vez, se descobre capaz de algo novo, imediatamente seu conceito a respeito de si mesmo muda. Em um minuto sua identidade mudou, você é a pessoa do minuto passado somada às características adquiridas no instante presente, e, portanto, você é outra pessoa. Mas ainda é a mesma. Paradoxal.

1 SCOTT, C. Communication and Social Identity. Communication Studies, vol. 58, n. 2, Junho 2007.

1. IDENTIDADE, CONHECIMENTO E COMUNICAÇÃO

Quais os critérios de conhecimento usados por uma pessoa para identificar a si mesma e às outras? De onde vieram esses critérios, como foi montado o quadro mental a partir do qual uma pessoa compreende as outras? O problema da identidade está vinculado à questão do conhecimento e, por esse viés, a uma questão de comunicação. Na opinião de James David e Oliver Gandy:

Identidade pode ser entendida a partir de uma perspectiva cognitiva. O conhecimento que temos do mundo social nos oferece um quadro completo de referências a partir das quais vemos a nós mesmos e conferimos sentido ao mundo social.²

Neste livro, a ideia é pensar a identidade como questão de comunicação, resultado da interação de mensagens entre pessoas e culturas. Identidade é algo que se produz, transformando-se em uma mensagem, reelaborada por outra pessoa. As etapas de produção dessa mensagem são os momentos de construção da identidade, e isso já implica a maneira como vamos decodificar as outras mensagens que chegaram até nós.

Nesse sentido, Maria do Rosário Gregolin fala das relações entre identidade e linguagem como um tema que atravessa várias disciplinas acadêmicas:

O conceito de identidade é complexo, multifacetado e, por isso, pode ser pensado a partir de vários ângulos e tem sido objeto de reflexões em vários campos de estudos, como, por exemplo, na Antropologia, na Psicologia Social, na Sociologia, na Filosofia, na Psicanálise etc. A questão que coloco no centro dos meus trabalhos é: pode-se pensar a identidade como efeito de sentido produzido pela e na linguagem?³

O olhar que teremos sobre uma imagem, uma pessoa ou um objeto está ligado à nossa cultura, isto é, em termos simples, ao conjunto de conhecimentos anteriores que temos para identificar a pessoa ou o objeto quando olhamos para ele. Portanto, a atribuição da identidade está ligada à cultura de cada indivíduo. Essa cultura permite-lhe construir uma identidade, isto é, montar uma mensagem dizendo este sou eu para as outras pessoas, e, ao mesmo tempo, ler as outras pessoas, decodificar as mensagens que elas enviam em termos de identidade. O conhecimento transformado em relações de comunicação parece ser o início e o fim do longo trabalho de construção da identidade. Daí que as relações de identidade estão ligadas ao estudo da Comunicação.

Isso se relaciona com uma premissa teórica e metodológica.

O ponto de partida teórico, neste livro, entende a comunicação como um elemento central na articulação das relações sociais. Autores de várias áreas e origens procuram sublinhar o aspecto comunicacional das ações humanas; para citar apenas alguns, valeria mencionar, no campo da comunicação, pesquisadores diferentes como Niklas Luhmann e Jürgen Habermas. E, no entanto, talvez uma definição venha do campo da educação, com Paulo Freire:

Sem a relação comunicativa entre os sujeitos cognoscentes em torno do objeto cognoscível, desapareceria o ato cognoscitivo (…) O mundo humano é, desta forma, um mundo de comunicação.

Ou, em outra modalidade, da literatura de Paulo Leminski:

Dizer é fazer. Linguagem é trabalho. Há, hoje, toda uma linhagem na linguística moderna tendendo a incluir a economia, a produção e a circulação de bens como um momento da comunicação. (…) A atividade humana básica, fundamental, essencial, é comunicar, manter e curtir a coesão social.

2 DAVIS, J. e GANDY, O. Racial Identity and Media Orientation. Journal of Black Studies, vol. 29, n. 3 (jan., 1999), pp. 367-397.

3 GREGOLIN, M. Identidade: objeto ainda não identificado?. Estudos da Língua(gem), vol. 6, n. 1, 2008.

4 FREIRE, P. Extensão ou Comunicação? 10ª Ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

5 LEMINSKI, P. Sem eu, sem tu, nem ele. Ensaios e Anseios Crípticos. Curitiba: Polo Editorial do Paraná, 1997, p. 74.

2. MÍDIA E IDENTIDADE

Há um outro motivo para vincular identidade e comunicação. Em uma sociedade articulada com a mídia, a construção da identidade passa pela relação entre as pessoas e os meios de comunicação, em diversos graus de articulação entre eles. Como explica John B. Thompson, no novo mundo da visibilidade mediada, tornar-se visível é mais do que uma decisão da vontade.

As identidades contemporâneas passam pela mídia, se articulam com as pessoas e se transformam em novos modelos de compreensão. A ideia, aqui, é mesmo de articulação como um processo de mão dupla, uma dialética entre o poder dos meios de comunicação em contraste com as possibilidades de resistência dos indivíduos, dos grupos e das comunidades, não apenas recebendo as mensagens da mídia e articulando-as em seu universo social, mas também produzindo sua própria comunicação, em qualquer esfera. Na explicação de Thomas Fitzgerald,

mais e mais pessoas de diferentes situações culturais e sociais dividem uma cultura abrangente, mediada pela comunicação. Ao mesmo tempo, há uma forte tendência de vários grupos em insistir em suas diferenças, ao menos simbólicas.

Nesse sentido, lembra Raymond Williams, Comunicação reforça o sentido da comunidade as duas palavras vêm da mesma raiz latina, communio e, por tabela, da identidade.⁸ Afinal, parte da identidade se constrói nos vínculos de grupo, e a comunidade de recepção de um programa de tv, por exemplo, é uma maneira de pensar a identidade os encontros de fãs de uma série de tv, por exemplo, ou o festival AnimeFriends, que reúne em São Paulo fãs de desenhos animados japoneses, sugerem que a mídia tem se tornado um elemento dos vínculos de identidade.

O caso da música forneceria outros dados semelhantes sobre a construção de representações a partir da mídia. Simon Frith, por exemplo, mostra como o rock é um elemento constitutivo das identidades não só juvenis, mas de pelo menos duas gerações.⁹ John Street, um dos maiores especialistas no assunto, discute em vários trabalhos como as identidades construídas a partir da cultura da mídia chegam a influenciar diretamente o comportamento político dos eleitores: se identificar com o rock’n’roll, por exemplo, não é apenas manifestar uma preferência estética, mas também definir pontos de vista políticos e um olhar específico para o mundo.¹⁰

Fazer parte de uma tribo urbana, ser gótico, punk ou nerd, por exemplo, também em alguma medida é estar ligado a um circuito de consumo, leitura no sentido amplo do termo, articulação e produção de representações no qual a mídia, em algum momento, está inserida. Se ter uma identidade é também reconhecer as fronteiras dos grupos nos quais se está inserido, é possível notar que esse fazer parte significa, no cotidiano, gostar desta ou daquela roupa, ouvir um ou outro tipo de música, ler alguns livros e não outros.

Daí volta a pergunta do livro, não Quem é você?, mas Quem você pensa que é?, ou seja, como foi que, a partir de inúmeros fatores, escolhas, critérios mais ou menos inconscientes, crises e decisões diversas, você aprendeu que você é você, aprendeu a reconhecer a si mesmo e aos outros, soube quais são os critérios mais válidos para se identificar; e isso foi aprendido na relação de comunicação com os outros.

Você se construiu, mas nem sempre teve consciência disso. Aliás, é bem provável que, nos momentos em que você percebeu, tenha entrado no que se chama de crise. Há um eco do que Marx afirma em O Dezoito Brumário, escrito em 1859: os homens fazem sua própria história, mas não têm consciência disso.¹¹ A sua história pessoal, a partir da qual você encontra elementos para dizer quem é você, também nem sempre é consciente. E o resultado dessa dialética entre escolha e acaso, determinação e liberdade, comunidade e meios de comunicação, é uma entidade singular e paradoxal. Um Eu, um Você.

Essa é uma das premissas que orienta este livro. A outra foi uma situação prática.

6 THOMPSON, J. B. The new visibility. Theory, Culture and Society. 22(6), 2005, p. 31.

7 FITZGERALD, T. My culture made me do it: Media, identity and the politics of recognition.International Journal of Cultural Policy, 6:1,69 – 90, 1999.

8 WILLIAMS, R. Keywords. Nova York: Fontana, 2001, p. 74.

9 FRITH, S. Rock and politics of memory. Social text, 9/10, Verão, 1984.

10 STREET, J. Rock, pop and politics. In: FRITH, S. The Cambridge Companion to Pop & Rock. Cambridge: Cambridge University Press, 2001, p. 243; Id. Politics and Popular Culture. Philadelphia: Temple, 1997; Id. Mass media, politics and democracy. Londres: Palgrave, 2001.

11 MARX, K. O Dezoito Brumário. São Paulo: Centauro, 2003.

3. AS QUESTÕES NA ORIGEM DO TRABALHO

A introdução ou o prefácio é talvez o lugar no qual se pode dizer algo sobre a história do livro. A escrita tem várias motivações, e, no caso deste texto, o ponto inicial se refletiu na maneira como o livro foi organizado, na divisão dos capítulos e na escolha dos temas que seriam trabalhados dentro de comunicação e identidade.

De certa maneira, este livro teve origem em um descentramento, um deslocamento de identidade. (Lamento ter de usar o eu nos próximos parágrafos. Mas seria estranho negar a existência de um autor. Também não será usada a terceira pessoa o autor deste livro é... porque não posso ser ele quando tenho dificuldade suficiente em ser eu).

No ano de 2008, por conta de uma simpática bolsa de estudos, fui pesquisador na Universidade de East Anglia, em Norwich, leste da Inglaterra. Algumas intermitências da identidade vieram à tona subitamente durante um diálogo com um dos professores. Durante um café aliás, um chá no restaurante da universidade, ele apontou para um detalhe em um texto que eu tinha entregue dias antes:

Acho que você deveria rever esta afirmação,

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O que as pessoas acham de Comunicação e identidade

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