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O pulsar da vida

O pulsar da vida

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O pulsar da vida

Duração:
40 páginas
1 hora
Lançados:
13 de mar. de 2014
ISBN:
9788534936958
Formato:
Livro

Descrição

O pulsar da vida é um livro que pretende reabilitar os ânimos, os espíritos, as vontades, as energias, as vitalidades para as coisas boas da vida e para o outro. Busca sensualizar o pensamento, tentando arrancá-lo do ranço antipático que caiu nas últimas décadas, e depositar nele uma fé alegre, feliz, entusiasta.
Lançados:
13 de mar. de 2014
ISBN:
9788534936958
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

O pulsar da vida - Ciro Marcondes Filho

Rosto

Índice

APRESENTAÇÃO

Saber amar o outro como liberdade exterior à minha

Saber sentir: a sabedoria do corpo

Saber cantar, saber dançar, saber morrer

Saber pensar, remédio contra as barbáries (nossas e do mundo)

A filosofia como prática diária

vendo o mundo de forma diferente

Bibliografia

APRESENTAÇÃO

Encher-se de ar, esvaziar-se, agitar-se, bater, vibrar, balançar, badalar, ir e vir, tique-taque, fluxo e refluxo, batimentos do coração, ciclo cardíaco, pulsação, pulsante, pulsar. Estou ouvindo o coração, estou sentindo a vida, estou vivendo, estou vivendo. Bum-bum... Bum-bum... É o pulsar da vida. Vida: geração e reprodução, nascimento, crescimento, multiplicação e morte. Pulsar, pulsar, pulsar. Élan vital, força vital, atividade, função, mecanismos vitais, pulso, coração, respiração, estou vivo. Mas também: energia, saúde, tônus, vigor, vivacidade. Sopro de vida, alma, espírito, anima, pneuma. Existência.

O pulsar da vida é o que nos mantém vivos. Pelo menos do ponto de vista biológico. Vida cotidiana, vida civil, vida militar, vida ativa, vida profissional, vida pública, vida fácil. Vida conjugal, vida privada, vida afetiva, vida moral, vida interior, vida secreta da alma. Vida religiosa, vida contemplativa. Mas há também os modos de vida, as condições de vida, os costumes, o saber viver, o bem-viver. Pare! Eu quero descer. É neste ponto: dolce vita, boa vida, arte de viver. Bum-bum, bum-bum.

Viver é ser, é existir. Estar ainda neste mundo. Ser ainda do mundo. Permanecer, subsistir, perdurar, sobreviver. Mas também fazer existir: dar vida a alguém, dar à luz. Além de restituir a vida, reanimar, ressuscitar, salvar, fazer reviver. Pode-se tomar a vida como ela vem ou gozá-la. Mas vida é também um indivíduo, uma pessoa. Vidas foram salvas. Uma alma, uma consciência, um espírito, um destino, uma sorte.

A vida é aquilo que anima as pessoas, aquilo que nelas pulsa. O pulsar da vida é a manutenção dessa energia vibrante que abastece de firmeza nossa existência, que lhe dá o colorido poético, que lhe faz ter graça. A vida precisa pulsar, a vida precisa animar-se, a vida precisa ser bela. Precisamos dar mais calor, entusiasmo, vitalidade, vigor, prazer à vida. Esta é uma das intenções deste livro. Chamar a atenção de homens e mulheres para o fato de que a vida é um episódio só, nossa chance única neste teatro do mundo. Só temos direito a uma apresentação. E ela tem de ser gratificante.

Sensualismo: não exatamente o jargão filosófico, de que todo conhecimento vem das sensações, mas certa sensualização. Sensualização do pensamento, da existência, do amor e da paixão. Buscar neles o prazer, a satisfação, o bem-estar, mas também a felicidade, a alegria, o contentamento, o encantamento, a serenidade, a paz. Não a sensualização no sentido de euforia e do êxtase mas de ter prazer com, ter um bem-querer. Sensualização como desenvolver a sensibilidade, trabalhar o sensível.

A arte de pensar precisa ser reaprendida, valorizada, tida como atividade agradável, rica, subsidiária, companheira de nossa vida. O pensamento atual precisa ser revisado, e o pensamento antigo, naquilo que ele ainda traz de poderoso, de vital, de decisivo, tem de ser recuperado e posto novamente em prática. Voltemos aos clássicos e vamos nos aproveitar dessa sabedoria milenar a aplicá-la ao nosso dia-a-dia. Se ainda não o fizemos, precisamos aprender a pensar. Pensar também se aprende. Ninguém nasce sabendo pensar.

A existência também carece de algumas lições. Descarregam-nos no mundo e deixam-nos ao deus-dará. Somos atirados. Ninguém nos ensina coisa alguma da arte de viver. Por isso, temos de aprender. Aprender a viver. Isso também faz parte de uma vida saudável, da recuperação daquilo que nos resta de nossa vida neste planeta.

E, por que não, aprender a amar, a dar-se, a esvaziar esse excesso de egoísmo que carregamos em nossa existência social e que prejudica nossos relacionamentos amorosos, o reconhecimento e a valorização do outro. Sermos generosos, solidários, termos compaixão. Não é muito, não é difícil, é apenas uma questão de dar início.

O pulsar da vida é um livro que pretende reabilitar os ânimos, os espíritos, as vontades, as energias, as vitalidades para as coisas boas da vida e para o outro. Busca sensualizar o pensamento, tentando arrancá-lo do ranço antipático que caiu nas últimas décadas e depositar nele uma fé alegre, feliz, entusiasta. Uma fé crente de que sem o pensamento e sem a reflexão este planeta não tem futuro.

O livro está aí. É uma colaboração pequena, apenas uma gota a mais no oceano. Quem sabe uma gota que caia em solo onde uma semente pequenina estava exatamente esperando por ela para crescer e se desenvolver. Quem sabe...

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SABER AMAR O OUTRO COMO LIBERDADE EXTERIOR À MINHA

Ao chegarmos ao mundo, nossa primeira vivência é a do amor. Nossa mãe nos aconchega, nos alimenta, mata nossa sede e nossa fome. Somos servidos. Há uma disponibilidade total, uma entrega plena do outro a nós. Ficamos mal-acostumados. E esse vício carregamos por boa parte de nossa vida – alguns, pela vida inteira – enquanto não assumimos consciência dele e não reagimos a ele. O vício do egoísmo, do egocentrismo, do narcisismo.

O fato de termos sido tratados com atenção e preocupação por nossa mãe por um período de tempo muito mais longo do que os outros animais, cria nos seres humanos dois comportamentos equivocados: a ampliação desmesurada de seu amor-próprio e a sensação de que os outros estão no mundo para os lisonjear, para os adular de forma servil. Assim, agimos no mundo, colocando nossa pessoa em primeiro lugar, antecedendo todas as frases com um eu, enumerando as pessoas que fazem parte de um grupo, de uma turma, de um conjunto de participantes, começando sempre pelo seu próprio nome. Assumir a consciência de que somos pequenos, insignificantes, nada em relação ao mundo e à natureza é um duro processo de aprendizagem e de autocorreção. Como diz o psicólogo Gilberto Safra, o homem alcança sua humanidade quando vai em busca do sentir-se pequeno.

Sentir-se pequeno é uma conquista, uma lapidação, um refinamento do ser humano. E é, ao mesmo tempo, um desvencilhamento, um abandono, uma ruptura com o vício do egoísmo e do egocentrismo. Esse vício é o responsável pela construção, no interior de cada um de nós, da indiferença, este mal das civilizações modernas que se manifesta na desatenção para com o outro, na ausência de preocupação, na negligência, na apatia. É uma derivação desse narcisismo infantil que ergue internamente – de forma defensiva, naturalmente – uma postura pretensiosa, presunçosa, arrogante e soberba.

Nas relações passionais, a questão do amor-próprio está no centro. Arthur Schopenhauer e La Rochefoucauld acreditam que quase todas as formas de amor não passam de maneiras indiretas de amor-próprio, o maior de todos os sedutores, segundo este último: amo no outro o fato de ele me fazer bem, me tratar bem, me adular e me cortejar. Amo aquele que me trata bem, amo aquele que me curte, amo aquele que me badala, amo, em suma, a mim mesmo acima de todas as coisas e de todas as outras pessoas. Diz o filósofo francês que a pessoa é mais feliz pela paixão que tem do que por aquela que ela dá. Que não há paixão onde o amor a si mesmo reine tão poderosamente como no amor: a pessoa é sempre mais disposta a sacrificar o repouso daquele que ama do que perder o seu próprio descanso.

Chegamos ao ápice do egoísmo, cujo outro lado é a secura do coração, a frieza, a crueldade, a desafeição, o desdém, o desprezo: eu me amo, só penso em mim. La Rochefoucauld é sempre mais radical que Schopenhauer, que acreditava haver sim um amor verdadeiro além do amor-próprio, e que este seria a compaixão.

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