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Apollo: Quando o amor está em jogo

Apollo: Quando o amor está em jogo

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Apollo: Quando o amor está em jogo

avaliações:
5/5 (4 avaliações)
Comprimento:
492 página
7 horas
Lançado em:
Nov 5, 2017
ISBN:
9788568839485
Formato:
Livro

Descrição

Apollo é um jogador de futebol famoso e bastante procurado pela mídia. Sexo, dinheiro e fama não são problemas. As mulheres fariam qualquer coisa para ter um momento ao lado de um homem como ele, mas bastou um olhar na direção de uma certa morena de olhos verdes para bagunçar seu mundo perfeito.
Kimberly é rica, mas sempre desprezou o dinheiro de seu pai que é dono de um grande clube de futebol. A imundice que acompanha tanto glamour não é para ela. Sua mãe e sua irmã, sim, amam essa vida. Ela não, por isso batalhou e se tornou jornalista por conta própria.
Acontecimentos do passado fizeram com que evitasse se aproximar de jogadores de futebol a todo custo, mas uma entrevista com Apollo pode salvar a emissora na qual trabalha e manter o emprego de milhares de pessoas.
Ela poderia lutar contra si mesma e contra tudo o que mais odeia para ajudar outras pessoas? Apollo teria o poder de quebrar a primeira regra de sua lista de proibições?
Conheça essa história que vai além da negação, superação, perdão, sexo quente e a descoberta do amor.
Lançado em:
Nov 5, 2017
ISBN:
9788568839485
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do Livro

Apollo - Lucy Berhends

SUMÁRIO

Capa

Ficha Catalográfica

1 - Simplesmente não posso

2 - Só dessa vez

3 - Quebrando as regras

4 - Próxima etapa

5 - Fantasma do passado

6 - Proposta indecorosa

7 - Juro que tentei

8 - Excelente noticia

9 - Forte e amargo

10 - Entre a cruz e a espada

11 - Invadindo meus pensamentos

12 - Um grande presente

13 - Dá-me paciência

14 - Enfim, Europa

15 - Eu simplesmente não posso

16 - Deus do futebol

17 - Não posso mais negar

18 - Eu topo

19 - Primeiro round

20 - Prontos para o desafio?

21 - Como um passe de mágica

22 - Declínio da salvação

23 - Devo acreditar nisso?

24 - Como não amá-lo?

25 - Um arrependimento

26 - Mais uma chance

27 - Lá vem bomba

28 - Livre estou...

29 - Será que consigo?

30 - Acontecimento do passado

31 - O que você fez?

32 - Revelações

33 - O caos está armado

34 - À espera de uma resposta

35 - Então que seja agora

Agradecimentos

— Bom dia, Jane. Como vai seu bebê fofo? Está melhorzinho da gripe?

— Está melhorando, Kim. Obrigada por perguntar.

Estou iniciando o meu turno como jornalista investigativa na Rede Nacional de Comunicação, emissora RNC, aonde geralmente chego às nove, e a manhã já começa a todo o vapor com gente andando de um lado para o outro, jornalistas convocando sua equipe e olhos vidrados em computadores em busca de notícias recém-saídas do forno.

— Fico feliz em saber que aquela coisa linda está melhor. Vou visitá-lo quando puder.

Jane sorri.

— Já viu o Sr. Olavo? Ele está louquinho para falar com você.

— Olavo? O que ele teria para falar comigo? Será que tem algo a ver com o caso daquele político que estava recebendo propina?

— Você ainda está mexendo com essa casa de abelhas, Kim? Aquele deputado é perigoso. Não tem receio de ele tentar calar sua boca? Esse povo não tem escrúpulos.

— Não. Eu não tenho medo. Se eu tivesse teria que mudar de profissão, não acha?

— De certa forma... talvez tenha razão, mas cuidado. Esses caras fazem de tudo para se manter no poder.

— Sei disso melhor do que ninguém. Deixe-me ir. Vou ver o que meu chefe quer dessa vez.

Continuo caminhando em direção à minha mesa. Antes de saber o que está acontecendo, preciso guardar a bolsa e checar o meu e-mail. Estou esperando a confirmação de uma informação quentíssima que pode ser um divisor de águas na minha carreira de jornalista.

— Bom dia, Silvio. Bom dia, Ana. — Cumprimento meus colegas que trabalham nas mesas ao lado.

— Já foi até a sala do chefe, Kimberly? Ele pediu para que o procurasse assim que você chegasse — Silvio pergunta, aparentemente preocupado.

Putz. Eu já tenho que começar o dia com Olavo tentando me podar, me dizendo que eu não vá tão fundo em minhas investigações, que não ponha minha vida em risco?

Que raio de emissora pede que um jornalista não faça seu trabalho direito? Isso só deve existir aqui.

— Ainda não. Daqui a pouco estarei lá.

Alcanço a minha mesa e sento, ligando o meu computador. Aperto o play para que a minha playlist comece a tocar e dou um suspiro quando ouço as primeiras melodias saírem do alto-falante. Eu tenho uma seleção para cada dia da semana e como hoje é quinta, a sequência inicia com a canção Beautiful Day da banda Irlandesa U2.

É tudo o que desejo. Espero que hoje seja um dia bonito. Cantarolo o refrão enquanto guardo meus objetos pessoais no armário adjacente. Está um lindo dia, não o deixe escapar. A música tem o poder de elevar a minha alma, fazer o meu dia mais leve, mais esperançoso.

Tiro da gaveta algumas fotos e as coloco em cima da mesa. Elas são a minha inspiração diária. Meu pai, Eduardo Nóbrega, está em uma delas dando um sorriso que pouco se vê em seu rosto quando está diante de outras pessoas.

Para mim, ele sempre sorri.

Eros, meu irmãozinho, está ao seu lado, dando um grande abraço. Eu amo meu irmão e, embora eu tenha usado diminutivo, ele é apenas um ano mais novo que eu. Tem vinte e cinco anos. Só não gostei da profissão que escolheu, mas isso é papo para mais tarde.

Em outra foto, está meu lindo noivo, Rafael. Rafa, como costumo chamá-lo. Ele é a melhor coisa que já me aconteceu. Há um ano me tornei sua noiva depois de três longos anos de namoro. Estamos planejando nos casar daqui a no máximo um ano já que tenho vinte e seis e ele trinta. Acho que já está na hora de construirmos uma família, não?

Os três homens da minha vida, juntos, em cima da minha mesa, me dão inspiração e razão para prosseguir. Se existem mulheres em torno de mim? Ah, sim, elas existem, mas falo melhor sobre elas em outro momento.

Quanto ao meu trabalho? Todas as energias positivas são importantes para que eu não surte. É muita sujeira que encontro debaixo do tapete e preciso ter muito autocontrole para não levar os problemas para a minha vida pessoal.

— Kim, Sr. Olavo disse que quer falar com você assim que chegar. — Outro funcionário passa por mim, deixando a tão repetida mensagem.

Uau! Será que tem alguém desesperado por aqui? Esse cara deixou recado com todos os funcionários da emissora? Ele não vai me dar o direito sequer de respirar?

Levanto da cadeira e estalo meus dedos antes de dar os primeiros passos a caminho do escritório do meu chefe. Estalar os dedos é como um mantra para mim. Parece que meu corpo ganha vida quando faço isso. Às vezes me acho meio estranha por conta dessa mania, mas depois penso: quem não as têm?

— Bom dia, Tânia. Sr. Olavo pode me receber agora? — Sua secretária levanta com a prontidão e eficiência de um soldado inglês. Seus cabelos devidamente presos em um coque e sua roupa clichê de secretária destoam completamente da loucura que é trabalhar em uma emissora de TV.

— Ele só está te aguardando, Srta. Nóbrega.

É sério isso? Alguém neste país ainda usa essa coisa de senhorita? Tânia deve ser um anjo do século passado enviado especialmente para lidar com Olavo. Eu não aguentaria ser sua secretária por um dia.

— Obrigada, Tânia.

Dou duas batidas na porta e a empurro para ter acesso à sala do meu chefe. Ele está falando ao telefone e nem percebe a minha entrada.

— Eu quero isso resolvido ainda hoje. Se não conseguir essa entrevista, você está demitido. Demitido! — grita, fazendo caras e bocas como se a pessoa do outro lado da linha pudesse lhe ver.

Limpo a garganta e finalmente tenho sua atenção. Seus olhos se arregalam demonstrando algo que identifico como alegria, como se eu fosse sua tábua de salvação no meio de um maremoto. Ufa! Pelo menos dá a entender que aí não vem bomba.

— Quer falar comigo, Olavo?

Ele larga o telefone sobre a mesa, interrompendo a conversa sem a menor cerimônia e dá alguns passos em minha direção, parando mais perto de mim do que eu gostaria.

Não precisa estar tão próximo para que eu sinta o fedor de cigarro que já havia se tornado seu perfume natural. Para completar, ele tenta escondê-lo com balas de menta, fazendo uma mistura infernal. Espero que a conversa seja curta porque não aguento ficar aqui por muito tempo.

— Kimberly, que bom que você chegou. Sente-se. Precisamos ter uma conversa séria.

Oh, oh! Talvez eu tenha sido precipitada em achar que não viria bomba por aí.

Puxo a cadeira e me sento, enquanto ele dá a volta em torno da mesa para ficar do outro lado. Senta-se diante de mim e inclina sua cabeça para frente, me encarando de um modo que me deixa constrangida.

Desvio meu olhar, passando a observar os objetos e mobiliários à minha volta. As madeiras dos móveis são escuras e a sala é pintada em um tom gelo que dá um ar pesado ao ambiente. Eu não teria escolhido essas cores se a sala fosse minha, penso rapidamente.

Réplicas de pinturas famosas quebram a monotonia do lugar e conseguem trazer uma atmosfera um pouco mais leve em contraponto aos mobiliários de aparência pesada e rústica. Ao menos um pouco de vida em uma sala tão obscura.

— Do que se trata, Olavo? Desde que cheguei à emissora, todos estão me dando recados e mais recados. O que aconteceu agora? Tem alguma coisa a ver com aquele deputado?

— Não. Dessa vez não tem nada a ver com suas investigações. A questão é que a emissora está precisando de você como nunca precisou tanto de alguém. Você sabe que nunca tivemos interesse em usar suas influências, mas dessa vez não temos escolha. Tenho um pedido muito sério a te fazer, Kim.

Me chamou pelo apelido? Mau sinal. Com certeza vai me pedir algo realmente muito importante. Quase impossível. Ele não baixaria a guarda se não tivesse um bom motivo para isso.

— Desembucha de uma vez, homem. Já está me deixando preocupada.

Estalo meus dedos das mãos mais uma vez e fico me perguntando se eu pareceria louca se começasse a estalar os dedos dos pés também. Resolvo não arriscar.

— Calma, Kim, não vou te pedir o impossível ou qualquer coisa absurda. Aliás, o impossível você faz todos os dias em seu brilhante trabalho. O que vou te pedir está completamente dentro das suas possibilidades.

Hum... Me enchendo de elogios à toa? Isso não é próprio do meu chefe. Deve ser algo que vai mover o mundo. Nunca o vi tão bonzinho.

Estalo o último dedo e volto minha atenção para ele que franze a testa ao ouvir o barulho. Será que sou tão estranha assim?

— Continua com essa mania, hein, Kim? Estalar os dedos atrofia as juntas, sabia disso?

Sempre achei que essa conversa era só invenção das pessoas mais velhas. Tenho essa mania desde criança e meus dedos são completamente normais. Eu poderia ser um caso estudado pela ciência?

— Você não me chamou aqui para falar dos meus dedos, Olavo. Só faço isso quando estou nervosa e é como você está me deixando. Fale logo o que está acontecendo. Não tenho paciência para adivinhações.

Como eu falo assim com meu chefe? Eu sou boa no que faço. Se ele me demitir, tem um punhado de emissoras que vão querer o meu trabalho e ele sabe disso. Esporadicamente recebo uma proposta ou outra, mas ainda não encontrei motivos para mudar de casa.

— Você quer que eu vá direto ao assunto, é o que farei. Bem, como todos sabem, seu pai é dono de um dos maiores clubes de futebol deste país e, por isso, você cresceu no meio de celebridades, jogadores e artistas famosos.

— Já não estou gostando do rumo dessa conversa, mas continue.

— A emissora está perdendo contratos de propaganda de marcas expressivas porque não estamos apresentando um diferencial na área que sempre foi o nosso carro chefe, que é o esporte.

— Talvez seja o momento de investir em outra área?

— Talvez. Pode ser que você tenha razão, mas investir em outra área demanda tempo, dinheiro e no momento não temos nenhum dos dois.

Penetro meus olhos verdes nos seus enormes e negros totalmente proporcionais ao seu rosto rechonchudo em busca de mais alguma informação que negue ou confirme o que eu estou pensando. Minha atenção agora está cem por cento voltada para essa conversa.

— Está querendo dizer que a emissora pode fechar as portas? Ela tem chances de falir?

Ele respira fundo e se recosta em sua cadeira olhando para o teto como se de lá fosse encontrar a melhor resposta para me dar.

— É exatamente o que estou dizendo, Kimberly. Se algo não for feito com extrema urgência, os dez mil trabalhadores da RNC correm o risco de ficar desempregados da noite para o dia.

Caramba, pensei que estava trabalhando em uma empresa sólida, que não corresse esse risco. Dez mil pessoas sem emprego. Dez mil famílias sem seu sustento. Não, algo tem que ser feito. Isso não pode acontecer.

— O que eu posso fazer para ajudar?

Ele solta a respiração que parece estar presa em seus pulmões. Suas feições aliviam como se eu fosse a super heroína que está prestes a salvar a emissora dessa situação. De que forma eu faria isso?

— Você pode fazer muito, Kim, não tem ideia do quanto. Pode contribuir para que a emissora permaneça forte, mas para isso terá que trabalhar na área que sempre tentou fugir.

Não, não e um sonoro não.

A área esportiva não me atrai, não é o que quero e representa tudo o que mais odeio. Lembro de minha mãe dizendo: você foi criada para casar com um jogador de futebol rico e famoso. Linda como é e com os contatos certos, não terá qualquer dificuldade.

A insistência de minha mãe me fez nadar contra a maré. Um acontecimento da infância também colaborou para isso. Eu não quero nenhuma relação com qualquer tipo de esporte, mesmo tendo um pai dono de clube e um irmão jogador de futebol. Essa definitivamente não é a minha praia.

— Eu não vou trabalhar no setor de esportes, Olavo. Se essa é a sua ideia, então desista. Tente buscar outro meio de salvar a emissora.

Traços de cansaço voltam a tomar seu rosto que me levam a perceber duas bolsas de gordura sob seus olhos, mostrando que não tem dormido direito. Olhando bem, seu rosto parece bem mais envelhecido do que me lembro.

— Kimberly, entenda uma coisa. Se eu pudesse mandar qualquer pessoa fazer esse trabalho em seu lugar, não tenha dúvidas de que faria, mas você é a única com conhecimentos suficientes para conseguir essa entrevista. Eu te peço que faça apenas dessa vez e depois não falamos mais no assunto.

— Entrevista? Você não tinha comentado sobre qualquer entrevista. Do que está falando exatamente?

— Vou te explicar. Você conhece o jogador Apollo Assunção, não é?

— Sim, já ouvi falar. Ele não é o jogador mais disputado pelos clubes de futebol?

— Ele mesmo. Há rumores de que recebeu uma proposta para jogar em um dos maiores times da liga europeia, mas ainda não divulgou a notícia para a imprensa. Parece que está tentando manter em segredo pelo máximo de tempo possível.

— Certo. E onde eu entro nisso? Ainda não consegui entender, Olavo.

— Vai entender agora. Você, Kimberly, é a única nessa emissora com influência suficiente para entrar no estádio e se aproximar de Apollo. O clube dele estará jogando contra os Avantes hoje, e como seu pai é dono do clube, eu pensei...

Nem o deixo continuar. Levanto-me da cadeira como se brasa estivesse queimando minha bunda. Inclino meu corpo para frente e aponto um dedo na cara do meu chefe. Eu não estou nem aí se essa atitude vai ter consequências.

— Não, entendeu? Vou soletrar: N-A-O-til. Não! Você acha que estudei tanto, lutei e venci à minha própria custa para, na primeira oportunidade, usar a influência do papai? Não, Olavo. Eu detesto jogadores de futebol, são todos arrogantes, senhores de si e pretendo manter o máximo de distância possível.

— Kim, pense bem. Eu preciso que leve em consideração as pessoas que podem sair perdendo por sua recusa. Uma entrevista em primeira mão com Apollo é tudo o que precisamos para que as abelhas corram para o mel. As marcas só vão voltar a investir se pudermos provar que somos bons. Eu preciso de você.

Eu quase consigo ver lágrimas caindo dos olhos de Olavo. Sei o quanto a emissora é importante para ele e para milhares de outras pessoas, porém desta vez ele foi fundo na minha lista de proibições.

Sim, eu tenho uma lista dessas, de verdade. E no seu topo está escrito que jamais devo ter qualquer contato mais próximo com um jogador de futebol, mas como todas as regras têm exceção, meu irmão é a única.

Por quê? Quem sabe eu conto em algum momento. O fato é que preciso tirar essa ideia da mente do meu chefe a todo custo.

— Olavo, se tiver alguma coisa, qualquer coisa mesmo que não seja me envolver no departamento de esportes, me avise que estarei mais que disposta a ajudar. Se a única opção for essa, lamento, mas está acima das minhas possibilidades.

Ele balança a cabeça em negação a cada palavra que sai da minha boca.

— Sabe que eu nunca entendi essa sua teimosia para fugir de um universo que está no seu sangue, entranhado em sua família? Meu Deus, é como se um peixe estivesse fugindo do mar. Você seria tão bem-sucedida se resolvesse voltar atrás, mudar de ideia, investir na carreira de jornalista esportiva.

Cristo, será que eu vou ter que desenhar? Ele ainda vai insistir nisso?

— Eu não quero voltar atrás. Eu não quero mudar de ideia. Posso te garantir que tenho meus motivos. Minha resposta é definitivamente não.

Olavo fecha os olhos e parece juntar todo o fio de paciência que ainda lhe resta. Suga todo oxigênio que consegue e levanta as pálpebras, exibindo um ar de vencido.

— Vamos fazer dessa forma. Você não me dá a resposta agora. Pese todas as consequências boas e ruins caso aceite fazer a entrevista e pense nas pessoas que podem depender da sua escolha. Eu estou literalmente em suas mãos.

Continuo balançando minha cabeça em negação enquanto ele fala.

— Ha ha, você fala como se tivesse certeza de que Apollo Assunção aceitaria me dar uma informação tão importante apenas ao olhar para os meus lindos olhos verdes. Cai na real, Olavo, o cara deve ter mil seguranças impedindo qualquer reles mortal de chegar perto dele.

— Apenas pense, Kim, é só o que te peço. Apenas pense.

Pensar, pensar... é tudo o que eu menos quero fazer agora. Meu desejo íntimo é de apenas bloquear qualquer pensamento e me manter firme na decisão de permanecer o mais distante possível de qualquer jogador.

E daí que eu tenho grandes chances de conseguir essa entrevista caso use o nome e a influência do meu pai? E daí que milhares de pessoas podem ficar desempregadas em um país passando por uma crise financeira? E daí que uma das maiores emissoras de televisão pode fechar suas portas?

Droga, essa não é você, Kimberly.

Levanto-me da cadeira e caminho em direção à porta da sala do meu chefe sem dizer mais nenhuma palavra. Paro no batente e olho para trás apenas

para ver Olavo me fitando com cara de cachorro pidão. Por um segundo, sinto pena dele, um desejo de voltar atrás em minhas próprias convicções e lhe dizer sim.

Mas não posso. Eu simplesmente não posso. Talvez em algum momento todos entendam que está acima das minhas forças.

Caminho em busca do banheiro como um zumbi que não sabe para onde vai e que apenas deixa suas pernas lhe guiarem. Não vejo nada nem ninguém diante de mim, apenas um turbilhão de pensamentos que trava uma guerra entre a razão e a emoção.

— Kim, está tudo bem com você?

Tânia me para no caminho e por uma fração de segundo não a reconheço. Será que meus pensamentos chegaram ao ponto de nublar minha visão?

Seu rosto perfeitamente maquiado sobre a pele lisa e sem rugas dá sinais de que aguarda uma resposta. Eu não gosto de fingir apenas por convenção.

— Não, Tânia. Nada está bem. Sabe quando você se sente encurralada, pressionada contra a parede, sem encontrar uma saída? Estou me sentindo exatamente assim neste momento.

— Aconteceu alguma coisa? Você foi demitida? Era isso que o chefe queria te dizer?

Dou-lhe um sorriso tranquilizador e rio internamente da sua inocência. Demissão seria uma possibilidade bastante improvável uma vez que meu trabalho rende muito na emissora.

— Antes fosse isso. Antes fosse. Eu estaria mais feliz porque o problema seria apenas comigo.

— Ah, que bom, então. Você faria muita falta aqui, Kim.

Sim, eu sei que ela está sendo sincera, pois aqui na emissora sou daquele tipo que se envolve no trabalho dos outros, que ajuda no que pode, que põe uma música, dá vida ao ambiente e que programa as confraternizações.

Só não me envolvo com o departamento de esportes.

— Obrigada, Tânia. Você é sempre uma fofa — falo enquanto aperto sua bochecha rosada pelo blush e percebo que ela fica ainda mais rosada. Tânia enrubesce com minha atitude. Despeço-me com um beijo em seu rosto e volto a dar passos largos em direção ao banheiro.

Quando alcanço a pia, encosto-me nela e encho as mãos de água jogando sobre o meu rosto como se pudesse lavar minha alma. Olho para a imagem no espelho me encarando com seus olhos verdes, cabelos castanhos e pele morena.

A mulher diante de mim nunca fugiu de um desafio, sempre foi forte e ultrapassou barreiras para se tornar a pessoa que é. A mulher diante de mim foi criada para ser a boneca do papai ou a prostituta da mamãe, mas decidiu trilhar seu próprio caminho.

Até hoje. Hoje a vida lhe impõe um desafio que ela tem medo de não conseguir vencer e não quer nem ao menos tentar.

É isso. Chega dessa história. Tenho muito trabalho a fazer e enquanto a emissora está de pé tenho que continuar dando o melhor de mim. Não me julgue, por favor, ninguém sabe os meus motivos.

Aliás, apenas minha prima Nina sabe. Somente ela, mais ninguém.

Volto para a minha mesa tentando desesperadamente me concentrar em escrever um artigo de opinião que deverá estar pronto para o outro dia no site da RNC.

A Rede Nacional de Comunicação é uma grande emissora transmitida para todo o país. Imagine a catástrofe de uma empresa desse porte fechar suas portas?

As frases estão começando a se formar em minha mente, enlouquecidas para tomar forma, quando o mouse clica sem querer em um site de propagandas e adivinha quem aparece na tela? Ele mesmo. Apollo Assunção em carne, osso e músculos.

E que músculos!

Ele parece estar me olhando com duas piscinas azuis cristalinas brilhando em minha direção, cabelos loiros bagunçados propositalmente e uma boca... Uau! Esse cara, antes de nascer, passou na fila das bocas perfeitas e sensuais pelo menos umas dez vezes.

Não é a toa que há tanto furor em torno dele. Além de ser o homem da vez quando se trata de futebol, é lindo de morrer. Quem não sonha fisgar um homem rico e bonito?

Acho que eu sou a única a levantar o dedo. Descobri há algum tempo que dinheiro não é tudo. Quanto à beleza... ah, vai, qualquer pessoa há de concordar que beleza é fundamental, como dizia o poeta.

Apollo deve ter entre vinte e sete ou vinte e oito anos de idade, o que lhe dá um ar de garoto, reforçado por seu jeito extrovertido, e de homem ao mesmo tempo. Homem com H maiúsculo. Uh, que calor!

Mas é claro que um homem desses tinha que ter um defeito, não? Ele tinha que ser a porcaria de um jogador de futebol? Não. Definitivamente, ele nunca entraria em minha lista. Além de tudo, Kimberly, lembre-se que você é noiva. Noi-va!

— Kim, eu posso conversar com você? — Meus pensamentos são interrompidos por Tânia.

O jeito tímido dela faz brotar em mim uma mistura de simpatia e piedade ao mesmo tempo. Parece sempre tão carinhosa, mas, por outro lado, sempre tão carente.

— Claro, Tânia. Acho que agora é a minha vez de perguntar se há algo acontecendo.

— Tem, sim. E se eu não desabafar, acho que vou acabar tendo um troço.

— Fala de uma vez, então, mulher. Posso te ajudar em alguma coisa?

— Você sabe que tenho um filho de cinco anos que é a coisa mais valiosa que tenho no mundo, não é?

— Claro, seu filho Guga. Já faz um tempo que não o vejo. Deve estar enorme. O que tem ele?

— Ah, Kim, eu não contei a ninguém, mas preciso desabafar. Guga...meu pequeno Gustavo estava cansando e tendo vômitos com alguma frequência e a princípio os médicos pensaram que era uma virose, fiz o tratamento indicado, contudo os sintomas se prolongavam. Depois que fizemos alguns exames... — Lágrimas descem pelo rosto dela agora.

— Oh, querida. Espero que não tenha más notícias. Ele sempre foi um garoto tão saudável e vejo seu esforço para ser uma boa mãe. Beba um pouco de água e sente-se. Tente manter a calma.

Enquanto eu encho um copo com água, ela puxa uma cadeira para sentar. Entrego-lhe o copo e ela bebe o conteúdo, dando alguns goles e parando para recuperar o fôlego esporadicamente.

— Está mais calma agora, Tânia? Só continue falando quando quiser. Eu tenho o dia todo para te escutar — digo a última frase sorrindo, na tentativa de animá-la um pouco.

Parece que funciona.

— Acho que estou mais calma, obrigada. Como eu estava dizendo, meu pequeno não ficava bom com nenhum medicamento, mesmo depois de passar por vários médicos de especialidades diferentes.

— Você nunca me contou isso. Estávamos todos aqui na emissora achando que sua vida era perfeita. Eu podia tentar ajudar, não sei, talvez falar com um médico que é amigo da minha família ou quem sabe...

Ela abre a mão em minha direção, interrompendo-me. Ela queria continuar desabafando e eu a impedi. Que mania essa minha de falar pelos cotovelos.

— Não precisa, Kim, eu te agradeço muito. O que está fazendo agora já é mais do que suficiente. Você confiou em mim quando disse que estava com problemas e isso me deu forças para te procurar e te contar o que esta acontecendo. Eu sou assim mesmo. Costumo guardar os problemas comigo. Acontece que já estava sufocada.

Dessa vez eu não digo mais nada. Apenas balanço a cabeça assentindo e respeito o seu tempo. Sua maquiagem perfeita agora está borrada e o delineador mancha debaixo de seus olhos castanhos. Passo o polegar e tiro o excesso do lápis preto de seu rosto.

— Meu filho... meu pequeno Guga foi diagnosticado com Lúpus em estágio 1. Você sabe o que é isso? Meu bebê de apenas cinco aninhos tem uma doença autoimune e requer cuidados de perto, já que a vida dele corre riscos.

Tapo minha boca surpresa. Não conheço muito sobre o assunto, mas é algo que vou começar a pesquisar. Eu preciso conhecer melhor sobre a doença e saber se posso ajudar Tânia de alguma forma.

— É muito sério? Quer dizer, você disse que está em estágio 1, então é sinal de que pode avançar para outros estágios?

— Sim. Graças a Deus, esse é o mais leve, porém isso não quer dizer que seja mais fácil de lidar. Gustavo vai ter que tomar medicamentos e ter cuidados especiais provavelmente por toda a vida.

— Puxa, imagino o impacto que você e seu marido sofreram quando tiveram essa notícia.

Seu choro aumenta ainda mais e tenho vontade de socar o meu próprio rosto por algo que eu disse e despertou suas lágrimas novamente. O que foi que eu falei mesmo para fazê-la chorar assim?

— Tânia, o que foi? Eu disse alguma besteira? Me desculpe.

Puxando todo o ar possível para encher seus pulmões, ela suspira, tentando controlar seus soluços.

— O meu marido... O pai do meu filho foi embora há seis meses e até hoje não deu mais notícias. Só ouvi o boato de que está com outra família e não tive mais nenhuma informação.

Dou a

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O que as pessoas pensam sobre Apollo

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Avaliações de leitores

  • (5/5)
    Que livro gostoso de se ler... Uma historia muito cheio de mistério amor, sexo e diversão!