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Resolva a porra dos seus problemas
Resolva a porra dos seus problemas
Resolva a porra dos seus problemas
E-book207 páginas2 horas

Resolva a porra dos seus problemas

Nota: 4 de 5 estrelas

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Sobre este e-book

Desacelerar e aproveitar mais a vida? O mundo não vai acabar se você fizer isso. A vida não precisa ser baseada apenas nos erros, então, esteja preparado para declarar foda-se ao mundo adulto! É hora de começar a reconsiderar todas as suas escolhas feitas até aqui. Você está feliz? Você sabe resolver seus problemas ou apenas finge saber? O quanto você está se importando com coisas irrelevantes? Já pensou em resolver toda a sua vida como uma criança? Resolva a porra dos seus problemas é um livro sobre as besteiras que damos importância e como driblar as regras em nome daquilo que realmente queremos fazer.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento22 de jan. de 2019
ISBN9788582467459
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    Pré-visualização do livro

    Resolva a porra dos seus problemas - Laura Jane Williams

    Picasso

    Introdução ou Por que escrevi este livro

    Na primavera de 2016, eu estava prestes a ingressar na carreira com a qual sempre havia sonhado. Já fazia dez anos que eu vinha trabalhando para conseguir publicar o meu primeiro livro, e isso finalmente estava para acontecer. Os empregos-tampão sem perspectivas que assumi para poder pagar o aluguel enquanto roubava minutos e horas para colocar as ideias no papel, as festas que perdi, os nãos que disse e os relacionamentos que desprezei de maneira tão descabida — tudo que havia sacrificado para conseguir algo sobre o qual muitas pessoas falam, mas poucas realmente chegam a conquistar — estavam finalmente gerando seus benefícios. Palavras haviam sido revisadas, capas foram desenhadas e logo ali, na lombada de um livro de capa dura, estava o meu nome. Eu consegui! Recebi convites de jornais de alcance nacional que me pediam que escrevesse coisas para que eles publicassem, minha foto estava em revistas elegantes e pessoas importantes diziam o meu nome. Houve uma enorme festa para celebrar, onde todos vieram por minha causa, e a minha sala de estar tinha mais buquês de lírios do que a de Elton John. Era o melhor momento da minha vida. O ápice de tudo. Eu havia conseguido.

    Tenho certeza de que tudo aquilo seria incrivelmente empolgante se não fosse pelo fato de que eu estava morta por dentro.

    Estava sofrendo de um mal conhecido como burnout. Não sabia que estava com essa síndrome, porque, pela sua própria definição, o burnout é uma espécie de esgotamento lento. Ninguém acorda um dia e descobre que a criatividade fez suas malas e foi embora com as crianças. Brincadeiras, risos e diversão. Puff! Simples assim. Não. O burnout é inteligente. O burnout acontece lentamente. O burnout borra as beiradas, no início, dizendo-lhe para trabalhar mais, por mais tempo, e sugerindo que, talvez, o sono não seja algo tão importante. O burnout lhe diz que nada pode ser tão importante quanto o trabalho. O sucesso.O burnout vai desmantelando a casa, parte por parte, de modo que, por fora, tudo pareça igual, mas, por dentro, a mobília foi rearranjada de uma maneira que não se parece com você, de certa forma; e as cortinas foram fechadas, deixando tudo um pouco escuro. A música parou. Tudo fica muito sério.

    Eu não sabia que havia parado de sentir o calor do sol de abril no meu rosto, que havia parado de achar que as coisas eram engraçadas, ou que não fazia mais as coisas simplesmente pelo prazer de fazê-las até que uma profissional de saúde me fez as perguntas certas. Eu não havia percebido que suspirava bastante. Que ficava irritada frequentemente. Que tudo tinha que ter um motivo. Um propósito. Que tudo tinha que servir para alguma coisa. Eu não sabia que estava em um estado tão lastimável até minha médica dizer isso.

    Eu achava que era simplesmente uma adulta.

    A médica explicou que não, não é normal ficar exausta e chorosa, nem trabalhar dezesseis horas por dia. Eu não estava, disse ela, ficando irritada por nada. O que estava fazendo era trabalhar tanto que esgotei toda a serotonina — o hormônio da alegria — no meu corpo, e continuaria a sentir que a minha vida era uma merda se não reconsiderasse drasticamente como cuidar melhor de mim. Chega a ser irônico, na realidade, mas, pelo canto do olho, eu podia ver a edição de uma revista mensal com capa brilhante na qual havia uma matéria sobre mim, falando sobre minha coragem e ousadia de viver uma vida que acelerou a todo vapor. Sentada diante de uma médica, dizendo a ela que eu não conseguia mais sentir o sabor da comida, eu era uma fraude. Não havia nada de ousado ou corajoso em mim. Não naquele momento. Havia simplesmente me esquecido de como ser feliz — de como, na verdade, simplesmente ser — e escondido o fato atrás da noção imbecil de que ser adulto se resume a isso. Trabalhar muito. Trabalhar muito, incansavelmente, miseravelmente.

    Ser adulto não é isso.

    O que aconteceu a seguir não é muito convencional, mas quando vi um anúncio no site de classificados GumTree para trabalhar em meio período como babá para uma família das redondezas, me candidatei. Nem sei por que eu estava navegando no GumTree, procurando por um emprego de babá. Como disse, não estava prestando muita atenção a coisa alguma naqueles meses. Conheci as crianças, elas não eram horríveis — na verdade, eram mais espertas do que eu, engraçadas e muito bem-educadas —, e assim eu disse a seus pais que não havia nada que eu gostaria de fazer além de preparar os lanches para três crianças, que tinham menos de onze anos, todas as manhãs. Claro, eu disse. Está ótimo começar a trabalhar às sete da manhã! Que maravilha! Sorri. Doze libras por hora é um valor perfeito! Nada com que me preocupar, eu disse. Preciso pegar três ônibus e demorar uma hora inteira para levar cada uma delas à sua escola? Estou ansiosa para começar!

    Passei um período maluco de nove meses depois disso, no qual passei vinte e cinco horas por semana trançando cabelos, brincando com bonecas e indo ao parque com os filhos de outras pessoas, antes de ir aos estúdios da BBC fazer entrevistas ou escrever uma coluna para uma revista de tiragem nacional. Em seguida, levava aquelas crianças, que não eram minhas, para aulas de natação ou ginástica. Não creio que seus pais chegaram a compreender verdadeiramente por que uma escritora que, às vezes, é reconhecida no ponto de ônibus estava colocando a louça suja deles para lavar — porque pagavam em dinheiro, talvez? —, mas tudo funcionou tão bem para todos os envolvidos que eles não deram tanta importância a isso. Não sei o que eu teria dito se dessem. Era estranho para mim, também. Eu simplesmente sabia que ficar junto daquelas crianças iria... ajudar. E essa era uma área para a qual sempre tive talento. Administrei uma escola de idiomas para crianças em Roma e promovia acampamentos de férias de verão nas universidades. As crianças sempre foram meu refúgio natural.

    De qualquer forma, não estou dizendo que, se você estiver estafado, um pouco triste ou sobrecarregado pelo trabalho, o melhor seria conseguir um emprego para ajudar a família de outra pessoa — em troca de menos dinheiro do que você normalmente gasta em um almoço médio; mas o que estou dizendo é isso: puta que pariu! A mudança que ocorreu em mim foi quase imediata. Desde aquele primeiro dia, depois da escola, quando a menina de seis anos segurou minha mão e disse: Laura, você pode vir no balanço comigo?, comecei a voltar para mim mesma. Fui forçada a limpar a cabeça para me concentrar nessa nova e gigantesca responsabilidade que não tinha nada a ver comigo, com as minhas palavras, minha digitação, minha autorrevisão e minha carreira, e, ao final da primeira semana, fui capaz de me sentir admirada pela primeira vez em muito tempo: Então brincar é assim, hein?

    Todos os dias encontrava alguma coisa com a qual podia rir com elas. As crianças hilárias, difíceis, teimosas, obstinadas e insistentes que faziam perguntas e me diziam quando estavam irritadas. Brigavam, amavam, caíam, levantavam-se e xingavam-se o tempo todo, mas sentavam-se juntas e aconchegadas umas às outras no sofá quando era hora de ver um filme.

    As crianças, como aprendi, vivem no presente. Perdem-se naquilo que amam. Gostam de se exibir. Elas gostam de si mesmas. Crianças são normalmente curiosas, e não têm limites, porque ainda não aprenderam que limites existem. Crianças fazem tudo que querem, precisamente porque querem.

    As crianças têm as respostas, cara.

    Agir como criança — ser infantil, e não infantilizada — finalmente me deixou alegre outra vez. Entendo tudo agora. Entendo o motivo por trás de tudo. As crianças me salvaram. Ser mais infantil me salvou.

    Resolva a porra dos seus problemas é um livro, então, sobre tudo isso. Sobre as soluções infantis que três crianças da zona norte de Londres me ensinaram a aplicar aos meus próprios problemas adultos, dos quais a maioria eram besteiras e que existiam somente na minha cabeça, para que eu pudesse redescobrir a sensação de me jogar de corpo e alma nas delícias da minha própria existência. Este é um livro sobre o fato de que a diversão é uma escolha, mas a jovialidade não é um privilégio. É um direito. Uma necessidade. Vamos brincar ou morrer, digo-lhes. O contraponto, extremamente sombrio, é não ter vida nenhuma.

    Resolva a porra dos seus problemas significa saber quais são as regras do mundo adulto, e flexibilizá-las simplesmente porque temos vontade e queremos rir. Pela emoção envolvida. Questionar o que deveríamos estar fazendo, e fazer aquilo que nos deixa mais alegres em vez disso. Não podemos tomar sorvete no café da manhã todos os dias, mas, quando o fazemos, a sensação é travessa, libertadora, alegre e infantil. Vamos todos tomar mais sorvete no café da manhã — ou pelo menos agir como se fizéssemos isso.

    Dividido em quarenta lições de vida (cheias de palavrões, o que não é algo muito infantil...) recitadas pelos pequenos, leia este livro do começo ao fim ou aos poucos, conforme precisar. As lições não foram escritas em uma ordem específica, porque, porra, você acha que aqueles monstrinhos me ensinaram essas coisas de maneira linear? Nada disso. Foi um caos, e eu ainda estou me recuperando da experiência. Mas o caos não precisa ser ruim. Eles me mostraram isso. Eles me mostraram tudo.

    São notas sobre a curiosidade e o ato de brincar. Viver o momento e se preocupar menos. Palavras sobre o valor que você realmente tem. É um livro sobre como as crianças são capazes de nos reensinar a usar nossa imaginação, nossa criatividade, e a encontrar nossa alegria. É um livro sobre sentir-se melhor sendo quem somos.

    Ou seja: gente grande com coração de criança.

    A diferença entre infantil e infantilizado

    Bem, vamos lá. Antes de começarmos, permita que eu esclareça: não suporto aquela voz de bebê.

    A dissimulação da imbecilidade; agir com meiguice ou boçalidade forçada para conseguir o que se quer. Isso não é inteligente, nem justo, nem legal de ter por perto. É um comportamento infantilizado, tanto nos pequenos como nos adultos. Mas infantil? Ah, isso é apenas um sonho. Há uma diferença enorme entre as duas atitudes.

    O mundo é uma novidade para as crianças. Elas ainda não aprenderam a ser insensíveis, a levantar muralhas e sentir o peso da sociedade e tudo que ela espera. Para uma criança, as montanhas são altas, o oceano é gigantesco, e tudo é, ao mesmo tempo, uma pergunta e uma resposta, e infinito por causa disso. Elas ficam admiradas. Elas raciocinam. Não se inibem porque não sabem que deveriam agir assim. Elas correm, são livres, dizem o que pensam, são ilimitadamente, e infinitamente, positivas.

    Infantil incorpora o lado positivo e adorável do comportamento das crianças. Mas infantilizado? É repulsivo. Características infantilizadas são, de maneira geral, indesejáveis (exceto nos reality shows da televisão, onde atraem muita audiência): ataques de birra, pensar somente em si mesmo, não saber quando agir de maneira séria... comportamentos infantilizados em um homem ou mulher já adultos são imaturos, exatamente o oposto de algo que seja encantador ou carismático.

    Portanto, vamos ser bem claros na diferença.

    Infantilizado? Uma merda.

    Infantil? Travesso, ousado e entusiasmado pra caramba.

    Infantil é ÓTIMO.

    Podemos ser como as crianças, sem esquecer que somos adultos funcionais e responsáveis.

    Entendido? Ótimo.

    Durma, porque é aí que tudo começa

    Em uma vida onde sempre, mas sempre mesmo, existe uma última chance para ficar bêbado, e esse seriado da Netflix que tem que ser maratonado AGORA MESMO para evitar que o Twitter comece a falar sobre ele sem você; em uma existência onde o e-mail será respondido imediatamente, porque, afinal de contas, o seu celular está aí do lado, o sono se transforma em um artigo de luxo.

    Vamos parar e pensar por um minuto. Pense que

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