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O exército de uma mulher só

O exército de uma mulher só

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O exército de uma mulher só

Duração:
130 páginas
44 minutos
Lançados:
25 de abr. de 2019
ISBN:
9788581744827
Formato:
Livro

Descrição

E-book com conteúdo exclusivo: dicas do que deve conter no plano de parto.

"Virar mãe é entrar em guerra.
Não pra conquistar, mas pra não perder quem e o que a gente ama."


Ao engravidar aos 23 anos, a designer Thaiz Leão se alistou sem querer numa luta que era dela, mas que nem de longe era só dela. Tornando-se mãe por acidente e sozinha ela entrou para o mundo das chamadas "mães guerreiras". A expressão que vem como elogio na verdade esconde o problema que guarda lá no fundo: a afirmação de que os filhos são "naturalmente" responsabilidade só das mães, que devem ser sempre "supermães".

Nesta história, Thaiz enfrentou tudo: o "aborto" do pai, as críticas da família, da universidade, da sociedade,... e contrariando todos os "incentivos" que recebeu ("estragou sua vida!", "você ferrou com seus estudos!", "só gente burra engravida sem querer!") resolveu se perguntar: qual é o problema? E contra o que a gente está lutando mesmo?
Entre manual de sobrevivência e guia de combate pra resistir a essa treta chamada "gravidez indesejada", o que este livro traz é a história de uma mãe.
Lançados:
25 de abr. de 2019
ISBN:
9788581744827
Formato:
Livro

Sobre o autor


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O exército de uma mulher só - Thaiz Leão

parto

GUERREIRA MEU C*

É MUITO FÁCIL ME CONFUNDIR COM UMA GUERREIRA, e olha que eu não nasci guerreira ou com qualquer ambição de constantemente ser forte. Eu nasci gostando de ler, desenhar, conversar, viajar, ver cores, montar quebra-cabeça e ser livre. Mas enquanto crescia aprendi que toda jornada individual embarca num momento histórico, imersa em símbolos culturais que te condenam mesmo antes que você possa fazer algo mais que apenas chorar de fome.

Eu nasci mulher, periférica, branca, filha de retirantes, cria do ensino público, me descobri gorda e vivi inúmeras violências que não gostaria de ter vivido. Tudo isso poderia ser de alguma forma romantizado em uma história de superação, ainda mais depois de ter me tornado mãe como me tornei, mas isso não seria real. Porque EU NÃO SOU GUERREIRA, eu não me alistei para guerra alguma, eu só caí no front com uma camisola desbotada e florida que minha mãe costurou, tendo de proteger meu sexo da sociedade, de homens mais velhos e, mais adiante, dos da minha própria idade, e ainda brigar todo dia por oportunidade, igualdade e reconhecimento em todas as outras áreas da minha vida.

Conheço milhares de mulheres, mas não conheço nenhuma que seja forte, dura ou calejada porque resolveu ser. A gente só é o que é porque sobreviver é preciso, e viver nesse lugar sem a possibilidade de compartilhar e repensar com outras mulheres nossas jornadas torna nossa pele insensível.

Nós não queremos ser personagens de histórias épicas de um cotidiano opressor. Nós não queremos viver uma vida em angústia e ansiedade. Nós não queremos naufragar em um mar de culpa e hiper-responsabilização para ver de longe os nossos filhos crescerem. E muito menos ter de aguentar essa vida inteira caladas para nos resignarmos a ganhar um que guerreira você é depois que já estivermos aniquiladas dessa batalha.

Não.

Dessa tal guerra que nos torna guerreiras, eu quero ver o fim de pé. Para rir com nossos filhos no café da manhã, para ter forças e tempo de brincar no parque, para ler os livros com paciência nos finais das noites, para viver a mulher que realmente somos e permitir que essa mulher, em respeito a todas as suas potências, tenha a liberdade de se inventar como a mãe que for.

Que a nossa luta seja sobre nos aproximar do que a gente ama, e não sobre sobreviver àquilo que nos aniquila.

PUXADINHO:

MÉTODOS CONTRACEPTIVOS.

EU VACILEI? Não, vacilamos. Erro, acerto… Cada história contada do seu jeito, daqui só posso dizer: a maioria dos dedos que apontam vem das mesmas portas fechadas que tornaram nossa sexualidade irreal e impossível. Me cabe então aproveitar o privilégio que tenho de estar aqui sendo lida para dizer – porque não tem nada de mais dizer: se você quer transar e ter autonomia reprodutiva, estude, pesquise sem medo seu corpo, seus processos, seus ciclos, para entender suas reais possibilidades e aí então chegar naquele lugar incrível onde você tem independência suficiente para fazer suas próprias e reais escolhas, sem ruído ou prejuízo contra a mulher que você é.

EU AINDA ERA JOVEM, como costumam dizer, mas já me sentia como uma velha enrustida. Carregando por aí um corpo cansado e um espírito entristecido.

Meu dia a dia aos vinte e três era uma jornada sem começo nem fim, onde os dias se misturavam e as horas sempre faltavam.

Morava em uma república

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