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Ex-heróis

Ex-heróis

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Ex-heróis

avaliações:
3/5 (235 avaliações)
Comprimento:
392 página
5 horas
Lançado em:
May 8, 2014
ISBN:
9788542801606
Formato:
Livro

Descrição

Os Vingadores encontram The Walking Dead, em uma batalha épica.Em uma Los Angeles arruinada pelo apocalipse zumbi, um grupo de sobreviventes deve lutar pela vida. Para isso, contará com a ajuda preciosa de Stealth, Mighty Dragon e seus companheiros. Refugiados em um estúdio de cinema transformado em fortaleza, o Monte, deverão se proteger dos vorazes exércitos de ex-humanos e de outras ainda mais terríveis ameaças. Em Ex-heróis , dois ícones da cultura pop – zumbis e super-heróis – finalmente se encontram, numa narrativa de tirar o fôlego."ZUMBIS? CERTO. SUPER-HERÓIS? CERTO.NARRATIVA IMPRESSIONANTE? CERTO.EX-HERÓIS TEM TUDO ISSO. PODE SE PREPARAR!"– MIRA GRANT, autora best-seller do The New York Times .
Lançado em:
May 8, 2014
ISBN:
9788542801606
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do Livro

Ex-heróis - Peter Clines

Ex-heroes

Copyright © 2010 by Peter Clines

Copyright © 2013 by Novo Século Editora Ltda.

All rights reserved.

This translation published by arrangement with Broadway Books, an imprint of the Crown Publishing Group, a division of Random House, Inc.

Coordenação Editorial – Mateus Duque Erthal

Editor assistente – Daniel Lameira

Tradução – Caco Ishak

Preparação – Jonathan Busato

Diagramação – Project Nine

Design de Capa – Christopher Brand

Ilustração de Capa – Jonathan Barlett

Montagem de Capa – Monalisa Morato

Revisão – Fernanda Guerriero Antunes

Texto de acordo com as normas do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (Decreto Legislativo nº 54, de 1995)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Clines, Peter

Ex-heróis / Peter Clines ; [tradução Caco Ishak]. -- Barueri, SP : Novo Século Editora, 2013.

Título original: Ex-heroes

1. Ficção norte-americana I. Título.

e-ISBN: 978-85-428-0160-6

13-09981 CDD-813

Índice para catálogo sistemático:

1. Ficção : Literatura norte-americana 813

Edição digital 2013

Todos os direitos reservados à Novo Século Editora Ltda.

CEA – Centro Empresarial Araguaia II

Alameda Araguaia 2190 – 11º Andar

Bloco A – Conjunto 1111

CEP 06455-000 – Alphaville Industrial, Barueri – SP

Tel./Fax: (11) 3699-7107

Sumário

Capa

Folha de Rosto

Ficha Catalográfica

Prólogo

Que Entre o Dragão

Dois

Três

Ampliando a Visão das Coisas

Cinco

Seis

Poder ao Povo

Oito

Nove

Beleza Sutil

Onze

Doze

A Garota Mais Sortuda do Mundo

Quatorze

Quinze

O que Conta é o Interior

Dezessete

Dezoito

Pegue uma Carta. Qualquer Carta.

Vinte

Vinte e Um

Vinte e Dois

Como é que eu Posso Viver Sem Você?

Vinte e Quatro

Vinte e Cinco

Vinte e Seis

São Jorge Mata o Poderoso Dragão

Epílogo

Agradecimentos

Sobre o Autor

Katie estava de prontidão nas muralhas do Monte havia duas horas, inclinada sobre todo um mundo, quando St. George se precipitou dos céus vestindo uma jaqueta de aviador.

Ela estendeu o punho sem erguer os olhos e ele a cumprimentou, batendo sua mão fechada contra a dela. Não falaram nada por seis minutos, e ela aproveitou o tempo para terminar de limpar seu rifle. O motivo de ter se voluntariado a ficar nas muralhas estava em parte no fato de não ter que conversar com ninguém, e ele sabia bem disso. Ao concluir a limpeza, ela recarregou a arma e ajeitou seus óculos escuros. Posicionou o rifle em seu ombro e finalmente olhou para ele.

St. George tinha uns trinta e poucos anos, músculos firmes no alto de seu metro e oitenta de altura e olhos claros, pálidos, por trás de lentes coloridas. Como muitos no Monte, ele era magro, com um corpo mais acostumado à sobrevivência do que a uma boa alimentação. Ao contrário da maioria, porém, ele tinha cabelos castanhos com fios grossos, longos, que passavam dos ombros. Era custoso demais cortá-los, ela sabia, e, de todo modo, não parecia nada que o colocasse em um risco maior.

— Você chegou cedo — ela disse enfim.

Ele deu de ombros. — O dia está demorando pra passar. Estou fazendo as rondas no sentido contrário.

— Ela não vai gostar nada disso. É o tipo de coisa que vai lhe trazer problemas.

— Talvez.

Ela atirou uma pedra pela beirada do muro e tentou acompanhar sua queda até o burburinho da calçada lá embaixo. — Você ainda vai sair amanhã?

Acenou com a cabeça uma única vez. — A gente vai pro norte de novo. Tentar dar umas batidas em alguns apartamentos e lojinhas em Los Feliz. — Baixou os olhos rumo aos ex’s se digladiando nas ruas e calçadas. — Temos um bom público hoje.

— Você devia ter visto como estava no portão Van Ness ontem. Quase o dobro disso.

— Aconteceu algum problema?

Ela sacudiu a cabeça. — Stealth autorizou dez rondas. A gente teve uma baixa só.

— Uma é mais do que o suficiente pra que ela fique puta da vida.

— Sim, e foi mesmo. — Katie vislumbrou os vultos em movimento. Contou duas dúzias de ex’s na rua Gower. Nove homens e quinze mulheres. Na noite anterior, ela tinha travado uma calorosa discussão pós-sexo com Derek sobre se os ex’s ainda podiam ser classificados por gênero.

— Eles não transam — Derek tinha dito. — Eles não usam os órgãos sexuais pra nada, então não faz sentido dividir em macho ou fêmea. Eles são todos apenas coisas.

— Quer dizer que, se você não transa, você é uma coisa?

— Bem, não se você fez a opção por não transar, aí não. Mas as rochas não fodem. Nem cadeiras ou cobertores ou os ex’s. Então eles são coisas.

Katie se perguntou se St. George estava fodendo alguém ou se tinha optado pelo celibato. Ou se era uma coisa. Os heróis ainda guardavam uma certa tendência a ficarem entre si, mesmo os mais amigáveis. Ainda assim, ela ficava imaginando que ele devia ser uma coisa e tanto na cama.

— Isso é tudo?

Ela passou seus binóculos para ele. — Olhe aquele letreiro lá no alto. — Apontou da rua Gower para as colinas, onde o sinal imobiliário mais famoso do mundo ainda permanecia.

Ele passou um bom tempo observando. Perto do H, havia uma pequena mancha oval de escuridão pura, talvez com quase dois metros de largura e uns três de altura. Era como um ponto cego na lente, fazendo a letra branca e castigada pelo tempo parecer mais com um quatro invertido.

— Midknight? — Katie perguntou.

— É... — o herói disse. Suspirou, soltando fumaça pelo nariz. — É ele mesmo.

— O que você quer fazer?

Ele devolveu os binóculos a ela. — Siga seu rastro. Ele não é perigoso no alto das colinas, mas, se descer à cidade, pode tocar o terror pra cima de nossas defesas noturnas.

— Por que você não cuida dele logo de uma vez?

— Dificilmente valeria a pena, você não acha?

Foi a vez de ela dar de ombros. — Um ex morto é menos um ex.

St. George respirou fundo, longa e lentamente. — Como eu disse, ele não representa perigo algum lá em cima. Se ele for à cidade, a gente se livra dele. Qualquer outra medida seria um desperdício de tempo e munição.

— Desculpe. Ele era seu amigo?

Seu nariz chiou ao soltar ainda mais fumaça. — Só nos encontramos duas ou três vezes. Mas ele era um cara decente.

— Vê se não vai amolecer. Ou Stealth vai querer sua cabeça.

Um sorriso irônico torceu seus lábios. — Não seria a primeira vez.

Katie bufou e levou os olhos de volta à rua. Logo abaixo deles, um dos ex’s, um cara em um terno ordinário e coberto de sangue, batia o rosto contra a muralha do Monte, tentando atravessar o concreto. — Você está indo pra Melrose daqui?

— Isso. Algum recado pro Derek?

— Diga só que ele é um idiota e que ainda está errado.

— Diria isso de um jeito ou de outro, mas, claro, sem problemas.

Ela prestou continência de leve. St. George deu alguns passos ligeiros pelo revestimento de piche do telhado e se lançou de novo pelos ares. Partiu ao longo da muralha em direção ao portão a poucos quarteirões ao leste.

Katie se inclinou de volta sobre o globo de dimensões gigantescas e observou os corpos cambaleantes lá embaixo. O ex, animado, conseguiu se virar de lado. Foi arrastando seu ombro contra a muralha, e cada passo lançava outra vez seu rosto contra o concreto, enquanto ele cambaleava pela calçada.

— Vivendo o sonho hollywoodiano — ela suspirou, apoiando a arma novamente no ombro.

Dizem que a gente nunca se esquece da primeira vez.

Tinham-se passado cerca de três meses desde o Incidente no laboratório. Incidente foi como eles continuaram se referindo ao ocorrido na imprensa e nas sessões de terapia, e a palavra fora martelada na minha cabeça pelo uso constante. Teve uma enorme publicidade em torno da minha figura como o único sobrevivente da explosão, mas o noticiário logo mudou o foco para as doze pessoas que tinham morrido, e o escândalo do armazenamento químico precário. Claro, quem poderia culpar a Universidade por não ter projetado seu prédio para resistir a uma chuva de meteoros?

Das doze vítimas, sete levaram algumas horas para morrer. Uma delas levou um dia inteiro. Muito se disse nos jornais sobre a onda de produtos químicos a que tínhamos sido expostos. Substâncias que poderiam envenená-lo, retorcer sua química corporal ou contaminar seu sangue. Mesmo danificar seu DNA, de acordo com algumas pessoas. Também li muitos artigos sobre aquele meteorito e as ondas estranhas de energia eletromagnética que ele lançou. Um monte de coisas sobre o assunto nas notícias da Wired por algumas semanas. Acho que a Nasa acabou tomando conta da situação, despachou uma tonelada de trabalho ao MIT e meio que sumiu do mapa.

Estava de quarentena havia um mês. Três outras semanas se passaram, e acabei caindo igualmente na obscuridade. Bem, George Bailey caiu, pelo menos.

Sim, George Bailey. Meu nome tem sido minha maldição a vida toda. Até hoje não tenho ideia de por que meus pais foram tão cruéis. E, sim, eu tenho a edição de luxo em DVD e prefiro assistir ao filme em preto e branco no original.

De qualquer forma, tinham-se passado três meses quando enfim percebi o poder. Ainda no começo. A fisioterapia após a explosão parecia um tanto fácil, e sentia os pesos um pouco mais leves na academia, mas nada surpreendente. Um dia, estava correndo para bater em uns arruaceiros (se você mora na área de Koreatown como eu, a arruaça governa sua vida na madrugada) e, de alguma forma, consegui derrubar as chaves, chutando-as pra debaixo do carro. Estava esticado, tentando alcançá-las, quando meu ombro empurrou o chassi e levantou meu Hyundai a meio metro do chão, pra cima da calçada.

Estranho, sim, mas é incrível o que você consegue justificar quando a fiscalização de trânsito está no seu encalço. Apenas alguns dias depois, já de volta ao trabalho, foi que aconteceu uma coisa, algo que eu simplesmente não podia ignorar. Fiquei puto, perdi minha paciência com um container de lixo com a tampa emperrada e o chutei para a lateral do prédio de Física Aplicada. Até que a multidão se reunisse e a segurança aparecesse, as pessoas já tinham assumido que algum bêbado havia batido o carro.

Mesmo aquilo provavelmente podia ser racionalizado de alguma forma, mas uma semana depois eu estava tomando banho e senti algo arranhando minha garganta. Uma dessas coceirinhas que são um pouco ásperas demais, como se você tivesse regurgitado uma pequena porção de ácido estomacal, sem chegar a atingir sua boca. Pigarreei pra soltá-lo e acabei arrotando uma nuvem de fogo um pouco maior do que uma bola de basquete, que derreteu parte da cortina do chuveiro.

Eu era inteligente o suficiente pra começar a testar meus limites fora de vista.

As pessoas tendem a ficar surpresas com o tanto de espaços vazios que existem em Los Angeles. Você pode sair andando por algumas áreas do Griffith Park e nunca se dar conta de que ainda está em uma das maiores cidades do país.

Levantar pedras maiores do que eu não era lá muito esforço. Se conseguisse alavancá-los da maneira correta, podia levantar do chão a maioria dos carros. Ergui o Hyundai acima da minha cabeça por duas vezes.

Esse era o tipo de coisa que me distraía. Ficava pensando em suspender pedregulhos e tossindo como um lança-chamas. Isso tomava conta de meus pensamentos o dia todo no trabalho, a cada refeição e quando me esticava em meu futon barato à noite. Conseguiu me distrair o bastante pra que, bela manhã, eu acabasse tropeçando e caindo pelas escadas.

Ao menos, a maioria das pessoas teria caído. Escorreguei por toda a escadaria, flutuando até o chão. Da feita que me certifiquei de que não tinha mais ninguém no salão, eu me atirei pra baixo nas três revoadas seguintes. Cada vez que escutava um zumbido estranho e baixo, algo como uma torção entre os meus ombros, eu me sentia mais leve. Impelia-me pra baixo e pousava com um toque suave dos meus pés no chão.

O voo foi uma espécie de gota d’água, no bom sentido. Talvez eu tenha lido muitas revistinhas em quadrinhos quando era criança, ou assisti a muitos filmes de super-heróis já adulto. Não sei. Podia ser que eu fosse simplesmente estúpido o suficiente pra pensar que, se isso tinha acontecido com alguém como eu, em uma cidade como essa, devia ter sido por alguma razão. Que um homem poderia mudar as coisas.

Passei outras três semanas em Hollywood Hills. Eu me esgueirava pelo Runyon Canyon durante a noite e me atirava de encostas e penhascos. Tem uma saliência bem no fim de uma trilha que acabou se mostrando uma plataforma formidável. Tem também algumas ótimas em Malibu, assim como todas aquelas rochas no final de Zuma Beach. Eu só precisava ter cuidado com os surfistas noturnos.

Não se trata de um voo de verdade, como o Super-Homem ou o cara de Heroes. É mais como uma asa-delta, eu acho, em que você tem sustentação, mas não uma propulsão real. Posso pairar por uma distância muito grande e de forma muito rápida graças aos meus músculos trabalhados, mas sempre acabo descendo.

Algumas colisões atestaram que eu também estava muito mais resistente. Minha pele, meus ossos, até mesmo meu cabelo. Não diria invulnerável, mas na época cheguei a sentir a segurança de ser à prova de balas. Passei um fim de semana tentando romper a minha pele com agulhas de costura, uma faca X-Acto e até mesmo uma furadeira sem fio. Pô, o fogareiro esfriou na minha mão enquanto eu observava.

O detalhe final era a fantasia. O traje de esqui do Chalet Sports já era estampado pra se parecer com escamas vermelhas, e as luvas e as botas eram todas negras. A máscara era feita de duas ou três coisas diferentes de uma loja de artigos para festas, misturadas o bastante para que eu não encarasse um processo por violação de direitos autorais. Tive que reforçar a capa de Halloween com os braços dobráveis de um par de guarda-chuvas — até que funcionou muito bem, levando-se tudo em consideração. A ideia era aumentar meu tempo de viagem, por assim dizer. Nem todo mundo possui uma empresa multibilionária com um laboratório de pesquisa e desenvolvimento no porão, sabe?!

Minha primeira saída noturna foi no dia 17 de junho de 2008. Uma terça-feira. Na época, já tinha se passado mais de meio ano desde o Incidente. Sem cobertura jornalística alguma em três meses. Seria difícil que alguém ligasse minha nova identidade a ele.

Levei toda a bagunça em uma sacola de mão até o telhado do meu prédio. Não quis correr o risco de que algum dos meus vizinhos me visse. Troquei de roupa na sombra da torre do elevador e escondi a sacola atrás de uma das saídas de ventilação. Nunca usaria aquela fantasia por baixo de uma camisa e um par de jeans, isso é certo.

Do telhado daquele velho edifício, era possível ver toda Los Angeles. O Observatório do Griffith Park. O letreiro de Hollywood. O centro da cidade. Century City. Wilshire Center. E o fosso a céu aberto em que minha parte da cidade tinha se transformado. Não precisava virar a cabeça pra ver o equivalente a três ou quatro latas de grafite e sinais de gangues espalhados pelo caminho. XV3s. Seventeens. Todos lutando por uma área onde as pessoas só queriam viver em paz.

Lembro que meu coração batia forte e uma centena de coisas passava pela minha cabeça. Ser à prova de balas ainda era só uma ideia naquele momento, e eu sabia o suficiente por causa do GTA pra entender que armas de fogo não são fabricadas de maneira idêntica. Porra, olhando pra trás, não teria sido tão surreal assim topar com uma AK-47 pelo caminho.

Após dez minutos dizendo pra mim mesmo o quão estúpido aquilo era, o quão ridículo eu parecia e que estava provavelmente indo de encontro à minha morte, dei uma corridinha e pulei do telhado. Eu me concentrei e senti a leve torção entre os ombros. A capa tremulou ao vento, os braços do guarda-chuva se abriram.

E eu estava voando.

Cruzei a Beverly com a Oakwood, segui pela colina e caí sobre o telhado de uma lavanderia na Melrose, logo passando a Normandie, seis quarteirões ao norte do meu ponto de partida. Até onde sei, ninguém chegou a me ver. Lancei-me de volta ao vento e, dessa vez, arranquei um poste de telefone quando comecei a perder a impulsão, voando logo acima da autoestrada 101. Exercendo pressão sobre a capa, dei meia-volta em direção a Hollywood.

Fiquei brincando assim por uma hora pra testar meus limites, depois ouvi o grito. Soou como uma mulher. Levei um minuto pra me virar e, então, um outro pra subir alto o bastante a fim de que que eu pudesse observar a área.

Três caras a perseguiam por uma das travessas. Quer dizer, nem estavam perseguindo de fato. Era mais uma correria de um lado pro outro, apenas para provocá-la. Um deles a agarrava sem parar e ela se sacudia toda pra se libertar. Mesmo a uns vinte metros de altura, eu podia ver que ela estava com medo e correndo às cegas.

Apertei bem a capa contra o corpo, dei um mergulho e deixei que o vento a abrisse no último instante, pra que eu ficasse pairando em volta. Tropecei um pouco no pouso, mas eles ficaram todos tão assustados em me ver caindo do céu que ninguém notou nada. Um dos caras xingou em espanhol. Assim como a garota.

Enquanto eu estava voando, até consegui ter umas boas sacadas ao bolar frases de efeito e algumas linhas de abertura, mas na hora deu um branco total. Naquele ponto, porém, eu já vinha me preparando psicologicamente por quase um mês. Apenas comecei a caminhar em direção a eles, sem pensar. Acho que soltei um Deixa ela em paz, sem sequer tentar disfarçar minha voz. As palavras mal saíram da minha boca e dois deles já tinham sacado suas pistolas. Dispararam dois ou três tiros cada. A garota gritou. Assim como eu.

Nem é preciso dizer como dói levar um tiro. Mas nem foi tão ruim quanto podia ter sido; foi como levar um murro, quando você sente a dor, mas sabe que não teve danos mais graves, bem ou mal. Cambaleei um pouco, mas não caí.

Eles xingaram um pouco mais. O sujeito sem pistola partiu fora correndo. Um dos outros esvaziou sua arma em mim. Doeu pra diabo, mas eu já estava preparado pra isso. Não me mexi dessa vez e as balas tamborilaram no chão aos meus pés. O terceiro sujeito parecia estar em estado de choque.

Respirei fundo, tentei relaxar a língua, senti aquele mesmo comichão na parte de trás da garganta. Outra tomada de fôlego encheu meu peito, e ouvi a leve chiadeira de produtos químicos se misturando. Botei tudo pra fora.

Foi a maior labareda que eu já tinha produzido e, até hoje, ainda acho que foi uma das mais impressionantes. Uns bons cinco metros de bafo incandescente e dourado iluminaram toda a rua, atingindo o chão bem entre os dois últimos homens. Nem mesmo homens. Adolescentes. Garotos com bandanas verdes que gritavam como criancinhas enquanto as bainhas dos seus jeans pegavam fogo. Tossi assim que meus pulmões se esvaziaram e arrotei uma pequena bola de softball em chamas com um pouco de fumaça negra. Eles saíram correndo.

A garota ficou me encarando e sussurrando orações repetidas vezes. Ela tinha acabado de sair da adolescência. Acho que eu a apavorei tanto quanto fiz com os outros caras.

Fiquei em dúvida se perseguia os bandidos ou tentava acalmá-la, mas, até decidir, qualquer uma das opções tinha se tornado causa perdida. Então passei mais alguns segundos decidindo se deveria dizer alguma coisa ou optar pela personagem sombria e silenciosa. Tantas coisas sobre as quais não tinha pensado. No fim das contas, quando a última das chamas suspirou na calçada, dei um sorriso, acenei com a cabeça e me atirei ao alto. Um empurrão ligeiro contra um poste me deu um vigor extra e voei noite adentro. Em menos de três segundos, estava a uns trinta metros de altura.

Olhei de relance pra baixo e a vi ainda de pé no meio da rua. Ela simplesmente olhava de volta com espanto. Abri a capa, fui arrebatado por uma brisa leve e comecei a planar para cada vez mais longe. E então seu grito ecoou até mim.

— Obrigada!

Foi assim que me tornei Mighty Dragon.

St. George se equilibrou sobre a ponta da torre da caixa d’água, o ponto mais alto do loteamento, e levou os olhos à cidade de mentira.

Eram apenas uns dois edifícios e um par de estradas curtas, e por aquele ângulo suas fachadas eram óbvias. Mas, comparada ao resto do Monte, a New York Street parecia normal. Normal e em paz. Não era nada raro encontrar pessoas vagando por lá, onde podiam andar dois quarteirões pela calçada e fingir que o mundo ainda era seguro e fazia sentido.

Ele tinha visitado o Monte duas vezes. Antes, quando era apenas um estúdio de cinema. Um amigo de um amigo o encontrou por acaso anos atrás e passaram uma tarde caminhando pelas ruas lotadas e pelos becos. Na época, parecia ser o lugar mais incrível do mundo. A lembrança que tinha da cidade de mentira era a daquela visita.

A segunda vez foi durante a noite, vestido em seu traje. Estava naquele mesmo lugar no topo da torre da caixa-d’água, e observou para bem além das paredes do estúdio por toda a extensão resplandecente de Hollywood enquanto o vento açoitava sua capa. Ele se sentiu como um genuíno super-herói.

Tudo parecia ter acontecido havia muito tempo.

Logo acima de West Building, dava para ver a área residencial da zona Norte à Noroeste. Perto de mil pessoas amontoadas em menos de um quarteirão da cidade. O Estúdio Quinze, do outro lado da New York Street, tinha um grande aglomerado de tendas montadas no telhado. Os demais eram cobertos por painéis solares, barris d’água e jardins.

Levou dois meses desde que se mudaram para o Monte, mas a maioria dos estúdios de filmagem tinha sido transformada em moradias populares. No momento, havia duas dezenas de famílias vivendo em cada um deles. O lado positivo era que todos tinham muito espaço e enormes telhados para seus jardins particulares. A desvantagem eram duas dezenas de vizinhos diretos e a falta de privacidade.

Como todos descobriram rapidamente, a falta de privacidade era o que matava. Mais de cem brigas se desencadearam na primeira semana. Duas delas terminaram em mortes. Stealth jogou os assassinos por cima da cerca no portão North Gower. Seus gritos não duraram muito; a lição durou.

Ele olhou por cima do ombro esquerdo. Ao longe, no meio do caminho para o oceano, ele pôde ver as torres do Century City. Filmaram lá um dos Planeta dos Macacos originais. Logo à esquerda, pôde ver algumas linhas delgadas dos caminhos traçados pela fumaça escura no céu de um azul nítido.

As pessoas podem dizer um monte de coisas negativas sobre o apocalipse, mas não havia como discutir que a qualidade do ar em Los Angeles tinha de fato melhorado.

Tão logo uma rajada de vento veio do oeste, ele deu as costas aos sets de filmagem e se atirou da torre. Planou sobre o que antes tinha sido um estacionamento e a piscina para os filmes aquáticos. Tinham levado dois meses para preenchê-la com todo o solo fertilizado e lodo que puderam varrer da Home Depot no alto da Sunset Boulevard, afora algumas farmácias, mas agora tinham pouco menos da metade de um acre de terra no coração do loteamento. Mais de dez pessoas perambulavam entre fileiras de soja, espinafre e batata com suas regadeiras. Seus olhos cansados miravam o herói enquanto ele os sobrevoava.

Passou por outro telhado e se deixou cair entre os edifícios. Pôde se ver refletido nas janelas espelhadas do Zukor antes de pousar no comprimento estreito da Avenue L. Um dos guardas na frente do hospital acenou bruscamente com a cabeça; o outro fez uma saudação preguiçosa. O terceiro homem baixou sua fronte descomunal.

Gorgon tinha marcado St. George por sua astúcia e dissimulação desde o dia em que se conheceram, provavelmente porque seus olhos estavam sempre escondidos. Ele fazia isso pelo bem de todos, mas ainda assim incomodava as pessoas. Um imenso par mecânico de óculos de proteção cobria metade do rosto de Gorgon. Uma íris giratória de plástico negro compunha as lentes, montadas em aros do tamanho de uma lata de atum cada. Ninguém tinha sido tão bom em pentear o cabelo ou fazer a barba desde que Banzai morrera — usando seu sobretudo de couro, ele se parecia com um personagem dos desenhos animados japoneses.

Um distintivo de xerife de sete pontas se firmava no alto da lapela do sobretudo. Alguém o tinha desenterrado de um dos trailers de apoio ou figurino. Após a lição de Stealth no portão, Gorgon tinha tomado para si a função de patrulhar as ruas, os salões e os telhados do Monte. Ele ostentava a estrela de prata com um orgulho sombrio.

— Bom dia — ele disse.

— Gorgon. Estou surpreso de ver você aqui.

— Tive que dar um saída. Briga na fazenda de cogumelos.

— De novo?

— O grandalhão, Mikkelson — um dos guardas disse —, estava esparramando a sua gordura outra vez, berrando de fome.

— Acalmei-o — disse Gorgon. Inclinou um pouco sua cabeça, contraiu os músculos e deixou que as lentes captassem luz. — Ele bateu com a cabeça em uma das banheiras e cortou a testa.

— Ainda assim, é estranho ver você aqui — disse St. George, com um meio sorriso.

Gorgon tossiu. — Eu era o único que poderia carregá-lo pela maldita escada acima. Você sabe como as fazendas do Estúdio Cinco são.

Todos concordaram.

Ele varreu as laterais de seu sobretudo e deu uma escovada ligeira no distintivo de xerife. — De qualquer forma, tenho turnos a cumprir e estou atrasado. — Inclinou a cabeça em direção a St. George. — Tome cuidado lá fora hoje à tarde.

— Sim, pode deixar — o outro guarda disse. Virou o rosto, acompanhando Gorgon. — A chefe disse que todos vocês vão sair hoje?

St. George confirmou: — As fichas de inscrição estão espalhadas por aí faz uns dias. Você não viu?

O sujeito sacudiu a cabeça. Tinha uma barba grisalha que lhe conferia uns dez anos a mais.

— Se seu

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Análises

O que as pessoas pensam sobre Ex-heróis

3.1
235 avaliações / 42 Análises
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Avaliações de leitores

  • (2/5)
    The premise of this book sounded interesting - and fun. And at the start it seemed to be what it promised to be, but as I went on I found myself losing interest in the story and the characters.
    Nothing I can truly put my finger on, but still it didn't work for me.
  • (2/5)
    This will certainly be optioned as a movie (if it hasn't yet), and it'll be a good summer popcorn flick. But it was pretty silly at many points.
  • (4/5)
    In a dystopian zombie filled world, the superheroes of Southern California are protecting the surviving humans in a fortified Paramount Studios. A fun amuse bouche of a story. I enjoy the superhero genre and like when the author comes up with their own take on the usual tropes, and Cline does not disappoint. Stealth, Gorgon, Zzzap and the Mighty Dragon, to name a few. This is an interesting look at what happens when a world that has super/meta beings come crashing down during an Ex-human (Clines' world doesn't like to use the Z word) apocalypse. Its the start of a 5 book series, that I'm going to have to continue.8/10S: 2/8/19 - 2/20/19 (13 Days)
  • (4/5)
    Ex-Heroes by Peter Clines is the first book in a series about a group of super-heroes trying to survive and help others during the zombie apocalypse. I’ve always had a soft spot for zombie stories but who knew how much fun they would become by adding a few super heroes to the mix. This is a fun mash up of genres that is chock full of violence, action and zombies. The setting is post-zombie apocalypse Los Angeles. The survivors take up residence in the large major movie studio which they call The Mount (Paramount). Having a group of super-heroes with them is exceeding helpful when it comes to chores like scavenging among the millions of zombies that wander the streets of LA. But like many zombie stories the real danger is from other living humans in particular a surviving gang called the Seventeens. Our group of superheroes consist of St. George who is super strong, can breath fire and is impervious to the bite of the zombie. There is also Cerberus, Lady Bee, Zzzap, Regenerator and Stealth all with their own special skills.The story is told in two time-frames, both the current and the past so we get a good idea of how the zombies came into being, how the superheroes developed and how the current battle evolved. While I found the superheroes were fairly well rounded and interesting characters, the human characters were less so and eventually just seemed to be fodder for the action scenes. As this is the first book in a series, it serves more as a foundation for what is to come. I couldn’t help but feel that this would perhaps have been more riveting if it had been a graphic novel. Nevertheless, I enjoyed the story with it’s different perspective on a zombie apocalypse.
  • (1/5)
    Zombies are easy. I mean, they were old in 1999 as a metaphor. Romero is the original and noone since has really done anything too new with it. I'll admit, I liked the Walking Dead comics...to a point. The torture issue finished it for me, and I never went back. But I did appreciate the theme running through WD that no matter how brutal the zombies were, it was the cruelty of the living humans that was always the greatest. But zombies were old in 1999 when I mocked the gimmick in my first novel, Death by Zamboni, but having the main character riff on how fun it was to beat up zombies. You can tear 'em apart...or whatever...just for fun. See, no one cares if you kill zombies. It's the perfect excuse for violence. We can glorify the violence and excuse the heroes brutality...because they are dead things, after all. Just viruses controlling bodies for inscrutable reasons.And that brings us to Ex Heroes, a mash-up of superheroes and zombies, which allows for R-rated superhero violence in that exact manner. No one can think badly of them for tearing apart a zombie, right? Well, actually. My gut reaction to this book was that it was racist. I gave it a chance because I thought, it might end up having a racial theme arise somewhere later in the story. But no. Two things made me feel it was racist. One, every time an individual zombie was described (gleefully) as being ripped apart, we were told what race they belonged to. Since this book happened to be set in LA, there were quite a few Asians. He'd also describe if they were blonde or brunette or old or young. But especially the race and especially Asian. Then second, there was the Latino gang that was portrayed as being lead by a single intelligent undead monster. Who could control zombies with his superpower. The gang members were portrayed as animalistic, for the most part, in the most old skool clichéd gang fashion. Like something from a 70s movie like The Warriors or Mad Max perhaps. Their humanity was not really acknowledged by the author.The racism may very well have been unintentional, and I am not saying the author is personally racist. But I found his book to be racist and expressed joyful detail in tearing apart zombies. Once I noticed it, I felt that subtly, the Asian zombies got it worse than the others. I'm sure it was a...coincidence.
  • (4/5)
    A rather quick "fluff" read, with a very simple story. It doesn't take itself too seriously, so I wouldn't either; just sit back, don't think too much, and enjoy the ride. Be prepared for loads of pop culture references and humorous dialogue, and just an all all-around fun time especially if you're into superheroes...fighting zombies.
  • (4/5)
    I won this book through last month's Early Reviewers. I thought the book was fast and a whole lot of fun! No, it's not deep and thought provoking but sometimes you just want to sit back and enjoy the ride. I recommend this book if you are a fan of super heroes or want a fresh take on the over-saturated zombie market...and if you're a fan of both, then this is a must buy!
  • (4/5)
    A great cross between X-Men and Resident Evil. Some grammar errors present in my Early Reviewer copy. One thing that bothered me a lot was the use of different names for the same character which became confusing at times. All in all, a nice quick read with an interesting premise. It should be noted that this is a re-release of the book.
  • (4/5)
    Superheroes + zombies is certainly going to hit a lot of buttons right now, and that explains why Ex-Heroes (originally published in 2010) is being given a splashy new release. It's definitely action-packed and features lots of skulls being crushed, but I was ultimately disappointed with the character development of the heroes. There are seven or eight "main" characters, plus quite a few that run about in the background helping advance the story, and I wound up wishing the focus had been more concentrated. It was also confusing to have alternating flashback chapters, told in first person by various characters, when we had to wait several paragraphs (even most of the chapter, in one instance) to figure out who was talking. I enjoyed the book as light commute fare, and as a non-Marvel/DC take on superheroes, but I wish there'd been more to it than that.
  • (3/5)
    I really, really wanted to like "Ex-Heroes" more than I did. The premise was great (super-heroes fighting zombies) but the execution, in my opinion, was flawed (2- and 3- star reviews on Amazon summarize the issues I had with the plot quite well)."Ex-Heroes" reads like a script for a graphic novel, and if it is ever made into one, I would give it 4 stars. As it is, I expected more character development and more insight into actions and decisions of the heroes.
  • (4/5)
    This may be the oddest comparison, but I liked this book better than the most recent J. D. Robb novel. Usually, I can devour an Eve Dallas tale in a single sitting, with barely any breaks for real life. Well, of the two, Ex-heroes was a quicker and more enjoyable read!I had absolutely no trouble following the timeline jumps, and found the inserted back stories very well placed and fascinating. The characters were interesting people, the bad guys excellent foils for our heroes. I'm looking forward to reading the next book in the series, and will probably look up some of the author's earlier works next time I need a good read.
  • (4/5)
    Superheroes protect human survivors of the zombie outbreak by making a fortress out of a movie studio lot. But in addition to the undead, they face another threat in the guerrilla attacks from a surviving street gang.Why I picked it up: Amazon recommended this to me over a year ago, it sat parked on my wish list until I got the Early Reviewer copy.Why I finished it: Superheroes. And while the story doesn't explore why people started developing powers, I did like how it explained the zombie outbreak.I'd give it to: Justin, who likes graphic novels and is just now getting into World War Z.
  • (3/5)
    Clines gives us a fun mishmash of the Zombie genre by throwing Superheroes into the mix but like an episode of the Adam West Batman series there are a few POW's but some BIFFS thrown in as well. The basic summary is that zombies show up doing their usual checklist of overwhelming the government, eating civilians and basically making the world a not so nice place to live. Step in the few surviving heroes who take what's left of LA's population and hunker down in a movie studio lot and make the occasional scavenging run.I liked the concept and overall the execution was adequate but at times I felt that some of the decisions that the heroes made were arbitrary and only there to push the story along in typical comic book fashion, which works fine in a world where nothing ever changed or can be retconned when a new writer is brought on. Yet when you know that the story will eventually end and you see the heroes making the same arbitrary decision some of the luster is lost. Which leads to another problem, that of no character growth. In comic books I don't expect my heroes to grow as people as that would imply the series was moving forwards, or that someone was winding up the Retconn bat again. But with Ex-Heroes I would think that there would be some development yet at the end of the book nothing really has changed with the heroes other than having a few more zombie guts on them. If Clines had made the Heroes work through their insecurities that he mentions throughout the book he could have left the reader with a fully satisfying ending rather than the arbitrary good guys beat the bad guys ending we get. In addition the jumping back between pre-zed and now to give the back stories about the hero's while interesting, really broke up the tension. It would be like Jason about to kill the camp counselors only to break into a monolog about how his Mother brought him into the family business of stabbing people in the neck.Now you might be saying " I thought you said this book was fun?" and yes I did. Because even with the a for mentioned flaws I still had a fun time reading it. There is just something satisfying about having superheroes destroying hordes of zombies. If you want to read something that's quick and you can get a few laughs out of then give Ex-Heroes a try. Is it perfect? No but then what zombie book is. The entire point of zombie apocalypses lit is so you the reader can roll your eyes and say if zombies took over the world I'd never do something as dumb as that.Now excuse me as I go update my zombie survival plan to include a contingency for superhero zombies.
  • (4/5)
    This book was a solid and fun book to read. Each chapter switched POV between the characters. Some characters were more interesting to read so I found myself wishing to get back to them. Cline did a good job making sure all the characters had their own voice. I thought there were areas that were a little slow but I liked the twists the plot took. All in all a very enjoyable read and I'll be sure to pick up the sequel.
  • (5/5)
    I loved this book. Who can ask for more? Superheroes and Zombies! A group of superheroes- Stealth, Gorgon, Regenerator, Cerberus, Zzzap, and The Mighty Dragon are the last defense for humankind. They protect people inside a movie studio that has been turned into a big community for survivors. Zombies, or exes as they are called in the book are trying to get in, but the superheroes help keep them out. I really enjoyed learning how each of the heroes got their powers and what they were like before they were heroes. However, are there heroes out there who aren't good? What if one of them has powers that are deadly to them all? I look forward to the next book in the series. I will read it for sure.
  • (3/5)
    Quite interesting mashup of Superheroes and zombies. Was an interesting read but from time to time I felt it lacked something, just can't put a name on what..
  • (4/5)
    Zombies and superheroes! This was an interesting take, not just on the combination of the two, but on each group on its own.
  • (4/5)
    The field of zombie novels is crowded, but there is always room for fresh ideas and well-told stories. Ex-Heroes has both. Take your zombie apocalypse, add superheroes, and come away with a great story!Ex-Heroes is the story of a group of superheroes gathering what survivors remain in Los Angeles into a former Hollywood studio lot converted into a fortress. The story is told in shifting first-person perspective as well as jumping from the present to the past, shortly before and during the early stages of the zombie outbreak. As the first novel in a series, there is a lot of exposition and a lot of development of the characters, particularly the superheroes and their origins. Peter Clines manages this without sacrificing action and steadily moving forward to a very thrilling climax. The fights and battles are intense and exciting. The fact that the superheroes can die and worse yet, become zombies makes the danger feel real and adds to the excitement. On top of the typical pervasive zombie threat, there is an organized human threat of those who envy what the superheroes have in their fortress, The Mount, and want it for themselves. This adds another layer to the danger and gives the book a focus beyond the typical “kill all the zombies”. The heroes themselves are fascinating and their stories are easily as entertaining as the main plot.It’s amazing how much action and backstory is packed into a relatively short book. Ex-Heroes is a fun, fast and very exciting read. It creates a world that has room for many more stories in it, and I look forward to the next book. I was fortunate to receive an advance copy of this book. Highly recommended.
  • (3/5)
    The blurb on the cover of Peter Clines' "Ex-Heroes" plugs the novel as "The Avengers meets The Walking Dead". Those expecting something like The Walking Dead may be somewhat disappointed, but those into comic book heroes like The Avengers may enjoy this book a great deal.For my taste, the book was too comic-bookish, but I was expecting a little more horror than Clines provided. The other issue that I struggled with was character development. The genesis behind the "creation" of the Heroes who help battle the undead in the Hollywood part of Los Angeles was thinly described, at best. Clines does a little background work on the different heroes, such as The Mighty Dragon, Stealth, Gorgon, Regenerator, and Cairax, as he flips from the past to the present throughout the story, but don't expect to find out a lot about these "heroes". The humans who are being protected by the Heroes play almost no role in the book. The zombies, or "ex's" (as in ex-humans) are drawn by the "book" for the most part and provide few surprises.The action in the last half of the book is solid as the Heroes and humans fight off the ex's by the thousand as Hollywood is attacked en masse. There are a few draggy scenes early in the book, but for the most part, it's a fairly quick and involved read. I do want to point out that Clines has a couple of moments of brilliance in the book. His depiction of the demise of some very familiar real-life Hollywood stars and "B" players is hilarious and witty. "Ex-Heroes" is a quirky, imaginative novel that will probably appeal more to science fiction fans than to horror aficionados, but if you into this type of novel, then you should give it a look.
  • (5/5)
    I received this ARC through the LibraryThing Early Reviewers program.This book combines three major premises: superheroes, post-apocalyptic Los Angeles, and zombies. I love a good superhero story. Sometimes, however, it doesn't translate well to a novel. Post apocalypse stories? I love'em to bits because I'm morbid like that, but zombies tend to creep me out, so I don't actively seek out books with them. Therefore, I approached this book with some hesitance.The book, in return, impressed me greatly.Clines has created a vivid, incredible world here. His cast of superheroes varies widely as far as powers and personalities, and while they do follow the tropes of the genre, they are all vivid and absolutely believable. Even more impressive, he skips from perspective to perspective and between the past and the current apocalyptic environment, and manages to do so in a way that's not confusing at all. The heroes all speak in voices that are that distinct.The setting itself is another wow factor. I'm a native Californian but only have a very basic understanding of where things are located around LA. Gauging from this book, Clines KNOWS this place. He uses the movie studios, the streets, and shows how it's all become a battleground. It feels firmly grounded in reality. My only wish is that the front of the book included a map.Then there are the zombies. They are as nasty and sad as one would expect. The shambling undead have taken over the world. It's really chilling, though, when Clines breaks down the statistic to show how many zombies are staggering around LA, even after all the efforts the heroes have taken to combat them. Of course, the heroes aren't up against the zombies alone. Their big rivals in town are the Seventeen gang, and the thugs are no longer content with peddling drugs and spraying graffiti--no, they want supplies, and they want the superhero Gorgon dead. Again, as a Californian, this really resonated with me--I could see a gang taking over in a vacuum of power like this. It's really weird to say, "This superhero zombie apocalypse novel won me over with its realism," but it's the truth. I went in with low expectations and now I really want to read the sequel that comes out soon.
  • (4/5)
    Kapow and Moan!Like a slap in the face, this book takes the reader by surprise. The moment a book introduces super-heroes and zombies you would expect a ludicrous tale. This book is far from ludicrous. The author has taken geek lore and turned it into a plausible and enjoyable read. The suspension of belief occurred (for me) regardless of the characters. This is a well-written and enjoyable story with pacing that is perfect. Character development was great, with an ending that left the reader wanting more. Perfect read for fans of the genre and for anyone wanting a fast and fun time.
  • (5/5)
    Los Angeles has always been thought of as the land of make believe. It is a place where dreams are made of and are often shattered by reality. L.A. is the land of the have and the have nots. You are either famous or a nobody that is waiting for just the right part to come along. Los Angeles is where Hollywood actors transform into super heroes in order to fight larger than life villains. It is a city within a city where some choose to hide their true self and flaunt a persona that they have created. Within these winding roads of future actors are the notorious doctors and surgeons that assist in transforming the upcoming stars. They are the plastic surgeons that create a new face that will make a star or the notorious heart surgeons that keep those alive that should have passed long ago from dope habits. What if these doctors were special in more than one way? What if humanity secretly carried a mutation that allowed some to be better than others? What if these mutations created heroes? This story is about one such man named Josh. He is a man that was once considered a hero in his own right, but is now a man who is determined just to survive. Josh is a brilliant man who has his career in the medical community. He is a man born will the power of rejuvenation. One day while on a mission with other heroes his wife is killed. Desperate to have his wife by his side he attempts to rejuvenate her. Instead he creates a monster or a thing known as an X. It is a soulless creature that lives to eat and eats to kill other living beings. One lethal bite turns an average person into a walking zombie that can cause pain and sorrow. To Josh's horror his wife is patient 0, the first X monster. To his shame and conscience Josh spends the rest of his life saving other people from the X's. However, something is changing and causing the monsters to mutate. How can Josh stop his creation from mutating into something worse? How can his peers rely on him if he was the source of the madness?This book is a wonderful story that is perfect for those who enjoy comic books. I also believe it can be enjoyed at any age and is perfect for comic con! To be honest this book was so good that my husband named Josh read it before me! We both were amazed at the author's ability to create such a fast moving story that really drew us into his character's world. I could not help but feel sorry for Josh throughout the book knowing that it all stemmed from his wife's death. I will not tell anymore details of the book. I would rather you read it and find out for yourself how much fun it really is! I would recommend this book to anyone and in fact I am hoping that they turn this series into a graphic novel! That would be a lot of fun to see and to be honest I could see them doing something more with this. I must say thank you to both Goodreads and the author for giving this book to me in a giveaway. It is very appreciated and I think the author would be happy to know that my husband is already reading the second book in the series and making me wait to read it! How messed up is that? LOL! Either way the author has a lot of talent and I am looking forward to his other books!
  • (4/5)
    One of the most solidly intriguing and creative premises I've read in a long time (seriously, I dare you to think of two common tropes less suited for each other than zombies and superheroes and make it work) with a cast of interesting characters and a truly EPIC final battle.An overall enjoyable read, although I found the frequent jumps between past and present somewhat grating. I also found that I much preferred the first-person perspective offered in the 'then' chapters, as opposed to the more generic third person that appeared in the future. Still, it's hardly a problem for this overall gem of a novel.
  • (4/5)
    A quick, engaging read about superheroes and regular people making a living on a movie studio lot in the zombie-infested land of LA. I was instantly hooked from page one and I enjoyed the glimpses into the past - showing bits and pieces from the different heroes' lives. It had action and adventure and plenty of zombie smashing. I still have some questions, but I'm hoping they'll be answered in book two.
  • (3/5)
    Due to a laboratory accident (natch!) people start showing up with super-human powers. Soon after that zombies also appear and civilization falls. This is the story of one group of super-heroes and humans holed up in a former film studio in LA and surrounded by hordes of hungry zombies. Some of the superheroes have fallen and are now zombies with superpowers.What did I find out about zombie novels? That page after page after page after page of killing zombies by sticking pikes through their skulls is repetitive and boring. Why didn't the superheroes use their powers more to clean up the mess? The Mighty Dragon could have incinerated them with his fiery breath. Zzzap the human star could kill them by flying through their heads, but found it gross and begged off, leaving his friends and all human civilization to endlessly poke pikes through skulls and be killed themselves. This is apparently much more acceptable to Zzzap.But then we got to the scientific reasons of why this all happened. I read the virus explanations and thought to myself "OK, this guy is not a virologist". But not many people are--although surely Clines could have found an avid grad student to read what he wrote and give him some feedback. Still, I was willing to give him the benefit of the doubt and suspend all disbelief even if he had virus pretending to be leukocytes (sort of like grains of rice pretending to be football fields). But then we come to the scenario with the fatal blood transfusion that started the zombie outbreak. The whole thing was stupidly impossible. RH reactions don't work that way. Hepatitis wouldn't show up for months. And Clines, instead of checking his facts, used one of the laziest, most stupid explanations I have ever come across in a published work:" Two horrible, freak mistakes that both fell on one person. As someone in the medical profession, I know this and I understand why they could've been so baffled. Hell, anyone who watches House knows why they were baffled."And so Mr. Clines lost me. Zombies, maybe. Zombies and superheroes--intriguing. Mindless superheroes who don't use their powers, meh. Complete lack of fact-checking. Double meh. Believing that said lack of fact-checking can be waved away with a stupid remark--3 strikes.
  • (5/5)
    Early in the 2000's, people with superpowers started to emerge around the world. Then in 2009, a zombie apocalypse stated which lead to the collapse of civilization. A number of the superheroes ended up infected and turned into zombies, while a group of the remaining ones fortified the Paramount studios in Hollywood and made them into a refuge for a few thousand survivors. A year later, the survivors in The Mount come into conflict with a street gang that has also survived in a nearby enclave and seems to have gained some ability to control the zombies.Ex-Heroes was a fun, quick read. The zombie apocalypse depicted is essentially the same as in most zombie stories, but the mix with the superheroes works well, and the origin of the zombie plague is unique. The heroes were well done and limited enough in their powers that they don't overwhelm the story. I will look forward to reading the next book.
  • (5/5)
    Ex-Heroes is a riveting tale of superheroes and zombies in a post-apocalyptic Los Angeles. Lots of action and adventure with some morality thrown in. I couldn't put it down.
  • (4/5)
    Superheroes versus zombies. That's Ex-Heroes in a nutshell. Don't like superheroes or zombies? Well...that might not be a problem, actually.Ex-Heroes is about a group of super-powered heroes trying to protect a last enclave of humanity in a Los Angeles movie studio-turned-fortress following the zombie apocalypse. I will admit that I'm a bit of a superhero guy, but I couldn't care less about the current zombie trend. It's okay, though, because the zombie apocalypse featured in Clines' books is just the setting; the real show is the larger-than-life yet all-too-human characters: St. George, Stealth, Zzzap. Gorgon, Cerberus, Regenerator. You could draw some easy parallels between Clines' creations and the stable of popular DC and Marvel Comics heroes, but it doesn't matter because Clines makes his so engaging.I loved the structure of the book, too. The chapters alternate: two "Now" chapters set in the present day, told from your standard third-person perspective; then one "Then" chapter set in the past and told in the first-person by one of the superhero characters. The Then chapters move forward chronologically, slowly building up the history of the zombie apocalypse (including an ingenious superhero-related origin for the zombies) as well as fleshing out the backstory of the characters involved. And the way they interact with the ongoing plot of the Now chapters works brilliantly.If there are any real flaws in the book, it would be that one of the heroes seemed way too powerful, and the hasty explanations given for why he wasn't more effective didn't really satisfy me. Also, the main bad guy has huge question marks in his background that (thankfully) are mostly cleared up in the sequel, but still drove me nuts for most of this book. Those are minor nitpicks, though. This book is just too much fun. [4 out of 5 stars]
  • (5/5)
    This is the first in a fantasy series that sounds like it is trying to do too much. A virus has spread throughout the U.S., and zombies are spreading rapidly. The government has fallen, and a group of superheroes is trying to protect the survivors in a studio lot in Hollywood. As the story unfolds, Clines fills in more of the detail about how this crisis began and reveals that the zombies aren't the only danger that the superheroes need to fight. Zombies, superheroes, street gangs, and a plot with a gradual reveal - Peter Clines weaves it all together like a pro. I couldn't stop turning the pages! This was exactly what I needed in the midst of the craziness that comes at the end of the semester.
  • (5/5)
    Man this book was a fanboys dream. It took my two favorite genres horror & super-heroes and smooshed (or is it smushed? Or should I say smashed?) them together to make this novel that reads like a blockbuster movie coming out. Peter Cline does a great job on fleshing out the characters with flashbacks ala Lost with then & now segments of the book. Some characters like Stealth you associate with a Batman knockoff or the Mighty Dragon – Superman (sorta…maybe not so much) but Clines comes up with some really unique ones as well. Does this book have flaws? Yes. But that is ok. It’s like eating at a restaurant with a “B” rating that serves really good food. As long as you don’t try too hard to find out what the B rating is for, the food still tastes exceptional.