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Cirurgia Bariátrica

Cirurgia Bariátrica

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Cirurgia Bariátrica

notas:
5/5 (3 notas)
Duração:
172 páginas
2 horas
Editora:
Lançados:
15 de mai. de 2019
ISBN:
9788576803225
Formato:
Livro

Descrição

Este é um livro extremamente útil para aqueles que desejam conhecer melhor o mundo do tratamento da obesidade através da Cirurgia Bariátrica. Ao longo desse processo, muitas perguntas surgem. Muitas vezes, as dúvidas não são de ordem médica ou técnica, mas sim de ordem emocional, nem sempre simples ou fáceis de serem expressas em palavras.
Editora:
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15 de mai. de 2019
ISBN:
9788576803225
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Livro

Sobre o autor


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Cirurgia Bariátrica - Andrea Levy

pacientes

Prefácio

Este é um livro maravilhoso e extremamente útil para todos que desejam entrar em contato com o mundo do tratamento da obesidade e da cirurgia bariátrica. Sejam pacientes, familiares, sejam profissionais da área de saúde que pretendem se engajar no tratamento desta doença crônica chamada obesidade.

Esta frase no final da Introdução resume o que é a cirurgia bariátrica para mim: A cirurgia bariátrica é um sério compromisso que assumimos com a vida. Exatamente, um compromisso para toda a vida. Esqueça a ideia de milagre. Emagrecer por meio da cirurgia bariátrica exige conhecimento e comprometimento com o tratamento para toda a vida, afinal o sucesso em qualquer atividade de nossas vidas significa a união da oportunidade com trabalho duro, empenho e sabedoria no que nos propomos a fazer. A oportunidade é a cirurgia. Trabalho duro, empenho e sabedoria são por nossa conta: paciente, família e equipe multidisciplinar.

Muitas vezes, ouvimos falar que a cirurgia bariátrica é uma ferramenta poderosa no tratamento da obesidade mórbida. É de fato, mas também é verdade que alguns pacientes não recebem ou não compreendem o manual de instruções, que deve acompanhar qualquer ferramenta, principalmente as mais poderosas.

Este livro é este manual. Com uma larga experiência profissional e uma incrível experiência pessoal, a psicóloga Andrea Levy dá a oportunidade para nossos pacientes e seus familiares entenderem melhor o que eles têm nas mãos para levar adiante seu tratamento com sucesso. O livro também torna fácil o entendimento dos desafios e eventuais complicações que podem ocorrer pelo caminho até se atingir uma vida saudável tanto física quanto psíquica.

O último capítulo é especial e deve ser lido e relido várias vezes durante sua vida bariátrica. O Capítulo 5 — Do terceiro mês ao resto da vida — aborda aspectos importantes para o paciente, como comida, prazer e compulsões, álcool, reaprender a comer, separações conjugais, gravidez e reganho de peso. E guarde este livro com carinho, pois ele poderá ser útil sempre que alguma dúvida surgir ou algo não estiver acontecendo do modo como você gostaria.

Desejo a todos uma boa leitura.

CARLOS AURÉLIO SCHIAVON (Cirurgião bariátrico)

Introdução

O meu interesse pessoal pela cirurgia da obesidade surgiu instantaneamente desde a primeira vez em que ouvi falar no assunto, no início dos anos de 1990. Contudo, a enxurrada de sentimentos que surgiram nessa ocasião foi incômoda demais para uma obesa que lutava contra a balança desde que se conhecia por gente. Eu me defendia com pensamentos como: Isso é radical demais – seja lá o que isso signifique – ou então: Essa cirurgia é para os outros, afinal eu ainda posso tentar mais algumas dietas, posso me internar num spa ou incrivelmente Isso é para pessoas muito mais gordas que eu.

Não tinha jeito. A nova e até então inédita possibilidade de emagrecer de verdade ficava me cutucando. Incomodava e pululava em minha mente nos momentos mais inoportunos. Era só eu me distrair por um segundo que lá vinha novamente esse assunto inundando meus pensamentos. Então eu utilizava meu recurso infalível para parar imediatamente de pensar em coisas chatas e incômodas: comia! Comia, de preferência, até ficar anestesiada, empanturrada, extasiada, repleta. Literalmente sem espaço para pensamentos nada bem-vindos. Curiosamente, a grande e infalível defesa contra pensamentos chatos transformou minha obesidade grau II em obesidade grau III, a famosa obesidade mórbida. Índice de massa corpórea acima de 40, critério indiscutível e caminho mais curto para a mesa de cirurgia.

Nesta época, eu estava terminando a faculdade de Psicologia e queria mais era ficar pensando em apaixonantes teorias psicanalíticas que me encantavam e me faziam ter certeza de que conduziria minha vida profissional para a área clínica. Falhou novamente. Essas mesmas teorias me obrigavam a fazer um contato imediato de primeiríssimo grau com meus mecanismos de defesa e, consequentemente, com a comilança. Então, me dei conta de que não conseguiria parar de comer exageradamente e emagrecer sem ajuda.

Poderíamos discutir aqui diversos tipos de ajuda, afinal eu já havia tentado me tratar com vários endocrinologistas, nutricionistas, nutrólogos, acupunturistas, psicólogos e psiquiatras. Muitos renomados profissionais de saúde me olhavam com cara de Sua gorda descontrolada, tome aqui esse papel com uma dieta de 800 calorias e só volte aqui se conseguir emagrecer!. Receitavam-me uma fórmula milagrosa e me mandavam voltar em 30 dias. Isso quando não eram mais explícitos e falavam coisas do tipo: Como você aguenta ser assim?.

Também já havia tentado chás, spas, dietas radicais, jejuns prolongados, terapias alternativas, academias, injeções e todas as maluquices que um gordo é capaz de fazer para ter um corpo que não traga tanto sofrimento à alma. E a cirurgia bariátrica continuava como pano de fundo dos meus pensamentos. Estava ficando cada vez mais difícil fugir. Enquanto isso, eu engordava e fugia. Não sei bem para onde, mas dentro de mim havia muitos lugares sombrios nos quais eu podia me refugiar – comendo, é claro.

Passei a ter acne. O quê? Gorda e cheia de espinhas é demais!. Fui ao ginecologista para ver se estava com algum problema hormonal e a primeira pergunta que ele fez me pegou de surpresa: Andrea, você já ouviu falar em cirurgia da obesidade? (Ah! Fui descoberta.) Já sim, doutor. Estou até pensando no assunto… Pow!

Saí da consulta resignada. Não dava mais para esconder de ninguém – nem de mim mesma – a minha obesidade. Como eu podia pensar que isso era possível? No mesmo dia, marquei minha primeira consulta com um especialista em cirurgia bariátrica, indicado pelo próprio ginecologista, e o resto da história é exatamente esse que o leitor deve estar supondo. Sim, operei, e hoje, muitos anos após a cirurgia, vivo muito bem, carregando sessenta quilos a menos, que estavam abundantemente espalhados pelo meu corpo.

Tão ou mais incrível que essa perda de peso é estar desde 1999, século passado, mantendo um peso infinitamente mais adequado, longe daquela aterrorizante curva ascendente rumo aos três dígitos da balança. Mas nada é e nem foi tão fácil até aqui. Manter o peso e a saúde – ou alguém gostaria de ficar magro e doente? – exige muita disciplina e determinação. Pessoas que dizem que emagrecer por meio da cirurgia bariátrica é o caminho mais fácil, realmente não sabem o que estão dizendo e não conhecem nada sobre o assunto.

Continuando minha trajetória pelo território dessa doença tão complexa chamada obesidade, costumo brincar que transformei minha gordura em profissão. Nunca foi minha intenção me especializar em obesidade. Na verdade, eu queria distância de um assunto que me fazia sentir tão impotente diante da minha própria condição de obesa. Na época, recém-formada em psicologia, eu estava me especializando em luto, cuidados paliativos e pacientes terminais. Acho que os assuntos relativos ao final da vida tinham muito mais a ver comigo naquele momento. Mas a vida dá voltas surpreendentes e, assim que operei, fui convidada a ser psicóloga da equipe do cirurgião que me operou. No primeiro momento recusei. Eu ainda era muito obesa e achei que não seria razoável me apresentar assim a pacientes que precisavam da mesma ajuda que eu. Ainda me sentia muito vulnerável e frágil, mas fui emagrecendo rapidamente e então aceitei o convite.

Mudei meu curso de especialização e, então, lá fui eu trabalhar em uma grande equipe multidisciplinar de cirurgia bariátrica de São Paulo. Foi quando tive a oportunidade de aprender muito sobre a prática clínica com obesos e também com obesos-emagrecidos, que são pessoas que conseguem manter-se com um peso aceitável e saudável usando adequadamente o recurso cirúrgico. Estudei bastante, me especializei, conheci profissionais incríveis e generosos que me ensinaram muito, me emocionei com a história de cada paciente e, inevitavelmente, usei e uso muito da minha experiência pessoal na prática clínica.

Hoje, além de continuar trabalhando com excelentes equipes bariátricas, também atendo pacientes em meu consultório e continuo alarmada com a quantidade de pessoas que passam por esse procedimento cheias de dúvidas e, pior ainda, que permanecem desorientadas por meses e, às vezes, anos após a cirurgia.

Com certeza, ir com a mente confusa para um procedimento cirúrgico que exige grandes mudanças comportamentais fará o paciente não aproveitar da melhor maneira o seu tratamento e provavelmente comprometerá os resultados físicos e emocionais no longo prazo.

Os primeiros meses do período pós-operatório são preciosos para a instalação e treinamento de novos hábitos, que deverão ser seguidos por toda a vida. Se esses primeiros meses não forem bem utilizados, ficará muito mais difícil instalar as mudanças necessárias depois que retornar a naturalidade para se alimentar.

Não ter medo de perguntar é a principal ferramenta do paciente e de seus cuidadores para obter sucesso nessa empreitada a favor da vida. Mas é muito importante saber o que perguntar, e espero que esse livro também o ajude nisso. Colecionando, ao longo da minha prática clínica, as dúvidas e questionamentos mais comuns – e as minhas próprias como paciente no início desse processo – pensei que escrever um livro para consulta nas diversas etapas do tratamento poderia servir para aliviar muitos momentos de angústia enquanto se espera por uma consulta com um profissional da equipe bariátrica. Muitas vezes, as dúvidas não são de ordem médica ou técnica, mas sim de ordem emocional, nem sempre simples ou fáceis de serem expressas em palavras. Esclarecendo dúvidas simples, evitamos também alguns medos e isso ajuda enormemente na recuperação durante o período pós-operatório e, principalmente, ajuda a não se instalarem conflitos maiores e mais difíceis de resolver.

Embora muitas questões apareçam apenas depois da cirurgia, esse livro pode e deve ser consultado por quem está em fase preparatória pré-cirurgia, por pessoas que estão apenas pesquisando o assunto, pessoas próximas de um obeso que esteja pensando no tratamento cirúrgico ou, ainda, por obesos-emagrecidos que precisam atualizar o manual de instruções das condutas pós-operatórias.

Costumo dizer que as duas coisas não são boas. Nem ficar gordo nem passar por uma cirurgia. No entanto, escolhemos o caminho cirúrgico quando a dor de ser obeso se torna insuportável, e o tratamento clínico já não é suficiente. Quando o peso carregado – no corpo, na alma, nas tentativas fracassadas de emagrecer e manter o peso, na autoestima rebaixada, nas gozações que sofremos e temos de fingir que é engraçado, na baixa qualidade de vida e nas doenças agravadas pela obesidade – torna-se um fardo doloroso demais para seguirmos em frente. A escolha pela cirurgia bariátrica é um caminho cheio de medos e expectativas, afinal não se trata de mais uma dieta milagrosa que pode ser esquecida em

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Análises

O que as pessoas acham de Cirurgia Bariátrica

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Avaliações do leitor

  • (5/5)
    Muito bom! Super recomendo a leitura para quem está pensando em fazer a cirurgia ou fez e continua com algumas dúvidas e medos.