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Pesquisas em Educação Especial: Fios e Desafios

Pesquisas em Educação Especial: Fios e Desafios

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Pesquisas em Educação Especial: Fios e Desafios

Duração:
341 páginas
4 horas
Lançados:
31 de mai. de 2019
ISBN:
9788547310431
Formato:
Livro

Descrição

Pesquisas em educação especial: fios e desafios aborda questões referentes ao universo da educação especial, problematizando temas gerais dessa área relacionados a formação docente, formação profissional de Surdos e escolarização, bem como aos processos de ensino e aprendizagem. As pesquisas apresentadas nesta obra trazem informações provenientes de diferentes contextos sociais e educacionais situados em regiões distintas do Brasil, oferecendo ao leitor a oportunidade de conhecer múltiplas realidades e de verificar as aproximações e distanciamentos que caracterizam o contexto educacional de pessoas identificadas como público-alvo da educação especial e dos educadores em diversos estados brasileiros. Esta publicação é destinada aos profissionais da educação, estudantes de licenciaturas e a todos aqueles interessados na discussão sobre educação especial. O objetivo é que este material possa tornar-se uma ferramenta para todos os que estão direta ou indiretamente envolvidos com o dia a dia da educação especial, auxiliando na solução de problemas ou contribuindo para reflexões sobre suas vivências.
Lançados:
31 de mai. de 2019
ISBN:
9788547310431
Formato:
Livro


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Amostra do livro

Pesquisas em Educação Especial - Christianne Thatiana Ramos de Souza

Editora Appris Ltda.

1ª Edição - Copyright© 2018 do autor

Direitos de Edição Reservados à Editora Appris Ltda.

Nenhuma parte desta obra poderá ser utilizada indevidamente, sem estar de acordo com a Lei nº 9.610/98.

Se incorreções forem encontradas, serão de exclusiva responsabilidade de seus organizadores.

Foi feito o Depósito Legal na Fundação Biblioteca Nacional, de acordo com as Leis nºs 10.994, de 14/12/2004 e 12.192, de 14/01/2010.

COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS E TRANSDISCIPLINARIDADE

APRESENTAÇÃO

Esta obra, intitulada Pesquisas em Educação Especial: Fios e Desafios e organizada pelas autoras Christianne Thatiana Ramos de Souza, Marily Oliveira Barbosa e Diléia Ap. Martins Briega reúne textos com o objetivo de apresentar, sob diferentes olhares e atores, o lócus de estudos em educação especial, com ênfase em três eixos: formação inicial e continuada, escolarização e educação escolar e ensino e aprendizagem. O livro traz temáticas atuais e articula conhecimentos que permeiam a educação especial com reflexões complacentes para o aprofundamento de conceitos teóricos e interlocução com a prática escolar.

Na primeira parte, Formação inicial e continuada, quatro artigos estão dispostos e discutem com profundidade diferentes perspectivas acerca da formação. O primeiro artigo, de autoria de Arlete Marinho Gonçalves, aborda a constituição das representações sociais de alunos Surdos acerca de seus projetos de vida no contexto universitário. Apresenta de forma minuciosa a Teoria das Representações Sociais de abordagem cultural e articula com os saberes partilhados no cotidiano de cinco alunos Surdos universitários, participantes do estudo. O desenho metodológico trouxe a abordagem analítico-descritiva e foi realizada análise com uso das técnicas de pesquisa por meio de questionário estruturado e de desenhos. Os resultados revelaram, acerca dos processos de escolarização dos alunos Surdos universitários, situações de exclusão e de como a Língua de Sinais representa a melhor opção para o desenvolvimento escolar e a continuidade dos estudos para formação profissional na universidade.

O segundo artigo, de autoria de Soraya Dayanna Guimarães Santos, Francy Kelle Rodrigues Silva e Neiza de Lourdes Frederico Fumes, discute a formação continuada de professores de Atendimento Educacional Especializado (AEE) que atuavam ou iniciariam nas salas de recursos multifuncionais (SRMs) do estado de Alagoas/Brasil. Na contextualização do artigo, as autoras buscam argumentos na política e nas disposições legais acerca do AEE. Como técnica de pesquisa, foi utilizado grupo focal e participaram do estudo 12 professoras de SRM. Dos resultados emergem discussões pertinentes sobre a complexidade da atuação do professor do AEE e, por isso, os participantes destacaram que a formação continuada é significativa para atuarem de forma condizente e com qualidade na educação especial na perspectiva da educação inclusiva.

O terceiro artigo, de autoria de Viviane Rodrigues e Wilma Carin Silva Porta, faz apontamentos teóricos acerca da escolarização e do processo de inclusão de alunos com deficiência intelectual. Assim, tem como principal objetivo disponibilizar informações básicas a respeito da deficiência intelectual envolvendo aspectos da definição, causas e prevenção. As informações foram dispostas por meio de palestra para 57 pessoas contando com professores, coordenadores pedagógicos, diretores, professores de escola especial e equipe da Secretaria Municipal de Educação. O tipo de pesquisa adotado no estudo foi a pesquisa-ação e as autoras escrevem todo o processo de construção da palestra, desde os conteúdos, até os detalhes do desenvolvimento. Os participantes preencheram um questionário antes e após a palestra, cujo tema central era a deficiência intelectual: definição, causas e prevenção. Os resultados revelaram que, apesar da palestra ter caráter informativo, foi possível que os participantes compartilhassem dúvidas, inquietações e puderam repensar sobre suas práticas pedagógicas junto aos alunos com deficiência intelectual.

Em seguida, o quarto artigo, de autoria de Waldma Maíra Menezes de Oliveira, assim como no primeiro artigo apresentado neste livro, traz, à luz da Teoria das Representações Sociais, foco na formação inicial de educandos surdos matriculados em curso de Pedagogia. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa e como técnica de pesquisa teve a entrevista semiestruturada, aplicada para 10 alunos Surdos que cursavam um curso de Pedagogia. Os resultados são bastante significativos, uma vez que os participantes indicaram que a escolha em cursarem Pedagogia representou a identidade de serem futuros professores e reconhecimento de uma educação bilíngue.

A segunda parte desta obra refere-se à escolarização e educação escolar do público-alvo da educação especial com a disposição de oito artigos. O primeiro, de autoria de Eleny Brandão Cavalcante, discute e problematiza a educação especial sob a ótica da teoria do materialismo histórico dialético e as contribuições da psicologia histórico-cultural de Vigotski, argumentando a relação estreita entre marxismo e Vigotski.

O segundo artigo, escrito por Marily Oliveira Barbosa e Arlindo Lins de Melo Junior, tem como objetivo analisar as políticas públicas voltadas ao público-alvo da educação especial, com ênfase nas políticas educacionais acerca das SRMs. A metodologia utilizada foi a revisão sistemática em bancos de teses e dissertações no período entre 2008 a 2015. Os autores estabeleceram todos os critérios para análise dos materiais encontrados. Dessa forma, apontam que as produções científicas indicam que existe um distanciamento entre a proposta de implantação das SRM e sua efetivação na prática escolar, uma vez que a estrutura física, a disponibilização de materiais didáticos acessível e a formação de professores são ainda muito incipientes.

Na sequência, o terceiro artigo, de Arlete Rodrigues dos Santos Santa Rosa, tem a preocupação de focalizar os profissionais da infraestrutura escolar atuantes no contexto educacional, uma vez que pode influenciar diretamente o trabalho pedagógico e educacional de todos os agentes do processo. O olhar teórico-metodológico escolhido para discussão foi o sócio-histórico, uma vez que apresenta a complexidade das relações entre sujeito e realidade. Como técnica de pesquisa, foi utilizada a entrevista semiestruturada em que nove funcionários da infraestrutura escolar entrevistaram familiares e/ou professores de alunos com deficiência matriculados nas escolas que estavam designados. Assim, os funcionários puderam obter maior compreensão da realidade dos alunos com deficiência com os quais convivem diariamente.

O quarto artigo, de autoria de Glorismar Gomes da Silva, traz à tona a temática acerca das repercussões e impactos que as fissuras lábio-palatinas (FLP) podem provocar na pessoa e na sua relação com o meio em que vive, principalmente no contexto escolar e em seu processo de escolarização. Como técnica de pesquisa, foi utilizada a entrevista com professores de alunos com FLP. Os resultados revelam que a maioria dos professores, inicialmente, apresentava dificuldades com os alunos devido à falta de informações sobre a FLP, principalmente quanto à comunicação. Esse fato gerava dificuldades de interação do aluno com a comunidade escolar. Assim, o artigo discute a importância da formação de professores para trabalhar no âmbito da diversidade humana.

A seguir, o quinto artigo pertinente ao eixo escolarização e educação escolar, de autoria de Christiane Thatiana Ramos de Souza e Diléia Ap. Martins Briega, inter-relaciona a teoria histórico-cultural com os aspectos pertinentes à educação de Surdos. As autoras realizam uma reflexão teórica referente à linguagem e pensamento expostos nos estudos de Vigotski sobre a defectologia. Assim, aprofundam e trazem elementos substanciais da proposta bilíngue de educação da pessoa Surda como base linguística para a aquisição da Língua de Sinais (como primeira língua) para efetivação da comunicação entre essa pessoa com a sociedade. Isso favorecerá a aquisição da segunda língua (modalidade escrita) que a comunidade linguística majoritária utiliza.

O sexto artigo, escrito por Sirlene Vieira de Souza e Neiza de Lourdes Frederico Fumes, discute a formação de professores no que se refere ao desenvolvimento profissional e à prática pedagógica, dando ênfase na inclusão escolar de alunos Surdos em sala comum. O tipo de pesquisa adotado foi a pesquisa colaborativa, a partir da consultoria colaborativa. Ao longo do texto, as autoras desvelam o conceito de habitus e argumentam que a pesquisa colaborativa pode contribuir para a ressignificação da prática pedagógica de professores.

Na sequência, o sétimo artigo, de autoria de Hector Renan da Silveira Calixto e Amélia Escotto do Amaral Ribeiro, apresenta como as classes especiais para alunos Surdos podem representar espaços de aprendizagem e, também, como a escola pode criar espaços de interação e convívio para todos os alunos. O texto faz uma retrospectiva histórica sobre a educação de alunos Surdos e apresenta uma proposta de serviço educacional em classe especial para esse alunado no município de Duque de Caxias-RJ.

O oitavo artigo, de Huber Kline Guedes Lobato, discute e problematiza sobre o AEE e o ensino e aprendizagem de alunos Surdos nas escolas consideradas inclusivas em uma realidade específica de uma cidade de médio porte do interior do estado do Pará. O estudo teve uma professora participante e a técnica de pesquisa foi o mapa conceitual. Os resultados apontam para a importância da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e que a escola necessita criar ambientes linguísticos que possibilitem a comunicação entre alunos Surdos e ouvintes, o que viabilizaria, com maior qualidade, o processo de escolarização dos alunos Surdos.

Por último, a terceira parte refere-se ao ensino e aprendizagem com a apresentação de um artigo. Vale ressaltar que esse eixo articula-se com os demais, uma vez que é necessário discutir a formação de professores (primeiro eixo) e a escolarização e educação escolar (segundo eixo) para garantir, de fato, o ensino e aprendizagem do público-alvo da educação especial com qualidade e êxito. O artigo dos autores Andréa Pereira Silveira, Huber Kline Guedes Lobato e Lucival Fábio Rodrigues da Silva teve como objetivo analisar as representações sociais de licenciandos em Letras Libras e Língua Portuguesa como segunda língua para alunos Surdos acerca do ensino aprendizagem da Libras e o impacto dessa representação no processo de formação inicial de professores. A abordagem de pesquisa foi a qualitativa com a participação de licenciandos concluintes do curso de Licenciatura em Letras Libras e Língua Portuguesa como segunda língua para Surdos. Como técnica de pesquisa, foi utilizada a entrevista semiestruturada e realizada análise de conteúdo a partir dos relatos de fala dos participantes. Os resultados são dispostos por meio de categorias, que são exploradas minuciosamente. Os participantes, licenciandos Letras Libras e Língua Portuguesa apontam para a valorização de Libras no sentido de promover a educação bilíngue para pessoas Surdas.

As análises presentes nesta obra são de extrema relevância para a construção do conhecimento por meio da pesquisa científica. Os temas abordados em cada eixo articulam-se e complementam-se em relação à diversidade humana com ênfase no processo de escolarização dos alunos público-alvo da educação especial. Dessa forma, a leitura deste livro torna-se obrigatória para a comunidade universitária, professores da educação básica, professores da educação especial e leitores em geral para a compreensão dos elementos primordiais para tessituras teórico-prática referentes à educação especial.

Adriana Garcia Gonçalves

Programa de Pós-Graduação em Educação Especial / UFSCar

PREFÁCIO

É com imenso prazer que escrevo as linhas introdutórias da obra Pesquisas em Educação Especial: Fios e Desafios. Trata-se de um livro organizado a partir de relatos de pesquisa bastante atuais desenvolvidos em diferentes regiões do Brasil. Só esse fato já tornaria esta obra alvo de nossa atenção, uma vez que conhecer como a educação especial organiza-se nas diferentes regiões brasileiras é de interesse daqueles que atuam nesse campo, sendo que essas informações nem sempre nos são acessíveis. Contudo o destaque principal está na qualidade dos relatos que nos apresentam uma diversidade de pesquisas conduzidas com professores, profissionais da educação e população público-alvo da educação especial. Os relatos, produzidos por grupos de pesquisa consolidados, em diferentes universidades brasileiras, nos dão um panorama de múltiplos aspectos do cotidiano daqueles que vivenciam a educação especial em nosso país, e pode ser muito útil para pesquisadores, estudantes de pós-graduação e para professores interessados em aprofundar seus conhecimentos e sua formação.

Os capítulos abordam a temática da formação inicial e continuada de professores e outros profissionais da educação e educação especial, chamando nossa atenção para a atualidade do debate e para formas inovadoras de abordar esses professores e profissionais. Além disso, trata da escolarização e da educação escolar e da temática do ensino e aprendizagem, privilegiando o diálogo com autores que trabalham com a abordagem histórico-cultural e a Teoria das Representações Sociais.

A educação especial tem sido foco de amplo debate no campo da educação, todavia, os resultados alcançados na educação do público-alvo da educação especial indicam que esse debate merece ser aprofundado e que muitos novos espaços de reflexão fazem-se necessários. A despeito da política de inclusão escolar estar vigente há 20 anos em nosso país, muito ainda precisa ser discutido e a formação de professores regentes de classe e de professores do campo da educação especial necessita ser aprimorada. Nesse sentido, esta obra traz colaboração tanto pela reflexão teórica e análise de situações educacionais concretas, quanto pelas sugestões que apresenta.

As organizadoras Christianne Thatiana Ramos de Souza, Marily Oliveira Barbosa e Diléia Ap. Martins Briega enlaçaram textos ricos, competentes e atuais, que merecem nossa atenção. Boa leitura e reflexão!

Cristina Broglia Feitosa de Lacerda

Programa de Pós-Graduação em Educação Especial / UFSCar

Sumário

FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA

PROJETOS DE VIDA DE SURDOS UNIVERSITÁRIOS: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS POR MEIO DE DESENHOS TEMÁTICOS

Arlete Marinho Gonçalves

DIZERES DE SURDOS SOBRE A ESCOLHA DO CURSO DE PEDAGOGIA: O PROFESSOR SURDO COMO MODELO IDENTITÁRIO

Waldma Maíra Menezes de Oliveira

FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO

Soraya Dayanna Guimarães Santos

Francy Kelle Rodrigues Silva

Neiza de Lourdes Frederico Fumes

FORMAÇÃO DE PROFESSORES E A INCLUSÃO: O PRIMEIRO PASSO É A INFORMAÇÃO

Viviane Rodrigues

Wilma Carin Silva Porta

ESCOLARIZAÇÃO E EDUCAÇÃO ESCOLAR

A EDUCAÇÃO ESPECIAL E OS FUNDAMENTOS MARXISTAS DA EDUCAÇÃO EM VIGOTSKI

Eleny Brandão Cavalcante

ESCOLARIZAÇÃO DO PÚBLICO ALVO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL (PAEE): A REALIDADE E O PRESCRITO NOS DISPOSITIVOS LEGAIS

Marily Oliveira Barbosa

Arlindo Lins de Melo Junior

INCLUSÃO: O QUE PENSAM OS FUNCIONÁRIOS DA INFRAESTRUTURA ESCOLAR

Arlete Rodrigues dos Santos Santa Rosa

FISSURA LABIOPALATINA: ALGUMAS REFLEXÕES NO ÂMBITO EDUCACIONAL

Glorismar Gomes da Silva

CONTRIBUIÇÕES DOS ESTUDOS DE LEV S. VIGOTSKI SOBRE DEFECTOLOGIA PARA A EDUCAÇÃO DE SURDOS

Christianne Thatiana Ramos de Souza

Diléia Ap. Martins Briega

DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL E A INCLUSÃO DE ALUNOS SURDOS

Sirlene Vieira de Souza

Neiza de Lourdes Frederico Fumes

AS CLASSES PARA SURDOS COMO LÓCUS DE ARTICULAÇÃO ENTRE SUJEITOS, ESPAÇO (S) E TEMPO (S)

Hector Renan da Silveira Calixto

Amélia Escotto do Amaral Ribeiro

DESAFIOS DO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO EM ESCOLAS INCLUSIVAS e O ensino-aprendizagem de ALUNOS surdos

Huber Kline Guedes Lobato

ENSINO E APRENDIZAGEM

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE O ENSINO-APRENDIZAGEM DE LIBRAS: ESPECIFICIDADES PEDAGÓGICAS NO ENSINO SUPERIOR

Andréa Pereira Silveira

Huber Kline Guedes Lobato

Lucival Fábio Rodrigues da Silva

SOBRE OS AUTORES

FORMAÇÃO INICIAL

E CONTINUADA

PROJETOS DE VIDA DE SURDOS UNIVERSITÁRIOS: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS POR MEIO DE DESENHOS TEMÁTICOS

Arlete Marinho Gonçalves

SINAIS INICIAIS

É inegável que os estudantes de Cultura Surda¹, em sua maioria jovens e usuários da Língua de Sinais², têm a possibilidade de construir variados projetos de vida, assim como as pessoas ouvintes almejam, na vida adulta, sua estabilidade financeira, emocional, familiar e acadêmica. Nessa transição entre juventude e idade adulta, a universidade é uma das possibilidades de fazer com que eles alcancem a sonhada progressão na carreira acadêmica e também no mercado de trabalho, de acordo com sua escolha.

A pesquisa de Gonçalves, Lobato e Nascimento³ sobre escolha profissional com jovens Surdos da região Marajoara revelou que a maior parte desse grupo faz opção, ao concluir o ensino médio, por profissões ligadas a sua cultura linguística – a Libras –, tais como ser professor de Libras, ser instrutor de Surdo⁴ e passar no Programa Nacional para a Certificação de Proficiência no Uso e Ensino da Língua Brasileira de Sinais e para a Certificação de Proficiência em Tradução e Interpretação da Libras/Língua Portuguesa (Prolibras). O estudo mostra que o espaço por mercado de trabalho, infelizmente, ainda é limitado para o jovem Surdo, o qual delimita, também, a definição de suas escolhas profissionais futuras. Muitas delas ancoram às representações que se encontram mais próximas de sua realidade cultural – ao uso da Libras –, e que, certamente, ofereceria mais oportunidade de alcançar seus objetivos profissionais. Contudo, o resultado não se detalha como regra, uma vez que muitos municípios já abrem espaços e apresentam outras oportunidades de mercado de trabalho, onde o sujeito Surdo pode também concorrer.

É, também, na universidade, um dos espaços onde se constrói outras relações e que influencia novos processos identitários, além de escolhas futuras. Segundo Perlin⁵, os Surdos passam o tempo todo por esse processo de construção de identidade, assim como acontece com os que são de cultura ouvinte, pois passam a exercer uma importante função nessa construção e em seus projetos de vida, seja ela com a cultura ouvinte e/ou com a Cultura Surda na relação construída por meio das interações.

Quando nos referimos a projeto de vida, relacionamos a definição defendida por Nascimento⁶, quando afirma ser aquele que está relacionado ao sentido de [...] aspirações, desejos de realizações, que se projetam para o futuro como uma visão antecipatória de acontecimentos [...] construída na interseção das relações que o sujeito estabelece com o mundo. Nesse sentido, essa relação do Surdo com outros grupos e com novas formas de pensamento leva-os a ter novos referenciais e sonhos. A universidade e todo o seu processo de escolarização podem também demarcar esse projeto de vida na faixa etária em que se encontram.

Nesse sentido, é de suma importância conhecer os projetos de vida dos Surdos universitários, principalmente dos jovens estudantes, pois significa dialogar com os múltiplos processos de representação/marginalização que a eles são impostos a partir da entrada em outro nível de ensino, sem esquecer sua trajetória de escolarização, que é fundamental ou implicador para esse projeto. Afinal, como argumenta Scalon⁷, a polêmica sobre o enfrentamento das desigualdades está relacionada aos projetos de vida e ao que as políticas de inclusão e acessibilidade oferecem.

É nesse contexto que o Surdo universitário ganhou destaque, pois as diferenças linguísticas entre os que são surdos e ouvintes é certamente constitutivo da alteridade⁸ de cada grupo. Pesquisas de Valentini e Bisol⁹, sobre a inclusão no Ensino Superior, apontam que o espaço universitário é desafiador para a maioria dos Surdos que estão na fase da juventude, pois a adaptação à vida nesse contexto os leva a variadas obrigações acadêmicas que, em alguns casos, se desdobram no insucesso e consequente abandono. Dessa forma, os Surdos precisam lidar [...] com as consequências de uma trajetória escolar anterior, nem sempre satisfatória¹⁰.

Dessa forma, a nossa grande questão delineia-se na seguinte pergunta: Como se constitui as representações sociais de alunos Surdos acerca de seus projetos de vida no contexto universitário?

Para compreender esse sujeito social e cultural, nos propusemos a buscar o seguinte objetivo geral: Analisar a constituição das representações sociais de alunos Surdos acerca de seus projetos de vida no contexto universitário. E como objetivos específicos: traçar o perfil dos estudantes Surdos universitários matriculados nos cursos de graduação da Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA); identificar os elementos que constituem os projetos de vida dos Surdos universitários.

A TEORIA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE

ABORDAGEM CULTURAL

O projeto de vida de cada sujeito surge por meio de um emaranhado de relações e saberes partilhados no cotidiano, e é nessa estrutura social, de comunicação e de cultura entrelaçados, que são produzidas e circuladas as Representações Sociais. A Teoria das Representações Sociais, escolhida como aporte teórico e metodológico de base deste capítulo, foi iniciada em 1961, cujo mentor é Serge Moscovici. Essa teoria foi difundida por outros pesquisadores como Jodelet¹¹,

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