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Notas do Subsolo

Notas do Subsolo

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Notas do Subsolo

avaliações:
4/5 (62 avaliações)
Comprimento:
166 página
3 horas
Lançado em:
Feb 20, 2008
ISBN:
9788525421265
Formato:
Livro

Descrição

Notas do subsolo é um marco no grandioso conjunto de obras que Dostoiévski legou ŕ humanidade. Dotado de um humor mordaz, provocativo e desafiador, este livro introduz as idéias de moral e política que o escritor mais tarde abordaria nas obras-primas Crime e castigo e Os irmăos Karamazóv. Sua idéia de "homem subterrâneo" legou ŕ ficçăo européia moderna um dos seus principais arquétipos, encontrado também em Kafka, Hesse, Camus e Sartre: o anti-herói morbidamente obcecado com a sua própria impotęncia de lidar com a realidade que o cerca.

Esta obra, publicada inicialmente na revista Epokha, editada por Dostoiévski e por seu irmăo Mikhail, traz em si várias discussőes filosóficas. Dividida em duas partes, é um autoflagelante monólogo no qual o narrador, um rebelde contrário ao materialismo e ao conformismo, discute sua visăo negativa do mundo e aborda as principais questőes do seu tempo, constituindo uma narrativa de uma intensidade incomum.
Lançado em:
Feb 20, 2008
ISBN:
9788525421265
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Notas do Subsolo - Fiódor Dostoiévski

Nota do tradutor


Ao iniciar a tradução das Notas do subsolo, de Dostoiévski, deparei-me com o problema da adequação estilística. Essa obra é bastante conhecida e dela já há entre nós e em Portugal várias traduções. No decorrer do trabalho, fui descobrindo que o enfoque da maioria das traduções de que tive conhecimento não estava de acordo com alguns detalhes característicos e fundamentais dessa obra. Notei, por exemplo, que as traduções em estilo grandioso, pomposo, via de regra atenuam a veia cômica de Dostoiévski, que não escreveu um texto sisudo, para ser lido como uma obra religiosa, um texto sagrado, algo para ser reverenciado e respeitado, e sim um texto com humor, provocativo e desafiador, para gerar polêmica e controvérsias. Fui percebendo, também, a função da própria linguagem na construção desse texto. Trata-se de uma novela escrita do princípio ao fim na primeira pessoa do singular, pretensamente pelo protagonista-narrador. Não se conhece muita coisa desse personagem, a não ser o que ele mesmo diz a respeito de si próprio. Nem ao menos o seu nome nos é revelado. Deduz-se que ele era oriundo da nobreza empobrecida ou da nascente classe média, não-nobre.

A obra, estruturalmente, é constituída de duas partes com funções bem diferentes. Na primeira parte, Dostoiévski utiliza a novela como um espaço em que discute as idéias correntes no seu tempo a respeito de política, filosofia, sociedade, movimentos sociais, polemizando com as diversas tendências que fervilhavam na Rússia na segunda metade do século XIX e com as muitas idéias em voga que eram importadas da Europa Ocidental e a que ele, como eslavófilo, se opunha. Nessa primeira parte, ainda, ele desenha as características desse protagonista-narrador, através de suas reminiscências e auto-análises.

Na segunda parte, ele narra episódios da vida do seu herói, ou anti-herói, ou paradoxista, como ele mesmo se qualifica no final do livro. Aí ele mostra na prática aquilo que o narrador diz de si próprio na primeira parte. Com relação à linguagem, existe uma diferença marcante entre os estilos dessas duas partes, mas um aspecto que é comum às duas é a larga utilização de elementos dos registros informais (linguagem popular, informal falada, palavras depreciativas, além de diminutivos, aumentativos, repetições, hesitações, utilização de frases feitas e ditados populares, marcadores discursivos e conversacionais), pois o narrador escreve todo o livro na primeira pessoa e conversa com uns certos senhores, que ora podem ser leitores comuns, ora parecem ser seus adversários nos campos político e social.

Porém, não se pode caracterizar a linguagem empregada como sendo a realização de um texto integralmente num desses registros, ou variantes. A variante predominante é a formal culta na primeira parte e a formal culta mesclada com coloquial culto (especialmente nos diálogos) na segunda parte, como era comum na prosa do século XIX na Rússia (e também no Brasil).

Na primeira parte, há uma forte influência do estilo e sobretudo do léxico da prosa publicística, um gênero muito cultivado na Rússia no século XIX. A atividade editorial era intensa nessa época, havendo grande quantidade de jornais e revistas de diferentes tendências e matizes políticos. Fiódor Dostoiévski e seu irmão Mikhail foram eles próprios donos de duas revistas, Epokha (Época) e Vrêmia (Tempo).

O personagem-narrador polemiza com inúmeras personalidades do seu século, russos e estrangeiros, como Kant, Darwin, os socialistas utópicos franceses e russos, escritores e intelectuais russos do campo revolucionário democrático, entre outros. Seu tom é agressivo, hostil e provocativo, o que é atestado por um grande número de palavras injuriosas e de conotação negativa, utilizadas contra seus adversários ideológicos e também contra si mesmo, pois ele quer provar que possui todos aqueles defeitos como uma conseqüência natural de ter crescido naquela sociedade.

Existem ainda elementos nessa primeira parte que caracterizam o personagem do ponto de vista de sua mente bastante perturbada. Para acentuar tal característica, muitas frases são obscuras, repetitivas, sobrecarregadas por uma série de marcadores de diálogo e textuais, advérbios e partículas modais que se enfileiram de uma forma que em português nós estamos acostumados a evitar, de acordo com nossas regras de boa redação. Em alguns casos optei por não eliminar simplesmente alguns desses advérbios, palavras modais e marcadores e conservei tanto quanto possível a intenção do autor, mesmo que em português soe um pouco estranho ou pesado.

Na segunda parte, o estilo predominante já é outro. Aqui, na maior parte, já não se trata de um duelo verbal com interlocutores imaginários, mas sim de narrativas de três episódios da vida do narrador. Com exceção do início, não tem muito lugar o estilo jornalístico e aparece a técnica narrativa do próprio Dostoiévski, seu talento como escritor. O estilo é elegante, mas simples, e estão presentes em grande quantidade elementos da linguagem informal e coloquial, o que eu procurei recriar no português, sem me afastar da norma culta, como era comum no século XIX.

É interessante o que o próprio Dostoiévski diz a respeito de sua novela. Em carta ao irmão, de 20 de março de 1864, ele escreveu: Dei início à novela [...]. É bem mais difícil de escrever do que eu pensava. Contudo é absolutamente necessário que ela saia boa, eu preciso pessoalmente disso. Pelo seu tom ela é demasiadamente estranha, e o tom é ríspido e hostil: pode ser que não agrade; conseqüentemente, é necessário que a poesia suavize e suporte tudo. Essas palavras de Dostoiévski explicam a particularidade da estrutura dessa novela e o contraste entre a linguagem da primeira e da segunda partes.

Maria Aparecida Botelho Pereira Soares

Referências:

1. F. M. Dostoiévski, Sobránie Sotchinênii (Coletânea de obras), T. IV. Gossudárstvennoie Izdátelstvo Khudôjestvennoi Literatúry, Moskvá, 1956 (com notas de I. Z. Sérman).

2. Sobránie Sotchinênii v 15-ti tomakh I (Coletânea de obras em 15 volumes), T.4. L., Naúka, 1989 (Com notas referentes ao volume 4 de A. V. Arkhípova, N. F. Budánova e Ie. I. Kíiko).

Parte

I


O subsolo[1]

1

Sou um homem doente... Sou mau. Não tenho atrativos. Acho que sofro do fígado. Aliás, não entendo bulhufas da minha doença e não sei com certeza o que é que me dói. Não me trato, nunca me tratei, embora respeite os médicos e a medicina. Além de tudo, sou supersticioso ao extremo; bem, o bastante para respeitar a medicina. (Tenho instrução suficiente para não ser supersticioso, mas sou.) Não, senhores, se não quero me tratar é de raiva. Isso os senhores provavelmente não compreendem. Que assim seja, mas eu compreendo. Certamente, não poderia explicar a quem exatamente eu atinjo, nesse caso, com a minha raiva; sei perfeitamente que, não me tratando, não posso prejudicar os médicos; sei perfeitamente bem que, com isso, prejudico somente a mim e a mais ninguém. Mesmo assim, se não me trato, é de raiva. Se o fígado dói, que doa ainda mais.

Faz muito tempo que vivo assim – uns vinte anos. Agora estou com quarenta. Antes eu trabalhava no serviço público, mas agora não trabalho mais. Fui um funcionário cruel. Era grosseiro e encontrava prazer nisso. Já que não aceitava propinas, devia me recompensar ao menos dessa maneira. (Isso foi um gracejo infeliz, mas não vou apagá-lo. Eu o escrevi pensando que ia sair algo muito espirituoso, mas agora, quando constatei que, de maneira infame, estava apenas querendo me vangloriar, de propósito não vou apagar.) Quando os solicitantes se aproximavam da minha mesa para pedir uma informação, eu rangia os dentes para eles e sentia um prazer infinito quando conseguia contrariar alguém. Quase sempre conseguia. Na maior parte, era gente tímida, como são de hábito os solicitantes. Mas, entre os almofadinhas, particularmente eu não podia suportar um certo oficial. Ele não queria de modo algum submeter-se e fazia tinir seu sabre de maneira asquerosa. Por causa desse sabre, nós estivemos em guerra durante um ano e meio. Ganhei, finalmente. Ele parou com os tinidos. Aliás, isso se passou ainda na minha mocidade. Mas sabem os senhores em que consistia o ponto principal da minha raiva? A questão toda, a minha maior canalhice, se resumia a que a todo momento, até no instante do ódio mais intenso, eu percebia, envergonhado, que não só não era mau, como não era nem mesmo uma pessoa enfurecida, apenas assustava pardais sem nenhum propósito e com isso me divertia. Minha boca espumava, mas se me trouxessem um brinquedinho ou um chazinho com açúcar, na certa eu me acalmaria. Ficaria até enternecido, embora depois, provavelmente, rangeria os dentes para mim mesmo e, de vergonha, passaria alguns meses com insônia. Esse é o meu jeito de ser.

Eu menti antes, quando disse que era um funcionário cruel. Menti de raiva. Apenas me divertia com os solicitantes e o oficial, mas no fundo nunca me tornei mau. Constantemente observava em mim uma enorme quantidade de elementos contrários a isso. Sentia-os fervilhar dentro de mim. Sabia que em toda a minha vida eles fervilharam dentro de mim e ansiavam por sair, mas eu não deixava. Não deixava, de propósito não os soltava. Eles me torturavam ao ponto de me dar vergonha; até convulsões eu tinha por causa deles – e finalmente fiquei farto. Como fiquei farto! Não lhes parece que agora estou me arrependendo de alguma coisa diante dos senhores, que estou a lhes pedir perdão? Estou certo de que parece... Aliás, asseguro-lhes que para mim tanto faz, se isso assim lhes parece...

Não apenas não consegui tornar-me cruel, como também não consegui me tornar nada: nem mau, nem bom, nem canalha, nem homem honrado, nem herói, nem inseto. Agora vivo no meu canto, provocando a mim mesmo com a desculpa rancorosa e inútil de que o homem inteligente não pode seriamente se tornar nada, apenas o tolo o faz. Sim, senhores, o homem do século XIX que possui inteligência tem obrigação moral de ser uma pessoa sem caráter; já um homem com caráter, um homem de ação, é de preferência um ser limitado. Essa é a minha convicção aos quarenta anos. Tenho agora quarenta. E quarenta anos é toda uma vida, é a velhice mais avançada. Depois dos quarenta é indecoroso viver, é vulgar, imoral! Quem vive além dos quarenta? Respondam-me sincera e honestamente. Pois vou lhes dizer quem vive: os tolos e os canalhas. Direi isso na cara de todos os anciãos, dos anciãos respeitáveis, perfumados e de cabelos brancos! Direi isso na cara de todo mundo! Tenho direito de dizer isso porque eu mesmo vou viver até os sessenta. Até os setenta! Até os oitenta! Esperem! Deixem-me tomar fôlego!

Acaso os senhores estão pensando que quero fazê-los rir? Enganaram-se também quanto a isso. Não sou absolutamente esse sujeito brincalhão que os senhores imaginam, ou que talvez os senhores imaginem. Aliás, se os senhores, irritados com toda esta tagarelice (e já senti que estão irritados), inventarem de me perguntar: quem é o senhor exatamente? – eu lhes responderei: sou um assessor colegial[2]. Eu tinha esse emprego para ter alguma coisa para comer (mas somente para isso) e quando, no ano passado, um dos meus parentes distantes deixou-me seis mil rublos no seu testamento, imediatamente me aposentei e mudei para este canto. Meu quarto é detestável, nojento e fica quase fora da cidade. Já vivia aqui antes, mas agora me instalei definitivamente. Minha criada é uma mulher da aldeia, velha, raivosa devido à ignorância e, além de tudo, tem um fedor insuportável. Dizem que o clima de Petersburgo está se tornando prejudicial para mim e que, com os recursos insignificantes de que disponho, é muito caro viver aqui. Sei de tudo isso melhor do que esses conselheiros e protetores experientes e sábios. Mas permaneço em Petersburgo; não vou sair de Petersburgo! Não vou sair porque... Ora! Não faz diferença nenhuma se vou sair ou não.

Mas sobre o que um homem de bem pode falar com mais satisfação?

Resposta: sobre si mesmo.

Então, vou falar sobre mim.

2

Agora desejo lhes contar, queiram ou não ouvir, por que não consegui me tornar nem ao menos um inseto. Afirmo-lhes solenemente que muitas vezes quis tornar-me um inseto. Mas nem isso mereci. Asseguro-lhes que ter uma consciência exagerada é uma doença, verdadeira e completa doença. Para o dia-a-dia do ser humano seria mais do que suficiente a consciência do homem comum, ou seja, a metade ou um quarto menor do que a porção que toca a cada pessoa evoluída do nosso infeliz século XIX que, ainda por cima, tem a infelicidade excepcional de morar em Petersburgo, a cidade mais abstrata e premeditada de todo o globo terrestre. (Há cidades premeditadas e não-premeditadas.) Seria inteiramente suficiente, por exemplo, uma consciência igual à dos assim chamados indivíduos e homens de ação diretos. Aposto que os senhores estão pensando que estou escrevendo tudo isso por gabolice, para fazer graça às custas dos homens de ação, e estão pensando ainda que, num gracejo de péssimo gosto, faço tinir meu sabre, como o meu oficial. Mas, senhores, quem pode se gabar de suas próprias doenças e ainda usá-las para fazer pilhéria?

Aliás, que estou dizendo? É isso que todos fazem: vangloriar-se de suas doenças, e faço-o, talvez, mais do que todo mundo. Não vamos discutir; minha objeção é absurda. Apesar de tudo, estou firmemente convencido de que não só a consciência em alto grau é uma doença, como também o é qualquer consciência.

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Análises

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4.0
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Avaliações de leitores

  • (4/5)
    My first Dostoyevsky reading, and I really enjoyed it. Soon I'll begin reading his longer works, this was a good introduction.
  • (5/5)
    All of Dostoyevsky's novels are works of genius, but, as far as I am concerned, this is the best one of them all.
  • (3/5)
    Shooting from my hip, I'd guess that Notes From The Underground emerged via the tradition of epistolary novels and the recent triumph of Gogol's Diary of a Madman. There is little need here to measure the impact and influence of Dostoevsky's tract. Nearly all of noir fiction is indebted. The monologue as a novella continues to thrive, finding its zenith, perhaps, in the work of Thomas Bernhard.

    Notes is a work for the young. Its transgressions can't begin to shock anymore. Its creative instability has to be appreciated for its technical merit. This hardly works on old sods like me. Somehow in this tale of honor lost and self deception I kept thinking of the Arab Spring. Dangerous potentials are unearthed when you cleave away traditions and don't offer realized possibilities.
  • (4/5)
    Short and enjoyable. I can't get enough. Feels like a slice from the mind of one of Dostoevsky's more expanded characters, in a good way. It's all been distilled into 130 pages and it really made me think. How is he so darn good at writing melodramatic and insane people? I probably relate a little too much to this guy.

    And in there, also a nugget of truth re: philosophy of science "Man is so partial to systems and abstract conclusions that he is ready intentionally to distort the truth, to turn a blind eye and a deaf ear, only so as to justify his logic.".
  • (5/5)
    Amazing how he can twist and turn a thought from nowhere and make it grow into a full blown psychological drama.
  • (5/5)
    Yes, this is a classic; it's the sort of book that other people write books about. While Part 1, the more philosophical section, is an intense read with plenty of depth and quotable quotes, Part 2 verges on the burlesque in its tragicomic depiction of a series of events that exemplify, in more tangible form, the nature of 'underground'. While the initial philosophy clearly sets the stage for the pastiche that follows, in some way it might be an easier 'in' to the work of Dostoyevsky to read the two in reverse order. The lack of a reliable narrator figure, in particular, is one literary dimension that a reader new to Dostoyevsky needs to discover, and this can become one of the perversely enjoyable facets of the work: navigating the paradoxically self-aware yet simultaneously unaware nature of the 'underground man'.
  • (5/5)
    A forty year old man introduces himself: "I AM A SICK MAN . . . I am a wicked (nasty) man." This comes from a man who immediately demonstrates his unsureness and his unreliability, as he touts his superstitiousness and refusal to be treated for his (imagined?) sickness. With a few lines of prose Dostoevsky has introduced the reader to a new type of man, one that we will see traces of in characters like Raskolnikov in Crime and Punishment and others in subsequent novels. What do we make of this narrator and his story?It is a story that is bifurcated into two parts that are very different from each other but intimately connected. The narrator is talking to someone. Perhaps it is the reader or perhaps it is himself, but he is passionate as he speaks out from his "corner" bemoaning the fact that he is not even able to become an insect, much as he would like to. The narration, upon first reading, is strange, but it changes when he draws in the reader by observing that he is not the only one who takes pride in his "sickness". Everyone takes pride in their own sickness. Suddenly we have come upon, become part of, the modern condition. This is the world that Nietzsche and others would later describe and that we live in.The first part is entitled "Underground" and it is a world where the certainties of "2+2=4" and the philosophies of rationalism and utilitarianism are not welcome. The narrator, in his hole, cannot act and is overcome with inertia -- being constantly offended by "the laws of nature". What is a man without wants or desires who is living a life that is determined? Reason is not the answer, so he speculates that "two times two is five is sometimes also a most charming little thing". (p 34) He is bored and so he begins to write as the falling snow reminds him of an anecdote that occurred when he was twenty-four years old.Thus the narration changes as the second part, "Apropos of the Wet Snow" begins. The nature of his pathology and his paranoia becomes clear as he reacts with coworkers and meets a young girl. The bifurcation of the story begins to appear in the narrator who, shortly after meeting the girl, starts to have doubts, thoughts like this:"A sullen thought was born in my brain and passed through my whole body like some vile sensation, similar to what one feels on entering an underground cellar, damp and musty. It was somehow unnatural . . . " (p 88) He begins to doubt himself (maybe he always has). The girl tries to reach out to him but he cannot reciprocate. Ultimately he concludes that life lived in books is better than his real life. He does little, is disappointed, and begins to write.This novel is a tragicomedy of ideas, powerful in the sense that it identifies the direction that much of modern thought will pursue. The dramatic expressiveness of the prose betrays a narrator who is bereft of the will to engage in life. It is a form of nihilism that eats away at the narrator. Dostoevsky's answer, not given in this short novel but found in The Brothers Karamazov and elsewhere, is a faith that is absent here. That does not mean that this is not a rich text, filled with ideas and deep with meaning. It is a book that challenges the reader in ways that resonate forward more than a century later.
  • (3/5)
    This guy is batcrap crazy. I don't think I'd ever want him as a friend (though I guarantee I would be his friend, because I seem to attract crazy), but he's certainly amusing to watch/listen to.
  • (4/5)
    I think this may be the shortest work by a Russian novelist I have ever read. That being said, I don't know that this book is truly a novel so much as it is an extended short story told from the perspective of a Russian man who tends to rabble and who once drove away a woman who might have been able to love him. Overall, I liked the book, although the first part was certainly difficult to get through, the second (which actually relates a story instead of just philosophizing) more than made up for it.
  • (3/5)
    Possibly the first existential novel (novella). The unnamed writer, 40 years old, tells us he is writing to no one but argues that man must choose (free will) and will choose not to live by logic and in fact will choose against logic. The second part, gives us the background of the writer and how he ended up underground. Then the very end, we learn that even this has been edited and we the reader do not know what is the truth. Rating 3.43.
  • (4/5)
    My first Dostoyevsky reading, and I really enjoyed it. Soon I'll begin reading his longer works, this was a good introduction.
  • (3/5)
    Vrijmoedige monoloog van een eigenzinnig, arrogant en wispelturig man. Het eerste deel is absoluut een sleutel tot het hele oeuvre van Dostojevski, het tweede deel doet erg gogoliaans aan. Onderliggende boodschap: de verscheurde moderne mens als gevolg van het wetenschappelijk positivisme.Eerste lectuur toen ik 17 jaar was, onmiddellijk herkend als sleutelroman
  • (5/5)
    A sublimely important book.
  • (5/5)
    I haven't had the energy to attempt Dostoyevsky's more well known works, however this book contained some of the finest writing I've ever read. Admittedly, existentialism has little appeal for me, yet his dry wit and humor were a pleasant surprise, particularly as contained in the second part of the work. I found his encounters with a local police officer and dinner party with old schoolmates some of the funniest, best written material I have ever read. An unusual, but very compelling book, highly recommended.
  • (2/5)
    Yeah yeah I know this is "important" or whatever, it's also kind of annoying. But hey, you won't find a bigger fan of "Crime and Punishment" than me.
  • (5/5)
    I've met the underground man before. After years of pastoring, I've seen traces of him in all sorts of people—even myself. I've witnessed the painfully thorough introspection that causes otherwise rational people's thoughts to cycle through an internal feedback loop. I've been privy to the inflated sense of pride that imagines absurd revenge scenarios in response to the slightest unintentional personal infraction. There's plenty of underground man in our world today.It's uncanny how a nineteenth century Russian man is reflected so clearly in our capitalistic western culture. Perhaps the rejection of any sort of utopian vision is the common thread. The idea that the world isn't getting better and better draws strange people together.This was my first foray into Dostoyevsky (I'm ashamed to say). He's created a compelling character that elicits empathy while simultaneously thoroughly frustrating the reader. This sort of tortured complexity will keep me coming back to Dostoyevsky for a long time.
  • (4/5)
    The story of a man that goes through his life and no one seems to notice him. On the few occasions that they do he feels compelled to drive them away with his self loathing.. I think many people do live lives similar to the protagonist here that become reclusive and spiteful and don't realize that many of their problems that bring on themselves. As always with Dostoevsky the writing is beautiful as well as painful to read. An existential nowhere man living a life of terrible insignificance.
  • (2/5)
    A thoroughly unpleasant book. A boring whiny rant, occasionally pretending to philosophical insight.
  • (4/5)
    An entertaining at times critique of philosophy such as rationalism among others, overall not my cup of tea.
  • (3/5)
    Ahead of its time, deeply psychological, and enhanced by a crafty translation, this Dostoevsky novella is a brilliant precursor to the Modernist Age of literature.
  • (5/5)
    In this book dostoevsky historicly draws the line between nihalism and existentialism.The 1st part is almost pure philosophical:the author/hero write his thoughts about the confused,and over-knowledged modern man, that results a negative modern human being.Kafka and Musil took that example and developed it,the existentialists tried to solve the problem aroused.The 2nd part is the prose story and it's magnificent.Dostoevsky is not the best user of words in fiction, but he is genius regardless - describing human nature,both psychologiclly and philosophiclly.
  • (4/5)
    Typically Dostoyevskian black humour and sense of angst. Themes of the admiribility of conscienceless evil, and free will. His protagonist insists that we do not operate by some calculus of our best interests, and that it is an essential part of being human that we exercise our right not to operate in such a mathematical way.
  • (4/5)
    For such a short work I was finding this hard going until I realised the problem was with my mindset and over reverent reading of Russian literature. When I realised it was a comedy and worked out something of the Russian sense of humour it all clicked - it's viciously funny enough to anticipate the satire boom of the mid 20th century. Still have problems with the sort of existentialist viewpoint presented here, but at least Dostoyevsky's wit makes it enjoyably palatable.
  • (3/5)
    I can see what it is that literary critics like about this book but I found that it required a bit more concentration than I was willing to give it.
  • (4/5)
    Possibly the only book Dostoevsky wrote which leaves me wanting more. I guess that's what happens when you go for 130 pages instead of 800. There's not much to say, except that I really think this isn't over-rated, and I had so many uncomfortable moments of self-recognition that I was scared to think what an a-hole I am. Chilling.
  • (5/5)
    Who knew Dostoyevsky wrote comedy? Oh, what’s that? This tale of an embittered middle-aged bureaucrat baring his soul wasn’t supposed to be funny? It’s unvarnished human nature, told as honestly as you’re likely to ever hear it, and naturally it’s ugly, twisted, pathetic and petty. You can either weep for the tragedy of human folly, or find humor in it. I’ve done both, and I guess I’m more prone to the weeping, but with a character so removed from present day, living as he does in Czarist Russia of the 19th century- it is somehow easier to stand back and find the perspective to laugh. This is the same sort of humor that made Seinfeld, Curb Your Enthusiasm, and most of Woody Allen’s oeuvre so popular. Neurotic, bored, self-absorbed twits meticulously reliving their every human interaction, sifting for subtle hidden meanings and nuances, rarely finding more than regrets? I’m not a fancified city-slicker psychologist, but I’m pretty confident the book’s unnamed narrator is a high-energy introvert (HEI). HEI’s feel drained by interacting with people, so prefer to keep to themselves, but they have a lot of energy so they spend a lot of time alone either thinking about stuff and/or talking to themselves. Ask me how I know this. On a daily basis, I would say that after my wife and the partner I share a practice with, the person I speak with third most often is myself. What’s there to talk about? Well, current business at work, GoodReads reviews (mine and others’), and repetitious dissections of all the little exchanges I have with other people throughout the day. What did my secretary mean by it, asking me what I had eaten, just as I returned from lunch? Did my breath smell? Was she trying to tell me I look like I’m getting fat? Was she just being nice?… I check my shirt for a mustard stain or some other little clue which might have prompted her to pose the question… Being a cynic, the narrator is prone to take most cryptic comments and meaningful glances as slights and insults. Thus he perceives himself to be frequently surrounded by enemies and frienemies. He is somewhat arrogant, probably in part due to his lack of perspective. Because he is so often alone, he doesn’t see the achievements of others nearly as much as his own. Thus, he believes himself to be perpetually underappreciated. In one scene, our narrator insinuates himself into a group of former classmates, annoyed that they haven’t invited him to hang out. He hears they are planning a farewell party for another classmate whom he never particularly liked, but of course he will not stand to be excluded from their little celebration, so he invites himself. At the party, he fumes over what a jackass the guest of honor is, and how much more deserving he is of the affections being lavished. He gets drunk, makes a scene, insults everybody… and then fumes at home about how badly the evening went, and plans his “revenge“!Okay, so maybe that is a more heartbreaking than funny, being so petty and needlessly put-upon. That’s part of the human tragedy isn’t it? That so much of our misery is needless and self-imposed? We are each so alone in our brains, yet our species has found survival in cooperation, so we have evolved elaborate social systems which demand our participation. But getting along can be so stressful. It requires compromise, exhausting debate and a frequent yielding to group will. Isn’t the struggle to socialize (small “s”) one of the core themes of the canon of literature? Elements of Notes From the Underground are seen in [book:Winesburg Ohio80176] and [book:Infinite Jest6759]. The narrator’s competing loneliness and disdain for his fellow man, his simultaneous arrogance and longing to be accepted remind me of Holden Caulfield, Sinclair Lewis’ [book:Babbitt11374], Raskolnikov (from another Dostoyevsky great, [book:Crime and Punishment7144]) and maybe even a little bit of Alex from [book:A Clockwork Orange227463]. Further tragicomedy ensues when our narrator lectures the prostitute Liza on her poor choice of career. Is he doing so because he genuinely wants to help her, because he wants to cast himself as a savior, or just because he likes to hear himself talk? Maybe he’d rather focus on her problems, which seem somehow manageable from his perspective, to distract from his own. I can’t help but love this narrator, if only for his authenticity. Regardless of his flaws, I at least feel I’m getting the straight story from him. His humanity- warts and all- is on full display, whereas the other characters hide (as we all do at times) behind obscuring veneers of civility and propriety. Do the old schoolmates really like their guest of honor as much as they let on? Surely they must have noticed in him some of the same character defects which our narrator points out. Why don’t they speak as honestly and directly? I often find myself wondering things like this. It’s an ongoing project, but I at least have some pieces of the puzzle: For one thing, not everybody sees the world the same as I do. Extroverts are energized by the company of others, and seek out frequent social interaction... practice makes perfect, so they tend to have less issues getting along with people. I’m also pretty sure extroverts don’t spend as much time talking to themselves, hashing over the past… if for no other reason than they have less “alone time” in their lives. Less cynical people than our narrator are probably less likely to take minor comments as intended insults; they’re likely to give people the benefit of the doubt. In just over one-hundred pages, Dostoyevsky paints such a rich, fleshed-out character, I have to wonder whether this is just a masterful creation, or whether he is drawing from elements in his own personality. I did a very cursory search of the man, and it didn’t shed much light on what he would have been like to hang out with. I know he was once almost executed by firing squad. A last-minute pardon saved him, but the experience was transformative. I kind of hope Dostoyevsky doesn’t resemble the narrator too much, because when Liza returns to our narrator for help escaping her life of prostitution, he isn’t very helpful, and is in fact a bit of a dick about the whole thing. Meh, maybe this wasn’t so comic after all.
  • (5/5)
    I kind of dreaded reading this book, as if I needed to read it to get into Dostoevsky's work. But this book is still quite funny and a very interesting read, especially for its take on human nature and idealism.
  • (3/5)
    This rating is provisional - I'm going to need some time for this novel to stew before coming to a final decision. I read this as part of a challenge to read cult classics which seemed a good opportunity to read a famous Russian author whose work I have been avoiding since attempting Crime and Punishment as a teenager.

    If you, like myself, are coming to this book knowing little about it, a word of advice - don't let the first part make you quit! I disliked it and found it boringly pretentious; at this point I was sure I was going to hate the book and was tempted to stop. The second part I found much more interesting; although the neurotic narrator was just as pretentious, the overall style was more accessible.
  • (5/5)
    painful articulation of the internal side of a self marginalized person
  • (3/5)
    This particular copy of mine has a handful of short stories within it. There are a few pieces that were quite depressing and very fitting as Dostoyevsky works. This was a book that I had to teach to my sophomores when I was teaching 10th grade English and I can't say it had the kids very riveted unfortunately.