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Eros: Quando a paixão entra em campo - III

Eros: Quando a paixão entra em campo - III

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Eros: Quando a paixão entra em campo - III

avaliações:
5/5 (4 avaliações)
Comprimento:
420 página
7 horas
Lançado em:
Jul 3, 2019
ISBN:
9788570270344
Formato:
Livro

Descrição

Eros Nóbrega é o zagueiro do Avantes Esporte Clube, considerado o melhor do país. O futebol está em seu sangue, por ser herdeiro do clube onde joga, contudo, nada veio fácil para ele. Todo seu sucesso teve que ser conquistado. Sexy como o inferno e tão lindo como um deus, as mulheres vêm e vão fácil em sua vida. É um homem apaixonado por natureza, mas nenhuma delas conseguiu prendê-lo por muito tempo. Ainda. Neste momento, só há um troféu que não conquistou: a mulher que voltou para a sua vida como um terremoto e está fazendo as batidas de seu coração falharem. Paula Moraes já teve perdas demais em seu percurso. Precisou amadurecer antes do tempo, porque tinha um futuro para planejar e um irmão mais novo sob sua responsabilidade. Um convite para se tornar a advogada de um clube de futebol está tirando o seu sono, pois isso significa que vai ter que se deparar com o garoto que infernizou sua vida na escola e que hoje se tornou o homem mais quente em quem já pôs os olhos; aquele que não consegue tirar da cabeça.

Leia e se envolva nesta história sedutora, atraente, que vai te levar a perceber que, quando menos se espera, a paixão entra em campo e pode ser arrebatadora.
Lançado em:
Jul 3, 2019
ISBN:
9788570270344
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Eros - Lucy Berhends

Todos os direitos reservados

Copyright © 2019 by Qualis Editora e Comércio de Livros Ltda

Texto de acordo com as normas do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

(Decreto Legislativo nº 54, de 1995)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

B497e

1.ed

Berhends, Lucy, 1978 -

ros: Quando a paixão entra em campo / Lucy Berhends. - Florianópolis, SC: Qualis Editora e Comércio de Livros Ltda, 2019.

Recurso digital

Formato e-Pub

Requisito do sistema: adobe digital editions

Modo de acesso: word wide web

ISBN: 978-85-7027-033-7

1. Literatura brasileira 2. Romance erótico 3. Ficção I. Título II. Série

CDD 869.93

CDU - 821.134.3(81)

Qualis Editora e Comércio de Livros Ltda

Caixa Postal 6540

Florianópolis - Santa Catarina - SC - Cep.88036-972

www.qualiseditora.com

www.facebook.com/qualiseditora

@qualiseditora - @divasdaqualis

SUMÁRIO

CAPA

FOLHA DE ROSTO

FICHA CATALOGRÁFICA

PROLOGO

CAPÍTULO 1: Butterfly

CAPÍTULO 2: Que jogo ele está jogando?

CAPÍTULO 3: O que eu devo fazer?

CAPÍTULO 4: Eu posso lidar com isso

CAPÍTULO 5: Nem agora nem nunca

CAPÍTULO 6: Estou totalmente perdida

CAPÍTULO 7: Enquanto dure

CAPÍTULO 8: Razão versus emoção

CAPÍTULO 9: Estou esperando

CAPÍTULO 10: Apenas você

CAPÍTULO 11: O que você quer?

CAPÍTULO 12: Padrinhos reserva

CAPÍTULO 13: Na maioria das vezes

CAPÍTULO 14: Confia em mim?

CAPÍTULO 15: Ombro amigo

CAPÍTULO 16: Dia estranho

CAPÍTULO 17: Montanha-russa

CAPÍTULO 18: Deus, que confusão!

CAPÍTULO 19: Escolha do coração

CAPÍTULO 20: O que você quer de mim?

CAPÍTULO 21: Eu juro que vou conseguir

CAPÍTULO 22: Sabor da vingança

CAPÍTULO 23: Time adversário

CAPÍTULO 24: Vencer a partida

CAPÍTULO 25: Minha principal meta

CAPÍTULO 26: Eu te amo

CAPÍTULO 27: Eros e Psiquê

CAPÍTULO 28: Grata surpresa

CAPÍTULO 29: Dia ensolarado

CAPÍTULO 30: Acima do bem e do mal

CAPÍTULO 31: Bem até demais

CAPÍTULO 32: Que comece o primeiro tempo!

CAPÍTULO 33: Não brinque com fogo

CAPÍTULO 34: A vingança vem a cavalo

EPÍLOGO: Eros Nobrega

EPÍLOGO: Bônus

AGRADECIMENTOS

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Curvas sinuosas. Aclives e descidas. Sinto-me como se estivesse em uma montanha-russa o tempo inteiro. Não estou exatamente reclamando, entenda. Na verdade, elas não incomodam. Estão apenas me fazendo sentir mais sono devido aos sacolejos do carro.

O sol está forte lá fora, tão propício para um delicioso banho de mar. Isso é justamente o que pretendo fazer assim que meus pés tocarem a areia quente de Paraty. Olho para o meu lado. Meu irmão de nove anos está jogando seu videogame portátil, na parte de trás do carro.

Ele está completamente alheio ao mundo lá fora, mas eu o observo enquanto Pais e Filhos, de Legião Urbana, toca a todo vapor através dos meus fones de ouvido. Apesar dos oito anos que separam nossas idades, eu amo Guilherme demais, como o bebê mimado da família que ele é. Se tem uma coisa que aprendi na vida foi a dar valor à família. Meus pais e ele são as pessoas mais importantes deste mundo.

— Falta muito para chegar, pai? — pergunto, já começando a perceber pessoas transitando com roupas de praia, casas e centros comerciais se aproximando como se abrissem caminho para o paraíso.

Meu pai olha para trás rapidamente e me oferece um sorriso afirmativo.

— Se não fosse pela teimosia da sua mãe, já estaríamos lá. Eu disse que deveríamos pegar o helicóptero e chegar num picar de olhos, mas ela é tão insistente...

Minha mãe lhe dá um tapa no braço, fazendo biquinho.

— Você sabe que não gosto muito de voar, Alberto. Além do mais, qual é a graça do passeio senão sentir o ar puro, admirar o espetáculo da natureza que se estende no caminho?

Os olhos enrugados de dona Georgina brilham quando ela encara o meu pai, cheios de ternura. Ele sorri para ela enquanto sacode a cabeça sem acreditar que se deixou convencer mais uma vez.

— Eu consigo negar um pedido da mulher que amo? Quando ela me olha desse jeito, nem em mil anos. Espero que, um dia, você e seu irmão encontrem um amor tão verdadeiro como o nosso, Paula. Não há nada mais valioso na vida.

— Ah, pai, que conversa! Eu ainda sou jovem demais para pensar nisso. Só quero começar a faculdade e me tornar uma grande advogada assim como você. Até lá, nada de amor. Apenas diversão.

— Você é tão inexperiente, filha. Se soubesse como a vida prega peças. O amor não avisa quando vai chegar. Você simplesmente é tomada por ele sem estar esperando. Quando vê, seus pensamentos e o pulsar de seu coração já não mais lhe pertencem.

— Nossa, que piegas. Vocês veem tudo com romantismo. Eu, definitivamente, não sei a quem puxei. Será que sou a única com uma veia racional nesta família?

Eles riem um para o outro como se eu tivesse acabado de falar alguma asneira. No mundo florido dos meus pais, vou encontrar um bom rapaz, ele será meu único namorado e, ao terminar a faculdade, ficaremos noivos e nos casaremos.

No meu mundo espinhoso, quero estudar e me divertir muito sem ter que me preocupar com os sinos da igreja tocando em meu ouvido. Sou uma garota de dezessete anos, oras. Não é justo que eu pense assim?

Encosto-me no banco do carro e olho para o lado de fora da janela. Uma via imensa se abre diante de nós, com carros atravessando uns aos outros como se estivessem em uma pista de Fórmula 1. Já estou acostumada com isso, afinal, moro em São Paulo, a cidade que nunca dorme.

— Paulinha, te amo tanto, mesmo com esse jeito rabugento seu. Só eu e seu pai para aguentarmos seu gênio difícil. Nós e Amanda, que é um anjo de menina. Já faz algum tempo que vocês não se veem, não é mesmo? Ela vai ficar feliz com esse reencontro.

Amanda se mudou de São Paulo há três anos. Ela é uma grande amiga de infância e era minha vizinha mais próxima. Vejo-a pelo menos de ano em ano quando ela vai para Sampa ou venho ao Rio. Conversamos bastante por telefone. Apesar da pouca idade, já pensa em noivado e todo aquele romantismo que faz as máquinas do mundo girarem. Definitivamente, os opostos se atraem.

— Sim, mãe. Os pais de Mandi vão deixá-la conosco durante esses dias. Ela disse que está cheia de novidades. Todas têm relação com aquele namorado dela, com certeza.

Ei, não pense que abomino os homens ou jogo no time oposto. Muito pelo contrário. Já tive namoricos que cheguei até a apostar algumas fichas de que poderiam durar, mas acabo me cansando deles muito rápido. Principalmente quando vejo os olhos da minha mãe brilharem.

Ploft! É como se o encanto acabasse.

— Amanda é uma garota de ouro. Tenho certeza de que, em breve, receberemos um convite de casamento.

Ainda esse assunto? Parece que estamos andando em círculos.

A conversa é descontraída enquanto meu pai dirige o 4x4 da família. Ele tem alguns carros, mas diz que este é mais seguro para viajarmos. Fecho os olhos e me recosto no banco para me envolver com a música Vento no Litoral, a que mais amo de Legião Urbana. Meus pensamentos são conduzidos pela letra da música que diz exatamente o meu desejo naquele momento. Quero chegar até a praia e sentir o vento forte no meu rosto.

Em algum momento, minha mãe diz algo que ele acha engraçado, pois solta uma gargalhada estrondosa. Amo vê-los juntos, perceber o quanto se dão bem e são verdadeiros um com o outro. Pergunto-me se eu poderia ter esse tipo de relação um dia.

Uma sacudida forte no carro me tira do transe e me obriga a abrir os olhos para ver o que está acontecendo.

Não! Eu quero fechar meus olhos novamente e fingir que isso não está acontecendo conosco.

As cenas que se passam a seguir vão me assombrar pelo resto da vida. Nunca, jamais serão apagadas da minha mente. Sinto minha vida se esvair de um momento para o outro como um passe de mágica. Meu único instinto natural é de me jogar sobre Gui, tentando protegê-lo. O cinto de segurança restringe meus movimentos. Em fração de segundos, um caminhão enorme atravessa a via e vem em nossa direção, atingindo o carro em cheio de frente.

Um último fio de consciência permite que eu escute barulhos que oscilam entre a batida violenta do veículo e os berros de minha mãe. Os gritos ecoam na minha mente, fortes, poderosos, de uma forma que será impossível esquecer algum dia.

Depois disso, tudo se torna apenas escuridão.

— Gui, atende à porta!

A campainha toca ininterruptamente. Alguém parece agoniado do lado de fora. Estou quase pronta, faltando somente um retoque na maquiagem. Já faz algum tempo que não saio de casa para aproveitar a vida noturna tão agitada de São Paulo.

Entre os últimos acontecimentos no meu escritório e meu trabalho como advogada do jogador Apollo Assunção, tive que tirar um tempo para fazer companhia ao meu irmão. Não que ele implore por isso. Na idade em que está, o que menos deve querer é uma irmã mais velha pegando em seu pé.

— Gui, você não está ouvindo?

Ponho a cabeça para fora do meu quarto, na esperança de que minha voz ecoe pela casa. Nesse horário, dona Marlene já foi embora e, se eu tiver sorte, ele não está com um fone de ouvido e vai atender à porta.

Paro diante do espelho que toma uma parede inteira do meu quarto. Tenho uma relação muito pessoal com espelhos. Não me julgo fútil nem nada do tipo, mas não consigo passar distraidamente por um deles.

Aliso a saia justíssima, peça indispensável no meu guarda-roupa – diga-se de passagem –, e termino de me maquiar. Esfumo os olhos para dar uma aparência de olhar fatal e uso um batom nude nos lábios para contrapor com minha pele bronzeada e o excesso de maquiagem. Solto meus longos cabelos perfeitamente escovados e... Agora, sim! Vamos lá, Paula Moraes, você definitivamente não vai passar despercebida esta noite.

A campainha para de tocar. Gui deve ter atendido. Pego minha bolsa sobre a cama e desço as escadas em direção à sala, onde logo vejo Mateus de costas e, aparentemente, entretido com algo que meu irmão assiste na TV.

Delicioso!

— Esse jogo não é a nova versão do FIFA? Sensacional! Eu já joguei as versões antigas e nada me fazia parar até que a partida terminasse. Quem sabe podemos marcar de jogarmos juntos qualquer dia?

Paro na ponta da escada e observo. Mateus está tentando ser gentil, se aproximar de meu irmão, mas Gui não dá a mínima para ele, do mesmo modo que reage com qualquer homem que aparece em minha casa. Eles são todos invisíveis por mais que tentem ter sua atenção.

Depois da morte de nossos pais, ele se tornou um garoto muito introspectivo, com poucas amizades, realmente fechado para o mundo. No alto dos seus dezessete, é um jovem lindo, forte, muito admirado pelas garotas. Apesar disso, quase não sai de casa e, se já teve namorada, não chegou ao meu conhecimento.

— Paula? — Os olhos de Mateus encontram os meus enquanto desço as escadas. Sua boca se abre em um o perfeito, fazendo-me sentir como se acabasse de ser desnudada.

Ele não precisa dizer uma só palavra para que eu perceba sua aprovação.

— Como vai, Mateus? Parece feliz em me ver.

Encosto meu corpo ao dele e deposito um beijo rápido em seus lábios. Aproximo-me a ponto de perceber que algo rapidamente se enrijece em suas calças. Uau! Acho que já tenho a resposta para a minha pergunta.

— Você é linda, Paula, e sabe muito bem disso.

Sim, não pretendo bancar a falsa modesta aqui e dizer que não gosto do modo como os homens me olham. Eu sou observada, admirada onde quer que eu vá.

Já tive minha cota de provocação, na infância, por conta da minha imagem. Sofrer bullying por ser a garota magrela, estudiosa, de óculos enormes, me traumatizou o suficiente para que eu não descuide da minha aparência desde a adolescência.

Antes de as pessoas conhecerem de fato quem você é, elas te julgam pelo rótulo. É uma merda que o mundo seja assim, mas o fato é que ele é.

Ofereço um sorriso a Mateus em resposta ao seu elogio. Ele me devolve outro carregado de sensualidade que me faz pensar em mudar os planos e levá-lo para o quarto. Sabe aquele tipo de homem com músculos suficientes para encher uma camisa gola v, tatuagens em lugares que imploram para ser beijados, um rosto másculo, barba rala delineando perfeitamente sua mandíbula e, ainda por cima, imensamente carinhoso?

Ah, não fique com inveja. Esse homem existe, e ele está na sala da minha casa me encarando com um olhar faminto.

— Você não deixa a desejar em matéria de beleza. — Dou-lhe uma piscadela e volto minha atenção para Gui que continua nos ignorando. — Conseguiu trocar duas palavras com meu irmão?

— Não. Ele é um pouco fechado, mas eu o entendo. Não deve ser fácil lidar com o homem que vai arrancar sua irmã de dentro de casa.

Por que eu simplesmente não dou uma ordem ao meu coração e me apaixono por esse homem neste exato momento? Enquanto as mulheres movem montanhas para encontrar o homem certo, eu acho que já tive um punhado deles. Certamente o problema é comigo.

— Sim, ele é um pouco reservado, mas não se preocupe. Te garanto que não é pessoal.

Caminho até o sofá e dou um beijo na cabeça de Guilherme. Ele geralmente não gosta de demonstrações de carinho em público, mas, para minha surpresa, me oferece um sorriso, antes de voltar sua visão novamente para os bonecos quase reais que surgem na tela.

— Eu devo chegar tarde, Gui. Você comentou algo sobre Antônia vir esta noite.

Antônia é nossa prima, mais como uma espécie de irmã. Eles foram criados juntos por algum tempo quando estávamos sob a tutela do meu tio. Essa é uma longa história da qual não vale a pena lembrar agora senão vai estragar minha noite. Minha priminha é a única coisa boa que obtivemos de todo o acontecimento.

— Sim, ela já está vindo. Pode sair, Paulinha. Eu vou ficar bem.

Eu sei que ele vai ficar, mas me sinto tão responsável... Na idade dele, tudo o que queria na vida várias e várias vezes era ficar sozinha. Não tive a mesma sorte.

— Vamos, Mateus. Não vejo a hora de conhecer o lugar fantástico que você comentou outro dia.

Depois de ele se despedir de Gui sem obter uma resposta de volta, entramos em sua Hi-lux preta, estacionada na garagem do meu jardim em estilo europeu. A casa pertenceu aos meus pais e está situada nas proximidades do condomínio onde meu amigo Apollo atualmente mora com sua esposa Kimberly, embora eles estejam de malas prontas para a Europa.

Tento sacudir meus pensamentos ao me lembrar de quem ela é irmã. Nada mais, nada menos, que Eros Nóbrega, um idiota com quem estudei e me importunou durante toda a minha infância na escola e com quem cometi o grande erro de fazer sexo há alguns meses.

Sinceramente, não sei onde estava com a cabeça. Ou melhor, sei, mas ela não estava exatamente cumprindo sua função de raciocinar.

— Paula, você parece tão longe. Acabei de te fazer uma pergunta e você sequer me respondeu. É pedir demais querer saber por onde andam seus pensamentos?

— Mateus me pergunta, sem perder o clima descontraído.

Sim, é pedir demais porque se você tivesse a mínima noção provavelmente me chutaria do seu carro neste exato momento.

— Bobagens do dia-a-dia, lindinho. Me desculpe por estar distraída com meus problemas do escritório. Sei que preciso me desligar do modo advogada por algum tempo.

— Sim, você precisa. Ainda mais quando um homem está dizendo o quanto fantasiou com você durante toda a semana e que não vê a hora de cada linda peça de roupa cair do seu corpo, ouvi-la gemendo e implorando para que seja fodida.

Agora Mateus tem minha total atenção. Suas palavras sujas já começam a me deixar molhada e tão ansiosa quanto ele. O homem tem aquela coisa que me enlouquece na cama quando me agarra com vontade, sem limitações ou reservas. Costumam chamar isso de pegada, não?

Já faz um mês que estamos saindo, desde que o conheci em uma dessas premiações das quais Apollo participou. Ele é executivo de uma marca que patrocina jogadores, e eu poderia dizer que tudo é perfeito entre nós, ao menos enquanto está durando, se não fosse por um certo par de malditos olhos verdes que não sai da minha cabeça.

Merda!

— O que disse, querida?

Duas vezes merda! Será que falei mais alguma besteira em voz alta? Preciso controlar esses pensamentos que teimam em me infernizar.

— O que estava tentando dizer é que se continuar falando sujo desse jeito, vamos ter que voltar para o seu apartamento antes do que previmos.

Passo a mão sobre sua perna e sinto a aspereza do jeans, ao mesmo tempo em que seu corpo começa a retesar. Quando estou prestes a alcançar o montículo entre suas calças, ele segura minha mão, freando meus movimentos.

— Pare de me provocar, Paula. Nós combinamos que essa noite iríamos nos divertir em um lugar legal. Não tenho dúvida de que você vai gostar de lá. A expectativa de como essa noite vai terminar com certeza será um tempero poderoso.

Está bem, não me julgue como uma ninfomaníaca ou algo do tipo. Eu apenas gosto de sexo. Simples assim. O toque, a entrega, todas as sensações que envolvem a busca pelo prazer me atraem em demasia. Sem falar que é um excelente tranquilizante.

Ninguém tem noção do que é ser advogada de um homem como Apollo Assunção e ter outras tantas responsabilidades. Ele é um verdadeiro furacão quando quer alguma coisa, e eu sou sempre a mediadora do processo, além de ser sua amiga pessoal.

— Está bem, Mateus. Primeiro a diversão e depois... mais diversão.

Ouço seu lindo riso, que mostra dentes perfeitamente alinhados e brancos. Por ser muito vaidosa, adoro homens que cuidam de sua aparência. Mateus sem dúvida é um deles, sem falar no cheiro másculo que exala do seu corpo. Definitivamente, hoje a noite promete.

— Chegamos. É este o lugar que te falei.

Ele para o carro e entrega a chave ao manobrista, que o cumprimenta pelo nome, comprovando que ele vem aqui com frequência. Uh! Estou de frente a uma boate com design pra lá de moderno, rodeada de holofotes coloridos, fazendo um suave jogo de luzes sobre uma escadaria cheia de glamour e luxo. Se apenas a entrada do local é assim, já imagino como deve ser lá dentro.

Há bastantes pessoas em uma fila aguardando sua vez de entrar. A maioria delas é de jovens aparentemente solteiros acompanhados de amigos. Caminho em direção a eles, mas Mateus puxa meu cotovelo, me direcionando à outra entrada do lugar.

— Sou um dos sócios desta casa, Paula. Você não tem que pegar fila.

Ulalá, estou há um mês tentando encontrar um defeito neste homem e ainda não cheguei nem perto. Ele deve roncar durante o sono ou não levanta a tampa do vaso quando faz xixi, sei lá. Eu não convivi com ele o suficiente para conhecê-lo melhor, muito menos dormi uma noite ao seu lado.

Ficamos sempre acordados, se é que você me entende, já que estou levando isso de forma casual. É assim que prefiro, uma vez que tenho demandas demais e a última coisa de que preciso é um homem tentando cantar de galo no terreiro.

— Você não me deu essa informação quando falou sobre um lugar sensacional que eu deveria conhecer.

— Eu não queria parecer um cara esnobe, do tipo que fica ostentando tudo o que tem. Não acho que esse seja o caminho para impressionar uma mulher.

Não é bem assim que a maioria dos homens pensa. Eles sabem que muitas mulheres se sentem atraídas por caras cheios de dinheiro. Não é o meu caso, óbvio. Eu já tenho minha própria grana para me deixar impressionar.

— Admiro isso em você.

— Obrigado. — Deposita um leve beijo em meus lábios. — A Butterfly é a menina dos meus olhos. É bom trabalhar para a marca, mas meu coração está mesmo no setor de entretenimento. Gosto de saber que as pessoas se sentem felizes com o que eu faço.

— Butter... Butter o quê?

— Você não observou que o nome da boate é Butterfly? Há uma borboleta enorme aqui na frente. Dê uma olhada.

Ah-meu-Deus! A boate tinha que ter o infame apelido que aquele idiota colocou em mim na infância? Merda, nem mesmo na noite em que decido esquecer o mundo ele vai me dar sossego.

Olho para onde Mateus aponta e me deparo com uma linda borboleta em três tons de azul nas asas e o corpo que lembra uma mulher. Eu a acharia ainda mais bonita se não me trouxesse lembranças indesejáveis.

— Linda. Uma sacada muito boa, realmente ­— respondo com amargura.

— Sim, sou suspeito para falar.

Entramos na boate onde tudo foi escolhido milimetricamente para oferecer glamour e luxúria. As cores predominantes são preto e vermelho, dando um ar pecaminoso e proibido ao local. Perfeito para namorar, como pretendo fazer muito esta noite.

Vez ou outra um flash alcança meus olhos castanhos ou ilumina meus longos cabelos negros. Mateus cumprimenta alguns conhecidos, mas não demora. Sua atenção está completamente voltada para mim, como se não houvesse qualquer outra mulher no local.

Jogo meus braços sobre o pescoço dele, e suas mãos enlaçam a minha cintura, puxando o meu corpo para mais perto do seu. Ondas de arrepios invadem minha pele quando sinto seus lábios traçarem beijos em toda extensão do meu pescoço até alcançar a ponta da minha orelha.

Puta que pariu! A batida melódica da música complementa a sensualidade do local, me fazendo quase implorar para que seja tomada ali mesmo, diante de quem quiser observar. Mateus se afasta de mim repentinamente, passando as mãos sobre seus cabelos, enquanto solta um suspiro que entendo como frustração.

— Porra, gata, você está me enlouquecendo. Preciso pegar algo gelado ou vou acabar tendo uma convulsão aqui.

Sorrio em resposta, já que estou sentindo exatamente o mesmo que ele. Sempre tive um fetiche de ser observada enquanto estivesse me envolvendo sexualmente com um homem, mas sei que uma boate como esta não é o lugar ideal para isso.

— Certo. Eu também estou com muita sede.

Ele me dá um beijo possessivo e um tapa em minha bunda antes de sussurrar no meu ouvido.

— Comporte-se! Lembre-se de que esta noite você é apenas minha. Só minha, entendeu?

— Claro, lindinho. Somente sua. — Minha voz soa rouca e arrastada pela tensão sexual.

Observo enquanto Mateus se distancia apressadamente e acaba sumindo em meio à multidão. Aproveito a deixa para analisar as pessoas ao meu redor. Estava certa quando pensei que a maioria parecia solteira. O clima é de flerte total. Nem eu estou ilesa da paquera dos caras, mesmo que tenham me visto acompanhada.

Fecho os olhos e danço no clima da música. Não sei quanto tempo me deixo levar pelas batidas, me movendo ao som contagiante escolhido pelo DJ. Algum momento depois, sinto braços quentes circularem a minha cintura e a fragrância um tanto familiar invadir minhas narinas.

— Eu não perguntei do que você gosta, mas como já te vi bebendo Cuba Libre, achei que deveria trazer essa bebida.

Viro-me para ficar de frente a ele.

— Obrigada, Mateus. Está perfeito. É uma das minhas bebidas preferidas.

— Com duas pedras de gelo. — Ele estreita os olhos, abrindo um sorriso torto e muito, muito sensual.

É sério isso? Ele memorizou meu drinque favorito e a forma como gosto de bebê-lo?

— Com duas pedras de gelo. Você é sempre tão observador?

— Não. Nem sempre.

Para bom entendedor...

Tomo um gole da bebida e quase consigo escutar o alivio do líquido gelado em contato com meu corpo quente. Os olhos dele estão sobre mim enquanto sugo o conteúdo como se fosse um copo de água gelada. A próxima rodada precisa chegar logo, logo.

— Eu encontrei um amigo quando fui buscar a bebida. Talvez você o conheça, já que trabalha para Apollo Assunção. Que tal voltarmos ao bar e depois nos juntarmos a ele e à mulher que o acompanha?

Dou de ombros. Não faço a menor ideia de quem ele poderia estar falando, mas talvez seja o que a gente precise para mantermos nossas mãos longes um do outro e não pegarmos fogo em plena pista de dança.

Mateus segura minha cintura por trás enquanto caminhamos em direção a um enorme balcão onde alguns tequileiros uniformizados tentam se equilibrar entre um pedido e outro de clientes afoitos.

O lindo homem ao meu lado me leva até um banco elevado, dá a volta no bar e ele mesmo nos serve. Os funcionários parecem um pouco intimidados, mas não o impedem de prosseguir. Ele prepara os drinks com a maestria de quem faz isso há muito tempo, voltando a sentar-se ao meu lado assim que me entrega o copo.

— Parece que esta é realmente a sua área. Você preparou a bebida com tanta habilidade.

Ele toma um gole de seu uísque e, com a mão desocupada, alisa o meu rosto.

— Ah, Paula, se você conhecesse todas as minhas habilidades... Brincadeiras à parte, sempre que posso ajudo em todos os setores da boate. Não sou o tipo de cara que apenas dá ordens. Gosto de experimentar de tudo um pouco.

Por que sinto que o ar está carregado novamente? Parece que tudo o que sai de sua boca tem duplo sentido.

Sinto arrepios pelo corpo quando sua mão desce pelo meu rosto, rastejando pelo meu pescoço e nuca. A provocação está de volta, e esse homem vai acabar me matando se não me tirar rapidamente deste lugar.

— Será que já não é hora de irmos, Mateus?

Ele sorri de lado, o que confirma meus pensamentos. Já não aguenta esperar, assim como eu. Talvez esta noite eu consiga descobrir se ele ronca ou deixa a tampa do vaso levantada. Quer dizer, se a gente conseguir dormir em algum momento, é claro.

Depois de tomarmos mais uma dose, ele segura a minha mão, caminhando em direção à saída da boate. Há muita gente dançando, corpos suados se esfregando, casais se beijando como se fossem se comer vivos ali mesmo.

A noite está acontecendo exatamente do modo como planejei. Namoramos muito como um casal normal, coisa que não somos, mas ninguém aqui precisa saber. Dançamos juntinhos e bebi o suficiente para ficar leve como uma pluma e me sentir sem amarras.

Em um momento antes de deixamos o lugar, me recordo de algo do qual vou me arrepender amargamente de ter trazido à tona. Eu devia bater minha própria cabeça na parede por me lembrar da merda que acabou estragando definitivamente minha noite perfeita.

— Você não disse que tinha encontrado alguém que gostaria de me apresentar? Onde ele está?

Pior pergunta de todos os tempos.

Mateus para de caminhar e dá uma olhada à sua volta. Em meio a tanta gente, não é possível que ele encontre alguém conhecido. Percebo que estou enganada no momento que aperta a minha mão, demonstrando que encontrou a pessoa que procurava.

— Vamos. Ele está logo ali.

Ele me puxa suavemente, abrindo caminho entre dançarinos, exibicionistas e casais envolvidos na atmosfera de luxúria que evapora no lugar. Olho em volta e sorrio animada. Todos estão ali para se divertir, certo? Então não há espaços para recriminações.

Meu sorriso largo se esvai quando Mateus para diante de duas pessoas e, ainda segurando minha mão, os apresenta.

— Paula, este é Eros Nóbrega, um grande amigo e parceiro de negócios. Esta é...

— Catarina, mas pode me chamar de Nina. Sou prima de Eros.

— Isso mesmo. Desculpe, esta é Catarina.

Minha mente não registra mais nada a partir do momento em que meus olhos pousam nos dele. Mas-que-merda! O que Eros Bastardo Nóbrega está fazendo no mesmo lugar que eu?

Na porra de um mundo tão grande, eu tenho que encontrá-lo justamente aqui e justamente esta noite? Foda-se! Deve haver um complô no céu contra mim.

— Então é esta a garota de quem estava me falando, Mateus? A única mulher nos últimos tempos que estava te fazendo pensar em sossegar um pouco? — Seu tom de voz é sarcástico.

— Esta mesma, Eros. Seu nome é Paula e nos encontramos no dia da premiação de Apollo. Pensando bem, como vocês ainda não se conhecem?

Já que Mateus tira essa conclusão precipitada, decido me fingir de desconhecida e ver até onde ele leva essa brincadeira. Estendo minha mão, tentando manter todo o controle possível para ela não tremer e denunciar o quanto estou abalada por revê-lo.

— Catarina, Eros, é um prazer conhecê-los.

A prima dele levanta uma sobrancelha, talvez se perguntando por que estou fazendo esse jogo. Já Eros... Ah... Ele abre o sorriso safado que, infelizmente, já tenho gravado na memória e puxa a

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