Encontre seu próximo livro favorito

Torne'se membro hoje e leia gratuitamente por 30 dias.
Os Elohim

Os Elohim

Ler amostra

Os Elohim

avaliações:
4/5 (1 avaliação)
Comprimento:
171 página
2 horas
Lançado em:
Jul 3, 2019
Formato:
Livro

Descrição

A Grande Fraternidade Branca reconhece que a chama divina se divide em três reinos: o angelical, no qual existem os anjos; o hominal, do qual são oriundos os seres humanos; e o elemental, em que evoluem os elementais ligados a construção da forma e a natureza em seus diversos aspectos. Estes se apresentam em diversos estágios ascencionais (elementa
Lançado em:
Jul 3, 2019
Formato:
Livro

Sobre o autor


Relacionado a Os Elohim

Livros relacionados

Amostra do Livro

Os Elohim - Lenin Campos

10

O que significa Elohim?

Diz Cassíope, elo'ah do Raio Dourado, que eles,

os elohim, são a manifestação da vontade divina. Diz

ele: "Nós somos a força divina manifesta no mundo

objetivo, como o princípio divino nas árvores, nas plantas

e até nos pensamentos dos seres humanos. Nós somos

a centelha de luz que se torna densa e se transforma em

matéria" 1. A palavra Elohim tem origem no cananeu.

Estes habitavam a região de Canaã antes da chegada

dos hebreus à região, por volta de 3500 anos antes de

Cristo. Ela tem sua raiz na palavra Bel cananeia que

pode ser traduzida como grande senhor. Deuses como

Belzebu, o senhor das moscas, Aglibel, senhor da lua, e

Belsamim, o senhor do céu, tem em seu nome a origem

das palavras fenícias Baal e El.

A relação entre os cananeus e os fenícios é

intensa, com vários deuses sendo compartilhados como

Astarté e Haddad, e é inclusive citada na Bíblia. Em

Gênesis (10:15) lemos: "Canaã gerou a Sídon, seu

primogênito". Os hebreus entendem que os fenícios (ou

sidônios) representados por Sídon são descendentes

dos cananeus e que, portanto, seus deuses tem origem

em Canaã. A Fenícia foi uma civilização que habitou as

margens do continente asiático banhadas pelo mar

Mediterrâneo a partir de 2500 a.C.. Os atuais Síria,

Líbano e Israel eram pintadas de cidades fenícias.

Arvard e Ugarit, na Síria, Tripoli, Biblos, Beritus, Sidón,

1

ORLOVAS, Maria Silvia Pacini. Os sete mestres: suas origens e

criações. São Paulo: Madras, 2005. p. 43.

11

Tiro e Qadesh, no Líbano, por exemplo, são cidades de

origem fenícia.

Em fenício, portanto, haviam as palavras El ( elat,

no feminino) que possuía o sentido de alto, elevado. Na

Fenícia, este é o nome do deus do céu e da atmosfera,

do alto, deus da fecundidade e da chuva, que dirigia o

tempo, o ano, as estações. Como também com a palavra

Baal ( baalit, no feminino) que pode ser traduzido como

senhor, título que cada deus de uma cidade fenícia

possuía: Baal Tammuz, Baal Hammon, Baal Dagon, Baal

Dayyog, Baal Esmun, Baalit Astarté. Somente El não

possuía o título de Baal porque este era uma categoria

inferior à categoria que o deus da criação ocupava na

mitologia fenícia e cananeia. Além destas palavras, os

fenícios chamavam todos os seus deuses, no plural,

como Elonim, os elevados, ou Baalim, os senhores 2.

Como é comum no hebraico, a palavra foi

absorvida. Entre os hebreus, povo nômade que circulava

com facilidade entre os territórios da Fenícia,

Mesopotâmia, Egito e Canãa. Era um hábito comum

entre eles a adoção pacífica de conceitos, mitos e

palavras estrangeiras. É em contato com os sidônios e

cananeus que os hebreus forjam a palavra םי ִֹהל ֱא que é o

plural da palavra Elo'ah e é erroneamente traduzida na

Bíblia como deus. Sua primeira ocorrência acontece

ainda no Velho Testamento, Gênese: "No princípio, Deus

( elohim) criou o céu e a terra. A terra estava deserta e

vazia, as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus

( elohim vëruach) pairava sobre as águas" (Gen 1:1) 3.

Aqui uma palavra que representa o plural é traduzida por

2

Uma tríplice fonte é a responsável pelo conhecimento da religião

fenícia: o Antigo Testamento, autores gregos e latinos como Fílon (42

a.C.) e as tabuinhas de Ras Shamra, conseguidas com escavações

arqueológicas em Ugarit, na Síria.

3

Todas as referências a Bíblia são da BÍBLIA SAGRADA. Tradução da

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), 12a. ed. Brasília:

CNBB/Canção Nova, 2012.

12

uma no singular. Se a tradução correta de Elohim fosse

deus, como ela está no plural a versão que deveria ser

adotada seria "no princípio, deuses criaram o céu e a

terra", contudo a necessidade de provar o monoteísmo

ideológico (a existência de um único deus que era

responsável por absolutamente tudo na existência do

mundo e dos homens) impediu que a tradução

respeitasse a verdade. Elohim precisou ser traduzida

apenas como Deus para garantir que a verdade

fundante das religiões do livro, a crença em uma única

divindade criadora, se encaixasse com a palavra

sagrada que havia sido recebida pelo povo de Israel.

A palavra elohim reaparece inúmeras vezes na

Bíblia. Sendo mais preciso: ela é usada 2.600 vezes no

Velho Testamento 4, obviamente ela não reaparece no

Novo Testamento já que este é escrito em grego,

mascarando definitivamente o problema. Todavia, no

texto em aramaico a questão permaneceu. Em Êxodo,

quando Moisés recebe as tábuas com os Dez

Mandamentos, temos: "Deus ( elohim) pronunciou todas

estas palavras: Eu sou o Senhor teu Deus ( eloheikha

yhvh), que te tirou do Egito, da casa da escravidão, Não

terá outros deuses ( elohim) além de mim" (Ex 20: 1-3). E

quando em Êxodo também outras leis são colocadas ao

povo que vaga pelo deserto, a Palavra diz: "Quem

oferecer sacrifícios aos deuses ( läelohym) e não

unicamente ao Senhor ( layhvh), será votado ao interdito"

(Ex 22:20). Em ambos os casos a palavra ainda é

utilizada no seu sentido no plural quando convém.

Quando ela refere-se ao deus único, torna-se singular,

quando ela refere-se aos (ditos) deuses falsos ela

retorna ao seu sentido de plural. É importante

reconhecer aqui que esta interpretação é dos tradutores

4

Hunt, Michael. The many names of God. Disponível em

http://www.agapebiblestudy.com/documents/the%20many%20names

%20of%20god.htm, consultado em 02/05/2015.

13

da Bíblia e não de seus autores que sabiam o sentido

preciso das palavras que escolheram utilizar para seu

livro sagrado.

Também, como podemos ver nestes exemplos,

existe uma identificação do povo hebreu com um

determinado elo'ah, Javé ( yhvh), que passa a ser

traduzido como Senhor quando é um nome próprio

(não estranhem yhvh nunca aparece com letra

maiúscula, apesar de nome próprio, porque isso não

existe no aramaico/hebraico). Davi chega a concluir, em

seu Salmos (entre o Gênese e os Salmos de Davi, se

passam 112 anos) quando obviamente o culto a Javé já

está consolidado em Israel que "feliz o povo cujo Deus

( elohim) é o Senhor ( yhvh)" (Sl 144:15) cuja tradução

mais exata seria feliz o povo cujo elohim é Yavé.

Moisés conclui a fuga do Egito dizendo: "Agora sei que o

Senhor ( yhvh) se mostrou maior do que todos os deuses

( elohim), libertando o povo dos egípcios, quando agiram

com arrogância contra eles" (Ex 18:11).

Em Deuteronômio, o livro em que Moisés

promulga sua lei, uma delas diz: "Não pronunciarás o

nome do Senhor, teu Deus ( eloheika yhvh) em vão,

porque o Senhor ( yhvh) não deixará impune quem

pronunciar o seu nome em vão (Dt 5:11). Ou: Temerás

o Senhor teu Deus (eloheika yhvh) , a ele servirás e só

por seu nome jurarás. Não seguirás outros deuses,

dentre os deuses ( elohim) dos povos vizinhos, porque o

Senhor ( qana el) teu Deus ( eloheika yhvh), que mora no

meio de ti, é um Deus ciumento. Não suceda que a ira

do Senhor teu Deus ( eloheika yhvh), inflamando-se

contra ti, venha a exterminar-te da face da terra" (Dt

6:13-15). São inúmeras as vezes que a palavra é usada,

como já dissemos.

Temos aqui, três expressões para falar em Deus:

elohim, os deuses, as potências criadoras; qana el, o

grande senhor, aquele a quem deve-se obediência; e

14

eloheika yhvh, o grande deus Yavé; todas as três

expressões são traduzidas, como Deus (com esta letra

maiúscula) nesta necessidade de provar um monoteísmo

ético. Jaime Pinsky caracteriza este conceito a partir da

existência de uma divindade (Yavé, Deus) com uma

função normativa bem definida: fazer com que os

homens ajam de forma correta e justa 5. Entre os

cristãos, Deus cumpria este papel, de propagar a

verdade e a justiça, portanto, as traduções se voltavam

não para explicar o que estava escrito na Bíblia, mas

para comprovar que este Deus único era o espírito que

movia toda a História. Que tudo acontecia por causa de

sua vontade. O monoteísmo ético, no entanto, não nega

a existência de outros deuses, ele reafirma a existência

deles quando acorda que ninguém deve cultuá-los diante

de Yavé/Deus, mas afirma que apesar da infinidade de

deuses, o Deus cristão, defende o projeto de tradução

bíblica, deve ser o modelo de verdade e justiça, ou seja,

de virtude, ao qual os cristãos devem se voltar.

Quando a Bíblia hebraica é traduzida para o grego

(a língua universal durante os séculos I a X depois de

Cristo), este problema de tradução não passou

despercebido aos grandes doutores da Igreja Católica.

Na Septuaginta, a primeira versão da Bíblia hebraica

traduzida para o grego no século I depois de Cristo, a

palavra elohim foi traduzida para o seu correspondente

grego theos, que é como os gregos se referiam aos

seres que faziam parte do seu panteão 6, que resolveu o

problema de uma forma simples. Apolo, Zeus, Dionísio

eram theos. Javé também tornou-se um. E theos, em

grego, também não queria dizer deus no sentido

judaico-cristão, de Deus único, mas uma outra coisa que

5

PINSKY, Jaime. Propriedade de terra e ideologia: o monoteísmo ético.

IN: Revista de História. USP: São Paulo, 1975. Nº 104. p. 859-867.

6

Blue Letter Bible. Disponível em

https://www.blueletterbible.org/study/misc/name_god.cfm, consultado em 02/05/2015.

15

estava bem próximo do

Você chegou ao final desta amostra. Inscreva-se para ler mais!
Página 1 de 1

Análises

O que as pessoas pensam sobre Os Elohim

4.0
1 avaliações / 0 Análises
O que você acha?
Classificação: 0 de 5 estrelas

Avaliações de leitores