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Comprimento:
136 páginas
1 hora
Lançado em:
Jul 3, 2019
Formato:
Livro

Descrição

Os Navegantes é uma obra que fala das lendas e contos do mar, envolvendo personagens reais e ficticios, Portanto, levante a âncora, abaixe as velas, trace a rota e parta rumo às aventuras contidas a bordo.
Lançado em:
Jul 3, 2019
Formato:
Livro


Amostra do Livro

Os Navegantes - Marco A. Stanojev Pereira

Caronte.

Capítulo 1 - Os Navegantes

O espírito humano é o grande navegante, que utiliza seu corpo como embarcação, seus amigos e familiares como Portos Seguros, suas aflições diárias como as tempestades que se formam, caem e desaparecem trazendo a bonança, e diariamente vê diante de si o imenso oceano do progresso e evolução à ser descoberto e conquistado, dependendo apenas de si aproveitar ou não os ventos favoráveis para levantar as âncoras e singrar por mares nunca d’antes navegados.

Nesta óptica, podemos chamar de navegantes todos aqueles que enfrentam o oceano do desconhecido, do novo, e aventuram-se. O medo neste sentido é o instinto da manutenção de sua integridade física, manter-se vivo.

Interessente que vemos este semblante nos rostos de todas as figuras que estão presentes no Padrão dos Descobrimentos - ilustrado aqui na página 3 - erguido na Freguesia de Belém, em Lisboa, por acasião das comemorações dos quinhentos anos da morte do Infante D. Henrique, o Navegador,

Como dissemos, não são apenas os nomes de Cristovão Colombo, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Manuel Pessanha, Gil Eanes, John Cabot, Yermak, Juan Ponce de León, Fernão de Magalhães, Willem Barents, Abel Tasman, Vicente Yáñez Pinzón e Willem Jansz, entre muitos outros, que se destacaram na história na época conhecida como Grandes Navegações, mas todos que, mesmo com o medo, aventuram-se e descobrem, inventam, mudam, sugerem, criam, levando toda a humanidade a evoluir.

Capítulo 2 - Navegar é Preciso

A questão era: ou lançarem-se ao mar ou perecerem.

Sobre Tifiu, como chefe do clã, recaia toda a responsabilidade de decidir se sacrificava seu povo aos inconstantes e sanguinários deuses do grande oceano, que estendia-se soberano às margens de sua aldeia ou, aos não menos sanguínários deuses da guerra.

Enquanto um era personificado em figuras lendárias, veementemente reverenciados e festejados, o outro era representado por pessoas e espadas reais, cujo sangue dos imolados escorria sobre o bronze cortante de suas espadas e lanças impiedosas.

Tifiu era um chefe sábio que, embora inexperiente devido a pouca idade, possuia uma visão de futuro que se distinguia de seus contemporâneos.

Já tinha uma solução em sua cabeça, contudo, a prudência aprendida na prática da observação do comportamento dos mais velhos levou-o a consultar os oráculos de sua nação.

Orientado nos antigos rituais de hecatombe aos deuses eternos, escolhe, juntamente com os veneráveis anciães da tribo, que são os repositórios de tradições seculares, a oferenda que mais agradara o senhor dos deuses: um touro sem máculas ou defeitos.

Feita a escolha e já todo paramentado, com o punhal sagrado de ouro finca com um golpe certeiro no dorso do animal, que tomba para a direita, o que é identificado pelos augúres como um bom presságio.

Em seguida, recolhendo o sangue em um recipiente, despeja-o em uma vala quadrada cavada no chão, forrada de cereais, folhas de loureiro e fragmentos de metal de sangue (cobre), ficando a aguardar o pronunciamento divino.

Enquanto aguardam, outros já preparam o touro para assar suas carnes, onde esperam que o fumo elevado aos céus, carregando sua oferenda aos deuses, seja aceite, verificada na comunição do oráculo.

De olho para o céu, proferindo as palavras sagradas de evocação, o ancião sacerdote vê uma águia perseguir um pássaro, que consegue escapar de seu destino sangrento escondendo-se em uma núvem, em seguida, um grande estrondo é ouvido, indicando o contato com a divindade. Pronto, a linha de comunicação estava fechada e, o oraculo já dava as primeiras orientações.

Chamava a atenção da figura da perseguição, onde o céu representava a terra firme e a núvem o mar que, assim como a núvem para o passaro era uma incógnita do que esperar, mas sabia ser sua garantia de vida, o mar se afigurava para a aldeia o único meio de sobrevivência.

Dizia que a oferenda foi bem aceite pelos deuses, pois sabiam da grande fé que os animavam, a fé nos deuses e neles próprios pois, mesmo com os inimigos nos calcanhares procuravam outras saídas, além do que aquelas já conhecidas, os embates.

Diz ainda para aguardarem um enviado que, sem saber da missão que o aguarda, irá chegar na aldeia em tempo certo e, enquanto isso, toda a tribo, que não participa desta comunicação, deveria continuar a trabalhar normalmente, sem perda de tempo plantar e colher, reservando a terça parte.

Contente com os bons augúrios, a comissão sai da tenda e comunica o aceite de suas preces pelos deuses, partindo assim todos para banquetearem as carnes do boi sagrado.

Enquanto todos festejam, Tifiu olha as costelações que deslizam no firmamento, tentanto decifrar o futuro que aguarda sua gente, até que é desperto de seus devaneios por um amigo, que lhe traz um grande bocado de carne assada.

- "Tifiu, pés no chão e coração na razão – pensou.

Terminando com suas meditações, vem Crimato, com seus sete anos de idade, seguido por sua esposa Anaid com a pequena Adama no colo, acomodando-se próximo dele e também vislumbrando os céus misteriosos.

- Papai, o que são estes pontos no céu?

- São os olhos de nossos deuses, Crimato, que velam por nosso povo.

- E eles estão a nos espionar? Para castigar?

- Somente quando fazemos algo errado, que infringe a lei.

- E como eles sabem que infringimos a lei?

- Porque somos denunciados.

- Por Adad (o sacerdote)

- Não, por nossa consciência. Quando fazemos algo errado ela grita tão alto que os deuses podem escutar.

A inocência do menino apenas o levou a emitir um som de admiração e voltar a admirar aquele céu de fim de verão.

No outro dia, tratou de comunicar a orientação do oráculo, onde de toda a produção deveriam guardar a terça parte, pois o oráculo havia dito que navegar era preciso.

E toda a tribo começou a trabalhar e esperar. Alguns achavam que estavam a esperar o ataque dos inimigos, que estavam cada vez mais próximos, outros que aquele procedimento era para fazer reservas para o inverno, que talvez viesse com mais fúria, em comparação com outros anos, e outros ainda achavam que era uma grande perda de tempo tudo aquilo, pois a morte era iminente.

E chegou o inverno que, para tristeza dos profetas de plantão da aldeia que vaticinavam a morte de todos no gelo, não foi pior ou melhor que os anos anteriores.

Todo o trabalho da aldeia diminuia bastante devido as nevascas mas, naquele ano a ferraria continuava a trabalhar em plena potência, produzindo algo parecido com os pregos até então feitos de pau-ferro, mas agora eram de metal.

Esta havia sido outra orientação do oráculo, produzir pregos de ferro, para serem utilizados nas futuras embarcações, que o emissário ajudaria na construção.

Quando a primavera já estava nos portões de Hades, na volta de Core ao lado da mãe Deméter, eis que a profecia se realiza e, acompanhado pelas trombetas dos úivos caninos, guardiões dos portões da aldeia de Tifiu, chega um estranho, portando um manto de capuz de lã, tingida de marrom, carregando em uma mão um cajado curvo negro e na outra um saco, atirado sobre os ombros.

Chega cambaleando e desmaia sobre o pórtico de entrada.

Acudido primeiramente por Tifiu, cuja intuição matutina da esposa o advertiu que aquele seria um dia estranho, pega o pequeno homem nos braços, levando-o para sua casa. Livrando o pobre do pesado manto, descobre seu rosto e uma exclamação de espanto repercute em todo o canto:

- Pelos deuses, é uma mulher!

Sim era uma mulher. Seria ela quem Tifiu estava a esperar como o prometido dos deuses? Uma simples e delicada moça, cujos cabelos lembravam o trigo maduro, os olhos o céu de verão e a pele uma rosa.

Tifiu não sabia, nem os anciães, que participaram do oráculo sabiam, então tinham que esperar. Esperar mais um pouco até que a visitante recobrasse os sentidos, podendo assim falar. Mas será que seus immigos podiam esperar? Será que os deuses estavam a divertir-se com eles?

Depois de dois dias angustiosos, finalmente a visitante recobrou a consciência mas, devido um ferimento no abdômem, causado por lâmina, a convalescência necessitava de um período maior. Contudo podia falar, em termos, pois a lingua que falava ninguem na aldeia compreendia.

Certo de que estavam em desgraça com os deuses, e que por mais que pensasse em um motivo não o encontrava, decidiu que ia tocar com o plano traçado, ou seja, construir os barcos e levar sua aldeia para um lugar seguro, longe dos bárbaros que queriam sangrar as vidas de seu povo, vindo ou não tal emissário, mestre em construção de navios. Quanto a visitante, bem, era uma sobrevivente de sabe lá o que, que viera pedir asilo em sua aldeia, e isso nunca poderia negar.

Um longo mês passou-se, até que finalmente a estrangeira recuperada levantou-se da cama e foi ter com os demais da tribo. O problema da lingua era superado com a boa vontade de todos, interessados em saber quem era e de onde viera tão estranha criatura. Sinais de mãos, desenhos e repetição de sons relativos as coisas eram utilizados para travar conversa com grande sucesso.

Certo dia, aproximando-se do local escolhido para armação dos navios, eis que ela aponta para um mastro erguido erroneamente que, com desennhos na areia, mostra que prejudicava o equilibrio do conjunto.

Os mestres armadores não aceitaram sua intromissão, em um trabalho que era exclusivo de homens, e foram queixar-se com Tifiu que, ao ouvi-los, lembrou-se da profecia e do emissário perito em assuntos navais.

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