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Pintura Sem Mistério

Pintura Sem Mistério

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Pintura Sem Mistério

notas:
4/5 (1 nota)
Duração:
397 páginas
3 horas
Lançados:
Jul 3, 2019
Formato:
Livro

Descrição

Pintura sem mistério é um livro que ensina técnicas de pintura a óleo e acrílica com dicas simples e orientações diretas. Você perderá o medo de pintar. O livro conta com 9 capítulos e 141 ilustrações, abordando: composição, cor, estilos, gêneros da pintura, tutoriais e o mercado de arte. Você vai aprender a pintar, terá condições de desenvolver um
Lançados:
Jul 3, 2019
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

Pintura Sem Mistério - Cristina Jacó

Capítulo I

Começando o diálogo 

Figura 2 – Cristina Jacó: Cebola fatiada – Pintura acrílica sobre painel, tamanho 15 x 15 cm, ano: 2013.

Introdução

A arte da pintura, propriamente falando, não pode ser ensinada, e por isso não pode ser aprendida. Apenas alguns aspectos podem ser discutidos. Eu acredito sobre a arte, como acredito sobre a música ou a arquitetura, que a única maneira de estudar é praticando; e que qualquer bom professor pode apontar certas feituras intelectuais ou técnicas, certas ajudas que vão dar luz à prática.

John F. Carlson

Pintar para mim é uma paixão. Não importa o que aconteça, sigo pintando. Com o tempo se transformou em uma necessidade diária. Eu pinto quase todos os dias e sinto falta deste ofício. Me encanta a pintura da realidade, sem pretensões hiper-realistas. Gosto do desenho e da pintura de observação. Gosto também da pintura impressionista que introduz as cores fragmentadas e pulsantes. Já experimentei o expressionismo e o abstracionismo. Mas sempre volto à minha realidade; e é observando objetos, frutas, legumes e paisagens a minha volta que me sinto mais autêntica e verdadeira no meu trabalho. O tipo de pintura que você vai ver aqui é esse, entre a realidade e o impressionismo. Ao longo destas páginas vou te levar a refletir e conhecer métodos e procedimentos que vão facilitar sua vida como pintor. Não importa se você já tem experiência com desenho ou se tem conhecimentos avançados de pintura. Aqui te trago minhas conclusões sobre o que venho estudando e praticando a anos. Todo conteúdo deste livro foi baseado em minhas próprias experimentações e em uma bibliografia de apoio que você pode consultar ao final do livro. Trago constatações que, com certeza você já ouviu falar em algum outro lugar, em algum outro livro sobre o assunto, pois certas verdades são universais no universo da pintura. Caravaggio já sabia disso antes mesmo das tintas em tubo serem criadas. Da Vinci provou ter conhecimentos similares quando pintou a Gioconda. Não entro em conflito com os grandes mestres, pelo contrário, apresento suas informações sobre o ponto de vista atual e natural da minha prática de pintura. 

Este livro é composto de nove partes: Capítulo I - a introdução que fala um pouco de mim e da minha visão como artista. Capítulo II - observações e dicas sobre os materiais usados para pintar no Brasil. Capítulo III - conceitos, regras e dicas sobre como melhorar a composição de um quadro. Capítulo IV - questões relativas às minhas descobertas no uso das cores. Capítulo V - técnicas de pintura mais usadas. Capítulo VI - questões de estilo e dicas para você praticar diariamente. Capítulo VII - gêneros da pintura tradicional com ilustrações de vários artistas brasileiros e americanos. Capítulo VIII - demonstrações de pintura em dois estilos: o realista e o espatulado impressionista e Capítulo IX -  algumas orientações sobre o mercado de artes no Brasil.

Estou em constante contato com artistas iniciantes e estudantes de artes e sempre me perguntam sobre uma publicação do gênero no idioma português. Eu desconheço a existência de um livro assim. Porém em inglês vi vários. Uma grande pena não serem traduzidos e publicados no Brasil. Não sei se o aspecto pragmático desta publicação não interessa aos editores nacionais, ou talvez eles acreditem que não há público para isso, mas tenho levantado grande demanda para um livro que vem clarear as ideias de quem deseja pintar sem dificuldade. Então é isso, o que você verá aqui é "Pintura sem mistério".

Conversa de pintor

Você já parou para pensar o que realmente te interessa na pintura? Que tipo de pintura você mais gosta e o que te faz gostar tanto dela? É a vibração das cores? É a ilusão de profundidade? É a luminosidade? Ou é o fazer artístico? A mim é a sensação de liberdade do pincel correndo solto sobre o plano, formando uma ilusão de ótica que convence e encanta. 

Seja qual for sua tendência, essa atração precisa ser conduzida, suas intenções precisam ser convertidas em criação. Deixe de pensar: mas eu não consigo. Não fica bom. Não sei pintar.  Não tenho talento. Assuma o seu destino em suas mãos e faça você mesmo aquilo que admira nos quadros dos outros. Eu sei que você é capaz. Mas você só vai saber se algum dia realmente colocar em prática os ensinamentos apresentados aqui.

Não acredito em talento puro e simplesmente. Acredito em esforço. Somente o esforço é capaz de realizar. Por várias vezes eu me deparei com o desânimo e a depressão. Pintava e achava que não estava bom, que não estava fazendo certo e não conseguia sair daquele ciclo vicioso de perda de tempo e material. Eu somente consegui pintar realmente bem quando mergulhei de cabeça e passei a testar toda técnica e procedimento dos artistas que eu admiro. Eu copiei as obras dos meus mestres, eu comprei seus livros, eu pesquisei tudo sobre eles na Internet e o novelo foi se desenrolando. Quando era possível eu fazia cursos, workshops e ia formando a minha malha de conhecimento, dentro da minha visão sobre a minha pintura ideal. Depois de experimentar por algum tempo eu cheguei a conclusão que gosto do realismo com toques de impressionismo. E hoje fico alternando entre um e outro.

A melhor forma de aprender a pintar é realmente pintando. Somente quando assumi uma prática constante de pintura eu pude ver minha evolução. Outra constatação cruel é: nunca estamos satisfeitos com nosso trabalho. Queremos sempre mais. E devemos sim tentar ir sempre adiante. Na verdade a última pintura é sempre a melhor. E sempre haverá uma próxima. O importante é não desistir. Procure se concentrar naquilo que realmente interessa para você em termos de pintura: seja a perfeição formal, a gradação de claros e escuros, o impacto das cores ou um assunto ou técnica em especial. Quando puder faça uma pesquisa para descobrir que tipo de pintura te atrai e tente imitá-la. Com os conhecimentos que estou dividindo aqui com você, será mais fácil acertar em suas buscas. 

Os aspectos da obra de arte

Mas arte é uma coisa muito da imaginação, da alma, que é difícil de dissecar os fundamentos da técnica e tornar claro para o estudante que estes são apenas os meios e não o fim em sim mesmos.

John F. Carlson

Toda obra pictórica pode ser analisada segundo cinco aspectos: o formal, o material, o conceitual, o histórico e o comercial. Os primeiros quatro aspectos estão presentes na análise de grande parte dos livros sobre arte. Eu acrescento o aspecto comercial, pois o artista precisa sobreviver. A respeito do aspecto formal estamos falando do que constitui a obra propriamente. O aspecto material leva em consideração a técnica empregada e o uso apropriado dos materiais. O aspecto conceitual é a ideia que a pintura transmite, o que a obra significa. Se falamos de uma pintura antiga seu contexto histórico também deve ser levado em consideração. Neste livro estou tratando do seu aspecto formal quando falamos de composição e cor, do aspecto material quando falamos o que usar na pintura, dou dicas sobre os assuntos das obras quando exemplifico com gêneros de pintura e no final abordo a comercialização, com orientações sobre o mercado de arte. Enfim, eu tento orientá-lo a criar com boa técnica e vender seu trabalho. 

Nos primeiros capítulos vamos ver o que levar em consideração na hora de pintar para que o mínimo saia errado.

Os elementos da pintura

Considerando primeiramente as questões formais, a matéria-prima da linguagem visual pode ser estruturada pelos seguintes elementos:

 Ponto – Unidade visual mínima, que serve como referência. A técnica pontilhista usa cores primárias com pinceladas em formas de pontos que vistos a distância transmitem a sensação de cor e forma.

 Linha  – É o caminho entre os pontos. Circunda as formas e pode estar ou não presente na pintura. Há quem diga que a linha de fato não existe, pois na realidade o que vemos são formas sem contorno. Mas a linha é um recurso gráfico importante para transmitir uma ideia e deve ser trabalhada na pintura principalmente na etapa do desenho.

 Plano – É a própria superfície de pintura mas é também o espaço do quadro. Considerando que o quadro tem um espaço interior infinito, organizamos as composições em planos que penetram este espaço. Normalmente três planos são empregados: primeiro plano, plano intermediário ou meio termo e plano de fundo.

 Forma  – É o contorno em duas dimensões de um objeto. Para ser isolada necessita de alto-contraste. As três formas básicas são: Triângulo, Quadrado e Círculo. Mondrian criou obras com Figuras geométricas, através da composição de quadrados. E Cézanne acreditava que tudo pode ser desenhado a partir dos sólidos geométricos: cilindro, esfera, cubo e cone.

 Textura  – Preenche a forma e permite uma apreciação tátil do objeto. As texturas podem ser de dois tipos: tátil ou óptico. A textura tátil é aquela que sentimos com o toque e a textura óptica percebemos apenas com o olhar, a superfície permanece lisa ao toque.

 Volume – É o aspecto tridimensional do objeto, e é fundamental para dar realismo à imagem. A luz difusa é a mais adequada para modelar o volume.

 Cor – Cor compõe integralmente o mundo visual e sua percepção é quase inconsciente, mas está intimamente ligada às emoções. Cores quentes são associadas ao fogo (vermelho, laranja, amarelo) e são estimulantes. Cores frias são associadas ao gelo (azul, verde) e exercem efeito calmante. Há também as cores primárias (azul cyan, magenta e amarelo) que não podem ser formadas a partir de nenhuma mistura, somente são encontradas em seu estado natural. Mais adiante estudaremos com detalhes como usar as cores.

 Tom ou valor tonal – É o grau de intensidade de uma cor, do mais claro como o branco ao mais escuro como o preto. Toda cor tem ampla variedade de tons.

 Contraste – É a diferença entre claro e escuro, alto e baixo, cor saturada e não saturada, largo e estreito, simples e complexo, liso e rugoso. Dizemos alto-contraste quando essa diferença é em maior grau. No caso do contraste de claro e escuro o alto-contraste se dá quando colocamos branco contra preto. Na pintura a região de maior contraste atrairá mais o olhar.

 Luz – É a claridade. Existem luzes coloridas. E diferentes tipos de intensidade: luz dura, luz direta, luz suave, luz refletida, penumbra e sombra com ausência de luz.

 Movimento – Na pintura trata-se de uma sugestão de movimento em uma manifestação estática. O movimento na verdade não acontece, o que pintamos é a deformação causada quando um corpo parece se mover. 

 Composição – É o arranjo dos elementos visuais no quadro.

Cabe ao artista orquestrar estes conceitos formais no plano pictórico de maneira a convencer e satisfazer esteticamente o observador. Ao longo da leitura deste livro você será levado a refletir e raciocinar sobre cada um desses elementos. Não se preocupe se todos eles parecem complexos e um pouco confusos neste momento. Quando estivermos pintando tudo fará sentido.

Capítulo II

Os materiais de pintura 

Figura 3 – Cristina Jacó:  Espátula de pintura – Pintura acrílica sobre papel montval, tamanho 9 x 14 cm, ano: 2013.

Ralph Mayer em seu livro Manual do artista, diz: O desenvolvimento da pintura de cavalete e mural sempre teve por base o uso de materiais de alto nível; os artistas de gerações passadas sempre compreenderam que nenhum grau de perfeição era pequeno demais para ser negligenciado em sua preparação ou escolha. Por outro lado, o profissionalismo exagerado que existia em alguns períodos do passado já foi eliminado e, em termos gerais, o que temos de melhor em nossos materiais está dentro de limites razoáveis, tão bons quanto possamos desejar, de acordo com nossos conhecimentos e convicções atuais. Entretanto, devido à crescente demanda de materiais não-profissionais (que se utilizam nas escolas, para fins comerciais, em trabalhos amadores, etc.) às vezes é difícil encontrar nas lojas as melhores telas, papéis, cores e pincéis. Concordando com o mestre acredito que devemos agir dentro de nossos limites regionais e orçamentários na aquisição de materiais de pintura.

Que técnica escolher?

A primeira grande decisão para quem vai começar a pintar é: que material usar. Basicamente existem dois tipos de tinta: a tinta a base de óleo e a tinta a base de água. São novidades do mercado  a tinta a óleo solúvel em água e a tinta acrílica líquida, portanto vamos tratar somente das mais tradicionais.

A tinta a base de óleo, ou tinta a óleo, é a mais antiga e conhecida pelos pintores. Pela metade do século XVI esse método de misturar pigmentos ao óleo de linhaça já estava em pleno funcionamento de forma bastante desenvolvida, e desde então a pintura a óleo em telas tem permanecido como a técnica padrão para pintura em cavalete. A tinta a óleo possui várias características, entre elas: secagem lenta, demora meses para ficar completamente seca, necessidade de usar solvente para diluir e limpar os pincéis, o cheiro é forte, pode trincar depois de seca se for mau utilizada e não permite retoque depois de seca.

Já a tinta a base de água, ou tinta acrílica, é feita a partir de resinas plásticas (polímero) e representa uma inovação para os pintores. Sua origem remonta aos meados do século XX. Também tem suas características: seca muito rápido, cerca de 15 minutos depois de aplicada, usa-se água para diluir e limpar os pincéis, seu cheiro é característico porém é mais leve que o da pintura a óleo, não trinca porque forma uma camada flexível sobre a tela, e também não permite retoque depois de seca.

Devido às características de cada material sua pintura pode ser mais rápida (no caso do uso da tinta acrílica) ou mais lenta (no caso da tinta a óleo). Pintar com tinta acrílica sobre tinta a óleo está fora de questão, devido a deficiência de adesão entre as duas camadas pigmentadas. Porém a base feita em tinta acrílica para a pintura a óleo pode ser utilizada sem prejuízo técnico. 

Quando eu comecei a aprender a pintar fui introduzida na pintura a óleo, justamente porque ela permanece mais tempo molhada sobre a tela, isso me permitia ficar retocando e refazendo infinitas vezes até acertar. Eu começava a pintura em um sábado, voltava a mexer no quadro no outro sábado e ainda havia áreas úmidas. Entretanto, em busca de maior velocidade para produzir e publicar no blog eu passei a pintar com acrílica, e a pintura fica pronta e seca em duas horas de trabalho. Quando eu pintava a óleo não podia guardar a pintura enquanto não estivesse completamente seca. Isso significava que a pintura ficava pendurada em algum lugar por muito tempo. Hoje, usando acrílica, eu termino de pintar

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