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OS ANJOS DE WAKÁN TANKA- uma delicada história para entender a relação entre o homem e o cão

OS ANJOS DE WAKÁN TANKA- uma delicada história para entender a relação entre o homem e o cão

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OS ANJOS DE WAKÁN TANKA- uma delicada história para entender a relação entre o homem e o cão

Duração:
144 páginas
1 hora
Editora:
Lançados:
14 de jul. de 2019
ISBN:
9781547555055
Formato:
Livro

Descrição

Orlando Eijo nos traz, desta vez, uma nova maneira de entender a relação entre o homem e o cão e com isso, a nossa própria natureza como seres humanos, tanto biológica como espiritualmente. Nesta oportunidade é através de uma delicada história, que deixará no leitor a sensação de uma deliciosa brisa de primavera.

Francisco, um homem viúvo com muito desejo de dar mais de si, acaba de se aposentar do trabalho que exerceu por toda a sua vida. Com seus filhos independentes, seu lar solitário se torna uma prisão que o deprime.

Eles decidem então presenteá-lo com um cachorro da raça Border Collie para que lhe faça companhia. Este cachorrinho o levará a iniciar uma nova atividade, o disc dog, se aprofundando nela a ponto de se deparar com o lado espiritual e profundo da relação humano-canina desde o seu início, quando, segundo a lenda Sioux, o Grande Espírito Wakán Tanka enviou os lobos como seus anjos, para ajudar o ser humano a transitar em sua passagem pela vida.

Nas profundas conversas de Francisco com seu filho Jorge, psicólogo, o leitor encontrará um espaço para aprender conceitos de psicologia canina e humana de um modo claro e belo, não só compreendendo os nossos comportamentos, mas se aprofundando no amor à vida, tal como o Grande Espírito quis ensinar com seus enviados de quatro patas. O pequeno Border Collie provocará grandes mudanças em sua vida e na de outros personagens da história, história que o leitor devorará do princípio ao fim com avidez e sem esforço.

Editora:
Lançados:
14 de jul. de 2019
ISBN:
9781547555055
Formato:
Livro

Sobre o autor


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OS ANJOS DE WAKÁN TANKA- uma delicada história para entender a relação entre o homem e o cão - ORLANDO EIJO

Os anjos de

Wakán Tanka

uma delicada história para entender a relação entre o homem e o cão

ORLANDO EIJO

Copyright © 2015 Orlando Eijo

Todos os direitos reservados

ISBN-13: 978-1519270573

ISBN-10: 1519270577

Ao meu velho amigo de toda a vida, Ricardo Ferrer, falecido prematuramente aos 50 anos de idade, com quem iniciei este caminho de trabalhar com cães sendo ainda adolescentes, há quase 40 anos. Sei que no lugar onde você se encontra estará brincando com todos aqueles maravilhosos cachorros com os quais trabalhamos naqueles dias.

Agradecimentos

O primeiro agradecimento deve ser para a minha mãe, que forjou em mim o amor pela narrativa, lendo histórias quando eu não sabia fazê-lo e pondo cedo em minhas mãos, em cada etapa, os primeiros livros adequados para a minha idade; graças a ela pude apreciar esta história muito mais do que se tratasse de um ensaio técnico.

Um agradecimento especial ao reconhecido escritor Octávio Prenz por todo seu apoio e orientação em minha incursão pela narrativa.

À minha esposa Estíbaliz, psicóloga canina e presidente da Associação de Euskadi de Psicólogos e Educadores Caninos, por ter contribuído com numerosas ideias e revisado todo o livro, uma vez terminado.

Não posso deixar de mencionar também a minha filha Ayelén, por ter, suavemente e sem protestos, abdicado de seu tempo comigo para que eu me dedicasse a escrever.

Sr. Francisco havia se aposentado como marido cedo demais na vida, ao enviuvar aos sessenta e dois anos de idade. Já havia se aposentado como pai, quando seus filhos se emanciparam já há uma década.

Essa manhã se levantou como sempre às 6:30. Tomou banho, se barbeou, mas não vestiu seu paletó e gravatas habituais; era seu primeiro dia como aposentado. Em todos os aspectos, o dia parecia ser outro domingo. O mesmo café da manhã, o mesmo silêncio, a mesma expectativa da chegada dos filhos e netos para a visita, mas desta vez essa expectativa era angustiante, porque ainda era terça-feira e eles não viriam até o próximo domingo.

Depois de lavar a sua xícara, se recordou das imagens do dia anterior, o brinde no escritório, as despedidas, o abraço do colega que havia ficado em seu lugar. Te invejo resmungou entre os dentes com ironia, se lembrando da frase de seu colega de trabalho Vamos ver quem inveja quem...o que vou fazer agora todos os dias?. Se dirigiu ao pequeno galpão e pegou uma tesoura de poda. Como um pai cuidadoso se aproximou da videira, que a estas horas do verão já pincelava o pátio com sua sombra. Cortou apenas um pequeno ramo que sobressaía, mas já não havia mais nada que cortar. A videira parecia se arranjar sozinha para se manter. Então ninguém mais precisa de mim?  perguntou para si mesmo.

Há anos já sabia que este dia chegaria e apesar da data já estar marcada faz tempo, nunca pensou em algo para fazer quando chegasse o momento. Seu apego o impedia de pensar que se aproximava uma mudança; negava a si mesmo o fato de que um dia seria o último que entraria naquele edifício para fazer seu trabalho como fez por tantos anos e que sua vida deveria se reestruturar para o começo de uma nova e diferente etapa. Havia postergado sua aposentadoria o máximo possível, até que legalmente já não pôde mais adiar o momento. Talvez lhe parecesse injusto que tendo sido um bom marido, tivesse se aposentado tão cedo de sua vida de casado pelo falecimento prematuro de sua companheira. Talvez lhe parecesse injusto que tendo sido um bom pai, seus filhos tenham se emancipado em torno dos vinte e cinco anos, ainda que soubesse que essa independência se devia ao fato de tê-los guiado de tal modo que eles se tornaram autossuficientes antes que outros de sua idade, cuja educação não os fez amadurecer até muito mais tarde. Para isso Sr. Francisco usava como exemplo os pássaros, os pais que ensinam seus filhotes a voar com mais eficiência devem padecer da síndrome do ninho vazio antes que outros. E talvez lhe parecesse injusto que tendo sido tão eficiente em seu trabalho, tivesse que se aposentar dele, mas a vida tinha outros planos para ele.

Voltou a colocar a tesoura em seu lugar e se sentou em frente à mesa da cozinha. O relógio deu a hora...7h30. O tempo se movia lento e espesso, como quando vertemos mel de uma garrafa em pleno inverno.

― As pessoas se aposentam jovens demais― protestou mais uma vez. Com seus setenta anos tinha tido sobre si muitas responsabilidades, em casa e no trabalho, até ontem, dia em que chegou o momento da aposentadoria. Então foi como se alguém pusesse seu dedo nos ponteiros do relógio e o tempo se detivesse de repente. Voltou a limpar a mesa e varreu a cozinha, mas quando se sentou outra vez, não eram sequer quinze para as oito.

A percepção do tempo era agora de uma lentidão desesperadora para Sr. Francisco. As horas eram dias, os dias meses, as semanas anos.

Ainda não havia chegado o ansiado domingo em que lhe visitariam os filhos e netos e parecia que já estava há vários meses aposentado. Neste ritmo, sua maturidade se transformaria em velhice no que seriam muito poucos anos para os outros, mas demasiados em sua solitária percepção.

No domingo seus filhos o encontraram preocupantemente envelhecido. Esperavam achar um Francisco ativo e vitalizado, agora que deveria se encontrar descansado e desfrutando do "dolce fare niente", mas em seu lugar se depararam com um homem velho, cansado e com os movimentos dificultados pelo corpo dolorido pela idade; a imagem que receberam foi a de uma pesada porta antiga com as dobradiças enferrujadas  e que se abria com peso, dificuldade e queixas.

Foi Jorge, o filho psicólogo de Francisco, quem propôs em segredo uma reunião de irmãos em sua casa no dia seguinte, com a ideia de analisar a situação e pensar em melhorar as coisas para seu pai.

––––––––

A casa de Jorge tinha uma leve desordem do tipo casual, algo esperado em uma casa de solteiro. Os três filhos de Sr. Francisco haviam se reunido essa tarde, preocupados pela situação de seu pai: a aposentadoria não parecia ter lhe feito bem.

― O velho tinha que sair com seus amigos, ir jogar bocha ou baralho como todos os aposentados ― disse Mauro, o mais velho deles.

― Quase todos os seus amigos continuam ativos― respondeu Jorge― portanto, não têm todo o dia livre, mas não se trata de um par de horas por dia, ele já tinha atividades de lazer antes de se aposentar. O problema aqui é que de repente ele se viu com as vinte quatro horas do dia vazias, sem nada para fazer e ninguém para cuidar, em uma casa silenciosa e cheia de recordações que caem em cima dele permanentemente como se fossem esmagá-lo.

― Tem que sair desta casa― disse Melina, a filha mais nova― quem sabe seria melhor convencê-lo da venda e de uma mudança para um apartamento menor.

― Sim, como uma cela― disse Jorge um tanto contrariado pela ideia― Trocar uma cela grande por uma menor só agravaria as coisas; estamos nos equivocando com o problema, não se trata do lugar, mas da sua atitude. As recordações de tempos felizes podem ser maravilhosas ou gerar depressão, tudo depende da atitude que cada um toma e essa atitude depende de como você se encontra no presente. Se papai estivesse feliz com o seu presente, cada lembrança feliz lhe traria sorrisos, mas se seu presente é um tédio, as recordações são um peso. Ele tem que mudar seu presente.

―No momento não sonhemos que ele tenha outro relacionamento― disse Melina― já sabem como ele é, a morte da mamãe segue sem cicatrizar e ainda vai levar um tempo para que se cure a ferida.

― Então um amigo as vinte quatro horas do dia, ou seja, um cachorro― disse Mauro.

― Essa é uma ideia que não devemos descartar― disse Jorge― Há estudos feitos nos Estados Unidos que demonstram que ter um cachorro evita e até cura as depressões e como eu sabia que essa ideia poderia aparecer, tenho esses dados à mão― se levanta e vai buscar uns papéis que havia deixado  sobre o móvel― O estudo se baseia em 167 proprietários de cães e em 50 que não eram― diz enquanto revisa os papéis― E fica claro que os níveis de estresse são menores e há maior resistência às enfermidades, inclusive se comprovou que o simples fato de mencionar o nome de seu animal faz com que diminuam a pressão arterial e o ritmo cardíaco.

― E ainda assim se levarmos em conta o trabalho que vai dar a ele criar um filhote? ―perguntou Melina.

― É que se trata justamente disso, um dos fatores motivadores é saber que existe algo que você deve fazer, que há uma responsabilidade; isso é estimulante porque precisam de você, é voltar a ser pai mais uma vez― explica Jorge ― Um psicanalista chamado Berne, criador da Análise Transacional, explicou que há um órgão psíquico chamado estereopsique, que é o encarregado de nos tornar pais, guias e educadores. Esse órgão psíquico está bem presente em nós e o fato de termos alguém para cuidar faz que não tenhamos que o reprimir ou bloquear. Liberamos então essa energia do eu pai e isso nos relaxa, nos enche de sentimentos positivos. O fato é que um cão atua emitindo respostas, quer dizer, responde a tudo o que fazemos com agradecimento e por isso nos sentimos excelentes educadores e guias; com isso a possibilidade de papai deprimir-se irá afastando-se. O cachorro estará ali as 24 horas do dia, como disse Mauro; se o papai tem insônia nem sequer precisará esperar o amanhecer para interagir com ele, simplesmente se levanta e o cachorro ficará feliz em vê-lo.  É como ter um psicólogo de plantão todo o tempo em sua

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