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Muito Mais que Desejo

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Muito Mais que Desejo

avaliações:
4/5 (4 avaliações)
Comprimento:
350 página
6 horas
Lançado em:
Aug 15, 2019
Formato:
Livro

Descrição

Ele precisa de uma mulher para se passar pela esposa perfeita — sexo incluído, mas não emoções. Ela precisa pagar uma dívida antes que acabe com as pernas quebradas — ou pior.


Todo mundo conhece a vida amorosa selvagem do bilionário Markus Blackthorn — está em todos os jornais. Foi por isso que ele perdeu a custódia de Victória, sua filha de quatro anos. Mas ele tem um plano para recuperá-la — se ao menos ele puder encontrar a esposa perfeita para contratar.


Ninguém sabe que Hannah Kristensen está se afogando em dívidas — exceto um perigoso agiota. Perder o seu emprego é apenas a última catástrofe de sua vida. A louca oferta de Markus Blackthorn pode ser exatamente o que ela precisa para se salvar — se ela puder evitar se apaixonar pelo último homem a quem ela deveria amar.


MUITO MAIS QUE DESEJO é um romance contemporâneo sexy e quente que irá deliciar os fãs das autores Helen Hardt, Jill Shalvis e Barbara Freethy.

Lançado em:
Aug 15, 2019
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Muito Mais que Desejo - Cristiane Serruya

Markus.

Capítulo 1

Manhattan, Quinta Avenida

Sede da The Blackthorn Corporation

Terça-feira, 30 de setembro de 2014

12:30


Ninguém imaginaria que havia alguma coisa errada na vida perfeita de Markus Blackthorn.

Aos trinta e quatro anos, ele era um empresário bem-sucedido. Alto, ombros largos, mais em forma do que muitos homens mais jovens do que ele e belo como poucos poderiam ser; reverenciado – e igualmente invejado e odiado – por muitos, não apenas pelo seu sucesso, sua fortuna e boa aparência, mas também por causa da sua maneira fria e bem-sucedida nos negócios.

Filho único de pais que já haviam perdido a esperança de ter filhos, Judith e o Senador Elijah Blackthorn o amavam – do jeito deles.

No ensino médio, havia sido o linebacker popular do time de futebol americano que toda garota desejava e o aluno que todos os professores elogiavam. Ele foi para a faculdade de Direito de Harvard, graduando-se com honras máximas, terminando sua carreira de estudante com um MBA da NYU.

Com um empréstimo da sua mãe e grandes sonhos para empurrá-lo, Markus abriu a Blackthorn Corporation com dois dos seus melhores amigos de faculdade como sócios minoritários e nunca parou de crescer. Agora, onze anos mais tarde, ele só tinha que assinar o contrato na sua frente para se tornar um dos homens mais poderosos dos Estados Unidos.

Desenroscando a tampa da sua caneta Cartier, Markus suprimiu um sorriso enquanto assinava seu nome no contrato, passando o controle da Haskell & Sons, o laboratório farmacêutico mais cobiçado do mercado, para sua empresa. 

Guardando a caneta no bolso interno do terno, ele passou as pilhas de papel para os outros assinarem e se recostou na cadeira.

Adquirir uma nova empresa sempre lhe dava orgulho e satisfação. Ele estudara a Haskell & Sons por muito tempo, esperando o momento perfeito para dar o bote, quando eles estavam mais fracos. Tudo que precisava fazer era mostrar seu poder e realizar uma oferta que eles não poderiam recusar, mesmo se fosse bem inferior ao que eles desejassem. Não que ele se importasse, na verdade. Era como o mundo dos negócios funcionava e ele não iria mudá-lo.

Mais tarde, ele sentiria um pouco de arrependimento pelas mudanças que iria inevitavelmente fazer na empresa. Muitas pessoas iriam perder seus empregos quando ele as substituísse por pessoas de sua confiança.

Mas, no momento, ele deixou-se sentir orgulho por mais uma aquisição estupenda.

Após todos os contratos terem sido assinados e entregues aos advogados, ele levantou-se e cumprimentou cada um na sala com um sorriso no rosto, acompanhando-os até a porta e ao elevador privado que servia somente ao seu andar.

Quando a porta de aço se fechou, a imagem refletida nela era a que ele projetava ao mundo. No entanto, apesar de toda a sua aparência de bem-sucedido, havia um buraco negro gigante no peito de Markus. 

Havia começado como uma dormência cerca de três anos atrás quando ele descobrira a ex-miss Venezuela, Nicola Gonzalez, com quem havia se casado cinco anos antes num impulso estúpido, na sua cama com outro homem. 

Seu coração e sua vida mudaram totalmente. Ninguém viu. Nem ele mesmo se permitiu reconhecer o acontecido. 

Ele pediu o divórcio e a custódia da filha Victoria, agora com quatro anos, a quem ele amava acima de tudo. Nicola ganhou a custódia compartilhada e saiu do casamento com um apartamento luxuoso e uma mesada generosa. Markus requereu uma mudança na custódia e Nicola estava lutando com unhas e dentes. Não que estivesse desesperada para ficar com a garota. Ela apenas queria um jeito de manipular o dinheiro dele. 

Não houvera escassez de belas mulheres para aquecerem sua cama desde o divórcio, mas nenhuma havia tocado seu coração. Não que ele estivesse interessado em amor. Ele simplesmente desistira de romances. As mulheres eram para nada mais do que sexo, um jeito de aliviar o estresse.

E a dor o estava consumindo totalmente desde que Nicola tinha questionado sua habilidade em ser um bom pai e começara a violar os termos da guarda compartilhada, depois que a babá de Victoria abandonara o emprego alegando que a fila sem fim de mulheres em sua vida não era um bom exemplo para uma criança pequena. 

Ainda assim ninguém reparou na sua dor. 

Markus era ligado à riqueza opulenta, poder e sucesso e era desse jeito que todos o viam.

E ele gostava daquilo.

Antes que ele retornasse à sua sala, Thomas Deacon, seu secretário lhe disse: — Sr. Blackthorn, a Srta. Kristensen chegará em breve. 

— Srta. Kristensen? — Perguntou ele, não reconhecendo o nome.

Thomas olhou para suas anotações. — Uma das candidatas para a posição de nova tutora de Victoria.

— Isso não deve levar mais do que alguns minutos — respondeu ele distraído. 

Não era exatamente de uma tutora que ele precisava apesar do anúncio que colocara afirmar aquilo. Sim, ele precisava de alguém com classe e nível de escolaridade suficiente para acompanhá-lo como tutora da Victoria, mas após a proposta do seu pai de achar uma noiva falsa – e seu advogado caríssimo, que concordara com a ideia, foi além e sugeriu uma esposa falsa – ele achou que havia alguns benefícios na ideia.

Pessoalmente, ele entrevistou cinco candidatas que haviam passado por um escrutínio vigoroso do seu advogado, mas até agora nenhuma o havia tocado como aquela que ele gostaria de compartilhar seu lar por pelo menos um ano inteiro. E ele ainda não estava totalmente convencido de quão brilhante era a ideia. Homens inteligentes não andavam por aí alugando esposas falsas sem parecer bastardos desgraçados. 

Apesar de ele ser um homem de negócios frio e também um mulherengo, ele já tinha problemas o suficiente com mulheres na sua vida. 

14:50 

Enquanto Hannah Kristensen atravessava o lobby com ar-condicionado, cabeças masculinas viravam em sua direção. Há muito tempo atrás, ela teria ficado lisonjeada por tal atenção, hoje não mais. 

Com apenas vinte e seis anos, ela não tinha tempo para homens – e não estava muito interessada em relacionamentos. Sua vida era uma bagunça só, e ela culpava todos os homens que haviam atravessado o seu caminho e o da sua mãe por isso.

— Hannah Kristensen para o Sr. Blackthorn — disse ela, dando sua identidade para a recepcionista.

Devolvendo sua identidade após ter falado com Thomas e ter tirado a foto de Hannah, a mulher instruiu: — Último elevador, à direita. Vai te levar direto ao último andar.

Quando as portas de aço se fecharam e o elevador começou a subir com um movimento suave que gritava muito dinheiro, Hannah organizou seus pensamentos em torno do que estava para acontecer e resistiu à vontade de verificar seu reflexo no espelho. O que quer que Markus Blackthorn pense sobre minha aparência, não importa.

Mas ela sabia que aquilo não era verdade e o gesso no seu braço esquerdo a lembrava daquilo. Ela precisava que ele gostasse dela.

O pequeno anúncio que ela havia respondido algumas semanas antes era estranhamente conciso e preciso: Família procurando candidatas jovens por tempo integral para uma posição de longo prazo como educadora de criança em casa. Contrato de no mínimo um ano com possibilidade de renovação. Deve estar disposta a trabalhar sete dias por semana, longas horas e viajar para o exterior. Não deve ter outros compromissos. Idade entre 25 a 30. Salário de 500k por ano, mais despesas. 

Ela recebeu uma ligação alguns dias depois de ter preenchido o formulário on-line e enviado os documentos solicitados para uma caixa postal. Eles queriam fotos de rosto e corpo, cópias de identidade e passaporte, exames recentes e completos e seu CV – que incluía apenas dois anos como professora de jardim de infância, além de um ano como professora particular de uma criança especial e um serviço de babá por duas vezes na semana, ambos para famílias ricas de Nova Iorque.

Entrevista marcada, com uma confiança que ela estava longe de sentir, Hannah foi para  Manhattan e achou o endereço – com uma fila longa de mulheres esperando. Todas parecendo muito mais bem qualificadas do que ela, e notou com estranheza que eram todas belas e estavam elegantemente vestidas, mas ela não deu muita bola para aquilo. Uma por uma, as mulheres haviam entrado na sala e depois de cerca de meia hora, elas saíram, suas expressões confiantes enquanto olhavam as demais candidatas. 

Sr. Jones, um homem de meia-idade bem apresentado, vestindo um terno caro de homem de negócios e sem uma sombra de sorriso no rosto, chamou-a ao seu escritório luxuosamente decorado. Ele fez mil e uma perguntas a ela, mas não falou muito sobre o trabalho. 

Sua necessidade e desespero a fez perguntar: — Em que exatamente consiste a tutoria? 

— Se você passar para a próxima fase, você receberá mais detalhes. 

As entrevistas haviam passado de estranhas para bizarras e a haviam trazido a este lugar.

As portas do elevador se abriram, interrompendo suas reminiscências. Seus instintos gritavam para ela ir embora – correndo, de preferência – mas ela não se deu a chance de hesitar. Ela andou direto e firme pela impressionantemente longa área da recepção.

— Bom dia. Sou Hannah Kristensen — disse ela para o assistente de Markus.

— O Sr. Blackthorn está te esperando. — Thomas consultou seu relógio. — Ele tem outra entrevista em menos de trinta minutos, Srta. Kristensen, então, por favor, seja breve.

Ela sentiu seu sangue começar a ferver. A família Blackthorn havia sempre tratado os outros como se fossem moscas chatas. Sua mãe – e ela – certa vez já tinham sofrido por causa da falta de atenção deles com os outros seres humanos. 

Eu levarei o tempo que precisar. Empurrando as memórias dolorosas para longe, ela virou-se vagarosamente e fixou o homem baixo com toda a força do seu olhar. — O que você disse?

— Eu… — A voz de Thomas sumiu. — Nada, senhorita.

— Ah, bom — murmurou ela, e não esperando por ele para ajudá-la, ela bateu na porta e virou a maçaneta, e entrou no escritório de Markus.

Pensamentos de como lidar com a Haskell & Sons voaram da cabeça de Markus quando a porta foi aberta com firmeza e uma jovem visão fez-se entrar.

Bela e atraente, inequivocamente feminina, mas reservada, mesmo vestida com um terno cinza escuro de corte clássico, ela acendeu todos seus instintos masculinos, fazendo-o querer despi-la das roupas sérias, desfazer o coque francês e soltar aqueles cabelos ruivos e deitá-la no sofá para descobrir se ela era tão gostosa quanto parecia. 

Não é justo. Ele se tornou ainda mais… Hannah não conseguia achar uma palavra para defini-lo. Bonito era uma palavra muito calma para Markus. Ele era intensamente masculino. Ele era sensual, melhor, sexual. 

Seus passos ficaram incertos por um segundo enquanto a boca de Markus se abria vagarosamente, em um sorriso aberto e sedutor que era tão seu, exalando confiança e magnetismo animal. Ele esticou a mão na sua direção. — Srta. Kristensen. 

Não sabendo se deveria ficar desapontada por ele não tê-la reconhecido, Hannah retirou seus óculos escuros. — Olá. — Ela fez uma pausa, impedindo a si própria de chamá-lo pelo primeiro nome. Ele será seu patrão. — Sr. Blackthorn.

Markus parou na metade da passada, olhou-a novamente e seus braços caíram para o lado quando os olhos verde-esmeralda com cílios grossos encontraram os dele. Ele franziu a testa. Que porra?

Ele estava consciente que seus próprios olhos estavam se arregalando e que ele a estava encarando. Ele também estava consciente que os ombros dela se endireitaram para trás. 

O movimento chamou sua atenção para baixo para uma figura com curvas elegantes, que ele apenas poderia qualificar como uma alta, esbelta, contemporânea estátua de Vênus, apenas para voltar de estalo para o rosto dela, chocado.

Markus não a havia reconhecido de cara e aquilo não era uma surpresa em si. A última vez que ele a havia visto, ela não passava de uma menina de dezenove anos, bela, tímida e que gostava de ler. Ela também era a filha da empregada do seu pai e alguém que certa vez considerara dar uns beijos e quem sabe algo mais. 

— Hannah.

A voz baixa e sedutora de Markus deslizou em volta dela e entrou sob a sua pele, se enroscando em seu baixo ventre. 

Enquanto ele a contemplava, ele passou os dedos nas madeixas, bagunçando a juba de cabelos negros picados, que pareceriam muito longos se ele não fosse tão alto e grande. 

Mas qualquer sensação de gentileza que a bagunça poderia ter dado à sua aparência era contrabalanceado pelos seus olhos. Intensos e escuros, de um preto profundo, como uma noite sem estrelas, nem lua; um poço fundo, escuro como breu, que, certa vez, ela pensou que não se importaria em cair.

Aqueles olhos pousaram nas suas feições e desceram para os lábios cheios e macios.

Porra! Recompondo-se das reações mais poderosas que seu corpo jamais tiveram ante uma mulher, Markus esticou a mão para ela mais uma vez. — Já faz um tempo.

Não um tempo, mas sete anos. Para Hannah parecia uma existência. Desde que o Senador Blackthorn havia demitido sua mãe da sua casa, a vida dela virara de cabeça para baixo. Era irônico que ela agora estaria trabalhando para – e ajudando – o filho do homem que demitira sua mãe.

Ela olhou para a mão dele como se fosse uma serpente e involuntariamente, sua língua molhou seus lábios. 

O olhar dele focou sua boca, mas nada mais além daquele gesto, denunciou a vulnerabilidade que ele percebera de relance. 

Sua voz de tenor conjurava um sem número de imagens perturbadoras na mente de Hannah: veludo pesado deslizando sobre pele nua; aço coberto por cetim. Definitivamente uma gama de contradições que ela não queria ter nada a ver, e ainda por cima, a voz de boudoir continha um subtom de comando. Hannah se viu querendo chegar mais perto, chocá-lo, até fazê-lo beijá-la, apenas para dar um tapa espalmado naquele rosto belo e forte. Mas os beijos viriam e ela não o esbofetearia.

Para agora mesmo. Você está aqui pelo dinheiro. Com esforço, ela se puxou daquele aguaceiro torrencial de sentimentos sensuais. Sob seu controle de aço, suas feições ficaram sem expressão e seus dedos se fecharam ao redor da mão de Markus firme e serenamente. Numa voz uniforme, Hannah disse: — Sim, já faz um tempo. Como está, Sr. Blackthorn?

Capítulo 2

— Por favor, sente-se. — Ele indicou o sofá e deu um passo atrás, deixando-a passar. — Café? Água?

Ela sorriu para ele e, deslizou, intencionalmente graciosa, até uma das poltronas, sentando-se. — Água. Obrigada.

Ele serviu água para ambos então pegou o envelope grosso que seu advogado lhe havia enviado e sentou-se no sofá, bem perto da poltrona.

Hannah observou-o enquanto ele folheava a documentação que ela havia fornecido. Ele não mudara muito nesses sete anos. Claro, ele parecia mais maduro e sofisticado, e havia algumas linhas ao redor dos olhos e aquela barba curta e casual, que ela tinha certeza de que precisava de cuidados permanentes. Tudo isso o tornava muito mais viril, atraente e inatingível do que quando ela e sua mãe viviam na residência do senador Blackthorn em Connecticut.

Quando ele terminou de reler todas as verificações de antecedentes que seu advogado tinha conseguido por meio dos protocolos de segurança usuais – e as não tão usuais – ele ainda não conseguia entender porque uma mulher como Hannah estaria se candidatando para o cargo. Ela era muito mais qualificada do que qualquer outra mulher que se candidatara até agora. Pelo que ele lembrava, a mãe a havia criado bem, mas ele não reclamaria se ela quisesse dividir a cama dele. Muito pelo contrário.

Ele tirou a caneta Cartier do bolso interno do paletó e segurou-a entre as mãos grandes, os dedos longos acariciando-a lentamente, e então fixou em Hannah seus olhos negros.

Hannah observou os movimentos deslizantes, o leve toque… empurrando e puxando. Ela olhou para ele e algo em seus olhos lhe disse que ele estava pensando em acariciar – e fazer – outras coisas. A ideia fez com que fogo líquido corresse, chamuscando todos os nervos e acumulando-se em seu estômago, em seguida, reacendendo os sonhos latentes e a paixão adolescente há muito tempo esquecida.

Foco, Hannah! Ela bebeu a água para molhar sua garganta seca e quebrou o silêncio prolongado. — Seu advogado me deu todos os detalhes. Estou interessada.

Ele se inclinou para trás e também bebeu sua água. Essa ideia de esposa falsa não parecera tão brilhante quando o pai e os advogados sugeriram-na pela primeira vez, mas agora que ele estava na frente da sua futura esposa, Markus tinha uma opinião bem diferente. — Por que eu deveria contratar você?

— Eu tenho bacharelado em pedagogia pela Rasmussen College e Certificado de Ensino Primário do estado de Nova York. Falo espanhol fluentemente e meu francês é aceitável. A carta de recomendação da família Dawson é mais do que suficiente para responder à sua pergunta. Estou qualificada para cuidar de sua filha enquanto finjo ser sua esposa, fazendo você parecer um… homem de família estável. — Ela encolheu os ombros. — E eu preciso de um emprego.

— Sim, você é mais do que qualificada se estivesse se candidatando a um cargo de tutora. Mas isso aqui não é um trabalho, querida.

Ela ergueu as sobrancelhas. — E o que é isso?

— Você está aqui pelo dinheiro. — Ele colocou o copo na mesa central e recostou-se no sofá. — E meio milhão de dólares é um monte de dinheiro. Para que você precisa disto?

— Não é da sua conta.

Claro que é. Ele franziu a testa. — Eu devo insistir.

Ela olhou para ele, não evitando seu olhar desta vez. — Ouça, Sr. Blackthorn…

— Markus. — Ele teria jurado que viu algum tipo de faísca em seus olhos. Mesmo quando muito jovem, ela sempre possuía uma quase assombrosa qualidade em seus grandes olhos verde-esmeralda. Mas quando ele olhou de novo, não conseguia ver nada neles – absolutamente nada.

— Este negócio é bom para nós dois. Sua filha recebe a melhor educação que um tutor em casa pode oferecer e você consegue uma mulher para passar como sua esposa, enquanto eu fecho meus olhos para qualquer amante que você possa ter. Tudo isso por apenas meio milhão de dólares.

— Diz aqui… — Ele bateu os dedos de leve no arquivo dela, suprimindo o sorriso ao notar que seus ombros orgulhosamente se realinharam para trás — que você está disponível para começar imediatamente.

— Sim — ela assentiu. Por ela, o trabalho de babá noturna duas vezes por semana para uma rica família nova-iorquina poderia ir para o inferno. — Só preciso de algumas horas para arrumar e colocar minha vida em ordem. Um dia, no máximo.

Havia algo diferente nela agora, e não era só sua beleza ou corpo que havia desabrochado, mas ele não conseguia dizer exatamente o quê. — Você está ciente de que estará vendendo um ano inteiro de sua vida – e mais, se necessário – para mim. Sem dias de folga – ou noites.

— Sim. — Os olhos dela retornaram para a caneta cara que ele ainda estava acariciando.

— Você está ciente dos termos do contrato, imagino.

Ela franziu a testa. — Vamos assinar um contrato?

— Além de um pacto pré-nupcial? Não. Será desnecessário. — E um documento perigoso nas mãos erradas. — Espero que você cumpra sua parte em nossa barganha, que devo lembrar que é estritamente confidencial.

— Cumprirei — ela assentiu. Seu advogado deixara claro na última reunião que ela seria destruída se mencionasse uma única palavra para alguém. — Eu tenho um pequeno pedido.

— Vamos ouví-lo — disse secamente.

— Não espero que você seja celibatário durante todo o período do nosso contrato. E não me importo com quem você fornica — Ela nem sequer piscou, mas sentiu uma queimação dentro do peito — desde que seja feito a portas fechadas.

— Gosto da sua franqueza. — Ele não tinha sequer aventado a hipótese de ficar celibatário por um ano inteiro, especialmente com uma mulher tão bonita como sua esposa. Pelo calor correndo em suas veias, ele ficaria muito feliz em tê-la em seus braços.

— Só peço que você seja discreto em seus casos.

— Discreto. — Ele riu. Quando ela abriu a boca novamente, ele a interrompeu: — Hannah. Você entende por que estamos fazendo esse… arranjo.

— Sim — ela assentiu. — Você precisa de uma esposa para apresentar à sociedade – e ao juiz – como o modelo feminino perfeito: uma boa esposa que possa ser uma madrasta amorosa. Eu tenho que fazer você parecer respeitável e carinhoso e tirar a sua ex de suas costas, para que você possa ter de volta a custódia compartilhada de sua filha. Eu posso fazer isso.

Ele colocou a caneta de volta no bolso e se inclinou na direção dela. — Não posso me dar ao luxo de ser pego com qualquer outra mulher até ter tudo resolvido com a custódia de Victoria.

Ela concordou. — Claro…

— E estou te pagando meio milhão de dólares. Mais despesas. Por essa quantia, espero que você atenda às minhas idiossincrasias. — Os olhos de Markus se demoraram nela por um longo e interminável momento antes que ele dissesse: — E quem sabe? Talvez você possa tornar isso real.

Hannah franziu a testa pela maneira com que ele disse a última palavra. — O quão… real?

Ele deslizou para a beira do sofá e colocou a mão no joelho dela. — Real.

Hannah congelou. O advogado dele havia deixado claro que ela teria que tornar isso real, mas ela achava que a parte real seria algumas carícias e beijos quando eles estivessem em público, nada mais.

O rosto moribundo de sua mãe invadiu sua mente, e Hannah percebeu que não era o fato de pensar em aceitar a proposta de Markus que a horrorizava, mas a certeza de que sua mãe ficaria mortificada com sua decisão de vender seu corpo como uma prostituta. Ela não podia fazer isso, não importava o quanto o trabalho estivesse pagando, não importando o quanto ela precisasse do dinheiro.

Embora ele pudesse ver as palavras se registrando em seu cérebro, ela estava claramente tentando esconder o choque.

— Há uma fila de mulheres que literalmente mataria para estar na posição em que você está.

Ela queria dizer a Markus para ir em frente, oferecer a posição a uma das muitas mulheres naquela fila nojenta dele e ir se foder. Em vez disso, ela disse tão friamente quanto pôde: — Preciso pensar sobre o assunto.

— Bem, então me ligue amanhã. — Ele se levantou e acompanhou-a até a porta. Havia algo tão intrigante nessa Hannah adulta e fria que seu interesse havia sido despertado.

Ele havia conversado com ela como já tivesse tomado a conclusão – precipitada, para dizer o mínimo – de que ele a contrataria se ela estivesse disposta a concordar com os termos.

Mas era impossível ser objetivo.

Ele estava quase determinado a tê-la, quer ela aceitasse ou não o trabalho em todos os amplos termos. No entanto, a última vez que ele permitiu que seu pau mandasse na sua cabeça, ele tinha se casado com Nicola.

Pular dentro dessas coisas muito rápido com mulheres é como eu me coloquei nessa situação para começar. Preciso considerar cuidadosamente Hannah, como eu faria com qualquer outra candidata.

— Adeus, Sr. Blackthorn.

— Até logo, Hannah. — Ele sorriu para ela. — Cuide desse braço quebrado.

Ele notou a ligeira vacilação na sua passada e a uma breve pausa no seu respirar. Mas então ela se empertigou.

— Não se preocupe. Irei fazê-lo — ela respondeu, sem saber realmente o que ia fazer.

Capítulo 3

Park Avenue

Cobertura de Markus Blackthorn

19:30


— Markus — chamou Elijah Blackthorn, enfiando sua

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