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Duração:
312 páginas
3 horas
Lançados:
9 de fev. de 2018
ISBN:
9788547309237
Formato:
Livro

Descrição

Olhares sobre a formação em saúde: experiências de integração entre universidade, serviço e comunidade apresenta vivências pedagógicas na formação do profissional de saúde e a sua relação com os serviços de saúde e a comunidade.

Os autores discutem a importância de métodos ativos de aprendizagem na formação superior como elemento transformador das práticas de saúde, possibilitando uma nova forma de ensinar e aprender com o trabalho em equipe multidisciplinar e interdisciplinar.
Lançados:
9 de fev. de 2018
ISBN:
9788547309237
Formato:
Livro


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Amostra do livro

Olhares sobre a Formação em Saúde - Marlos Suenney de Mendonça Noronha

Editora Appris Ltda.

1ª Edição - Copyright© 2017 dos autores

Direitos de Edição Reservados à Editora Appris Ltda.

Nenhuma parte desta obra poderá ser utilizada indevidamente, sem estar de acordo com a Lei nº 9.610/98.

Se incorreções forem encontradas, serão de exclusiva responsabilidade de seus organizadores.

Foi feito o Depósito Legal na Fundação Biblioteca Nacional, de acordo com as Leis nºs 10.994, de 14/12/2004 e 12.192, de 14/01/2010.

COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO MULTIDISCIPLINARIDADES EM SAÚDE E HUMANIDADES

Aos meus amores: meus pais, Marcos e Dineide; meus irmãos, Márcio e Marckenson; meus sobrinhos, Sávio, Julianna e Marcus Luiz; e aos que virão.

Marlos Suenney de Mendonça Noronha

Dedico aos meus pais, Willanêz Cardoso (in memoriam) e Iranil Dantas, que iluminaram o caminho da minha vida, dando-me coragem para questionar realidades e propor sempre um novo mundo de possibilidades. Minha eterna gratidão!

Allan Dantas dos Santos

Dedico este livro a todos os sujeitos envolvidos em minha formação como ser humano e profissional, a minha mãezinha, Rosinete Dantas, mulher lutadora que com muita luz e sapiência me mostrou que o único caminho para a transformação da realidade em que estava inserida seria a educação; ao meu padrasto, Helio de Sousa, que sempre me apoiou em minhas decisões, um grande amigo; a minha filha, Julye Louise, razão do meu viver, que me encanta com seu brilho e sua sabedoria; ao meu companheiro, Guilherme, que abriu mão várias vezes de suas coisas para me acompanhar em minhas andanças pelo país; aos meus irmãos, que estiveram ao meu lado nos momentos mais duros da minha infância e adolescência; aos professores, que acreditaram em mim durante a minha formação. Em especial ao meu orientador, Luis Roberto de Oliveira, que me acolheu e me ensinou como a relação entre professor e aluno deve se dar de forma horizontalizada.

Rosiane Dantas Pacheco

APRESENTAÇÃO

O livro está divido em dois eixos e 14 capítulos e apresenta temas que dialogam a partir de diversos olhares, atores e singularidades de experiências de integração universidade-serviço-comunidade.

Essa integração acontece do primeiro ao último ciclo dos oito cursos da área da Saúde do câmpus Lagarto da Universidade Federal de Sergipe.

O livro tem como objetivo apresentar as experiências vividas na atividade de prática de ensino na comunidade, inundando-se de questões teóricas pertinentes, como a formação profissional no ensino superior, a relação entre a universidade, serviço e comunidade como elemento norteador para uma formação que considera os espaços de práticas como espaços de observação para problematização e reflexão crítica.

O primeiro eixo, intitulado Saberes e olhares sobre a formação acadêmica: interação entre universidade, serviço e comunidade, está dividido em cinco capítulos: o primeiro trata das mudanças nas diretrizes curriculares que resultaram na proposta de formação centrada no aluno, na observação da realidade de forma crítica, reflexiva e resolutiva; o segundo traz a metodologia problematizadora como elemento para transformação da realidade e consolidação da identidade regional; o terceiro discute a relação educação e trabalho para além da formação, pensando os profissionais em atuação na rede de assistência, na qual necessariamente se dá a integração ensino-serviço na perspectiva de uma educação que seja permanente; o quarto realiza reflexões sobre conceitos e possibilidades de aprimoramento do fazer saúde empregando conceitos e instrumentos da Educação Permanente em Saúde; e o quinto trata de concepções, estratégias, saberes e práticas utilizados pelas comunidades tradicionais que articulam saúde e meio ambiente em uma lógica que transcende o conceito hegemônico do risco.

O segundo eixo, intitulado Experiências de prática de ensino na comunidade, está dividido em nove capítulos e busca apresentar as experiências vivenciadas por docentes e discentes, provocando o pensar na arte como estratégia para as ações de PEC na Atenção Primária a Saúde. Aponta também o uso de recursos como o geoprocessamento na vigilância da saúde como instrumento para fortalecer as vivências e práticas dos acadêmicos de Enfermagem; apresenta o relato de uma docente sobre a atuação do Enfermeiro na Estratégia Saúde da Família; Relata a experiência no curso de Fonoaudiologia e revela o olhar do discente sobre a atividade de PEC na interação ensino, serviço e comunidade; discute sobre o diário de campo como instrumento para apontamentos e reflexões acerca da vivência dos acadêmicos de Terapia Ocupacional; aborda a experiência do ensino de Nutrição na comunidade, construindo discussões pertinentes ao campo das práticas de ensino na comunidade, a partir dos conceitos território, territorialidade e identidade. Manifesta os olhares sobre as práticas a partir dos relatos de alunos e sua vivência na comunidade, e, por fim, disserta sobre metodologias ativas de aprendizagem na visão de estudantes de saúde.

Os autores

PREFÁCIO

Ao ser chamado para prefaciar o livro Olhares sobre a formação em saúde: experiências de integração entre universidade, serviço e comunidade, o primeiro sentimento produzido foi o de ter recebido uma honraria, um prêmio; o segundo foi uma inevitável viagem ao passado. Os prefácios podem simplesmente ser uma apresentação dos conteúdos e características de um livro. Procurarei, no entanto, contextualizar para o leitor e mostrar porque este trabalho merece um lugar especial como experiência modificadora, principalmente quando lidamos com o ensino na área da Saúde e integração de alunos e comunidade.

Em novembro de 2008, fui convidado para coordenar o projeto de implantação de um novo câmpus da Universidade Federal de Sergipe, UFS, a ser construído na cidade de Lagarto, interior de Sergipe. Era inevitável o temor relacionado ao desafio e às incertezas: será a estrada a se abrir segura e o caminho apropriado para atrair pessoas capazes de acreditar e de materializar os sonhos vinculados a um novo câmpus? Aceitariam os docentes os desafios de uma escola que nascia com a forte ideia de integração à comunidade e do uso estruturado de metodologias ativas de ensino-aprendizagem? O que era sonho foi se materializando nos projetos de cursos e na transformação objetiva e subjetiva do ambiente onde docentes, discentes e comunidade interagiam. A história do câmpus confunde-se com a história deste livro.

A primeira leva de docentes trouxe sonhos, similaridades e diferenças e, de forma surpreendente, iniciativas e extrema sensibilidade ao interagir com os habitantes da região, com suas experiências prévias e tendo o suporte de um projeto institucional. A empatia frente às pessoas simples e sofridas e aos novos alunos que ali chegavam também foi marcante. Os editores, organizadores e colaboradores deste livro retratam com suas vivências parte da história do câmpus, da ousadia do projeto e de seus frutos, uma vez que a cuidadosa abordagem apresentada nas seções e capítulos já traz a contribuição de profissionais formados nesse território e nesse câmpus. Suas vivências representam um verdadeiro tesouro, pois permitem, a quem resolva repetir o caminho dos autores, ir muito além do referencial bibliográfico utilizado. Cada um contribuiu e foi tocado de forma diferenciada e especial nesses primeiros anos de funcionamento do câmpus e na elaboração deste livro.

Olhar e experimentar estão presentes no título e no corpo desta obra. Outros verbos são trazidos na experiência e nas vivências únicas identificadas em cada capítulo. A integração entre a universidade e a comunidade traz algo muito especial das relações, do exercício da docência, do transformar e do ser transformado.

Aproveitemos esta oportunidade peculiar e percorramos, como observadores, as mesmas estradas trilhadas pelos organizadores e colaboradores. É uma chance de nos deixar tocar por suas vivências, seus passeios e exercícios de transformação das formas envolvidas no ensino/aprendizagem, de modificar e se deixar modificar, processo essencial para todos os atores envolvidos e cativados pelo ensinar e aprender.

Mário Adriano dos Santos

Professor associado do Departamento de Medicina da Universidade Federal de Sergipe – UFS

Ex-diretor geral do câmpus universitário Prof. Antônio Garcia Filho da UFS (Lagarto)

SUMÁRIO

SABERES E OLHARES NA FORMAÇÃO ACADÊMICA: INTERAÇÃO ENTRE UNIVERSIDADE, SERVIÇO E COMUNIDADE

CAPÍTULO 1

SAÚDE E FORMAÇÃO ACADÊMICA: A PROMOÇÃO DA SAÚDE MOBILIZANDO ESSE DIÁLOGO

Tales Iuri Paz e Albuquerque

CAPÍTULO 2

A METODOLOGIA PROBLEMATIZADORA NA TRANSFORMAÇÃO DA REALIDADE E NA CONCRETIZAÇÃO DA IDENTIDADE REGIONAL

Rosiane Dantas Pacheco | Allan Dantas dos Santos

CAPÍTULO 3

FORMAÇÃO EM SAÚDE E EDUCAÇÃO PERMANENTE: UMA ARTICULAÇÃO ENTRE ENSINO, SERVIÇO E COMUNIDADE

Marcia Schott

CAPÍTULO 4

DA FORMAÇÃO EM SAÚDE À PRÁTICA DA EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE

Catarina Sampaio Freire de Mello Lima

CAPÍTULO 5

CONEXÃO SAÚDE & AMBIENTE EM COMUNIDADES TRADICIONAIS

Roberto dos Santos Lacerda

EXPERIÊNCIAS DE PRÁTICA DE ENSINO NA COMUNIDADE

CAPÍTULO 6

AS ARTES COMO POSSIBILIDADE DE PROMOÇÃO DA SAÚDE: UMA PROPOSIÇÃO PARA A ATENÇÃO BÁSICA

Lavinia Teixeira-Machado

CAPÍTULO 7

USO DO GEOPROCESSAMENTO NO FORTALECIMENTO DAS VIVÊNCIAS E PRÁTICAS DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE NA COMUNIDADE: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Allan Dantas dos Santos | Monalisa Vilanova Ribeiro Barbosa do Amor

Karina Conceição Gomes Machado de Araújo

CAPÍTULO 8

EXPERIÊNCIA DOCENTE NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA

Maria do Socorro Claudino Barreiro

CAPÍTULO 9

PRÁTICAS INTEGRATIVAS NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM FONOAUDIOLOGIA

Marlos Suenney de Mendonça Noronha | Adriano Freitas dos Santos

Marcela Cássia Silva | Clara Mércia Barbosa Silva

CAPÍTULO 10

PRÁTICAS DE ENSINO NA COMUNIDADE SOB A ÓTICA DISCENTE

Carina Pimentel Souza Batista | Ana Cláudia Santos

Adriana Gomes Lima | Wanderson Santana Fraga

CAPÍTULO 11

O DIÁRIO DE CAMPO: APONTAMENTOS E REFLEXÕES

Maria Natália Santos Calheiros | Carina Pimentel Souza Batista

CAPÍTULO 12

ENSINO DE NUTRIÇÃO NA COMUNIDADE

Veruska Moreira de Queiroz

CAPÍTULO 13

PRÁTICAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM NA COMUNIDADE: DIÁLOGOS ENTRE TERRITORIALIDADES, IDENTIDADES E FORMAÇÃO EM SAÚDE

Ionara Magalhães de Souza | Francis Deon Kich | Janaína Rodrigues Geraldini

CAPÍTULO 14

OLHARES E VIVÊNCIAS SOBRE AS PRÁTICAS DE ENSINO NA COMUNIDADE

Renata Jardim

COLABORADORES

SABERES E OLHARES NA FORMAÇÃO ACADÊMICA:

INTERAÇÃO ENTRE UNIVERSIDADE, SERVIÇO E COMUNIDADE

CAPÍTULO 1

SAÚDE E FORMAÇÃO ACADÊMICA: A PROMOÇÃO DA SAÚDE MOBILIZANDO ESSE DIÁLOGO¹

Tales Iuri Paz e Albuquerque

Me movo como educador, porque, primeiro, me movo como gente.

Paulo Freire².

Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.

Paulo Freire³

A temática da formação acadêmica é debatida por diversos teóricos e pensadores da educação, como Freire⁴,⁵, Morin⁶, Perrenoud⁷, Schön⁸, Tardif⁹, entre outros pesquisadores que procuram por meio de suas vivências e estudos fomentar reflexões, entre os responsáveis – professores – em orientar a formação dos futuros profissionais em torno de uma prática coerente com os preceitos éticos e em sintonia com as necessidades da sociedade.

Ao transpor essas reflexões para o campo da Saúde, Gomes e Deslandes¹⁰ esclarecem que hoje existe um consenso acerca da inegável complexidade do objeto saúde, principalmente, pelo fato de ser considerado um campo de correlação de forças¹¹, desde a consciência social até a política. Forças essas que se confrontam nas práticas profissionais, por isso é de fundamental importância proporcionar o diálogo entre educação e saúde para que se estabeleçam estratégias de ensino-aprendizagem coerentes com a complexidade do objeto em questão – saúde.

Segundo Morin¹², a Educação é entendida como a

[...] utilização de meios que permitem assegurar a formação e o desenvolvimento de um ser humano; ressaltando o fato do termo formação apresentar suas conotações de moldagem e conformação, tendo o defeito de ignorar a missão do didatismo, que é encorajar o autodidatismo, despertando, provocando, favorecendo a autonomia do espírito.

Freire¹³ destaca a importância da responsabilidade (aqui, enfatizo a dos professores) na executabilidade de qualquer prática que implique em um determinado momento no cumprimento de deveres e em outro no exercício de direitos. Partindo disso, o autor revela o antagonismo existente entre a prática pedagógica educativa, libertadora, rigorosamente responsável e a autoritária, antidemocrática, domesticadora. Ademais, o autor acrescenta que isso não implica em dizer que a prática pedagógica autoritária seja irresponsável. Contudo, sua responsabilidade se dá em relação aos interesses dos grupos e das classes dominantes, se utilizando da perspicácia política para manter seu poder. E quando afirma pensar em favor das classes populares, trabalha no sentido da divisão e não da unidade na diversidade. Essa prática pode ser verificada nos cursos acadêmicos da área de Saúde a partir do momento em que, por trás das ações profissionais, existem interesses, conscientemente ou inconscientemente, em defesa de empresas, laboratórios, como, por exemplo, de medicamentos; ou de modelos, como o hospitalocêntrico, em que se dissemina que apenas se obtêm saúde por seu intermédio, não respeitando a questão da diversidade e dos vários determinantes sociais atrelados ao processo de saúde e doença.

Em contrapartida, a prática pedagógica libertadora, progressista, tem como imperativo ético a desocultação da verdade. Deixando claro que se exige de seus sujeitos uma eticidade, que seja em nome do sonho ou da utopia de homens e mulheres. O educador dessa prática é leal à radical vocação do ser humano para a autonomia e se entrega aberto e crítico à compreensão da importância da posição de classe, de sexo e de raça para a luta de libertação¹⁴. Percebe-se que essa prática valoriza a integralidade, princípio norteador do Sistema Único de Saúde (SUS), ao observar o ser humano a partir do seu contexto social, bem como ao valorizar meios de proporcionar a conscientização das pessoas perante a sua saúde, estimulando-os no desenvolvimento de suas potencialidades.

Paulo Freire¹⁵, no seu livro Pedagogia da Autonomia, deixa evidente sua atenção à prática pedagógica de caráter educativo-progressista, lembrando que formar é muito mais do que treinar o educando no desempenho das destrezas, é buscar por estratégias que favoreçam a reflexão e a construção de saberes nos futuros profissionais baseados no imperativo ético.

Tardif¹⁶ aprofunda o conceito de saberes e comenta que esse não é um conteúdo fechado em si mesmo; ele se manifesta através de relações complexas entre o professor e seus alunos.. Por isso, ressalta que se faz necessário conhecer o saber docente para compreender como se estabelece a construção desses saberes entre os futuros profissionais. Tardif explica que o saber docente pode ser entendido como um saber plural decorrente de saberes oriundos da sua formação profissional, de saberes disciplinares, curriculares e experienciais. Briani¹⁷ aborda o cuidado em relação à condução dos saberes, ao dizer que é por meio, por exemplo, do currículo, caracterizado pela seleção dos conteúdos, que ocorre a transmissão de ideologias aos alunos, podendo ser direcionada para uma formação em saúde privada ou pública, dependendo dos interesses que estão por trás da formação.

Tardif¹⁸ enfatiza ainda que esses saberes se incorporam efetivamente à prática docente, sem serem, porém, produzidos ou legitimados por ela. Isso se torna preocupante, pois, segundo o autor, a relação que se estabelece entre o professor com o seu saber é a de transmissores, de portadores ou de objetos de saber, mas não de produtores de um saber ou de saberes que poderiam impor como instância de legitimação social de sua função e como espaço de verdade de sua prática. Nessa perspectiva, Freire¹⁹ argumenta que ensinar não é transferir saberes, sem nenhum nível de criticidade acerca do que pode estar formando. Essa atitude ocasiona consequências negativas para a formação, que passa a configurar os habitus²⁰ em macetes da profissão e que, posteriormente, determinará até mesmo traços da personalidade profissional que serão incoerentes com o papel que se espera desses profissionais em sua prática.

Para Morin²¹, por detrás do desafio do global e do complexo, está o desafio da expansão descontrolada do saber. Isso faz sentido ao se observar que desde o relatório flexneriano se estimulou a hiperespecialização dos saberes, conforme registra Aleixo²², os quais foram fragmentados em disciplinas, corroborando com a sua apresentação de forma desconexa do seu contexto. Com isso, dificulta-se a produção de conhecimento efetivo para uma real mudança na prática dos futuros profissionais.

Morin²³ acrescenta que, os especialistas, de tanto fazerem o que fazem, ou seja, as execuções de fragmentos das informações técnicas de sua profissão assumem uma identidade e uma subjetividade que os coloca como reprodutores. Como por exemplo, do modelo hospitalocêntrico, que apresenta além da hiperespecialização, os seguintes norteamentos: o mecanicismo (o homem é comparável a uma máquina); o biologismo (predominância da natureza biológica das doenças); o individualismo (exclusão dos aspectos sociais); tecnificação precoce e a ênfase na medicina curativa²⁴.

Superar os condicionamentos decorrentes da construção de habitus profissionais incompatíveis com as necessidades da sociedade é uma atividade de responsabilidade também das instituições de ensino²⁵. Para isso, necessita-se de que o professor conheça sua matéria, sua disciplina e seu programa além de possuir certos conhecimentos relativos às ciências da educação e à pedagogia e de desenvolver um saber prático baseado em sua experiência cotidiana com os alunos²⁶.

Portanto, torna-se inegável a urgência em se discutir as mudanças no ensino superior, desde o processo de ensino-aprendizagem até a reconstrução de seu papel social²⁷.

O processo de ensino-aprendizagem em saúde

Refletir sobre as práticas de saúde implica em refletir sobre a formação e o desenvolvimento dos profissionais da área por intermédio da maneira de se ensinar e de se aprender nas instituições de ensino e das formas de educar, cuidar, tratar e acompanhar as pessoas que necessitem de assistência à saúde. Para construir uma nova prática que adote o papel do educador, há necessidade de que o professor se libere do modelo tradicional de ensino, historicamente, caracterizado por uma formação rígida que estabelece uma relação sujeito-objeto e se aproxime da relação sujeito-sujeito²⁸.

Tardif²⁹ afirma que no campo da pedagogia, o que era verdadeiro, útil e bom ontem já não o é mais hoje. Ou seja, a maneira de ensinar, o saber-ensinar, evolui com o tempo e com as mudanças sociais. E comenta:

A pedagogia, a didática, a aprendizagem e o ensino são construções sociais cujos conteúdos formas e modalidades dependem intimamente da história de uma sociedade, de cultura legítima e de suas culturas (técnicas, humanistas, científicas, populares etc.), de seus poderes e contra poderes, das hierarquias que predominam na educação formal e informal etc³⁰.

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