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As Relíquias Sagradas de Hitler
As Relíquias Sagradas de Hitler
As Relíquias Sagradas de Hitler
E-book457 páginas6 horas

As Relíquias Sagradas de Hitler

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Sobre este e-book

Durante a Segunda Guerra Mundial, de Paris a Estalinegrado, os nazis pilharam toda a espécie de peças de arte e antiguidades. Prevendo a invasão da Alemanha nazi pelos Aliados, Heinrich Himmler ordenara a construção, nas entranhas de um bunker do Castelo de Nuremberga, uma casa-forte especificamente destinada a receber os tesouros saqueados aos quais Hitler dava mais valor. Entre os objetos mais valiosos encontravam-se a Lança do Destino (que teria sido usada para trespassar o lado direito de Cristo na cruz) e as Joias da Coroa do Sacro Império Romano, artefactos antigos imbuídos de um misticismo medieval e cobiçados por governantes, de Carlos Magno a Napoleão.

Enquanto os bombardeiros aliados semeavam a devastação em Nuremberga e o Sétimo Exército dos EUA se preparava para invadir a cidade à qual Hitler chamara «a alma do Partido Nazi», cinco das relíquias mais preciosas, todas elas fulcrais para a cerimónia de coroação de um futuro Sacro Imperador Romano, desapareceram da casa-forte. Quem as tinha levado? E porquê? Terminada a guerra, o mistério continuou por esclarecer durante meses até que o comandante supremo aliado, o general Dwight D. Eisenhower, ordenou ao tenente Walter Horn, historiador de arte nascido na Alemanha que dava aulas em Berkeley, que procurasse os tesouros desaparecidos.

Baseando-se em interrogatórios e relatórios de informação inéditos, bem como em diários, cartas e entrevistas nos Estados Unidos e na Alemanha, Kirkpatrick conta esta história fascinante e perturbadora e revela - pela primeira vez - como um falhado estudante de arte vienense, obcecado pelo oculto e por sonhos de grandeza, quase conseguiu criar um Reich Sagrado com raízes numa reinvenção distorcida da História e da Igreja medievais.
IdiomaPortuguês
Data de lançamento13 de set. de 2019
ISBN9789898907943
As Relíquias Sagradas de Hitler
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Autor

Sidney Kirkpatrick

Sidney D. Kirkpatrick é um escritor internacionalmente reconhecido. Os seus livros foram aclamados pela crítica e incluem diversos bestsellers: A Cast of Killers, Turning the Tide, Lords of Sipan, Edgar Cayce: An American Prophet, The Revenge of Thomas Eakins, e As Relíquias Sagradas de Hitler. O seu documentário My Father the President, sobre Theodore Roosevelt, visto pelos olhos da sua filha, Ethel Roosevelt Derby, ganhou o American Film Festival. A sua obra já foi apresentada no History Channel, Discovery Channel e na HBO. Artigos a seu respeito foram publicados no The New York Times, na Time Magazine, na The New Yorker. É licenciado pelo Hampshire College e pela Tisch School of the Arts da Universidade de Nova Iorque. Vive em Ontário, Canadá, e em Pasadena, Califórnia.

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    As Relíquias Sagradas de Hitler - Sidney Kirkpatrick

    FICHA TÉCNICA

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    © 2017

    Direitos desta edição reservados

    para Alma dos Livros

    Copyright © 2010 by Sidney Kirkpatrick

    Todos os direitos reservados.

    Publicado por acordo com a editora original:

    Simon & Schuster, Inc.

    Título: As Relíquias Sagradas de Hitler

    Título original: Hitler’s Holy Relics

    Autor: Sidney D. Kirkpatrick

    Tradução: Francisco Silva Pereira

    Revisão: Silvina de Sousa

    Paginação: Miguel Antunes

    Capa: Duarte Lázaro/ Alma dos Livros

    Ilustração de capa: © Alejandro Colucci

    Impressão e acabamento: Multitipo — Artes Gráficas, Lda.

    ISBN: 978-989-8907-94-3

    1.ª edição em papel: outubro de 2017

    Todos os direitos reservados.

    Nenhuma parte deste livro pode ser utilizada

    ou reproduzida em qualquer forma sem permissão

    por escrito do proprietário legal, salvo as exceções

    devidamente previstas na lei.

    DEDICATÓRIA

    Para Alexander Kirkpatrick

    O homem tem mais sede de glória do que de virtude. A armadura de um inimigo, o seu elmo quebrado, a bandeira arrancada de um navio conquistado, eram tesouros mais apreciados do que qualquer riqueza humana. É para obter esses símbolos de glória que generais, sejam eles romanos, gregos ou bárbaros, enfrentam mil perigos e suportam mil provações.

    Décimo Júnio Juvenal,

    poeta romano do século II d. C.

    NOTA DO AUTOR

    A história verídica que se segue baseia-se em registos militares, correspondência, diários, entrevistas, material arquivístico, e nas memórias orais inéditas da II Guerra Mundial de Walter Horn, professor de história da arte em Berkeley, Universidade da Califórnia.

    MAPA 1

    MAPA 2

    CAPÍTULO 1

    OBERE SCHMIEDGASSE¹

    23 de fevereiro, 1945

    Todas as manhãs, com a precisão de um relógio, os bombardeiros aliados escureciam os céus sobre Namur, na Bélgica. Naquele último inverno da II Guerra Mundial, centenas, e por vezes até um milhar, de aviões, voando em vastos esquadrões conhecidos como «torrentes» ou «fluxos de bombardeiros», troavam lá no alto durante uma hora ou mais de cada vez, deixando rastos de vapor com quilómetros de comprimento que ficavam a pairar muito depois de os aviões terem desaparecido e largado a sua carga letal sobre os seus alvos na Alemanha e na Europa Oriental.

    A chegada destas torrentes de bombardeiros aterrorizava os soldados alemães que se encontravam no centro de detenção dos EUA nos campos cobertos de neve dos arredores de Namur. Amontoados e a tremer em cercados de rede metálica, os prisioneiros olhavam ansiosamente para o alto, receando o terror que estava prestes a abater-se sobre as suas famílias e amigos que tinham deixado na terra natal. Os seus captores norte-americanos também olhavam para os aviões, mas, em lugar de medo, sentiam uma imensa admiração pelas tripulações dos bombeiros e pela sua capacidade de fogo. Eram o martelo prateado que estava a destruir a máquina de guerra nazi e que em breve iria permitir que o Exército Aliado aniquilasse Adolf Hitler na sua própria pátria. O facto de aquelas missões de bombardeamento diurnas e noturnas terem como alvo não só objetivos militares, mas também zonas industriais, resultando assim na destruição de cidades inteiras, era o preço que a Alemanha tinha de pagar pela sua continuada resistência.

    O primeiro-tenente Walter Horn, um dos dez interrogadores que falavam alemão no Terceiro Exército dos EUA estacionado em Camp Namur, aguardava a chegada diária dos esquadrões de bombardeiros com um misto de emoções. Com 36 anos, peito e ombros largos, parecendo um moreno galã de cinema, e com uma mulher impaciente à sua espera em casa, em Point Richmond, na baía de São Francisco, Horn sentia um orgulho enorme na capacidade norte-americana para construir, abastecer, manter e lançar milhares de aviões carregados com dezenas de milhares de bombas, bombas estas que depois eram largadas em pleno território inimigo. Ainda que nunca tivesse disparado uma arma de fogo durante os seus dois anos de serviço, e que a sua unidade de informação, comandada pelo general George S. Patton, sempre se mantivesse a uns confortáveis 80 quilómetros da linha da frente, Horn dava valor à ousadia e coragem das tripulações aéreas e sentia uma afinidade especial com os milhares de homens — da artilharia, infantaria, médicos, enfermeiros, cozinheiros, escrivães e intendentes — que constituíam o exército mais vasto, rápido e bem equipado que alguma vez existira.

    Mas a visão daquelas torrentes de bombardeiros também o deixava ansioso. À semelhança dos prisioneiros que interrogava, ele nascera, crescera e fora educado na Alemanha. Nunca sabia se um dos bombardeiros iria largar a carga perto da casa da sua família em Heidelberg, nem se, ao olhar para as cercas de detenção, um dia não veria entre os rostos desesperados dos prisioneiros capturados e feridos o do irmão mais velho, Rudolf.

    Naquele inverno, o tenente Horn recebera ordens para ajudar a determinar se Hitler iria usar armas químicas ou biológicas quando o Exército Aliado atravessasse o Reno e penetrasse na Alemanha. Corriam rumores de que os alemães, numa última tentativa desesperada para resistir à aproximação das forças aliadas, poderiam recorrer a essas armas, como o tinham feito nas trincheiras francesas 27 anos antes.

    A unidade móvel de informações de Patton preparara um questionário pormenorizado para apurar a verdade. Os interrogadores não perguntavam diretamente pelas reservas de armamento. Em vez disso, extraíam a informação pretendida de quatro das 150 perguntas aparentemente aleatórias que eram feitas aos prisioneiros. As respostas eram depois usadas para determinar se os soldados tinham aprendido a usar armas químicas ou biológicas em batalha e se, escondidos atrás das linhas inimigas, haveria abrigos a postos para proteger a população civil. Mil e quinhentos soldados, selecionados entre a infantaria da Wehrmacht capturada na Bélgica depois da batalha das Ardenas, tinham sido encaminhados para Namur com este intuito. Uma vez que as instalações eram inadequadas, grande parte das entrevistas realizava-se ao ar livre. O «gabinete» de Horn, adjacente ao recinto dos prisioneiros, era constituído por dois caixotes de laranjas vazios, uma pequena secretária levada de uma escola primária próxima e uma pilha de questionários e de lápis.

    Horn já tinha entrevistado 35 prisioneiros a 23 de fevereiro de 1945, quando um guarda do campo lhe levara o soldado Fritz Hüber, de 48 anos, pertencente à 2.ª Divisão Blindada alemã. Magro e abatido, de rosto estreito, no qual se destacava um enorme nariz adunco, Hüber usava o mesmo uniforme — que não lhe assentava bem — com o qual fora capturado três semanas antes. Ainda que fosse velho, segundo os padrões do Exército Aliado, Hüber não era um recruta invulgar na Wehrmacht, já que os alemães, depois de mais de cinco anos de guerra contínua, estavam a recrutar homens que podiam ir dos 16 aos 60 anos, inserindo-os em unidades de veteranos endurecidos e fazendo-os abrir trincheiras e carregar equipamento às costas ou em carroças. A mão de obra alemã, um recurso idêntico ao gasóleo necessário para mover os tanques, tornara-se escassa.

    Recrutado em Nuremberga, Hüber recebera menos de um mês de treino antes de ser enviado, debaixo de neve, para combater na Bélgica: não sabia nada a respeito de armas químicas nem biológicas. Horn não demorou a conferir as respostas dele, obtendo nada mais do que «sim», «não» e «não sei».

    Concluída a entrevista, o tenente estava pronto para dispensar o prisioneiro. Mas diria depois, num relato pormenorizado daquela entrevista, que, de repente, mudara de ideias. Ao ver a figura lamentável do soldado Hüber do outro lado da secretária, vergado pela falta de sono e claramente afetado pelo reumatismo naquele frio húmido, Horn ofereceu-lhe um cigarro e uma caneca de café, e perguntou-lhe se sabia de alguma coisa que pudesse interessar ao serviço de informações do exército.

    A expressão de Hüber distorceu-se como a de um aluno que tivesse chumbado no exame. Os seus olhos encheram-se de lágrimas. Ele queria ajudar, ser prestável.

    O tenente já presenciara reações daquele género. Via-as todos os dias entre prisioneiros que tinham perdido tudo menos a vida. Homens como Hüber, recrutados nas ruas pela Gestapo ou arrancados de casa à força e empurrados para o serviço à pátria, não eram nazis dedicados nem arrogantes. Muitos já tinham perdido filhos, filhas e mulheres na guerra ou visto a casa ou o prédio onde viviam ser destruídos pelo fogo. Eram guerreiros relutantes. Tendo-se entregado ao inimigo, e vendo-se privados dos seus bens e levados como gado para aquelas cercas de detenção, a maioria perdera os últimos resquícios de autoestima. Como uma indignidade final, viam e ouviam agora as intermináveis torrentes de bombardeiros e sabiam que a sua situa­ção era desesperante. Os novos e muito gabados jatos de interceção Messerschmitt de Hermann Göring nem sequer se avistavam. Se Hitler realmente possuía uma arma secreta capaz de dar a volta à guerra, como o ministro da Propaganda, Josef Göbbels, prometera ao povo alemão, já a deveria ter usado.

    Hüber e os companheiros sabiam que ninguém iria aparecer para os salvar. Todavia, no meio de um desespero absoluto, Horn detetava neles um estranho paradoxo. Aqueles soldados de infantaria, até os que tinham começado como acérrimos defensores do insano sonho de domínio mundial do seu Führer, queriam ser prestáveis, queriam mostrar alguma utilidade. Estavam desesperados por mostrar o seu valor, nem que fosse ao inimigo. O soldado Hüber e outros como ele seriam aqueles que um dia haviam de voltar a casa para reconstruir a sua nação.

    Desculpando-se, o prisioneiro disse a Horn que não o podia ajudar.

    O tenente não esperava ouvir mais nada daquele homem. Mas quando Hüber acabou de beber o café e Horn se preparava para indicar aos guardas do campo que o levassem de regresso ao recinto dos prisioneiros, o rosto do soldado iluminou-se subitamente. «Tem interesse por arte e antiguidades?», perguntou-lhe ele.

    Horn fez um grande sorriso. Aquele soldado alemão não tinha como saber que, na vida civil, o seu interrogador era professor de história da arte em Berkeley, na Universidade da Califórnia, nem que anos atrás, antes de fugir da Alemanha nazi, estudara história da arte em Hamburgo, Munique e Berlim, que fizera o doutoramento sob a orientação do internacionalmente famoso especialista medieval Erwin Panofsky, e concluíra uma pós-graduação com Bernard Berenson em Florença, Itália. Não havia tema que o Dr. Walter Horn mais gostasse de discutir do que arte e antiguidades.

    «O que me pode dizer?», perguntou-lhe, por sua vez, Horn.

    Hüber endireitou-se no assento e dirigiu-se ao tenente como se estivesse a ser interrogado por um superior do Exército Alemão. «Existe um tesouro escondido num bunker do Nürnberger Kaiserburg (Castelo de Nuremberga). O esconderijo foi aberto na rocha, na escarpa de arenito. É ultrassecreto. Só o Reichsführer Himmler, os seus homens, algumas autoridades da cidade e quem trabalha no próprio bunker sabem alguma coisa sobre isso.»

    «Heinrich Himmler? Da SS?»

    Hüber assentiu solenemente, acrescentando que o bunker se situava nas entranhas mais profundas do castelo, mas que o túnel de entrada dava para a rua.

    Intrigado, Horn pediu-lhe que fosse mais específico.

    O soldado explicou-lhe então que a entrada estava disfarçada de modo a parecer a garagem de uma loja de antiguidades num beco da zona velha da cidade, com o letreiro: «Antiguidades — novas e velhas».

    Como Horn depois diria, Hüber fez uma pausa, como se estivesse a rever mentalmente uma imagem da loja em questão. Aquela ideia trouxe-lhe um ligeiro sorriso ao rosto. Ficou mais descontraído, animado até.

    O prisioneiro continuou, passando a descrever a organização do bunker. Disse que o estacionamento coberto, com as portas camufladas, dava para um longo túnel que descia cerca de 60 metros. No fim desse túnel encontrava-se um bunker de 370 metros quadrados, feito de betão armado, com cinco celas separadas de armazenamento e uma casa-forte com espaço bastante para alojar um pequeno camião. O espaço era autossuficiente. Os guardas do bunker tinham quartos de dormir, geradores elétricos, combustível, água fresca, alimentos e equipamento de rádio. Havia condutas até à superfície e um sistema de purificação do ar caso a cidade fosse bombardeada.

    «Se esse lugar é tão secreto», perguntou Horn, desconfiado, «como sabe da sua existência?»

    A expressão de Hüber animou-se. «Porque a nossa família vive por cima do antiquário. O meu pai é encarregado da unidade de ventilação que regula a temperatura e a humidade do bunker. A minha mãe verifica a existência de possíveis bolores e danos causados pelos insetos. Ela tem de usar luvas brancas especiais quando entra nas unidades de armazenamento. De vez em quando, aplica um pesticida.»

    Horn escutava com interesse crescente à medida que Hüber descrevia alguns dos elaborados recursos de segurança do bunker. Nem os guardas que protegiam as instalações podiam entrar nas unidades de armazenamento, e quem não estivesse acompanhado, exceto Himmler e o presidente da Câmara de Nuremberga, Willy Liebel, não tinha permissão para entrar na casa-forte. Eram precisos duas chaves e um código de cinco dígitos para abrir a fechadura da porta exterior, com 30 centímetros de espessura, e uma segunda porta interior com barras de aço.

    «Que género de arte se encontra no interior do bunker?», perguntou Horn. Hüber referiu vários dos mais de cem objetos que dizia estarem guardados nas diversas dependências. Havia gravuras e águas-fortes de Albrecht Dürer, esculturas de Adam Kraft e Veit Stoss, códices medievais, mapas, instrumentos musicais renascentistas e vitrais góticos. Tudo aquilo constava de um catálogo que se encontrava junto à sala da guarda, na entrada principal, e era periodicamente verificado pelo presidente da câmara ou pelo seu secretário.

    Impressionado, Horn perguntou o que estava guardado na casa-forte.

    Hüber nem hesitou em responder. No interior, encontrava-se uma diversidade de artefactos embalados em caixotes de madeira. Numa caixa enorme com vitrina estavam as vestes de um rei, bordadas com imagens de camelos e leões encastoadas com pérolas. Outra caixa, com a palavra «Mauritius» impressa a stencil num dos lados, continha uma espada antiga. Uma terceira encerrava uma coroa coberta de safiras, rubis e ametistas. Ali perto, estava guardado um cetro de prata e uma maçã de ouro encimada por uma cruz cravejada de joias. Num estojo de couro, sobre uma almofada de veludo vermelho, repousava uma antiga ponta de lança romana, à qual os visitantes da casa-forte — entre eles, Himmler — se referiam como a «Lança Sagrada».

    Horn ficou simultaneamente entusiasmado e perturbado com a descrição de Hüber. Não tinha informação suficiente para identificar as origens das obras de arte guardadas no resto do bunker, mas aquela combinação de tesouros pertencia a uma coleção lendária de artefactos que já fora pormenorizada em inúmeras pinturas medievais e manuscritos monásticos.

    As vestes do rei, ou paramentos imperiais, bordadas com característicos camelos e leões, tinham sido criadas no início do século

    XII

    em Palermo, Itália, tendo sido usadas pelos grandes reis-soldados da Europa medieval. A espada imperial — por vezes referida como a «Espada de São Maurício» — devia o seu nome ao mártir centurião romano e comandante da Legião Tebana. A coroa, o cetro e o orbe maliforme tinham sido propriedade, entre outros, do rei Frederico Barbarossa, o temível monarca de barba ruiva que em tempos tivera a sua corte no Nürnberger Kaiserburg e perdera a vida durante a Terceira Cruzada à Terra Santa. Mas era a referência de Hüber à antiga ponta de lança romana que identificava definitivamente aquela coleção. A Lança Sagrada, também conhecida como Lança de Longino ou Lança do Destino, era alegadamente a arma que trespassara o lado direito de Cristo na cruz e posteriormente fora usada em batalha pelos imperadores Constantino e Carlos Magno.

    Os objetos guardados naquela casa-forte eram as Joias da Coroa do Sacro Império Romano, a mais valiosa coleção de artefactos de toda a Europa. Na sua demanda de domínio mundial, Hitler retirara-os do tesouro real em Viena, Áustria, e tivera-os brevemente em exposição em Nuremberga. Onde ele os escondera depois do início dos bombardeamentos na Alemanha, e também saber se a coleção continuava intacta, era tema de grande especulação entre os historiadores de arte e curadores de museus de todo o mundo.

    Horn não tinha motivos para duvidar da história do prisioneiro. Hitler saqueara a Europa, roubando todo o género de tesouros, de pinturas de Leonardo e esculturas de Miguel Ângelo a valiosos ícones russos e polacos, e manuscritos monásticos medievais. Nuremberga, a segunda maior cidade da Baviera, era uma escolha natural para Hitler proteger o seu saque. Aquela cidade antiga, com o seu grande castelo medieval erguido numa montanha de arenito vermelho, era o núcleo simbólico do Estado nazi, sentimentalmente associada ao seu suposto passado mítico, e o local de enormes comícios do Partido Nazi encenados para glorificar o futuro do regime. O próprio Horn tinha ouvido, na rádio, Hitler declarar num pódio que Nuremberga era «a mais alemã de todas as cidades alemãs» e «a arca do tesouro do Partido Nazi». Horn sempre pensara que aquilo fora dito em sentido figurativo. Agora, Hüber dizia-lhe que não.

    O prisioneiro escreveu prestavelmente os nomes dos pais e depois desenhou no verso do questionário do exército um mapa em que indicava a localização exata da entrada do bunker subterrâneo, num beco que, num dos seus extremos, tocava no histórico Nürnberger Kaiserburg, e, no outro, dava para uma praça empedrada e para uma série de construções medievais, entre as quais se encontravam a casa e o ateliê de Albrecht Dürer. O endereço era: Obere Schmiedgasse, n.º 52.

    Mais tarde naquela noite, depois de ter entregado uma pilha de questionários ao seu comandante, Horn pediu uma máquina de escrever ao primeiro-sargento Felix Rosenthal, seu amigo e colega interrogador, e também ele de origem alemã, e passou o resto da noite na messe dos oficiais a preparar um relato pormenorizado da sua entrevista. Tinha todos os motivos para acreditar que o relatório acabaria enterrado num monte de informações obtidas pelo exército e consideradas pouco importantes para o esforço de guerra, e sabia o quão — caso passasse pela cadeia de comando e chegasse ao quartel-general de Patton — improvável seria que um oficial de operações de combate visse na recuperação das Joias da Coroa do Sacro Império Romano um importante objetivo militar.

    Não obstante as dúvidas de que o seu relatório fosse capaz de alcançar o topo da cadeia de comando, Horn redigiu dois rascunhos, escolhendo as palavras com o mesmo cuidado e atenção ao pormenor que usava nos artigos divulgados em destacadas publicações de história da arte antes da guerra. Satisfeito com o resultado final, selou num envelope o seu relatório, juntamente com o mapa desenhado por Hüber, e endereçou-o ao quartel-general dos serviços de informações do Terceiro Exército de Patton, em Paris.

    1 Blacksmith’s Alley, no original. Ainda que o autor, como a maioria dos autores de língua inglesa, tenha quase sempre traduzido a toponímia local, bem como as designações de monumentos, instituições, organizações, etc., optou-se aqui por manter os nomes originais, uma vez que o leitor que pretenda visitar Nuremberga ou obter mais informação poderá ter dificuldades se recorrer a designações inglesas.

    Também, nestas designações, e já que na língua alemã o género das palavras muitas vezes difere do nosso, seguiu-se a regra habitual de respeitar o género da língua original. (N. do T.)

    CAPÍTULO 2

    MONUMENTS MEN

    19 de julho, 1945

    A guerra na Europa terminou menos de três meses depois, a 8 de maio de 1945. Milhares de cidades e vilas encontravam-se agora em ruínas devido ao poder monstruoso de um homem, Adolf Hitler. Dos escombros — à medida que o tempo ia aquecendo e as flores silvestres floriam — emanava o fedor dos cadáveres de inúmeros homens, mulheres e crianças. Mas muitas das realidades mais medonhas da máquina assassina nazi só agora se tornavam conhecidas. Até os veteranos mais endurecidos pela guerra ficavam atónitos e perplexos com os cenários incompreensíveis de subnutrição, doença e chacina generalizada que encontravam nos campos de extermínio alemães, onde milhões de judeus e de outros considerados indesejáveis tinham sido maltratados, torturados e assassinados pelos nazis.

    Em vez de regressar ao seu lugar de docente em Berkeley, e contra a expressa vontade da mulher, Horn juntara-se à campanha destinada a capturar e chamar à responsabilidade os líderes do Reich, que tinham trazido tanto horror e infelicidade ao mundo. Acompanhado do seu amigo e colega interrogador, Felix Rosenthal, mudou-se com a sua unidade da Bélgica para França e depois atravessou o Reno e entrou na Alemanha, onde ficou em Camp Freising, um centro de interrogatório ultrassecreto do Terceiro Exército dos EUA, situado numa pequena aldeia agrícola dos arredores de Munique. Entretanto, fora promovido e deixara de entrevistar simples soldados de infantaria alemães, dedicando-se agora ao interrogatório de nazis de alta patente, tarefa para a qual estava particularmente bem preparado.

    Entre os nazis mais famosos que interrogara encontravam-se o Gauleiter² Julius Streicher, líder regional do Partido Nazi e desprezível editor do Der Stürmer, o semanário antissemita do partido, que fora detido quando fugia da Baviera disfarçado de pintor de paredes; e o chefe do Estado-Maior de Himmler, Ernst Kaltenbrunner, responsável pelo Reichssicherheitshauptamt (Gabinete Central de Segurança do Reich), ou RSHA — o gabinete que geria os campos de extermínio — e que fora capturado num isolado chalé de montanha quando se fazia passar por médico austríaco. A postura informada e descontraída de Horn viria a revelar-se a sua característica mais valiosa, mas tinha sido a sua peculiar capacidade de identificar sotaques que lhe merecera uma modesta fama no meio dos serviços de informações. Numa notável sessão de interrogatório, o tenente descobrira a verdadeira identidade de um oficial da Gestapo ao especificar em que zona de Berlim ele crescera e andara na escola.

    Como recompensa pelo seu sucesso, Horn estava agora a trabalhar dez horas por dia em Camp Freising, numa cela sem janelas de uma antiga caserna do Exército Alemão. As únicas regalias, além do acesso imediato a ficheiros confidenciais e a relatórios dos serviços secretos, era não ter de dormir num catre, nem de comer na messe dos oficiais. Graças a Rosenthal, que o general Patton incumbira de encontrar um local adequado para o centro de interrogatório, ele e Felix estavam a viver na luxuosa casa de três quartos do anterior Kommandant da caserna, que contava com água quente e fria canalizada, sala de jantar, cozinha gourmet, e um escritório apainelado a madeira com biblioteca própria. Ele e Rosenthal não eram os oficiais mais graduados no complexo de Camp Freising, mas tinham chegado primeiro, antes que qualquer um dos restantes pudesse reclamar as melhores acomodações.

    Horn terminara uma entrevista particularmente cansativa na quinta-feira, 19 de julho, quando recebeu ordens para se apresentar no quartel-general do comando do United States Forces European Theater em Frankfurt. Rosenthal apenas teve de ver o cabeçalho oficial do USFET e o selo do comandante supremo aliado Eisenhower no fundo da página para desconfiar que ia perder o amigo para uma unidade concorrente. Mas nenhum dos dois interrogadores, ambos embrenhados na compilação de dossiês que depois iriam ser usados nos futuros tribunais de crimes de guerra, associou as ordens de Horn ao relatório que ele fizera em Camp Namur.

    Como Rosenthal depois recordaria, ele e Horn pensaram que mais um nazi de alta patente fora detido. «Talvez tenham apanhado Bormann», arriscou Horn.

    Rosenthal admitiu que o colega talvez tivesse razão. Martin Bormann, secretário de Hitler e responsável pela chancelaria do partido, encontrava-se no topo da lista de oficiais nazis desaparecidos e era o centro das recentes especulações entre os oficiais de Freising. Ninguém sabia para onde Bormann tinha fugido depois de visitar o bunker de Hitler em Berlim no dia em que o Führer se suicidara. Segundo o motorista de Hitler, Erich Kempa, que Horn e Rosenthal estavam então a interrogar, o secretário fugira a pé para um túnel do metro de Berlim com o líder da Juventude Hitleriana, pensando encontrar-se com tropas lealistas que os ajudariam a fugir da Alemanha. Muitos oficiais de informações das forças aliadas acreditavam que Bormann teria depois fugido para o Brasil num submarino, ou que se teria reunido ao exército resistente de Himmler, liderado pelo chefe da Gestapo Heinrich Müller, que alegadamente estaria ativo nos Alpes austríacos. Se Bormann fora de facto apanhado, Horn — uma estrela em ascensão na comunidade dos serviços de informações — seria a escolha lógica para o interrogar em Camp King, onde o alto-comando nazi se encontrava detido.

    Não tardariam a descobrir. Horn prometeu manter o amigo informado, confirmou a viagem com o seu oficial superior e, bem cedo na manhã seguinte, apanhou boleia num transporte do exército com destino a Frankfurt.

    Ainda que o tenente apreciasse a oportunidade de deixar o complexo de Freising, onde se sentia como um prisioneiro, e visitar uma cidade que não via há dez anos, a viagem para norte não constituía um agradável refúgio da realidade do pós-guerra na Alemanha. Anos antes, teria sido um passeio de três ou quatro horas por entre bonitas quintas e pastos bem cuidados. Agora, a viagem consumia metade do dia, com recordações constantes da tragédia da guerra. O único consolo de Horn era o facto de o pai, um pastor luterano que morrera pouco antes de Hitler subir ao poder, não ter de presenciar a desolação e o desespero que reinavam no país que tanto amara.

    Ao longo da autoestrada, marcada pelas crateras das bombas, viam-se esqueletos de automóveis, camiões e tanques. Mais desconcertantes eram os cortejos de ex-prisioneiros e soldados, e as procissões desoladoras de gente desalojada. Aqueles refugiados da guerra de Hitler faziam parte da maior migração da história da humanidade: russos que regressavam ao Leste, franceses ao Ocidente, jugoslavos, italianos e austríacos rumo ao Sul, juntamente com alemães sem casa que seguiam em todas as direções. Os poucos que tinham alguma sorte viajavam de carro ou camião ou em carroças e bicicletas. Os restantes, inúmeros, deslocavam-se a pé, com e sem sapatos, levando consigo tachos e panelas, garrafas de água, e por vezes uma criança às costas.

    A aproximação a Frankfurt não revelou marcos familiares, apenas fiadas de chaminés solitárias. Restavam alguns edifícios isolados, mas até esses não eram mais do que cascos vazios. O cenário no interior da cidade era também deprimente. O centro urbano medieval de Frankfurt, em tempos o maior e o mais opulento de toda a Alemanha, tinha sido arrasado. Com a exceção de duas ou três vias principais, as ruas jaziam sob os destroços. Ali podia-se ver o mesmo mar de rostos desolados, de olhar vazio, que encontrara na autoestrada, só que ainda mais desesperados porque não tinham outro lugar para onde ir. Ou já estavam em casa ou não tinham as forças, os meios, ou o engenho para seguir em frente.

    Paradoxalmente, o enorme complexo de construções que agora albergava o quartel-general do USFET, no que outrora fora o elegante bairro ocidental da cidade, escapara ileso à guerra. O edifício de nove andares, cor de areia, tinha sido anteriormente a sede mundial da I. G. Farben, a maior fabricante de produtos químicos da Alemanha³. Ali, Fritz ter Meer, o diretor de investigação da Farben, desenvolvera o processo de transformação do carvão em óleo e borracha sintética, e, como os serviços de informações dos Aliados agora sabiam, também concebera a fórmula do Zyklon B, o gás letal usado nos campos da morte de Himmler. Que aquele edifício tivesse escapado, quando as igrejas, as bibliotecas, os museus e as escolas de Frankfurt haviam ardido, era tema de discussão tanto para os Aliados como para os alemães. Entre os oficiais de informações corria o rumor de que o general Eisenhower teria ordenado que o complexo da Farben fosse poupado porque ele o queria para seu quartel-general. Talvez também fosse verdade que os bombardeiros o teriam ignorado em virtude da proximidade de um campo de prisioneiros onde se encontravam vários milhares de soldados aliados capturados.

    Muitos visitantes daquele edifício ultramoderno, com o seu espelho de água e terrenos ajardinados, consideravam a arquitetura inspiradora. Para Horn, não passava de uma fortaleza de betão sem caráter, representativa de tudo o que ele mais detestava na estéril e utilitária arquitetura nazi. Todavia, não lhe podia criticar as vantagens técnicas. Depois de apresentar as suas ordens na receção do centro de comando, foi conduzido por um polícia militar de capacete branco até ao átrio principal, onde os elevadores funcionavam como uma espécie de tapete idêntico a uma escada rolante. Não havia portas que se abrissem ou fechassem — os passageiros limitavam-se a subir para a plataforma móvel num piso e depois desciam naquele onde pretendiam sair.

    Horn apeou-se no terceiro andar e seguiu o polícia por um corredor espaçoso e arejado até chegar a uma bateria de escritórios. Apenas soube quem era o seu contacto quando o tenente James Rorimer — bizarramente equipado com botas de combate e uniforme de gala — se apresentou e lhe explicou que o iriam levar ao gabinete do major Mason Hammond, chefe do Programa de Monumentos, Belas-Artes e Arquivos (Monuments, Fine Arts and Archives — MFAA).

    O tenente Horn continuava sem saber por que motivo fora chamado a Frankfurt, mas a referência ao nome de Hammond e ao seu cargo superior no MFAA deu-lhe duas pistas importantes. Ele tinha-o conhecido em Londres dois anos antes, quando ambos se encontravam temporariamente a trabalhar com os serviços de informações britânicos. Depois de um encontro casual nos degraus do British Museum, tinham descoberto que, na vida civil, eram ambos professores universitários. Hammond, o mais velho dos dois, detinha uma prestigiada cátedra na Universidade de Harvard, onde ensinava latim e grego, com uma especialização em história romana. Horn apenas começara a sua carreira em Berkeley, mas o seu trabalho com Panofsky em Berlim e uma bolsa de dois anos do Instituto Alemão de Florença haviam impressionado Hammond. Tinham passado uma tarde agradável a passear pelos corredores desertos do British Museum e a discutir as características da arquitetura religiosa florentina. A guerra só entrara na conversa ao final do dia, quando ele convidara Horn para jantar. Hammond, na altura capitão, falara sobre a possível formação do MFAA, a força militar aliada que ficaria encarregada de proteger os monumentos históricos no campo de batalha e de recuperar os saques nazis. Segundo ele, chegaria a altura, depois da invasão aliada, em que o MFAA precisaria de alguém com as credenciais académicas e militares de Horn. Aparentemente, essa altura era agora chegada.

    Não houve troca de continências. Com 42 anos, o avuncular Hammond recebeu Horn no seu gabinete com um caloroso aperto de mão. Recordava-se da tarde passada em Londres e perguntou ao tenente como ia um artigo que ele estava a escrever sobre a Basílica de San Miniato em Florença.

    Horn admitiu que percorrera dois continentes e sete países com o rascunho do artigo, mas que ainda não o tinha enviado para ser analisado pelos seus pares, manifestando também as suas dúvidas de que o mesmo alguma vez fosse publicado. Tendo em conta a destruição de tantos edifícios em Itália, San Miniato talvez já não existisse.

    Hammond garantiu ao tenente que a basílica continuava de pé, ainda que um pouco mais desgastada. Percorrera os seus claustros seis meses antes, durante uma visita do MFAA àquela cidade. As magníficas pontes de Florença não tinham sobrevivido — todas menos uma, tendo sido dinamitadas pelo Exército Alemão em retirada —, mas os principais monumentos e igrejas da cidade, incluindo o Duomo, tinham resistido à ocupação nazi e aliada. Hammond prometeu mostrar-lhe fotografias, mas mais tarde. Queria que Horn lhe falasse sobre a sua entrevista com Ernst Kaltenbrunner, o diretor do RSHA de Himmler, bem como acerca dos pormenores de um escândalo que estava a formar-se na comunidade dos serviços de informação.

    Horn disse-lhe o que sabia. Um dia depois de ter interrogado Kaltenbrunner para o G-2 do Terceiro Exército — uma unidade de informações que operava ao nível das divisões —, o prisioneiro fora entrevistado por um colega de Horn menos experiente, do USFET, o qual não soubera garantir a segurança da sala de interrogatório. Kaltenbrunner apoderara-se de uma lâmina de barbear descuidadamente deixada numa mesa e tentara suicidar-se cortando os pulsos. Várias outras entrevistas com nazis de alta patente tinham conhecido um fim semelhante, destacando-se a de Heinrich Himmler, detido pelos ingleses, que conseguira engolir uma cápsula de cianeto.

    O tenente garantiu a Hammond que, apesar de Kaltenbrunner se recusar a falar, não deixaria de ser presente a julgamento. «Foi por isto que me chamaram a Frankfurt?», quis ele saber.

    Hammond, cujos talentos diplomáticos lhe tinham assegurado a chefia no MFAA, mostrou-se reservado. Explicou-lhe que, até há pouco tempo, o MFAA não dedicara a sua atenção a Kaltenbrunner nem ao seu superior imediato, Heinrich Himmler. A pilhagem de coleções de arte públicas

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