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História Secreta do Mundo

História Secreta do Mundo

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História Secreta do Mundo

Duração:
663 páginas
9 horas
Lançados:
13 de set. de 2019
ISBN:
9789898907974
Formato:
Livro

Descrição

E SE AQUILO QUE NOS CONTARAM FOR APENAS UMA PARTE DA HISTÓRIA?

Diz-se que a História é escrita pelos vencedores, mas… e se a História - ou o que conhecemos dela - tiver sido escrita pelas mãos erradas? E se aquilo que nos contaram for apenas uma parte, a versão dominante após séculos de disputa entre visões opostas do mundo?
História Secreta do Mundo, de Jonathan Black, resulta de mais de vinte anos de pesquisa e dá-nos um guia completo e definitivo da História do mundo e da Humanidade. Partindo dos ensinamentos das antigas escolas de mistérios e sociedades secretas - preservados ao longo dos séculos por algumas (poucas) pessoas e grupos como os Templários, os Maçons, os Rosacruzes ou os Illuminati -, recupera as origens do pensamento filosófico e esotérico, e reconta a História da Terra e das civilizações a partir de uma visão alternativa dos acontecimentos.
Ao ler este livro, ficará a saber que as sociedades antigas eram profundíssimas conhecedoras da astrologia e da matemática, investigavam a origem do Universo e do planeta Terra e tinham plena noção da teoria da evolução, séculos antes de Darwin. Perceberá também que o conhecimento de fórmulas químicas e matemáticas secretas influenciou a ciência, a arte e a arquitetura, e ficará a conhecer as leis misteriosas que sustentam a História, desenvolvidas e guardadas secretamente ao longo dos séculos.

DESCUBRA OS GRANDES MISTÉRIOS DESCONHECIDOS DO MUNDO

Apoiando-se em numerosas fontes e documentos históricos, História Secreta do Mundo leva-nos numa incrível viagem pelos grandes mistérios, por ensinamentos que cativaram personalidades como Leonardo da Vinci, Isaac Newton ou William Shakespeare, e relata a completa e verdadeira gesta da Humanidade desde o início dos tempos até aos dias de hoje.
Críticas
«Posso dizer, sem exagero, que este livro é a melhor e mais acessível abordagem à tradição esotérica ocidental que li em décadas… uma obra-prima erudita e imaginativa.»
Ronald M. Mazur, Winona State University

«Revolucionário, desafiante, provocador e inspirador. Muito bem escrito. A minha mente está maravilhada.»
Anne Rice, escritora

«Uma obra-prima. A partir do momento em que comecei a ler, soube que este livro conseguira a proeza notável de pôr o conhecimento antigo novamente ao alcance de todos. Adorei!»
Caroline Myss, escritora

Críticas de imprensa
«O livro do ano! Um livro fascinante, uma viagem esotérica, do início dos tempos até ao presente, baseada nas crenças e escritos das sociedades secretas. Adorámos.»
Mail on Sunday

«Depois de lermos História Secreta do Mundo, compreendemos o sentido de tudo. Relacionamos Osíris, Siddhartha, Atena, Mitra, os Templários, John Dee, Tolstói, os Maçons, Jung, Lenine, C. S. Lewis, Philip K. Dick e Lewis Carroll no seu mundo do outro lado do espelho… estranhamente verdadeiro… excelente.»
The Times
Lançados:
13 de set. de 2019
ISBN:
9789898907974
Formato:
Livro

Sobre o autor

Jonathan Black é o pseudónimo de Mark Booth. Estudou na Ipswich School e na Oriel College, em Oxford, ali tendo cursado filosofia e teologia. Trabalha no ramo editorial há mais de 20 anos e é hoje responsável pela Century, uma chancela da Random House UK. Além de História Secreta do Mundo, um bestseller mundial cujos direitos foram vendidos para mais de duas dezenas países e vendeu mais de 80 000 exemplares no Reino Unido, publicou também The Secret History of Dante e The Sacred History. História Secreta do Mundo é o resultado de uma vida passada a ler textos desta área, a publicar muitos dos principais autores do ramo e a frequentar livrarias antigas.


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História Secreta do Mundo - Jonathan Black

FICHA TÉCNICA

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Copyright © 2007 by Jonathan Black

© 2018

Direitos desta edição reservados

para Alma dos Livros

Título: The Secret Story of the World

Título original: História Secreta do Mundo

Autor: Jonathan Black

Tradução: Carla Ribeiro

Revisão: Joaquim E. Oliveira

Paginação: Gráfica 99

Capa: Vera Braga/Alma dos Livros

Impressão e acabamento: Multitipo Artes Gráficas, Lda.

ISBN: 978-989-8907-97-4

1.ª edição em papel: maio de 2018

Todos os direitos reservados.

Nenhuma parte deste livro pode ser utilizada

ou reproduzida em qualquer forma sem permissão

por escrito do proprietário legal, salvo as exceções

devidamente previstas na lei.

PREFÁCIO

A HISTÓRIA SECRETA DO MUNDO

é um murro na cara dos sabichões que compõem a nossa elite intelectual, dos maníacos do controlo que gostariam de decidir o que é aceitável que todos nós pensemos e acreditemos.

Por estes dias, a visão científica e materialista é dominante. Infelizmente, falar em qualquer forma de espiritualidade é correr o risco de se ser gozado como um pouco louco. No entanto, há muitas pessoas inteligentes e sinceras por aí que estão fervorosamente interessadas nela — na Angelologia, na Alquimia, na Cabala, no ioga, nos chacras — e que têm curiosidade relativamente a grupos como os Rosacruzes. Escrevi este livro para tentar mostrar como todas estas coisas andam juntas, e em conjunto formam uma visão coerente e convincente do mundo que pode contrapor-se à visão científica e materialista.

Este é um livro sobre segredos místicos e sobrenaturais. Tentei afastar-me da ideia atual de que as sociedades secretas são cabalas de velhos maléficos que conspiram para dominar o mundo. Digo antes que estes homens e mulheres, jovens e velhos, são guardiães de correntes antigas de espiritualidade menos conhecidas que podem ter algo de importante para nos dizer — principalmente agora que a religião organizada falha em inverter a corrente do materialismo.

Algo que todas essas diferentes correntes de espiritualidade têm em comum é um foco na forma como o sobrenatural age no mundo, e a estrutura profunda deste livro reflete isso.

Ao entrelaçar o imaginário místico da Humanidade sobre as origens do Cosmos, a sua história e o seu futuro — histórias mágicas de deuses e espíritos criativos, magos e adeptos, de grandes figuras históricas guiadas pelas estrelas e inspiradas por anjos —, tento mostrar que talvez haja padrões mais ricos, mais profundos, na História do que os padrões económicos e estritamente políticos permitidos pela História convencional, e que estes padrões são sobrenaturais no sentido em que, pura e simplesmente, não aconteceriam se a ciência explicasse tudo o que existe.

Depois, no fim deste livro, pergunto aos leitores se não conseguem encontrar os mesmos padrões nas suas próprias vidas.

Em que vão acreditar: no que dizem os especialistas ou na vossa própria experiência pessoal?

Algumas pessoas relataram experiências estranhas, sobrenaturais, após terem terminado o livro. Nunca foi essa a minha intenção, mas lembra-me de que muitas das imagens curiosas e das grandes histórias no livro foram concebidas por mentes muito maiores do que a minha para funcionar a um nível subconsciente.

Surpreendeu-me a diversidade de pessoas que responderam com sinceridade e «reconheceram» esta história, inclusive algumas de grupos que tradicionalmente desconfiam uns dos outros — maçons, antroposofistas, místicos católicos, artistas, estudiosos de Milton, de Blake, do surrealismo e do dadaísmo. Talvez o que todos têm em comum seja o desejo de uma experiência espiritual. No que à verdadeira experiência espiritual diz respeito, alguns de nós nasceram dotados. Quanto aos restantes, alguns podem ter imaginação suficiente para perceber que a própria imaginação é uma forma de ver coisas que são reais, e assim, talvez, também que a imaginação é um órgão da visão que pode ser treinado.

É esse o poderoso e gratificante SEGREDO no coração desta história, um segredo que era do conhecimento de Maria Madalena, de Leonardo da Vinci, de Teresa de Ávila, de William Shakespeare, de George Washington e de muitas das pessoas que fizeram história.

INTRODUÇÃO

ESTA É UMA HISTÓRIA DO MUNDO

que foi ensinada ao longo das eras em certas sociedades secretas. Pode parecer bastante louca do ponto de vista atual, mas uma proporção extraordinariamente alta dos homens e das mulheres que fizeram história era composta por crentes.

Os historiadores do mundo antigo dizem-nos que, dos primórdios da civilização egípcia até ao colapso de Roma, os templos públicos em locais como Tebas, Elêusis e Éfeso tinham recintos sacerdotais contíguos. Os estudiosos clássicos referem-se a estes recintos como as escolas dos Mistérios.

Ali se ensinavam técnicas de meditação à elite política e cultural. Após anos de preparação, Platão, Ésquilo, Alexandre, o Grande, César Augusto, Cícero e outros foram iniciados numa filosofia secreta. Em épocas diferentes, as técnicas utilizadas por estas «escolas» envolveram privação sensorial, exercícios de respiração, danças sagradas, drama, drogas alucinogénias e diferentes formas de redirecionar as energias sexuais. Estas técnicas pretendiam induzir estados de consciência alterados no decorrer dos quais os iniciados eram capazes de ver o mundo de novas formas.

Quem revelasse a estranhos o que lhe havia sido ensinado dentro dos recintos era executado. Jâmblico, filósofo neoplatónico, registou o que aconteceu a dois rapazes que viviam em Éfeso. Uma noite, animados pelos rumores de fantasmas e de práticas mágicas, de uma realidade mais intensa, mais ardentemente real, escondida no interior dos recintos, deixaram que a curiosidade lhes levasse a melhor. A coberto da escuridão, escalaram as paredes e desceram no outro lado. Seguiu-se o pandemónio, audível em toda a cidade, e de manhã os seus corpos foram encontrados frente aos portões do recinto.

No mundo antigo, os ensinamentos das escolas dos Mistérios eram guardados tão ciosamente como os segredos nucleares o são hoje.

Depois, no século

III

, os templos do mundo antigo foram fechados, uma vez que o cristianismo se tornou na religião reinante do Império Romano. O perigo de «proliferação» foi abordado declarando-se estes segredos heréticos, e a sua divulgação passou a ser uma ofensa capital. Mas, como veremos, membros da nova elite governante, incluindo líderes da Igreja, começavam agora a formar sociedades secretas. Atrás de portas fechadas, continuaram a ensinar os velhos segredos.

Este livro contém uma acumulação de provas que demonstram que uma antiga e secreta filosofia com origem nas escolas dos Mistérios foi preservada e cultivada ao longo dos tempos através de sociedades secretas, incluindo os Cavaleiros Templários e os Rosacruzes. Por vezes, esta filosofia foi escondida do público e, noutras ocasiões, posta à vista de todos — ainda que sempre de modo que se mantivesse irreconhecível a estranhos.

Para pegar num exemplo, o frontispício de A História do Mundo, de Sir Walter Raleigh, publicado em 1614, está em exibição na Torre de Londres. Milhares passam por ele todos os dias, sem ver a cabeça de cabra escondida no desenho e outras mensagens codificadas.

Se alguma vez se perguntou porque é que o Ocidente não tem um equivalente ao sexo tântrico abertamente exibido nas paredes de monumentos hindus como os templos de Khajuraho, no centro da Índia, talvez esteja interessado em saber que há uma técnica análoga codificada em grande parte da arte e da literatura ocidentais.

Veremos também de que forma os ensinamentos secretos sobre a História do mundo influenciam a política externa da administração dos Estados Unidos relativamente à Europa Central.

O Papa é católico? Bem, não no sentido simples em que poderá estar pensar. Uma manhã, em 1939, um jovem de vinte e um anos estava a descer a rua quando uma carrinha foi contra ele e o derrubou. Enquanto esteve em coma, teve uma experiência mística avassaladora. Quando recuperou os sentidos, reconheceu que, embora tivesse surgido de forma inesperada, esta experiência fora o que ele havia sido levado a esperar como fruto das técnicas que lhe tinham sido ensinadas pelo seu mentor, Mieczyslaw Kotlarczyk, um mestre rosacruz moderno.

Em resultado desta experiência mística, o jovem juntou-se a um seminário, mais tarde tornou-se bispo de Cracóvia, e depois, ainda mais tarde, veio a ser o Papa João Paulo II.

Nos dias de hoje, o facto de o líder da Igreja Católica ter sido primeiro iniciado no reino espiritual sob a égide de uma sociedade secreta talvez não seja tão chocante como em tempos foi, porque a ciência veio substituir a religião como principal agente de controlo social. É a ciência que decide aquilo em que é aceitável que acreditemos — e o que é inadmissível. Tanto no mundo antigo como na Era Cristã, a filosofia secreta foi mantida em segredo, ameaçando de morte aqueles que a divulgavam. Agora, na Era pós-Cristã, a filosofia secreta continua rodeada de temor, mas a ameaça é de «morte social» em vez de execução. A crença em princípios-chave, como o da instigação por seres desencarnados ou o do rumo da História ser materialmente influenciado por cabalas secretas, foi rotulada como excêntrica, isto na melhor das hipóteses, e, na pior, como a própria definição do que é ser-se louco.

NAS ESCOLAS DOS MISTÉRIOS, OS CANDIDATOS QUE DESEJASSEM

juntar-se-lhes eram obrigados a cair para um poço, a sujeitar-se à provação da água, a passar por uma porta muito pequena e a ter discussões capciosas com animais antropomórficos. Faz lembrar alguma coisa? Lewis Carroll é um dos muitos autores de livros infantis — sendo outros os irmãos Grimm, Antoine de Saint-Exupéry, C. S. Lewis e os criadores de O Feiticeiro de Oz e de Mary Poppins — que foram influenciados pela filosofia secreta. Com uma mistura de confusão e de literalidade infantil, estes escritores procuraram debilitar a visão materialista e de senso comum da vida. Quiseram ensinar as crianças a pensar às avessas, a olhar para tudo de cabeça para baixo e ao contrário, e a libertar-se dos modos fixos e estabelecidos de pensar.

Outros espíritos afins incluem Rabelais e Jonathan Swift. A sua obra tem uma qualidade desconcertante e, nela, o sobrenatural não é tratado como uma grande questão — é simplesmente um facto. Os objetos imaginários são vistos como pelo menos tão reais como as coisas mundanas do mundo físico. Satíricos e céticos, estes escritores suavemente iconoclastas fragilizam os pressupostos dos leitores e subvertem as atitudes realistas. A filosofia esotérica não é explicitamente declarada em nenhum ponto de Gargântua e Pantagruel ou de As Viagens de Gulliver, mas um pouco de estudo trá-la à luz do dia.

De facto, este livro mostrará que, ao longo de toda a História, uma quantidade espantosa de gente famosa cultivou secretamente a filosofia esotérica e os estados místicos ensinados nas sociedades secretas. Pode argumentar-se que, porque viviam em tempos em que nem os mais instruídos desfrutavam de todos os benefícios intelectuais trazidos pela ciência moderna, é apenas natural que Carlos Magno, Dante, Joana d’Arc, Shakespeare, Cervantes, Leonardo, Miguel Ângelo, Milton, Bach, Mozart, Goethe, Beethoven e Napoleão seguissem crenças hoje desacreditadas. Mas não seria bastante mais surpreendente se muitos, nos tempos modernos, tivessem mantido o mesmo conjunto de crenças — não apenas loucos, místicos solitários ou escritores de fantasias, mas os fundadores do método científico moderno, os humanistas, os racionalistas, os libertadores, secularizadores e flageladores da superstição, os modernistas, os céticos e os zombadores? Poderiam as pessoas que mais fizeram pela formação da atual visão materialista e cientificamente orientada do mundo ter acreditado secretamente noutra coisa? Newton, Kepler, Voltaire, Paine, Washington, Franklin, Tolstói, Dostoiévski, Edison, Wilde, Gandhi, Duchamp: poderia ser verdade que foram iniciados numa tradição secreta, ensinados a crer no poder da mente sobre a matéria e na sua própria capacidade de comunicar com espíritos incorpóreos?

Biografias recentes de algumas destas personalidades mal mencionam a prova que demonstra que elas estavam inteira e absolutamente interessadas neste tipo de ideias. No atual clima intelectual, quando lhes é feita menção, são habitualmente descartadas como passatempos, aberrações temporárias, ideias divertidas com que as personalidades podem ter brincado ou usado como metáforas para as suas obras, mas nunca levadas a sério.

Contudo, como veremos, Newton foi sem dúvida um alquimista praticante durante toda a sua vida e via-a como a sua obra mais importante. Washing­ton invocou um grande espírito no Céu quando fundou a cidade que portaria o seu nome. E quando Napoleão disse que era guiado pela sua estrela, não o disse apenas para invocar uma figura de estilo; falava do grande espírito que lhe mostrou o seu destino e que o tornou invulnerável e magnífico. Um dos objetivos deste livro é demonstrar que, longe de serem caprichos passageiros ou excentricidades inexplicáveis, longe de serem colaterais ou irrelevantes, estas estranhas ideias formaram a filosofia nuclear de muitas das pessoas que fizeram história — e, talvez mais significativamente, mostrar que partilhavam uma notável unanimidade de propósito. Se juntarmos as histórias destes grandes homens e mulheres numa narrativa histórica contínua, torna-se uma e outra vez evidente que, nos grandes pontos de viragem da História, a filosofia antiga e secreta estava lá, escondida nas sombras, fazendo sentir a sua influência.

Na iconografia e na estatuária do mundo antigo, começando no tempo de Zaratustra, o conhecimento da doutrina secreta das escolas dos Mistérios era assinalado pela posse de um pergaminho enrolado. Como veremos, esta tradição continuou até aos tempos modernos, e, hoje, as estátuas públicas de vilas e cidades do mundo mostram quão amplamente a sua influência se espalhou. Não é preciso viajar até lugares tão longínquos como Rennes-le-Château, a Capela de Rosslyn ou os remotos baluartes do Tibete para encontrar símbolos ocultos de um qualquer culto secreto. No fim deste livro, o leitor será capaz de ver que estes vestígios estão a toda a nossa volta, nos nossos mais preponderantes edifícios públicos, nos monumentos, nas igrejas, na arte, nos livros, na música, nos filmes, nos festivais, no folclore, nas próprias histórias que contamos aos nossos filhos e até nos nomes dos dias da semana.

DOIS ROMANCES, O PÊNDULO DE FOUCAULT E O CÓDIGO DA VINCI

, popularizaram a noção de uma conspiração de sociedades secretas que procuram controlar o rumo da História. Estes romances dizem respeito a pessoas que ouvem rumores intrigantes sobre a antiga e secreta filosofia, seguem as pistas e são envolvidas.

Alguns académicos como, por exemplo, Frances Yates, do Instituto Warburg, Harold Bloom, professor de Humanidades em Yale, e Marsha Keith Suchard, autora do recente e inovador Why Mrs Blake Cried: Swedenborg, Blake and the Sexual Basis of Spiritual Vision, pesquisaram aprofundadamente e escreveram com sensatez, mas o seu trabalho é ter uma abordagem comedida. Se foram iniciados por homens com máscaras, levados em viagens até outros mundos, ou se lhes foi mostrado o poder da mente sobre a matéria, não o dão a entender.

Os ensinamentos mais secretos das sociedades secretas são transmitidos apenas oralmente. Outras partes são escritas de um modo deliberadamente obscuro que torna impossível a estranhos com­preendê-las. Por exemplo, talvez seja possível deduzir a doutrina secreta a partir do prodigiosamente longo e obscuro livro de Helena Blavatsky com o mesmo nome, ou dos doze volumes da alegoria de G.I. Gurdjieff All and Everything: Beelzebub’s Tales to his Grandson, ou de um dos cerca de seiscentos volumes dos escritos e palestras de Rudolf Steiner. Do mesmo modo, podem — em teoria — descodificar-se os grandes textos alquímicos da Idade Média ou os opúsculos esotéricos de iniciados de alto nível de períodos posteriores, como Paracelso, Jacob Boehme ou Emanuel Swedenborg, mas, em todos estes casos, a escrita destina-se a pessoas já com conhecimento prévio. Estes textos pretendem esconder tanto quanto revelam.

Há mais de vinte anos que procuro um guia conciso, fiável e completamente claro para os ensinamentos secretos. Decidi eu mesmo escrever um, porque fiquei convencido de que tal livro não existe. É possível encontrar livros de autor e páginas na Internet que afirmam fazê-lo, mas, tal como os colecionadores de qualquer campo, aqueles que percorrem livrarias numa demanda espiritual não tardam a desenvolver um faro para o «verdadeiro», e basta mergulhar nestes livros e nestas páginas para ver que não há nenhuma inteligência global em ação, pouco treino filosófico e muito pouca informação concreta.

Esta história é, então, o resultado de quase vinte anos de pesquisa. Livros como o Mysterium Magnum, um comentário ao Génesis feito pelo místico e filósofo rosacruz Jacob Boehme, juntamente com livros dos seus companheiros rosacruzes Robert Fludd, Paracelso e Thomas Vaughan, foram fontes-chave, bem como os comentários modernos à sua obra da autoria de Rudolf Steiner e de outros. Estes são enumerados nas notas, no fim do livro, em vez de considerados no corpo principal do texto, por motivos de concisão e clareza.

Mas, fundamentalmente, fui ajudado a entender estas fontes por um membro de mais do que uma das sociedades secretas, alguém que, no caso de pelo menos uma sociedade secreta, foi iniciado ao mais alto nível.

Trabalhava há anos como editor para uma das grandes editoras de Londres, encomendando livros num largo espectro de temas mais ou menos comerciais e, às vezes, cedendo também ao meu interesse pelo esotérico. Um dia, entrou um homem no meu gabinete que era claramente de uma ordem de ser diferente. Tinha uma proposta comercial: devíamos reeditar uma série de clássicos esotéricos — textos alquímicos e assim — para os quais ele escreveria novas introduções. Rapidamente nos tornámos bons amigos e passávamos muito tempo juntos. Descobri que podia fazer-lhe perguntas sobre mais ou menos qualquer coisa e ele contava-me o que sabia — coisas espantosas. Em retrospetiva, acho que estava a educar-me, a preparar-me para a iniciação.

Várias vezes tentei persuadi-lo a escrever estas coisas, a escrever uma teoria esotérica de tudo. Ele recusou repetidamente, dizendo que, se o fizesse, «os homens de batas brancas vinham e levavam-me», mas também desconfiei de que, para ele, publicar estas coisas seria quebrar juramentos solenes.

Por isso, de certa forma, escrevi o livro que queria que ele tivesse escrito, baseado, em parte, nos textos alquímicos que ele me ajudou a entender. Guiou-me também até fontes que podem ser encontradas noutras culturas. Pois, assim como as correntes cabalísticas, herméticas e neoplatónicas que estão relativamente perto da superfície da cultura ocidental, há também elementos sufis neste livro e ideias que fluem do hinduísmo esotérico e do budismo, bem como de algumas fontes celtas.

Não tenho qualquer desejo de exagerar as semelhanças entre estas várias correntes, nem está dentro do âmbito deste livro seguir todas as formas através das quais esta miríade de correntes se fundiu, separou e depois voltou a fundir-se ao longo dos tempos. Mas tento concentrar-me no que jaz sob as diferenças culturais e sugerir que estas correntes transportam uma visão unificada de um Cosmos que contém dimensões escondidas e uma visão da vida como obedecendo a certas leis misteriosas e paradoxais.

De modo geral, as diferentes tradições de todo o mundo iluminam-se mutuamente. É absolutamente maravilhoso ver como as experiências de um eremita no monte Sinai no século

II

ou de um místico alemão medieval encaixam com as de um swami indiano do século

XX

. Porque os ensinamentos esotéricos estão mais profundamente escondidos no Ocidente, uso muitas vezes exemplos orientais para ajudar a entender a História secreta do Ocidente.

Não pretendo discutir potenciais conflitos entre tradições. A tradição indiana põe muito mais ênfase na reencarnação do que a tradição sufi, que refere apenas algumas, por exemplo. Por isso, para benefício da narrativa, comprometi-me com a inclusão, apenas, de um pequeno número de reencarnações de célebres personalidades históricas.

Também fiz julgamentos despreocupados quanto a que escolas de pensamento e que sociedades secretas se inspiram na verdadeira tradição. Por isso, a Cabala, o hermetismo, o sufismo, os Templários, os Rosacruzes, a Maçonaria esotérica, o martinismo, a teosofia de Madame Blavatsky e a antroposofia — uma emanação moderna do impulso rosacruz — estão incluídos, mas a cientologia, juntamente com todo um pântano de material «canalizado» moderno, não está.

Isto não significa que este livro se esquive à controvérsia. Tentativas anteriores de identificar uma «filosofia perene» tenderam a encontrar uma coleção de lugares-comuns — «somos todos iguais sob a pele», «o amor é a sua própria recompensa» — dos quais é difícil discordar. A quem estiver à espera de algo igualmente agradável, devo pedir desde já desculpa. O ensinamento que irei identificar como comum às escolas dos Mistérios e às sociedades secretas de todo o mundo indignará muitas pessoas e será contrário ao senso comum.

Um dia, o meu mentor disse-me que eu estava pronto para a iniciação, que ia apresentar-me a algumas pessoas.

Aguardara este momento com expetativa, mas, para minha surpresa, recusei. Sem dúvida, o medo desempenhou o seu papel. Sabia por essa altura que muitos rituais de iniciação envolviam estados alterados de consciência, até aquilo a que por vezes se chama experiências de «pós-morte».

Mas também foi, em parte, porque não queria que todo este conhecimento me fosse dado de uma só vez. Queria continuar a desfrutar da tentativa de tentar percebê-lo sozinho.

E tão-pouco queria fazer um juramento que me proibisse de escrever.

ESTA HISTÓRIA DO MUNDO ESTÁ

estruturada do seguinte modo: os primeiros quatro capítulos olharão para o que aconteceu «no princípio» tal como é ensinado pelas sociedades secretas, incluindo o que se quer dizer no ensinamento secreto com a expulsão do Éden e a Queda. Estes capítulos tentarão também fornecer uma descrição da visão que as sociedades secretas têm do mundo, um par de óculos concetuais — para que os leitores possam avaliar melhor o que se segue.

Nos sete capítulos seguintes, muitas figuras dos mitos e lendas são tratadas como figuras históricas. Esta é a história do que aconteceu antes do início dos registos escritos, tal como era ensinada nas escolas dos Mistérios e ainda hoje é ensinada em algumas sociedades secretas.

O Capítulo 8 inclui a transição para o que convencionalmente se considera o período histórico, mas a narrativa continua a contar histórias de monstros e bestas fabulosos, de milagres e profecias, e de figuras históricas que conspiraram com seres desencarnados para conduzir o rumo dos acontecimentos.

Espero que, ao longo de todo o caminho, a mente do leitor seja agradavelmente vergada tanto pelas estranhas ideias apresentadas como pela revelação dos nomes das personalidades que alimentaram estas ideias. Espero também que algumas das estranhas alegações tenham impacto, que muitos leitores pensem… Sim, isso explicará o porquê de os nomes dos dias da semana terem a ordem que têm… É por isso que às imagens do peixe, do carregador de água e do bode com cauda de serpente são, em todo o lado, atribuídas constelações que não se parecem realmente com eles… É isso que estamos realmente a festejar no Dia dos Mortos… O que explica as confissões bizarras de adoração de demónios feitas pelos cavaleiros Templários… É isso que dá a Cristóvão Colombo a convicção para partir na sua insanamente perigosa viagem marítima… Foi por isso que foi erigido um obelisco egípcio no Central Park, em Nova Iorque, em finais do século

XIX

… Foi por isso que Lenine foi embalsamado…

Através de tudo isto, o objetivo é mostrar que os factos básicos da História podem ser interpretados de uma forma que é quase completamente o inverso da maneira como normalmente os entendemos. Prová-lo exigiria, é claro, toda uma biblioteca, algo como os trinta e dois quilómetros de estantes de literatura esotérica e oculta que se diz estarem fechadas no Vaticano. Mas, neste único volume, posso apenas demonstrar que esta alternativa, esta visão especular, é uma imagem convincente e consistente com a sua própria lógica, e que tem a virtude de explicar áreas da experiência humana que permanecem inexplicáveis do ponto de vista convencional. Também cito autoridades no fim, juntamente com notas mais detalhadas sobre as fontes em citações retiradas da Internet, dando pistas que os leitores interessados podem seguir.

Algumas destas autoridades trabalharam no seio da tradição esotérica; outras são especialistas nas suas próprias disciplinas — Ciência, História, Antropologia, Crítica Literária —, cujos resultados nos seus campos especializados de pesquisa me parecem confirmar a visão esotérica do mundo, mesmo onde eu não tenho forma de saber se as suas filosofias pessoais, de vida, têm alguma dimensão espiritual ou esotérica.

Mas, acima de tudo — e é este o ponto que quero enfatizar —, peço aos leitores que abordem este texto de uma nova forma — que o vejam como um exercício imaginativo.

Quero que o leitor tente imaginar qual seria a sensação de acreditar no oposto daquilo que fomos criados a acreditar. Isto envolve inevitavelmente um estado alterado de consciência num ou noutro grau, o que é exatamente como devia ser. Porque, no coração de todos os ensinamentos esotéricos, em todas as partes do mundo, jaz a crença segundo a qual se pode aceder a formas mais elevadas de inteligência em estados alterados. A tradição ocidental em particular sempre enfatizou o valor dos exercícios criativos que envolvem cultivar e ponderar em imagens visuais. Autorizadas a embrenhar-se na mente, aí fazem o seu trabalho.

Por isso, embora este livro possa ler-se apenas como um registo das coisas absurdas em que as pessoas acreditaram, uma fantasmagoria épica, uma cacofonia de experiências irracionais, espero que, no fim, alguns leitores oiçam algumas harmonias e talvez sintam também uma ligeira corrente filosófica, que é a sugestão de que pode ser tudo verdade.

Obviamente, qualquer boa teoria que procure explicar porque é que o mundo é como é tem também de ajudar a prever o que acontece a seguir, e o último capítulo revela o que isso será — presumindo sempre, é claro, que o grande plano cósmico das sociedades secretas se revela bem-sucedido. Este plano engloba a crença de que o novo grande impulso de evolução surgirá na Rússia, que a civilização europeia irá desabar e que, finalmente, a chama da verdadeira espiritualidade será mantida acesa na América.

PARA AJUDAR NA IMPORTANTÍSSIMA OBRA

da imaginação, há estranhas e misteriosas ilustrações incorporadas ao longo do livro, e algumas delas nunca foram antes vistas fora das sociedades secretas.

Há também ilustrações de algumas das imagens mais conhecidas da História mundial, os maiores ícones da nossa cultura — a Esfinge, a Arca de Noé, o Cavalo de Troia, a Mona Lisa, Hamlet e a caveira —, porque todos estes demonstraram ter estranhos e inesperados significados segundo as sociedades secretas.

Finalmente, há ilustrações de artistas europeus modernos como Ernst, Klee e Duchamp, bem como de proscritos americanos como David Lynch. A sua obra também revelou estar impregnada da filosofia antiga e secreta.

INDUZA EM SI MESMO UM ESTADO DE ESPÍRITO

diferente e as mais famosas e conhecidas histórias passam a significar algo muito diferente.

De facto, se alguma coisa nesta história é verdade, então tudo o que os seus professores lhe ensinaram é posto em causa.

Suspeito que esta perspetiva não o inquieta.

Um dos devotos da filosofia antiga e secreta disse, memoravelmente:

Deves ser louco, ou não terias vindo aqui.

1

NO PRINCÍPIO

Deus Observa o Seu Reflexo • O Universo do Espelho

ERA UMA VEZ UM TEMPO EM QUE NÃO HAVIA TEMPO NENHUM.

O tempo não é nada a não ser uma medida das mudanças de posição dos objetos no espaço, e, como qualquer cientista, místico ou louco sabe, no princípio não havia objetos no espaço.

Por exemplo, um ano é a medida do movimento da Terra em torno do Sol. Um dia é a rotação da Terra no seu eixo. Uma vez que, por sua própria conta, nem a Terra nem o Sol existiam no princípio, os autores da Bíblia nunca quiseram dizer que tudo foi criado em sete dias no banal sentido da palavra «dia».

Apesar desta ausência inicial de matéria, espaço e tempo, algo deve ter acontecido para que tudo começasse. Por outras palavras, algo deve ter acontecido antes de haver alguma coisa.

Uma vez que não havia COISA nenhuma da primeira vez que algo aconteceu, é seguro que se diga que este primeiro acontecimento deve ter sido muito diferente do tipo de acontecimento de que normalmente nos damos conta do ponto de vista das leis da Física.

Fará sentido dizer que este primeiro acontecimento podia ter sido, de certa forma, mais como um acontecimento mental do que um acontecimento físico?

A ideia de acontecimentos mentais gerarem acontecimentos físicos pode parecer, de início, contraintuitiva, mas, de facto, é algo que estamos sempre a experimentar. Por exemplo, o que acontece quando me ocorre uma ideia — como «tenho de estender a mão e acariciar-lhe a bochecha» — é que um impulso faz saltar uma sinapse no meu cérebro, algo semelhante a uma corrente elétrica desce-me por um nervo no braço e a minha mão mexe-se.

Pode este exemplo corriqueiro dizer-nos alguma coisa sobre as origens do Cosmos?

No princípio, deve ter vindo um impulso de algum lado — mas de onde? Na infância, não ficámos todos maravilhados da primeira vez que vimos cristais precipitados no fundo de uma solução, como se um impulso se estivesse a espremer de uma dimensão para a seguinte? Nesta história, veremos como, para muitas das pessoas mais brilhantes do mundo, o nascimento do Universo, a misteriosa transição de nenhuma matéria para a matéria foi explicada precisamente dessa maneira. Visualizaram um impulso a passar de outra dimensão para esta — e entenderam esta outra dimensão como a mente de Deus.

ENQUANTO AINDA ESTÁ NO LIMIAR

— e antes que arrisque perder mais tempo com esta história —, devo deixar claro que vou tentar persuadi-lo a considerar algo que pode estar muito bem para um místico ou para um louco, mas de que um cientista não vai gostar. Um cientista não vai gostar mesmo nada.

Para os pensadores mais avançados de hoje, académicos como Richard Dawkins, o professor de Charles Simonyi para a Compreensão Pública da Ciência, em Oxford, e os outros materialistas militantes que regulam e mantêm a visão científica do mundo, a «mente de Deus» não é melhor do que a ideia de um velho de cabelos brancos lá em cima nas nuvens. É o mesmo erro, dizem, que as crianças e as tribos primitivas cometem quando assumem que Deus têm de ser como eles — a falácia antropomórfica. Mesmo que admitíssemos que Deus pudesse existir, dizem, por que raio deveria «Ele» ser como nós? Porque haveria a «Sua» mente de ser, de algum modo, parecida com a nossa?

O facto é que eles têm razão. Claro que não há razão nenhuma… a não ser que seja ao contrário. Por outras palavras, o único motivo para que a mente de Deus possa ser como a nossa é se a nossa tiver sido feita para ser como a Dele — isto é, se Deus nos tiver criado à Sua imagem.

E é isto que acontece neste livro, porque nesta história tudo é ao contrário.

Tudo aqui está de cabeça para baixo e virado do avesso. Nas páginas que se seguem, será convidado a pensar as últimas coisas que as pessoas que guardam e mantêm o consenso querem que pense. Será tentado a ter pensamentos proibidos e a provar filosofias que os líderes intelectuais da nossa era julgam ser heréticas, estúpidas e loucas.

Deixe-me rapidamente assegurar-lhe que não vou tentar envolvê-lo num debate académico, tentar persuadi-lo através da discussão filosófica de que qualquer destas ideias proibidas está certa. Os argumentos formais contra e a favor podem encontrar-se nas obras académicas padrão. Mas o que eu vou fazer é pedir-lhe que estenda a sua imaginação. Quero que imagine a sensação de ver o mundo e a sua História de um ponto de vista que está o mais afastado possível daquele que lhe foi ensinado.

Os nossos pensadores mais avançados ficariam horrorizados e aconselhá-lo-iam certamente a não brincar de modo algum com estas ideias, quanto mais a debruçar-se sobre elas durante o tempo que demorará a ler este livro.

Tem havido uma tentativa concertada de apagar do Universo toda a memória, todos os vestígios destas ideias. A elite intelectual dos dias de hoje acredita que, se deixarmos estas ideias voltar à imaginação, mesmo que brevemente, correremos o risco de ser novamente arrastados para uma forma de consciência aborígene ou atávica, um lodo mental contra o qual tivemos de lutar durante muitos milénios para evoluir.

PORTANTO, NESTA HISTÓRIA, O QUE ACONTECEU

antes do tempo? Qual foi o evento mental primordial?

Nesta história, Deus refletiu sobre Si mesmo. Olhou, por assim dizer, para um espelho imaginário e viu o futuro. Imaginou seres muito semelhantes a Si. Imaginou seres livres, criativos, capazes de amar tão inteligentemente e de pensar tão amorosamente que podiam transformar-se, e a outros da sua espécie, no seu ser mais profundo. Podiam expandir a mente para abraçar a totalidade do Cosmos e, nas profundezas dos seus corações, podiam discernir também os segredos dos seus mecanismos mais subtis.

Pôr-se na posição de Deus envolve imaginar que está a olhar para o seu reflexo num espelho. Está a ordenar à imagem de si que nele vê que ganhe vida e que assuma a sua própria vida independente.

Como veremos nos capítulos que se seguem, na história vista ao espelho ensinada pelas sociedades secretas foi exatamente isto que Deus fez, os Seus reflexos — os humanos — formando-se, gradualmente e por fases, e atingindo a vida independente, por Si alimentados, guiados e incentivados ao longo de períodos muito extensos.

OS CIENTISTAS DE HOJE DIR­-LHE­-ÃO QUE

, na hora da sua maior angústia, não adianta gritar aos céus com qualquer expressão dos seus mais profundos e sinceros sentimentos, porque não encontrará lá nenhuma repercussão. As estrelas só podem mostrar-lhe indiferença. A missão humana é crescer, amadurecer, aprender a aceitar esta indiferença.

O Universo que este livro descreve é diferente, porque foi feito com a Humanidade em mente.

Nesta história, o Universo é antropocêntrico, cada partícula esforçando-se na direção da Humanidade. Este Universo alimentou-nos ao longo dos milénios, embalou-nos, ajudou a coisa única que é a consciência humana a evoluir e guiou cada um de nós enquanto indivíduos em direção aos grandes momentos das nossas vidas. Quando grita, o Universo vira-se para si solidariamente. Quando se aproxima de uma das grandes encruzilhadas da vida, todo o Universo sustém a respiração para ver que caminho vai escolher.

Os cientistas podem falar do mistério e das maravilhas do Universo, de cada uma das suas partículas estar ligada a todas as outras partículas pelo impulso da gravidade. Podem salientar factos incríveis, como o de que cada um de nós contém milhões de átomos que estiveram em tempos no corpo de Júlio César. Podem dizer que somos poeira cósmica — mas só no sentido ligeiramente dececionante de que os átomos de que somos feitos foram forjados a partir de hidrogénio em estrelas que explodiram muito antes de o nosso sistema solar ter sido formado. Porque a questão importante é esta: seja como for que o enfeitem com a retórica do mistério e do assombro, o Universo deles é de força cega.

No Universo científico, a matéria veio antes da mente. A mente é um acaso da matéria, não essencial e exterior à matéria — um cientista foi a ponto de a descrever como «uma doença da matéria».

Por outro lado, no Universo da mente-antes-da-matéria que este livro descreve, a ligação entre mente e matéria é muito mais íntima. É uma ligação viva, dinâmica. Tudo neste Universo está vivo e consciente até certo ponto, respondendo sensível e inteligentemente às nossas mais profundas e subtis necessidades.

Neste Universo da mente-antes-da-matéria, não só a matéria emergiu da mente de Deus como foi criada de modo que fornecesse as condições em que a mente humana seria possível. Além disso, a mente humana continua a ser o foco do Cosmos, alimentando-o e respondendo às suas necessidades. A matéria é, portanto, movida pelas mentes humanas, talvez não ao mesmo nível, mas da mesma maneira que é movida pela mente de Deus.

Em 1935, o físico austríaco Erwin Schrödinger formulou a sua famosa experiência teórica, o Gato de Schrödinger, para descrever a forma como os acontecimentos mudam quando são observados. Efetivamente, estava a pegar nos ensinamentos das sociedades secretas sobre a experiência quotidiana e a aplicá-los ao reino subatómico.

A certo ponto, na infância, todos nos perguntamos se uma árvore a cair produz realmente algum som se tiver lugar numa floresta remota onde não há ninguém que a ouça. Decerto, dizemos, um som que não é ouvido por ninguém não poderá ser devidamente descrito como um som. As sociedades secretas ensinam que algo como esta especulação é verdadeiro. Segundo eles, uma árvore só cai numa floresta, por mais remota que seja, para que alguém, algures nalgum momento, seja afetado por ela. Nada acontece em lado nenhum do Cosmos exceto em interação com a mente humana.

Na experiência de Schrödinger, um gato está sentado numa caixa com material radioativo que tem uma probabilidade de 50% de o matar. Tanto a de o gato estar morto como a de estar vivo se mantêm como probabilidades de 50% suspensas no tempo, por assim dizer, até que abrimos a caixa para ver o que está lá dentro, e só então é que o verdadeiro acontecimento — a morte ou a sobrevivência do gato — se dá. Ao olharmos para o gato, matamo-lo ou salvamo-lo. As sociedades secretas sempre defenderam que o mundo quotidiano se comporta de forma semelhante.

No Universo das sociedades secretas, uma moeda lançada ao ar muitas vezes em estritas condições laboratoriais continuará a cair de cara para cima em 50% dos casos e de coroa para cima em 50% dos casos, segundo as leis da probabilidade. Contudo, estas leis manter-se-ão invariáveis apenas em condições laboratoriais. Por outras palavras, as leis da probabilidade só se aplicam quando delas a subjetividade humana foi deliberadamente excluída. No curso normal das coisas, quando a felicidade humana e as suas esperanças de autorrealização dependem do resultado do lançamento dos dados, as leis da probabilidade são vergadas. É então que leis mais profundas entram em jogo.

Por estes dias, estamos todos confortáveis com o facto de os nossos estados emocionais nos afetarem os corpos e, mais, com o facto de as emoções arraigadas poderem causar mudanças profundas a longo prazo, sejam para curar ou para magoar — efeitos psicossomáticos. Mas, no Universo que este livro descreve, os nossos estados emocionais afetam diretamente também a matéria que há fora dos nossos corpos. Neste Universo psicossomático, o comportamento dos objetos físicos no espaço é diretamente afetado por estados mentais sem que tenhamos de fazer nada quanto a isso. Podemos mover a matéria pela forma como olhamos para ela.

Em Crónicas — Volume I, as memórias do músico Bob Dylan, este escreve sobre o que tem de acontecer para que um indivíduo mude os tempos em que vive. Para o fazer, diz, «tem de ter poder e domínio sobre os espíritos. Eu fi-lo uma vez […]». Escreve que esses indivíduos são capazes de «[…] ver o coração das coisas, a verdade das coisas — e não metaforicamente —, mas ver realmente, como ver para dentro do metal e fazê-lo derreter, vê-lo pelo que é com palavras duras e uma visão feroz».

Repare que ele enfatiza que não está a falar metaforicamente. Fala direta e bastante literalmente de uma sabedoria poderosa e antiga, preservada nas sociedades secretas, uma sabedoria de que os grandes artistas, escritores e pensadores que forjaram a nossa cultura estão impregnados. No coração desta sabedoria está a crença de que as fontes mais profundas da nossa vida mental são também as fontes mais profundas do mundo físico, porque, no Universo das sociedades secretas, toda a química é psicoquímica, e as maneiras como o conteúdo físico do Universo responde à psique humana são descritas por leis mais profundas e mais poderosas do que as leis da ciência material.

É importante perceber que, com estas leis mais profundas, quer-se dizer mais do que os meros «golpes de sorte» que os jogadores vivem ou os acidentes que parecem acontecer em séries de três. Não. Com estas leis, as sociedades secretas querem dizer leis que se entretecem na teia e trama da vida de cada indivíduo ao nível mais íntimo, bem como os grandes e complexos padrões de ordem providencial que moldaram a História do mundo. A teoria deste livro é a de que os acontecimentos que normalmente explicamos do ponto de vista da política, da economia ou dos desastres naturais podem ser mais proveitosamente vistos a partir de outros padrões mais espirituais.

QUALQUER PENSAMENTO INVERTIDO

, do avesso, ao contrário, das sociedades secretas, tudo o que é bizarro e alucinante no que se segue, provém da crença de que a mente precedeu a matéria. Quase não temos provas para continuar quando decidimos aquilo que acreditamos que aconteceu no início dos tempos, mas a escolha que fazemos tem implicações enormes no nosso entendimento da forma como o mundo funciona.

Se acredita que a matéria veio antes da mente, tem de explicar de que forma é que uma junção fortuita de químicos cria a consciência, o que é difícil. Se, por outro lado, acredita que a matéria é precipitada por uma mente cósmica, tem aí um problema igualmente difícil de explicar ou relativamente ao qual possa fornecer um modelo funcional.

Dos sacerdotes dos templos egípcios às sociedades secretas de hoje, de Pitágoras a Rudolf Steiner, o grande iniciado austríaco de finais do século

XIX

e inícios do século

XX

, este modelo sempre foi concebido como uma série de pensamentos emanando da mente cósmica. Começando como mente pura, estas emanações de pensamento transformaram-se mais tarde numa espécie de protomatéria, energia que se tornou cada vez mais densa e que depois se transformou numa matéria tão etérea que era mais fina do que o gás, sem partículas de qualquer tipo. As emanações acabaram por transformar-se em gás, depois em líquido e finalmente em sólidos.

Kevin Warwick é professor de Cibernética na Universidade de Reading e um dos principais criadores de inteligência artificial do mundo. Trabalhando em amigável rivalidade com os seus contemporâneos do MIT, nos Estados Unidos, fez robôs capazes de interagir com o seu ambiente, de aprender e de ajustar o seu comportamento em conformidade. Estes robôs exibem um nível de inteligência que iguala o de animais inferiores como as abelhas. No espaço de cinco anos, diz ele, os robôs terão alcançado o nível de inteligência dos gatos e, dentro de dez anos, serão pelo menos tão inteligentes como os humanos. Está também no processo de criação de uma nova geração de computadores robóticos que espera venham a ser capazes de conceber e fabricar outros computadores, cada nível gerando o nível imediatamente inferior.

Segundo os cosmólogos do mundo antigo e as sociedades secretas, as emanações da mente cósmica deviam ser entendidas da mesma maneira, como trabalhando de cima para baixo numa hierarquia, dos princípios mais altos e poderosos e abrangentes aos mais estreitos e particulares, cada nível criando e dirigindo o que lhe é imediatamente inferior. Estas emanações também sempre foram vistas, de certo modo, como personificadas, como sendo, de certa forma, também inteligentes.

Quando vi Kevin Warwick apresentar as suas descobertas aos seus pares no Royal Institute, em 2001, ele foi criticado por alguns, por sugerir que os seus robôs eram inteligentes e, em consequência, conscientes. Mas o que é inegavelmente verdade é que os cérebros destes robôs crescem de uma forma como que orgânica. Formam algo muito semelhante a personalidades, interagem com outros robôs e fazem escolhas para lá de qualquer coisa que neles tenha sido programada. Kevin argumentou que, embora os seus robôs possam não ter uma consciência com todas as características da consciência humana, os cães também não a têm. Os cães são conscientes de uma forma canina; e os seus robôs, disse ele, são conscientes de uma forma robótica. É claro que, em alguns aspetos — como o da capacidade de fazer enormes cálculos matemáticos instantaneamente —, os robôs revelam uma consciência superior à nossa.

Podemos pensar na consciência das emanações da mente cósmica de modo semelhante. Também nos podemos lembrar dos mestres espirituais tibetanos de quem se diz serem capazes de formar um tipo de pensamento chamado tulpas através da concentração intensa e da visualização. Estes seres — podemos chamar-lhes Seres Pensados — atingem uma espécie de vida independente e partem para fazer a vontade do seu mestre. Do mesmo modo, Paracelso, mago suíço do século

XVI

, escreveu sobre aquilo a que chamava um «aquastor», um ser formado pelo poder da imaginação concentrada que pode obter uma vida própria — e, em circunstâncias especiais, tornar-se visível e até tangível.

No nível mais baixo da hierarquia, segundo a doutrina antiga e secreta de todas as culturas, estas emanações — estes Seres Pensados da mente cósmica — entrelaçam-se tão estreitamente que criam a impressão de matéria sólida.

Hoje, se quisesse encontrar uma linguagem que descrevesse este estranho fenómeno, talvez escolhesse olhar para a Mecânica Quântica, mas, nas sociedades secretas, o entrelaçar de forças invisíveis para criar a aparição do mundo material sempre foi concebido como uma rede de luz e cor, ou — para usar um termo alquímico — a Matriz.

CIENTISTA DE TOPO PERGUNTA: A VIDA É SÓ UM SONHO?

ESTA MANCHETE SAIU NO SUNDAY TIMES

em fevereiro de 2005. A história era esta: Sir Martin Rees, astrónomo real britânico, dizia: «Em poucas décadas, os computadores evoluíram da capacidade de simular apenas padrões muito simples à capacidade de criar mundos virtuais muito detalhados. Se essa tendência continuar, podemos imaginar computadores capazes de simular mundos talvez até tão complicados como aquele em que pensamos que vivemos. Isto levanta a questão filosófica: podemos nós mesmos estar numa dessas simulações e pode aquilo que pensamos que o Universo é ser uma espécie de abóbada celeste em vez da realidade? De certo modo, podemos ser nós as criações dentro dessa simulação.»

A história mais ampla era que importantes cientistas de todo o mundo estão a ficar cada vez mais fascinados com o extraordinário grau de ajustamento que foi necessário para que evoluíssemos. E isto fá-los questionar o que é verdadeiramente real.

Assim como estes desenvolvimentos recentes na ciência, os romances e os filmes deram alguns passos para nos acostumar à ideia de que o que normalmente consideramos a realidade pode ser uma «realidade virtual». Philip K. Dick, talvez o primeiro escritor a semear estas ideias na cultura pop, estava cheio de sabedoria iniciática relativamente a estados alterados e a dimensões paralelas. O seu romance Será que os Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? foi filmado como Blade Runner — Perigo Iminente. Outros filmes com este tema incluem Relatório Minoritário — também baseado num livro de Dick —, Desafio Total, The Truman Show — A Vida em Direto e O Despertar da Mente. Mas o maior de todos foi Matrix.

Em Matrix, vilões ameaçadores de óculos escuros policiam o mundo virtual a que chamamos realidade e assim nos controlam com propósitos funestos. Em parte, pelo menos, este é um reflexo preciso dos ensinamentos das escolas dos Mistérios e das sociedades secretas. Embora todos os seres que vivem por trás do véu da ilusão façam parte das hierarquias de emanações da mente de Deus, alguns deles exibem uma perturbadora ambivalência moral.

Estes são os mesmos seres que os povos do mundo antigo sentiam como seus deuses, espíritos e demónios.

O FACTO DE ALGUNS IMPORTANTES CIENTISTAS

começarem novamente a ver possibilidades nesta forma muito antiga de olhar para o Cosmos é um sinal encorajador. Embora a sensibilidade moderna tenha pouca paciência para a metafísica, para o que podem parecer abstrações altivas e obscuras empilhadas umas em cima das outras, a cosmologia do

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