Aproveite milhões de eBooks, audiolivros, revistas e muito mais

Apenas $11.99 por mês após o período de teste gratuito. Cancele quando quiser.

Núcleos de Acessibilidade: Expressão das Políticas Nacionais Para a Educação Superior

Núcleos de Acessibilidade: Expressão das Políticas Nacionais Para a Educação Superior

Ler a amostra

Núcleos de Acessibilidade: Expressão das Políticas Nacionais Para a Educação Superior

Duração:
357 páginas
4 horas
Lançados:
23 de set. de 2019
ISBN:
9788547315184
Formato:
Livro

Descrição

Esta obra das professoras Josenilde Pereira e Thelma Chahini, que descreve o estudo realizado acerca dos Núcleos de Acessibilidade nas Universidades e em particular da Universidade Federal do Maranhão, traz um grande elenco de dados, na ótica de diferentes atores envolvidos na construção de condições de acessibilidade, que ensejam oportunas reflexões em direção à progressiva inclusão no ensino superior. A leitura cuidadosa pode sugerir novas iniciativas para os Núcleos de Acessibilidade atuantes nas universidades.

Os depoimentos coletados junto a estudantes com deficiência apontam, apesar do empenho do Núcleo de Acessibilidade, para a presença constante de barreiras de diferentes naturezas. Na interpretação de relatos apresentados por esses estudantes e por diversos atores envolvidos nas atividades do Núcleo de Acessibilidade, pode ser destacada, com proveito, a questão das atitudes sociais de pessoas que compõem todo o cenário de inclusão no ensino superior.

A remoção de barreiras de toda natureza, e o consequente acolhimento e inclusão, depende, acima de tudo, de atitudes sociais de todas as pessoas. Tais atitudes não se referem apenas à inclusão ou pessoas com deficiências, mas à diversidade e ao respeito a ela. Se todos os cidadãos brasileiros são iguais perante a lei e têm assegurado o exercício de direitos por ela garantidos, naturalmente deveríamos esperar atitudes sociais genuinamente favoráveis e o consequente respeito a toda a diversidade de pessoas.

É preciso compreender que essa é a tarefa e responsabilidade de todas as pessoas; que toda a comunidade universitária é responsável pelo ingresso, permanência e conclusão de estudantes com diferentes necessidades em todos os cursos oferecidos.

A leitura deste livro, nessa ótica, pode levantar novos e proveitosos desafios.

Professor Dr. Sadao Omote - UNESP - Marília
Lançados:
23 de set. de 2019
ISBN:
9788547315184
Formato:
Livro


Relacionado a Núcleos de Acessibilidade

Livros relacionados

Amostra do livro

Núcleos de Acessibilidade - Josenilde Oliveira Pereira

COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO EDUCAÇÃO, TECNOLOGIAS E TRANSDISCIPLINARIDADE

PREFÁCIO

Nas duas últimas décadas, discutiu-se exaustivamente a inclusão escolar como um imperativo moral a ser cumprido urgentemente. Diferentes experiências vêm delineando os caminhos possíveis para tal realização, sobretudo na educação básica, em particular no ensino fundamental.

A atenção à inclusão no ensino superior começou a merecer atenção nos últimos anos. As iniciativas governamentais e a criação de Núcleos de Acessibilidade em várias universidades representam o esforço para assegurar o ingresso, a permanência e a conclusão de estudantes com deficiência no ensino superior. Certamente as pesquisas sobre essa temática crescerão progressivamente nos próximos anos. A presença de estudantes com deficiência na universidade traz novos desafios, tanto em vista da multiplicidade de áreas de formação a requererem ampla diversidade de competências a serem desenvolvidas, quanto pelos desafios que o exercício de cada profissão coloca para as pessoas com diferentes deficiências.

A presente obra das professoras Josenilde Pereira e Thelma Chahini, que descreve o estudo realizado acerca dos Núcleos de Acessibilidade nas Universidades e em particular da Universidade Federal do Maranhão, traz um grande elenco de dados, na ótica de diferentes atores envolvidos na construção de condições de acessibilidade, que ensejam oportunas reflexões em direção à progressiva inclusão no ensino superior. A leitura cuidadosa pode sugerir novas e alternativas iniciativas para os Núcleos de Acessibilidade atuantes nas universidades.

Os depoimentos coletados junto a estudantes com deficiência apontam, apesar do empenho do Núcleo de Acessibilidade, para a presença constante de barreiras de diferentes naturezas. Na interpretação de relatos apresentados por esses estudantes e por diversos atores envolvidos nas atividades do Núcleo de Acessibilidade, pode ser destacada, com proveito, a questão das atitudes sociais de pessoas que compõem todo o cenário de inclusão no ensino superior.

A remoção de barreiras de toda natureza, e o consequente acolhimento e inclusão, depende, acima de tudo, de atitudes sociais de todas as pessoas. Tais atitudes não se referem apenas à inclusão ou pessoas com deficiências, mas à diversidade e ao respeito a ela. Se todos os cidadãos brasileiros são iguais perante a lei e têm assegurado o exercício de direitos por ela garantidos, naturalmente deveríamos esperar atitudes sociais genuinamente favoráveis e o consequente respeito a toda a diversidade de pessoas.

Embora as pesquisas e intervenções deem foco às atitudes sociais, a questão é, na verdade, mais ampla. É preciso construir uma cultura inclusiva desvencilhando-nos de um viés histórica e solidamente construído de se dar destaque ao normal (no sentido estatístico) e ao médio. Se todos os cidadãos podem exercer direitos essenciais assegurados em lei, a contabilidade custo-benefício deve ser banida, ou ter radicalmente reformulados seu conceito e prática. Se essa condição for efetivamente respeitada, não haveria necessidade de se falar em inclusão ou em acessibilidade. Todo e qualquer ambiente, do físico-arquitetônico ao sociocultural, seria naturalmente acessível a toda e qualquer pessoa, independentemente de suas características e necessidades.

Uma sociedade com tal diretriz é uma utopia. Mas a utopia é necessária para dar norte a nossas ações. Nessa caminhada, os professores, da educação infantil ao ensino superior, têm um papel de extrema relevância. São, acima de tudo, educadores, formadores de novas gerações, com mentalidade apropriada para novos tempos e para a construção de um mundo melhor para todas as pessoas. Nesse sentido, investir na capacitação de professores é necessário. No entanto, na perspectiva sugerida pelos depoimentos registrados e pelas discussões realizadas pelas autoras, essa capacitação não pode limitar-se a construir nos professores conhecimentos sólidos dos fundamentos da Educação – legais, filosóficos, epistemológicos, sociológicos etc. – ou competências para fazerem uso de procedimentos e recursos didático-pedagógicos, do mais corriqueiro às mais altas tecnologias.

A formação de um cidadão depende, em larga extensão, de grandes modelos a inspirarem as crianças e os jovens. Portanto, os sentimentos, crenças e comportamentos dos professores podem fazer parte de ingredientes fundamentais da boa e produtiva docência. As características pessoais dos professores constituem-se em importantes variáveis na aprendizagem e formação dos estudantes. Portanto, a formação docente, tanto a inicial quanto a continuada, precisa equilibrar adequadamente a gestão dessas características pessoais, levando os professores a conhecerem as suas próprias atitudes sociais, crenças, sentimentos, expectativas etc. para fazerem uso adequado dessas variáveis, em vez de serem por elas conduzidos em sua relação com cada um de seus alunos.

É desnecessário dizer que todo o ambiente – do físico-arquitetônico ao sociocultural – do campus universitário precisa ser acessível e acolhedor, e não apenas o Núcleo de Acessibilidade. Todas as partes desse ambiente precisam estar integradas no propósito de construir oportunidades acessíveis a todos os estudantes, com ou sem deficiência. Não é mais concebível que algum professor sequer tenha conhecimento da existência de algum aluno com deficiência na classe, como a própria pesquisa da professora Thelma Chahini (2010) havia evidenciado.

É preciso compreender que essa é a tarefa e responsabilidade de todas as pessoas; que toda a comunidade universitária é responsável pelo ingresso, permanência e conclusão de estudantes com diferentes necessidades em todos os cursos oferecidos.

A leitura deste livro, nessa ótica, pode levantar novos e proveitosos desafios.

Sadao Omote

Professor titular aposentado do Departamento de Educação Especial

Professor orientador do Programa de Pós-Graduação em Educação

Faculdade de Filosofia e Ciências

Universidade Estadual Paulista, campus de Marília

APRESENTAÇÃO

Ao apresentarmos o Livro NÚCLEOS DE ACESSIBILIDADE: expressão das políticas nacionais para educação superior, informamos que este, também, congrega nossas experiências profissionais na área da docência e no atendimento educacional especializado com o público alvo da Educação Especial.

Assim, o estudo da realidade de pessoas com deficiência em processo de inclusão na educação superior é parte de nossas inquietações não somente como pesquisadoras, mas também como cidadãs que estão inseridas, cotidianamente, dentro desses espaços marcados por contradições e que nos coloca o desafio de, a partir de uma dimensão teórico-metodológica e ético-política, fazer uma leitura crítica do movimento da realidade social, considerando princípios éticos que respeitam as particularidades humanas, e propositivamente enfatizar possibilidades de amadurecimento do processo de inclusão desses alunos na universidade.

As condições que particularizam os núcleos de acessibilidade nos instigaram a debruçar sobre esse espaço, sobretudo pela proposta ousada e inovadora de fomentar e mediar a inclusão de pessoas com deficiência na educação superior, tendo em vista que este exerce pioneirismo no planejamento, execução e monitoramento das políticas institucionais de acessibilidade e inclusão no âmbito das universidades federais.

Não seria exagero afirmar, ainda, que o núcleo de acessibilidade representa uma das principais expressões da política de inclusão de discentes com deficiência na educação superior na contemporaneidade, pois materializa os pressupostos presentes nas normativas legais que subsidiam a educação inclusiva nesse nível de ensino.

Desse modo, na perspectiva de compreender o movimento histórico que culminou na criação desse espaço, fez-se um estudo necessário e indispensável do Programa Incluir: acessibilidade na educação superior do governo federal, que instituído em 2005, trazia em seu bojo a proposta de promover a criação, reestruturação e consolidação dos núcleos de acessibilidade nas universidades federais, as ações ou políticas institucionais deveriam assegurar a eliminação de barreiras físicas, arquitetônicas, pedagógicas, atitudinal e de comunicação e informação na perspectiva de garantir a inclusão plena.

Considerando a magnitude dessas ações - já que implica mudanças de contextos histórico-culturais e interfere sobremaneira nas subjetividades humanas - e a adesão da UFMA ao sistema de cotas para pessoas com deficiência antes mesmo da implantação do núcleo de acessibilidade em 2009 e da aprovação da lei n.º 13.409/2016 que assegura cota específica para pessoas com deficiência em todas as universidades federais, essa obra marca sua relevância social, uma vez que se propõe olhar para um projeto que é relativamente novo no âmbito da educação superior e avalia aspectos diferenciadores na concretização da política de inclusão após a implantação dos núcleos de acessibilidade.

A importância desta obra também se materializa ao permitir que não apenas os professores, gestores e técnicos apresentam a sua compreensão sobre a inclusão, mas os próprios estudantes com deficiência declarem sua realidade, proclamem seus direitos e anunciem o que efetivamente atende as suas demandas, numa forma de evidenciar participação e protagonismo social.

Assim, o que deve ser mantido, alterado e transformado no âmbito da inclusão de pessoas com deficiência na educação superior é conclamado pelos que vivenciam cotidianamente os dilemas, os desafios e os avanços da proposta inclusiva.

O núcleo de acessibilidade é bem mais que um espaço físico, restrito a uma dimensão operativa, mas traz em sua essência as marcas das decisões políticas, educacionais, ideológicas e metodológicas das políticas nacionais para inclusão, construídas coletivamente.

Em vista disso é que consideramos o núcleo de acessibilidade como a mais relevante expressão das políticas nacionais de inclusão de pessoas com deficiência na educação superior do século XXI e convidamos você a desvendar as particularidades do processo de inclusão, tornando-se multiplicador dessa instigante e desafiadora política, numa forma de fortalecer a inclusão das pessoas com deficiência nos contextos educacional e social.

As autoras

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

SUMÁRIO

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

1

QUESTÃO SOCIAL E POLÍTICAS SOCIAIS NO MOVIMENTO DA SOCIEDADE CAPITALISTA E ESPECIFICIDADES DA POLÍTICA EDUCACIONAL BRASILEIRA

1.1 A EDUCAÇÃO SUPERIOR BRASILEIRA NO CONTEXTO DAS POLÍTICAS DE EXPANSÃO DO GOVERNO LULA (2003-2010) 

2

O PROCESSO DE INCLUSÃO DE DISCENTES COM DEFICIÊNCIA NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: percursos, desafios e contradições

2.1 POLÍTICAS INSTITUCIONAIS DE ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO SUPERIOR: a relevância do Programa Incluir

2.2 NÚCLEO DE ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO DE ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA NA UFMA: limites, possibilidades e desafios

3

NÚCLEO DE ACESSIBILIDADE NA UFMA SOB DIFERENTES OLHARES E NOVAS PERSPECTIVAS

3.1 ALUNOS COM DEFICIÊNCIA 

3.1.1 Atitudes sociais 

3.1.2 Aspectos físicos e arquitetônicos 

3.1.3 Biblioteca Central da Ufma 

3.1.4 Núcleo de Acessibilidade 

3.2 PROFESSORES 

3.3 TÉCNICOS DO NÚCLEO DE ACESSIBILIDADE 

3.4 COORDENADORA DO NÚCLEO DE ACESSIBILIDADE 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Nestas páginas, são analisadas as particularidades que envolvem o processo de inclusão da pessoa com deficiência na educação superior, tendo como parâmetro as políticas institucionais de acessibilidade da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), as quais têm no Núcleo de Acessibilidade uma de suas principais expressões.

Os Núcleos de Acessibilidade foram implantados após a submissão, por parte das instituições federais de ensino superior (Ifes), de projetos de acessibilidade em consonância com os editais publicados pelo governo federal, por meio do Programa Incluir: Acessibilidade na Educação Superior, de 2005. É necessário destacar que, inicialmente, o Incluir é executado por meio de parceria entre a Secretaria de Educação Superior (Sesu), Secretaria de Educação Especial (Seesp) e as Ifes. Com extinção da Seesp, o programa passa a ser conduzido pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi).

No período de 2005 a 2011, o Incluir concretizou-se, conforme o seu Documento Orientador¹, por meio de chamadas públicas, momento em que as Ifes deveriam responder aos editais do Ministério da Educação (MEC) com projetos de criação e consolidação dos Núcleos de Acessibilidade, identificando, para tanto, barreiras físicas e arquitetônicas, pedagógicas, comunicacionais e atitudinais, bem como estabelecendo estratégias de enfrentamento. A partir de 2012 o Programa Incluir elimina os editais e passa a atender a todas as Ifes.

O Incluir tem por objetivo promover a criação, reestruturação e consolidação dos Núcleos de Acessibilidade nas universidades federais, as quais devem estruturar ações ou políticas institucionais que assegurem a eliminação de barreiras físicas, arquitetônicas, pedagógicas, atitudinais e de comunicação e informação na perspectiva de garantir a inclusão de pessoas com deficiência no âmbito universitário.

Supõe-se que o processo de inclusão no ambiente educacional superior, além de implicar transformação nos ambientes físicos, nos procedimentos técnicos e pedagógicos, requer uma mudança na mentalidade das pessoas, o que reflete as questões de ordem cultural, portanto, mediatizadas por diversos processos histórico-sociais.

A proposta de uma educação para todos deve transcender o espaço escolar, conforme Inajara Siqueira e Carla Santana, pois o fenômeno da discriminação no ambiente escolar/universitário não é uma particularidade desse contexto, logo envolve e expressa a sociedade como um todo.² E assim pontuam que o fenômeno da inclusão e exclusão constitui facetas de uma mesma realidade, já que para ambas discutir inclusão significa admitir a inerente lógica excludente presente nos modos de organização e produção social, que se pretende modificar ou transformar.

Nesse sentido, é de fundamental importância compreender, a partir das contribuições da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, o entendimento do que seja essa educação inclusiva, pois para a política ela representa um paradigma educacional que se sustenta na concepção de direitos humanos e congrega igualdade e diferença como valores inseparáveis, avança ainda na concepção de equidade formal quando contextualiza os condicionantes históricos da produção da exclusão tanto dentro quanto fora da escola/universidade.³

Trata-se de um paradigma que objetiva atender plenamente à diversidade dos alunos dentro dos espaços comuns das salas de aula da escola/universidade. Para Sadao Omote e Cristiane Fonseca-Janes, a educação inclusiva consiste num processo dinâmico, sem término e que envolve uma reestruturação educacional tanto organizacional quanto pedagógica.

Assim, a educação inclusiva implica uma reforma radical no sistema educacional, uma vez que necessita reestruturar os seus sistemas curriculares, avaliativos e didático-pedagógicos⁵. Ressaltam que para a prática da educação inclusiva os recursos da educação especial se constituem em elementos indispensáveis, e, vista de forma isolada, corre-se o risco de desenvolver práticas segregativas. Desse modo, pontuam que a educação especial faz parte integrante e solidária para a efetivação da educação inclusiva.

Contudo, diante do processo de construção da educação brasileira, orientada pela meritocracia, pelo elitismo, pela estigmatização e exclusão daqueles que não se encaixavam no padrão socialmente valorizado, pode-se considerar este um dos grandes desafios da educação na contemporaneidade, a qual não se restringe ao espaço universitário, mas envolve desde a educação infantil.

Quanto a esse aspecto, apresentam-se as contribuições de Emerson Duarte e outros autores, que discorrem sobre a inclusão de pessoas com deficiência na educação representa um desafio desde a educação infantil até o ensino superior. Esta última etapa é considerada ainda mais complexa, pois poucos pesquisadores têm se debruçado sobre a temática, já que os estudos se concentram mais sobre a educação básica.

Há, segundo Emerson Duarte e outros pesquisadores, uma carência de reflexões, estudos, estatísticas, o que dificulta a formulação de políticas públicas que contemplem ações que consolidem e avancem para uma educação inclusiva também no ensino superior. Enfatizam que os dados são importantes e necessários para o desenvolvimento de estratégias e ações em políticas públicas educacionais.

Convém alertar que a escassez de dados também pode representar um importante indicador ou sinalizador da inexistência ou fragilidade no tocante a experiências concretas de inclusão educacional no ensino superior do país.

Considerando esse cenário bastante desafiador, porém não menos instigante, este livro aborda questões relevantes acerca da realidade da inclusão de pessoas com deficiência na educação superior no Brasil e destacadamente na Universidade Federal do Maranhão a partir do Núcleo de Acessibilidade, que trouxe para a referida instituição o cariz de universidade inclusiva não por simples ações pontuais e fragmentadas, restrita, muitas vezes, ao ingresso dos alunos com deficiência, mas trouxe a responsabilidade de assegurar a permanência desses estudantes por meio de serviços técnicos e profissionais especializados, conforme estabelece a Resolução n.º 121 do Conselho Universitário (Consun), de 17 de dezembro de 2009, que cria o Núcleo de Acessibilidade na Ufma.

Nesse ambiente, por meio do trabalho do núcleo, há maior disseminação sobre a importância das adequações metodológicas, dos currículos acessíveis, das ações de inclusão objetivando a aquisição de produtos e tecnologia assistiva, de atitudes sociais positivas e das políticas de inclusão, aspectos que serão devidamente considerados neste trabalho sobre o processo de inclusão dos estudantes com deficiência na Ufma no contexto dos serviços de apoio do Núcleo de Acessibilidade, enquanto parte de uma política institucional.

Assim, analisam-se, no período de 2010 a 2015, os avanços, os principais entraves e os desafios para a concretização da inclusão na Ufma, considerando a existência ou não de uma política institucional de acessibilidade para os alunos com deficiência, de maneira a evitar intervenções paliativas, que contribuem para o engendramento de problemas de natureza administrativa, acadêmica e social.

Destarte, esta obra tem por objetivo geral investigar o processo de inclusão de discentes com deficiência na Ufma em relação ao contexto dos serviços de apoio do Núcleo de Acessibilidade, enquanto parte de uma política institucional de inclusão educacional e social.

Os objetivos específicos são: avaliar as ações institucionais de acessibilidade arquitetônica, de comunicação e informação e atitudinal que a Ufma vem desenvolvendo para assegurar o acesso e a permanência da pessoa com deficiência na universidade; caracterizar as principais potencialidades e dificuldades para a efetiva inclusão dos alunos com deficiência na Ufma; analisar a concepção dos professores, técnicos administrativos do Núcleo de Acessibilidade e os discentes com deficiência sobre a inclusão.

Convém enfatizar que nosso interesse pela temática deriva de inquietações em relação à carência tanto no acesso quanto nas condições educacionais para a participação das pessoas com deficiência no contexto universitário, inquietações que se intensificaram a partir de estudos preliminares sobre os Núcleos de Acessibilidade das universidades federais, espaços esses que se constituem em mediadores do processo de inclusão de pessoas com deficiência na educação superior.

As condições objetivas apresentadas pela universidade nem sempre têm sido satisfatórias, o que gera mobilizações tanto dos discentes com deficiência quanto dos profissionais que trabalham com acessibilidade na educação superior no sentido de pensar e elaborar estratégias de enfrentamento das demandas por inclusão social e educacional.

Enfim, a atuação no Núcleo de Acessibilidade produz muitas indagações e, sobretudo, o interesse em

Você chegou ao final dessa amostra. para ler mais!
Página 1 de 1

Análises

O que as pessoas acham de Núcleos de Acessibilidade

0
0 notas / 0 Análises
O que você achou?
Nota: 0 de 5 estrelas

Avaliações do leitor