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Igrejas Ortodoxas em São Paulo

Igrejas Ortodoxas em São Paulo

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Igrejas Ortodoxas em São Paulo

Duração:
237 páginas
2 horas
Editora:
Lançados:
25 de jun. de 2019
ISBN:
9788593955495
Formato:
Livro

Descrição

Esta obra busca apontar a diversidade do cristianismo oriental paulistano, debruçando-se sobre as Igrejas Orientais. Essas instituições estão associadas a comunidades imigrantes que vieram para São Paulo desde o final do século XIX até a segunda metade do século XX. Entre os grupos cristãos orientais emigrados para a cidade estão árabes, armênios, gregos, russos e ucranianos. Essas comunidades estão divididas em doze Igrejas localizadas em diversos pontos da região metropolitana. A pesquisa apoia-se em depoimentos coletados entre os membros do clero de cada uma dessas Igrejas, alguns fiéis cristãos orientais da cidade e bibliografia acerca da experiência histórica dessas instituições em outras partes do mundo. Longe de ser algo cristalizado, apresentando Ritos e peculiaridades do antigo cristianismo, as Igrejas Orientais na cidade de São Paulo estão inseridas no dia a dia da metrópole. Essas Igrejas pretendem mediar seu passado, associado com a manutenção da fé e cultura das comunidades imigrantes, e a vivência de sua situação paulistana atual. Uma situação em que a primeira geração de imigrantes diminui devido ao envelhecimento e aos fluxos imigratórios que não se renovam. As Igrejas Orientais, de acordo com os depoimentos de clérigos e fiéis, vivem um momento reflexivo de sua trajetória na metrópole. No entanto, o trabalho não deve julgar qual Igreja preserva melhor o passado, mas compreender que elas fazem parte do cotidiano da cidade. São Igrejas Orientais paulistanas, portanto, sua situação perpassa apropriações que melhor respondem à sua experiência em São Paulo.
Editora:
Lançados:
25 de jun. de 2019
ISBN:
9788593955495
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

Igrejas Ortodoxas em São Paulo - Felipe Beltran Katz

Felipe Beltran Katz

Igrejas Ortodoxas em São Paulo

São Paulo

e-Manuscrito

2019

PREFÁCIO

Discutindo o Iconostasis paulistano: 

contributos para os estudos dos deslocamentos, patrimônios e tradições

A relação entre Ocidente e o Oriente é uma relação de poder, de dominação, de graus variáveis de uma hegemonia complexa [...] o Oriental é descrito como algo que se julga (como um tribunal), algo que se estuda e descreve (como num currículo), algo que se disciplina (como numa escola ou prisão), algo que se ilustra (como num manual de zoologia). O ponto é que em cada um desses casos o oriental é contido e representado por estruturas dominadoras.

                                                                 Edward Said

Inspirado pelos questionamentos de Said e movido pelo desejo muito próprio dos historiadores de interrogar o passado, Felipe Katz compôs seu livro Igrejas Ortodoxas em São Paulo, no qual enfrenta o desafio de uma análise histórica envolvendo as questões complexas dos deslocamentos, das tradições e das religiosidades. Visitando o passado e rastreando polêmicas em torno do tema, a obra recupera, de forma crítica e inovadora, tensões do passado que se encontram perpetuadas na contemporaneidade. O autor se propõe a questionar interpretações e preencher vazios na produção historiográfica sobre a e/imigração, priorizando grupos pouco estudados – armênios, gregos, ucranianos, russos – e observando temáticas como religiosidades, culturas e tradições. 

Fundamentada na dissertação de mestrado em História defendida na PUC/SP, a obra traz imensas contribuições, recupera questões, revê interpretações e desvela silêncios e ocultamentos, preenchendo lacunas e abrindo novas perspectivas analíticas. A pesquisa cautelosa identifica doze Igrejas Orientais na cidade de São Paulo (Igrejas Ortodoxas Calcedonianas, Igrejas Ortodoxas não Calcedonianas e Igrejas Católicas Orientais) e analisa as mediações dessas instituições entre as sociedades de origem e de acolhimento, revelando suas ações para manter as tradições e a unidade dos grupos.

O autor se coloca a tatear caminhos pouco explorados, estabelecendo um diálogo profícuo entre um precioso conjunto documental (recuperado através da História Oral) e uma ampla bibliografia, o que possibilita compor uma interpretação inovadora e plena de significados, tendo como fio condutor as discussões sobre a religiosidade e as culturas armênia, grega, ucraniana e russa. 

Igrejas Ortodoxas em São Paulo revela um investigador incansável que, apesar das dificuldades enfrentadas no decorrer da pesquisa, superou bravamente todos os obstáculos na busca de indícios, sinais e vestígios de outros tempos, conseguindo questionar o corpo documental, dando visibilidade a segredos encobertos, clareando trajetórias, práticas e representações, desvelando o passado. 

Na obra desponta um exímio conhecedor do ofício de historiador que traz contribuições significativas para desnaturalizar interpretações. Observando atenta e criticamente as questões dos deslocamentos, encara o desafio da contestação e confronta os silêncios impostos pelas lacunas historiográficas. Em convergência com tendências recentes, resgata o papel histórico e dá visibilidade a experiências históricas de armênios, gregos, ucranianos e russos. 

Estes escritos recobram as tensões históricas que compuseram a trajetória dos deslocamentos desses grupos para São Paulo. Baseando-se nos depoimentos dos membros do clero, examina o processo de estabelecimento das comunidades na sociedade de acolhimento, seus projetos e dificuldades, incluindo a organização das Igrejas. Observa também as ações do clero, o posicionamento político, o empenho na transmissão de valores, memórias e manutenção da união comunitária. 

Ao apontar as múltiplas mediações estabelecidas no Iconostasis paulistano, a obra contribui para o diálogo sobre a diversidade cultural. Fazendo o exercício comparativo entre as várias comunidades e/imigrantes, dá voz aos fiéis, suas experiências de fé e sua inserção na comunidade através da religião.

A história aqui produzida desvela segredos encobertos por evidências inexploradas e, habilmente, ilumina o passado, ampliando sentidos interpretativos. Desse modo, através de uma narrativa fluida, o autor reconstrói experiências, remonta cenários, recompõe práticas e resistências, cuidadosamente descobre o inesperado, não no sentido de apontar o excepcional, mas trazendo à tona o que até então estava submerso e silenciado.

Entre outras virtudes, o texto proporciona uma leitura envolvente, fundamentada na extensa investigação e na erudição do autor, que usa toda a sua sensibilidade de pesquisador e narrador. Recomendo ao leitor deixar-se levar nesta viagem pelo tempo, tendo o escritor como guia ao visitar o passado, descobrir segredos e revelar sonhos que envolveram agruras e devoções de e/imigrantes armênios, gregos, ucranianos e russos. 

Boa leitura!

Maria Izilda S. Matos

SP, 28.11.2017

AGRADECIMENTOS

Gostaria de externar minha gratidão a todos que, por ações ou palavras, colaboraram em todo o processo do trabalho. Agradecer a todos não é tarefa fácil, pois devo a muitos. Mas não posso deixar de mencionar alguns agradecimentos especiais.

Agradeço à professora Maria Izilda Santos de Matos, pela orientação durante o processo de elaboração da dissertação de mestrado que ora se transforma em livro e pelas palavras de encorajamento e incentivo.

Agradeço aos professores Fernando Torres Londoño e Yvone Dias Avelino, membros da banca do Exame de Qualificação, pela ajuda durante toda a trajetória da pesquisa e as sugestões e críticas para o aprimoramento do trabalho.

Agradeço aos professores Antônio Rago Filho e Maria Antonieta Antonacci da PUC-SP e à professora Lená Madeiros de Menezes da UERJ, pela colaboração na elaboração e nas primeiras etapas do trabalho.

Agradeço a todos os membros do Curso de Filosofia da PUC-SP, colegas e professores, pela colaboração, compreensão e auxílio intelectual durante todo o processo da pesquisa. 

Agradeço a todos os membros do Programa de Pós-graduação em História da PUC-SP, coordenadores, professores e colegas, pela conivência e troca de experiências.

Agradeço a todos os entrevistados, que cederam um pouco de seu tempo e experiências de vida e colaboraram no trabalho, de maneira definitiva, para a melhor compreensão da situação das Igrejas Orientais na cidade.

Agradeço a todos os amigos, em especial a Nelson Mendes, pela transcrição das entrevistas, a Gabriel Beçak, pela colaboração com as fotografias, a Fábio de Moraes, por diversas colaborações, e a Heitor Loureiro, colega de mestrado que colaborou em várias etapas da pesquisa devido à proximidade de nossos temas.

Finalmente, agradeço a meus familiares, especialmente minha mãe, meu avô, minha avó e meu pai, pela colaboração e incentivo durante a pesquisa.

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO

CAPÍTULO I – ICONOSTASIS PAULISTANO: ESTABELECIMENTO E FORMAÇÃO DAS IGREJAS ORIENTAIS

1.1 MAPA DO CRISTIANISMO ORIENTAL

1.2 LADO ORIENTAL DO CRISTIANISMO: IGREJAS ORTODOXAS

1.3 ORGANIZAÇÃO ECLESIÁSTICA DAS IGREJAS ORTODOXAS

1.4 FORMANDO UMA κοινóτητα PAULISTANA

CAPÍTULO II – DISCURSO, FÉ, MEDIAÇÃO E FORMAÇÃO DE IDENTIDADE NA METRÓPOLE PAULISTANA:CLERO ORIENTAL

2.1 MIMESE: MANUTENÇÃO E FORMAÇÃO DE IDENTIDADES

2.1.1 Ritos e Diáspora

2.1.2 Relação entre Irmãs

2.2 IMPERATIVO DA CONTINGÊNCIA: FUTURO DO ICONOSTASIS

2.2.1 Apontamentos de Problemáticas

2.2.2 Projetos e Perspectivas

CAPÍTULO III – MEDIANDO TRADIÇÕES NA METRÓPOLE PAULISTANA: IGREJAS CATÓLICAS ORIENTAIS

3.1 OS OUTROS CATÓLICOS

3.2 ROSÁRIO E ICONOSTASIS: ORTODOXOS E CATÓLICOS ORIENTAIS

3.3 ENTRE O UNIVERSAL E O PARTICULAR: IGREJA CATÓLICA LATINA E CATÓLICOS ORIENTAIS

CAPÍTULO IV – PARA ALÉM DOS BELOS PORTÕES: APONTAMENTOS DOS FIÉIS CRISTÃOS

4.1 ESCOLHAS

4.2 MÚLTIPLAS PERSPECTIVAS

4.3 PENSANDO O FUTURO DO ICONOSTASIS: APONTAMENTOS

CONSIDERAÇÕES FINAIS

FONTES E BIBLIOGRAFIA

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Iconostasis da Catedral Ortodoxa de Antioquia de São Paulo

Figura 2 - Igreja do Patriarcado Ortodoxo de Antioquia no bairro do Paraíso

Figura 3 - Mapa da cidade com localização das Igrejas Ortodoxas

Figura 4 - Igreja Ortodoxa Sirian de Santa Maria na rua Padre Mussa Tuma

Figura 5 - Igreja Ortodoxa Ucraniana de São Valdomiro em São Caetano do Sul

Figura 6 - Igreja Apostólica Armênia na Avenida Tiradentes

Figura 7 - Igreja Ortodoxa Grega no bairro do Brás

Figura 8 - Igreja Ortodoxa Copta no bairro do Jabaquara

Figura 9 - Igreja Católica Melquita na Avenida Paulista.

Figura 10 - Igreja Ortodoxa Russa no Exílio na Rua Tamandaré

Figura 11 - Igreja Católica Maronita na Rua Tamandaré

Figura 12 - Igreja Católica Russa ao lado do Museu Paulista

Figura 13 - Igreja Católica Armênia de São Gregório na Avenida Tiradentes

Figura 14 - Igreja Católica Ucraniana na Vila Prudente

LISTA DE ABREVIAÇÕES

AC - Membro do clero da Igreja Católica Armênia

AO - Membro do clero da Igreja Apostólica Armênia

CO - Membro do clero da Igreja Ortodoxa Copta

GO - Membro do clero da Igreja Ortodoxa Grega

MK - Membro do clero da Igreja Católica Melquita

MN - Membro do clero da Igreja Católica Maronita

PO - Membro do clero da Igreja do Patriarcado Ortodoxo de Antioquia

RC - Membro do clero da Igreja Católica Russa

RO - Membro do clero da Igreja Ortodoxa Russa no Exílio

SO - Membro do clero da Igreja Ortodoxa Sirian

UC - Membro do clero da Igreja Católica Ucraniana

UO - Membro do clero da Igreja Ortodoxa Ucraniana

F-AO - Fiel da Igreja Apostólica Armênia

F-MK - Fiel da Igreja Católica Melquita

F-SO - Fiel da Igreja Ortodoxa Sirian

F-UC1 e F-UC2 - Fiéis da Igreja Católica Ucraniana

É claro, então, que a prudência (sabedoria prática) é uma forma de virtude, e não uma técnica. Havendo, portanto, duas partes da alma dotadas de razão, a prudência deve ser uma forma de virtude de uma das duas, ou seja, da parte que forma opiniões, pois a opinião se relaciona com o que é variável, da mesma forma que a prudência.

Aristóteles

APRESENTAÇÃO

Dentro da grande maioria das Igrejas Orientais há uma estrutura muito familiar a essas instituições religiosas: o Iconostasis. O Iconostasis é uma parede onde estão dispostos diversos ícones de vários Santos, da Mãe de Deus e do próprio Jesus Cristo. A localização do Iconostasis é muito importante na construção de uma Igreja Oriental. Ele se situa entre o altar e a nave, marcando distintamente esses espaços.

O lado voltado para a nave é onde estão dispostos os ícones; o lado contrário, o das costas do Iconostasis, está voltado para o altar. A circulação entre um lado e outro do Iconostasis se dá por uma passagem: os Belos Portões. A Divina Liturgia, nome dado à celebração religiosa Oriental (equivalente à Missa na tradição Católica Romana), depende muito do Iconostasis. Todas as orações e as leituras do texto sagrado acontecem no altar; no momento da pregação e da comunhão dos féis, o membro do clero atravessa os Belos Porões e dirige-se à nave. A todo momento os fiéis estão voltados para o Iconostasis, onde estão dispostos os ícones.

Essa relação do Iconostasis com a Divina Liturgia e sua posição na Igreja Oriental sugerem certas reflexões. O Iconostasis seria a representação da divisão entre dois mundos que se encontram na Igreja: um mundo transcendental, universal e necessário, e um mundo humano, contingente e circunstancial. O lado do altar seria o mundo transcendental, e o lado da nave, o humano.

Esse lado do altar é o espaço da oração, da relação com o divino, com o imutável, pois está localizado atrás dos ícones dispostos, de frente para os fiéis. É lá o local da verdade, somente acessível aos membros do clero. Somente quem conhece a oração por completo pode penetrar nesse espaço. Esse é o local onde se situa o texto sagrado, a palavra verdadeira, a opinião verdadeira, a ortodoxia, único lugar onde ele pode ser lido de forma plena.

Do outro lado do Iconostasis está a nave. Lá estão os fiéis, os homens. É o lugar da contingência, do mutável, do livre arbítrio. Nesse espaço os homens recebem a mensagem de Deus por intermédio da oração vinda do outro lado do Iconostasis. Ali ocorre a pregação, quando o membro do clero passa pelos Belos Portões e vem aos fiéis tratar de assuntos terrenos, com a ajuda do texto sagrado. Nesse local também ocorre a comunhão, quando os fiéis recebem o corpo de Cristo, e o homem torna-se um pouco divino.

Figura 1 - Iconostasis da Catedral Ortodoxa de Antioquia de São Paulo.¹

As Igrejas Orientais também possuem outra particularidade: elas estão sempre associadas às comunidades em que se desenvolveram. Portanto, qualquer Igreja Oriental vem acompanhada de um adjetivo cultural, seja Armênio, Maronita, Ucraniana ou Russa. Assim, o divino e o humano se misturam.

No lado transcendental do Iconostasis a oração é feita na língua da Igreja, os textos sagrados estão na língua da Igreja, pois é necessário e divino. No entanto, quando o membro do clero passa pelos Belos Portões e está fora da região de origem da Igreja, a língua é a profana e contingente,

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