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A Vida dos 12 Césares

A Vida dos 12 Césares

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A Vida dos 12 Césares

Duração:
435 páginas
6 horas
Lançados:
26 de nov. de 2019
ISBN:
9788583864219
Formato:
Livro

Descrição

Escrito pelo grande historiador romano, Suetônio, no ano 121, A Vida dos Doze Césares é um importantíssimo documento histórico e uma das principais fontes de conhecimento sobre a história romana. Nesta obra magnífica, que cobre o período histórico, que vai da ascensão à queda do Império Romano, conhecemos  a intimidade da vida de cada um dos doze césares: seus ancestrais, suas campanhas militares, os eventos que os levaram ao poder e à morte, além do caráter e personalidade de cada um deles.
Para além dos fatos históricos, Suetônio conseguiu retratar o caráter humano dos 12 césares, num ambiente no qual se destacava o poder sem limites, a violência e a devassidão e luxúria dos imperadores na antiga Roma. Trata-se de uma obra excepcional que merece ser lida.
   
   
Lançados:
26 de nov. de 2019
ISBN:
9788583864219
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

A Vida dos 12 Césares - Suetônio

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Caio Suetônio

A VIDA DOS 12 CÉSARES

1a edição

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Isbn: 978-85-8386-421-9

LeBooks.com.br

A LeBooks Editora publica obras clássicas que estejam em domínio público. Não obstante, todos os esforços são feitos para creditar devidamente eventuais detentores de direitos morais sobre tais obras.  Eventuais omissões de crédito e copyright não são intencionais e serão devidamente solucionadas, bastando que seus titulares entrem em contato conosco.

Prefácio

Prezado Leitor

A obra A Vida dos Doze Césares, tradução do latim De vitis Caesarum, é o conjunto de doze biografias que inclui a de Júlio César e os onze primeiros imperadores do Império Romano: Augusto, Tibério, Calígula, Cláudio, Nero, Galba, Otão, Vitélio, Vespasiano, Tito e Domiciano.

Escrito no ano 121, durante o reinado do imperador Adriano, é o trabalho mais notório do historiador Suetônio, na época secretário pessoal de Adriano. A obra foi dedicada a seu amigo, o prefeito do pretório, Gaio Septício Claro.  A Vida dos Doze Césares é um importantíssimo documento histórico, reconhecido como uma das principais fontes de conhecimento sobre a história romana.

Nesta obra magnífica, ao mesmo tempo que examinamos o período histórico, que vai da ascensão à queda do Império Romano, conhecemos também, a intimidade da vida de cada um dos doze césares: seus ancestrais, suas campanhas militares, os sinais tidos como prenúncios de seus nascimentos e os eventos que os levaram à morte, além do caráter e personalidade de cada um deles.

Para além dos fatos históricos, Suetônio conseguiu retratar o caráter humano dos 12 césares, num ambiente no qual se destacava o poder sem limites, a violência e a devassidão e luxúria dos imperadores na antiga Roma.

Uma excelente e proveitosa leitura

LeBooks Editora

Se a cultura latina tivesse produzido uma Bíblia, é certo que A Vida dos Doze Césares constituiria um de seus livros mais importantes e, historicamente falando, talvez o mais importante.

Carlos Heitor Cony. Academia Brasileira de Letras

Sobre o autor

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CAIO SUETÔNIO TRANQUILO nasceu em Roma, presumivelmente no ano 69 da nossa era, e morreu pelo ano de 141. Filho de um tribuno da 13ª Legião, abraçou a um tempo a carreira das armas e das letras. Contemporâneo e amigo de Plínio, quis este introduzi-lo na carreira das dignidades, o que Suetônio modestamente recusou.

Brilhou sobretudo no foro, tendo sido uma das figuras mais eminentes da nobreza senatorial. Nomeado secretário ab epistolis do tempo de Adriano, entrou na intimidade da corte, onde, todavia, logo caiu em desagrado, por ter monopolizado as atenções da imperatriz Sabina.

No tempo livre dos deveres públicos Suetônio dedicou-se ao cultivo da História. Estudioso dos costumes de sua gente e de seu tempo, escreveu muitas obras eruditas, em que passa em revista as principais personagens da época. Foi, sobretudo, um indiscreto devassador das intimidades da corte romana, dando-nos uma visão íntima e sem-cerimoniosa dos vícios dos imperadores e das picuinhas que dividiam a nobreza.

Suas principais obras são: De Ludis Grecorum; De Spectaculis et Certaminibus Romanorum; De Anno Romano; De Nominibus Propiis et de Generibus Vestium; De Roma et ejus Institutis; Stemma Ilustrium Romanorum; De Claris Rhetoribus e A Vida dos Doze Césares. Esta é a única que chegou até nossos dias. Infelizmente as outras se perderam, o que representou um prejuízo histórico incalculável pois sabemos que eram obras de grande valia para o estudo da antiguidade clássica, como o leitor poderá observar por essa preciosa obra. A Vida dos 12 Césares.

A VIDA DOS 12 CÉSARES

Sumário

CAIO JÚLIO CÉSAR

OTÁVIO CÉSAR AUGUSTO

TIBÉRIO NERO CÉSAR

CAIO CÉSAR CALÍGULA

TIBÉRIO CLÁUDIO DRUSO

NERO CLÁUDIO CÉSAR

SÉRVIO SUPLICIO GALHA

MARCO SÁLVIO ÓTON

AULO VITÉLIO

TITO FLÁVIO VESPASIANO

TITO VESPASIANO AUGUSTO

TITO FLÁVIO DOMICIANO

CAIO JÚLIO CÉSAR

Caio Júlio César contava com 16 anos de idade ao falecer-lhe o pai. Designado sacerdote de Júpiter, sob os consulados subsequentes, abandonou Cossúcia, sua mulher, descendente de uma família de cavaleiros, porém muito rica, por ele desposada ao envergar a toga pretexta.

Casou-se em seguida com Cornélia, filha de Sina, quatro vezes cônsul, nascendo-lhe, dentro em pouco, uma filha a que deu o nome de Júlia. O ditador Sila não conseguiu, de maneira alguma, obrigá-lo ao divórcio. Destituindo-o da dignidade sacerdotal e despojando-o do dote da mulher e das heranças da família, Sila incluiu-o também na lista dos seus adversários.

Compelido a não poder aparecer em público, viu-se, apesar de atacado de impaludismo, obrigado a procurar, quase todas as noites, novo esconderijo e livrar-se, a peso de ouro, das mãos dos seus perseguidores. No fim, graças à mediação das virgens vestais, de Mamerco Emílio e de Aurélio Cota, seus vizinhos e aliados, alcançou o perdão. Opina-se, geralmente, que Sila, depois de ter recusado durante muito tempo a atender aos pedidos dos seus melhores amigos e das personalidades mais eminentes, deu-se, afinal, por vencido diante da pertinácia dos esforços em favor desse indulto, mas assim se expressou, profetizando ou, simplesmente, conjeturando:

Conseguistes prevalecer. Regozijai-vos. Sabei, porém, que este, por cuja salvação vos bateis tão ardentemente, será um dia, a ruína do partido dos nobres que vós próprios tendes defendido ao meu lado. Há em César mais de um Mário.

Júlio César estreou, militarmente, na Ásia, sob as ordens do pretor Marco Termo, de cuja tenda partilhava. Enviado por este a Bitínia, a fim de conseguir uma esquadra, deteve-se na corte do rei Nicomedes. Correu, então, a notícia de que se havia prostituído a este monarca, notícia essa que, poucos dias depois, era confirmada pelo fato do seu retorno àquele reino, sob o pretexto de pagar uma soma da qual seria credor um liberto, seu protegido. Ganhou fama ao final da campanha, e Termo, com a tomada de Mitilene, brindou-lhe a coroa cívica.

Serviu, também, sob as ordens de Servílio Isáurico, na Cilícia, mas por pouco tempo. Com a notícia da morte de Sila e na esperança de que poderia tirar partido das perturbações da ordem fomentadas por Marco Lépido, apressou-se a ir a Roma. Evitou, porém, aliar-se a Lépido, não obstante as magníficas condições para tal pacto, não só porque desconfiava do gênio desse homem, mas sobretudo porque achava o momento o menos propício, como nunca talvez imaginara.

Além disso, pacificadas as dissensões internas, acusou Cornélio Dolabela, figura consular enobrecida por um triunfo, do crime de peculato. O acusado foi absolvido. Resolveu, então, retirar-se para Rodes, a fim de fugir ao ódio e de consagrar seus lazeres e repouso às lições de Apolônio Molon, mestre de eloquência dos mais célebres da época. Na viagem, realizada durante o inverno, viu-se sequestrado por piratas, nas proximidades da ilha de Farmacusa{1}, porém tratado com a maior consideração durante os 40 dias de cativeiro. Tinha ao seu lado apenas o médico e dois criados de quarto, pois despachara imediatamente os outros companheiros e os demais escravos, a fim de que obtivessem o dinheiro necessário ao seu resgate{2}. Assim que pôde reunir 50 talentos e o fizeram desembarcar, armou imediatamente uma frota, perseguiu os piratas, submeteu-os ao seu poder e infligiu-lhes os mesmos suplícios com que eles o haviam ameaçado por brincadeira{3}. Taladas as regiões limítrofes por Mitrídates, não quis passar por ocioso, mormente ao saber em perigo os aliados de Roma: passou de Rodes, onde desembarcara, para a Ásia. Agrupou aí forças auxiliares, expulsou da província um prefeito do rei e conservou, assim, dentro do dever, povos infirmes e titubeantes.

A primeira honra de que se tornou devedor aos sufrágios do povo{4}, após seu retorno a Roma, foi a do tribunato militar. Serviu-se desse cargo para auxiliar, quanto lhe fosse possível, os que propunham o restabelecimento do poder tribunício, cujos limites haviam sido reduzidos por Sila. Fez, também, executar a lei Plócia, a fim de que Lúcio Cina, seu cunhado, pudesse reentrar em Roma, da mesma forma que todos quantos, durante as discórdias civis, haviam transfugido para junto de Sertório. A propósito deste caso, chegou, mesmo, a pronunciar um discurso.

Investido no cargo de questor, proferiu diante da tribuna róstria, de acordo com a tradição{5}, o elogio fúnebre da sua tia Júlia e da mulher, Cornélia. Ao traçar o panegírico daquela, eis como falou, referindo-se à sua dupla origem e à do seu pai: "Minha tia Júlia descende de reis por parte da família de sua mãe e, por parte da do seu pai, acha-se ligada aos deuses imortais. A casa real dos Márcios, de onde minha mãe herdou o nome, provém de Anco Márcio. Os Júlios, antepassados da nossa família, descendem de Vênus. Assim, misturam-se à nossa raça a santidade dos reis, que tão poderosa influência exerce sobre os homens, e a majestade dos deuses, que mantêm debaixo da sua autoridade os próprios reis.

Em substituição a Cornélia, casou-se com Pompeia, filha de Quinto Pompeu, neta de Lúcio Sila, da qual se divorciou mais tarde, por suspeitas de adultério com o jovem patrício Públio Clódio. A notícia de que este conseguira penetrar na casa de César, em trajos femininos, durante a celebração de cerimônias públicas, adquiriu tal consistência que o Senado deliberou abrir inquérito a respeito do sacrilégio{6}.

Exercia a questura ao obter a Espanha Ulterior. Enquanto ali, por ordem do pretor{7}, se realizavam as assembleias destinadas a administrar a justiça, ele foi a Gades{8}. Nesta cidade encontrou, no templo de Fiércules, uma estátua de Alexandre, o Grande{9}. Diante dela lamentou-se e confessou-se como que tomado por uma certa pusilanimidade, por nada ter ainda feito de memorável, numa idade em que Alexandre já havia subjugado o mundo. Imediatamente pediu uma licença, a fim de procurar em Roma, dentro do mais breve prazo, oportunidade em que pudesse realizar as mais altas façanhas. Confuso ainda por causa de um sonho que tivera na véspera (sonhara que estuprava a própria mãe), viu as suas esperanças atingirem o auge, graças à interpretação que lhe deram os augures, segundo a qual ele seria o árbitro do mundo, pois a mãe que ele violara outra não era senão a Terra, a nossa mãe comum.

Partindo-se, pois, antes da data fixada, encontrou as colônias latinas{10} em estado de agitação em prol dos direitos políticos comuns aos cidadãos de Roma. Ele as teria compelido a um movimento sério se os cônsules, por prevenção, não tivessem retido ali, por algum tempo, as legiões que marchavam para a Cilícia. Todavia, em Roma, arquitetou logo projetos mais vastos.

Efetivamente, poucos dias antes de se investir no cargo de edil, foi suspeitado como conspirador com Marco Grasso, personagem consular, da mesma forma que com Públio Sila e Lúcio Antônio, condenados ambos por cabala, após haverem sido designados cônsules. Tinham por escopo: atacar o Senado{11} logo no começo do ano; degolar os que bem entendessem; confiar a ditadura a Crasso, que nomearia César comandante-chefe da cavalaria e, depois de organizada a República conforme a vontade de todos, entregar o consulado a Sila e Antônio. Tanúsio Gêmino na sua história. Marco Bibulo nos seus éditos e Caio Cúrio, pai, nos seus discursos, dão notícias desta conspiração. Cícero, numa de suas cartas a Axio, parece, também alude a ela, ao afirmar que César, no seu consulado, consolidara a realeza, cuja ideia lhe brotara ao exercer o cargo de edil. Tanúsio acrescenta que Crasso, fosse por arrependimento ou por outro motivo, não aparecera no dia fixado para o massacre e que, em consequência disso. César não dera o sinal convencionado. Este sinal, segundo Cúrio, consistia em deixar cair a toga das suas espáduas. Cúrio ainda, apoiado por Marco Actório Naso, recorda que ele conspirara também com o jovem Anésio Pisão{12}, o qual, suspeitado de participar desta trama civil, recebeu, sem a haver solicitado, e contra todas as regras ordinárias, a província de Espanha. Deviam eles, ao mesmo tempo - um fora e outro dentro de Roma -, tentar uma revolução com o auxílio dos ambrônios e dos transpadanos. A morte de Pisão, porém, pôs fim a esse projeto.

Durante o tempo da sua edilidade, embeleceu não apenas o Comitium, o Fórum e as basílicas, mas ainda o Capitólio, dotando-o de pórticos provisórios destinados à exposição de uma parte, pelo menos, das suas inúmeras riquezas. Criou, também, tanto com a colaboração do seu colega como por si só, o esporte venatório e outros divertimentos. Isso teve como resultado receber, sozinho, as honras das despesas feitas em comum, pois seu colega Marco Bibulo não disfarçava haver chegado à mesma situação de Polux: Da mesma forma que o templo dedicado aos irmãos gêmeos, no Fórum, ostentava somente o nome de Castor, assim também a sua própria munificência e a de César eram apresentadas como sendo apenas de César. César, por outro lado, organizou paralelamente a estas liberalidades um combate de gladiadores. As parelhas, porém, foram menos numerosas do que as consignadas no seu projeto. A quadrilha considerável que ele recrutara por toda parte apavorou de tal maneira os inimigos que estes tomaram logo a precaução de limitar, por meio de uma lei, o número de gladiadores em permissão para habitar em Roma.

Conquistado o favor do povo, conseguiu por intermédio dos tribunos, e graças a um plebiscito, lhe fosse dada a província do Egito. O momento lhe parecia favorável para obter um comando extraordinário, em virtude da expulsão do rei pelos habitantes de Alexandria, a cujo soberano o Senado concedera o título de aliado e amigo. Esta violência recebeu desaprovação geral. A facção dos grandes levou ao fracasso as pretensões de César, o qual, por seu turno, a fim de conseguir o enfraquecimento da autoridade dos seus adversários, por todos os meios possíveis, reergueu os troféus de Caio Mário conquistados sobre Jugurta, sobre os cimbros e os teutões, derrubados outrora por Sila. No processo instaurado contra os sicários, ele fez incluir no rol destes até mesmo aqueles que haviam recebido dinheiro do erário para trazer a cabeça dos cidadãos proscritos, se bem tivessem estes sido postos fora da alçada judicial pelas leis cornélias.

Acusou também de crime de alta traição a Caio Rabírio, que havia sido o auxiliar mais graduado do Senado, alguns anos antes, durante a repressão das tramoias sediciosas do tribuno Lúcio Saturnino. Escolhido, por sorte, juiz, de fato, condenou com tanta paixão que Rabírio, apelando para o povo, não encontrou, ao pé deste, melhor defesa do que a animosidade do magistrado que o julgara.

Renunciando à esperança de alcançar uma província, pleiteou o pontificado máximo, não sem haver espalhado antes dinheiro em profusão. Ao considerar sobre a soma enorme a que lhe montavam as dívidas, na manhã em que se dirigia aos comícios, conta-se, dissera à sua mãe que o beijava: Só voltarei como pontífice máximo. Foi tal o triunfo conseguido sobre seus dois poderosíssimos antagonistas{13}, bem superiores a ele, quer pela idade, quer pelas prerrogativas, que chegou a reunir em torno do seu nome maior número de votos do que os obtidos pelos seus competidores em conjunto.

Exercia a pretoria ao ser descoberta a conspiração de Catilina{14}. Enquanto o Senado decretava, por unanimidade, a pena capital contra os sediciosos, ele foi o único a propor a detenção destes, separadamente, nas cidades municipais e a confiscação dos seus bens. Inspirou tal receio os que emitiram a respeito juízos mais severos, fazendo-lhes sentir, repetidas vezes, como tal atitude os tornaria, um dia, alvo do ódio das massas, que Décio Silano, cônsul designado, vendo que não podia, sem opróbrio, mudar de opinião, não se envergonhou, entretanto, de dar ao seu voto um sentido mais brando, como se lhe tivessem emprestado maior severidade. E talvez houvera vencido (pois conseguira já, para o seu ponto de vista, a adesão da maioria dos senadores, entre os quais se encontrava Cícero, irmão do cônsul) se o discurso de Marco Catão não tivesse orientado a assembleia vacilante. Mesmo assim, não deixou de fazer oposição ao decreto e foi tanta a resistência que lhe ofereceu que o destacamento de cavaleiros romanos, encarregado da guarda armada do Senado, se viu na contingência de ameaçá-lo de morte. Chegaram, mesmo, a voltar contra ele a ponta dos seus gládios, tanto assim que os senadores que se achavam mais próximo dele se afastaram. Apenas um pequeno número o protegeu, tomando-o nos braços e cobrindo-o com as togas. Daí por diante, sob o império do pavor, abandonou inteiramente o seu projeto: não somente se retirou, mas se absteve também de aparecer na Cúria, durante o resto do ano.

No primeiro dia de exercício na pretoria, fez Quinto Catulo comparecer perante o povo, a propósito da reconstrução do Capitólio{15}, e propôs se confiasse a obra a cargo de outro também{16}. Incapaz, entretanto, de lutar contra a coalizão dos otimates, os quais, ao mesmo tempo que se negavam a devolver as prerrogativas aos novos cônsules{17}, acorriam em massa para lhes opor resistência obstinada, desistiu do intento.

Quanto ao resto, não demonstrou senão mais encarniçamento ao ajudar e defender Cecílio Metelo, tribuno do povo que propusera leis turbulentíssimas{18} com o fim de eliminar a faculdade de intercessão outorgada aos seus colegas. Fez-se necessário um decreto do Senado, determinando a suspensão de ambos das funções que exerciam. Todavia, César teve o atrevimento de não abandonar o seu cargo e continuar a administrar a justiça. Como visse, porém, que se lhe preparava a destituição pela força das armas, demitiu seus litores, despiu a toga pretexta e retirou-se secretamente, em virtude das circunstâncias, para a tranquilidade do lar. Dois dias mais tarde, havendo a multidão, num gesto espontâneo, afluído à sua residência, tumultuosamente, para lhe hipotecar apoio relativamente à manutenção da sua autoridade, ele procurou acalmá-la. Diante desta inesperada atitude moderativa, o Senado, que se reunira às pressas logo que se espalhara a notícia daquela agitação, enviou-lhe os membros mais eminentes, a fim de lhe agradecer o gesto, e, ao mesmo tempo que o chamavam à Cúria, tecia-lhe os maiores elogios e o reinvestia na pleniposse de todas as suas anteriores prerrogativas funcionais, depois de anulado o decreto que as cassara.

Correu ainda outro perigo: foi denunciado, perante o questor Nóvio Niger, como cúmplice de Catilina, por Lúcio Vétio Judex e, no Senado, por Quinto Cúrio, a quem foram conferidas recompensas por haver sido o primeiro a delatar a conspiração. Cúrio dizia-se informado pelo próprio Catilina. Vétio ia mais longe: sustentava que César entregara a Catilina um pacto assinado. Como César achasse intoleráveis tais ataques, pediu a Cícero testemunhasse como ele, Júlio, de livre vontade o havia posto ao corrente de certos detalhes da trama. Deste modo conseguiu privar Cúrio das recompensas. Foi apreendida uma fiança destinada a Vétio. Assim, seus bens foram sequestrados e ele próprio maltratado e quase difamado perante a tribuna róstria, em plena assembleia. Por fim. César mandou encarcerá-lo. Igual destino teve o questor Nóvio, por haver consentido se denunciasse ao tribuno uma autoridade superior à sua.

Ao deixar a pretoria, obteve por sorte a Espanha Ulterior. Impedido de viajar pelos credores, livrou-se deles, dando-lhes fianças{19}. E, contra a prática geralmente observada e contra a própria lei, partiu antes mesmo de haverem sido organizadas as províncias. Não se sabe, absolutamente, se tal determinação foi tomada de medo do processo que o ameaçava na qualidade de simples cidadão privado, ou se para prestar auxílio, o mais depressa possível, aos aliados, que lhe reclamavam. Pacificada a sua província, deixou-a com a mesma precipitação, sem esperar sequer o substituto, a fim de poder disputar, ao mesmo tempo, o triunfo e o consulado. Como, porém, os comícios estivessem já convocados, não se podia levar em consideração a sua candidatura, a não ser que entrasse em Roma como mero particular. E como fosse muito viva a oposição ao privilégio que solicitava, viu-se obrigado a renunciar ao triunfo para não ser excluído da lista dos aspirantes ao consulado.

Dos seus dois competidores nesse pleito. Lúcio Luceio e Marco Bibulo, preferiu Lúcio, que possuía menor reputação, porém maior fortuna, sob a condição de fornecer o dinheiro prometido a cada centúria, no nome de ambos. Informados deste negócio, temeram os nobres que, guindado à magistratura suprema, com um colega que lhe anuiria a todos os desejos, César não soubesse impor limites à sua audácia, e aconselharam Bibulo a fazer idênticas promessas. Houve contribuição da maior parte deles e o próprio Catão reconheceu que tal munificência estava de acordo com os interesses do Estado. César foi, pois, eleito cônsul com Bibulo. Pela mesma razão, os otimates consignaram aos futuros cônsules funções de importância mínima, tais como a administração das florestas e das estradas. Profundamente chocado com esta injúria. César tratou logo de cercar Cneio Pompeu – que se desaviera com os senadores, após sua vitória sobre Mitrídates, em virtude da morosidade com que o Senado lhe ratificava os atos – de todas as atenções. Reconciliou Pompeu com Marco Crasso, malquistados desde quando exerceram juntos o consulado, em profunda desinteligência, e aliaram-se todos, uns com outros, ficando estipulado que nada se faria na República que pudesse desagradar a cada um dos três{20}.

Ao investir-se nas funções do seu cargo, estabeleceu, antes de mais nada, que se desse publicidade tanto aos atos do Senado como aos do povo. Restabeleceu, também, a antiga usança de, nos meses em que não houvesse fasces, o cônsul se fazer preceder de um oficial de justiça e acompanhar de litores. Ao promulgar uma lei agrária, expulsou do Fórum, a mão armada, o colega que se opôs ao seu desiderato. Este, no dia seguinte, foi queixar-se dele ao Senado, mas não encontrou ninguém que, em meio à geral consternação, se atrevesse a lembrar ou decretar uma dessas medidas tantas vezes votadas durante perturbações menos graves. Desesperado, Bibulo se viu compelido a encerrar-se em sua residência até que César abandonasse o poder, sem outra maneira de manifestar a sua oposição a não ser por meio de éditos. A partir deste momento. César, ele só, teve em suas mãos todo o governo do Estado; administrou conforme quis. De modo que vários cidadãos, ao referendarem uma certidão sobre determinado fato, escreveram por pilhéria que tal não se realizara sob o consulado de César e Bibulo, mas sob o de Júlio e o de César, designado, assim, pelo nome e sobrenome. Logo se popularizaram, também, os seguintes versos:

Quase nada se fez sob o consulado de Bibulo,

tudo se fazendo, entretanto, sob o de César. não me recordo

de nenhum fato verificado sob o consulado de Bibulo.

A esplanada de Stela{21}, consagrada pelos nossos antepassados, e os campos da Campânia{22} estavam arrendados ao Estado. Ele os distribuiu, sem sorteio, a perto de 20 mil cidadãos, com três filhos cada um, pelo menos. Os rendeiros solicitaram-lhe um abatimento: ele reduziu de um terço os arrendamentos e os exortou, de público, a não elevarem muito alto o preço de arrematação das novas herdades. Quanto ao mais, agiu da mesma forma: concedendo a cada um o que lhe pedia. Ninguém o contrariava, porque ele sabia atemorizar todo aquele que tentasse fazê-lo. Marco Catão, por havê-lo apostrofado, foi arrancado da Cúria por um litor e conduzido à prisão{23}. Lúcio Lúculo, que lhe oferecia resistência, com grande persistência, ficou tão apavorado com as suas calúnias que se atirou de joelhos aos seus pés, espontaneamente. Como Cícero se houvesse lamentado, num discurso de defesa, da infelicidade dos tempos, nesse mesmo dia, à hora nona. César transferiu Clódio, inimigo daquele orador, mas que, havia muito, já lhe solicitava tal obséquio, da ordem do patriciado para a da plebe{24}. Por fim atirou Vétio, contra o partido inteiro dos seus adversários, subornando-o para que declarasse existir entre eles alguns que lhe haviam confiado o assassínio de Pompeu. E mais: delatasse, perante a tribuna róstria, os pretendidos autores do conluio. Ao perceber, porém, que um ou dois nomes tinham sido revelados sem êxito e que já se corporificavam as suspeitas de fraude, e com receio, ainda, do insucesso de tão temerária maquinação, acredita-se, teria mandado envenenar o denunciante{25}.

Por esse mesmo tempo, desposou Calpúrnia, filha de Lúcio Pisão, que devia sucedê-lo no consulado. Casou sua filha Júlia com Cneio Pompeu, depois de ter ela repudiado o seu primeiro marido, Servílio Cipião, que, mais do que qualquer outro, o havia auxiliado a combater Bibulo. Após esta aliança, passou a pedir pareceres, primeiro do que a qualquer outro, a Pompeu e não mais, como era do seu hábito, a Crasso, embora fosse de costume conservar, durante todo o ano, a ordem das sentenças instituídas pelo cônsul nas calendas de janeiro.

Apoiado, assim, nos sufrágios do sogro e do genro, preferiu, entre as províncias que lhe era dado escolher, a Gália, que, pelas vantagens e pela posição que oferecia, se lhe apresentava como um vasto campo para triunfos. Primeiramente, obteve a Gália Cisalpina, à qual foi adjudicada a Ilíria, por determinação da lei vatínia. Depois, acrescentou-lhe o Senado a Gália Cômata, pois receavam os senadores que, negando-lha eles, o povo, da sua parte, a concedesse. No auge da alegria, não se pôde conter e, passados alguns dias, jactou-se, em pleno Senado, de haver conseguido atingir a meta da sua ambição, a despeito dos esforços e da choradeira dos seus inimigos. Declarou ainda que, daí por diante, marcharia à frente do mundo inteiro. Como alguém tivesse a insolência de lhe dizer que isso não se tornaria fácil para uma mulher, respondeu, gracejando, que Semíramis, contudo, reinara na Assíria e que as amazonas haviam conquistado outrora grande parte da Ásia.

Ao termo do seu consulado, os pretores Caio Mêmio e Lúcio Domício solicitaram um relatório dos atos referentes ao ano transcorrido. Ele levou essa petição ao conhecimento do Senado. Como a Cúria dela não se ocupasse, ao cabo de três dias consumidos em discussões estéreis, partiu-se para a sua província. Não demorou muito, seu questor foi arrastado provisoriamente à barra da justiça, em virtude da prática de bom número de delitos. O próprio César se viu também citado por Lúcio Antístio, tribuno do povo. Porém, recorrendo ao Colégio, conseguiu derrogar a acusação, visto como sua ausência fora reclamada pelos interesses da República. Para sua melhor segurança no futuro, tratou com especial cuidado de se afeiçoar, cada vez mais, aos magistrados do ano e de não auxiliar, ou não consentir que se investissem no cargo senão candidatos que estivessem dispostos a defendê-lo durante a sua ausência, não trepidou mesmo em exigir de alguns deles, para este ajuste, não apenas a palavra, mas, principalmente, a própria assinatura.

Diante, porém, da ameaça, publicamente feita por Lúcio Domício, candidato ao consulado, de, uma vez cônsul, realizar tudo quanto não pudera efetuar como questor e de, ao mesmo tempo, lhe arrebatar o exército que chefiava, conduziu Crasso e Pompeu a Luca, cidade da sua província, e aí os obrigou, com o escopo de afastar Domício, a solicitarem um segundo consulado e a prorrogarem o seu comando militar por mais cinco anos. Assim, cheio de confiança, reuniu às legiões que recebera da República outras que organizara à própria custa. Uma delas, composta de transalpinos, ganhou até um nome gaulês: chamava-se Alauda (calhandra). Disciplinou e equipou a sua tropa à maneira romana. Mais tarde, concedeu-lhe integralmente o direito de cidadania, não perdeu nenhuma oportunidade de fazer a guerra, fosse ela injusta ou perigosa. Atacava, sem mais nem menos, tanto os povos federados como os povos inimigos e selvagens. De modo que o Senado resolveu, em várias ocasiões, enviar delegados com o encargo de examinar a situação das Gálias. Alguns senadores chegaram a expender a opinião de que se devia entregá-los aos inimigos{26}. Como, porém, o êxito lhe coroasse os empreendimentos, conseguiu, mais seguidamente e em maior número do que qualquer outro, dias de sacrifícios aos deuses.

Eis aqui, pouco mais ou menos, tudo quanto praticou durante os nove anos do seu comando. Reduziu à condição de província toda a Gália compreendida entre os desfiladeiros dos Pireneus, os Alpes, os montes Cevenas e o curso dos rios Reno e Ródano, formando, assim, um circuito de três milhões e 200 mil passos, aproximadamente, sem contar as cidades aliadas, ou as que haviam bem merecido de Roma. Impôs-lhe um tributo anual de 40 milhões de sestércios. Foi o primeiro romano que, depois de haver construído uma ponte sobre o Reno, atacou os germanos que habitavam a margem oposta daquele rio, infligindo-lhes tremendas derrotas. Acometeu também os bretões, desconhecidos até então: desbaratou-os e exigiu-lhes dinheiro e reféns. Entre tantos sucessos, não conheceu senão três fracassos: na Bretanha, onde sua frota quase foi aniquilada por uma violenta tempestade; na Gália, onde, diante de Gergóvia, foi destroçada uma das suas legiões; e nos confins da Germânia, onde Titúrio e Aurunculeio, seus auxiliares imediatos, foram trucidados numa emboscada{27}.

No mesmo espaço de tempo, morreram-lhe: primeiramente, a mãe; depois, a filha{28}; e, em seguida, o neto. Neste entrementes, o assassínio de Públio Clódio{29} consternava o Estado e o Senado punha em manifesto o parecer de que não devia existir senão um cônsul: e para este cargo devia ser nomeado Cneio Pompeu. Os tribunos do povo queriam dar-lhe César por colega. Depois de um entendimento, porém, ficou combinado que se propusesse de logo, ao povo, a permissão para ele pleitear, embora ausente, um segundo consulado, pois sua chefia militar estava já expirante, não tinha como propósito abandonar tão cedo a sua província, mormente num momento em que a guerra não havia absolutamente terminado. Conseguiu seu desejo. Cheio de esperança, então, e tendo em mira projetos muito mais arrojados, não perdeu o ensejo de praticar liberalidades, ou de prestar serviços a todo mundo, tanto em público como em particular.

Com os despojos do inimigo começou a construção de um mercado, cujo terreno custara mais de 100 milhões de sestércios. Prometeu ao povo divertimentos e um festim em memória de sua filha, coisa que, antes dele, ninguém jamais fizera. No intuito de levar a expectativa do banquete ao mais alto grau se bem o houvesse contratado com fornecedores, empregou, nos preparativos, pessoal da sua própria casa. Ordenou que se arrebatassem à força e se pusessem de lado os gladiadores conhecidos que, durante as pugnas, encontrassem expectadores hostis. Mandava ministrar instrução aos recrutas, não em escolas, nem por professores de esgrima: nas suas próprias casas, por cavaleiros romanos e até mesmo por senadores hábeis no manejo das armas. A estes, pedia-lhes (como o comprovam as suas cartas) que disciplinassem cada um deles de per si, individualmente, e lhes proporcionassem, de viva voz, todos os princípios da arte mavórtica. Duplicou, a título perpétuo, o soldo das legiões. Nos anos de prosperidade, distribuía-lhes o trigo sem medida nem limite e, às vezes, dava a cada soldado um escravo tirado da presa de guerra.

Para estreitar, mais ainda, os liames de parentesco e de afeto que o ligavam a Pompeu, ofereceu-lhe, de presente, Otávia, sobrinha da sua irmã casada com Caio Marcelo, e, em troca, pediu-lhe em casamento a filha que estava destinada a Fausto Sila. Todos os que dele se acercavam, inclusive muitos membros do Senado, eram seus devedores: sem ou a juros módicos. Cumulava de dádivas os cidadãos das outras ordens que lhe vinham visitar: a convite ou de moto próprio, da mesma forma que os seus libertos e pequenos escravos, conforme estivessem nas graças do senhor ou do patrono. Os acusados, os endividados, os jovens pródigos encontravam nele o seu único e infalível amparo. Seria preciso que as acusações fossem muito graves, ou as suas privações e os seus distúrbios muito grandes, para que ele não pudesse remediá-los. Aqueles, dizia sempre, abertamente, estavam a necessitar de uma guerra civil.

Não usava de menor solicitude para se unir aos reis e às províncias do universo inteiro. A uns, oferecia como regalo milhares de cativos. A outros, enviava tropas auxiliares para onde e quando quisessem, sem pedir licença nem ao Senado, nem ao povo. Além disso, ornava de monumentos notáveis as cidades mais poderosas da Itália, das Gálias, da Espanha, da Ásia e da Grécia. Por fim, todo mundo começava a espantar-se e a perguntar até que ponto chegariam tais manobras, quando o cônsul Marco Cláudio anunciou, num édito, que ia se ocupar da salvação da República, pois propusera ao Senado dar, antes do tempo, um sucessor a César, alegando que a guerra cedera lugar à paz e que, portanto, se devia licenciar o exército vitorioso. Opôs-se, também, a que se tomasse em consideração o candidato ausente dos comícios, tendo-se em conta o fato de que Pompeu, apresentando uma lei sobre o direito dos magistrados, se esquecera de excetuar o próprio César do capítulo em que se excluíam os nomes dos candidatos ao cargo e que não corrigira o seu engano senão depois de a lei se achar gravada no bronze e recolhida aos arquivos. Marco, não satisfeito em arrancar a César as suas províncias e o seu privilégio, propôs ainda - porque tal ato fora conseguido por meios capciosos e, além disso, ultrapassando as normas estabelecidas – a abolição do direito de cidadania, concedido aos colonos que, em virtude da proposta de Vatínio, César conduzira a Nova Como{30}.

Impressionadíssimo com estes ataques e considerando, a julgar-se pelo que se lhe ouvia repetir tantas vezes, que era mais difícil fazer um chefe de Estado como ele descer do primeiro lugar ao segundo do que do segundo ao último. César resistiu com toda a força de que era capaz, recorrendo, às vezes, à intercessão dos tribunos e à de Sérvio Sulpício, o outro cônsul. No ano seguinte, Caio Marcelo, que havia sucedido no consulado ao seu primo-irmão Marco, tentou realizar os mesmos estratagemas. César, entretanto, à custa de muito dinheiro{31}, conseguiu o apoio de Paulo Emílio, seu colega, e de Caio Curião, o mais violento dos tribunos. Ao perceber, porém, a inflexibilidade da resistência organizada contra os seus intentos, e que os próprios cônsules designados{32} tomavam posição contra ele, adjurou o Senado, numa carta, a que lhe não arrebatasse uma prerrogativa concedida pelo povo, nem tampouco ordenasse que os demais generais se demitissem dos seus respectivos comandos. Gabava-se, ao que consta, de conseguir reagrupar mais facilmente, e quando bem entendesse, os seus veteranos do que Pompeu novos soldados. Ademais, propôs aos seus adversários licenciar oito legiões e abandonar a Gália Transalpina, sob a condição de que se lhe concedesse a posse de duas legiões e a da província Cisalpina, ou, então, uma legião apenas com a Ilíria, até que fosse designado cônsul.

O Senado, porém, não interveio e os seus adversários se recusaram a tomar parte em qualquer transação em que estivessem em jogo os interesses da República. Resolveu, então, correr para a Gália Citerior e, após a realização das assembleias, deixou-se ficar em Ravena, prestes a vingar pela guerra civil - caso o Senado tomasse partido violento contra eles - os tribunos do povo que o prestigiaram. Foi isso que forneceu a César o pretexto para a guerra civil. Contudo, atribuem-se-lhe outras causas. Por isso, Cneio Pompeu costumava asseverar que foi porque não pudera nem corresponder, com os seus

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