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Livro Crônicas de Arauver: O Retorno do Esquecido
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E-book225 páginas2 horas

Livro Crônicas de Arauver: O Retorno do Esquecido

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Sobre este e-book

No Reino de Arauver, onde a magia é comum e a beleza permeia, sinais de uma antiga profecia começam a surgir. Quando um inimigo do reino pisa novamente no litoral das terras de Touh, portando um poder milenar que ameaça toda a paz, o príncipe deve, junto de seus Mestres e sua inseparável companheira canina, marchar em direção ao Sul, para o deserto de Zangor Ontuf, onde a esperança de salvação pode estar esperando.

Enquanto partem em sua viagem, o Rei organiza suas tropas para um levante contra o exército invasor. Serão pai e filho capazes de derrotar essa ameaça externa? Ou Arauver sucumbirá ao controle do Esquecido?
IdiomaPortuguês
Data de lançamento6 de nov. de 2019
ISBN9786580199143
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    Pré-visualização do livro

    Livro Crônicas de Arauver - Henrique Susin Scopel

    Despertar

    Prólogo

    Um Ano Antes

    Algum Lugar Nas Praias Do Oeste

    O sol matinal resplandecia sobre as águas calmas e prateadas do Jagüir Fanuir, o Grande Mar. Na costa, leões marinhos nadavam sob a luz do Sol e, no longínquo mar à distância, viam-se baleias e golfinhos pulando sobre a água.

    No horizonte, uma frota composta por mil gigantescas caravelas navegava com uma velocidade nunca antes vista. Os mastros eram negros como carvão e os conveses foram construídos com uma espécie de pedra avermelhada que, sem dúvida, era de improvável leveza para que pudesse ser utilizada na navegação. Nos mastros, viam-se grandes estandartes com a imagem da cabeça de uma naja negra sobre um poderoso fundo escarlate.

    Na maior daquelas monstruosidades, a caravela que seguia na liderança de todas, vislumbrava-se uma figura encapuzada na ponta do convés, observando o continente ao longe. Mantinha-se de pé, coberto por uma túnica da cor do ouro.

    Uma criatura encapuzada com um manto azul-escuro se aproximou. Com reverência, ajoelhou-se à frente da figura imponente e aguardou pelo movimento da mão: a autorização para se levantar. Com a cabeça curvada em direção ao chão, diminuiu a distância que os separava e, ao pé do ouvido, disse em um chiado:

    — Estamos chegando, ó Grande Mestre.

    A figura dourada olhou em sua direção e o dispensou com um aceno de cabeça. Em seu íntimo pensou: Agora finalmente retorno, depois de todos esses anos, o fim navega em direção a Arauver. Finalmente!

    Então a figura explodiu em gargalhadas, um riso alto, estridente e aterrador, como as trombetas do Apocalipse. Os pássaros que se encontravam na costa fugiram assustados, leões marinhos mergulharam para a segurança do oceano profundo e até a mais ínfima criatura costeira, naquele momento, congelou de medo.

    O fim da paz em Arauver estava próximo.

    CAPÍTULO 1

    Tranquilidade Inquietante

    Dias Atuais

    Castelo Gelo Negro

    O Sol nascia no Vale Verde, capital divina do mundo de Arauver, uma estrutura natural em formato de v que se estendia por cinco quilômetros no extremo Norte e terminava exatamente no Castelo Gelo Negro. Seus flancos eram naturalmente protegidos por uma cadeia de montanhas de dezoito quilômetros de altura, impedindo qualquer um de invadir o Vale, senão por sua entrada, guarnecida por um grande e espesso muro de marfim branco, Qsuvivus, que se estendia por toda a abertura de entrada do Vale, vigiado e protegido por experientes magos guerreiros.

    O Castelo Gelo Negro assomava com ar de autoridade no fim do Vale, uma construção em formato de pico, com trezentos metros de altura da base até a grande estrutura em forma de t maiúsculo. Sua base circular tinha cento e cinquenta metros de diâmetro, constituída por mais uma infinidade de pátios e jardins que culminavam em mais uma grande muralha ao redor do castelo, capaz de esconder os três primeiros andares da fortaleza. Era construída com pedras da montanha, agrupadas de forma proposital para criar um quadrado de proteção ao redor do território do castelo.

    Todas aquelas estruturas, assim como todo o território de Arauver, foram criadas por Tondetraurah, O Grande, o único Deus existente e criador de tudo o que existia, existiu ou existirá no cosmos. Todos os humanos existentes eram seus descendentes de alguma forma, a prova disso era a capacidade de todos poderem usar magia através da língua divina. Porém, entre os humanos, existiam alguns com o próprio sangue de Tondetraurah correndo em suas veias. Eram os magos mais poderosos de Arauver e constituíam a linhagem de reis e rainhas desde a Criação. Para o primeiro da linhagem, aquele que foi o primeiro homem a caminhar, foram dadas as chaves de Qsuvivus e de Gelo Negro por Tondetraurah em pessoa, antes de partir para sempre.

    E era nessa atmosfera de magia que os habitantes de Gelo Negro e seus arredores iniciavam a manhã. As pessoas começavam a se deslocar de suas casas, umas à mercearia para comprar maravilhosos, quentes e recém-feitos pães. Outras ao Feitor, com a intenção de comprar novos concentradores de energia ou qualquer outra ferramenta necessária em seus ofícios diários. As ruas abarrotadas de pessoas dificultavam a locomoção pelo Vale. Os prédios e residências, em sua maioria pintados em cores vivas, resplandeciam com a luz matinal. Dentro deles, a cacofonia dos talheres sendo colocados nas mesas para o café da manhã se confundia com o burburinho das conversas daqueles que saíram de casa. Às vezes era possível ouvir conversas e gritos dentro deles, alguns como Acorda moleque, vamos!, outros como Quantos pães mesmo?.

    Mais próximo do castelo, vislumbrava-se Johnathan Pançagrande, dono da mais famosa e frequentada taverna da capital: O Olho Gordo, consertando uma de suas vitrines. Suas mãos se moviam com rapidez, enquanto sua boca murmurava um encanto e os cacos de vidros que estavam no chão retornavam ao lugar. Após realizar o conserto, suas mãos, sua fronte e sua grande barriga, empapavam de suor ao ponto de molhar suas vestes simples de cor caqui. Apesar de todo o esforço, a satisfação se refletia em seu olhar.

    Assim como o resto das pessoas na região, as tarefas do príncipe Roub também começavam cedo. Acordou como todos os outros dias, quando os quero-queros começaram a cantar sob sua janela. O Sol iluminava o quarto ricamente mobiliado. Levantou-se, um menino rechonchudo com dez anos de idade, de cabelos loiros, olhos verdes e sardas no rosto. Trocou seu pijama por uma calça preta e uma camisa vermelha de botões, calçou seus sapatos pretos e, próximo da gola de sua camisa, colocou seu broxe usual: um lampião dourado. Penteou seus cabelos de frente para o espelho e cruzou o quarto para abrir a janela. A brisa matinal o recebeu com um abraço acolhedor e refrescante.

    Ficou apoiado em sua janela aproveitando a ampla visão do Vale que seu quarto no quinto andar do castelo proporcionava. Dentro dos limites da muralha de seu lar, dezenas de servos e trabalhadores corriam de um lado ao outro atrás de realizar suas tarefas. Fora do muro não era diferente, só a quantidade de pessoas que era maior. Ao horizonte, no limiar de sua visão, Qsuvivus resplandecia com a luz matinal.

    Após alguns minutos de contemplação, decidiu que iria descer à cozinha para comer. Ao chegar à porta do quarto, percebeu que faltava algo, descobrindo o que era de imediato. Disse:

    — Nauh, aqui, vamos!

    De um monte de trapos em um canto do quarto, surgiu uma massa de pelos negros enormes, locomovendo-se com velocidade. Em uma fração de segundo, percorreu a distância que os separavam, então a grande cachorra de estimação de Roub se sentou na sua frente, sua estatura ultrapassando a do garoto. Olhava para ele de cima para baixo, seus olhos amarelos brilhantes como o Sol, o rabo balançando e um semblante de alegria por poder vê-lo. Deu uma lambida rápida, percorrendo desde o pescoço até o fim da testa de Roub, que se divertia com a situação dando leves tapas no flanco esquerdo de Nauh.

    Abrindo a porta, os dois passaram pelo corredor coberto de quadros e tapeçarias até chegar a uma escada circular, que dava acesso ao andar de baixo e, consequentemente, à cozinha.

    Chegando ao piso inferior, viram o enorme salão da cozinha, com cinco portas na parede esquerda e uma no outro lado, que levava ao resto do castelo, todas feitas de madeira clara e simples. Ao centro, havia cinco grandes mesas de carvalho negro com capacidade para vinte pessoas cada, mas vazias, pois todos os servos já haviam feito seus desjejuns. Na extensão total da parede direita, encontravam-se sete grandes fornos e mais doze fogões, todos movido à lenha. Em um dos fogões, mexendo algo em uma panela, estava a governanta de Roub, Alice.

    A senhora de cabelos ruivos e cacheados trajava um grande vestido branco com babados e seu avental azul possuía detalhes delicados de flores. Com cerca de cinquenta anos, tinha um corpo esbelto para sua idade. Seus cachos só não pendiam no seu rosto graças à tiara prateada em sua testa. Ela saudou Roub com um grande sorriso de dentes brancos, apontou para uma das mesas e, com uma voz doce como mel, falou:

    — Bom dia pequenino, dormiu bem? Guardei um desjejum especial para o senhor se deliciar nesta manhã.

    — Muito obrigado, Alice! — respondeu Roub se dirigindo à mesa apontada. — Dormi bem sim, e você?

    — Ah, também! Só tive mais alguns sonhos com aquela coruja aterradora. — Quando falou da coruja, Alice estremeceu.

    Roub achou graça. A governanta vinha sonhando com a criatura há meses e toda vez que falava da tal coruja, estremecia. Ele imaginava o quão assustadora deveria ser para fazer Alice temê-la tanto.

    Enquanto pensava, chegou à mesa indicada: a segunda da esquerda para a direta. Ao se sentar, contemplou um desjejum magnífico. À sua frente, encontravam-se diversas travessas cheias de frutas, um pão quente e dourado, dois grandes potes, um com mel e outro com manteiga, e um recipiente mais ao canto, lotado com fatias de queijo e pedaços de bacon recém-fritos. Também havia sobre a mesa uma grande jarra de suco de laranja fresco.

    Iniciou sua refeição deixando o autocontrole de lado, pois estava com uma fome voraz. Comeu duas grandes e suculentas maçãs, três fatias de pão com duas fatias de queijo e um pedaço de bacon cada e tomou a jarra inteira de suco. Enquanto comia, deu uma dúzia de pedaços de bacon para Nauh, que lambeu seus beiços com satisfação.

    Após terminar seu desjejum, Roub agradeceu à Alice dizendo que a comida estava maravilhosa e se dirigiu à porta do outro lado do salão.

    Fora da cozinha, entraram em outro corredor ricamente decorado e frequentado por alguns nobres transeuntes. Todos os saudaram com Bom dia Roub ou Olá pequeno príncipe e respondia com um aceno de cabeça e um largo sorriso que, na verdade, era um pouco falso, pois odiava toda aquela bajulação para com a nobreza. Todos não passavam de pessoas fracas que se aproveitavam da boa vontade de seu pai, o rei Touh.

    Roub preferia passar seu tempo com os guerreiros, estudiosos e o resto da plebe. Acreditava que tudo que eles apresentavam eram sentimentos reais e baseados no seu caráter, diferente da nobreza.

    Chegando a outro lance de escadas, no fim do mesmo corredor, desceu ao térreo do castelo. Um salão enorme feito da mesma pedra negra reflexiva do exterior, suas paredes eram decoradas com tapeçarias que desciam do teto plano a cinquenta metros do chão. Todas tecidas com fio de ouro e nas mais diversas cores, retratando grandes guerras e feitos passados. Quatro vitrais retangulares de trinta metros de altura em cada lado do salão deixavam a luz entrar.

    Ao centro, encontrava-se um altar de dois metros de altura. Sobre ele, uma fonte em formato de cálice branco, com uma linha azul que circundava subindo de sua base até o topo, com grandes alças em formato de asas. Dela, jorrava uma enorme e constante quantidade de água. Quatro pilares circundavam o altar e quatro joias jaziam ao topo: uma azul, uma branca, uma verde e uma marrom. Próximas às paredes laterais havia diversos vasos com orquídeas das mais variadas cores.

    De frente à fonte, do outro lado do salão, havia um par de portas prateadas que subiam retas até culminar em um ângulo de sessenta graus. Dois grandes martelos gravados nelas se destacavam. Atrás da fonte, encontrava-se um par de portas idênticas ao da frente, mas com dois grandes escudos gravados, ao invés de martelos. As portas grandiosas eram guardadas por quatro guardas cada, todos de túnicas púrpuras e capuzes cobrindo a cabeça.

    Roub e Nauh caminharam em direção ao portal dos martelos, os guardas abriram suas portas e os saudaram. Ao sair do salão, depararam-se com a escadaria de entrada do castelo: dois lances de escada feitos de pedras acinzentadas, com três metros de comprimento e um e meio de altura. Eram paralelos um ao outro e ligavam o castelo à estrada de pedras que levava à muralha. A estrada era ladeada por grandes carvalhos, desde seu início até seu fim. A estrada, ao chegar à escadaria, bifurcava-se: um caminho seguindo à direita do castelo e outro seguindo à esquerda. Nauh correu pelo caminho da esquerda, que levava aos Jardins Reais, seus pelos negros e compridos resplandecendo à luz do Sol, Roub tentou acompanhá-la. Correram por cerca de quinze minutos, acompanhados pela presença constante de guardas em vestes púrpuras.

    Chegaram em um campo verdejante colado ao lado esquerdo da muralha. Os Jardins Reais percorriam pela extensão do grande muro, repletos de flores e árvores das mais diversas espécies e tamanhos até onde a vista alcançasse, pássaros cantarolavam por todos os lados, impregnando a região com uma inebriante harmonia.

    Roub e Nauh rolavam, empurrando-se no extenso gramado verde. Quando pararam com sua brincadeira selvagem, o garoto se levantou e pegou um galho qualquer do chão e começou a jogar. Nauh, sem nem hesitar, corria para buscar e trazer de volta para seu dono e amigo, seu grande corpo se mexendo em uma combinação de força e velocidade impressionante.

    Após uma hora de brincadeira, quando ambos estavam exauridos, dirigiram-se ao grande lago artificial, localizado ao centro dos Jardins. Tinha cerca de cinquenta metros de diâmetro, com uma água tranquila e transparente, onde grandes carpas escuras nadavam. Nas suas margens e águas, havia gansos, patos e grandes cisnes negros se locomovendo a esmo. No centro, havia uma ilhota, onde grandes tigres d’água estavam parados como estátuas, banhando-se com a luz solar.

    Roub se sentou em uma grande pedra, na margem leste, observando a atividade dos animais. Nauh se sentou aos seus pés, seu corpanzil descrevendo um semicírculo de pelos negros na frente do garoto. Lambeu-se por alguns momentos, até que se aquietou, escorou a cabeça na grama e, com uma bufada, fechou os olhos para um breve descanso.

    O príncipe pôde contemplar a suprema paz, encontrava-se em um local maravilhoso e na companhia de sua melhor amiga. Naquele momento, deixou-se pensar como era bom estar vivo para apreciar tudo aquilo.

    Porém, em seu interior, uma inquietação constante crescia.

    CAPÍTULO 2

    Inreiza!

    Após ficar alguns momentos na beira do lago com Nauh, levantou-se. Caminharam de volta à estrada que circundava o castelo, porém, seguiram o caminho da direita. Aquele que os levaria ao campo de treinamento.

    Como todo príncipe antes dele, Roub havia começado a treinar as artes do combate com oito anos, também começou a estudar história, geografia, línguas, cálculos e estratégias em magia.

    Caminharam por vinte minutos até chegarem a um grande descampado lotado de equipamentos de combate e treino, onde uma variedade de magos especialistas praticava suas habilidades. No centro, viam-se musculosos magos guerreiros usando nada mais do que largas bermudas brancas, de torsos descobertos, encharcados de suor devido ao treino, com suas armas de pura energia, golpeando bonecos de madeira.

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