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Administração em Enfermagem: como lidar com dificuldades no exercício gerencial

Administração em Enfermagem: como lidar com dificuldades no exercício gerencial

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Administração em Enfermagem: como lidar com dificuldades no exercício gerencial

Duração:
205 páginas
2 horas
Lançados:
14 de ago. de 2018
ISBN:
9788578083083
Formato:
Livro

Descrição

Administração em Enfermagem: como lidar com dificuldades no exercício gerencial, escrito por Jackeline Cristiane Santos, apresenta mecanismos de enfrentamento acessados por enfermeiros, diante de dificuldades com gestão. Estudiosos da área de Administração em Enfermagem vêm apontando, há tempos, a elevada demanda gerencial atribuída ao enfermeiro, porém acompanhada de um descompasso na formação. Com sagacidade, a autora constrói esta obra a partir da seguinte pergunta: se o enfermeiro não tem o devido preparo gerencial, como lida com a função que ocupa, superando (ou não) as dificuldades que se lhe apresentam? Os relatos contidos no livro possibilitam entender que todo enfermeiro é conclamado (pela natureza das atividades que exerce) a ser gerente, a despeito da área em que atue. Espera-se que esta leitura contribua para a compreensão da importância do empenho de instituições de ensino, serviços de saúde e comunidade, em torno da construção de condições para o aperfeiçoamento gerencial do enfermeiro, repercutindo sobre a atenção destinada àqueles que são a razão de ser do Sistema Único de Saúde: a população usuária.
Lançados:
14 de ago. de 2018
ISBN:
9788578083083
Formato:
Livro


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Enfermagem.

Capítulo 1

ENFERMAGEM E GESTÃO: PANORAMA DO PROBLEMA

A problemática da Gestão em Enfermagem

A Enfermagem é considerada Arte e Ciência do cuidado (KAWAMOTO; FORTES, 1997). O cuidado em Enfermagem pode ser concebido concomitantemente como Arte e Ciência de pessoas que convivem e cuidam de outras, em uma profissão dinâmica, sujeita a permanentes transformações, e que agrega reflexões sobre novos temas, problemas e ações, já que seu princípio ético envolve a manutenção ou a restauração da dignidade do corpo em todos os âmbitos da vida (LIMA, 1994).

A Enfermagem concebida como Ciência remete à fundamentação de práticas e técnicas no campo de conhecimentos sistematizados, que é o do conhecimento científico. Já a concepção de Enfermagem como Arte remete à intuição e à criatividade, que por sua vez são importantes no desempenho ético das mais diversas funções abrangidas no exercício profissional da Enfermagem (SILVA et al., 2005).

Outrossim, segundo Rocha et al. (2008), o cuidado de Enfermagem e a tecnologia estão interligados, uma vez que o cuidado de enfermagem se compromete com princípios, leis e teorias, e a tecnologia consiste na expressão desse conhecimento científico, e em sua própria transformação.

Em consonância com a concepção da atuação de Enfermagem conectada à tecnologia, o Decreto n. 94.406 de 08 de junho de 1987 (Brasil, 1987), que regulamenta a Lei do Exercício Profissional de Enfermagem, alude em seu artigo 8º, inciso II, alínea q à participação no desenvolvimento de tecnologia apropriada à assistência de saúde, pelo enfermeiro integrante da equipe.

Portanto, o cuidado realizado pela Enfermagem pode ser compreendido como processo que envolve e desenvolve ações, atitudes e comportamentos que se fundamentam no conhecimento científico, técnico, pessoal, cultural, social, econômico, político e psicoespiritual, buscando a promoção, manutenção e / ou recuperação da saúde, dignidade e totalidade humanas (MAIA et al., 2003). Considerando que o exercício da Enfermagem envolve, concomitantemente, as dimensões artística, científica e tecnológica, é possível perceber inicialmente a complexidade que envolve tal profissão. Não bastasse isso, a Enfermagem reúne diferentes profissionais de saúde: enfermeiro, técnico de enfermagem, auxiliar de enfermagem e parteira (conforme o parágrafo único do artigo 2º da Lei do Exercício Profissional da Enfermagem, Lei n. 7.498 / 86 – BRASIL, 1986).

As diferenças entre esses profissionais centram-se na formação requerida para o exercício da profissão (o enfermeiro é o único com formação em nível superior), e nas diferentes atribuições legalmente estabelecidas para cada categoria profissional.

Corroborando essas diferenças, o inciso I do artigo 11 da Lei do Exercício Profissional da Enfermagem aborda as atribuições privativas do enfermeiro, no âmbito da Administração: direção e chefia de órgãos, unidades e serviços de Enfermagem; organização e direção das atividades técnicas e auxiliares exercidas em empresas prestadoras de serviços de enfermagem; planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços de assistência de Enfermagem; consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de enfermagem (alínea h). O inciso II do artigo supramencionado evidencia ainda como atividade privativa do enfermeiro compondo equipe multidisciplinar de profissionais de saúde a participação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde (alínea a).

A função hierárquica superior do enfermeiro perante os demais membros da classe expressa-se no artigo 15 da Lei anteriormente mencionada, ao informar que as atividades de técnicos e de auxiliares de enfermagem somente podem ser desempenhadas sob orientação e supervisão do Enfermeiro (BRASIL, 1986). Percebe-se então, que o enfermeiro é o profissional de Enfermagem com funções gerenciais inerentes à sua atividade profissional.

Nesse contexto – e dadas a heterogeneidade e a complexidade que envolvem a classe profissional da Enfermagem – é comum haver confusão nominal de seus profissionais, tanto por leigos quanto por letrados. Para muitos desses, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem são todos enfermeiros, mas há também aqueles que no intuito de diferenciar o profissional de nível superior, adotam o termo enfermeiro-chefe (remetendo-se às funções de chefia, que são privativas do enfermeiro).

A despeito da afirmativa de Marquis e Huston (1999), de que todo enfermeiro é um administrador, Carneiro (2009) declara haver, na carreira de enfermagem, várias designações hierárquicas: enfermeiro diretor, enfermeiro supervisor e enfermeiro chefe, estando esse ao nível da gestão operacional, sendo a missão principal de seu trabalho a gestão de pessoas e de cuidados. O enfermeiro chefe como gestor de cuidados de saúde deve ter características que o tornem aceito por seus colaboradores. Aquele profissional deve ter competências técnicas, conceituais e relacionais, uma vez que a utilização adequada e a devida articulação dessas competências determinam, em grande parte, o seu sucesso como administrador, mas também a eficácia do trabalho da equipe que lidera, que é essencialmente o cuidado de pessoas. Cabe ao enfermeiro gerir os problemas inerentes à profissão, mas também aqueles que se devem ao seu posicionamento na hierarquia organizacional, os que advêm de suas responsabilidades funcionais, e os que emanam dos coordenadores das equipes que lideram (CARNEIRO, 2009).

Ora, se são do enfermeiro as funções de chefia, organização, planejamento e direção de órgãos, unidades e serviços de Enfermagem, espera-se dele competência técnica para tal. E não basta o enfermeiro ter essas funções legalmente estabelecidas; ele necessita dispor de formação profissional que atenda as demandas gerenciais presentes em seu trabalho. Para além das demandas diretas por gerenciamento da equipe de Enfermagem, o mercado de trabalho lança oportunidades direcionadas a enfermeiros, para a ocupação de cargos que explicitamente requerem deles competências de gestão. São cargos ou funções que incidem apenas indiretamente sobre a assistência de enfermagem, tornando o exercício profissional de enfermagem, em muitos casos, majoritariamente administrativo. Tal afirmação pode ser constatada no Quadro 1, que foi produzido pela autora a partir de um levantamento feito no site de concursos públicos do IPAD (Instituto de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico e Científico). No mês de abril de 2012, foi acessada a listagem de concursos públicos que dispunham de vagas para enfermeiros (a listagem disponibilizava apenas os concursos públicos de 2010 e de 2011), e foram analisados os editais de cada um, para a verificação dos perfis de atribuições demandadas por esses concursos para o enfermeiro. Em todos eles, há atribuições administrativas para o enfermeiro, que estão dispostas e destacadas (grifos da autora) no quadro abaixo:

Quadro 1: Atribuições administrativas de Enfermeiros em Concursos Públicos

Fonte: IPAD Concursos (2012).

Assim, percebe-se a importância do gerenciamento pelo enfermeiro, além do que em meio a uma sociedade que vive um acelerado processo de mudanças nos campos da tecnologia, da comunicação, da geopolítica e da geoeconomia, um dos recursos mais cobiçados é uma boa gerência (GRECO, 2004).

Ao longo do tempo, o termo administração foi sendo substituído por gerência ou gestão e o ato de gerenciar começou a ser discutido mundialmente como um recurso estratégico significando dentre outros sentidos qualquer posição de direção ou chefia com o objetivo de alcançar as metas previstas, através da aglutinação de esforços (SENA, 2002). Nesta obra, os termos administração, gerenciamento e gestão serão utilizados sinonimicamente.

A aglutinação de esforços a que Sena (2002) refere-se, para o alcance de metas previstas, é implementada pelas ações humanas; e ao mencionar o componente humano, não se deve esquecer de que as pessoas em uma empresa são a chave para o seu crescimento, desenvolvimento e sucesso, e que o gerente tem que ter habilidade para lidar com as pessoas e promover a participação (GRECO, 2004).

Considerando que o trabalho da Enfermagem é desenvolvido por mais de uma categoria profissional, e ocorre por meio de ações hierarquizadas que são distribuídas segundo graus de complexidade, pressupõe-se que haja um administrador, preparado para garantir a unidade e a organização desse trabalho coletivo; além de ser capaz de planejar e de desenvolver novos processos, métodos e instrumentos. Ademais, o mercado profissional

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