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Exegese? Para quê?: 21 Estudos textuais, exegéticos e teológicos do Novo Testamento

Exegese? Para quê?: 21 Estudos textuais, exegéticos e teológicos do Novo Testamento

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Exegese? Para quê?: 21 Estudos textuais, exegéticos e teológicos do Novo Testamento

notas:
5/5 (2 notas)
Duração:
672 páginas
7 horas
Editora:
Lançados:
24 de abr. de 2019
ISBN:
9788526319608
Formato:
Livro

Descrição

Nesta obra, temos a oportunidade de vislumbrar 25 anos da produção intelectual de um dos maiores estudiosos pentecostais do Novo Testamento da atualidade, Gordon Fee. São 21 artigos de estudos textuais, exegéticos e teológicos sobre as mais variados passagens do Novo Testamento, entre eles, Paulo como um dos primeiros pensadores trinitários, a liberdade e obediência de acordo com Paulo, a cristologia e pneumatologia do Novo Testamento e muito mais. São estudos primorosos que demonstram o domínio que Fee tem na tarefa exegética e ilustram o objetivo da exegese a serviço da comunidade cristã.
Editora:
Lançados:
24 de abr. de 2019
ISBN:
9788526319608
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Exegese? Para quê? - Gordon D. Fee

Dissidente

Na minha revisão do A Textual Commentary on the Greek New Testament [Comentário Textual sobre o Novo Testamento em Grego, doravante referido pelo título Textual Commentary], do professor Bruce M. Metzger, concluí que "mesmo quando [...] o estudioso sente que a comissão cometeu um erro, [o Textual Commentary] servirá de ponto de partida útil para uma discussão mais aprofundada".² Aproveito a ocasião deste Festschrift³ em honra do professor Metzger para seguir essa sugestão, analisando um dos tais textos: Lucas 10.41,42.

PARTE I

Esta passagem é um famoso dilema exegético, cuja solução final está inextricavelmente ligada à crítica textual. A questão exegética é: Era intenção de Jesus não fazer comparação entre as duas irmãs, mas apenas dizer: Marta, Marta, Maria escolheu a boa parte, ou será que ele repreendeu Marta por estar ansiosa por muitas coisas, ao mesmo tempo em que elogiou Maria por ter escolhido a boa parte? Se for a segunda opção, então ele disse a Marta: (1) Poucas são necessárias? Ou (2) uma só é necessária? Ou (3) poucas são necessárias ou, antes, uma só?

Essas diferenças são um reflexo da evidência textual, que se reduz a quatro formas básicas, com pequenas variações dentro de cada uma:

(1) Ma,rqa Ma,rqa\ ⁴²Mari,a...

D [+ qoruba,zh|]

a b e ff² i l r¹ (c) [c + conturbaris erga plurima]

Ambrósio, exp. Lc. 1.9 (CChL 14.11) [Cita 10.40-42.]

Possídio, vit. Aug. (MPL 32.34)

[Clemente (Q.d.s. 10.6 [GCS 3.166]) é às vezes citado por estar apoiando o Códice Colbertino do Latim Antigo (c). Seu texto diz: su. peri. polla. tara,ssh|\ Mari,a th.n avgaqh.n meri,da evxele,xato. Mas a natureza livre dessa adaptação somada ao contexto mostram claramente que Clemente não tem a intenção de citar todos os vv. 41 e 42.]

(2) Ma,rqa Ma,rqa( merina|/j kai. turba,zh| peri, polla,( ⁴²ovli,gwn de, evstin crei,a\ Mari,a de,...

38

syrpal arm geo bo (2 MSS)

[Orígenes, fr. 78 in Jo. (GCS 4.545) é frequentemente citado em apoio desta variante. Mas, como veremos adiante, é algo extremamente duvidoso. Seu texto diz: kai. ouvk avpiqa,nwj dia. th.n evn tw|/ Mwu?se,wj no,mw| politei,an fesi.n eivrh/sqai th/| Ma,rqa|\ "Ma,rqa Ma,rqa( peri, polla. qorubh/| kai. perispa/sai( ovli,gwn de. evstin crei,a\" eivj swthri,an ga.r ouv tw/n pollw/n kata. to. gra,mma tou/ no,mou evntolw/n crei,a( avllV ovli,gwn( evn oi=j kre,matai o[loj o` no,moj kai. oi` profh/tai( tw/n peri. avga,phj nenomoqethme,nwn)]

(3) Ma,rqa Ma,rqa( merimna/|j kai. $qoruba,zh|% peri. polla,( ⁴²e`no.j de, evstin crei,a\ Maria.$m% de,...

î⁴⁵ î⁷⁵ A C* W Q X Y uncrell 22 118-209 892 1241 f¹³ pler

[î⁷⁵ A Y 69 892 1241 pc ga,r l. de, (2o)]

itaur f q vg sa syrc, p, h

[aur vg porro unum est necessarium

f unum est autem opus

q unius autem est opus]

Crisóstomo, hom. 44 in Jo. (MPG 59.249a)

Evágrio, rer. mon. (MPG 40.1253c)

Nilo, de mon. praest. (MPG 79.1079b)

Pseudo-Basílio, const. asc. 1.1 (MPG 31.1325c)

[F. H. A. Scrivener em A Plain Introduction to the Criticism of the New Testament (1894), 2.350, e o UBSGNT o citam incorretamente como da lavra de Basílio. É quase certo que o tratado não é de Basílio. Pelo visto, foi escrito sob influência messaliana. Veja Johannes Quasten, Patrology, 3.213.]

Pseudo-Macário, ep. mag. 32 (W. Jaeger, Two Rediscovered Works of Ancient Christian Literature [1954], p. 288)

João de Damasco, de fid. orth. 2.11 (MPG 94.916a) [ga,r l. de,]

Agostinho, serm. 103.2 (MPL 38.614) unum autem opus est

serm. 104.1 (MPL 38.616) quando unum est necessarium

serm. 104.2 (MPL 38.617) quando unum est necessarium

serm. 170.14 (MPL 38.925) porro unum est necessarium

serm. 179.3 (MPL 38.967) porro unum est necessarium

serm. 256.6 (MPL 38.1189) porro unum est necessarium

[Todos os pais do Latim Antigo (exceto Cassiano, indicado abaixo na leitura 4), por exemplo, Gregório, o Grande, Beda, Antíoco [São Saba]) citam a Vulgata.]

(4) Ma,rqa Ma,rqa( merimna/|j kai. qoruba,zh| peri. polla,( ⁴²ovli,gwn de, evstin crei,a h' e`no,j\ Maria.$m% ga,r...

î³ a B C² L 1 33 579 2193

[B ~crei,a evsti,n; a* om. crei,a; 579 de, l. ga,r]

syrhmg borell eth itm

[O Códice de Mulling (Latim Antigo) diz: paucis vero opus est vel etiam uno.]

Orígenes, fr. 39 em Lc. (GCS 9.298): du,natai de. Ma,rqa me.n ei=nai kai. h` evk peritomh/j sunagwgh. eivj ta. i;dia o[ria dexame,nh to.n VIhsou/n( perispwme,nh peri, th.n evk tou/ gra,mmatoj tou/ no,mou pollh.n latrei,an( Mari,a de. h` evx evqnw/n evkklhsi,a th.n avgaqh.n tou/ pneumatikou/ no,mou meri,da evklexame,nh avnafai,reton kai. mh. katargoume,nhn w`j h` evpi. tou/ prosw,pou Mwu?se,wj do,xa( ovli,ga ta. crh,sima evk tou/ no,mou evpile,xasa h' pa,nta avnafe,rousa eivj e]n to. avgaph,seij) kai. eivj me.n to,\ e`no,j evsti crei,a crh,sh| to,\ avgaph,seij to.n plhsi,on sou w`j seauto,n( eivj de. to, ovli,gwn evsti.n ta.j evntola.j oi=daj\ ouv moiceu,seij\ ouv foneu,seij kai. ta. e`xh/j)

Basílio, moral. 38.1 (MPG 31.760) [Em citação dos vv. 38-42.]

reg. fus. 20.3 (MPG 31.973) [Com exegese das duas partes]

Cirilo de Alexandria, Lc. 7.33 (MPG 72.621) [Fragmentos gregos do comentário]; também em siríaco, serm. 39 (CSCO 70.77); serm. 69 (CSCO 70.188)

Olimpiodoro, o Jovem, comm. Ezek. 1.14 (MPG 93.489)

Jerônimo, ep. 22 (ad Eustoch.).24 (Labourt [1949], 1.136) pauca autem necessaria sunt aut unum [escrito em Roma, 384 d.C.]

Cassiano, conlatio 1.8 (CSEL 13.15) paucis vero opus est aut etiam uno

Cada uma dessas formas de texto tem seus defensores recentes. Em seu comentário na série Pelican, G. B. Caird defendeu a leitura 1.⁵ Ele estava seguindo a tradição que remonta a F. Blass,⁶ que, por sua vez, foi seguido, inter alia, por J. Wellhausen,⁷ J. Moffatt,⁸ W. Bousset,⁹ E. Klostermann¹⁰ e W. Manson.¹¹ Aqui, não só a leitura mais curta é preferida, mas as outras três têm de ser consideradas como variantes de uma glosa tardia.¹²

A leitura 2 foi defendida por Monika Augsten.¹³ Até onde posso dizer, von Soden é o único outro defensor.¹⁴ Entretanto, essa variante tem desempenhado um papel crucial nas discussões, pois repetidamente argumenta que a leitura 4 é uma mescla das leituras 2 e 3.¹⁵ A maioria dos que assim argumenta favorece a leitura 3 como a original. Augsten prefere a leitura 2 na qualidade de lectio difficilior.

A leitura 3 é a leitura tradicional, tanto na antiguidade cristã do Oriente e do Ocidente quanto na maioria dos comentários¹⁶ e traduções em inglês.¹⁷ Goza de apoio das edições críticas de Tischendorf, Vogels, Bover, Nestle¹⁸ e agora do UBSGNT. Foi recentemente defendida em extensa discussão por A. Baker como a leitura que melhor explica as outras e está mais de acordo com o estilo lucano.¹⁹ A apresentação dos argumentos a favor dessa leitura foi sucintamente apresentada pelo professor Metzger no Textual Commentary. Tendo em vista que terei oportunidade de debater algumas dessas conclusões, apresento seus comentários na íntegra:

[As] variações surgiram por entender que e`no,j refere-se apenas às provisões que Marta estava preparando para a refeição. O absoluto de e`no,j foi suavizado ao substituí-lo por ovli,gwn [...] e, por fim, em alguma testemunha [...] os dois foram combinados, a despeito dos resultados desastrosos quanto ao sentido. A omissão de ambas as cláusulas (assim como ga,r após Maria,m) ita,b,e,ff2i,l,r1 syra (D retém apenas qoruba,zh|) representa uma deliberada excisão de uma passagem incompreensível, se não por puro acidente, talvez ocasionado por homoioarchon²⁰ (Ma,rqa ... Maria,m).²¹

A leitura 4 tem o apoio das edições críticas de Westcott-Hort, B. Weiss, Lagrange e Merk, bem como de muitos comentários²² e algumas traduções em inglês.²³ No entanto, nunca teve uma defesa em grande escala.

O propósito deste artigo é preencher essa lacuna, mostrando as fraquezas do argumento apresentado no Textual Commentary e argumentando que a leitura 4 é a única variante que explica adequadamente todos os dados.

PARTE II

Apesar da frequência com que é afirmada, a sugestão de que ovli,gwn de, evstin crei,a h' e`no,j é uma combinação de textos tem de ser abandonada permanentemente. A possibilidade de combinação de textos tem vários pontos desfavoráveis, todos tendo a ver com o fraco apoio para a leitura 2: ovli,gwn de, evstin crei,a.

Para que a combinação de textos tivesse ocorrido, teríamos de estabelecer a existência muito precoce (especialmente no Egito) da leitura 2. Teríamos de pensar sobre a ordem de palavras da leitura mais longa, ovli,gwn ... e`no,j, para que a simples combinação de textos tivesse ocorrido (a mera adição de h' e`no,j) a leitura ovli,gwn de, evstin crei,a deveria ter sido predominante no Egito. Mas as evidências a favor da existência precoce dessa variante são tão frágeis que quase não valem nada.

Claro que Augsten argumentou recentemente que o fragmento do comentário de Orígenes sobre João é a evidência de que precisávamos e que agora a temos.²⁴ A. Baker, com base no fragmento do comentário de Orígenes sobre Lucas, já havia sugerido que Orígenes era a fonte da combinação de textos.²⁵ No entanto, ambas as sugestões são uma manipulação inadequada das evidências de Orígenes.

Primeiro, o comentário no fragmento de Lucas dificilmente é a fonte da combinação de textos e por duas razões.

1. Há muitos exemplos nos comentários e homilias de Orígenes de exatamente o tipo de exegese encontrado no fragmento de Lucas, e em nenhum outro exemplo ele está combinando textos. O comentário de Orígenes aqui é padrão para ele e indica, como era de se esperar, que ele estava trabalhando com o mesmo texto que encontramos em a B et al. Para ele, Marta representava o judaísmo, que, apesar de ter recebido Jesus em sua casa, ainda estava distraída com muito (pollh,n) serviço baseado na letra da lei. Maria, por outro lado, é como a igreja gentia, que escolheu a boa parte da lei espiritual. Orígenes diz que apenas algumas coisas (ovli,ga) expostas na lei são benéficas (crh,sima); na verdade (h;), todas as coisas na lei estão apresentadas em um (e[n) mandamento: amarás. Em seguida, ele exemplifica o argumento baseando-se em duas declarações de Jesus. A uma só é necessária refere-se à declaração Amarás o teu próximo como a ti mesmo, e a poucas são necessárias à declaração Tu sabes os mandamentos: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não dirás falsos testemunhos; não defraudarás alguém; honra a teu pai e a tua mãe. A facilidade com que Orígenes se move de polla, para ovli,ga e para e[n deixa claro que ele pressupõe esse texto e, portanto, não é o seu criador.

2. Há amplas evidências disponíveis em Orígenes de lugares onde ele conhece duas ou mais variantes.²⁶ Nesses casos, ele sempre faz uma declaração clara da existência das várias leituras, e comenta a respeito delas. Portanto, concluímos muito positivamente que ao escrever o comentário sobre Lucas, Orígenes conhecia apenas um texto com a leitura mais longa, e que ele não é de modo algum responsável por criá-la.

Segundo, claro que é basicamente este mesmo comentário que Orígenes fez anteriormente no comentário sobre João 11.2.²⁷ Lá, ele já tinha visto Maria como su,mbolon tw/n avpo. evqnw/n, e Marta como tw/n evk peritomh/j. Nesse caso, ele está comentando sobre João 11, e não sobre Lucas 10. Seu interesse agora está exclusivamente em Marta, que, como os judeus, estava distraída com polla,, quando apenas ovli,ga era necessária para a salvação. Ele cita o texto um tanto quanto livremente e apenas parcialmente. Mas no comentário final, em que ele vincula as poucas coisas com a lei do amor em Mateus 22.40, fica claro que ele pressupõe o mesmo tipo de comentário que fará plenamente na passagem de Lucas. Mas mesmo aqui ele pressupõe o texto mais longo, ainda que o cite parcialmente.

Mesmo que não tivéssemos evidências contextuais tão claras como Orígenes oferece nesses dois fragmentos, esse tipo de texto pequeno em uma citação patrística é de valor duvidoso. Como mostrei em outro texto, dificilmente podemos fazer uma defesa com uma citação patrística quando as palavras sob debate estão faltando no início ou no final da citação.²⁸ É o que ocorre quando em outras citações, o mesmo pai cita o texto na íntegra e inclui as palavras sob debate! Por exemplo, foi o que observei sobre o suposto apoio de Orígenes de î⁴⁵ et al. na omissão de kai. h` zwh, em João 11.25.²⁹ Nesse caso, a evidência completa de Orígenes deixa claro que ele conhecia apenas o texto mais longo. O mesmo se aplica aqui. Essa cadeia de fragmentos não suportará o peso que muitos lhe dão como evidência do conhecimento de Orígenes de um texto sem h' e`no,j.³⁰

Portanto, a única evidência a favor da variante ovli,gwn de, evstin crei,a é do Códice 38 (séc. XIII); de três versões: a siríaca palestina (traduzida depois de 400 d.C.);³¹ a armênia (c. 410) e a georgiana (c. 450); e de dois manuscritos da versão boáirica (a [séc. IX], J1 [séc. XIII]). Mas argumentar fundamentado nessas testemunhas diversas a favor de um denominador comum que remonta ao século II é perder a perspectiva histórica, ou, pelo menos, é deixar de lidar com a lógica a priori da genealogia.

Notemos, antes de tudo, que essas testemunhas representam três tradições bastante independentes. O Códice 38 é um manuscrito bizantino, que von Soden enumerou como Ik. A versão armênia e a georgiana têm afinidades textuais bem conhecidas, visto que há uma relação reconhecida, mas não clara, entre o armênio e o siríaco. A versão boáirica é testemunha do texto egípcio. Alguém poderia propor que três dessas vertentes de evidência, todas independentes umas das outras, são argumentos a favor de um arquétipo comum que tem de remontar já ao século II. Mas é exatamente o que é difícil de acreditar nesse caso. Dada a natureza dessas testemunhas particulares, é muito mais provável que esta seja uma leitura subsingular, ou seja, "um acordo não genético e acidental na variação entre dois manuscritos os quais, de outra forma, não estão estreitamente relacionados".³²

Comecemos com os dois manuscritos boáiricos. De acordo com Horner, esses dois manuscritos estão sujeitos a omissões de vários tipos.³³ Isso significa que o que temos aqui não são dois manuscritos boáiricos relacionados que representam uma expressão independente dessa versão e, portanto, representam um texto grego que diz: ovli,gwn de, evstin crei,a. Mais exatamente, esses dois manuscritos são corrupções independentes (que omitem h' e`no,j) do único texto de Lucas 10.42 conhecido em boáirico, ou seja, o texto mais longo.

O mesmo também ocorre com as outras versões. Em outras palavras, tendo em vista que não há evidência grega antiga de qualquer tipo para ovli,gwn de, evstin crei,a, é muito mais provável que representam erros de tradução ou simples corrupções da leitura mais longa, do que representam a suavização de e`no,j de, evstin crei,a.

O texto do Códice 38 é igualmente suspeito. Claro que ninguém argumentará seriamente que este manuscrito do século XIII, único entre todos os seus parentes próximos e distantes, preservou essa leitura do século II. Pelo contrário, ovli,gwn de, evstin crei,a é mera leitura singular no Códice 38. Não podemos dizer se é uma corrupção de e`no.j de, evstin crei,a ou de ovli,gwn de, evstin crei,a h' e`no,j (provavelmente o primeiro). Em ambos os casos, a única evidência grega disponível para ovli,gwn de, evstin crei,a pertence ao século XIII, e não pode ser facilmente rastreada até o século II.

Em conjunto, a evidência a favor de ovli,gwn de, evstin crei,a é tão fraca que não pode ser o texto original nem serve de fonte antiga para a suposta combinação de textos na leitura 4.

PARTE III

Julgamento semelhante deve ser feito a respeito da leitura 1. Embora às vezes seja verdade que a lectio brevior potior³⁴ não é algo altamente improvável em Lucas 10.41,42. Claro que a omissão é difícil de explicar. Se é acidental, então a sugestão feita primeiramente por G. D. Kilpatrick³⁵ e repetida de forma ligeiramente diferente no Textual Commentary pode muito bem estar certa: homoioteleuton³⁶ ou homoioarchon.

A omissão deliberada seria mais difícil de explicar. Se, como sugere Metzger, é uma excisão deliberada de uma passagem incompreensível, temos de admitir que o texto resultante é ainda mais incompreensível (a despeito da tradução de Moffatt). Teríamos esperado o que aconteceu no Códice Colbertino (c), mas não é o que ocorreu. Mas se é deliberada, então o texto ocidental é mais uma evidência da existência antiga e difundida de ovli,gwn de, evstin crei,a h' e`no,j. Como todos admitem, esta é a única leitura das restantes duas (3 e 4) que poderíamos pensar que é incompreensível.

Mas por mais difícil que seja explicar a omissão, é ainda mais difícil explicar todos os dados se o texto curto for original. Encontram-se entre várias dessas omissões no texto ocidental (as não interpolações ocidentais de Hort) algumas das quais se recomendam aos estudiosos recentes como texto original.³⁷ Além da fraca atestação externa, a leitura curta enfrenta outras duas dificuldades.

1. A duplicação do vocativo Ma,rqa, seguido imediatamente por uma palavra sobre Maria, é difícil sob quaisquer circunstâncias. Mas, neste caso, também se opõe a uma característica clara do estilo lucano. A duplicação de nomes pessoais é uma peculiaridade lucana no Novo Testamento (Lc 10.42; 22.31, At 9.4; 22.7; 26.14). Nos outros casos, o vocativo é seguido, como seria de esperar, por uma palavra falada na segunda pessoa àquela dirigida. As palavras merimna/|j kai. qoruba,zh| peri. polla, encaixam-se exatamente nessa característica estilística e, portanto, pertencem obviamente a Lucas, e não a um glosador.

2. A declaração: merimna/|j kai. qoruba,zh| peri, polla,\ ovli,gwn de, evstin crei,a h' e`no,j, com o seguinte ga,r, é muito difícil de explicar como glosa. Em primeiro lugar, as glosas costumam ter a natureza de comentário explicativo (Jo 5.4) ou de comentário catequético/teológico (At 8.37; 1 Jo 5.7b). Mas o que essa glosa explica? E por que toma a forma de palavra de Jesus (a menos que viesse de uma tradição da história já existente)? A variação textual deixa óbvio que a explicação glosada criou tantas dificuldades quantas esperava resolver. E por que aquele que a introduziu no texto insere um ga,r em vez de um de, seguindo de Maria,m? Sugerir que essa declaração é uma glosa é colocar muita confiança em uma leitura (a omissão) que já é suspeita pela companhia que mantém.

PARTE IV

Tudo isso significa que a variação textual em Lucas 10.42 resume-se a uma escolha entre duas e não quatro leituras. Lucas escreveu e`no.j de, evstin crei,a ou escreveu ovli,gwn de, evstin crei,a h' e`no,j. Ambas existem desde o século II e, seja como for, não há acidente envolvido. Uma é claramente a revisão deliberada da outra. A verdadeira questão é: Qual variante veio em segundo lugar? Em outras palavras, qual é mais bem explicada como a revisão da outra?

Quem opta pela leitura tradicional toma uma de três posições em relação à leitura 4: (1) Ignora-a completamente,³⁸ (2) descarta-a com desprezo³⁹ ou (3) dispensa-a como combinação de textos que produz um sentido intolerável.⁴⁰ Já vimos a improbabilidade da combinação de textos. Se é a revisão da leitura 3, então estejamos preparados para argumentar que produz um sentido tolerável para o revisor. Foi o que F. Godet viu há muitos anos. Ele próprio defendeu a originalidade de e`no,j, a qual ele acreditava que tinha uma referência dupla intencional para o próprio Jesus: um tipo de alimento é suficiente para o corpo, como um só é necessário para a alma. Acerca da leitura mais longa, Godet diz: "Este é provavelmente o significado da leitura alexandrina: ‘poucas coisas são necessárias (para o corpo), ou, antes, uma só (para a alma)’. E acrescenta: Há sutileza nesta leitura. Talvez demais".⁴¹

Godet tem razão em dois aspectos: é o provável significado da leitura 4 e é sutil. Mas não é um sentido intolerável. A única questão é saber se é muito sutil. Há uma longa e digna tradição que pensa o contrário, a qual argumenta que este é o texto original e que esse significado é mais do que tolerável — faz bastante sentido! Quanto ao fato de ser muito sutil, é o que ocorreria com o trabalho de um escriba do século II, sobretudo se o texto original fosse e`no.j de, evstin crei,a. Pelo visto, esse texto nunca deu problemas para ninguém na antiguidade, pelo menos não entre os que comentam o texto. Tendo em vista que as duas variantes levam ao mesmo resultado, é difícil imaginar por que um escriba antigo se sentiria impulsionado a fazer esse tipo de sutileza para alcançar esse resultado.

Por outro lado, se ovli,gwn de, evstin crei,a h' e`no,j fosse original, imaginaríamos que um escriba antigo ficaria perplexo com o texto (como muitos comentaristas posteriores ficaram). Tomando a indicação de e`no,j, mais o seguinte comentário sobre a escolha de Maria de th.n avgaqh.n meri,da, ele reescreveu o que era para ele um texto desconcertante em algo muito mais tratável. A leitura 4 é um caso de lectio difficilior potior⁴².

Embora nunca tenha sido incluído na discussão, há outra evidência que confirma essa escolha: é o intercâmbio de ga,r e de, seguido de Maria,m. Várias coisas são significativas a esse respeito: (1) Não importa qual escolha textual seja feita entre as leituras 3 e 4, todos os textos críticos têm Maria.(m) ga,r. (2) Está correto, pois é inconcebível que um escriba sob qualquer circunstância teria eliminado um de, em troca de ga,r aqui. (3) No entanto, em outros textos, o uso que Lucas faz de ga,r no discurso direto expressa muito claramente causa ou razão. Por exemplo, há trinta e cinco dessas ocorrências no Evangelho até 10.42, e a RSV (Revised Standard Version) traduz cada uma delas por for [para]. (4) Por outro lado, nessa passagem, as traduções bíblicas em inglês (inclusive a RSV) que são feitas da leitura textual de e`no.j de, ... Maria.m ga,r invariavelmente tratam ga,r como partícula intraduzível e não como conjunção. (5) Com razão, porque ga,r quase não segue e`no.j de, evstin crei,a significativamente. Os escribas posteriores, que tinham apenas e`no.j de, evstin crei,a em seus textos, tinham todo o direito de substituir ga,r por um consecutivo de,: "Uma coisa é necessária, e Maria escolheu...".

Como, então, explicaremos o original ga,r, sobretudo levando em conta o uso cuidadoso de Lucas em outros textos? A resposta é que acompanha um texto original que diz ovli,gwn de, evstin crei,a h' e`no,j. Funciona como explicação de h' e`no,j, sugerindo assim que o h; tem a força disjuntiva normal aqui. Portanto, o texto original diz: "Marta, Marta, você está preocupada e chateada com muitas coisas. No entanto (de,), poucas coisas são realmente necessárias, ou, antes (h;), apenas uma; pois esta é a que Maria escolheu, a boa parte...".

Pode ser interesse observar que as outras testemunhas egípcias (î⁷⁵ Y 892 1241) refletem suas verdadeiras origens a esse respeito, lendo ga,r, mesmo tendo captado o secundário e`no.j de, evstin crei,a.

PARTE V

Apresentemos um último argumento contra a leitura mais longa. Há quem sugira que essa leitura está muito restrita e confinada a Alexandria e, portanto, é revisão local e transitória.⁴³ A evidência de î⁴⁵ e especialmente de î⁷⁵ fortalece ainda mais a hipótese. Tanto é assim que, com a descoberta desses dois papiros, podemos rastrear o pêndulo da erudição oscilando de Westcott-Hort de volta ao texto tradicional. Tendo em vista que as influências por trás do texto de UBSGNT são muito claras, é mais provável que î⁷⁵ tanto quanto qualquer outra coisa levou à escolha de e`no.j de, evstin crei,a com uma classificação (C).⁴⁴

Este é um daqueles lugares raros em que o texto de î⁷⁵ é secundário ao texto original e à sua própria tradição textual. Já mostrei em outro texto⁴⁵ que a relação entre î⁷⁵ e B é tal que eles devem ter ascendência comum anterior a î⁷⁵. Ocasionalmente, encontramos uma bifurcação nesse tipo de texto, onde existem duas leituras claramente antigas entre as testemunhas, uma das quais se destina a tornar-se a leitura bizantina. Em raras ocasiões, î⁷⁵ e B também refletem essa bifurcação, onde agora uma e depois a outra tomam a variante que é secundária à corrente predominante do tipo do texto e ao texto original. Pelo visto, e`no.j de, evstin crei,a é uma dessas leituras.⁴⁶

Embora î⁷⁵ mostre que ambas as leituras existiam muito cedo no Egito, foi a leitura ovli,gwn de, evstin crei,a h' e`no,j que, ao que parece, predominou lá. É o que está evidenciado não somente pela tradição do manuscrito grego, mas também pelo fato de que a versão boáirica (embora não saídica) e a etíope traduzem esse texto, bem como porque esse é o único texto citado em qualquer evidência existente dos pais egípcios (Orígenes, Cirilo, Olimpiodoro, além de João Cassiano).

Mas será que esse texto que predominou no Egito encontra-se somente no Egito como aberração local? As evidências do Ocidente e do Oriente (fora o Egito) sugerem o contrário.

1. Não há evidência proveniente de fontes existentes de que a leitura 3 ou a 4 tenha existência antiga no Ocidente. Como mencionado acima, o antigo Latim Antigo omite completamente a cláusula. Ambrósio e Possídio, o biógrafo de Agostinho, refletem o predomínio contínuo da omissão no século V. Os antigos pais latinos infelizmente estão em silêncio.

A primeira aparição de qualquer uma das outras leituras no Ocidente está na carta de Jerônimo a Eustóquio, escrita em Roma em 384, quase na mesma época em que ele estava criando a Vulgata dos Evangelhos. Entretanto, não há como afirmar se essa leitura já existia em Roma, ou se Jerônimo a trouxe do Oriente. Em ambos os casos, é claramente um texto que ele conhecia bem e que existia fora do Egito.⁴⁷

Curiosamente, a primeira evidência de e`no.j de, evstin crei,a no Ocidente é também de Jerônimo. Novamente, não é possível saber se já existia ou se ele a introduziu. A ocorrência mais antiga dessa forma de texto está em Agostinho, e suas citações refletem o porro unum est necessarium da Vulgata.⁴⁸ A única evidência a favor da tradução não vulgata dessa variante encontra-se nos códices revistos f e q do Latim Antigo e em uma citação de Agostinho. Esta última evidência indica que a variante tinha certa existência no Ocidente independentemente da Vulgata. No entanto, a probabilidade é que essa leitura apareceu no Ocidente apenas depois que Jerônimo a introduziu.

2. Por outro lado, as evidências de outras partes do Oriente sugerem uma situação muito parecida com a do Egito, onde ambas as variantes existiam lado a lado desde cedo. Contudo, nesse caso, a leitura mais curta predominou. A leitura mais longa é conhecida nas tradições siríacas (na marginália da harcleana e na forma corrompida e encurtada [omite h' e`no,j] da palestina). É também citada e comentada por Basílio de Cesareia e é claramente o único texto que ele conhecia. Essa leitura também está por trás da versão armênia (e, portanto, da versão georgiana).

Não há evidências abundantes, mas são substanciais. Quando as juntamos com a evidência de Jerônimo, fica claro que a leitura teve uma história difundida no Oriente. No entanto, e`no.j de, evstin crei,a acabou predominando. Era conhecida bem cedo em siríaco. Em fins do século IV e posteriormente, é o único texto conhecido fora do Egito.

O que concluímos disso tudo é que as evidências externas são indecisas. As duas variantes existiam bem cedo no Egito. As duas variantes existiam fora do Egito nos séculos IV e V. A questão é se o tipo de texto egípcio, como ocorre em tantos outros casos, também preserva o original de Lucas. Nesse caso, a probabilidade transcricional argumenta fortemente de modo afirmativo.

PARTE VI

Todas essas evidências convergem para indicar que a leitura de Lucas 10.42 é: ovli,gwn de, evstin crei,a h' e`no,j. Sendo assim, o texto não é tanto uma crítica para Marta quanto é uma repreensão suave por sua ansiedade. Para uma refeição, diz Jesus, não há motivo para preocupar-se com polla,, quando só ovli,ga são necessárias. Depois de ter falado da necessidade, ele passa a confirmar a ação ultrajante de Maria. Na verdade, diz ele, em outro sentido, só uma coisa é necessária. E é o que Maria escolheu.


2 Bib 55 (1974): p. 455.

3 N. do T.: Em alemão, no original, livro de homenagem ou livro de celebração. No mundo acadêmico, o termo refere-se a um conjunto de artigos ou ensaios publicados na forma de livro que homenageia uma pessoa influente ou reconhecida. O livro é publicado enquanto o homenageado está vivo.

4 Os dados corroborativos são apresentados nesta ordem: linha 1, as evidências do grego, com a notação de menor variação dada entre parênteses (qoruba,zh|/turba,zh| e Maria,m/María são omitidos); linha 2, as evidências da versão: linha 3 (e a seguinte), as evidências patrísticas, que são dadas na íntegra quando tem certa relação com o estudo apresentado neste artigo.

5 G. B. Caird, Saint Luke (Baltimore: Penguin, 1963), pp. 149-150; reimpresso por Westminster (SCM) Pelican Commentaries series (Filadélfia: Westminster, 1977).

6 F. Blass, Evangelium secundum Lucam (Leipzig: Teubner, 1897). No livro Philology of the Gospels (Londres: Macmillan, 1898), pp. 148-149, ele considerou a evidência textual dessa passagem como um dos fortes argumentos a favor de duas edições de Lucas.

7 J. Wellhausen, Das Evangelium Lucae (Berlin: Reimer, 1904), p. 54.

8 J. Moffatt, The New Testament: A New Translation (Nova York: Hodder and Stoughton, 1913).

9 Die Schriften des Neuen Testaments neu übersetzt (Göttingen, 1917).

10 E. Klostermann, Das Lukasevangelium, Handbuch zum Neuen Testament 5 (Tübingen: Mohr, 1919), p. 485.

11 W. Manson, "The Gospel of Luke", The Moffat New Testament Commentary (Nova York: Harper, 1930), pp. 132-33.

12 J. M. Creed, The Gospel According to St. Luke (Londres: Macmillan, 1930), p. 154; cf. Caird, Saint Luke, p. 150.

13 M. Augsten, Lukanische Miszelle, New Testament Studies 14 (1967-1968): pp. 581-83.

14 Augsten também afirma que Scrivener sustenta a mesma opinião que ela, mas, ao que parece, ela o interpretou mal. Scrivener é forte defensor da leitura 3, e opõe-se tanto à leitura 4 que afirma: "Confessamos que preferimos ver esta grandiosa passagem expurgada das páginas do Evangelho do que diluída após o modo lamentável adotado por a e B. Na opinião dele, a leitura 2 é menos inacreditável do que a leitura de a B L" (A Plain Introduction to the Criticism of the New Testament, 4. ed., 2 vols. [Londres: Bell, 1894], 2.350). Pode ser que a adoção dessa leitura também seja a intenção das notas de A. Pallis em Notes on St. Luke and the Acts (Oxford: Oxford University Press, 1928), p. 22, e de W. R. F. Browning nos comentários Torch (Londres: SCM, 1960), p. 112.

15 É difícil traçar a origem dessa ideia. Apareceu já em H. Alford, The Greek Testament, 3 ed., 4 vols. (Londres: Rivingtons, 1861), p. 542. É ideia repetida com frequência em artigos (e.g., G. D. Kilpatrick, "The Greek New Testament Text of Today and the Textus Receptus", The New Testament in Historical and Contemporary Perspective, ed. H. Anderson e W. Barclay [Oxford: Blackwell, 1965], p. 192; A. Baker, One Thing Necessary, CBQ 27 [1965]: p. 136; Augsten, Lukanische Miszelle, p. 581) e em comentários (e.g., Ragg [1922], Creed [1930], Gilmour [1952], Ellis [1966], Stuhlmueller [1968]).

16 Inter alia, Alford (1863), Godet (1875), Farrar (1889), Sadler (1889), Zahn (4 ed., 1920), Ragg (1922), Boles (1941), Lenski (1946), Geldenhuys (1951), Gilmour (1952), Thompson (1972).

17 Inter alia, KJV (1611), RV (1881), ASV (1901), Weymouth (1903), Montgomery (1924), Knox (1944), Verkuyl (1945), RSV (1946), Rieu (1952), C. K. Williams (1952), Confraternity (1953), Kleist (1954), NEB (1961), Beck (1963), TEV (1966), Barclay (1968), NAB (1970), NIV (1973), Translators (1973), Estes (1973).

18 A leitura mais longa está impressa no texto. A partir da 20ª edição (1950), a sigla escribal(!) indica preferência pela leitura 3.

19 One Thing, pp. 127-137.

20 N. do R.: No processo de reprodução, este termo indica a ideia de que o copista pode ter cometido, involuntariamente, um erro visual, denominado de parablepse (olhar para o lado), que consiste em repetir uma palavra quando esta se apresentava em duas linhas consecutivas, podendo ocorrer no início (homoioarchon) ou no final (homoioteleuton) da frase.

21 A Textual Commentary on the Greek New Testament (Londres: UBS, 1971), pp. 153-154. Pelo visto, isso é dependente de Alford, Greek Testament, p. 1.543: As variações surgiram por entender que enoj refere-se meramente às provisões que estavam sendo preparadas. Então, essa palavra grega foi suavizada por oligwn e combinada em ambas as leituras.

22 Inter alia, Plumptre (1881), B. Weiss (9 ed., 1901), Plummer (1902), A. B. Bruce (s.d.), Lagrange (1919), Easton (1926), Rengstorf (1936), Grundmann (1939), Leaney (1958), Ellis (1966), Danker (1972), Karris (1977).

23 Inter alia, Twentieth Century (1898), Ballantine (1923), Greber (1937), C. B. Williams (1937), Phillips (1947), New World (1950), Wuest (1956), NASB (1963), JB (1966), Klingensmith (1972).

24 Lukanische Miszelle, p. 582.

25 One Thing, p. 136.

26 Veja B. M. Metzger, Explicit References in the Works of Origen to Variant Readings in New Testament Manuscripts, Biblical and Patristic Studies in Memory of Robert Pierce Casey, ed. J. N. Birdsall e R. W. Thomson (Freiburg: Herder, 1963), pp. 78-95.

27 Esta seção do comentário sobre João teria sido escrita em Cesareia, em c. 232. As homilias sobre Lucas estavam entre as que foram anotadas de forma abreviada durante seus últimos anos. Veja Eusébio, H. E. 6.36.

28 G. D. Fee, "The Text of John in The Jerusalem Bible: A Critique of the Use of Patristic Evidence in New Testament Textual Criticism", Journal of Biblical Literature 90 (1971): pp. 163-173.

29 Na minha revisão de Metzger, Bib 55 (1974): p. 454.

30 Tudo isso só confirma a observação feita por R. M. Grant há muitos anos, quando afirmou que as citações patrísticas não são citações, a menos que tenham sido adequadamente analisadas. Veja The Citation of Patristic Evidence in an Apparatus Criticus, New Testament Manuscript Studies, ed. M. M. Parvis e A. Wikgren (Chicago: University of Chicago, 1950), p. 124.

31 Para inteirar-se da datação das várias versões, veja B. M. Metzger, The Early Versions of the New Testament (Oxford: Clarendon, 1977).

32 Essa definição foi oferecida em um artigo inédito lido diante do Seminário de Crítica Textual da Sociedade de Literatura Bíblica (na sigla em inglês, SBL), em 5 de outubro de 1974, intitulado Toward the Clarification of Textual Variation: Colwell and Tune Revisited, p. 10.

33 G. W. Horner, The Coptic Version of the New Testament in the Northern Dialect, otherwise called Memphitic and Bohairic, 4 vols. (Oxford: Clarendon, 1898), 1.xxxviii, p. cv.

34 N. do R.: Locução latina que significa algo como a leitura mais curta é a mais forte, sendo um dos princípios da chamada Crítica Textual que, com esta expressão, transmite a ideia de que entre dois manuscritos do mesmo texto, a opção sempre será do texto mais curto por ser mais próximo do original.

35 G. D. Kilpatrick, Western Text and Original Text in the Gospels and Acts, Journal of Theological Studies 44 (1943): p. 27.

36 N. do R.: Veja a nota 19.

37 Para inteirar-se de uma pesquisa e avaliação recentes, veja K. Snodgrass, Western Noninterpolations, Journal of Biblical Literature 91 (1972): pp. 369-379.

38 Como, e.g., N. Geldenhuys, Commentary on Luke (Grand Rapids: Eerdmans, 1951), pp. 315-317.

39 Veja, e.g., M. F. Sadler, The Gospel According to St. Luke, with Notes Critical and Practical, 4 ed. (Londres: Bell, 1889), p. 288: Neste caso, o chamado texto neutro substitui uma sentença ininteligível por uma das mais importantes palavras do Senhor. E isso contra a autoridade de toda a cristandade.

40 Veja, e.g., Creed, Gospel of Luke, p. 154; Baker, One Thing, p. 135; Metzger, Textual Commentary, pp. 153-154.

41 F. Godet, A Commentary on the Gospel of St. Luke, traduzido para o inglês por E. W. Shalders e M. D. Cush, 3 ed., 2 vols. (Nova York: Funk & Wagnalls, 1890), 2.45.

42 N. do R.: Locução latina que significa algo como a leitura mais difícil é a mais forte, sendo um dos princípios da chamada Crítica Textual que, com esta expressão, transmite a ideia de que o termo mais difícil, ou incomum, para aquela palavra pode estar mais próximo do original.

43 Baker, One Thing, p. 131.

44 Para inteirar-se da influência de î⁷⁵ no texto de UBSGNT, veja as revisões feitas por I. A. Sparks, Int 22 (1968): pp. 92-96, e I. Moir, New Testament Studies 14 (1967-1968): pp. 136-143. Sparks observa que î⁷⁵ claramente usurpou o lugar de honra anteriormente dado aos grandes manuscritos unciais (p. 95).

45 G. D. Fee, î⁷⁵, î⁶⁶, and Origen: The Myth of Early Textual Recension in Alexandria, New Dimensions in New Testament Studies, ed. R. N. Longenecker e M. C. Tenney (Grand Rapids: Zondervan, 1974), pp. 31-44.

46 Para inteirar-se dos gráficos que apresentam todos esses dados, veja î⁷⁵, î⁶⁶, and Origen, pp. 34-39.

47 A existência mais recente em latim da leitura mais longa, paucis vero opus est vel etiam uno, em João Cassiano e no Livro Irlandês de Mulling, é atribuível, antes de mais nada, à longa estadia de Cassiano no Egito e depois à sua residência em Lérins, o que, por sua vez, influenciou o monasticismo irlandês (e o texto de Mulling). Veja G. G. Willis, Some Interesting Readings of the Book of Mulling, Studia Evangelica 1, ed. K. Aland et al. TU 73 (Berlin: Akademie-Verlag, 1959), pp. 811-813.

48 F. C. Burkitt acreditava que essa leitura, entre outras, é prova de que Agostinho aceitou a versão de Jerônimo, embora ele também continuasse a usar o Latim Antigo ao longo da vida. Veja Saint Augustine’s Bible and the Itala, Journal of Theological Studies 11 (1910): p. 263.

A erudição do Novo Testamento considera a referência ao anjo agitar as águas do tanque de Betesda (Jo 5.3b,4) como glosa e, portanto, não aceita que o trecho faça parte do texto original do quarto Evangelho. As razões bem conhecidas e muitas vezes repetidas para a conclusão foram resumidas por Metzger:⁴⁹ (1) A ausência nas primeiras e melhores testemunhas, (2) a presença de palavras ou expressões não joaninas e (3) a grande diversidade de formas variantes nas quais João 5.4 foi transmitido. O resultado garantido é tão certo para os estudiosos que é vã a busca na literatura acadêmica de uma apresentação de dados em grande escala. Pelo visto, é certo demais para que tal seja necessário.

Contudo, há certas exceções ao consenso, especialmente entre os estudiosos católicos romanos.⁵⁰ A mais notável foi a disposição de D. Mollat incluir o trecho sob disputa no original francês da Bíblia de Jerusalém. Depois de reconhecer a opinião da maioria, ele observa: Cependant il est attesté par l’assemble des Mss de VetLat et nous paraît authentique⁵¹.⁵² Sugere ainda que os versículos foram suprimidos por causa do caráter bastante heterodoxo do santuário de cura.

Z. Hodges, cuja metodologia crítico-textual já havia lhe dado compromisso prévio em favor da inclusão,⁵³ ofereceu ampla defesa da sua autenticidade.⁵⁴ Em resposta aos tradicionais argumentos contra o trecho, Hodges argumenta que a omissão é um fenômeno basicamente alexandrino, e que a presença de palavras e expressões não joaninas é questão de pouca monta. Em contrapartida, defende que João 5.7 exige a presença do trecho de João 5.3b,4 e que a supressão pode ser explicada como antiga aversão teológica ao que era considerado, em certas partes da igreja, como vestígio de paganismo.

É o artigo de Hodges, em particular, que ocasionou o presente artigo, que é a tentativa de preencher uma lacuna com a oferta de uma análise em grande escala das razões para rejeitar a passagem como espúria. O estudo prosseguirá sob as tradicionais epígrafes da probabilidade transcricional, probabilidade intrínseca e evidência externa.

PROBABILIDADE TRANSCRICIONAL

De início, é muito importante apresentar os dados textuais na íntegra, porque a discussão das probabilidades transcricionais tem de abranger todos os fenômenos. Eis os dados:

Não há possibilidade de o material ter sido adicionado ou omitido por acidente. Foi intencionalmente omitido ou intencionalmente inserido. Não estamos lidando com uma única adição ou omissão. Os dados exigem um processo de adições ou omissões independentes de mais de um tipo.

Tradicionalmente, acredita-se que a variante 5 é a original e que todo o material de João 5.3b,4 (variante 1) foi adicionado como glosa para explicar a declaração intrigante de 5.7: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me coloque no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim. Claro que isso explica como se vai da variante 5 para a variante 1. No entanto, é muito mais provável que estamos lidando com duas glosas independentes (as variantes 3 e 4), as quais foram unidas num estágio inicial no Ocidente, mas que também tiveram um período de existência independente. Seja como for, uma variedade de adições de duas glosas separadas e depois unidas é uma explicação historicamente provável para todos os fenômenos textuais.

Por outro lado, nem a variante 5 nem a 3 ou a 4 são facilmente explicadas se João 5.3b,4 fossem originais ao Evangelho. A questão é por que alguém teria omitido um dado tão pertinente. A única resposta possível é teológica. Por alguma razão, alguém se sentiu teologicamente desconfortável com um anjo dando qualidades medicinais a um tanque de água, e omitiu o trecho ofensivo ao copiar o texto. Mas o problema com esta resposta é duplo: (1) Não leva em conta todos os fenômenos textuais, sobretudo as variantes 3 e 5, e (2) não leva a sério as tendências teológicas do cristianismo do século II.

Primeiro, a resposta é falha, porque funciona como explicação transcricional apenas para a variante 4 (a omissão de Jo 5.4 somente). O que não se explica com qualquer grau de probabilidade histórica é por que, tendo em vista João 5.7, alguém também teria omitido as palavras evkdecome,nwn th.n tou/ u[datoj ki,nhsin de 5.3. O que é ainda mais improvável é a própria variante 3. Se a variante 1 for original, então estamos diante da improbabilidade de alguém excluir apenas essas palavras de 5.3. Isso, por sua vez, significa que outra pessoa apagou somente 5.4 e mais outra pessoa apagou 5.3b,4. Se alguém argumentar que a variante 5 é a corrupção original e que as variantes 3 e 4 são restaurações parciais do original, então está explicada a leitura de A e L (variante 3), mas haverá dificuldade em imaginar como isso explica a variante 4: Por que alguém teria restaurado apenas o movimento da água e deixado de fora a explicação? Se a variante 1 for original, então não haverá alternativa viável à necessidade de postular pelo menos duas deleções independentes, uma de 5.3b,4 e outra de 5.4. Embora seja historicamente possível, é altamente improvável.

Segundo, não há base histórica para alguém na Alexandria do século II, sem mencionar em outra parte da Igreja Primitiva, ter tido aversão teológica a tal atividade por parte dos anjos. Pelo contrário, os escritores do século II que falam de anjos falam com grande favor. No Pastor de Hermas (Vis. 4.2.4), um anjo fecha a boca de um animal selvagem em defesa de Hermas (cf. Dn 6.22). Nos escritos de Clemente de Alexandria, os anjos cuidam de nações, cidades e indivíduos (Strom. 6.157.5). E mais tarde, nos escritos de Orígenes, a totalidade da ordem criada (ar e água) é conservada pura por intermédio de anjos (Cels. 8.31). Os anjos também desempenham um papel importante na literatura apócrifa e herética. Não há aversão conhecida às atividades angelicais no cristianismo do século II.

O professor Hodges encontra o ambiente teológico necessário para a omissão em uma passagem de Sobre o Batismo, de Tertuliano (cap. 5), em que Tertuliano sustenta que as purificações rituais pagãs, ainda que demoníacas, confirmam, a seu modo, o batismo cristão. No capítulo 4, Tertuliano defende que o Espírito, por meio de um anjo, santificou as águas do batismo cristão. No capítulo 5, contrasta esta obra do Espírito e seu anjo com os espíritos demoníacos presentes nas purificações pagãs. No meio da argumentação, pergunta: Por que me referi a tais questões? Para que ninguém pense que é extremamente difícil o santo anjo de Deus estar presente para mover as águas em prol da salvação do homem, já que o impuro anjo do mal trabalha com esse mesmo elemento com vistas à perdição do homem. Se é estranho pensar que um anjo faça coisas com as águas, já ocorreu um precedente com aquilo que tem de ser.⁵⁵ Com isso, Tertuliano argumenta que o anjo de Betesda é o precursor do seu anjo batismal. Hodges salienta a prótase dessa última sentença e argumenta que Alexandria forneceu apenas a atmosfera intelectual para uma omissão textual motivada pela ‘matiz pagã’ falsamente percebida.⁵⁶ Em outras palavras, ele percebe que alguém teve a dificuldade hipotética que Tertuliano sugere e excluiu o versículo 4 do texto de João 5.

O argumento, no entanto, é totalmente non sequitur. O problema com o qual Tertuliano está lidando nesse momento não é com os anjos, nem com a atividade dos anjos nas águas, mas com seu ponto de vista não bíblico de anjos nas águas do batismo. Não é um vestígio falsamente percebido de paganismo que Tertuliano está antevendo, mas uma resposta ao seu ponto de vista do batismo cristão. Hodges está crente de que Tertuliano argumenta baseado em João 5.4, como se esse fosse o único texto conhecido. Mas é por isso que ele acha que pode argumentar com impunidade. Ninguém negaria o texto sagrado. Portanto, não há o menor indício de cristãos já na época de Tertuliano, ou, neste caso (por causa de î⁶⁶ e î⁷⁵), antes dele, terem tido aversão a atividades angelicais na Jerusalém do século I.

Na questão de probabilidade transcricional, o ditado lectio difficilior potior prevalece, e a tarefa mais difícil é explicar a omissão ou omissões. A adição ou adições são explicáveis com base em João 5.7.

PROBABILIDADE INTRÍNSECA

Esse aspecto da crítica textual, que tem a ver com se determinado autor escreveu ou não as palavras em questão, é a dimensão mais subjetiva de nossa ciência. Mas nem por isso tem de ser descartada ou desconsiderada, como alguns estudiosos hoje costumam fazer. O estudo do professor Hodges oferece um caso interessante. Primeiramente, além de confiar no Texto Majoritário, seu argumento baseia-se na suposição de que a resposta do inválido em João 5.7 exige a presença de 5.4 para tornar o texto de João genuinamente compreensível.⁵⁷ Trata-se de um caso de subjetividade da mais elevada ordem. Seja como for, afirma que o autor do quarto Evangelho é um escritor muito mais ordeiro do que as evidências permitem.⁵⁸

O problema da probabilidade intrínseca está em outro texto, neste caso com a incidência invulgarmente elevada de palavras ou expressões não joaninas em uma passagem muito curta. Hodges contra-ataca, dizendo que este argumento não tem força real, porque um tema especial suscita um vocabulário especial. Como exemplo, ressalta os sete hapax legomena joaninos (incluindo três hapax neotestamentários) que aparecem em João 2.14-16.⁵⁹

Hodges, no entanto, deixou escapar a natureza do problema. É verdade que das 60 palavras de João 2.14-16, João usa 11 palavras que ele não usa em outros textos. E é verdade que, nesse caso, o tema especial suscitou o vocabulário especial (afinal, oito das 11 palavras são substantivos). Mas é ainda verdade que tudo o mais de João 2.14-16, com exceção de oito substantivos especiais e oito verbos especiais, é muito joanino. Os advérbios, as conjunções, a ordem das palavras, o estilo parafrástico concordam com o uso comum joanino. Notemos ainda que mesmo esse tipo de passagem é extremamente raro em João (cf. Jo 4.52; 12.3).

O problema em João 5.3b,4 é significativamente diferente do aumento repentino de substantivos especiais encontrados em João 2.14-16. O problema tem a ver com os hapax legomena joaninos e neotestamentários, além de características estilísticas não joaninas, onde um vocabulário novo ou especial não é exigido pelo assunto. Vamos comentar cada um dos hapax linguísticos e estilísticos na ordem de aparição.

1. evkdecome,nwn. Esta palavra ocorre somente aqui em João, e seis vezes em outras partes do Novo Testamento. Não apresenta problemas especiais quanto à autenticidade, uma vez que o conceito de esperar não ocorre em outro texto de João. Com toda a probabilidade, este seria o uso normal.

2. ki,nhsin. Esta palavra apresenta problemas especiais para a autenticidade joanina. Neste caso, o tema especial não exigiu esta palavra. Em João 5.7, João fala que a água foi agitada (tara,ssw). Quem escreveu 5.4 era sensível o suficiente para evitar a repetição da palavra, tanto na forma verbal quanto nominal. Tendo em vista que a repetição é uma das destacadas características joaninas,⁶⁰ é difícil entender que ele tivesse usado ki,nhsij em 5.3b e tarach, em 5.4.

3. th.n tou/ u[datoj ki,nhsin. Este uso de um genitivo anexado apresenta problemas extraordinariamente difíceis para a autenticidade joanina. As dificuldades têm a ver com duas realidades sobre o estilo joanino. Por um lado, uma das características marcantes do estilo de João é a repetição frequente, em sequência próxima, de palavras ou frases idênticas, mas com o segundo item ou os itens seguintes aparecendo na variação da ordem de palavras. Por exemplo, ele varia regularmente a posição dos pronomes possessivos ou demonstrativos ou do sujeito-verbo-objeto. Por outro lado, existem algumas invariáveis na ordem de palavras (e.g., avmh.n avmh.n le,gw u`mi/n; nunca u`mi/n le,gw). Outra dessas invariáveis é com construções genitivas, nas quais ambos os substantivos são definidos (e.g., os olhos do [de + o] cego). Existem 97 ocorrências desse tipo no Evangelho (sem incluir os lugares onde ambos os substantivos são genitivos, como em João 12.3 th/j ovsmh/j tou/ mu,rou), mais 27 outras em 1 e 2 João. Seja como for, a ordem das palavras é o movimento da [de + a] água.

É tão improvável João ter escrito th.n tou/ u[datoj ki,nhsin como seria, hoje, para um senhor culto de meia-idade usar gíria de funkeiro. Podemos contar como certo que se João tivesse escrito João 5.3b ele teria dito th.n tarach.n tou/ u;datoj.

4. a;ggeloj kuri,ou. Quase todos os antigos manuscritos unciais têm kuri,ou, o qual está ausente na maioria dos manuscritos recentes. O uso de kuri,ou sem o tou/ é um septuagintalismo, que ocorre muitas vezes em Mateus, mas em outras partes de João somente em citações da LXX (Jo 1.23; 12.13; 12.38). Em João 1.51, ele fala de tou.j avgge,louj tou/ qeou/. Em nenhum outro lugar, João se refere a Deus como ku,rioj.

5. kata. kairo,n. Esta expressão idiomática, que tem o significado de de vez em quando, é um hapax legomenon neotestamentário. Em outro lugar, a frase ocorre somente em Romanos 5.6, onde tem o sentido de tempo designado. João não usa kata, em sentido distributivo em outro lugar. Por outro lado, não há nada de incomum no uso.

6. kate,bainen evn th/| kolumbh,qra|. Embora M. Zerwick admita que o uso de evn com katabai,nw possa ser explicado como construção grávida (i.e., com a conotação do movimento precedente, agora em repouso),⁶¹ o uso de evn com qualquer um dos compostos de bai,nw (avnabai,nw, katabai,nw, evmbai,nw) está totalmente fora de harmonia com o estilo joanino, que sempre lê eivj. Não é o caso de João não poder dizer katabai,nw evn. É questão de um homem culto dizer né?.

7. evmba,j. Em outro lugar do Novo Testamento, incluindo João 5.7(!), as pessoas katabai,nousi na água e avnabai,nousi dela, a menos que sejam lançadas ou atiradas na água, caso em que ba,llw é usado. VEmbai,nw é reservado para referir-se a entrar

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