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Segunda ou Terça

Segunda ou Terça

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Segunda ou Terça

Comprimento:
86 página
1 hora
Lançado em:
Feb 6, 2020
ISBN:
9786586026009
Formato:
Livro

Descrição

"O Romance Não Escrito foi a grande descoberta (...) de alguma maneira eu enxerguei, escapando do túnel que eu mesma construí, quando descobri este método de abordagem, O Quarto de Jacobs, Mrs Dalloway etc. Como eu tremi de excitação", disse Virginia Woolf a respeito de um dos textos que compõem o livro Segunda ou Terça.
Segunda ou Terça foi a única coleção de textos curtos de Virginia Woolf publicada durante a vida da autora e de acordo com seu projeto editorial. Os contos e escritos, traduzidos para o leitor brasileiro, estão aqui reunidos pela primeira vez na ordem e no conjunto definidos pela autora. Adicionamos o ensaio Ficção Moderna apenas por este fazer menção ao livro e ser uma boa introdução ao pensamento da autora em relação à literatura.
A primeira edição de Segunda ou Terça foi um projeto familar, mas cercado de polêmica e frustrações. Foi publicado pela Hogarth Press, a editora que Woolf e seu marido, Leonard Woolf, criaram na sala de sua casa de mesmo nome, em Richmond, Londres. O livro saiu em 1921, em grandes folhas de madeira projetadas pela irmã de Woolf, a artista Vanessa Bell – como Woolf, membro do círculo de Bloomsbury. No entanto, Leonard Woolf chamou o livro de "a pior edição de todos os tempos", por seus muitos erros de tipografia. Os textos foram posteriormente revisados pela autora e republicados.
Segunda ou Terça foi em parte escrito um ano depois do ensaio Ficção Moderna, de Woolf, e demonstra vários dos preceitos enunciados naquele texto. Segunda ou Terça é o que se pode chamar de um livro impressionista, de fragmentos inacabados e de prosa poética. Ler Segunda ou Terça significa aceitar a desorientação, algo proposital na obra de Woolf, que emprega nos textos do livro o fluxo de consciência na busca de uma representação honesta e verdadeira do mundo. O próprio título reflete esta desorientação e o aspecto cotidiano da literatura. Pode ser segunda ou pode ser terça, não importa.
Entre os textos, destaca-se "Um Romance Não Escrito", de 1920, ao qual Woolf atribui a descoberta de seu estilo literário e que abriu caminho para obras como Mrs Dalloway.
Lançado em:
Feb 6, 2020
ISBN:
9786586026009
Formato:
Livro

Sobre o autor

Virginia Woolf (1882-1941) is the author of acclaimed works of fiction like Mrs. Dalloway (1925) and To the Lighthouse (1927) as well as the feminist call to arms, A Room of One’s Own (1929). Born to a wealthy family in South Kensington, London, Woolf was the seventh child of eight. Her mother died in 1895 and Woolf experienced her first mental breakdown; two years later, Woolf’s stepsister and surrogate mother, Stella Duckworth, also died. After attending the Ladies’ Department of King’s College London, Woolf started to write seriously with the encouragement of her father. Woolf’s father died in 1905 and Woolf experienced a second mental breakdown. She married Leonard Woolf in 1912 and in 1917 they founded Hogarth Press. At the age of 37, Woolf published her second novel, Night and Day. She continued to have a successful literary career and is remembered as one of the most important modernist writers of the twentieth century. Woolf also had an affair with peer and author Vita Sackville-West, who is the inspiration for the main character in Orlando (1928). At the age of 59, Woolf drowned herself in a river; she struggled with bouts of depression and bipolar disorder throughout her life.


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Amostra do Livro

Segunda ou Terça - Virginia Woolf

Direitos do original em domínio público

Edição brasileira © Red Tapioca, 2019

Todos os direitos reservados.

Título original: Monday or Tuesday

1ª edição

Coordenação editorial: Gustavo Horta Ramos

Tradução: Renata Gomes

Revisão: Taís Paulilo Blauth

Projeto gráfico e diagramação: Natalli Tami Kussunoki

Uma casa assombrada

Uma sociedade

Segunda ou terça

Um romance não escrito

O quarteto de cordas

Azul e verde

Os jardins de Kew

A marca na parede

A Ficção Moderna

segunda ou terça

Uma casa assombrada

A qualquer hora que acordássemos havia uma porta batendo. De quarto em quarto iam eles, de mãos dadas, erguendo aqui, abrindo ali, certificando-se — um casal espectral.

Foi aqui que o deixamos, disse ela. Ao que ele acrescentou: Ah, mas aqui também! Está lá em cima, murmurou ela. E no jardim, sussurrou ele. Baixinho, disseram eles, ou os acordaremos.

Não que nos tenham acordado. Não, não. Estão procurando; estão puxando a cortina, ocorria-me de pensar, para então avançar mais uma página ou duas na leitura. Agora encontraram, dizia eu com certeza, fazendo pausar o lápis à margem. E então, entediada com o livro, eu me levantava para ver com meus próprios olhos, a casa toda vazia, as portas abertas, apenas os pombos-torcazes borbulhando de alegria e o zum-zum do debulhador vindo da fazenda. Por que entrei aqui? O que queria encontrar? Minhas mãos se encontravam vazias. Talvez no andar de cima, então? No sótão se encontravam as maçãs. E assim eu tornava a descer, o jardim imóvel como sempre, exceto pelo livro caído sobre a grama.

Mas foi na sala de visitas que eles encontraram o que buscavam. Não que eu os tenha visto, jamais. As vidraças refletiam maçãs, refletiam rosas; todas as folhas eram verdes à janela. Se eles perambulavam pela sala de visitas, uma maçã apenas se virava, mostrando seu lado amarelo. Porém, no instante seguinte, se a porta se abria, estirava-se ao chão, pendia das paredes, do teto — o quê? Minhas mãos se encontravam vazias. A sombra de um melro atravessou o tapete; dos poços mais fundos de silêncio o pombo extraiu sua bolha de som. A salvo, a salvo, a salvo, pulsou suavemente a casa. O tesouro enterrado; o quarto..., e calou-se o pulso. Ora, pois, era esse o tesouro enterrado?

No momento seguinte a luz desvaneceu. Lá fora no jardim, então? Mas as árvores teciam trevas para um raio de sol deambulante. Tão belo, tão raro, o raio que eu buscava engolfado friamente sob a superfície ardia sempre por trás da vidraça. A morte era o vidro; a morte entre nós; à mulher chegara primeiro, centenas de anos antes, ao abandonar a casa, vedando todas as janelas; os cômodos obscurecidos. Ele a deixara, deixara a mulher, fora para o norte, para o leste, vira as estrelas de viés no céu do sul; procurara a casa, encontrara-a largada sob as montanhas. A salvo, a salvo, a salvo, pulsou alegremente a casa. O tesouro seu.

O vento urra pela rua. Árvores balançam, vergando de um lado a outro. Raios de lua alucinados esguicham e espirram sob a chuva. Mas o feixe da candeia vem diretamente da janela. A vela se consome ereta e quieta. Vagando pela casa, abrindo janelas, falando baixo para não nos acordar, o casal de espectros procura sua felicidade.

Aqui dormíamos, diz ela. Ao que ele acrescenta, Beijos sem fim. Ao acordarmos de manhã...,O prateado entre as árvores..., No andar de cima..., No jardim..., Quando chegava o verão..., Na época da neve.... As portas se fecham à distância, batendo delicadas como batidas de um coração.

Eles se aproximam; param à porta. O vento cai, a chuva escorrega prateada pela vidraça. Nossos olhos se nublam; não ouvimos nenhum passo ao lado; não vemos nenhuma mulher a estender seu manto fantasmagórico. As mãos dele cobrem a lanterna. Veja, ele respira. Em sono profundo. O amor em seus lábios.

Inclinando-se, segurando a candeia de prata acima de nós, eles se detêm a olhar-nos às profundezas. Detêm-se imóveis. O vento se conduz reto; a chama se curva suave. Raios ensandecidos de luar cruzam chão e parede e, encontrando-se, tingem os rostos curvados; os rostos pensativos; os rostos que perscrutam os que dormem à procura da felicidade oculta.

A salvo, a salvo, a salvo, pulsa orgulhoso o coração da casa. Longos anos..., suspira. Outra vez me encontraram. Aqui, ela murmura, dormindo; no jardim, lendo; rindo, fazendo rolarem maçãs no sótão. Aqui deixamos nosso tesouro.... Curvando-se, a luz que deles emana ergue minhas pálpebras. A salvo! a salvo! a salvo!, bate loucamente o coração da casa. Despertando, arrebatado pergunto: "Ah, é este o seu tesouro enterrado? A luz no coração?"

Uma sociedade

Foi assim que tudo ocorreu. Estávamos, seis ou sete de nós, reunidas certo dia após o chá. Algumas olhavam para o outro lado da rua, para as janelas de uma chapelaria onde a luz ainda incidia forte sobre plumas escarlate e mocassins dourados. Outras se entretinham construindo torrezinhas de açúcar sobre a borda da bandeja. Passado algum tempo, se não me falha a memória, sentamo-nos em volta da lareira e começamos, como de costume, a tecer lisonjas aos homens — como eram fortes, nobres, brilhantes e belos —, como invejávamos as mulheres que, por bem ou mal, conseguiam enlaçar-se a um deles para sempre. Foi então que Poll, sem dizer palavra, caiu em prantos. Poll, devo dizer-lhes, sempre foi estranha. Para início de conversa, seu pai fora um homem extravagante. Deixara-lhe uma fortuna em testamento, sob a condição, contudo, de que ela lesse todos os livros da Biblioteca de Londres. Nós a reconfortávamos como podíamos; o que sabíamos ser em vão, no fundo. Ora, ainda que lhe tenhamos apreço, Poll não é nada bela; anda com os cadarços soltos; e devia estar pensando, enquanto falávamos de homens, que nenhum deles jamais desejaria desposá-la. Por fim, ela secou as lágrimas. De início não nos fez sentido o que disse. Mas, estranhamente, dissera-o em plena consciência. Contou-nos que, como já era do nosso conhecimento, passava a maior parte do tempo na Biblioteca de Londres a ler. Começara, disse ela, pela literatura inglesa no andar superior; e vinha cobrindo todos os volumes até o Times no piso inferior. E agora, na metade ou talvez um quarto do processo, algo terrível se sucedera. Era-lhe impossível continuar a ler. Os

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