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Letramento Literário na Escola: A Poesia na Sala de Aula

Letramento Literário na Escola: A Poesia na Sala de Aula

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Letramento Literário na Escola: A Poesia na Sala de Aula

notas:
2/5 (1 nota)
Duração:
190 páginas
1 hora
Lançados:
9 de mar. de 2020
ISBN:
9788547321307
Formato:
Livro

Descrição

O livro Letramento Literário na escola: a poesia na sala de aula, apresenta um caminho teórico-metodológico para trabalhar, significativamente, com poesia na sala de aula e, ao fazê-lo, além de contribuir com a prática docente, torna perceptíveis alguns pontos caros à educação e ao ensino de literatura: há a necessidade de que professores dominem alguns aspectos da teoria da literatura para aplicá-los em sala de aula; a literatura é um direito de todos e não podemos negá-la a ninguém; o leitor/aluno é fundamental no processo de leitura e de ensino e aprendizagem; para que haja leitura é preciso construir significados; o ensino de literatura deve ser revisto; é preciso resgatar a importância da literatura, não só na educação, mas também em nossa sociedade.
No Brasil, desde a década de 80, as discussões e reflexões em torno do ensino de literatura têm expandido consideravelmente e se aprofundado. Consideramos Letramento Literário na escola: a poesia na sala de aula, de Djalma Barboza Enes Filho, um passo a mais nesse segmento educacional, uma obra que pode "iluminar o silêncio das coisas anônimas", nas palavras de Manoel de Barros.

Prof.ª Dr.ª Gisela Maria de Lima Braga Penha
Professora de Teoria da Literatura e Literaturas em
língua portuguesa da Universidade Federal do Acre
Lançados:
9 de mar. de 2020
ISBN:
9788547321307
Formato:
Livro


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Amostra do livro

Letramento Literário na Escola - Djalma Barboza Enes Filho

autor

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

1

A LITERATURA NA ESCOLA

1.1 LETRAMENTO LITERÁRIO E LEITURA LITERÁRIA NA ESCOLA 

1.2 O VALOR DA LITERATURA, SUAS CONCEPÇÕES E FUNÇÕES 

1.3 RECEPÇÃO LITERÁRIA: INTERAÇÃO ENTRE TEXTO E LEITOR 

1.4 LEITURA PARA FRUIÇÃO – PRAZER E AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO 

2

A POESIA NA SALA DE AULA

2.1 A IMPORTÂNCIA DA POESIA NA ESCOLA 

2.2 LEITURA DE POESIA NA SALA DE AULA 

2.3 OS BENEFÍCIOS DA POESIA EM SALA DE AULA 

3

UMA NOVA ABORDAGEM DO TEXTO LITERÁRIO

3.1 O PROFESSOR COMO MEDIADOR ENTRE TEXTO LITERÁRIO E LEITOR 

3.2 A PLURISSIGNIFICAÇÃO DO TEXTO LITERÁRIO 

3.3 ORIENTAÇÕES TEÓRICO-METODOLÓGICAS PARA ABORDAGEM DO TEXTO LITERÁRIO EM SALA DE AULA 

3.4 UMA NOVA ABORDAGEM DO TEXTO LITERÁRIO NA ESCOLA 

3.5 A ABORDAGEM DO TEXTO LITERÁRIO NA SALA DE AULA 

3.5.1 Proposta de atividade para os anos iniciais do Ensino Fundamental 

3.5.2 Proposta de atividade para os anos finais do Ensino Fundamental 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

INTRODUÇÃO

A escola, enquanto uma das instituições responsáveis pela formação de cidadãos conscientes, precisa ser um espaço favorável ao trabalho com a literatura, no qual os alunos tenham acesso ao conhecimento e ao lúdico por meio de palavras, sentidos e formas diversas, que são proporcionados pelo texto literário. O texto literário tem grande importância no auxílio da formação crítico-reflexiva do aluno porque possibilita uma grande variedade de sentimentos, que levam a reflexões sobre as diversas áreas do conhecimento social e da cultura da humanidade. Ele transporta o aluno a mundos diferentes, em que ele poderá encontrar a liberdade de criação e expressão, de fantasia e imaginação.

A instituição escolar deveria ser o local, por excelência, para o desenvolvimento da criatividade, a fim de que o aluno possa colocar em prática sua capacidade criadora, seu pensamento e várias formas de expressão e arte. Entretanto, na maioria das vezes, a escola tem sido um ambiente opressor, que abafa o desenvolvimento da criatividade e da imaginação dos alunos, pois o sistema de ensino não parece preocupado em estimular a capacidade criadora do aluno, mas em apresentar números que demonstram uma qualidade no mínimo suspeita.

É papel da escola proporcionar aos alunos um espaço que tenha uma linguagem cheia de magia e encantamento, que permita um relacionamento íntimo entre a razão e o sentimento imaginativo, que tenha uma relação mais encantadora com a palavra, com a poesia. Para que a escola seja um espaço de encantamento, é importante que os professores gostem de ler poesia e outros textos literários diversos, e que leiam com frequência.

É preciso, também, que a escola rompa com o preconceito em relação à poesia; que se mude essa visão errônea de que trabalhar com a poesia seja perda de tempo. A poesia, como todos os outros textos literários, deve estar presente na escola, pois pode oferecer conhecimentos humanos que devem ser ponderados. A escola vem se eximindo dessa responsabilidade durante muito tempo, mas precisa enfrentar essa tarefa de frente e inserir, de fato, a literatura em todos os níveis de ensino, principalmente no ensino fundamental, no qual está escassa.

A proposta deste livro é levar para a sala de aula a magia das aulas de literatura, que está sendo esquecida, e resgatar um pouco do encanto, que é o de trabalhar com texto literário em sala de aula, fazendo com que os alunos tenham uma relação individualizada com a poesia e recusem aqueles exercícios de deformação da estrutura do texto e, também, dos questionários para interpretação, que muitos livros didáticos insistem em colocar logo após os textos literários.

Portanto será apresentada e discutida a leitura literária na escola na perspectiva do letramento literário; o valor da Literatura, suas concepções e funções; a interação entre texto e leitor; leitura para fruição, prazer e aquisição de conhecimento; o ensino de poesia, a relação poema e poesia; a importância da poesia na escola; os benefícios da poesia em sala de aula; o professor como mediador entre texto literário e leitor; e a abordagem do texto literário em sala de aula. Além disso, será apresentada uma proposta inovadora de leitura, análise e interpretação de texto literário.

Para apresentar esses aspectos, o livro está dividido em três capítulos. O primeiro apresenta uma discussão sobre a literatura na escola. Um aspecto bastante importante desse capítulo é a leitura literária na escola, que é apresentada sob a perspectiva do letramento literário. A leitura literária é considerada como um processo de comunicação, que demanda respostas do leitor em relação ao texto literário, no qual o leitor pode manipular o texto de diferentes maneiras e explorá-lo sob os mais variados aspectos: cognitivos, afetivos, estéticos e sociais.

A discussão está pautada na eficiência da leitura literária na escola, que, pelo que tudo indica, não tem sido muito eficiente, pois o trabalho com o texto literário está limitado apenas a questões puramente pragmáticas, desconsiderando as principais características e função social desse tipo de texto. Dessa maneira, é possível perceber que, na maioria das escolas, a leitura literária não ocorre da maneira adequada, pois, como está sendo realizada na sala de aula, não possibilita uma verdadeira relação dialógica entre o leitor e o texto.

A forma de apresentação da leitura literária na escola afasta cada vez mais o leitor da leitura do texto literário, o que dificulta o processo de letramento literário. Segundo Rildo Cosson,¹ o letramento literário na escola se diferencia da leitura literária. No letramento literário o foco não está somente na aquisição de habilidades de leitura de textos literários, mas no aprendizado da compreensão e da ressignificação desses textos, por meio da relação leitor-texto, na qual o leitor faz um intercâmbio de conhecimentos e sentimentos com a obra escrita.

Após essa discussão, é discutido e apresentado, sobre a ótica de autores como Roland Barthes,² Antonio Candido,³ Hans Robert Jauss,⁴ o valor da Literatura, suas concepções e funções. É realizada uma reflexão acerca do que é literatura, levando em consideração seu conceito, seu valor e sua função social. Isso para contribuir com o fortalecimento da literatura na escola e oferecer seus benefícios aos alunos com o objetivo de formar leitores competentes, tentando esclarecer o que é literatura e mostrar como podemos fazer seu uso social. Seu conceito não é apresentado de maneira restrita, mas de forma ampla e abrangente, como lhe é peculiar.

A concepção de literatura de Antonio Candido manifesta uma necessidade universal que precisa ser satisfeita. Para o autor, não seria possível nem suportável viver sem o equilíbrio social que ela proporciona. Ele considera que sua satisfação constitui um direito do qual o ser humano não pode abrir mão, sendo um bem de valor inestimável e um direito inegociável.

Para Roland Barthes, a literatura é a utilização da linguagem não submetida a nenhum tipo de poder, uma linguagem livre, sem opressão. Significa que a linguagem literária não precisa de regras de estruturação fixa, já que pode se fazer compreender por si só sem que esteja presa a algum tipo de preceito que a normalize. Esse autor confere tanto poder à literatura que afirma que essa ciência assume muitos saberes presentes em outros campos do conhecimento.

O texto, para Roland Barthes, é o meio pelo qual a língua se manifesta, sendo assim o ambiente ideal para se travar o combate contra o poder que a linguagem manifesta. Evidencia-se, assim, que a forma como o texto literário está organizado se constitui no único meio pelo qual se pode ludibriar a língua, aproximando ao oposto do poder, que seria a liberdade de expressão.

Na concepção de Hans Robert Jauss, a literatura também pode ser compreendida como forma de expressão artística, cujo valor estético é formado por um uso especial da linguagem. Sendo assim, o leitor, de posse do objeto de leitura, tem a possibilidade e a capacidade de construir significados a partir de seus próprios objetivos, construídos e alicerçados em sua história de vida.

A recepção literária também é relevante nesse capítulo, pois enfatiza a importância da interação entre texto e leitor. A Teoria da estética da recepção, de Hans Robert Jauss,⁵ contribui para a compreensão do processo de recepção de textos literários, pelos leitores. Jauss introduz na literatura um novo conceito de historicidade literária. Ele enfatiza a necessidade de se restaurar o processo dinâmico entre texto e leitor, valorizando a experiência humana e a comunicação como condição da compreensão do sentido. Para ele, estudar literatura não é apenas estudar a vida e a obra de autores, como vem acontecendo em nossas escolas, mas é inserir a obra na história a partir da recepção que o leitor tem dessa obra. Isso confirma que o leitor pode se tornar um coprodutor da obra já escrita pelo autor.

O final do primeiro capítulo faz referência à leitura para fruição. As discussões assinalam que essa leitura pode proporcionar prazer, pois transmite emoções e provoca uma sensação de que ler é um processo livre e natural, que traz liberdade de escolha e expressão ao indivíduo. É visto que o texto literário, além de várias outras funções, tem como uma das finalidades proporcionar esse prazer e é essencial para que os alunos tomem gosto pela leitura, pois é emocionante e surpreendente.

A leitura para fruição contribui para a formação do leitor criativo e reflexivo, pois abre os horizontes ilimitados da literatura, proporcionando várias interpretações do mundo. Esse tipo de leitura é importante também porque fornece, como nenhum outro tipo de leitura, os instrumentos necessários para que o leitor possa conhecer e interagir de forma competente com o mundo da linguagem.

O segundo capítulo deste livro realiza uma reflexão acerca do ensino de poesia, na qual será discutida a relação entre poema e poesia. Nesse item é esclarecido que essas duas palavras têm causado confusão pelo fato de serem usadas como se tivessem o mesmo significado e como se fossem sinônimos perfeitos. Ainda que os dois conceitos tendam a coincidir, apresentando uma relação, evidencia-se que existe uma diferença.

A finalidade dessa discussão inicial não é explicar categoricamente essa relação entre poema e poesia, mas fazer uma reflexão sobre a semelhança e a divergência existente entre ambas para depois sugerir um caminho para o importante trabalho com poesia em sala de aula. É evidente que esse é um tema bastante complexo, que tem servido de estudo durante muito tempo, porém é essencial fazer essa distinção para a construção de uma proposta pedagógica para o ensino de poesia na escola.

Octavio Paz⁶ conceitua a poesia como conhecimento capaz de modificar o mundo, pois é um método de libertação da humanidade. Para ele, a poesia não está apenas no poema, mas pode, também, ser contemplada em paisagens, músicas, pinturas etc., caracterizando-se como algo amplo, que engloba várias outras formas de expressão, além da escrita do poema.

Em seguida, será explanada a importância da poesia na escola, porém, antes de explicitar a importância da poesia, será explanada a importância da literatura na escola. Esse reconhecimento é feito porque ela tem sido desprezada por não ser considerada tão importante quanto às outras áreas da estrutura curricular. Contudo não se pode negar a grande quantidade de conhecimentos que a literatura pode transmitir para a humanidade.

Ainda, nesse capítulo, a literatura é apresentada como uma forma de conhecimento que atua como instrumento de educação, de formação do homem, que comporta a criação de novos mundos, assumindo algumas funções, que atuam diretamente no homem; a principal delas está voltada para sua formação humana. Para Antonio Candido,⁷ a literatura deve ser incorporada à categoria de bens a que todos os seres humanos têm direito a usufruir, pois colabora, significativamente, para a formação intelectual do homem e contribui para o seu bem-estar psicológico. O autor concebe a literatura como a transformação de uma dada realidade, cujo distanciamento, produzido pelo efeito estético, permite ao indivíduo melhor atuação no meio social.

No final desse capítulo são discutidos os benefícios da poesia em sala de aula. E novamente se evidencia que, para que se percebam os benefícios da poesia em sala de aula, é preciso que seja feito, primeiro, um processo de reconhecimento da importância da literatura para o ser humano e reconhecer, também, seus benefícios para a sociedade. Fica evidente, também, que é preciso que se realize um processo de escolarização da literatura, mas escolarizar a literatura não é apenas levá-la para a escola.

Para que os benefícios da poesia possam ser percebidos pela escola e pela sociedade é preciso que haja uma mudança na forma de abordagem da literatura, no cotidiano escolar, o qual está descaracterizando e nega sua função social. É preciso que a escola reconheça o valor da literatura para a vida de seus alunos e, na sala de aula, a leitura de poesia torne-se um hábito.

O terceiro capítulo do livro sugere uma nova forma de abordagem que se propõe para o texto literário, especialmente para a poesia. A abordagem, fundamentada na perspectiva do letramento literário, conforme Rildo Cosson, e na concepção de autores renomados como Antonio Candido, Roland Barthes e Hans Robert Jauss, com sua Teoria estética da recepção, sugere uma alternativa para apresentação da literatura aos alunos, aproximando textos e leitores, considerando a literatura como linguagem artística, enfatizando o texto literário como um campo do jogo e evidenciando o poema como um texto capaz de proporcionar o prazer e, ao mesmo tempo, o conhecimento.

Nesse trabalho, estabelece-se uma relação clara do texto literário com o leitor. Para isso, é preciso que se proponha uma nova abordagem do texto literário, que seja

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