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Gerenciando a manutenção produtiva: Melhores práticas para eliminar falhas nos equipamentos e maximizar a produtividade

Gerenciando a manutenção produtiva: Melhores práticas para eliminar falhas nos equipamentos e maximizar a produtividade

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Gerenciando a manutenção produtiva: Melhores práticas para eliminar falhas nos equipamentos e maximizar a produtividade

notas:
4.5/5 (5 notas)
Duração:
462 páginas
5 horas
Lançados:
3 de mar. de 2014
ISBN:
9788598254913
Formato:
Livro

Descrição

As empresas são verdadeiras ilhas do tesouro onde ainda existem muitas riquezas a explorar. Certamente a melhoria do gerenciamento da confiabilidade dos equipamentos ajudará a desenterrar esses tesouros, trazendo ganhos significativos de segurança, produtividade, qualidade, custo e integridade do meio ambiente.O livro apresenta as melhores práticas das melhores empresas mundiais que utilizam equipamentos e instalações. Os gerentes de operação e manutenção de vários tipos de organização encontrarão aqui orientações práticas e detalhadas sobre como obter os melhores resultados de confiabilidade operacional, elevando o nível de desempenho das suas empresas com resultados de disponibilidade e custos sem precedentes.Como líder do grupo de consultores da área de manutenção da equipe do Prof. Falconi, Harilaus Xenos trabalhou diretamente com especialistas japoneses da JUSE (Union of Japanese Scientists and Engineers) e JODC (Japan Overseas Development Corporation) por mais de três anos, conduzindo projetos de melhoria de resultados em mais de uma dezena de empresas. A parceria resultou na publicação deste livro, desde então adotado por empresas, escolas e associações profissionais como um guia essencial na melhoria da utilização dos ativos de produção.
Lançados:
3 de mar. de 2014
ISBN:
9788598254913
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Gerenciando a manutenção produtiva - Harilaus G. Xenos

Ficha Catalográfica

X5g

Xenos, Harilaus Georgius D’ Philippos.

     Gerenciando a manutenção produtiva / Harilaus Georgius D’ Philippos Xenos. – 2. ed. – Nova Lima: Editora FALCONI, 2014.

     ISBN: 978-85-98254-64-7

     1. Administração – Gestão da qualidade total – GQT. 2. Manutenção produtiva total. 3. Produtividade Industrial. I. Título.

CDU: 658.562

Capa: Bruno Beraldo de Oliveira

Editoração eletrônica: Editora FALCONI

Revisão do texto: Dila Bragança de Mendonça

Produção do e-book: Schäffer Editorial

Copyright © 2014 by HARILAUS GEORGIUS D´PHILIPPOS XENOS

Direitos comerciais desta edição: Editora FALCONI

Sumário

Prefácio à 2ª edição

Prefácio

1 Visão geral da manutenção de equipamentos

1.1 Introdução

1.2 Conceito de manutenção

1.3 Abrangência das atividades de manutenção

1.4 Métodos de manutenção

1.4.1 Manutenção corretiva

1.4.2 Manutenção preventiva

1.4.3 Manutenção preditiva

1.4.4 Melhoria dos equipamentos

1.4.5 Prevenção de manutenção

1.4.6 Qual é o melhor método de manutenção?

1.4.7 Manutenção produtiva

1.5 Funções de apoio da manutenção

1.6 Manutenção de equipamentos e gestão pela qualidade total

1.7 Conceito de manutenção autônoma

1.8 Sistema de gerenciamento da manutenção

1.9 Conclusões

2 Manutenção de equipamentos e gestão pela qualidade total

2.1 Introdução

2.2 Razão de ser das empresas

2.3 Conceito de qualidade

2.4 Conceito de produtividade

2.5 Conceito de gestão pela qualidade total

2.5.1 Princípios da gestão pela qualidade total

2.6 Conceito de controle de processo

2.6.1 Manutenção de equipamentos e processo gerencial

2.7 GQT e atividades de manutenção de equipamentos

2.8 Método para atingir metas

2.8.1 Definição de problema

2.8.2 PDCA como método de controle de processos

2.8.3 Metas para manter e metas para melhorar

2.9 Gerenciamento da rotina do trabalho do dia a dia

2.10 Qualidade nas atividades de manutenção

2.11 Ciclo PDCA da manutenção de equipamentos

3 Entendendo como ocorrem as falhas nos equipamentos

3.1 Introdução

3.2 Definição de falha

3.3 Por que ocorrem as falhas?

3.4 Modelos de falhas

3.5 Você acredita na curva da banheira?

3.6 Causas fundamentais das falhas

3.6.1 Lubrificação inadequada

3.6.2 Operação incorreta

3.6.3 Sujeira, objetos estranhos e condições ambientais desfavoráveis

3.6.4 Folgas

3.7 Conceito de falha potencial

4 Como desenvolver um sistema de tratamento de falhas

4.1 Introdução

4.2 Círculo vicioso das falhas

4.3 Rompendo o círculo vicioso das falhas

Estabelecendo contramedidas

4.4 Conclusões

5 Ações preventivas: como atuar antes que as falhas ocorram

5.1 Introdução

5.2 Princípios da prevenção de falhas

5.2.1 Conceito de manutenção preventiva

5.2.2 Ações preventivas baseadas no tempo

5.2.3 Ações preventivas baseadas na condição

5.3 Temos ações preventivas, mas as falhas não diminuem!

5.3.1 Ações preventivas e chão de fábrica

5.3.2 Inspeções sensitivas são insuficientes

5.4 Tornando mais eficazes as ações preventivas

5.4.1 Como selecionar as ações preventivas

5.4.2 Como ajustar a periodicidade das ações preventivas

5.5 Fundamentos da prevenção de manutenção

5.5.1 Conceito de custo do ciclo de vida

5.5.2 Estruturação da prevenção de manutenção

5.6 Conclusão

6 Planejamento e padronização das ações preventivas

6.1 Introdução

6.2 Planejamento da manutenção

6.2.1 Como elaborar planos de manutenção

6.2.2 Ajustando a frequência das ações preventivas

6.2.3 Girando o ciclo PDCA das ações preventivas de manutenção

6.3 Padronização da manutenção

6.3.2 Padrões técnicos da manutenção

6.3.3 Revisão dos padrões técnicos da manutenção

6.3.4 Como garantir o cumprimento dos padrões técnicos da manutenção

6.3.5 Como promover a padronização da manutenção

6.4 Conclusão

7 Como melhorar a utilização dos recursos da manutenção

7.1 Introdução

7.2 Dimensionamento e organização do pessoal de manutenção

7.2.1 Responsabilidades pelas atividades de gerenciamento

7.2.2 Responsabilidades pelas atividades de execução

7.3 Gerenciamento do estoque de peças de reposição

7.3.1 Métodos de gerenciamento de materiais

7.3.2 Algumas considerações sobre o armazenamento das peças de reposição

7.4 Gerenciamento do orçamento da manutenção

7.4.1 Custos da manutenção

7.4.2 Elaboração do orçamento anual da manutenção

7.4.3 Controle e revisão do orçamento da manutenção

7.4.4 Como reduzir os custos de manutenção

8 Manutenção autônoma: como envolver os operadores nas atividades de manutenção

8.1 Introdução

8.2 Evolução da prática da manutenção pelos operadores

8.3 Princípios da prática da manutenção pelos operadores

8.3.1 Conceito de manutenção autônoma

8.4 Triângulo da manutenção eficiente

8.5 Mau entendimento da manutenção autônoma

8.6 Divisão de trabalho entre os Departamentos de Manutenção e Produção

8.6.1 Atividades básicas da manutenção autônoma

8.6.2 Papel dos operadores na manutenção autônoma

8.6.3 Papel das equipes de manutenção na manutenção autônoma

8.7 Treinamento dos operadores para a prática da manutenção autônoma

8.7.1 Desenvolvimento das habilidades dos operadores

8.7.2 Como conduzir o treinamento dos operadores

8.8 Padronização da manutenção autônoma

8.8.1 Como aumentar a produtividade das tarefas de manutenção autônoma

8.9 Manutenção autônoma na prática

8.10 Etapas de preparação para implantação da manutenção autônoma

8.11 Etapas de implantação da manutenção autônoma

8.11.1 Etapa 1: Fazer a limpeza inicial

8.11.2 Etapa 2: Identificar as causas das anomalias e estabelecer contramedidas

8.11.3 Etapa 3: Padronizar as atividades de manutenção autônoma

8.11.4 Etapa 4: Desenvolver habilidades de inspeção geral dos equipamentos

8.11.5 Etapa 5: Promover a inspeção dos equipamentos

8.11.6 Etapa 6: Organizar e gerenciar o local de trabalho

8.11.7 Etapa 7: Consolidar a implantação da manutenção autônoma

8.12 Avaliando a implantação da manutenção autônoma

8.13 Conclusão

9 Educação e treinamento

9.1 Introdução

9.2 Manutenção como serviço

9.3 Desenvolvimento de habilidades de manutenção

9.3.1 Como desenvolver habilidades técnicas e gerenciais

9.3.2 Como conduzir o treinamento

9.4 Conclusão

Anexo A Ferramentas da qualidade no gerenciamento da manutenção

Anexo B Taxa de falhas, taxa de utilização e disponibilidade dos equipamentos

Anexo C Aplicação dos princípios do 5S em áreas de manutenção

C.1 Introdução

C.2 5S e manutenção autônoma

C.3 Como potencializar os resultados do 5S na manutenção

Referências

Prefácio à 2ª edição

Nesta segunda edição, os conteúdos não passaram por nenhuma atualização em relação à edição anterior. A mudança no layout da capa se deve ao novo projeto de padronização e alteração da logomarca da empresa, antes denominada INDG TecS e atualmente Editora FALCONI.

A Editora

Prefácio

Tradicionalmente as atividades de manutenção eram consideradas um mal necessário por várias pessoas em diferentes empresas. Mais recentemente essa atitude vem mudando, e hoje a manutenção é reconhecida como uma função estratégica. Os principais agentes e oportunidades que propiciaram essa mudança de imagem foram a maior preocupação com a qualidade e a produtividade, a ênfase cada vez maior nos assuntos relacionados à segurança, as crescentes preocupações ambientais, o envelhecimento dos equipamentos e das instalações, a necessidade de reduzir custos e as exigências geradas pela aplicação de normas reguladoras. Essa nova situação impõe alguns desafios e exige o desenvolvimento e a aplicação de novos sistemas de gerenciamento da manutenção.

Além disso, as fábricas estão se tornando cada vez mais automatizadas e complexas. Os volumes de produção e as exigências por maior qualidade são hoje bem maiores que décadas atrás. Por isso, até mesmo as pequenas interrupções da produção podem causar grandes prejuízos. Esses desafios industriais colocaram a manutenção em evidência: é indispensável à produção e pode ser considerada a base de toda atividade industrial.

As empresas brasileiras são verdadeiras ilhas do tesouro, onde ainda existem muitas riquezas a explorar. Certamente a manutenção de equipamentos poderá ajudar a desenterrar esses tesouros, aumentando a disponibilidade dos equipamentos e contribuindo para a melhoria de nossa qualidade e produtividade. Isso pode ser constatado ao visitarmos o chão de fábrica de dezenas de indústrias, nas mais diversas áreas de atuação: alimentos, bebidas, química, mineração e siderurgia. Em muitas dessas indústrias, ainda não se percebeu o quanto é possível ganhar em qualidade e produtividade somente melhorando a manutenção dos equipamentos.

Em algumas indústrias o nível da manutenção de equipamentos e instalações está relativamente satisfatório. Muitas empresas brasileiras que já tomaram o caminho rumo à nova era industrial, por meio da modernização da produção e da implantação da gestão pela qualidade total (GQT), reconheceram o papel fundamental da manutenção e estão trabalhando duro para elevar seu nível.

Mas no restante delas e mesmo na nossa vida cotidiana, ainda enfrentamos muitos problemas relativos à má conservação de máquinas, estradas, veículos e edifícios. Esses problemas dificultam a vida das pessoas e têm até causado sérios acidentes. Além disso, a falta de conservação representa um enorme desperdício de recursos para o Brasil. Na verdade, os problemas de manutenção parecem extrapolar o setor industrial e são encontrados em outros setores da economia que utilizam equipamentos, tais como saúde, agricultura, energia, transportes, telecomunicações, serviços públicos, educação e pesquisa científica.

Nos últimos anos o Brasil tem passado por profundas mudanças econômicas, políticas e sociais que, aliadas ao crescente desenvolvimento tecnológico, forçaram as empresas a revolucionar seus sistemas de produção. Parte dessa revolução está associada aos equipamentos de produção, para os quais têm sido estabelecidas metas cada vez mais desafiadoras em termos de qualidade dos produtos, seus custos e volumes de produção. Entretanto, em muitas empresas, temos notado que o desempenho dos equipamentos não tem conseguido acompanhar essa revolução por problemas de baixa confiabilidade ou por completo mau funcionamento.

Uma das principais razões para essa situação é a pouca ênfase que tem sido dada ao gerenciamento da manutenção. Na prática, o que se tem visto no dia a dia das empresas é lamentável. Alguns exemplos:

A análise de falhas é deficiente, e há ênfase excessiva em somente consertar o que quebrou, ou seja, o mais comum ainda é ver o pessoal da manutenção somente removendo sintomas, sem tempo para utilizar métodos de análise de falhas.

A manutenção preventiva é mal realizada ou inexistente.

Os relatórios de falhas dos equipamentos são mal preenchidos e pouco explorados para análise.

Faltam padrões de manutenção.

O conhecimento e as habilidades do pessoal da manutenção são insuficientes.

Levando em conta essa situação, é natural que quase nunca se consiga reduzir as interrupções da produção por falhas nos equipamentos. Se não forem atacadas frontalmente pelo pessoal da manutenção, as falhas nos equipamentos tenderão sempre a aumentar. Tenho visto alguns exemplos disso nas empresas.

É possível distinguir outros fatores problemáticos que parecem ter contribuído para essa situação desfavorável:

Os equipamentos e sua operação, incluindo as deficiências de projeto, as condições desfavoráveis sob as quais a aquisição e o fornecimento acontecem e, finalmente, os problemas nos serviços de assistência técnica a serem prestados pelo fabricante ou fornecedor.

A deficiência da organização e do gerenciamento da manutenção. Tradicionalmente as atividades de manutenção têm sido tocadas em vez de serem gerenciadas de forma eficiente. Felizmente muitas empresas já estão atentas para a necessidade de encarar a manutenção mais seriamente.

Os recursos materiais, incluindo documentação técnica, peças de reposição, ferramentas, equipamentos de medição e recursos financeiros. Com equipamentos importados, muitas empresas têm dificuldades para obter peças e ferramental especializado, promover treinamento de pessoal da manutenção e operação e obter documentação técnica: manuais de manutenção e catálogos de peças.

Os recursos humanos para manutenção, suas atitudes, seu nível de experiência, seu conhecimento e a qualidade do treinamento. Tradicionalmente as empresas brasileiras não se importavam com a qualificação de suas equipes de manutenção. Essa situação vem melhorando em algumas áreas.

Os gerentes brasileiros, em vários tipos de indústria e em todos os níveis hierárquicos das organizações, devem entender claramente os princípios da manutenção de equipamentos, se interessar por ela e promover exaustivamente a melhoria do seu nível. Atividades de manutenção mais eficientes trarão benefícios não somente para o setor industrial brasileiro. Na verdade, toda a sociedade será beneficiada por uma cultura voltada para a melhoria do nível gerencial da manutenção. Essa cultura deverá ser disseminada pelo setor industrial, pelas universidades e pelo governo.

Espero que este livro traga uma contribuição significativa nesse sentido, propiciando aos gerentes e supervisores o conhecimento necessário para o aperfeiçoamento do gerenciamento da manutenção. Espero também que os gerentes e os supervisores estudem e pratiquem com entusiasmo os conceitos e as técnicas apresentados aqui, para que atinjam excelentes resultados, tornando suas empresas cada vez mais produtivas e competitivas.

Este livro é o resultado de mais de três anos de estudos e experiências sobre a melhoria do gerenciamento da manutenção. Incorpora o valioso aprendizado adquirido em dezenas de visitas técnicas a empresas brasileiras, em companhia de especialistas japoneses. Destaco o papel fundamental que o Eng. Akio Shiwaku, da JODC (Japan Overseas Development Corporation) desempenhou nesse processo. Sua experiência de mais de vinte anos no gerenciamento da manutenção de uma das maiores corporações japonesas, seus ensinamentos e suas orientações técnicas, sempre prestados com muita clareza e paciência, foram decisivos para a produção deste livro. Sou muito grato ao Eng. Shiwaku por sua valiosa contribuição.

Quero registrar meus agradecimentos a vários colegas do grupo de consultores na área da manutenção, que me auxiliaram nas fases de pesquisa e na elaboração do texto, fazendo um grande e detalhado esforço para que este livro pudesse ser concluído. Sou profundamente grato ao Eng. Daniel Cândido da Costa, ao Eng. Rogério Silva Nacif e ao Eng. Newton Moreira Leal pelos comentários, pelas sugestões e pelas revisões minuciosas, pela amizade e pelo aprendizado. Agradeço também ao intérprete e tradutor do nosso grupo de consultores, Eng. Yoshiaki Matsuzaka, e aos vários outros colaboradores e colegas pelo esforço e pelo trabalho competente, particularmente a Luciana Carvalho e Flávio Belo. Meus agradecimentos especiais ao Prof. Vicente Falconi Campos, Prof. José Martins de Godoy e Prof. Carlos Bottrel Coutinho pelo incessante apoio e incentivo na produção do livro, pelas orientações técnicas, pelos valiosos comentários e pelas cuidadosas revisões do texto.

Finalmente, meu agradecimento aos meus pais Marília de Dirceu Queiroz Barbosa Xenos e Filippos Joannis Xenos pelo incentivo, pela dedicação, pelo carinho e pelo amor.

Belo Horizonte, janeiro de 2005

Harilaus Georgius d’Philippos Xenos

Capítulo 1

Visão geral da manutenção de equipamentos

1 Visão geral da manutenção de equipamentos

1.1 Introdução

Embora a manutenção de equipamentos e instalações industriais já esteja sendo praticada há anos em muitas empresas brasileiras e embora haja vários cursos de treinamento e literatura sobre o assunto abordando aspectos tanto técnicos quanto gerenciais da manutenção, é surpreendente ainda encontrar pessoal de manutenção de vários níveis (diretores, gerentes, supervisores e técnicos) e de diferentes empresas que não conhecem a essência das suas próprias atividades profissionais e que acabam se atrapalhando com os termos relacionados com a manutenção de equipamentos.

Vários termos relacionados com as atividades de manutenção já estão suficientemente definidos em livros, glossários e normas específicas como a NBR 5462-1994, intitulada Confiabilidade e manutenabilidade. Naturalmente pode haver ligeiras variações da terminologia entre as diversas fontes disponíveis e mesmo entre empresas diferentes.

Mas a questão principal é a necessidade de estabelecer um entendimento claro e uniforme dos princípios e da maneira de pensar que deram origem aos termos básicos utilizados para se referir às atividades de manutenção. O mau entendimento desses princípios, por mais simples que sejam, pode custar muito caro para as empresas, como resultado da prática de atividades de manutenção inadequadas.

Neste capítulo, vamos explorar alguns princípios básicos relacionados com a manutenção de equipamentos, sem a intenção de propor uma terminologia nova e definitiva. O objetivo dos próximos parágrafos é organizar ideias sobre o gerenciamento da manutenção, deixando claras suas inter-relações. Acreditamos que não basta saber recitar de memória a terminologia e seu significado: é preciso entender a maneira de pensar que está por trás de cada um dos termos.

1.2 Conceito de manutenção

O dicionário Aurélio define a manutenção como as medidas necessárias para a conservação ou a permanência de alguma coisa ou de uma situação ou ainda como os cuidados técnicos indispensáveis ao funcionamento regular e permanente de motores e máquinas.

A manutenção é definida como a combinação de ações técnicas e administrativas, incluindo as de supervisão, destinadas a manter ou recolocar um item em um estado no qual possa desempenhar uma função requerida (NBR 5462-1994). Ou seja, manter significa fazer tudo que for preciso para assegurar que um equipamento continue a desempenhar as funções para as quais foi projetado, num nível de desempenho exigido.

As atividades de manutenção existem para evitar a degradação dos equipamentos e das instalações, causada pelo seu desgaste natural e pelo uso. Essa degradação se manifesta de diversas formas: desde a aparência externa ruim dos equipamentos até perdas de desempenho e paradas da produção, fabricação de produtos de má qualidade e poluição ambiental.

Todas essas modificações têm forte influência negativa na qualidade e na produtividade, principalmente em empresas nas quais os equipamentos desempenham um papel fundamental na produção. Baixa qualidade e produtividade acabam colocando em risco a sobrevivência da empresa. Como a manutenção dos equipamentos pode desempenhar um papel importante na melhoria da produtividade, os ganhos potenciais com a melhoria do seu gerenciamento não podem ser simplesmente desprezados.

No entanto, ainda há muitas ideias incorretas e formas de pensar ultrapassadas sobre a essência das atividades de manutenção e sobre o seu gerenciamento. Isso pode resultar em conflitos entre o Departamento de Manutenção e outros departamentos da empresa, principalmente os de produção. Parece que essas deficiências de entendimento – que encontramos também nos profissionais de manutenção – são em grande parte responsáveis pelos problemas de relacionamento tão comuns entre os departamentos de manutenção e de produção e pela forma como as atividades de manutenção ainda são vistas em muitas empresas: uma dor de cabeça sem solução, um mal necessário.

Ainda é comum a utilização da expressão em manutenção para designar as atividades de reparo de algum equipamento que quebrou. Talvez isso seja uma pequena evidência de que as atividades de manutenção de equipamentos ainda são mal entendidas por um grande número de pessoas. Muitas empresas experimentam sérios problemas com a ocorrência de falhas nos equipamentos e insistem em chamar os reparos de manutenção. A não ser que ações concretas estejam sendo tomadas de forma sistemática para evitar as falhas, o conserto dos equipamentos depois que as falhas ocorreram não pode ser entendido como manutenção.

Vez por outra a manutenção dos equipamentos pode incluir atividades relacionadas com o tratamento de falhas: detecção, reparo, investigação das causas fundamentais e estabelecimento de contramedidas para sua reincidência. Entretanto, essas devem ser atividades esporádicas e não podem se transformar no meio de vida das equipes de manutenção. Tratar falhas em equipamentos pode ser um bom negócio somente para as empresas que vivem de assistência técnica, por meio da venda de peças de reposição e de mão de obra. Para aqueles que precisam dos equipamentos para produzir seus produtos e serviços, as falhas são um desastre.

As atividades de manutenção estarão limitadas ao retorno de um equipamento às suas condições originais. Mas num sentido mais amplo, as atividades de manutenção também devem envolver a modificação das condições originais do equipamento através da introdução de melhorias para evitar a ocorrência ou reincidência de falhas, reduzir o custo e aumentar a produtividade.

Normalmente as grandes modificações que visam aumentar a capacidade ou o volume de produção dos equipamentos e das instalações estão fora do escopo das atividades de manutenção. Entretanto, dependendo de sua complexidade e dos recursos técnicos exigidos, essas modificações podem ser planejadas e implementadas pelas próprias equipes de manutenção existentes nas empresas.

1.3 Abrangência das atividades de manutenção

Como acabamos de mencionar, as atividades de manutenção devem ter um escopo muito mais abrangente do que simplesmente manter as condições originais dos equipamentos. Muitas vezes somente manter essas condições é insuficiente. Por isso, a introdução de melhorias que visam aumentar a produtividade também deve fazer parte do trabalho dos departamentos de manutenção. Assim, as atividades de manutenção de equipamentos em qualquer empresa podem ser divididas em dois tipos:

Atividades de manutenção

Atividades de melhoria

As atividades de manutenção dos equipamentos visam manter suas condições originais de operação e seu desempenho por meio do restabelecimento de eventuais deteriorações dessas condições. Nesse tipo de atividade, qualquer serviço de manutenção somente poderá restabelecer as condições originais de desempenho e confiabilidade intrínseca, nunca exceder essas condições. Esse é, sem dúvida, o conceito mais comum de manutenção porque incorpora a essência desse serviço, cujo objetivo é manter as características e a capacidade dos equipamentos ao longo do tempo.

As atividades de manutenção resultam de ações executadas no dia a dia para prevenir ou corrigir eventuais anomalias ou falhas detectadas nos equipamentos pelos operadores da produção ou pelas equipes de manutenção. Essas ações podem ser uma simples lubrificação, o reparo de uma falha, a substituição periódica de uma peça, uma grande reforma do equipamento ou até mesmo cuidar da sua operação correta. Essas atividades devem ser executadas sistematicamente pelos departamentos de produção e de manutenção por meio do cumprimento dos padrões de operação e manutenção dos equipamentos, incluindo os padrões de limpeza, lubrificação, inspeção, reforma, troca de peças, teste funcional, entre outros.

As atividades de melhoria dos equipamentos visam melhorar suas condições originais de operação, desempenho e confiabilidade intrínseca, por meio da incorporação de modificações ou alterações no seu projeto ou configuração original. O objetivo dessas atividades é atingir novos patamares de produtividade para os equipamentos. As atividades de melhoria requerem ações específicas tanto técnicas quanto gerenciais, que resultam na modificação dos padrões e procedimentos existentes.

Exemplos concretos de atividades de melhoria voltadas para os equipamentos incluem a definição de metas para aumentar sua capacidade de produção, melhorar a qualidade dos produtos e reduzir os custos de manutenção. Neste último caso, podemos desdobrar ainda mais a meta de redução de custos, resultando em: aumento da vida útil do equipamento; redução da ocorrência de falhas; redução do tempo de manutenção preventiva; redução do custo das peças de reposição, entre outras.

As atividades de melhoria poderão dar origem a componentes ou sistemas modificados ou mais modernos, peças mais resistentes e outras medidas concretas para aumentar a confiabilidade intrínseca ou a capacidade funcional dos equipamentos. Se estiverem ao alcance do orçamento e do conhecimento técnico das equipes do Departamento de Manutenção, as atividades de melhoria também poderão resultar numa atualização tecnológica dos equipamentos. Por exemplo, painéis elétricos grandes e obsoletos podem ser substituídos por unidades mais modernas, compactas e confiáveis.

Num sentido mais amplo, podemos considerar que o objetivo da manutenção não é somente manter ou restaurar as condições físicas do equipamento, mas também manter suas capacidades funcionais. Ou seja, além de manter o que o equipamento é (condição física), é necessário manter o que ele pode fazer (capacidade funcional). Na verdade, a manutenção da condição física do equipamento tem como objetivo final a manutenção da sua capacidade funcional, além da qualidade do produto, da segurança e da integridade do meio ambiente. Para facilitar o entendimento desse conceito, vamos ilustrá-lo por meio de um exemplo da vida prática.

Exemplo 1.1

Numa fábrica de cervejas, um dos processos críticos é o envasamento da bebida em latas. Se uma determinada linha de

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