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Compreender Metodologia desde Textos Científicos na Comunicação

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Compreender Metodologia desde Textos Científicos na Comunicação

Duração:
289 páginas
3 horas
Lançados:
15 de abr. de 2020
ISBN:
9788547338077
Formato:
Livro

Descrição

Compreender metodologia desde textos científicos na comunicação percorre os significados que se atribuem ao conceito no âmbito da epistemologia do saber comunicacional. Trata-se de uma tentativa de entender de onde partem seus usos para, dessa maneira, ampliar possibilidades de construção de um lugar de fala sobre metodologia. Ao considerar seu caráter processual, a ideia é apresentar elementos que se desviam de uma visão instrumental atribuída ao conceito.
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15 de abr. de 2020
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9788547338077
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Compreender Metodologia desde Textos Científicos na Comunicação - Daiani Ludmila Barth

Sumário

1.

INTRODUÇÃO

2.

A COMUNICAÇÃO ESCRITA E O SENTIDO

DE PUBLICAR TEXTOS CIENTÍFICOS 

2.1 TEXTO CIENTÍFICO E A CONSTRUÇÃO DO OBJETO 

2.2 PERCURSOS: ALAIC, COMPÓS E INTERCOM

2.3 A CONCEPÇÃO DE COMUNIDADES DE ENCONTRO

2.3.1 Sobre comunidades de encontro de epistemologia e o viés metodológico

3.

EPISTEMOLOGIA E UM LUGAR DE FALA

ACERCA DE METODOLOGIA

3.1 METODOLOGIA COMO PROCESSO E

BUSCA DE AUTONOMIA

3.2 MODOS DE PENSAR E ESPECIALIZAÇÃO DE SABERES

3.3 DELINEAMENTOS COGNITIVOS NA EMERGÊNCIA

DAS CIÊNCIAS SOCIAIS

3.4 RECONFIGURAÇÕES METÓDICAS E METODOLÓGICAS

3.5 DINÂMICAS FORMATIVAS DO SABER METODOLÓGICO

NA ESFERA COMUNICACIONAL 

3.6 DECISÕES METODOLÓGICAS BASEADAS EM

EMPRÉSTIMO DE MÉTODOS E TÉCNICAS

4.

O PROTAGONISMO DO MÉTODO NA

EXECUÇÃO METODOLÓGICA

4.1 ENFOQUES TEXTUAIS: TEÓRICO, EMPÍRICO E ENSAIO

4.2 O MOVIMENTO QUE ENCONTRA OPERADORES

DE SENTIDO 

4.3 TENDÊNCIAS AO POSITIVISMO

4.4 MARCAS DO ESTRUTURALISMO

4.5 SINAIS DE MATERIALISMO DIALÉTICO

4.6 TRAÇOS DO REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO 

5.

A COMPREENSÃO CONCEITUAL METODOLÓGICA

5.1 CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS 

1.

INTRODUÇÃO

Este livro nasce a partir de uma investigação de cunho doutoral, que se refere à busca pela compreensão conceitual de metodologia, desde textos científicos publicados em encontros referenciais acerca do saber comunicacional, entre os anos de 2012 a 2016. Trata-se de levantar questões e relações teóricas sobre os elementos que constituem assuntos centrais e paralelos ao tema. Assim, observam-se indicativos e regularidades que apontam para o acionamento empírico de 260 textos, delimitados em um conjunto posterior de 140 publicações, provenientes dos diálogos que ensejam a formação de comunidades de encontro, oportunizadas durante esses congressos, cujo tópico possível de discussão situa-se no viés metodológico. Ao longo desta obra, encontram-se interpretações relacionadas à problemática, com a finalidade de avançar em direção a uma compreensão acerca do saber metodológico em construção, que alia pontos de partida para outras reflexões/estudos vindouros.

É uma tarefa que visa, ao estudar o conceitual metodológico, problematizar/colocar em crise o saber metodológico na comunicação, no sentido de auxiliar pesquisadores que se interessam em estudar fenômenos comunicacionais. A proposta de estudo toma forma, assim, tendo como base os entendimentos acerca do conceitual metodológico diante do saber comunicacional, explícitos nos textos em análise.

Ao considerar a jornada pessoal de inquirição em um sentido peirceano de estado de luta dúvida/crença², que permeia a construção do problema, iniciam-se as inquietações na trajetória acadêmica, desde o primeiro momento individual de pesquisa ao finalizar a graduação, até a responsabilidade de ministrar aulas, particularmente na disciplina Teorias e Métodos de Pesquisa em Comunicação, na Universidade Federal de Rondônia (Unir). Aliado a isso, importa a experiência na orientação de trabalhos de conclusão de curso (TCC) de graduação e especialização, em que se inscreve uma constante, acerca do que significa a instância metodológica e o seu protagonismo durante a pesquisa. Assim, emerge a necessidade de compreensão da metodologia nos estudos que se propunham pensar sobre fenômenos comunicacionais, sem pressuposições antecipadas, no entendimento do porquê monografias e demais pesquisas, bem como artigos publicados na área, descrevem ou elegem, quando muito, métodos X, Y ou Z para resolver determinados problemas e, todavia, reflexões críticas acerca dessas entradas empíricas serem escassas.

Ao recordar a própria formação, houve senão uma introdução a métodos e técnicas de pesquisa, que passam a integrar a etapa procedimental instituída como o metodológico no processo. O início dessa trajetória ocorre quando bolsista de iniciação científica (IC), que remete à lembrança de um episódio na condição de estudante no curso de Comunicação Social - Jornalismo, em disciplina específica sobre elaboração de projeto de pesquisa. Durante a apresentação à turma, a presença de alguém que participa de pesquisa na instituição predispõe o comentário por parte docente, responsável por ensinar o assunto, de que é desnecessário explicar a quem é IC como fazer pesquisa! De fato, o aprendizado passa a ocorrer, então, na oportunidade do contato diário com a pesquisa³, principalmente com a vivência de ida a campo, recordando Winkin⁴ e sua preparação. E essa oportunidade proporciona a empatia com a dimensão empírica em sua riqueza de possibilidades.⁵

Ainda durante a graduação ocorre, afinal, a primeira investigação acadêmica em que o detalhamento empírico revigora um entusiasmo de vocação descritiva no trabalho. A experiência proporciona realizar a recente, à época, etnografia na internet⁶ e, a partir dela, o uso de técnicas de pesquisa com auxílio da internet.⁷

Ao prosseguir, agora no curso de mestrado em Comunicação, emergem temas que trazem outros desafios por causarem a dúvida: como se relacionam entradas empíricas incomuns?. A trajetória de articular metodicamente estudos de cibercultura, oriundos de uma abordagem sistemática, e estudos migratórios, com propostas advindas das teorias da recepção, ilustram esse momento. Até porque remetem à formação em histórias de vida, entrevistas e à preparação de roteiros, diários de campo, em uma perspectiva entendida, à época, desde uma instância de teor qualitativo. De que maneira, então, deveria tratar essas questões metodologicamente? Estava ali presente a inquietação.

Durante a experiência docente, diante do fenômeno de proliferação de sites que se propunham noticiar fatos em Rondônia, o mesmo questionamento ronda o processo da pesquisa. O momento de submissão de trabalhos para congressos da área sugere dúvidas, pois há a sensação de que as propostas não se encaixam completamente às ementas dos grupos de trabalho. Assim, pensar acerca do caminho para estudar o fenômeno em questão continua um movimento desafiador.

Agrega, afinal, a esse desafio, o contexto de ingresso no curso de doutorado em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB), o qual enseja a possibilidade de discussão metodológica no desenvolvimento do problema a partir da dúvida inferencial: existe um silêncio conceitual metodológico nas pesquisas em comunicação? Ao optar pela observação exploratória realizada em textos publicados, inicialmente, nos anos 2014 e 2015, em eventos organizados pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e pela Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós), observou-se indicativos de escassez de publicações que insiram o estudo e reflexão metodológica. Nessa observação, quando metodologia surge nas publicações, indica uma demanda necessária, cujo emprego tende à análise de constatações/interpretações apresentadas nos textos publicados, a fim de validar cientificamente determinado estudo, de modo a representar um selo de credibilidade. O movimento exploratório perpassa, logo, textos advindos de grupos de epistemologia, nos quais o viés metodológico surge como possível discussão na ementa, ao mesmo tempo que permite a construção problemática.

No andamento do estudo, a ele se integram textos publicados desde o congresso organizado pela Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación (Alaic), que congrega pesquisadores da área no continente. Desse modo, a esfera empírica da pesquisa constitui-se de textos provenientes de três encontros representativos e referenciais desde o saber comunicacional no Brasil e América Latina, com a participação periódica de pesquisadores, cujas discussões propostas relacionadas à epistemologia da comunicação constituem-se em marcos interpretativos referenciais e possibilitam parâmetros importantes para pensar o saber metodológico comunicacional.

O objetivo central, a partir dessas questões, é buscar a compreensão conceitual de metodologia a partir do conjunto de textos em questão. Estes, ensejados nas comunidades de encontro reunidas periodicamente durante os eventos, diante do caráter substancial da discussão metodológica no meio acadêmico, como norte e/ou entendimento do percurso de pesquisa sobre fenômenos que se vinculam a construção de um saber comunicacional.

Nesse contexto, o desenvolvimento do problema de pesquisa inicia a partir de uma primeira questão inferencial situada na premissa de silêncio conceitual, referida anteriormente, consoante o indicativo de escassez de trabalhos elaborados na discussão do viés metodológico nos textos. A premissa ocupa boa parte da problematização inscrita, sobretudo no exploratório, porém, atinge-se, posteriormente, outro patamar interpretativo, desde a instância metodológica da pesquisa. Diante da leitura do conjunto, composto por 262 textos científicos, na ampliação do período em análise, surgem possibilidades que se inscrevem de maneira diferente da problemática inicial.

Aliado a isso, o encontro com demais provocações sobre silêncio na comunicação ⁹ o incluem como condição existencial da música em sua plenitude, o que abrange mais do que sua necessidade na ação de escutar. Ou, ainda, o sentido contemplativo que emerge na ação silenciosa de escrita, leitura, pintura, a partir do qual se reconhece a incapacidade de dar conta do fenômeno em questão, proporcionado pela inquietação em torno do metodológico, que persiste. Então, ao imaginar comunicólogos em silêncio, refletindo, inferindo sobre metodologia, percebe-se que a busca pela compreensão conceitual de metodologia necessita de uma formulação problemática sobre o que se está comunicando, no que diz respeito ao conceito. Os textos sendo lidos, mesmo que de forma silenciosa/concentrada, apontam para um dar-se conta de que seus parágrafos falam/comunicam muito sobre a inquietação/problema que aqui se introduz.

Ao entender os significados advindos do conceitual metodológico, nos textos em análise, como representantes do pensamento de comunidades de encontro referenciais, em que se compartilha o interesse por epistemologia, a pergunta a se elaborar é a seguinte: qual a compreensão conceitual metodológica que se inscreve desde os textos publicados acerca do saber comunicacional? A problematização em torno do conceitual metodológico não é apenas fundamental, como também influencia sobremaneira a dimensão metódica/metodológica, ou ainda, sua escassez. E isso ocorre diante de um saber comunicacional a ser construído em um campo que, embora constituído de um conjunto de teorias e conceitos vastos, oriundos de outros saberes, institucionalizado em cursos, programas de pós-graduação, associações científicas, o que possibilita um acúmulo de produções significativo, é deveras recente.

Nesse cenário, mesmo legitimado pela via institucional, discute-se acerca de seu caráter disciplinário¹⁰ bem como a preocupação com o fazer metodológico¹¹, cuja discussão e embates auxiliam a compreensão de seu caráter, historicamente, em contínua (des) integração. Essa característica, todavia, também proporciona a recorrência de pesquisas que se propõem a estudar o estado da arte ou metapesquisa na comunicação,¹² em uma proposta de análise e avaliação empírica das produções advindas do campo institucionalizado, cujo estudo aqui proposto se alinha, encontrando a diversidade e riqueza de perspectivas adotadas e a importância das interlocuções entre pesquisadores.

Assim, ao reverberar sua influência, a perspectiva metodológica das pesquisas em comunicação deve contribuir para a contínua construção do saber comunicacional. Sua ausência, pelo contrário, prejudica a intenção de consolidar a especificidade do que se produz, no sentido de alcançar uma autonomia de campo¹³ que possibilite sua legitimidade, na proposição de estudos de determinados fenômenos que explicam fatos do mundo traduzidos em verdades, em contínuo processo de diálogo com os saberes.

Desde já, importa entender metodologia desde atitude, que possibilita as idas e vindas que atravessam a execução e reflexão, na construção do trabalho acadêmico. Constitui-se, logo, na postura do sujeito pesquisador que está a formular e, ao mesmo tempo, livre para desviar-se de procedimentos metódicos que, de tão difundidos e aplicados, podem impor um estado de claustrofobia, contrário à inquirição aberta. Por isso, metodologia, nessa perspectiva, não é um tópico específico no qual se apresenta métodos e técnicas empregados. Ao contrário, o exercício proposto é o de metodologia que atravessa a discussão e está presente na formulação e concepção do próprio trabalho, para movimentar-se um pouco além do rito procedimental, no desafio de enxergar não apenas o como, mas buscar entender o trabalho desde as instâncias o quê estou pesquisando, ou porquê estou pesquisando.¹⁴

2.

A COMUNICAÇÃO ESCRITA E O SENTIDO

DE PUBLICAR TEXTOS CIENTÍFICOS

Esse tópico de escrita se constrói a fim de introduzir reflexões em torno do metodológico diante do saber comunicacional, a partir de textos científicos. A ideia é particularizar o texto que se enquadra em um padrão, em desenvolvimento ao longo do tempo, e que converge ao que se intitula texto científico. A comunicação, em sua prática oral e escrita, preserva-se indispensável e inerente ao cotidiano, ao mesmo tempo em que marca a circulação de saberes em contínua elaboração. No uso da oralidade, faz-se possível observar fenômenos e comunicá-los no momento em que ocorrem, como também posteriormente. Ao dedicar-se às artes do fazer, há também um sentido que expressa a riqueza em torno da dinâmica do social ordinário, do cotidiano, em modos de fazer contrários, anônimos e alheios à cultura escrita.¹⁵ Perfaz uma ritualidade inerente ao humano como espécie, atravessa os sentidos da fala, visão, audição... desenvolve-os, continuamente. Em operação, a comunicação oral também é passível de alterações ao se deslocar de um ente a outro, cuja brincadeira do telefone sem fio bem ilustra, com as possíveis nuances que a mensagem original recebe até chegar ao destino. É por esses meandros que surge o registro escrito, a fim de evitar distorções e consolidar sua presença. Isso ocorre por meio da transformação da oralidade em documentos que se expressam na palavra escrita e sua possível transmissão por gerações. Não à toa, inclusive, que as palavras aqui expostas, oriundas de certa tentativa formativa, acabam por constituir um objeto livro, que, em circulação, irá desdobrar-se em contínua realização a cada nova leitura iniciada.

Aliado à prática escrita, também o interesse por interpretar textos é antigo, uma vez que remete à dedicação em elucidar escritos sagrados ou políticos antes mesmo da Idade Média. Porém é na Suécia que se inscreve, em 1640, o marco referencial que representa o estudo da autenticidade de hinos religiosos e seus possíveis efeitos sobre os luteranos, cuja abordagem inclui temas religiosos, valores e manifestações favoráveis ou desfavoráveis, desde a análise de conteúdo. Posteriormente, o registro escrito recebe valorização com fatos sociais diariamente expostos nas páginas de jornais e outros impressos. O processo de análise passa a incluir, logo, diários, biografias, literatura, obras científicas e técnicas, além do material disponível proveniente de instituições públicas e privadas, que mantêm um registro ordenado e regular dos acontecimentos referentes às atividades da vida social.¹⁶

Assim, em consonância com a comunicação escrita, emerge uma proposta analítica, a partir do conjunto de textos científicos disponíveis para a ação metódica, cujo intuito converge na análise que tem em vista o aspecto situacional de determinado fato/fenômeno em estudo. Parte-se do pressuposto de que a figura do pesquisador em formação ou titular, procura seguir o ethos que o insere efetivamente desde uma comunidade acadêmica, em que perpassa o princípio ético de divulgação de suas pesquisas, inquirições ou descobertas, sobretudo, à mesma comunidade que o legitima, contribuindo, desse modo, pelo dinamismo na construção do conhecimento.

A escrita e publicação científica traduz-se de maneira consolidada para essa finalidade, sendo que a partir do que está publicado, por meio impresso como disponível na internet e, consequentemente, inserido na vida cultural cotidiana, evolui também a ideia do pensamento e ciência livre. Entretanto, necessária se faz a reflexão crítica de um panorama de produção contínuo, tendo em vista o aspecto situacional da ciência, no incentivo ao modus operandi que salienta novidades e resultados, na construção do conhecimento em consonância inquestionável ao paradigma da medida.¹⁷ Entende-se, desde esse panorama, a redução de possíveis entradas de discussão metodológica limitadas à instância metódica, que emerge no texto, quando muito, como item imprescindível a fim de tornar-se científico.

Ao relacionar a discussão do texto à figura do pesquisador, importa considerar que a institucionalização da pesquisa por intermédio de órgãos de fomento, a exemplo do Brasil, preconiza a exibição da trajetória acadêmica de seus pesquisadores por meio de currículo unificado e publicado pela plataforma Lattes¹⁸, mantida pelo CNPq. Além disso, a ocorrência de sites de redes sociais para finalidades diversas promove espaço e circunstância, desde plataformas de contato e discussão especificamente voltadas ao universo acadêmico¹⁹, em que se reivindica a criação e manutenção de perfis públicos com informações do pesquisador, áreas de estudo e de interesse, bem como disponibilização de publicações realizadas pelo autor ou em parceria. Essas plataformas objetivam criar condições de suporte e encontro entre acadêmicos, com recursos semelhantes a outras redes sociais, traduzidas na ferramenta follow, a fim de possibilitar o recebimento involuntário de atualizações acerca do trabalho do pesquisador. Além disso, recentemente, verificam-se opções de geração de relatórios que incluem a procedência do acesso, número de solicitações e descarregamento de arquivos disponíveis e visualizações de publicações acessadas pelo público de seguidores, oferecida, no entanto, a partir da lógica de monetização pelo serviço/rastreamento de informações. Na mesma ideia de agregar valor em torno dos dados, disponibilizam-se estatísticas de impacto, o que corrobora no sentido de valorização entre maior quantidade de acesso em detrimento da menor quantidade.

Para além dessas possibilidades, a produção de artigos científicos envolve um mercado editorial vigoroso, representado pela explosão de periódicos digitais, o que aumenta sobremaneira as possibilidades de publicação do pesquisador, em formação ao sênior. Novamente, sobretudo, associada à possível necessidade de pagamento prévio, tendo em vista a mercantilização da produção de conhecimento.

Esse cenário merece reflexão crítica desde a existência do culto a determinados autores, que figuram entre os mais citados, bem como o horizonte de competição em galgar posições de destaque.²⁰ Nesse sentido, o questionamento O que é um autor? ²¹ é incisivo, uma vez que o discurso científico é perpassado por crenças, modos de pensamento e condições compartilhadas pelos entes. Nessa perspectiva, é possível refletir, inclusive, sobre os limites do humanamente possível em termos de publicações, em que emerge a estratégia de escrita de textos em coautoria a fim de manter um mínimo de produção medida anualmente e que determina investimentos nas pesquisas futuras. Ainda, há a prática da autocitação, realizada por pesquisadores e revistas acadêmicas, em que surgem referências a textos anteriores com o intuito de citar o (s) próprio (s) autor (es) ou pesquisas publicadas em determinados periódicos, na tentativa de aumentar o fator de impacto e, como resultado, o prestígio no universo científico, sem necessariamente estar relacionado ou ser relevante à retórica textual apresentada.²²

Em consequência ao estado fabril, proporcionado pela indústria da citação, os principais medidores estatísticos que se apresentam englobam a Web of Science, do grupo Thomson Reuters, o Scopus, do grupo Elsevier, o Google Scholar, da empresa Google e Microsoft Academic Search da Microsoft, alvos de uma discussão progressiva a respeito do conhecimento como mercadoria.²³ Uma dessas vozes que passam a criticar a mercantilização surge na figura pública de Aaron Swartz, que, entre outras atividades, potencializa o padrão

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