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Imagens e Subjetividades

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Imagens e Subjetividades

Duração:
324 páginas
2 horas
Lançados:
4 de mai. de 2020
ISBN:
9788547331757
Formato:
Livro

Descrição

Apostar na articulação de imagens e subjetividades, por meio de diferentes significações, é o objetivo que funciona como pano de fundo desta obra, a qual reúne trabalhos que abrangem diferentes áreas do conhecimento, sobretudo as Ciências Humanas, as Ciências Sociais, as Artes e as Letras. Assim, os textos aqui reunidos exploram questões relativas a imagens e subjetividades nos quais a imagem pode ser uma criação mental ou pode possuir um aspecto material de simbolização em que a consciência manifesta uma percepção de mundo e de si mesmo.
Lançados:
4 de mai. de 2020
ISBN:
9788547331757
Formato:
Livro

Sobre o autor


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Amostra do livro

Imagens e Subjetividades - Graciela Ormezzano

COMITÊ CIENTÍFICO DA COLEÇÃO EDUCAÇÃO E CULTURAS

AGRADECIMENTOS

Agradecemos pelas bolsas de pós-graduação stricto sensu à Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul, à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior e à Universidade de Passo Fundo.

[...] uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato. Esta palavra ou esta imagem têm um aspecto inconsciente mais amplo, que nunca é precisamente definido ou de todo explicado. E nem podemos ter esperanças de defini-la ou explica-la. Quando a mente explora um símbolo, é conduzida a idéias (sic) que estão fora do alcance da nossa razão.

Carl Gustav Jung (1977).

PREFÁCIO

As imagens estão espalhadas em nosso entorno, no cotidiano, e vão formando o imaginário em que estamos inseridos. A cultura nos apresenta as imagens presentes, do passado e do futuro, e elas vão entrando em nosso corpo, em nossas memórias, em nossas histórias, no nosso jeito de ser; além delas, vamos identificando e selecionando o que queremos que faça parte do nosso museu. Dentre essas imagens, estão os encontros, e um desses foi o que tive com Graciela, no 23º Congresso da Federação de Arte/Educadores do Brasil (Confaeb), que aconteceu de 3 a 6 de novembro de 2013, no Hotel Armação em Porto de Galinhas, promovido pela Faeb¹ em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco. Esse foi o nosso primeiro encontro. Foi quando Graciela apresentou Leitura de Imagens fotográficas de San Rafael de Velasco, tratando já das implicações colonizadoras nas imagens na Bolívia Oriental. Desde essa época, conversamos sobre arteterapia e imaginário, descobrindo uma aproximação teórica e de interesses, além de sermos as duas arte-educadoras. Nunca mais nos vimos, até que, um dia, fomos a Brasília, ela saindo do Sul e eu do Nordeste, representando as nossas regiões para a Comissão Assessora de Área referente ao Enade de 2014-2016. Passamos três anos entre idas e vindas a Brasília, estreitando a nossa amizade, ideias e interesses sobre arte/educação, imaginário e arteterapia. Cinco anos de, apesar de tão distantes, tão próximas pelas imagens dos encontros. O cosmos conspirou e insistiu em nos unir. Participei da banca de qualificação e de defesa de sua orientanda Franciele Silvestre Gallina. Um dos textos deste livro é uma parte da tese de Franciele: Mitocrítica: uma compreensão educativa estética promotora de conhecimento e cuidado.

Agora, Graci convida-me para escrever o prefácio deste livro intitulado Imagens e Subjetividades, o que me orgulha e me aproxima ainda mais de sua vida, de sua história e do Imaginário que precisa ser fortalecido. Precisamos unir forças, principalmente, neste momento político com tantas recessões, repressões e censuras; precisamos de teorias como a do Imaginário para encontrar caminhos para vivermos melhor. O imaginário é uma fresta que pode nos iluminar, aquecer-nos da frieza de uma sociedade que está cada vez mais excluindo os mais necessitados, reprimindo e querendo enquadrar todos numa caixinha, como se fôssemos todos iguais e tivéssemos as mesmas necessidades e interesses.

Como diz a organizadora da obra na Apresentação, A proposta deste livro é articular imagens e subjetividades por meio dos processos de significação. E os processos de significação não são os mesmos para todas as pessoas. As visões de mundo são modificadas de acordo com as experiências vivenciadas por cada pessoa, apesar de a cultura ser construída na coletividade, a pessoalidade acontece e é a distinção entre nós. O Imaginário possibilita a união e a troca de diferentes grupos culturais e áreas de conhecimentos, como reúne Graci, neste livro, autores que tratam das Artes, Letras, Ciências Humanas e Sociais, em tempos de guetos e exclusão, o que permite unir vários teóricos. Os seres humanos são o foco de nossos estudos, nos quais as imagens vão apresentando símbolos dos nossos grupos culturais e o cuidado de si e do outro aparece como prioridade.

Permeado de autores como Carl Jung, Gilbert Durand e sua teoria da mitocrítica nos faz entender melhor as dinâmicas de sala de aula de artes na educação formal, com seus mitos de criação e a relação da educação com a saúde. A saúde é um tema recorrente neste livro e necessário, pois, em tempos de depressão, suicídios, câncer, doenças de todos os tipos, precisamos de um contraponto para um equilíbrio das subjetividades.

Os teóricos utilizados nos textos desta coletânea de pesquisas sobre o imaginário tomam como base Gilbert Durand, e o que nos trazem de mais especial é o cuidado com o outro, cuidado com os doentes, cuidado com as crianças, cuidado com o velho, em uma sociedade em que as pessoas são facilmente ‘descartadas’ como ‘coisas’ que não têm mais uso. Mas para quê? Se são pessoas que ainda não produzem ou não produzem mais. Em uma sociedade capitalista neoliberal, os que não produzem estão fadados a ser excluídos do meio social.

Por isso a importância deste livro. Ele coloca em evidência as subjetividades, as almas das pessoas, independentemente de idade, gênero, raça, classe social. É o cuidar de si e do outro. E como estamos precisando disso. Ouvir os mais velhos, pensar as escolas como espaços de conhecimento e descobertas de si e do outro, as danças circulares, o cinema, a reflexão sobre o mundo, faz-nos pessoas melhores, faz o nosso mundo melhor. Experiências como essas vividas aqui nestes textos nos fazem pensar que somos capazes de dar o melhor de nós e, com isso, transformar o espaço em que vivemos.

Os símbolos, os mitos, os arquétipos fazem parte de uma estrutura do sensível que possibilita às pessoas entenderem elas próprias e o mundo que as rodeia. Os símbolos são apresentados em imagens que são produzidas nos grupos culturais, tais como os costumes, os gestos, os sentidos, como nos diz Jean Jacques-Wunenburger. Para o autor, o que ouvimos é imagem, o que experimentamos nos sabores é imagem, o que tocamos e como sentimos o toque é imagem, o cheiro é imagem; ratifico essa ideia com Bachelard, para quem essas imagens remetem-nos a outras imagens. Imagens que vão se destruindo e se recompondo em outras épocas. O sonhador escuta já os sons da palavra escrita. [...] sonoridades escritas [...] dando ao sonho o tempo de encontrar o seu signo, de formar lentamente o seu significado², constatando uma ciclicidade na teoria do imaginário que Bachelard expressa de forma poética. É clara a relação contínua entre o objeto de estudo e o observador, e que eles se retroalimentam um com o outro por meio dessa relação, evidenciando, também, a coerência do imaginário. As imagens carregadas de símbolos criam características próprias de um grupo cultural. Nosso sotaque é imagem, que remete a outras imagens advindas da cultura desse sujeito, que tem raízes nas suas origens culturais. Para Wunenburger, no livro Filosofia das Imagens,

O termo imagem reenvia freqüentemente [...] à objetivação de algum conteúdo sensível sobre o suporte material (retrato, desenho, fotografia). [...] O número e a variedade das imagens vão pois depender do próprio corpo, de seus mediadores sensoriais (os cinco sentidos) e motores (gesto, voz), que participam da formação das representações sensíveis concretas.³ (tradução nossa)

Das imagens aos símbolos, dos símbolos aos mitos, vamos desvendando as nossas origens. Os mitos, em suas narrativas, vão organizando os grupos culturais, alguns identificados aqui nestes textos, surgem das nossas origens matriciais, mas não ficam estáticos; de tempos em tempos, uns ficam latentes e outros evidenciados na sociedade, todas as imagens estão em nosso entorno.

Graciela, em sua sabedoria, está contribuindo para um mundo no qual as subjetividades são ressaltadas, em que as crianças e os velhos têm espaço, e o cuidar não é esquecido, muito pelo contrário, ele é repetido em cada texto deste livro. É um livro que traz alento ao coração, que simboliza o amor, mas, além disso, a força, a verdade, a justiça, a sabedoria, a intuição, o divino, o espírito, o nascimento e a regeneração⁴.

Ao ler o livro que Graciela muito cuidadosamente organizou, foram essas imagens que surgiram em meu corpo. São sete pesquisas que tratam da essência do humano, com metodologias próprias de pesquisas acadêmicas, respeitando a ética e os caminhos da ciência. Uma ciência em que poesias e teorias se complementam. A razão e a emoção andam juntas na busca do conhecimento.

Recife, 21 de agosto de 2018

Maria das Vitórias Negreiros do Amaral

Coordenadora do Programa Associado de Pós-Graduação em Artes Visuais Universidade Federal de Pernambuco/Universidade Federal da Paraíba e professora do curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Pernambuco. É Vice-Líder do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas sobre o Imaginário

APRESENTAÇÃO

A proposta deste livro é articular imagens e subjetividades por meio dos processos de significação. A imagem pode ser uma criação mental ou pode possuir um aspecto material de simbolização no qual a consciência manifesta uma percepção de mundo e de si mesmo. O imaginário é o conjunto de imagens que dá significado a tudo o que existe, havendo uma aptidão singular e coletiva para dar sentido à realidade.

As concepções acerca de sujeito e de subjetividade, expostas nesta obra, constituem um conjunto complexo do assunto devido à diversidade de estudos que abrangem diferentes áreas de conhecimento, sobretudo as Ciências Humanas, as Ciências Sociais, as Artes e as Letras, nas quais a subjetividade centra-se na identidade dos seres humanos construída de maneira plural, porque a sociedade possui um papel fundamental na constituição do sujeito.

O capítulo que abre esta coletânea, intitulado O assassinato sacrificial ou a oitava aventura de Jung, escrito pela organizadora da obra, Graciela Ormezzano, aborda a relação existente entre o texto e algumas pinturas de autoria de Carl Gustav Jung e seus possíveis significados, constantes no Capítulo XIII de O livro vermelho. A obra, também denominada Liber novus, é uma espécie de diário pessoal, e neste estudo se apresenta uma fantasia na qual houve um encontro entre o criador da psicologia analítica e sua alma. O texto reflete um profundo mergulho no inconsciente pessoal de Jung e suas conexões com o inconsciente coletivo.

O segundo capítulo une-se ao anterior e aos dois que seguem, porque tem como fio condutor a interpretação de imagens à luz da teoria do imaginário de Gilbert Durand. Franciele Silvestre Gallina escreve Conhecimento e cuidado: uma jornada mítica, em que trata dos processos educativos que tentam realizar a fusão sensível-inteligível para contemplar a inteireza da vida. A autora investigou esses processos por meio da função imaginativa, possibilitando expervivências capazes de fazer que educadores e equipes de gestão modifiquem as suas realidades, ressignificando as ações cotidianas e os seus sentidos existenciais, utilizando desenhos arquetípicos, sinalizadores dos seguintes mitos diretores: da Criação, do Eterno Retorno, de Teseu e Ariadne, de Crono e Kairós, de Quirão e de Atená.

Na continuidade, está a escrita de Cristiane Barelli, cujo título é Imaginário, símbolos e mitos: a leitura de fotografia no cuidado em saúde, em que discute uma perspectiva do cuidado humanizado cuja exigência é que o foco esteja na saúde, e não na doença. O escopo do estudo esteve em compreender como convergem os símbolos e mitos na leitura de uma fotografia do livro Cuidar: um documentário sobre a medicina humanizada no Brasil, do fotógrafo André François. Essa leitura aproxima do arquétipo O Deus plural, emanado do imaginário coletivo. O exercício da interpretação da imagem facultou vivenciar sentidos híbridos, possivelmente com entendimentos diversos daqueles que François retratou, podendo até mesmo ter se distanciado do sentido em que a fotografia foi produzida.

As danças circulares sagradas: imagens no (re)encontro com a educação do sensível, de Rodrigo José Madalóz, é o capítulo que conclui a primeira parte da obra. O texto debate sobre os possíveis significados da composição dos centros das rodas de Danças Circulares Sagradas desenvolvidas por mulheres. Um grupo de idosas foi convidado a planejar e compor o centro para duas vivências a partir de temáticas de livre escolha. A composição dos centros da roda possibilitou o engajamento coletivo, o pertencimento e o empoderamento, afinal, o grupo pode expressar crenças e valores, sentimentos e concepções pessoais e grupais que valorizaram a criação e a expressão artística.

O capítulo seguinte compreende um público da mesma faixa etária do anterior e trata de Imagens da velhice: percepção de vida e bem-estar subjetivo. Nele, Arlete Caye, Raquel Maria Rossi Wosiack e Geraldine Alves dos Santos discutem os problemas relacionados ao aumento de idosos no país e os agravantes associados ao maior número de demandas de saúde, uma vez que no Brasil cerca de 1% vive institucionalizado. Esse estudo identifica as percepções de vida e de bem-estar que interferem na constituição da autoimagem de idosas asiladas residentes em uma instituição de longa permanência na cidade de Ivoti, RS.

O texto que segue intitula-se Substâncias psicoativas e cinema, de Sônia Gotler, e é fruto de experiências profissionais em saúde e educação ao longo da vida da autora, além da sua paixão por cinema. Nele, ela interpreta os significados das imagens cinematográficas em acordo à subjetividade de pessoas que padecem de dependência química e frequentam um centro de atenção psicossocial focado nas problemáticas causadas pelo abuso de álcool e outras drogas, apresentando alguns sentidos que encerram a ideia de vício no passado e suas variantes na contemporaneidade. O estudo traz uma abordagem fenomenológica, assim como a pesquisa que lhe sucede.

Patrícia Barazetti encerra a obra com o capítulo Os caminhos do sentir na educação: entre imagens e subjetividades, no qual se debruça, com base na sua experiência de psicóloga na área jurídica e social, sobre temas ligados à sexualidade e à violência, havendo presenciado diversas situações em que o abuso foi perpetrado dentro da própria família da vítima. Portanto, a autora entende que é vital oferecer à escola modos de identificar essa violência sofrida pelas crianças e pelos adolescentes, oportunizando a instituição escolar protagonizar o importante papel que lhe cabe no rompimento dessa forma de violência. Assim, apresenta o significado que teve para as docentes de anos iniciais participarem de uma formação em serviço com relação à violência sexual e ao uso do desenho livre como facilitador de possíveis encaminhamentos.

A essência dos achados científicos se dá pelo encontro criativo com o desconhecido. Não houve nas pesquisas realizadas que motivaram esses capítulos um princípio da causalidade, que propiciasse o surgimento de algo amarrado ao que já era sabido; mas houve uma cosmovisão baseada no princípio de subjetividade-alteridade que priorizasse a emergência do fenômeno enquanto circunstância da diferença e uma perspectiva de aceitação do outro como essencialmente é, havendo uma abertura para a criação de algo novo, pautada na relação intersubjetiva dos seres humanos.

Passo Fundo, RS, inverno de 2018

Dr.ª Graciela Ormezzano – Organizadora

Sumário

1

o assassinato sacrificial ou a oitava aventura de Jung 21

Graciela Ormezzano

À guisa de introdução 21

Das fantasias, sonhos ou visões de Jung 23

Sobre a iluminura 26

Leitura imagística 28

Considerações derradeiras 50

Referências 51

2

conhecimento e cuidado: uma jornada mítica 55

Franciele Silvestre Gallina

Considerações introdutórias 55

Desenvolvimento da oficina 57

Significações emergentes: os oito mitos diretores 61

Considerações finais 84

Referências 85

3

IMAGINÁRIO, SÍMBOLOS E MITOS: A LEITURA DE FOTOGRAFIA

NO CUIDADO EM SAÚDE 87

Cristiane Barelli

Introdução 87

Fundamentação teórica 91

Contextualização histórica dos estudos do Imaginário de Gilbert Durand 93

A Teoria do Imaginário de Gilbert Durand e seus significados 98

O método de investigação arquetipológico: da mitocrítica à mitoanálise 103

Sobre a fotografia em estudo 106

Considerações finais 113

Referências 115

4

AS DANÇAS CIRCULARES SAGRADAS: IMAGENS NO (RE)ENCONTRO COM A EDUCAÇÃO DO SENSÍVEL 119

Rodrigo José Madalóz

Primeiros acordes 119

Compreendendo as Danças Circulares Sagradas 120

A centralidade do Cosmos: o centro da dança 125

Cosmovisão estética e educação do sensível 128

Imagens e leituras estéticas na educação do sensível 133

Acordes finais 140

Referências 141

5

IMAGENS DA VELHICE: PERCEPÇÃO DE VIDA E BEM-ESTAR SUBJETIVO 145

Arlete Caye

Raquel Maria Rossi Wosiack

Geraldine Alves dos Santos

Introdução 145

Envelhecimento humano 151

Instituições de longa permanência 153

Bem-estar subjetivo 155

Achados do estudo 160

Conclusão 170

Referências 172

6

SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS E CINEMA 179

Sônia Gotler

Considerações introdutórias: caminhos, memórias e inquietações 179

Cinema: o teatro da pele 182

Tornar-se si mesmo 194

Considerações finais: sensibilidade e anestesia 204

Referências 208

7

Os caminhos do sentir na educação: entre imagens e subjetividades 211

Patrícia Barazetti

Introdução 211

O despertar 214

A sexualidade 222

Considerações Finais 230

Referências 231

SOBRE OS AUTORES 233

1

o assassinato sacrificial ou a oitava aventura de Jung

Graciela Ormezzano

À guisa de introdução

O livro vermelho, ou Liber novus, de Carl Gustav Jung⁵, é um chamado às profundezas do inconsciente pessoal do psiquiatra suíço e suas conexões com o inconsciente coletivo. É uma obra fantástica, no sentido mais extraordinário dessa qualificação, ideia própria de uma imaginação extravagante e produzida por uma pessoa que, além de grande sensibilidade, possuía competência artística.

Fiquei fascinada pelo estilo do fac-símile do Liber primus e do Liber secundus, as duas partes que compõem a obra, nas quais Jung utiliza uma caligrafia gótica com letras ricamente decoradas, como no padrão seguido pelos monges copistas medievais ao realizar os manuscritos sagrados e, ainda, as belíssimas pinturas evocando o Grande Mistério.

Mas essa fascinação gerada pelas imagens inclassificáveis só me levou a uma profunda desorientação, pois Jung não dá indício fácil algum no texto sobre o sentido que confere às ilustrações que acompanham cada capítulo. As imagens surgiram utilizando o processo de imaginação ativa⁶ e foram fontes inspiradoras de teorias que ele desenvolveu a posteriori.

Assim, tendo que fazer uma difícil escolha, senti-me fortemente atraída pelas visões do autor sobre o encontro com sua alma e questionei-me: qual a relação existente entre o texto do Capítulo XIII, que compõe O livro vermelho, considerando as páginas 76 e 77 do fac-símile, e algumas das imagens produzidas no mesmo capítulo e seus possíveis significados?

Na tentativa de esclarecer esse questionamento, empreendi uma busca, obviamente carregada de subjetividade, ao tentar interpretar o texto vinculado à sequência de imagens contidas nas páginas 79 a 86 do fac-símile produzidas por Jung para ilustrar em parte o capítulo intitulado O assassinato sacrificial, do Liber secundus. Shamdasani afirma que o Capítulo XIII se intitula Oitava aventura no esboço manuscrito⁷.

O critério de exclusão do texto reproduzido na página 78 consistiu no fato de que nele o autor não fala diretamente sobre a visão que teve do assassinato sacrificial. Já a exclusão das imagens correspondentes se justifica porque Jung também evita comentar o diálogo com a natureza humana de

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