Encontre seu próximo livro favorito

Torne'se membro hoje e leia gratuitamente por 30 dias.
Paixão Indomável: Tons de Emoção 3

Paixão Indomável: Tons de Emoção 3

Ler amostra

Paixão Indomável: Tons de Emoção 3

avaliações:
5/5 (2 avaliações)
Comprimento:
495 página
9 horas
Lançado em:
Jul 23, 2020
Formato:
Livro

Descrição

Ethan contratou uma mulher que se parece com Sophia, tentando preencher o vazio que ela deixou em seu coração. Ele também elaborou um plano para ficar perto dela, ao menos profissionalmente. Ele está pronto para voltar à vida da mulher a quem ama desesperadamente.​


Logo quando Sophia deu à Alistair uma razão para viver de novo, ele fez o que não devia e a afastou dele. Mas ele sabe o que fez de errado e isso ainda lhe dá uma chance de lutar por ela. Se ele puder se modificar…


Sophia não está pronta para um novo relacionamento — nem com Alistair, nem com Ethan. Ela tem problemas maiores para lidar no momento: A parte que ela desempenhou em um jogo mortal de vingança… 

Lançado em:
Jul 23, 2020
Formato:
Livro

Sobre o autor


Relacionado a Paixão Indomável

Livros relacionados

Amostra do Livro

Paixão Indomável - Cristiane Serruya

meu.

1

Aeroporto de Heathrow

Em uma das salas VIP do Heathrow por Convite

Terça-feira, 6 de abril de 2010

05:31


Ocelular de Ethan vibrou e ele olhou para a mensagem de Scott: 

O carro dela chegará em alguns minutos.

Com toques hábeis, Ethan respondeu:

Informe à tripulação.

Ele caminhou lentamente até a porta do salão. Depois de alguns minutos, viu o guarda-costas de Sophia, Zareb, que era mais largo e uma cabeça mais alta que a maioria das pessoas ao seu redor. Seu sorriso branco e sua careca negra brilhavam sob as luzes.

Fingindo indiferença, Ethan saiu da sala.

— Sophia? — Perguntou ele.

Assim que ouviu seu nome, ela parou e olhou em volta. Maria, Zareb e Steven, que carregava uma Gabriela adormecida, pararam também.

— Ethan... Oi. — Ela lhe deu um sorriso cansado. — Continuamos nos encontrando em aeroportos.

— Parece que sim, querida. — Ele se aproximou e beijou-a na bochecha. Os olhos dele se arregalaram quando observou os machucados que marcavam o rosto dela. Delicadamente, a mão dele afastou o cabelo de Sophia para trás, para ver melhor um pequeno curativo. Por que eu não soube disso? — O que aconteceu?

— Eu caí. — Ela encolheu os ombros. — Nada demais.

Hmm. Isso é verdade, Sophia?

— Estou partindo em alguns minutos; tenho uma reunião em São Paulo... Estou pensando em abrir uma filial por lá.

— Verdade? Estou indo para o Rio.

— Por que não vem comigo então? Você sabe que tenho espaço suficiente para você... —Sophia mordeu o lábio e olhou por cima do ombro para a filha adormecida. Notando a tensão dela, acrescentou imediatamente: — Para todos vocês, é claro.

— Eu... Ethan, obrigada, de verdade, mas eu já reservei...

— Cancele, querida. — Ele olhou para a garotinha e sorriu. Cai de pau, Ashford. — Gabriela ficará mais à vontade no meu avião do que em qualquer outro. Garanto!

— Tá bem — concordou ela e virou-se para Steven. — Você poderia, por favor, cuidar disso? Se eles cobrarem alguma taxa, pague com cartão de crédito.

— É claro, Sra. Leibowitz — respondeu ele e transferiu Gabriela para os braços de Zareb.

Londres, Mayfair

Apartamento de Edward Davidoff

05:50

OiPhone de Edward tocou novamente, informando-o de um e-mail recebido. Franzindo o cenho ao reconhecer o toque de Sophia, ele olhou para o relógio digital na mesa de cabeceira ao lado de sua cama, e sua carranca se aprofundou ainda mais. 

Beijando a cabeça loira ao lado dele e, recebendo como resposta um suave gemido masculino, ele saiu da cama e murmurou para si mesmo: — Bebi demais. 

Colocando a mão na sua cabeça latejante, Edward se agachou para procurar o seu celular na pilha de roupas no chão.

Havia uma ligação e um e-mail. Quando ele tocou a tela para ler, a bateria acabou. Xingando baixinho e sem se importar em cobrir sua nudez, ele foi até o quarto que servia de escritório e ligou o computador.

Para: Edward Davidoff ( e.davidoff@leibowitzoil.co.uk )

De: Sophia Santo ( sophia@santo.co.uk )

Assunto: dias de folga

Data: terça-feira, 6 de abril de 2010. 05.47.53 GMT


Querido Edward,

Estou tirando umas férias com Gabriela e não sei quando voltarei. Não se preocupe, está tudo bem, só preciso de um tempo para pensar em algumas coisas que aconteceram nesse fim de semana.

Eu sei que a PL está em mãos competentes. Confio em você.

Obrigada.

Beijos,

S

— O que diabos aconteceu? — Murmurou Edward enquanto apertava o número de discagem rápida de Sophia, mas sem sucesso, porque sua ligação foi direcionada para a caixa postal. — Merda! — Ele esperou o sinal sonoro para começar a falar: — Sophia, amor, sou eu. Por favor, me ligue assim que puder.

Levantando-se apressadamente, uma ideia se formou em sua mente. Parou na porta do quarto e olhou para a bagunça enquanto meneava sua cabeça, espantou-se com o seu próprio sorriso e dar de ombros. Ele se dirigiu para o banheiro para se preparar para o que supôs que seria um dia muito incomum.

Consultório do Dr. Andrew Volk

09:27


— A morte de alguém próximo a você geralmente é emocionalmente devastadora. A morte de uma filha, no seu caso, é especialmente debilitante. Na minha opinião, ao ter esses encontros físicos, sexuais, você experimentou e liberou a raiva, a culpa e o vazio com os quais não era capaz de lidar. Não estou julgando sua escolha, mas você precisa entender que esse era o seu caminho para aceitar a perda... Como você se sente agora?

Sério? Alistair passou a mão pelos cabelos e fitou o médico com os olhos semicerrados. — Você tem filhos, Andrew?

Dr. Volk pigarreou. — Tenho um filho de dezessete anos, e não estou dizendo que sei o que você sentiu quando sua filha morreu ou que...

— Mas deixe-me dizer de qualquer maneira — ele interrompeu o médico, levantando a palma da mão. — Foi como se meu coração tivesse sido arrancado de meu corpo. Fiquei sem alma, Andrew. Durante muito tempo, fiquei oco porque não havia nada dentro de mim. — Alistair franziu a testa e se corrigiu: — Não, não é isso. Eu estava com o coração partido e sem alma, aye. No entanto... eu senti... eu senti ódio, raiva, dor. Eu odiava Heather. Eu me odiava. — Ele respirou fundo, tentando controlar sua emoção para seguir adiante: — Estava totalmente consumido por emoções sombrias, violentas, que me deixavam insensível a todo o resto... Eu queria gritar minha raiva para o mundo! Queria destruir todas as mulheres que surgissem no meu caminho, porque perdi toda a capacidade de me relacionar com os outros... E apenas alguns dias após o funeral, fiquei ainda mais cruel. — Ele apoiou os cotovelos nos joelhos e sibilou para o médico: — Fui um covarde. Não consegui tirar minha própria vida.

— Então, você queria destruir e ser destruído de todas as formas possíveis. Isso é sadomasoquismo. — As sobrancelhas de Alistair se ergueram na testa enquanto o médico continuava: — E eu não chamaria de covardia...

— Ah, nae! Claro que não. — Alistair deu uma risada áspera e enfiou as duas mãos nos cabelos, descansando a testa nas mãos. — Tudo o que eu conseguia pensar era que queria ser enterrado com Nathalie. Vivo. Ela não gostava do escuro, sabe? Eu queria estar no caixão com ela, cantar para ela uma canção de ninar para afastar seus medos e a segurar forte em meus braços... para que ela não se sentisse sozinha e com frio. Eu a protegeria...

A garganta dele se fechou e lágrimas encheram seus olhos, dominado por uma saudade tão devastadora que, há pouco tempo, o teria arrasado.

Mas Alistair era um homem diferente agora. 

Ele apertou os olhos e respirou fundo algumas vezes, buscando conforto em suas memórias com Sophia e Gabriela.

Como profissional que era, Dr. Volk estava mais do que acostumado a ouvir histórias tristes, mas também era pai, e a dor excruciante que rasgava o homem sentado no sofá era mais do que evidente.

Alistair enxugou os olhos, recostou-se no encosto do sofá e olhou para o terapeuta. — Eu não conseguia realizar meu desejo de estar com ela. Estava impotente para voltar no tempo e salvá-la de... — Ele acenou com a mão no ar. Um minuto se passou antes de Alistair perguntar com voz rouca: — Isso te dá uma ideia?

— Sim, entendo seus sentimentos. Você não achou justo amar e ser amado; sentir prazer, dar prazer. Deixe-me lhe dizer: acharia bem natural, uma reação normal, se você tivesse parado nos sentimentos e não tivesse passado para a ação. Não tenha medo de sentir, Alistair. Entregue-se a todas essas emoções sombrias que o assustam porque você acha que elas o tornarão menos homem. Elas não vão. Pelo contrário, elas vão fazer você crescer.

Uma careta apareceu no rosto de Alistair.

— Eu já as senti e elas me despedaçaram. Eu não posso... — Ele balançou a cabeça com tanta força que uma mecha caiu sobre o olho. — Não posso encarar tudo de novo. Você não pode imaginar a dor. Não posso! Eu deveria ter sido mais cuidadoso, deveria ter ligado para Alice. Nathalie... — Alistair se engasgou com o nome da filha e olhou para as mãos. Eu te amei muito, meu amor, meu bebê.

— Entendo. — A palavra suavemente dita estava cheia de significado. O Dr. Volk olhou discretamente para o relógio posicionado ao lado de Alistair. O tempo deles acabou, mas ele não podia deixar a sessão terminar assim. — Você se ressente tão intensamente porque não foi capaz de cuidar dela da maneira como a sua família sempre cuidou de você. Além disso, Heather era o epítome do descuido, ela não cuidou de você ou de sua filha. Eu iria ainda mais longe e diria que ela não se cuidou... Acredito que você está se destruindo porque sabe, no fundo, que não é onipotente.

Alistair sentiu como se o Dr. Volk o tivesse dado um tapa. Respirou fundo e cerrou os punhos, tentando controlar sua raiva.

— Pare, Alistair. Não queira ser sempre controlador. É apenas cansativo e prejudicial, quanto mais aqui, que é o lugar certo para desabafar toda a sua raiva e frustração. — O Dr. Volk esperou, mas Alistair não disse uma palavra. — Você perdeu todas as mulheres da sua vida em um curto período de tempo. Sua esposa, sua filha e depois sua mãe. As pessoas confundem vida e morte. A vida compreende tristeza, dor morte. Ninguém pode escapar deles, e se render a esses sentimentos, ajuda a curar. A depressão...

— Você quer que eu sucumba à depressão como minha mãe fez? — perguntou Alistair, incrédulo. — Que bem isso fez a ela? Nae. Vou lutar contra todos esses sentimentos debilitantes!

— Não estou sugerindo que você deprima ou perca a sua força... O luto apropriado é normal, e até saudável, ele diminui e passa com o tempo, ao compasso que, uma depressão, requer tratamento. Aliás, o luto não resolvido é pior do que o próprio luto. Desde a morte de Nathalie, você vive uma vida normal, feliz e saudável? Você me disse que perdeu a capacidade de confiar nos outros, que evitou relacionamentos e se sentiu emocionalmente entorpecido. Você ainda se sente assim?

Por muitos segundos, Alistair ficou em silêncio, revisitando os últimos meses. Quando respondeu, sua voz estava cheia de reverência. — Nae. Ela veio e mudou tudo. — Fechando seus olhos, sussurrou: — Como mágica, Sophia mudou tudo.

— Mágica. — Dr. Volk sorriu. — Se você quer chamar confiança, carinho e amor de mágica, que assim seja. — O médico se inclinou na direção de Alistair. — Pelo que você me disse, Sophia não tem medo de confiar, se importar e sentir. Acho que ela está organizando sua própria vida para se dar totalmente para você. Porque um não pode convidar o outro a compartilhar sua vida, se não estiver inteiro. Essa, Alistair, é a mágica dela.

O médico se calou por segundos, deixando que seu paciente filtrasse suas palavras antes de complementar: — Infelizmente, nosso tempo acabou. Eu tenho uma tarefa para você. Quero que você reflita sobre como se sente agora que está em um relacionamento estável. O que Sophia fez para mudar seus sentimentos? E ela faz você se sentir tão bem? Há um poema de que gosto muito. Renascence ¹ de Edna St. Vincent Millay. Vou enviar o link de compra do livro para você por e-mail e quero que você leia e me conte suas impressões. Falaremos sobre isso na quinta-feira.

Sede do Banco da Cidade de Londres

10:17

— Davidoff, bom dia. Como posso ajudá-lo? — A voz profunda de Alistair parecia cansada e desanimada até para si mesmo.

— O que você fez com ela? — Perguntou Edward, sua voz tingida de raiva.

O quê? — Eu… — Ele parou e olhou surpreso para o irmão, que levantou uma sobrancelha. Alistair colocou a ligação no viva-voz. — Eu não fiz nada. Onde ela está?

— Ela se foi e ninguém sabe onde ela está. Ela deixou uma carta para você.

— Ela se foi… — repetiu ele em um murmúrio, franzindo a testa. Foi… pra onde? Por quê?

Alistair caminhou pelo corredor de mármore que levava à garagem como um homem possuído. O que Edward acabara de dizer ainda ecoava em sua mente. Lembrou-se da maneira civilizada e distante de Sophia.  Sou tão tolo! É tudo culpa minha. Deveria saber que ela descobriria minha escuridão. De uma forma ou de outra.

Eles entraram no carro e Alistair informou Garrick: — Edifício da Petróleo Leibowitz, por favor. Estou com pressa. — Por que ela não me ligou? Por que deixar uma carta? E com Davidoff, pelo amor de Deus? Alistair colocou os óculos escuros no rosto, impaciente. Ela tem medo de você, seu idiota!

Alistair sentiu a mão de Tavish em seu ombro. Ele queria rosnar, mas não adiantava descontar seus sentimentos confusos no irmão.

— Acalme-se, Alistair Connor. Você sabe que ele está certo, ao menos em parte.

Ele apertou as mãos tentando controlar seu ciúme e sua raiva, e se virou para olhar Tavish. — Ele se acha demais. Ele não deveria ter aberto a carta dela para mim. Pra mim! Ele gosta dela, Tavish Uilleam.

— Quem não gosta de Sophia? Ela é revestida de açúcar. E ele a conhece há muito tempo.

— Ele tem outros interesses em jogo. Ela deu a ele cinco por cento da Petróleo Leibowitz. — Ele afinou os lábios. 

— Não subestime a capacidade de fascinação da Sophia. Ele deve estar preocupado com ela. Eu estou. Ela acabou de se lembrar do que aconteceu com ela. Meses de horror. Você pode imaginar como a mente dela está confusa agora? Você não deveria ter feito o pedido no domingo — Tavish balançou a cabeça —, foi sem tato da sua parte.

Alistair deu um soco no banco do carro de couro. — Porra! Você acha que foi por isso que ela fugiu?

— Ah, cara — murmurou Tavish baixinho e enfiou a mão nos cabelos negros, pesando as palavras. — Ela descobriu suas preferências. Como, eu não sei. Apesar de eu duvidar, talvez ela tenha feito a mesma coisa que você. Embora, não se encaixe com o caráter dela, que é muito digno.

— O que eu fiz? — Alistair franziu o cenho para a escolha de palavras de seu irmão, olhando através das janelas escuras para o tráfego intenso. Ele olhou para Tavish novamente, o vinco na testa se aprofundando: — Então, o que eu fiz foi tão desonroso?

— Você contratou um detetive particular…

— Um detetive. É isso — interrompeu ele bruscamente e tirou o celular do bolso do paletó, discando um número. — Baptist, bom dia, é Alistair MacCraig. Preciso que encontre a Sra. Sophia Leibowitz e sua filha. Elas deixaram Londres hoje e preciso saber para onde foram. — Ele ouviu por uma fração de segundo e interrompeu: — Pare tudo o que estiver fazendo. Pago o dobro. Vou transferir metade agora.

— Alistair Connor! — repreendeu Tavish, mas Alistair apenas levantou a mão, enquanto ouvia o que Baptist estava dizendo.

Alistair nem deu importância ao suspiro indignado de Tavish quando ele acertou o preço. — Feito. Vou depositar metade agora e a outra metade quando você a encontrar.

— Não acredito nisso, Alistair Connor.

— Qualquer coisa por ela. Qualquer coisa — sussurrou ele.

Tavish vira Alistair exercer seu poder para alcançar sua posição no banco e no mercado de ações, glorificando-se com a queda de outras pessoas. Ele vira seu irmão seduzir muitas mulheres com elegância sensual e o coração frio, só para se divertir.

No entanto, o homem ao seu lado no carro estava quebrado. Quebrado pelo amor não correspondido. E esse amor dentro dele era tão perigoso, quanto gentil e convincente.

Tavish entendeu então que a escuridão em Alistair só podia ser controlada por Sophia. Ela era a única que tinha esse poder.

Mas ele não sabia se Sophia deveria ser invejada ou ser digna de pena.

2

Petróleo Leibowitz, Escritório de Sophia

10:57


Londres, 06 de abril de 2010

Meu querido Alistair Connor,


Espero que esta carta te encontre bem.

Tenho certeza de que você achará essa – como chamá-la... – confissão (?) bastante confusa. E é. Porque reflete meus sentimentos. Tentei colocar algum tipo de ordem nos meus pensamentos, mas estou muito impactada com o que lembrei e o que descobri neste fim de semana. Então, vou fazer isso em partes.


Vamos começar com o que eu descobri. Acho que você entenderá melhor essa parte.

Antes de qualquer coisa, tenho que me desculpar e dizer que não foi intencional. Eu estava um pouco tonta ontem de manhã, provavelmente devido a uma combinação de remédios. Me apoiei em uma porta no seu closet e ela se abriu. (Não preciso dizer qual porta ou o que vi lá dentro, preciso?)

No começo, achei interessante, criativo até. Fiquei espantada ao me pegar querendo que você me explicasse as coisas, talvez até tentar algumas delas. Mas quando eu abri a porta ao lado…

A curiosidade matou o gato, não é isso que eles dizem? 

Bem, no começo, não entendi direito o que estava vendo. Então, comecei a juntar os pontos. O que você me contou sobre Heather – e as perversões dela – e o seu comportamento às vezes incomum na cama me deu uma pista. E me perguntei aonde isso nos levaria. Eu sabia que não seria capaz de dormir. Então fiz algumas pesquisas. In loco e on-line. E ainda… não consigo entender como ou por que a maioria dessas coisas é usada. Fiquei chocada e me senti totalmente traída. É isso que você quis dizer com um toque de dor e violência? Eufemismo do ano.

Alguns diriam que estou sendo ingênua e pudica. Que é apenas uma maneira diferente de amar. A isso eu responderia que tenho algum senso de autopreservação e que não sou desprovida de autoestima. Até li que isso pode trazer satisfação transcendental e orgasmo. Como? Me pergunto. Só para constar, alguns dizem isso sobre drogas também. Mas eu discordo.

Para mim, isso não é sexo, isso não é amor. É crueldade, tortura. Não há amor na dor, na humilhação do outro. Esse tipo de ‘dramatização’ – ou ‘amor’, como alguns insistem em chamar –, me lembra a Inquisição Espanhola, a escravidão e algumas mutilações bárbaras que sabemos que ainda estão sendo feitas na África e quem sabe onde mais.

Não posso suportar isso. Não vou tolerar isso. Não é da minha natureza aceitar quieta esse tipo de coisa. E mesmo tendo uma mente muito curiosa, não quero aprender essas coisas. 

Agora entendo por que você me disse que eu era sua salvação do abismo escuro. No entanto, não posso resgatar você. Somente você pode se ajudar. A menos que você procure aconselhamento para ajudá-lo a realmente se separar – ser curado (?) – dessa estranha compulsão, eu não serei sua salvação. Pelo contrário, eu serei sua destruição. E você será a minha.

Você sabe o que eu gosto em sexo e não é isso. Eu não gosto de dor. Não preciso disso para aumentar meu prazer. Vou mais longe e digo que você também não gosta ou não precisa. Você sabe ser gentil, amoroso e protetor. Pode até ser feroz e até selvagem às vezes – meu arrogante Lorde Homem das Cavernas. 

Você é amável. Você não é egoísta ou insensível em seus relacionamentos. Esta é uma opinião horrível que você tem de si mesmo. Você tem um coração. E ele não é sombrio.

Espero que você abandone essa necessidade de se vingar de si mesmo. 

Enterre sua esposa. Para sempre. Deixe-a apodrecer no inferno. Sozinha.

Dê paz à alma da sua filha. Tenho certeza que ela não o culpa pelo que aconteceu. Alguns anjos são bons demais para viver a vida inteira nesse inferno. Eles vêm à Terra por pouco tempo porque têm uma missão. Ela completou a dela.

Nada acontece sem uma razão. Não está em nós entendê-la. É muito difícil aceitar algumas coisas. Eu sei. É da natureza humana se rebelar contra o que não podemos controlar e o que nos causa angústia. Mas, às vezes, rebelião e raiva não ajudam nossa causa. Aceitação e amor, sim.

Agora, devo enfrentar minha parte em nosso naufrágio.

Não fui sincera com você. Traí você quando omiti e menti. E sinto muito. Não sou a mulher boa e perfeita que você imagina. Fiz uma coisa muito vergonhosa e repreensível no passado. Se arrependimento matasse, eu estaria morta agora.

Alguns dizem que Deus não nos dá mais do que podemos suportar. Então devo suportar isso. No entanto, não posso sobrecarregá-lo com mais do que você já carrega.

Deixe-me ser honesta: cometi um crime. Enorme. Gostaria de poder dizer que fiz isso porque não estava bem mentalmente, mas… isso seria uma mentira. Outra mentira. Não quero mais mentiras.

A meu favor, tudo o que posso dizer é que tenho me redimido – ou, pelo menos, tentado, se há alguma possibilidade de redenção. No entanto, não acho que seria justo se eu tivesse aceitado sua proposta e ocultado esse segredo. Certamente, isso apodreceria e corromperia nosso casamento.

Você me disse que eu podia confiar em você. Eu confio. Mas não posso lhe dizer o que é. Você não tem ideia. E não quero que você saiba. E você também não gostaria de saber. Confie em mim. (Ah. Que pedido tão injusto. Mas a vida é assim, não é?)

Tentei me colocar no seu lugar enquanto escrevia isso e tenho muita vergonha do meu comportamento.

Obrigada por toda a sua paciência comigo; por todo o seu carinho e amor com a Gabriela.

Em relação às mentiras que disse para você, em minha defesa, tudo o que posso dizer é que simplesmente não posso destruir a bela imagem que você tem de mim. (Mesmo que seja uma mentira.)

Egoísta, você acusaria. E eu concordo. Mas… é assim que eu sou. Uma mulher egoísta. Uma mentirosa. Uma criminosa.

Terceira parte. A conclusão.

Nosso relacionamento está condenado. Eu gostaria que não fosse assim, mas não posso mais me enganar. A longo prazo, isso vai me destruir. À você. À nós. E eu não posso permitir isso.

Espero que você encontre a felicidade em sua vida. Nada é mais poderoso que seu próprio desejo. Então, deseje amar e ser amado. Você conseguirá isso.

Não sou tão forte e corajosa quanto deveria. Por favor, imploro, não fique com raiva e tente entender.

Sinto muitíssimo que tenhamos chegado a isso.

Esta decisão está me despedaçando e estou sofrendo. Não foi isso que planejei ou imaginei, mas está além do meu controle. Meu coração sangra enquanto escrevo esta carta porque sei que estou deixando um pedaço dele com você. Um pedaço grande.

Então, gostaria que não fosse, mas é isso: Adeus. 

Por favor, não me ligue. Preciso de espaço para reconstruir minha vida. E da Gabriela.

Com todo o meu amor,

Sophia

PS - Eu sei que é muito indelicado devolver presentes, mas esse tinha um significado muito importante para nós. 

Então, estou devolvendo seu coração e responsabilizando-o por cuidar bem dele. Não o desperdice com mulheres que não o merecem, como eu.

S.

Tavish terminou de ler a carta e estudou a postura desanimada de seu irmão enquanto Alistair acariciava o rubi lindo do broche, que Sophia havia devolvido. Ao devolver a carta a Alistair, ele disse: — Eu… eu não sei o que dizer.

Alistair virou-se da janela. — Dra. Kent? A senhora leu a carta de Sophia?

— Não, Sr. MacCraig, não li. Estava esperando sua permissão. — Ela olhou brevemente para Edward, que estava olhando para o teto como se ali estivessem as respostas para todas as suas perguntas.

Alistair suspirou e entregou a carta. Ele inclinou a cabeça para o lado, estudando Edward.

A angústia de Edward era palpável e as linhas brancas ao redor de seus lábios traíam sua preocupação e sua raiva.

— Davidoff…

— MacCraig, tenho que me desculpar. — A voz de Edward estava seca. — Por abrir a carta. Mas pensei, pelo que vi no computador dela, que a coisa havia saído do controle.

Mmm. Melhor. — Tudo bem. Gostaria de entender o que você pensou que a polícia faria?

— Recentemente, a Fundação Leibowitz ajudou em um caso semelhante. — A carranca de Alistair endureceu, mas Edward não fingiu que não viu porque ele continuou: — Um caso de sadomasoquismo em que o tribunal sentenciou que a quantidade de dano físico ou psicológico que a lei permite entre duas pessoas, mesmo que sejam adultos, casados ​​e com o devido consentimento, mesmo que na privacidade de sua casa, deve ser determinada pelo Estado devido à sua responsabilidade de proteger as pessoas dessas lesões. Atos como os que Sophia pesquisou on-line são ilegais de acordo com a lei britânica. — Edward passou a mão no rosto e olhou nos olhos de Alistair. — Desculpe. Mesmo. Não sabia que não tinha ocorrido nada. Só fiquei pensando que Sophia poderia…

Alistair assentiu com perdão. — Realmente não importa mais, importa? Você poderia me mostrar o que Sophia pesquisou? 

Ele apontou para o computador de Sophia. — Claro, veja por si mesmo. A história da pesquisa ainda está na tela.

Alistair sentou-se na cadeira de Sophia e a primeira coisa que ele notou foram duas fotos discretamente colocadas lado do iMac. Surpreso, ele não sabia se deveria ficar lisonjeado ou irritado.

Na primeira, Sophia, adorável em seu vestido de noiva, olhava encantada para o rosto de Gabriel. A linguagem corporal deles falava por si só, gritando alto: Amor! Amor! Amor!

No outro porta-retrato, Alistair viu seu próprio rosto sorridente, segurando nos braços uma adorável e risonha Gabriela. Sophia havia tirado aquela foto em Stonehenge.

Ele se lembrava daquele dia claramente; o dia em que ela pediu para ele ir devagar. Ele deveria ter tido juízo e não ter arrastado Sophia para a sua escuridão. Seus lábios se curvaram para baixo e ele balançou a cabeça tristemente com a sequência de eventos que passaram por sua cabeça.

— J esus. Cristo. — O murmúrio chocado de Alistair fez Tavish desviar o olhar do rosto da Dra. Kent para encarar seu irmão.

Alistair estava navegando nos sites pesquisados ​​de Sophia há pelo menos dez minutos. Sentado duro e retesado na cadeira dela, ele estava pálido, com os olhos colados na tela.

Quando Alistair se virou para olhá-los, ele não sabia o que dizer. 

Após algum tempo, ele exalou, desconcertado, e deixou seus pés carregá-lo para onde os outros estavam sentados, e caiu pesadamente em uma das poltronas. — Nunca fiz nada assim.

Edward apenas bufou.

— Com ela, quero dizer. Ela não é o tipo de mulher…

— Você não precisa me dizer isso — Edward o interrompeu. — Conheço Sophia melhor que você, MacCraig.

Filho da puta. Alistair estreitou os olhos para Edward. — Mas você nunca a conhecerá como eu. — Devagar, Alistair Connor, devagar. Você precisa trazer Davidoff para o seu lado.

— Sou amigo de Gabriel há mais de quinze anos. E da Sophia por quase uma década. Eu estava no casamento deles. — Edward estreitou os lábios com raiva. — E pensar que sou o responsável pelo relacionamento de vocês. Eu a incentivei. Ela sabia que você era um problema. Aqueles malditos instintos. Eu queria ter exigido uma verificação de antecedentes em você. Mas era tarde demais. Ela já estava enlaçada e não me deixou. Ela queria construir um relacionamento baseado em honra e confiança. — Ele levantou-se do seu lugar no sofá, parecendo enojado consigo mesmo e caminhou até a janela. — Ela estava feliz, caramba.

— Edward. — A voz suave do Dra. Kent interrompeu a linha de pensamentos de Edward. — Temos que focar em Sophia. Estou bastante preocupada com o estado de espírito dela. — Ela se virou para Alistair e gentilmente disse: — Sr. MacCraig, Sophia passou por muitas coisas difíceis durante sua vida. Sua mente trabalha em um… equilíbrio precário. Seu irmão estava me dizendo que ela se lembrara dos eventos que levaram à morte do marido. Gostaria que o senhor me explicasse um pouco melhor, como aconteceu e o que ela lhe disse.

Alistair entrou no carro e encarou Tavish. — Eu estou indo para casa. Não estou em condições de enfrentar ninguém agora. Você pode me cobrir esta tarde?

— Claro. Não se preocupe.

Por que não fui cuidadoso o suficiente para esvaziar Ells Hall e Airgead das minhas coisas? Posso convencê-la de minhas novas intenções? Ele inclinou a cabeça no banco, fechando os olhos, se sentindo vazio, quando uma enorme sensação de perda tomou conta de sua alma. O que foi que eu fiz?

3

Em algum lugar sobre o Atlântico

No G650 de Ethan Ashford

13:05 GMT

— S e sentindo melhor? — Ethan ajudou Sophia a se sentar no sofá enquanto saía do banheiro. Ele colocou o braço sobre os ombros dela, aninhando-a em seu corpo grande.

Sophia colocou a cabeça no ombro de Ethan, fraca demais para fazer qualquer outra coisa. Ela deveria ter se lembrado que analgésicos tinham um efeito muito mais forte em um avião e não deveria ter tomado outro comprimido de codeína.

Ele colocou a mão na testa dela e olhou para o rosto pálido e os lábios azulados, preocupado. — Você não me parece bem, Sophia. — O que esse bastardo fez com você?

— Estou bem, Ethan. Já te disse que não vou vomitar. Nunca vomito. Estou um pouco enjoada, por causa da minha pressão baixa. Só preciso de um pouco de sal.

— Vanessa, por favor, me traga um pouco de sal e um cobertor — ordenou ele para a atendente que estava do outro lado do avião antes de se virar para Sophia. — Deita. Vou fazer uma…

Ela o puxou quando ele começou a se levantar. — Fica aqui comigo.

— Tá bom.

— Aqui, Sr. Ashford. — O atendente voltou rapidamente, entregando-lhe um pequeno pratinho de porcelana com um pouco de sal e um cobertor.

— Vanessa, por favor, traga um café expresso para a Sra. Leibowitz. — Enquanto ele a cobria, Ethan sondou: — Diga-me o que MacCraig fez para deixar você nesse estado, querida.

O que Alistair fez? Ele me pediu em casamento. Não pude aceitar. Os olhos de Sophia se encheram de lágrimas novamente. — Nada. O problema não é ele.

Olhando nos olhos dela, ele disse: — Não te entendo, Sophia. MacCraig não é o tipo de homem com quem você seria feliz. Ele não é, hum, como posso dizer isso… não é normal.

Sei disso agora. Ela fechou os olhos e uma lágrima escorreu pelo rosto. — Normal? O que é normal hoje em dia?

A raiva dele implodiu. — Onde está o seu respeito próprio? — Perguntou ele, em um tom calmo e comedido. — Até onde ele te degradou?

Ethan percebeu que havia cometido um erro antes mesmo de terminar sua frase, enquanto o rosto de Sophia empalidecia ainda mais.

Sophia sentiu como se ele tivesse dado um soco nela e o choque do golpe inesperado foi absoluto. — Ethan… ele nunca, nunca me degradou, como você diz. Não é desse jeito. Nós só… terminamos. Simples assim. — Simples? Ela olhou nos olhos azuis dele. — Não quero falar sobre isso. Por favor.

Você não sabe mentir, meu amor. Vou matar o bastardo. — Tá bom. Não falamos mais no assunto — disse ele, quando a atendente reapareceu. — Aqui. Beba o café, fará bem a você. — Mudando de assunto, continuou: — Então, você está animada com o baile? Estava pensando... Poderíamos ir juntos para a Índia quando o novo centro da Fundação Leibowitz abrir.

A pressão de Sophia se normalizou depois de um almoço leve, quando eles conversaram sobre os planos da instituição de caridade de Sophia. Com isso, o resto do voo passou com relativa calma.

Apartamento de Alistair MacCraig

13:07

Se possível, a intensidade do olhar de Alistair teria derretido a tela de computador enquanto ele pensava no que fazer a seguir. 

— Baptist tem uma habilidade extraordinária para descobrir segredos. Se alguém pode me dizer que porra é esse crime que ela diz que cometeu, é ele. Seus relatórios são de classe — disse ele ao irmão por telefone, e esfregou a mão na testa, sem conseguir imaginar como uma mulher tão gentil quanto Sophia poderia ter cometido um crime que fosse muito grave.

Aye. — Tavish bufou. — Eles podem ser uma catástrofe de primeira classe para a pessoa que ele está investigando. Não faça isso, Alistair Connor — advertiu Tavish. — Você pode não gostar do que vai descobrir.

— Tavish Uilleam, tenho três palavras para você: Veritas vos liberabit.

— Ah, cara… Você é um idiota teimoso.

Brasil, Rio de Janeiro 

Copacabana, Avenida Atlântica

Cobertura das famílias Gonçalves e Espírito Santo

15:33

Na luz da tarde do dia chuvoso, o mar refletia-se no vidro da janela em preto e cinza, espelhando os sentimentos de Sophia. 

— Agora não — disse ela com uma voz estrangulada quando ouviu o som da porta se abrindo, sem se virar.

Mãos fortes a agarraram pelos ombros e a giraram. Ela estremeceu com a dor no ombro esquerdo.

— Céus, Irmãzinha! O que aconteceu? — Felipe ficou horrorizado com a aparência de Sophia. Ela havia se maquiado para encobrir os hematomas na têmpora e debaixo dos olhos e estava vestida de preto como se estivesse de luto, apesar do clima quente.

Ela jogou o braço direito em volta da cintura dele, abraçando-o com força. — Ah, senti sua falta, Irmão.

— Sophia, o que foi? O que está acontecendo?

— Não é nada. Só estou sendo boba. — Ela não queria sobrecarregar Felipe, que já tinha problemas suficientes. Enxugando as lágrimas dos olhos, perguntou: — O que você está fazendo aqui no meio do dia? Você não deveria estar no trabalho?

— Carolina estava muito preocupada, tanto que me ligou assim que você

Você chegou ao final desta amostra. Inscreva-se para ler mais!
Página 1 de 1

Análises

O que as pessoas pensam sobre Paixão Indomável

5.0
2 avaliações / 1 Análises
O que você acha?
Classificação: 0 de 5 estrelas

Avaliações de leitores

  • (5/5)
    Cada vez mais apaixonada
    Apesar de Sofia e Alistair estarem ainda recuperado a confiança e aprendo amar eles querem ficar juntos. O amor é capaz de trazer a mudança que é o que eles precisam, as barreiras vão se quebrando e o amor cresce cada vez mais. O que eles não imaginavam que não iam conseguir ter paz.
    Ethan não aceita e quer tentar de tudo pra ter Sofia ao seu lado, o que ele não imagina é que pode haver consequências terríveis pra ele e pra Sofia. O que será que vai acontecer?